Questões de Concurso
Comentadas sobre paralelismo sintático e semântico em português
Foram encontradas 423 questões
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Quem mandou matar Marielle, e por quê?
Veja os novos detalhes revelados pela investigação da PF
Os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram presos neste domingo, 24, suspeitos de mandar matar a vereadora Marielle Franco. O delegado Rivaldo Barbosa também foi preso. De acordo com a Polícia Federal, ele ajudou a planejar o crime e atrapalhou as investigações porque havia prometido impunidade aos mandantes. No atentado, em março de 2018, também morreu o motorista Anderson Gomes.
Os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa foram presos após a homologação da delação de Ronnie Lessa, que também está preso e é acusado de executar o crime. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pela investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os suspeitos foram presos no RJ e levados a Brasília. Dois deles serão transferidos a presídios federais em outros Estados. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que a elucidação do caso é uma "vitória do Estado brasileiro". Para ele, pode-se dizer que os trabalhos estão encerrados.
Quando e como foi o crime?
A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro. O carro em que viajavam foi seguido desde a Lapa, onde Marielle participou de um debate. Em uma esquina no bairro do Estácio, um Cobalt prata emparelhou com o veículo dirigido por Anderson, e do banco de trás partiram vários disparos. Marielle e Anderson morreram na hora. A assessora Fernanda Chaves, que estava ao lado da vereadora, escapou com vida.
Quem matou Marielle e Anderson?
Segundo as investigações, o crime foi executado pelos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. Ronnie Lessa é apontado como o autor dos 13 disparos que mataram Marielle e Anderson. Élcio de Queiroz dirigiu o Cobalt na noite do crime. A dupla foi presa no dia 12 de março de 2019, quase um ano depois do crime.
Quem mandou matar Marielle?
A PF aponta os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão como mandantes. Segundo o inquérito, o delegado Rivaldo Barbosa ajudou a planejar o crime e atrapalhar as investigações.
• Domingos Brazão: começou a carreira na política do Rio de Janeiro antes do irmão, Chiquinho. Foi vereador, deputado estadual e, atualmente, é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Já se envolveu com polêmicas, suspeitas de corrupção, ligação com quadrilhas e com a milícia, além de um assassinato.
• Chiquinho Brazão: eleito vereador pela primeira vez em 2004, ficou na Câmara Municipal do Rio por 14 anos. Em 2019, renunciou ao cargo para assumir como deputado federal. Na Câmara, conviveu com Marielle.
• Rivaldo Barbosa: era chefe da Polícia Civil do RJ à época do atentado (foi nomeado um dia antes). Antes disso, comandou a Divisão de Homicídios. Atualmente, é coordenador de Comunicações e Operações Policiais da instituição.
Quantas pessoas foram presas pelo crime?
Até a última atualização desta reportagem, sete homens haviam sido presos acusados de participação no crime. Veja quem são e quando foram presos: Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos (2019); Élcio de Queiroz, que confessou ter dirigido o carro que perseguiu o de Marielle (2019); Maxwell Simões Corrêa, o "Suel", primeiro por atrapalhar as investigações (2020), e depois por ajudar a sumir com arma do crime (2023); Edilson Barbosa dos Santos, o "Orelha", apontado como dono de um ferro-velho que colaborou com o desmanche do carro usado no crime (2024); Domingos Brazão, apontado como mandante (2024); Chiquinho Brazão, também investigado como mandante (2024); Rivaldo Barbosa, suspeito de planejar o crime e atrapalhar as investigações (2024).
Por que Marielle foi morta?
Na investigação, a PF aponta como possíveis motivações para o crime divergências políticas entre o clã Brazão e Marielle, e também a atuação da vereadora contra grilagem de terras em áreas de milícia na Zona Oeste do Rio. Os irmãos Brazão são políticos de longa trajetória no RJ, com influência em Jacarepaguá, região de milícia.
O relatório dos investigadores afirma que o delator Ronnie Lessa apontou "como motivo [do crime] o fato de a vereadora Marielle Franco estar atrapalhando os interesses dos irmãos, em especial, sua atuação junto a comunidades em Jacarepaguá, em sua maioria dominadas por milícias, onde se concentra relevante parcela da base eleitoral da família Brazão".
Um projeto de lei aprovado em 2017 na Câmara Municipal do Rio para regularizar ocupações clandestinas foi apontado por Lessa como possível "estopim". Marielle votou contra esse projeto, e, segundo relatos de testemunhas, Chiquinho Brazão ficou furioso com isso. O projeto chegou a virar lei, mas foi anulado pela Justiça depois. Segundo a PF, testemunhas ouvidas foram "enfáticas" ao apontar que a atuação da vereadora prejudicava os interesses dos irmãos Brazão.
Fonte: http://g1.globo.com/
I. Na segunda estrofe, o pronome -la foi usado como um elemento de coesão, uma vez que retoma o substantivo “vida”, que se encontra anteriormente expresso. II. Na terceira estrofe, o verbo “têm” foi acentuado porque se encontra na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, concordando com o seu sujeito “as pessoas”. III. Na quarta estrofe, tem-se o uso do paralelismo sintático, marcado pela repetição da expressão “para aqueles que [...]”, a qual introduz termos que foram usados com a mesma função sintática. IV. Na terceira estrofe, no trecho “[...] oportunidades que aparecem em seus caminhos.”, o termo “que” poderia ser substituído por “as quais” sem alteração de sentido dessa estrofe. V. Na primeira estrofe, ocorre próclise nos dois usos do pronome oblíquo átono “se”, já que os termos “só” (advérbio) e “que” (pronome relativo) são palavras atrativas.
Estão CORRETAS as afirmativas
Texto 01
Trabalhei com muitos suecos e guardo com carinho boas lembranças e amigos que mantenho até hoje. Inclusive na fábrica, pois atuei muito tempo acompanhando a produção de veículos. Na Volvo, eu aprendi o valor da organização, dos processos, da eficiência, do equilíbrioP Ao contrário de nós, brasileiros, os suecos não trabalhavam além da conta. Ao final do expediente, religiosamente, eles partiam para suas casas, suas famílias, seus hobbies. E isso não é à toa.
A Suécia tem na sua cultura um conceito de vida chamado lagom (muito similar ao hygge, dos dinamarqueses), que significa “o suficiente”; nem muito, nem pouco. É o adequado, moderado, equilibrado. Significa não ostentar, não mostrar superioridade e sucesso pelas posses materiais. É não ser apenas moderno ou apenas clássico. É não comprar por impulso nem acumular sem usar. Seguir o lagom significa trabalhar o necessário e com foco, transformando eficiência em resultado. E ter tempo para cuidar da vida pessoal, do corpo, da mente e da família.
Vale ressaltar que o lagom não se opõe à ambição, à modernidade, à arquitetura arrojada, à boa comida nem aos gostos refinados. Apenas nos aconselha a viver cada momento de forma moderada, para não comprometer os acontecimentos futuros. Lagom representa “o suficiente”, em contraste com o “quanto mais melhor” que está destruindo nossa sociedade ocidental com tantos acúmulos. [...] Viver uma vida simples não se trata de ter uma existência simplória, que se contenta com o menos. Uma vida simples é moderada, justa e feliz. Suficiente e única para cada um.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura de composição da referida passagem.
I. O termo “religiosamente” foi usado em sentido figurado, expressando uma circunstância de modo. II. O pronome “eles” foi usado como elemento de coesão, referindo-se a um termo anteriormente expresso. II. O termo “hobbies” foi usado em itálico para assinalar o emprego de um estrangeirismo. V. A expressão “ao final do expediente” foi usada como uma circunstância de tempo e, por estar antecipada, deve ser separada por vírgula. V. As expressões “suas casas”, “suas famílias”, “seus hobbies” constituem um paralelismo sintático, pois foram usadas com a mesma função.
Estão CORRETAS as afirmativas
O homem é o único animal que bebe sem ter sede, come sem ter fome e fala sem ter nada a dizer.
Em relação ao significado e à estruturação desse pequeno texto, assinale a afirmativa incorreta.
Texto 11A1
Trabalho e educação são atividades especificamente humanas. Isso significa que, rigorosamente falando, apenas o ser humano trabalha e educa. Assim, a pergunta sobre os fundamentos ontológicos da relação trabalho-educação traz imediatamente à mente a questão: quais são as características do ser humano que lhe permitem realizar as ações de trabalhar e de educar? Ou: o que é que está inscrito no ser do humano que lhe possibilita trabalhar e educar?
Perguntas desse tipo pressupõem que o ser humano esteja previamente constituído como ser que possui propriedades que lhe permitem trabalhar e educar. Pressupõe-se, portanto, uma definição de ser humano que indique em que ele consiste, isto é, sua característica essencial a partir da qual se possa explicar o trabalho e a educação como atributos desse ser. E, nesse caso, fica aberta a possibilidade de que trabalho e educação sejam considerados atributos essenciais do ser humano, ou acidentais.
Na definição de ser humano mais difundida (animal racional), o atributo essencial é dado pela racionalidade, consoante o significado clássico de definição estabelecido por Aristóteles: uma definição dá-se pelo gênero próximo e pela diferença específica. Pelo gênero próximo, indica-se aquilo que o objeto definido tem em comum com outros seres de espécies diferentes (no caso em tela, o gênero animal); pela diferença específica, indica-se a espécie, isto é, o que distingue determinado ser dos demais que pertencem ao mesmo gênero (no caso do ser humano, a racionalidade). Consequentemente, sendo o ser humano definido pela racionalidade, é esta que assume o caráter de atributo essencial desse ser.
Ora, assim entendido o ser humano, vê-se que, embora trabalhar e educar possam ser reconhecidos como atributos humanos, eles o são em caráter acidental, e não substancial. Com efeito, o mesmo Aristóteles, considerando como próprio do ser humano o pensar, o contemplar, reputa o ato produtivo, o trabalho, como uma atividade não digna de seres humanos livres.
Diversamente, Bergson, ao analisar o desenvolvimento do impulso vital na obra Evolução criadora, observa que “torpor vegetativo, instinto e inteligência” são os elementos comuns às plantas e aos animais. E, definindo a inteligência pela fabricação de objetos, fenômeno identificado como comum aos animais, encontra no ser humano a particularidade da fabricação de objetos artificiais, o que lhe permite avançar à seguinte conclusão: “Se pudéssemos nos despir de todo orgulho, se, para definir nossa espécie, nos ativéssemos estritamente ao que a história e a pré-história nos apresentam como a característica constante do ser humano e da inteligência, talvez não disséssemos Homo sapiens, mas Homo faber. Em conclusão, a inteligência, encarada no que parece ser o seu empenho original, é a faculdade de fabricar objetos artificiais, sobretudo ferramentas para fazer ferramentas, e de diversificar ao infinito a fabricação delas.”.
Demerval Saviani. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos.
Internet:
Julgue o item subsequente, a respeito do modo de encadeamento e de retomada das ideias ao longo do texto 11A1.
O segundo período do terceiro parágrafo pode ser dividido
em dois blocos semânticos e está estruturado em paralelismo
sintático.

Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 05 ago. 2023.
“ABERTURA DOS PORTOS – Monumento erigido na Praia do Russel, em comemoração ao Decreto de D. João VI, em 28/01/1808, determinando a abertura dos portos, medida que acarretou a integração do Brasil no comércio exterior. Este monumento, de bronze, é constituído por duas imagens de mulher, simbolizando o “Comércio” e a “Navegação”. O referido monumento, foi obra de Eugène Benet, escultor francês”.
Os termos destacados abaixo, precedidos da preposição DE, em que essa preposição mostra o mesmo valor semântico, é:
I No início do texto, a forma verbal “Há” indica tempo decorrido e poderia ser substituída por Fazem, sem prejuízo da correção gramatical e da coerência das ideias do texto original.
II No trecho “há uma lei municipal” (último período do primeiro parágrafo), o verbo haver tem o mesmo sentido de existir, caso em que é impessoal e, portanto, empregado sempre no singular.
III Na passagem ‘Quando a gente está há muito tempo na área pública’ (início do segundo parágrafo), a forma verbal ‘há’ estabelece concordância com a expressão ‘muito tempo’.
Assinale a opção correta.
Sobre a estruturação desse segmento, é correto afirmar que
Texto para as questões de 1 a 10.
1 O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional (COFFITO) define a terapia ocupacional
como uma profissão de nível superior voltada ao estudo,
4 à prevenção e ao tratamento de alterações cognitivas,
afetivas, perceptivas e psicomotoras, decorrentes ou
não de distúrbios genéticos, traumáticos e(ou) de
7 doenças adquiridas.
A terapia ocupacional beneficia pessoas de
todas as faixas etárias e que tenham alguma limitação
10 ou incapacidade de realizar tarefas do dia a dia. Mesmo
que algumas atividades pareçam muito simples, como
escovar os dentes ou vestir uma camisa, existem
13 condições de saúde que impedem ou dificultam sua
realização adequada.
O terapeuta ocupacional trabalha a partir
16 das habilidades e limitações de cada pessoa, criando
junto do paciente novas formas de fazer o que ele quer
e precisa, com a maior autonomia e independência
19 possível. As estratégias podem envolver, por exemplo,
uma modificação no modo de realizar uma atividade
para evitar sobrecarga de uma articulação, assim como
22 o planejamento abrangente de como executar uma
atividade para realizá‑la da forma mais eficiente possível.
Em alguns casos, são necessárias adaptações que podem
25 ser indicadas e elaboradas pelo terapeuta ocupacional,
seja com um equipamento de tecnologia assistiva, como
órteses e cadeiras de rodas, seja com modificações
28 ambientais para facilitar a funcionalidade e a participação
dos pacientes em diversas atividades.
Entre as atribuições desse profissional está
31 a de intervir no cotidiano das pessoas, avaliando seu
desempenho ocupacional em áreas de autocuidado,
trabalho, lazer, capacidades cognitivas, sensoriais,
34 motoras e sociais, melhorando seu dia a dia ao
possibilitar meios para que realizem atividades cotidianas
de maneira autônoma
37 Entre os espaços de atuação da terapia
ocupacional estão hospitais, clínicas, unidades de
terapia intensiva e enfermarias, centros de reabilitação,
40 ambulatórios, hospitais psiquiátricos, hospitais‑dia,
centros de atenção psicossocial, unidades básicas de
saúde (UBS), unidades de saúde da família (USFs),
43 escolas, creches, asilos, empresas, presídios, oficinas
terapêuticas e profissionalizantes.
A graduação em terapia ocupacional
46 estrutura‑se para a formação de profissional capacitado
para atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com
visão ampla e global da funcionalidade humana e da
49 interação harmônica dos contextos de vida, saúde e
social, com atenção ao cuidado individual e(ou) coletivo.
Internet:<bvsms.saude.gov.br>(com adaptações).
No texto, o vocábulo “prevenção” (linha 4)
Leia o texto para responder às questões de números 03 a 07.
Dengue prevista
A dengue é uma doença periódica e cíclica: os casos crescem no verão e há picos epidêmicos a cada 4 ou 5 anos. Trata-se, portanto, de enfermidade de atuação previsível. Supõe-se que o poder público se adiantaria com medidas de prevenção e tratamento. Contudo, há décadas os números de casos e mortes só aumentam no Brasil.
Entre 2000 e 2010, foram registrados 4,5 milhões de ocorrências e 1.869 óbitos. Na década seguinte, os números saltaram para 9,5 milhões e 5.385, respectivamente. O primeiro semestre deste ano registra 1,4 milhão de casos, ante 1,5 milhão em 2022. A tendência é piorar.
Segundo a OMS, urbanização descontrolada e sistema sanitário precário contribuem para o descontrole da moléstia.
No Brasil, cerca de 50% da população não tem acesso a redes de esgoto, em grande parte devido à ineficiência estatal, que só agora começa a mudar com o novo marco do setor. E o desmatamento para a construção de moradias irregulares grassa nos grandes centros. A dimensão de áreas verdes derrubadas para esse fim na cidade de São Paulo atingiu, nos primeiros dois meses de 2023, 85 hectares.
Neste ano, o município já conta com 11 444 casos de dengue – 3,7% a mais em relação ao mesmo período de 2022. Dez pessoas morreram, o maior número em oito anos, quando houve pico epidêmico.
A OMS ressaltou a importância da vacinação. Mas, devido à burocracia, o Brasil protela a distribuição do imunizante japonês Qdenga – já aprovado para venda pela Anvisa – no sistema público de saúde.
O combate à dengue deve ser contínuo, não apenas no verão, e em várias frentes complementares (saúde, infraestrutura e moradia). Com o alerta da OMS, espera-se que o poder público, local e federal, se prepare para receber as consequências do fenômeno climático El Niño.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 27.07.2023. Adaptado)
Considere as passagens:
• E o desmatamento para a construção de moradias irregulares grassa nos grandes centros. (4o parágrafo)
• ... o Brasil protela a distribuição do imunizante japonês Qdenga... (6o parágrafo)
• O combate à dengue deve ser contínuo... (7o parágrafo)
Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Leia atentamente o texto a seguir para responder as próximas questões.
“Se daqui a um minuto posso estar vivo ou morto, daqui a um minuto, qualquer que seja a minha condição aparente, serei o ringue de uma briga entre a vida e a morte. A todo momento, sou apenas um ângulo, reto, agudo ou obtuso, entre a vida e a morte. A vida nos quer, a morte nos quer. Somos o resultado da tensão ocasionada pelas duas forças que nos puxam. Esse equilíbrio, antes de tudo, não é estável. Amplo, diverso e elástico é o campo de forças da vida, assim como elástico, diverso e amplo é o campo de forças da morte. Ficamos facilmente deprimidos ou exaltados em razão das oscilações de intensidade desses dois campos magnéticos, sendo o tédio o relativo equilíbrio entre os dois. Às vezes é mais intensa a pressão da vida; outras vezes é mais intensa a pressão da morte. Não se diz com isso que a exaltação seja a morte e a depressão seja a vida. De modo algum. Há exaltações e exultações que se polarizam na morte, assim como há sistemas de depressão que gravitam em torno da vida. O estranho, do ponto de vista biológico, é que somos medularmente solidários com ambos os estados de imantação mais intensa, os da vida e os da morte. Dizendo mais claro: não aproveitamos apenas a vida, mas usufruímos também as experiências da morte, desde que estas não nos matem. Tudo dependerá da resistência, não da nossa vontade, do nosso mistério: se o mergulhador descer um pouco mais, a desigualdade de pressões lhe será fatal; se o centro de gravidade da torre de Pisa se deslocar mais um pouco, ela ruirá; enquanto não ruir, a torre usufruirá de sua perigosa inclinação, do mesmo modo que os mergulhadores vivem um estado de euforia nos estágios submarinos que precedem a profundidade mortal. Mas a morte pode sobrevir, não só de doenças, mas também de acidentes, de uma organização das circunstâncias que se chama acaso. Pois acho eu que a morte, por doença ou acidente, é sempre a mesma; quando ela se apodera de nós, seja por uma queda de pressão, seja por uma queda de elevador, é que se rompeu o equilíbrio: o centro de gravidade de um sistema se deslocou o mínimo necessário; o mergulhador foi longe demais na sua ousadia pesada, mas eufórica”. (Encenação da morte, Paulo Mendes Campos, com adaptações).
Em relação ao equilíbrio entre a vida e a morte, o autor afirma que “antes de tudo, não é estável”. Marque a alternativa que indica um possível antônimo de “estável”.
Atenção: Para responder às questões de números 6 a 8, leia o trecho de “Torto Arado”.
De loucura meu pai entendia, assim diziam, porque ele mesmo já havia caído louco num período remoto de sua vida. Os curadores serviam para restituir a saúde do corpo e do espírito dos doentes, era o que sabíamos desde o nascimento. O que mais chegava à nossa porta eram as moléstias do espírito dividido, gente esquecida de suas histórias, memórias, apartada do próprio eu, sem se distinguir de uma fera perdida na mata. Diziam que talvez fosse por conta do passado minerador do povo que chegou à região, ensandecido pela sorte de encontrar um diamante, de percorrer seu brilho na noite, deixando um monte para adentrar noutro, deixando a terra para entrar no rio. Gente que perseguia a fortuna, que dormia e acordava desejando a ventura, mas que se frustrava depois de tempos prolongados de trabalho fatigante, quebrando rochas, lavando cascalho, sem que o brilho da pedra pudesse tocar de forma ínfima o seu horizonte. Quantos dos que encontravam a pedra estavam libertos dos delírios? Quantos tinham que proteger seu bambúrrio da cobiça alheia, passando dias sem dormir, com os diamantes debaixo do corpo, sem se banhar nas águas dos rios, atentos a qualquer gesto de trapaça que poderia vir de onde menos se esperava?
(VIEIRA Jr., Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. Edição eletrônica)
No contexto em que se encontra, o termo