Questões de Concurso
Comentadas sobre ortografia em português
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O ser humano não consegue relaxar e precisa estar ocupado o tempo todo
1 O ser humano não consegue relaxar e simplesmente refletir, então precisa estar com a mente ocupada o tempo inteiro. A afirmação vem de um estudo conduzido por uma equipe da Universidade de Tübingen (Alemanha). Os cientistas conduziram uma série de experimentos com cerca de 250 pessoas.
2 Os autores do estudo notaram que ficar submerso nos próprios pensamentos pode ajudar na resolução de problemas, aumentar a criatividade, aprimorar a imaginação e contribuir para um senso de autoestima. No entanto, o ser humano tende a rejeitar essa atividade (ou melhor, essa inatividade).
3 Acontece que a maioria das pessoas é mais propensa a buscar distrações. Os smartphones inevitavelmente tornaram isso ainda mais comum e contribuíram para a perda do hábito de refletir. Algumas pessoas simplesmente acham difícil passar tempo com seus próprios pensamentos, especialmente se existe uma tendência ao pessimismo.
4 Nos experimentos, os cientistas pediram aos participantes que estimassem até que ponto eles gostariam de sentar sozinhos e pensar por 20 minutos, proibidos de usar um smartphone, ler ou passear. De acordo com os resultados, cada um deles achou que o prazer em deixar suas mentes vagar era muito maior do que esperavam.
5 Os participantes também foram solicitados a comentar sobre como estavam se sentindo no meio das sessões ou após a conclusão. Foi unânime: os indivíduos disseram que sua satisfação foi maior do que eles esperavam. Isso indica que o ato de relaxar e refletir é subestimado, mas ainda há pesquisas a serem feitas para entender melhor como se dá essa relação.
Fonte: The Guardian
Disponível em: https://canaltech.com.br/saude/o-ser-humano-nao-consegue-relaxar-e-precisa-estar-ocupado-o-tempo-todo-entenda-222477/
No trecho “Os participantes também foram solicitados...” (5° parágrafo)
A palavra em negrito foi acentuada pela mesma razão que:
Por que gandula chama gandula?
Em viagem de férias pelo Ceará, eu e meu filho caçula fomos acompanhar uma partida do Campeonato Brasileiro na Arena Castelão. No intervalo, ficamos falando sobre o trabalho dos gandulas (ou das gandulas), que veem os jogos de um local privilegiadíssimo.
Contei então a ele a história da origem do nome do "pegador de bolas".
Sim, no mundo inteiro, nas diferentes línguas, a função é tratada como um pegador de bolas: apanha-bolas (português de Portugal), recogepelotas (espanhol), ball boy ou ball girl (inglês), ramasseur de balles (francês) e raccattapalle (italiano), só para citar alguns exemplos.
Aqui, há uma versão envolvendo o argentino Bernardo Gandulla, ponta do time do Vasco da Gama no ano de 1939.
O jogador veio do Ferro Carril Oeste, de Buenos Aires, para disputar o Campeonato Carioca. Mas ficou um mês impossibilitado de jogar por causa de problemas com sua transferência.
Mesmo sem atuar, ele ficava na beirada do campo, repondo a bola rapidamente para os companheiros e adversários. Daí, quando a Liga Carioca de Futebol resolveu oficializar a função, em 1940, o nome de Gandulla foi lembrado. E assim ela foi batizada.
Gandulla era um bom jogador? Era, sim, embora sua passagem pelo Vasco não tenha sido tão incrível. Ele disputou 29 partidas (dez vitórias, oito empates e onze derrotas).
Gandulla foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors, clube que também treinou no final da década de 1950. Falecido em 1999, aos 83 anos, ele foi sepultado no Mausoléu do Boca Juniors, que fica dentro do Cemitério de Chacarita.
O cantor mais famoso da Argentina, Carlos Gardel, está enterrado lá também.
Por que você diz que essa é uma versão?
Em 2011, eu entrevistei um dos netos de Bernardo Gandulla em Buenos Aires. Ele confirmou a história, que disse ter ouvido do próprio avô. O dicionário Houaiss também traz essa versão.
Respeitados pesquisadores brasileiros, no entanto, garantem que o termo já era utilizado desde o início da década de 30 — antes de Gandulla defender o Vasco.
A palavra teria vindo de "gandulo", que significa garoto vadio, sem ocupação. Ela se referia aos meninos que ficavam vendo jogos de futebol em volta dos campos.
Ah, sim, o jogo que fomos ver no Castelão foi Fortaleza 0 x Santos 0. Foram muitos chutes errados o tempo todo. Os gandulas tiveram trabalho naquela noite!
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/o-curioso/2022/08/por-que-gandula-chama-gandula.shtml
A opção abaixo que traz em si uma palavra que não deveria ser grafada com “sc” é:
Por que gandula chama gandula?
Em viagem de férias pelo Ceará, eu e meu filho caçula fomos acompanhar uma partida do Campeonato Brasileiro na Arena Castelão. No intervalo, ficamos falando sobre o trabalho dos gandulas (ou das gandulas), que veem os jogos de um local privilegiadíssimo.
Contei então a ele a história da origem do nome do "pegador de bolas".
Sim, no mundo inteiro, nas diferentes línguas, a função é tratada como um pegador de bolas: apanha-bolas (português de Portugal), recogepelotas (espanhol), ball boy ou ball girl (inglês), ramasseur de balles (francês) e raccattapalle (italiano), só para citar alguns exemplos.
Aqui, há uma versão envolvendo o argentino Bernardo Gandulla, ponta do time do Vasco da Gama no ano de 1939.
O jogador veio do Ferro Carril Oeste, de Buenos Aires, para disputar o Campeonato Carioca. Mas ficou um mês impossibilitado de jogar por causa de problemas com sua transferência.
Mesmo sem atuar, ele ficava na beirada do campo, repondo a bola rapidamente para os companheiros e adversários. Daí, quando a Liga Carioca de Futebol resolveu oficializar a função, em 1940, o nome de Gandulla foi lembrado. E assim ela foi batizada.
Gandulla era um bom jogador? Era, sim, embora sua passagem pelo Vasco não tenha sido tão incrível. Ele disputou 29 partidas (dez vitórias, oito empates e onze derrotas).
Gandulla foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors, clube que também treinou no final da década de 1950. Falecido em 1999, aos 83 anos, ele foi sepultado no Mausoléu do Boca Juniors, que fica dentro do Cemitério de Chacarita.
O cantor mais famoso da Argentina, Carlos Gardel, está enterrado lá também.
Por que você diz que essa é uma versão?
Em 2011, eu entrevistei um dos netos de Bernardo Gandulla em Buenos Aires. Ele confirmou a história, que disse ter ouvido do próprio avô. O dicionário Houaiss também traz essa versão.
Respeitados pesquisadores brasileiros, no entanto, garantem que o termo já era utilizado desde o início da década de 30 — antes de Gandulla defender o Vasco.
A palavra teria vindo de "gandulo", que significa garoto vadio, sem ocupação. Ela se referia aos meninos que ficavam vendo jogos de futebol em volta dos campos.
Ah, sim, o jogo que fomos ver no Castelão foi Fortaleza 0 x Santos 0. Foram muitos chutes errados o tempo todo. Os gandulas tiveram trabalho naquela noite!
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/o-curioso/2022/08/por-que-gandula-chama-gandula.shtml
A palavra “cemitério” do texto foi acentuada pela mesma razão que:
Sobre o uso do hífen nas palavras, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta.
( ) Usamos o hífen nas palavras, quando o segundo elemento é iniciado por h, exceto quando são formadas com o prefixo des- ou in-. Exemplos: pré-história, super-homem.
( ) O hífen é usado quando o primeiro elemento termina pela mesma vogal que inicia o segundo elemento, exceto no caso dos prefixos co- e re-. Exemplos: arqui-inimigos, contra-ataque.
( ) Usa-se o hífen quando o primeiro elemento termina por consoante ou r e o segundo elemento começa por r. Exemplos: sub-regional, hiper-resistente.
( ) Usamos o hífen quando o segundo elemento é iniciado por m, n, ou vogal, vindo após circum- e pan-. Exemplos: circum-navegação, pan-americano.
( ) O hífen é usado quando o segundo elemento vem após ex- e vice. Exemplos: ex-prefeito, vice-diretor.
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto à acentuação, assinale a alternativa correta.
O dentista pediu que fosse comprado __________ ósseo, __________ e silicone de __________.
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
Texto 1
Brasil cria roupa contra a covid
Pesquisadores brasileiros produziram um tecido capaz de inativar o novo coronavírus. Os testes preliminares, feitos no último mês, apontaram que o produto têxtil desenvolvido consegue neutralizar mais de 99,9% das partículas virais em até um minuto. Além disso, foi comprovada a eficácia no combate a outras doenças virais, como sarampo e caxumba. A descoberta poderá ser usada não só para vestuário, mas também em outras funções, como cortinas e forro de estofados de locais públicos.
Pesquisador do laboratório, Raphael Bergamini afirmou que o tecido tem grande potencial de funcionamento em situações de exposição à doença: "Por ter essa inativação tão rápida do vírus, as chances de contaminação da doença caem muito. Se um médico que tem contato com pacientes contaminados manuseia a máscara e coça os olhos, por exemplo, o vírus já teria sido neutralizado, porque essa estrutura funciona não só como uma barreira física, mas química também".
Além da produção de máscaras, aventais e outros equipamentos para profissionais da Saúde, o tecido representa uma mudança de cenário. "Uma vez que o protocolo de produção é homologado e está testado, ele condiciona a indústria têxtil, não só da parte fashion, mas também a logística. Provadores de loja, cortinas de teatro, assentos de avião ... Se nós aplicarmos esse químico, dá uma proteção e tranquilidade maior para as pessoas que estão frequentando o ambiente. Tirando a parte hospitalar, a gente vislumbra outros mercados e toda uma mudança de cenário", explicou o coordenador Adriano Passos.
Por ser um material com bom custo-benefício, o acesso pode ser mais fácil. Raphael Bergamini ressaltou a importância dessa facilitação: "Nós auxiliamos o laboratório nesse projeto de aplicação química e na estruturação, e eles já estão produzindo. O preço é acessível, muito mais do que a prata utilizada em outros tecidos. E nós vamos doar uma produção-piloto que fizemos para hospitais. É tudo muito novo, então ainda estamos decidindo para onde doar"
Maria Clara Matturo
(Adaptado de: Jornal O Dia, Rio de Janeiro, 15/07/2020)
A palavra "máscaras" é acentuada pelo mesmo motivo de:
Uma palavra paroxítona encontra-se acentuada em:
Em relação à ortografia, marque c para as palavras Certas, e para as Erradas e, após, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) Exortação.
( ) Vicissitude.
( ) Conssorciação.
Dentre as alternativas abaixo, temos uma palavra acentuada pela mesma regra que “passível”. Assinale.
Texto para as questões de 01 a 12.
s
TEXTO 1
s
Atalhos
s
Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se nos momentos de afeto, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho.
s
MEDEIROS, Martha. Atalhos, 2004.{adaptado)
Assinale a opção em que todas as palavras são acentuadas pelas mesmas regras de cálice, obrigatório e aí, respectivamente.
Acerca do translineamento de uma palavra composta, quando no final da linha a separação de sílaba coincidir com o hífen da palavra, assinale a alternativa correta.
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.
Assiste à demolição
– Morou mais de vinte anos nesta casa? Então vai sentir “uma coisa” quando ela for demolida.
Começou a demolição. Passando pela rua, ele viu a casa já sem telhado, e operários, na poeira, removendo caibros. Aquele telhado que lhe dera tanto trabalho por causa das goteiras, tapadas aqui, reaparecendo ali. Seu quarto de dormir estava exposto ao céu, no calor da manhã. Ao fundo, no terraço, tinham desaparecido as colunas da pérgula, e a cobertura de ramos de buganvília – dois troncos subindo do pátio lá embaixo e enchendo de florinhas vermelhas o chão de ladrilho, onde gatos da vizinhança amavam fazer sesta e surpreender tico-ticos.
Passou nos dias seguintes e viu o progressivo desfazer-se das paredes, que escancarava a casa de frente e de flancos jogando-a por assim dizer na rua. Os marcos das portas apareciam emoldurando o vazio. O azul e as nuvens circulavam pelos cômodos, em composição surrealista. E o pequeno balcão da fachada, cercado de ar, parecia um mirante espacial, baixado ao nível dos míopes.
A demolição prosseguiu à noite, espontaneamente. Um lanço de parede desabou sozinho, para fora do tapume, quando já cessara na rua o movimento dos lotações. Caiu discreto, sem ferir ninguém, apenas avariando – desculpem – a rede telefônica.
A casa encolhera-se, em processo involutivo. Já agora de um só pavimento, sem teto, aspirava mesmo à desintegração. Chegou a vez da pequena sala de estar, da sala de jantar com seu lambri envernizado a preto, que ele passara meses raspando a poder de gilete, para recuperar a cor da madeira. E a vez do escritório, parte pensante e sentinte de seu mecanismo individual, do eu mais íntimo e simultaneamente mais público, eu de gavetas sigilosas, manuseadas por um profissional da escrita. De todo o tempo que vivera na casa, fora ali que passara o maior número de horas, sentado, meio corcunda, desligado de acontecimentos, ouvindo, sem escutar, rumores que chegavam de outro mundo – cantoria de bêbados, motor de avião, chorinho de bebê, galo na madrugada.
E não sentiu dor vendo esfarinharem-se esses compartimentos de sua história pessoal. Nem sequer a melancolia do desvanecimento das coisas físicas. Elas tinham durado, cumprido a tarefa. Chega o instante em que compreendemos a demolição como um resgate de formas cansadas, sentença de liberdade. Talvez sejamos levados a essa compreensão pelo trabalho similar, mais surdo, que se vai desenvolvendo em nós. E não é preciso imaginar a alegria de formas novas, mais claras, a surgirem constantemente de formas caducas, para aceitar de coração sereno o fim das coisas que se ligaram à nossa vida.
Fitou tranquilo o que tinha sido sua casa e era um amontoado de caliça e tijolo, a ser removido. Em breve restaria o lote, à espera de outra casa maior, sem sinal dele e dos seus, mas destinada a concentrar outras vivências. Uma ordem, um estatuto pairava sobre os destroços, e tudo era como devia ser, sem ilusão de permanência.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. 12. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.
Vocabulário
caibro s.m. elemento estrutural de um telhado, geralmente peças de madeira que se dispõem da cumeeira ao frechal, a intervalos regulares e paralelas umas às outras, em que se cruzam e assentam as ripas, frequentemente mais finas e compridas, e sobre as quais se apoiam e se encaixam as telhas
pérgula s. f. espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares, geralmente guarnecida de trepadeiras
buganvília s.f. designação comum às plantas do gênero bougainvillea, trepadeira, muito cultivadas como ornamentais
de flanco s. m. pela lateral
marco s. m. parte fixa que guarnece o vão de portas e janelas, e onde as folhas destas se encaixam, prendendo-se por meio de dobradiças
tapume s. m. cerca ou vala guarnecida de sebe que defende uma área; anteparo, geralmente de madeira, com que se veda a entrada numa área, numa construção
lambri s. m. revestimento interno de parede, usado com fim decorativo ou para proteger contra frio, umidade ou barulho; feito de madeira, mármore, estuque, numa só peça ou composto por painéis, que vão até certa altura ou do chão ao teto (mais usado no plural)
caliça s.f. conjunto de resíduos de uma obra de alvenaria demolida ou em desmoronamento, formado por pó ou fragmentos dos materiais diversos do reboco (cal, argamassa ressequida) e de pedras, tijolos desfeitos
lote s. m. porção de terra autônoma que resulta de loteamento ou desmembramento; terreno de pequenas dimensões, urbano ou rural, que se destina a construções ou à pequena agricultura
Fonte: HOUAISS, A. e Villar, M. de S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Elaborado no Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Objetiva, 2009.
A ortoépia ocupa-se da boa pronunciação das palavras. A prosódia é a parte da fonética que tem por objeto a exata acentuação tônica das palavras. Assinale a alternativa correta quanto à pronúncia indicada entre parênteses após cada palavra.
Leia o texto e responda o que se pede no comando das questões.
IDEIAS E LIBERDADE
Dias atrás me chamou a atenção um texto do amigo e filósofo Luiz Felipe Pondé. Sua provocação era: “O capitalismo estaria apodrecendo?”. Estaria chegando ao fim sem nenhuma utopia viável para pôr no lugar? Achei interessante aquilo. Existe agora o “modelo chinês”, desafiando a democracia liberal. Há muita instabilidade política e um debate imenso sobre os males do mercado. Estariamos à beira de algum precipício?
Uma das razões para a decadência seria o impacto das novas tecnologias - como a automação, a internet das coisas e a inteligência artificial - na destruição dos empregos. O raciocinio é intuitivo. Quando chegarem os carros autônomos, o que os motoristas do Uber vão fazer? E o pessoal do telemarketing, quando tudo for automatizado? Foi assim com os cubeiros, lá em Porto Alegre, chamados de “tigres”, que carregavam aqueles cilindros com dejetos humanos, antes das redes sanitárias. E com as telefonistas inglesas, que eram 120.000, em 1970, e hoje não passam de 20.000.
Muitos postos de trabalho desaparecerão e outros serão criados. Estudo da OCDE mostrou que, em vinte anos, o emprego industrial declinou 20% mas cresceu 27% no setor de serviços. E o feijão com arroz da economia de mercado. Schumpeter já havia teorizado sobre isso com sua tese da “destruição criadora”. Ainda recentemente, três pesquisadores da Consultoria Deloitte, lan Stewart, Debapratim De a Alex Cole, apresentaram uma pesquisa com dados do censo inglês desde 1871 e foram taxativos: “A tecnologia criou mais empregos do que destruiu nos últimos 144 anos”.
Outra razão do abismo seria a desigualdade. Se tornou comum dizer que a má distribuição de renda vai corroer o sistema. Falta demonstrar qual o padrão “certo” de distribuição econômica que se deve buscar. Como bem observou John Rawls, tendemos a comparar nossa situação com a de pessoas mais próximas a nós, nas comunidades em que convivemos e em relação às posições a que aspiramos. Não na “grande sociedade”. Ninguém acorda todos os dias enfurecido com a fortuna de Jeff Bezos. Mas, com razão nos indignamos se fomos discriminados, no trabalho ou na vida social.
Nos temas que realmente importam há avanços relevantes em nosso tempo. A drástica redução da pobreza talvez seja o mais crucial deles. Apenas no período da malafamada globalização, a pobreza global caiu de 36% para 10% entre 1990 e 2015. Outro aspecto: a convergência das famílias americanas com alimentação caiu de 4,2 dos padrões básicos de vida. O US Bureau of Labor Statistic mostrou que, entre 1901 e 2002 0 gasto das famílias americanas com alimentação caiu de 42% para 13% de sua renda. Na Inglaterra, o gasto caiu de 35%, em 1050, para pouco mais de 11% em 2014.Não só a renda cresceu, como o custo relativo dos produtos básicos caiu significativamente.
Há um tema muito mais amplo ai que se refere à igualdade de direitos. Lembro quando Obama, no aniversário dos cinquenta anos na Marcha de Selma, provocou a imensa multidão que refazia o projeto de Martin Luther King, na luta pelos direitos civis, dizendo que “se você acha que nada mudou nos últimos cinquenta anos, pergunta a alguém que viveu em Selma ou Chicago nos anos 50. Pergunte à mulher que hoje é CEO, e não mais restrita a ser secretária, se nada mudou. Pergunte ao seu amigo gay se é mais fácil ter orgulho na América hoje do que há 30 anos”. E concluiu: “Negar este progresso é roubar nosso próprio poder de transformar.”
No mundo da economia, poucas pessoas expressam melhor um tipo de otimismo realista do que Deirdre Mc-Closkey, autora da monumental trilogia sobre a igualdade, a dignidade e as virtudes burguesas, Deirdre não gosta da palavra capitalismo. Prefere e ideia do “inovismo”. Seu ponto é que não foi o capital, mas, sim as ideias ou a inovação que fizeram a diferença no surgimento da moderna economia do mercado. Em algum momento entre os séculos XVIl e XIX, o homem comum ganhou dignidade. O padeiro, o comerciante, o inventor de coisas. Primeiro timidamente, mas em um processo continuo a pari passu à afirmação das sociedades de direito. Dai o casamento moderno entre a economia de mercado e a democracia liberal.
Fonte: Veja, ed. 2775. Fernando Schuler é cientista político e professor do Insper.
Sobre homônimos e parônimos é adequado afirmar:
Leia atentamente as seguintes frases:
I.Seu senso de humor é hilário.
II.O censo daquela região é feito anualmente.
Enfatizando as palavras destacadas nas sentenças acima, as mesmas são vocábulos:
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 21 a 30.
É verdade que, sem as abelhas, não existiria mais vida no planeta Terra?
Você gosta de morango? E de abobrinha? E de pepino, maracujá, tomate e kiwi? Esses alimentos parecem aleatórios, mas dividem uma particularidade muito interessante: sem as abelhas, eles não existiriam. Inclusive, sem as abelhas, nem nós estaríamos aqui para contar a história. Isso é, realmente, verdade?
Depende. O planeta Terra talvez continuasse fazendo parte da Via Láctea, mas não seria mais habitado por humanos e por muitos seres vivos. Fred Crema, especialista em vida selvagem do Projeto Araciara, explica que, se as abelhas acabarem, em cerca de dois anos não existirá mais ser humano. Afinal, sem abelhas, não há polinização; sem polinização, não há plantas; sem plantas, não há alimentos; sem alimentos, não há animais; sem alimentos e animais, não há homem.
Existe por volta de 308 mil espécies de plantas no mundo, sendo que 87% delas precisa de um intermediário, ou seja, de um ser vivo para que sua reprodução aconteça. As abelhas são responsáveis por 78% dessa intermediação, sendo que morcegos, borboletas, beija-flores, besouros e outros polinizadores ficam encarregados dos outros 22%.
Sem contar que algumas abelhas são responsáveis por polinizações específicas. Por exemplo, as da espécie Euglossa polinizam as orquídeas. E, caso você não saiba, a baunilha é uma orquídea, logo, sem a Euglossa, não teríamos aquele extrato natural aromático que colocamos em bolos.
Hoje, são três as principais ameaças para as abelhas: os agrotóxicos, o fumacê e as queimadas. Fred explica que os agrotóxicos são jogados nas plantações e, quando as abelhas polinizam as flores, acabam levando a substância consigo para "casa" e matando a colmeia inteira. O mesmo acontece com o fumacê, que mata as abelhas envenenadas. Com relação às queimadas, muitas se instalam em troncos de árvores e têm suas colmeias destruídas pelo fogo.
"Cerca de 350 espécies de abelhas são brasileiras, como aquela popularmente conhecida como 'abelhinha de cabelo'. Aquela abelha amarela e preta, a mais famosa, é euro-africana e chegou ao Brasil por um erro", conta o especialista do Projeto Araciara, que visa a proteção das abelhas nativas do Brasil.
Segundo Fred, há algumas maneiras de combatermos a extinção desse inseto essencial para a vida terrestre. A primeira e mais simples é plantando flores. "Quanto mais flor tiver, melhor, pois significa mais alimento para as abelhas".
(Disponível em: É verdade que, sem as abelhas, não existiria mais vida no planeta Terra?(msn.com). Adaptado.)
'Hoje, são três as principais ameaças para as abelhas: os agrotóxicos, o fumacê e as queimadas.'
Assinale a alternativa CORRETA.