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Questões de Concurso Comentadas sobre ortografia em português

Foram encontradas 12.784 questões

Q738208 Português

Observe a sentença abaixo:


O dia-a-dia do profissional do mundo corporativo é muito estressante.

Convivemos com muitos conflitos dia a dia na esfera corporativa.


Assim, baseada na nova ortografia dos países falantes da Língua Portuguesa, observa que:


I. Os vocábulos em negrito estão corretos, pois há diferença de sentido entre eles.

II. Apenas o termo dia a dia está correto, já que foi abolido o uso do hífen para esta expressão.

III. Apenas o termo dia a dia está errado, uma vez que não foi abolido o uso do hífen para esta expressão.

Alternativas
Q738151 Português

                   Portos do Paraná avançam nas ações de meio ambiente

Na data em que é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente – 05 de junho – a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) registra o avanço das ações voltadas à preservação ambiental da região litorânea. “Desde que o Porto de Paranaguá obteve a sua Licença Ambiental de Operação, em 2013, o porto saltou da 26ª para o 3º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Ambiental (IDA), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)”, conta o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho. Ao todo, cerca de 30 licenças ambientais foram emitidas para o Porto entre os anos de 2011 e 2015. Os licenciamentos mais importantes são a licença de operação do Porto de Paranaguá, licença de dragagem do canal da galheta e licença de remodelação do cais do porto de Paranaguá. “Criamos uma diretoria de meio ambiente e implementamos cerca de 30 programas voltados à conservação dos recursos naturais, melhorando a conservação da cidade, a qualidade de vida das pessoas e o meio ambiente no Litoral do Paraná”, afirmou o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Luiz Henrique Dividino. Para fortalecer ainda mais estas ações, a Appa lançou o programa Porto Sustentável, iniciativa para estimular uma nova cultura de sustentabilidade baseada em cinco pilares: água, energia, resíduos, emissão atmosférica e responsabilidade socioambiental. Confira os principais projetos ambientais do Porto: ÁGUA - O porto realiza o monitoramento da qualidade das águas, dos sedimentos, da fauna aquática e atividade pesqueira. Atualmente, a coleta e análise da água é feita em 30 pontos da baía de Paranaguá. Um dos bioindicadores monitorados, por exemplo, é a população de botos na região. No período de um ano, já foram registrados mais de 500 animais na baía. O cuidado se estende ao consumo da água. Ao longo dos últimos 18 meses, o consumo nas dependências do porto caiu 60%. O uso mensal caiu de 18,5 mil metros cúbicos no início de 2014 para 7 mil metros cúbicos em 2015. A meta, no entanto, é diminuir ainda mais e chegar à marca de 80% de economia na conta da água. Para isso, uma campanha de conscientização dos funcionários está em curso, além da troca da rede hidráulica. Um sistema de captação de água da chuva é outra novidade que integra o novo projeto hidráulico do Porto de Paranaguá. O primeiro local a receber o sistema será o Silo Público. Toda a água da chuva captada será reutilizada em lavagem de equipamentos, das ruas e das áreas externas do cais do Porto. A APPA está contribuindo ainda para o monitoramento ambiental da baía de Paranaguá. Apenas no ano de 2015, mais de 350 navios receberam equipes técnicas da Administração dos Portos para avaliar a salinidade e procedência da água de lastro da embarcação. Até o momento, não houve nenhum registro de navios em desconformidade com a legislação. Desde 2013, quando o Porto conquistou junto ao Ibama sua Licença de Operação, a Appa realiza o Programa de Verificação do Gerenciamento da Água de Lastro dos Navios, medida que atende Norma da Autoridade Marítima – (Normam 20). A medida tem como objetivo evitar a contaminação do ecossistema marinho natural com espécies exóticas - trazidas juntamente com a água de lastro das embarcações vindas de outros países. A legislação que deve ser cumprida por todos os navios que navegam em águas brasileiras integra o Plano de Controle Ambiental do Porto de Paranaguá. A água de lastro é utilizada para dar estabilidade ao navio, por meio do preenchimento de reservatórios específicos com água do ambiente em que se encontra. ENERGIA - A eficiência energética é outro pilar da campanha. Cerca de R$ 21 milhões foram investidos para a troca da iluminação tradicional por lâmpadas de LED, substituindo luminárias de 400 watts para 150 watts. Como é uma tecnologia de ponta, o consumo por poste diminui sem perder a qualidade de iluminação. No Pátio de Triagem, onde a troca já foi concluída, a luminosidade à noite foi intensificada e, mesmo assim, já foi registrada uma economia de 16%. A troca na avenida portuária também já foi concluída e agora as lâmpadas da faixa portuária estão sendo trocadas. RESÍDUOS - Desde 2013, o porto conta com um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que inclui a distribuição de caçambas para a separação correta dos resíduos e a varrição diária das vias de acesso, ruas e avenidas no entorno da área portuária, no cais do Porto e nos terminais portuários. As varrições das vias para coleta de material que cai dos caminhões acontecem das 7h às 11h e das 13h às 17h. Em média, são varridos 361 toneladas de resíduos orgânicos por mês. Somente em 2014, foram coletados mais de 9 mil toneladas de resíduos. Além da varrição e destinação correta dos resíduos orgânicos, o Porto de Paranaguá possui 60 pontos de coleta seletiva para materiais recicláveis espalhados por toda a área portuária. Ao todo, foram instaladas mais de 100 caçambas. Estes pontos são monitorados por setor, desde o cais, avenida portuária, pátio de triagem até os prédios administrativos. Com menos resíduos orgânicos espalhados pelas ruas, a população de pombos também caiu drasticamente. EMISSÕES ATMOSFÉRICAS - Já foram realizadas dez campanhas para coleta de dados atmosféricos em doze pontos da cidade de Paranaguá para avaliar a qualidade do ar. São cerca de 5,6 mil caminhões que tem suas emissões de gases de combustão monitorados. Com isso, é possível verificar as condições de regulagem dos motores da frota que circula na região do porto.

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL - A melhor convivência da relação porto-cidade é outro pilar central do programa da Appa. Com o objetivo de conscientizar e orientar a população local, já foram realizadas mais de cem ações educativas, como palestras e oficinas em Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná. Somente entre os funcionários da Appa, mais de 170 colaboradores foram formados no Curso Introdutório de Educação Ambiental e outros quinhentos trabalhadores portuários foram envolvidos em ações de segurança, meio ambiente e saúde. O porto também promoveu seis ações de mutirão de limpeza nas praias do entorno da baía de Paranaguá para a remoção de resíduos nas faixas de areia, restinga e manguezais. No que diz respeito ao público externo, algumas ações centrais são desenvolvidas. Onze comunidades das ilhas da baía e do entorno do porto são abrangidas nas ações do Programa de Educação Ambiental, assim como 2,5 mil caminhoneiros foram orientados anualmente sobre a correta destinação de resíduos produzidos no transporte de grãos e limpeza dos caminhões. Porto Escola - O Projeto Porto Escola - Educação para a Sustentabilidade, é inovador na área portuária. Implementado por meio de convênio de cooperação mútua estabelecido entre a APPA e a Prefeitura do município de Paranaguá, o projeto tem como público-alvo professores e alunos do 5° ano do ensino fundamental das escolas públicas do Município. Em seu primeiro ano de execução em 2015, atingiu a marca de 2 mil participantes. O Porto Escola apresenta de forma lúdica, por meio de palestra interativa e visita ao cais, a importância da atividade portuária para a economia local e nacional, noções de cidadania, ações do porto para conservação do meio ambiente, saúde e segurança do trabalhador. (Disponível em: http://www.portosdoparana.pr.gov.br/modules/noticias)


Analise os enunciados a seguir.


I. “O porto realiza o monitoramento da qualidade das águas, dos sedimentos, da fauna aquática e atividade pesqueira.”


II. “O primeiro local a receber o sistema será o Silo Público.”


III. “O Porto Escola apresenta de forma lúdica, por meio de palestra interativa e visita ao cais, [...] ações do porto para conservação do meio ambiente, saúde e segurança do trabalhador.”


IV. “O porto realiza o monitoramento da qualidade das águas, dos sedimentos, da fauna aquática e atividade pesqueira.”


As palavras destacadas nos enunciados são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação em: 

Alternativas
Q736723 Português

Observe as sequências de palavras a seguir.

I. Jogo – relâmpago – utensílio – resposta

II. Imagem – órfão – saudade – ferrugem

III. Ideal – mestrado – conflito – viola


Há somente palavras paroxítonas:

Alternativas
Q736006 Português
Marque a alternativa correta quanto ao uso do hífen nas palavras abaixo:
Alternativas
Q736005 Português

Na tira, a ausência de acentuação em ideia e plateia revela

Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q735433 Português
Quanto às palavras acentuadas, marque a única alternativa correta:
Alternativas
Q734144 Português
Uma vela para Dario
Dalton Trevisan 

Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo – os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio – quando vivo – só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.
A última boca repete – Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/vela-dario-634329.shtml. Acesso em 09/123/2015. 
O verbo acender, que aparece em “Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver.”, é uma palavra homônima de ascender (subir). Assinale a alternativa em que a palavra homônima não corresponde ao significado atribuído a ela. 
Alternativas
Q734142 Português
Uma vela para Dario
Dalton Trevisan 

Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo – os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio – quando vivo – só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.
A última boca repete – Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/vela-dario-634329.shtml. Acesso em 09/123/2015. 
Considerando alguns pontos gramaticais apresentados no texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q732412 Português

O que é ética hoje?

Sem uma discussão lúcida sobre a ética não é possível agir com ética

                                                                                                                      Marcia Tiburi

      A palavra ética aparece em muitos contextos de nossas vidas. Falamos sobre ética em tom de clamor por salvação. Cheios de esperança, alguns com certa empáfia, exigimos ou reclamamos da falta de ética, mas não sabemos exatamente o que queremos dizer com isso. Há um desejo de ética, mas mesmo em relação a ele não conseguimos avançar com ética. Este é nosso primeiro grande problema.

      O que falta na abordagem sobre ética é justamente o que nos levaria a sermos éticos. Falta reflexão, falta pensamento crítico, falta entender “o que é” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que a ética inicia. Para que ela inicie é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor, e chegar à reflexão ética. Aqueles que expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, bondosas, creem-se como antecipadamente éticos porque emotivos. Porém, não basta. As emoções em relação à política, à miséria ou à violência, passam e tudo continua como antes. A passagem das emoções indignadas para a elaboração de uma sensibilidade elaborada que possa sustentar a ação boa e justa - o foco de qualquer ética desde sempre - é o que está em jogo.

      Falta, para isso, entendimento. Ou seja, compreensão de um sentido comum na nossa reivindicação pela ética. Falta, para se chegar a isso, que haja diálogo, ou seja, capacidade de expor e de ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos conversar. E para que haja ética é preciso diálogo. E, por isso, permanecemos num círculo vicioso em que só a inação e a ignorância triunfam.

      Na inanição intelectual em voga, esperamos que os cultos, os intelectuais, os professores, os jornalistas, todos os que constroem a opinião pública, tragam respostas. Nem estes podem ajudar muito, pois desconhecem ou evitam a profundidade da questão. Há, neste contexto, quem pense que ser corrupto não exclui a ética. E isso não é opinião de ignorantes que não frequentaram escola alguma, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”. Quem hoje se preocupa em entender do que se trata? Quem se preocupa em não cair na contradição entre teoria e prática? Em discutir ética para além dos códigos de ética das profissões pensando-a como princípio que deve reger nossas relações?

      Exatamente pela falta de compreensão do seu fundamento, do que significa a ética como elemento estrutural para cada um como pessoa e para a sociedade como um todo, é que perdemos de vista a possibilidade de uma realização da ética. A ética não entra em nossas vidas porque nem bem sabemos o que deveria entrar. Nem sabemos como. Mas quando perguntamos pela ética, em geral, é pelo “como fazemos para sermos éticos” que tudo começa. Aí começa também o erro em relação à ética. Pois ético é o que ultrapassa o mero uso que podemos fazer da própria ética quando se trata de sobreviver. Ética é o que diz respeito ao modo de nos comportamos e decidirmos nosso convívio e o modo como partilhamos valores e a própria liberdade. Ela é o sentido da convivência, mais do que o já tão importante respeito do limite próprio e alheio. Portanto, desde que ela diz respeito à relação entre um “eu” e um “tu”, ela envolve pensar o outro, o seu lugar, sua vida, sua potencialidade, seus direitos, como eu o vejo e como posso defendê-lo.

      A Ética permanece, porém, sendo uma palavra vã, que usamos a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Ninguém é ético só porque quer parecer ético. Ninguém é ético porque discorda do que se faz contra a ética. Só é ético aquele que enfrenta o limite da própria ação, da racionalidade que a sustenta e luta pela construção de uma sensibilidade que possa dar sentido à felicidade. Mas esta é mais do que satisfação na vida privada. A felicidade de que se trata é a “felicidade política”, ou seja, a vida justa e boa no universo público. A ética quando surgiu na antiguidade tinha este ideal. A felicidade na vida privada – que hoje também se tornou debate em torno do qual cresce a ignorância - depende disso.

      Por isso, antes de mais nada, a urgência que se tornou essencial hoje – e que por isso mesmo, por ser essencial, muitos não percebem – é tratar a ética como um trabalho da lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas sobretudo, com o que nele se planta e define o rumo futuro. Para isso é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade no qual o bem de todos esteja realmente em vista.

                                                       (http://www.marciatiburi.com.br/textos/somoslivre.htm)

                                                                                                                                   Questões:

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q730893 Português
Nas sequências abaixo, todas as palavras foram grafadas corretamente, EXCETO:
Alternativas
Q730892 Português
A letra h permanece nos vocábulos compostos unidos por meio de hífen. Já em vocábulos compostos sem hífen, essa letra é eliminada como em:
Alternativas
Q730699 Português

Imagem associada para resolução da questão

A mensagem dessa tirinha apoia-se no duplo sentido de uma palavra através de um recurso:

Alternativas
Q730698 Português
Nos enunciados abaixo, assinale aquele em que o parônimo ou homônimo foi empregado ADEQUADAMENTE de acordo com o SEGUNDO citado entre parênteses.
Alternativas
Q730528 Português

Leia a crônica a seguir para responder a questão.


    Certas palavras têm significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra. 

    Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.

 - Os hermeneutas estão chegando! 

    - Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...

    Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter sentido oculto. 

    - Alô...

    - O que é que você quer dizer com isso?

    Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

    - Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

    Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água.

    Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

    A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:

    - Defenestras?

    A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.

    Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.

    Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?

    “Nestes termos, pede defenestração...”. Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-lo usado uma ou outra vez, como em:

    - Aquele é um defenestrado.

    Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.

    Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. “Defenestração” vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.

    Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

    Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

    [...]

    - Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: “Interdit de defenestrer”. Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.

    Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.

    - É esta estranha vontade de atirar alguém ou algo pela janela, doutor...

    - Hmm. O impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar – diz o analista, afastando-se da janela.

    Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.

    [...]

    Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbucia:

    - Fui defenestrado...

    Alguém comenta:

    - Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!

    Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


VERÍSSIMO, Luís Fernando. Para gostar de ler – v.14. 3 Ed. São Paulo: Ática, 1995, p.82

Assinale a alternativa em que as palavras apresentadas são acentuadas em virtude da mesma regra que determina a acentuação da palavra “volúpia”.
Alternativas
Q729102 Português
Marque a opção em que todas as palavras são grafadas corretamente com “s”:
Alternativas
Q729096 Português
Veja essa regra de acentuação: “Todas as proparoxítonas são acentuadas”. Marque a opção em que todas as palavras são proparoxítonas. (Nenhuma palavra estará acentuada nos itens a seguir).
Alternativas
Q727685 Português
Considerando-se a norma ortográfica atualmente em vigor, qual das palavras abaixo está escrita INCORRETAMENTE?
Alternativas
Q727677 Português
Está liberado usar o celular antes de dormir – se você tomar bastante sol durante o dia
Quem tem problemas de sono sabe muito bem que deve deixar tablets e smartphones longe da cama. Alguns estudos relacionam a exposição à luz azul das telas com dificuldades para dormir. Mas uma nova pesquisa, de uma universidade da Suécia, comprovou que essa verdade não é tão ___________ assim – o malefício da luz azul para uma boa noite de sono depende da quantidade de luz solar a que você ficou exposto no dia.
Os cientistas suecos pediram para que 14 jovens, expostos a 6,5 horas de luz solar ou branca, lessem um romance em um tablet e depois em um livro físico durante duas horas (das 21 às 23 horas). Seus níveis de melatonina (hormônio produzido pelo corpo enquanto dormimos) foram medidos antes de dormir.
Para surpresa dos pesquisadores, a tela azul não afetou o sono dos voluntários. Os níveis de melatonina, a sonolência e a qualidade do sono se mantiveram iguais em ambas as experiências, com tablet e livro físico.
http://super.abril.com.br/cotidiano/esta-liberado-usar-o-celular-... - adaptado
Assinalar a alternativa que preenche a lacuna do texto CORRETAMENTE:
Alternativas
Q726889 Português
Assinale a alternativa em que os parônimos estão usados corretamente.
Alternativas
Q726883 Português

Gols de cocuruto

O melhor momento de futebol para um tático é o minuto de silêncio. É quando os times ficam perfilados, cada jogador com as mãos nas costas e mais ou menos no lugar que lhes foi designado no esquema – e parados. Então o tático pode olhar o campo como se fosse um quadro negro e pensar no futebol como alguma coisa lógica e diagramável. Mas aí começa o jogo e tudo desanda. Os jogadores se movimentam e o futebol passa a ser regido pelo imponderável, esse inimigo mortal de qualquer estrategista. O futebol brasileiro já teve grandes estrategistas cruelmente traídos pela dinâmica do jogo. O Tim, por exemplo. Tático exemplar, planejava todo o jogo numa mesa de botão. Da entrada em campo até a troca de camisetas, incluindo o minuto de silêncio. Foi um técnico de sucesso, mas nunca conseguiu uma reputação no campo à altura de sua reputação de vestiário. Falava um jogo e o time jogava outro. O problema de Tim, diziam todos, era que seus botões eram mais inteligentes do que seus jogadores.

Luís Fernando Veríssimo

Considerando a correta acentuação gráfica de acordo com as novas regras, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
10621: B
10622: A
10623: B
10624: A
10625: C
10626: B
10627: D
10628: A
10629: D
10630: D
10631: A
10632: B
10633: A
10634: A
10635: D
10636: E
10637: E
10638: B
10639: E
10640: A