Questões de Concurso Comentadas sobre pontuação em português

Foram encontradas 11.501 questões

Q3927537 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Texto I

Felicidade Clandestina

In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro, Rocco, 1998



Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”. Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.


Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.


Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abrio, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. 


Disponível em: https://www.professorjailton.com.br/novo/biblioteca/clarice_lispector _-_felicidade_clandestina_e_outros_contos.pdf

No trecho: 

“Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.”


A vírgula após “Como casualmente” justifica-se por:

Alternativas
Q3927017 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

TEXTO II

Casamento, uma invenção cristã

Por Rainer Gonçalves Sousa

(Trecho) 

A união indissolúvel, celebrada por um sacramento, substituiu antigos costumes de poligamia, provocando grande mudança nos hábitos europeus. Em 392, o cristianismo foi proclamado religião oficial. Entre 965 e 1008 eram batizados os reis da Dinamarca, Polônia, Hungria, Rússia, Noruega e Suécia.
Desses dois fatos resultou o formato do casamento, em princípios do ano 1000, com uma face totalmente nova. Durante o Sacro Império Romano Germânico - que sucedeu ao desaparecido Império Romano -, dirigido por Oto III de 998 a 1002, houve uma fabulosa transformação das sociedades urbanas romanas e das sociedades rurais germânicas e eslavas. As uniões entre homens e mulheres eram, então, o resultado complexo de renitências pagãs, de interesses políticos e de uma poderosa evangelização.
"Amor: desejo que tudo tenta monopolizar; caridade: terna unidade; ódio: desprezo pelas vaidades deste mundo." Esse breve exercício escolar, escrito no dorso de um manuscrito do início do século XI, exprime bem o conflito entre as concepções pagã e cristã do casamento. Para os pagãos, fossem eles germânicos, eslavos ou ainda mais recentemente vikings instalados na Normandia desde 911, o amor era visto como subversivo, como destruidor da sociedade. Para os cristãos, como o bispo e escritor Jonas de Orléans, o termo caridade exprimia, com o qualificativo "conjugal", um amor privilegiado e de ternura no interior da célula conjugal. Esse otimismo aparecia em determinados decretos pontificais, por meio de termos como afeto marital (maritalis affectio) ou amor conjugal (dilectio conjugalis). Evidentemente, o ideal cristão era abrir mão dos bens deste mundo desprezando-os, o que constituía um convite ao celibato convencional.
A Europa pagã, mal batizada no ano 1000, apresentava portanto uma concepção do casamento totalmente contrária à dos cristãos. O exemplo da Normandia é ainda mais revelador, por ser muito semelhante ao da Suécia ou da Boêmia. Os vikings praticavam um casamento poligâmico, com uma esposa de primeiro escalão que tinha todos os direitos, e com esposas ou concubinas de segundo escalão, cujos filhos não tinham nenhum direito, a menos que a oficial fosse estéril, ou tivesse sido repudiada. As cerimônias de noivado organizavam a transmissão de bens, mas não havia casamento verdadeiro a não ser que tivesse havido união carnal. Na manhã da noite de núpcias, o esposo oferecia à mulher um conjunto muitas vezes bastante significativo de bens móveis. Ele era chamado de presente matinal (Morgengabe), que os juristas romanos batizaram de dote. Portanto, o papel da esposa oficial era bem importante, sobretudo se ela tivesse muitos filhos, já que o objetivo principal era a procriação.
Essas uniões eram essencialmente políticas e sociais, decididas pelos pais. Tratava-se de constituir unidades familiares amplas, no interior das quais reinasse a paz. Por isso, as concubinas de segundo escalão eram chamadas de Friedlehen ou Frilla, ou seja, "cauções de paz". Na verdade, elas vinham de famílias hostis de longa data. A partir do momento em que o sangue de ambas as famílias se misturava, a guerra já não era mais possível. Assim, as mães escolhiam as esposas dos filhos, ou os maridos, das filhas, sempre nos mesmos grupos clássicos, a fim de salvaguardar essa paz. Se uma esposa morresse, o viúvo se casaria com a irmã dela. Dessa forma, pouco a pouco as grandes famílias tornavam-se cada vez mais chegadas por laços de sangue (consanguinidade), pela aliança (afinidade) e, finalmente, completamente incestuosas. Acrescentemos a esse quadro as ligações entre os homens, a adoção pelas armas, o juramento de fidelidade e outras ligações feudais que triunfaram no século X como um verdadeiro "parentesco suplementar", segundo a expressão de Marc Bloch, e teremos a prova de que esses casamentos pagãos não deixavam nenhum espaço livre para o sentimento. [...]

Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/casamento.htm?_gl=1*s2zl8s*_ga*d0xxZE1OQW9lb kplUl9leGVIWldLNWpURmw4cjRrN2x3OWhwRVJadDd6RGlBS2NPc1llYlAzX2I1cE9GLXRsNw..*_ ga_PCH74EBZTB*MTc3MTg1NTI2My4xLjEuMTc3MTg1NTUwMS4wLjAuMA
Leia o trecho do texto:
“Essas uniões eram essencialmente políticas e sociais, decididas pelos pais.” (último parágrafo) 
Quanto ao uso da vírgula no trecho acima, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3926805 Português
O que a memória ama, fica eterno

    Quando eu era pequena, não entendia o choro solto da minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro. O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.
    O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.
    É que a memória é contrária ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a memória traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos. Crianças têm o tempo a seu favor e a memória ainda é muito recente. Para elas, um filme é só um filme; uma melodia, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.
    Diante do tempo, envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente parte. Porém, para a memória, ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis. Nossos filhos são crianças, nossos amigos estão perto, nossos pais ainda vivem.
    Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente. Quando nos damos conta, nossos baús secretos – porque a memória é dada a segredos – estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.
    A capacidade de se emocionar vem daí, quando nossos compartimentos são escancarados de alguma maneira. Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você – foi o fundo musical de um amor, ou a trilha sonora de uma fossa – e mesmo que tenham se passado anos, sua memória afetiva não obedece a calendários, não caminha com as estações; alguma parte de você volta no tempo e lembra aquela pessoa, aquele momento, aquela época…
    Amigos verdadeiros têm a capacidade de se eternizar dentro da gente. É comum ver amigos da juventude se reencontrando depois de anos – já adultos ou até idosos – e voltando a se comportar como adolescentes bobos e imaturos. Encontros de turma são especiais por isso, resgatam as pessoas que fomos, garotos cheios de alegria, engraçadinhos, capazes de atitudes infantis e debiloides, como éramos há 20, 30 ou 40 anos. Descobrimos que o tempo não passa para a memória. Ela eterniza amigos, brincadeiras, apelidos… mesmo que por fora restem cabelos brancos, artroses e rugas.
    A memória não permite que sejamos adultos perto de nossos pais. Nem eles percebem que crescemos. Seremos sempre “as crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos. Pra eles, a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das estórias contadas ao cair da noite… ainda são muito recentes, pois a memória amou, e aquilo se eternizou.
    Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas. Dizem que o tempo cura tudo, mas não é simples assim. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na dor. Mas aquilo que amamos tem vocação para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando. Somos a soma de nossos afetos e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos: somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial. 
    Do mesmo modo, somos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex-amores, amigos, irmãos. E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram.

(PRADO, Adélia. Bagagem. Editora Imago. 1976.) 
Sobre os aspectos linguísticos, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3926704 Português
A pontuação adequada contribui para a clareza do texto e para a correta organização sintática das ideias. Nesse sentido, assinale a alternativa em que a pontuação está corretamente empregada. 
Alternativas
Q3926396 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

162 anos de Cajazeiras: a terra que ensinou a Paraíba a ler

Cidade que ensinou a Paraíba a ler celebra sua história viva, sua cultura acolhedora e a força de um povo que transforma o sertão.

No coração do sertão paraibano, Cajazeiras chega aos seus 162 anos como quem abre os braços para acolher a própria história. Aqui, cada rua carrega memórias, cada praça é palco de encontros e cada pôr do sol guarda o encanto único desta terra que combina fé, saber e um orgulho que atravessa gerações.

A terra que “ensinou a Paraíba a ler” recebeu esse título após a fundação da escola de Padre Inácio de Sousa Rolim, onde jovens de diversas regiões encontraram luz e inspiração. Foi dessa semente que brotou uma vocação para o conhecimento, transformando Cajazeiras em referência acadêmica e intelectual no sertão.

Entre as marcas que moldam sua identidade, estão o vigor cultural e a capacidade de se reinventar. Das apresentações no Teatro Íracles Pires às festas populares que unem tradição e criatividade, a cidade encontra maneiras de manter vivas as expressões artísticas e de projetar novos talentos. É um espaço onde a arte e a educação caminham lado a lado, fortalecendo laços e ampliando horizontes.

Além disso, Cajazeiras preserva uma relação singular com sua paisagem e seu patrimônio. O Açude Grande, o Cristo Redentor no alto da cidade e as igrejas históricas não são apenas cartões-postais: são pontos de encontro, reflexão e orgulho coletivo. Esses lugares contam histórias silenciosas, carregadas de significados, que se renovam a cada geração.

Hoje, Cajazeiras se orgulha de ser mais que um ponto no mapa: é referência cultural, educacional. Uma cidade que transforma desafios em oportunidades e que inspira pelo exemplo de união e perseverança.

Celebrar os 162 de Cajazeiras é brindar a história de resistência e transformação, feita por mãos que constroem, mentes que ensinam e corações que acolhem junto ao orgulho de ser cajazeirense evoque sempre a certeza de que esta terra segue sendo um farol no sertão. 

Disponível em: https://g1.globo.com/pb/paraiba/especialpublicitario/minha-cidade/noticia/2025/08/15/162-anos-de-cajazeirasa-terra-que-ensinou-a-paraiba-a-ler.ghtml 


Sobre o uso dos sinais de pontuação no texto, analise as afirmativas a seguir:
I. O uso dos dois pontos em “não são apenas cartõespostais: são pontos de encontro, reflexão e orgulho coletivo” introduz uma explicação da ideia apresentada anteriormente.
II. As vírgulas em “Aqui, cada rua carrega memórias, cada praça é palco de encontros e cada pôr do sol guarda o encanto...” ajudam a organizar termos coordenados na construção do período.
III. O ponto final empregado ao longo do texto indica pausas curtas em falas de autoridades.
Agora assinale a opção CORRETA: 
Alternativas
Q3926184 Português
Os animais de estimação e as crianças


         Para muitas pessoas, os animais de estimação são membros da família muito queridos que oferecem apoio em diferentes etapas da vida. Eles ajudam casais a consolidar seu relacionamento, atuam como colegas de brincadeiras para crianças pequenas e oferecem companhia para pais quando filhos saem de casa.

         Em relação às crianças, muitos pais sentem intuitivamente que cuidar de um animal pode fornecer lições valiosas aos pequenos sobre cuidados, responsabilidade e empatia. "É muito importante, especialmente para as crianças mais jovens, aprender que o ponto de vista de alguém pode ser diferente de seu próprio", afirma Megan Mueller, professora de interação entre seres humanos e animais da Universidade Tufts, nos Estados Unidos. "Talvez seja uma lição mais fácil de aprender com um animal do que, digamos, com um irmão ou colega."

       Mas os estudos sobre os impactos benéficos dos animais de estimação sobre as crianças vão além. Eles indicam que os pets podem influenciar as habilidades sociais, a saúde física e até o desenvolvimento cognitivo das crianças. Cuidar de animais está associado a níveis mais altos de empatia. E, para crianças com autismo e suas famílias, cuidar de animais de estimação pode ajudar a reduzir o estresse e criar oportunidades para formar relacionamentos de apoio.

      Quando as crianças conhecem seus animais de estimação, elas se abrem para uma compreensão mais profunda dos animais no mundo como um todo. "Elas tendem a aprender com o seu pet, de alguma forma, a serem mais compreensivas, empáticas e a reagir aos animais em geral", afirma John Bradshaw, autor de diversos livros sobre cães e gatos.


Fonte: BBC Brasil. Adaptado.
Considerar o trecho abaixo.

[...] afirma John Bradshaw, autor de diversos livros sobre cães e gatos.” (4º parágrafo)

A vírgula após “John Bradshaw” tem a função de: 
Alternativas
Q3925217 Português

Texto I


Ensinando a transgredir

Durante algumas semanas, antes de o Departamento de Inglês do Oberlin College decidir me efetivar como professora, fui assombrada pelo sonho de fugir — de desaparecer —, até mesmo de morrer. O sonho não era uma reação ao medo de eu não conseguir a estabilidade no cargo. Era uma reação à realidade de que eu ia conseguir a estabilidade. Eu tinha medo de ficar presa na academia para sempre.


Em vez de ficar eufórica quando fui efetivada, caí numa depressão profunda que me pôs a vida em risco. Visto que todos ao meu redor achavam que eu devia me sentir aliviada, contente, orgulhosa, senti- -me “culpada” por meus “verdadeiros” sentimentos e não consegui partilhá-los com ninguém. O ciclo de aulas me levou à ensolarada Califórnia e ao mundo new age da casa da minha irmã, em Laguna Beach, onde pude esfriar a cabeça por um mês. Quando partilhei meus sentimentos com minha irmã (ela é terapeuta), ela me garantiu que eles não eram nem um pouco impróprios. Disse: “Você nunca quis ser professora. Desde quando éramos pequenas, tudo o que você sempre quis foi escrever.” Ela tinha razão. Todos sempre partiram do pressuposto de que eu seria professora.

[...]

Mas o sonho de me tornar escritora sempre esteve presente dentro de mim. Desde a infância, eu acreditava que iria lecionar e escrever. O escrever seria o trabalho sério e o lecionar, o “emprego” não tão sério de que eu precisava para ganhar a vida. O escrever, conforme pensava então, era uma questão de anseio particular e glória pessoal, enquanto o lecionar era um serviço, uma forma de retribuir à comunidade. Para os negros, o lecionar — o educar — era fundamentalmente político, pois tinha raízes na luta antirracista. Com efeito, foi nas escolas de ensino fundamental, frequentadas somente por negros, que eu tive a experiência do aprendizado como revolução.


HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017. p. 9-10. Adaptado.


Os sinais de pontuação são expedientes gráficos que auxiliam não só na composição do tecido coesivo do texto, mas também na construção da intencionalidade do sujeito discursivo.


No Texto I, em “Quando partilhei meus sentimentos com minha irmã (ela é terapeuta), ela me garantiu que eles não eram nem um pouco impróprios.” (parágrafo 2), a opção pelos parênteses isolando a oração aponta para um(a)

Alternativas
Q3923683 Português
Como uma teoria da motivação humana mostra que jogos de tabuleiro podem ser os presentes perfeitos para qualquer pessoa


Nos finais de ano, é quase inevitável conversarmos sobre a arte e a ciência de presentear. Até dá para evitar, mas eu não quero. Acho fundamental falar sobre isso, dado o quanto de dinheiro desperdiçamos dando coisas que não gostaríamos de ter comprado para pessoas que nem queriam ganhar aquilo. Levantamentos feitos pelo mercado nos EUA e no Reino Unido dão conta de que o equivalente a mais de meio bilhão de reais é gasto em presentes que ninguém quer: lembranças protocolares, acessórios inúteis, objetos de decoração que não agradam.

Mas às vezes somos obrigados a presentar mesmo sem querer: um amigo, um familiar. Seria possível contar com auxílio da ciência para acertar no presente? Haverá algo que todo mundo goste?

De acordo com a Teoria da Autodeterminação, proposta nos anos 1970, existem três necessidades básicas psicológicas básicas de todo ser humano: autonomia – sensação de ter controle e ser livre em suas escolhas; competência – sentimento de ser eficaz, interagir com o ambiente e modificá-lo, desenvolvendo habilidades; e relacionamento – a criação de vínculos, interação entre pessoas, promovendo conexão e pertencimento. Essas necessidades são a base da motivação intrínseca – aquela força que nos leva a fazer as coisas porque queremos genuinamente, que nos trazem prazer em si mesmas, não dependendo de recompensas externas.

A ludicidade, incluindo brincar e jogar, talvez seja a expressão mais completa da motivação intrínseca. É um impulso prazeroso por si só, provavelmente fixado em nossos instintos por nos levar a praticar habilidades e adquirir competências. E é por isso que sugiro que presenteemos com jogos. Apesar de divertidos, eles são mais sérios do que imaginamos quando se considera o quanto preenchem nossas necessidades de autonomia – já que nos jogos somos obrigados a fazer nossas próprias escolhas -, competência – uma vez que estamos praticando ali diversas habilidades -, e obviamente relacionamentos – peça chave dos jogos de tabuleiro.

Seja qual for o perfil da pessoa que você precisa presentear, com a quantidade de títulos que temos disponíveis hoje em dia é impossível não encontrar uma opção que a agrade, pois há alguns lançamentos recentes que mostram essa profusão de possibilidades.


É possível jogar individualmente, de dois a quatro jogadores, e também formar duplas, o que acrescenta mais uma camada de desafio às partidas, já que é preciso entrar perfeita em sintonia com o parceiro. 


Texto de Daniel de Barros (adaptado). Disponível em https://revistagalileu.globo.com/colunistas/tubo-de-ensaios/ coluna/2025/11/, acesso em 13 de dezembro de 2025
No trecho: “apesar de divertidos, eles são mais sérios do que imaginamos”, a vírgula foi empregada para
Alternativas
Q3923276 Português
Identifique em qual das orações abaixo a vírgula foi empregada corretamente: 
Alternativas
Q3923073 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

O Brasil que Dom Pedro II sonhou e ainda não construímos

 

Duzentos anos depois, seguimos fortes no campo e frágeis na ciência. Falta ao país o projeto que o imperador já enxergava

Por Gustavo Diniz Junqueira

 

Em 2 de dezembro de 1825 nascia Dom Pedro II, o imperador que fez do saber um projeto de Estado. Duzentos anos depois, o Brasil vive daquilo que ele intuiu: a força do território, da agricultura e da ciência como fundamentos do desenvolvimento. Mas também padece do que ele temia, a incapacidade de transformar conhecimento em projeto nacional.

Dom Pedro II foi um soberano singular. Poliglota, leitor voraz, curioso das ciências naturais, foi o primeiro chefe de Estado a visitar o laboratório de Pasteur, a financiar a fotografia no país e a investir em pesquisa agrícola. Criou, em 1887, o embrião do Instituto Agronômico de Campinas, ordenou o reflorestamento da Floresta da Tijuca e estimulou a imigração para povoar e modernizar o campo. Defendia a abolição da escravidão e acreditava que o progresso de uma nação dependia da educação e da ciência, não da retórica.

O Brasil que ele governou ainda era uma promessa. O de hoje é um gigante agrícola, responsável por alimentar o mundo tropical. Tornamo-nos potência em soja, carne, açúcar e café. Mas, paradoxalmente, continuamos pequenos onde deveríamos ser grandes: na pesquisa, na tecnologia e na visão estratégica de longo prazo. O agronegócio brasileiro é produtivo, mas não suficientemente inteligente. Temos volume, mas carecemos de sistema.

Enquanto a China multiplica por cinco seus investimentos públicos em pesquisa agrícola desde o início do século, somando hoje mais que Estados Unidos e Brasil juntos, nossas instituições históricas, como Embrapa e Instituto Agronômico de Campinas, sobrevivem com orçamentos restritos, defasagem de pessoal e pouca coordenação entre si. O setor privado, embora vigoroso, pensa em safras, não em décadas. O governo, por sua vez, não coordena uma política nacional que una ciência, financiamento, mercado e território. Cada um faz o seu melhor, mas o resultado coletivo é disperso. Falta projeto.

A consequência é clara: exportamos commodities e importamos tecnologia. Criamos riqueza, mas não produzimos conhecimento suficiente para sustentá-la.

Somos o maior produtor agrícola do mundo tropical, mas não lideramos o debate global sobre segurança alimentar, biotecnologia e clima, que é o debate definidor deste século.

O bicentenário de Dom Pedro II, celebrado em 2025, permanece como um ponto de inflexão na história nacional. Mais do que uma data comemorativa, é um espelho do país que fomos e do que poderíamos ser. O Brasil precisa de uma política pública ativa que volte a colocar a pesquisa e a inteligência territorial no centro da estratégia nacional. Não se trata de saudosismo imperial, mas de um imperativo moderno. Sem integração entre ciência, agricultura, educação e sustentabilidade, não haverá protagonismo.

A Conferência do Clima de 2025, a COP30, sediada pelo Brasil, simbolizou a oportunidade de reposicionar o país no debate global sobre clima e alimentação. O desafio agora é transformar essa energia em programa permanente, com instituições fortalecidas, financiamento estável e coordenação nacional. O Brasil deve continuar a se apresentar ao mundo não apenas como celeiro verde, mas como laboratório vivo da agricultura do futuro, tropical, regenerativa, digital e socialmente inclusiva.

Duzentos anos depois, Dom Pedro II continua a ensinar que o poder mais duradouro de uma nação não está em suas riquezas naturais, mas em sua capacidade de gerar conhecimento e distribuir oportunidades. O Brasil do século vinte e um precisa resgatar esse espírito e pensar o futuro como quem governa o tempo.

 

Fonte: Junqueira, Gustavo Diniz. Revista Veja. 3 dez 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/cenario-global/o-brasil-que-dom-pedro-ii-sonhou-e-ainda-naoconstruimos/ Acesso em: 07 de dezembro de 2025.

No excerto do primeiro parágrafo do texto: “Em 2 de dezembro de 1825 nascia Dom Pedro II, o imperador que fez do saber um projeto de Estado. Duzentos anos depois, o Brasil vive daquilo que ele intuiu”, as vírgulas estão sendo RESPECTIVAMENTE empregadas porque:
Alternativas
Q3922830 Português

Assinale a alternativa que indica as pontuações na ordem correta em que estão faltando na seguinte frase:



Compramos pães___ bolos___ queijo e salame para o café da manhã. 

Alternativas
Q3922821 Português
Em relação aos sinais de pontuação, assinale a alternativa que contém uma frase gramaticalmente correta: 
Alternativas
Q3922420 Português
Assinale a alternativa que indica as pontuações na ordem correta em que estão faltando na seguinte frase:

Pare____ Preste atenção por onde anda. Você precisa ter mais cuidado___ Antenor.
Alternativas
Q3922411 Português
Em relação aos sinais de pontuação, assinale a alternativa que contém uma frase gramaticalmente correta. 
Alternativas
Q3922365 Português
Assinale a alternativa cuja frase se encontra totalmente de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa em termos de pontuação. 
Alternativas
Q3922328 Português
“O que um livro precisa para ser bom?”, perguntou alguém da turma. “Que seja lido”, respondeu o autor.
Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita correta correspondente ao trecho acima, incluindo a pontuação adequada. 
Alternativas
Q3921986 Português
Pessoas otimistas vivem mais?

        Dick Van Dyke, um lendário ator e comediante americano, completou 100 anos. O ator atribui a sua longevidade ao otimismo e ao fato de nunca ficar com raiva. Embora a longevidade dependa, é claro, de muitos fatores, como genética e estilo de vida, há evidências que dão respaldo à alegação de Van Dyke.

        Por exemplo, no início dos anos 1930, pesquisadores pediram a 678 freiras iniciantes que escrevessem uma autobiografia ao ingressar em um convento. Seis décadas depois, os pesquisadores analisaram os textos e constataram que mulheres que expressaram mais emoções positivas no início da vida, em vez de ressentimento, viveram, em média, dez anos a mais do que aquelas cujos textos tendiam a ser mais negativos.

        Um estudo do Reino Unido constatou que pessoas mais otimistas viveram entre 11% e 15% mais do que seus pares pessimistas. E, em 2022, um estudo que analisou cerca de 160 mil mulheres de diferentes origens étnicas constatou que aquelas que se diziam mais otimistas tinham maior probabilidade de chegar aos 90 anos do que as pessimistas.

        Se você quer viver tanto quanto Dick Van Dyke, há coisas que podem ajudar a controlar os níveis de estresse e de raiva. Ao contrário do que se acredita, tentar “extravasar” a raiva, socando um saco, gritando em um travesseiro ou correndo até a sensação passar, não ajuda de fato. Essas ações mantêm o organismo em estado de alerta elevado, o que afeta o sistema cardiovascular e pode prolongar a resposta ao estresse.

(Jolanta Burke. Pessoas otimistas vivem mais?
Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/cy0ppwpd552o, 12.12.2025. Adaptado)
No trecho do 4º parágrafo – Ao contrário do que se acredita, tentar “extravasar” a raiva... –, as aspas foram empregadas para indicar
Alternativas
Q3921980 Português
        “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar à procura de uma esposa”. A frase de abertura de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, não era apenas uma crítica ao mercado matrimonial da Inglaterra do século 19, mas também uma das mais reconhecidas da literatura inglesa. Ela cativa os leitores com a sátira social característica de Austen, insinuando que a melhor chance de segurança para uma mulher era se casar com um homem rico. Hoje, suas palavras inspiram memes e vídeos no TikTok, enquanto seus seis romances foram adaptados de inúmeras maneiras.

      Nascida em 1775 em Steventon, Austen era a sétima de oito filhos e começou a escrever paródias divertidas na adolescência. Publicando anonimamente a princípio, lançou Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park (1814) e Emma (1815). Os livros A Abadia de Northanger e Persuasão foram publicados postumamente em 1817, o mesmo ano em que ela morreu aos 41 anos.

        “As heroínas de Austen vivem em uma sociedade classista e patriarcal, com regras rígidas de conduta e uma dupla moral de gênero. De certa forma, nosso mundo do século 21 não é tão diferente”, diz Juliette Wells, professora de estudos literários no Goucher College, em Maryland. Wells, autora de A Jane de todos: Austen na imaginação popular, atribui o apelo duradouro de Austen à sua compreensão da natureza humana, com personagens que incorporam características ainda reconhecíveis em diversos contextos culturais. Austen deu às suas heroínas poder de decisão através de sagacidade, inteligência e força interior.

     “Todos nós podemos nos inspirar nas protagonistas femininas de Austen, como Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, que se preocupa demais com sua felicidade pessoal para aceitar propostas de homens que ela não respeita, ou Anne Elliot, em Persuasão, que vira as costas para o esnobismo da família e valoriza as qualidades admiráveis de pessoas menos privilegiadas”, acrescenta Wells.

        Imagens das adaptações cinematográficas de Austen se tornaram ouro para a Geração Z, remixadas em conteúdo viral no TikTok, Instagram e Twitter. Acadêmicos notaram o potencial dos romances de Austen para memes, com suas frases espirituosas e personagens arquetípicos. Talvez uma verdade que possa ser universalmente reconhecida seja que o legado de Austen reside não apenas em sua fama literária, mas também em sua contínua relevância como escritora que ainda dialoga com o público moderno.

(Brenda Haas, Jane Austen aos 250 anos: dos livros ao TikTok. Disponível em: www.dw.com/pt-br/jane-austen-aos-250-anosdos-livros-ao-tiktok/a-75164449. 15.12.2025. Adaptado)
No trecho “… lançou Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park (1814) e Emma (1815)” (2º parágrafo), as vírgulas foram empregadas pelo mesmo motivo que aquela(s) em:
Alternativas
Q3921902 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

        Uma vez por semana, o torcedor foge de casa e vai ao estádio.

     Ondulam as bandeiras, soam as matracas, os foguetes, os tambores, chovem serpentinas e papel picado: a cidade desaparece, a rotina se esquece, só existe o templo. Neste espaço sagrado, a única religião que não tem ateus exibe suas divindades. Embora o torcedor possa contemplar o milagre, mais comodamente, na tela de sua televisão, prefere cumprir a peregrinação até o lugar onde possa ver em carne e osso seus anjos lutando em duelo contra os demônios da rodada.

        Aqui o torcedor agita o lenço, engole saliva, engole veneno, come o boné, sussurra preces e maldições, e de repente arrebenta a garganta numa ovação e salta feito pulga abraçando o desconhecido que grita gol ao seu lado. Enquanto dura a missa pagã, o torcedor é muitos. Compartilha com milhares de devotos a certeza de que somos os melhores, todos os juízes estão vendidos, todos os rivais são trapaceiros.

        É raro o torcedor que diz: “Meu time joga hoje”. Sempre diz: “Nós jogamos hoje”. Este jogador número doze sabe muito bem que é ele quem sopra os ventos de fervor que empurram a bola quando ela dorme, do mesmo jeito que os outros onze jogadores sabem que jogar sem torcida é como dançar sem música.

        Quando termina a partida, o torcedor, que não saiu da arquibancada, celebra sua vitória, “que goleada fizemos, que surra a gente deu neles”, ou chora sua derrota, “nos roubaram outra vez, juiz ladrão”. E então o sol vai embora, e o torcedor se vai. Caem as sombras sobre o estádio que se esvazia. Nos degraus de cimento ardem, aqui e ali, algumas fogueiras de fogo fugaz, enquanto vão se apagando as luzes e as vozes. O estádio fica sozinho e o torcedor também volta à sua solidão, um eu que foi nós; o torcedor se afasta, se dispersa, se perde, e o domingo é melancólico feito uma quarta-feira de cinzas depois da morte do carnaval.

(Eduardo Galeano, “O torcedor”. In: _____________. Futebol ao sol e à sombra.
São Paulo: L&PM Pocket, 2024. Adaptado)
Considere o trecho a seguir:
“Ondulam as bandeiras, soam as matracas, os foguetes, os tambores, chovem serpentinas e papel picado: a cidade desaparece, a rotina se esquece, só existe o templo.” (2º parágrafo)
O sinal de dois-pontos, presente no trecho, tem o mesmo sentido de
Alternativas
Q3919092 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Simpatia pelo lobo

O lobo é o grande bicho-papão das histórias infantis. Criatura da escuridão, de olhos amarelos e devorante boca, carrasco de inocentes – é o que nos asseguram as fábulas O lobo e o cordeiro (Esopo, La Fontaine), Chapeuzinho Vermelho (Charles Perrault, irmãos Grimm), Os três porquinhos (Joseph Jacobs), entre outras.
Não é difícil entender a razão desse estigma: diferentemente das vacas, porcos e ovelhas, o lobo é um dos animais que, tal como a aranha e a serpente, recusaram a domesticação, permanecendo independentes do homem. Sobre esta escolha crucial temos o testemunho insuspeito de Esopo. Convidado pelo cão a trocar as agruras da liberdade pelas migalhas da servidão, ele retrucou: “Antes livre, mas faminto, do que gordo, mas cativo!”.
Tendo rejeitado a civilização, o lobo seguiu seu caminho, irremediavelmente fiel à natureza. Daí ter se tornado a representação sensível da selvageria, dos instintos, dos subterrâneos da alma.
A natureza sabe ser hostil, mas também sabe prover: foi uma loba etrusca que amamentou Rômulo e Remo. E ela, sobretudo, sabe ensinar. Como dizia seu aluno Leonardo da Vinci, todos “aqueles que tomam por mestre a outro que não seja a natureza, mestra de mestres, se esforçam em vão”.

(Mauricio Puls. Revista Quatro Cinco Um. Outubro de 2020. Adaptado)
Em “Anatureza sabe ser hostil, mas também sabe prover: foi uma loba etrusca que amamentou Rômulo e Remo” (4o parágrafo), o sinal de dois-pontos foi empregado para introduzir uma
Alternativas
Respostas
361: C
362: D
363: D
364: D
365: A
366: A
367: A
368: D
369: D
370: C
371: B
372: C
373: C
374: A
375: E
376: B
377: E
378: A
379: A
380: D