Questões de Concurso Comentadas sobre ortografia em português

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Q3056572 Português
Em relação à diferença entre homônimos e parônimos e a contextualização de cada palavra, observe os itens a seguir:

I. A beleza do pôr do sol passou desapercebida por quem estava tão envolvido em seus próprios pensamentos.
II. O treinador decidiu infligir uma penalidade ao jogador que cometeu uma falta grave durante o jogo.
III. Na Espanha, cada distrito tem vários concelhos que estão interligados entre si.

Está(ão) CORRETO(S):
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Q3056567 Português
Considerando que as regras de acentuação gráfica na língua portuguesa seguem normas definidas para indicar a correta pronúncia das palavras, diferenciando significados e ajudando a estabelecer o ritmo da fala e da leitura, assinale a alternativa cuja afirmação está INCORRETA:
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Q3056050 Português
Analise as assertivas a seguir

I. Tanto extinção quanto sumiço estão escritas de forma correta. II. Nesta sequência não há erro de grafia: digerir, sugerir, ajuizar, expelir. III. Somente um vocábulo está correto na seguinte sequência: mochila, adolecente, salsicha, xingamento.
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Q3056049 Português
Marque a alternativa em que as palavras são acentuadas pela mesma razão.
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Q3055745 Português

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é uma reforma ortográfica que visa unificar e padronizar a escrita do português nos países lusófonos, promovendo uma maior integração linguística entre eles. Esse acordo foi assinado em 1990 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em relação a esse acrodo assinale a alternativa que apresenta uma afirmação INCORRETA:

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Q3055740 Português

Analise a frase a seguir:


"Ao buscar uma solução para os desafios enfrentados na educação, é essencial que os educadores explorem o conteúdo de maneira abrangente, considerando que a única saída pode não ser encontrada até que se avaliem todas as possibilidades, e que não devemos nos limitar a uma abordagem só."


Em relação às palavras acentuadas da frase, assinale a alternativa com a justificativa CORRETA: 

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Q3054522 Português
Quanto ao correto uso, ou não do hífen, marque a alternativa incorreta. 
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Q3054105 Português
Vinagre de maçã traz benefícios à saúde?


         Você já deve ter ouvido que o vinagre de maçã poderia ser a solução ideal para os seus problemas. O produto é sucesso nas redes sociais e já faz parte do cotidiano de celebridades. Obtido a partir de dois processos de fermentação — um alcoólico e outro acético — do suco de maçã, a substância é apontada como uma possível aliada para a saúde em diversas frentes, da perda de peso ao controle da anemia.

        Contudo, é preciso se atentar aos riscos e às _________ de seu consumo, bem como às limitações do uso do vinagre para fins terapêuticos. Além do ácido acético, o alimento possui componentes essenciais para o funcionamento do organismo, entre eles potássio, aminoácidos e _________. Alvo de pesquisas ao redor do mundo, o vinagre de maçã é investigado por seu potencial para: o controle dos níveis de açúcar — estudos mostram que a presença de ácido acético em sua composição reduziria os níveis de açúcar no sangue após as refeições, aprimorando a sensibilidade à insulina; o emagrecimento — uma de suas propriedades é o aumento da saciedade. Por si só, ele não faz perder peso, mas ajudaria quem tenta comer menos; a prevenção de problemas cardiovasculares — os efeitos __________ podem propiciar a melhora da saúde arterial e dos níveis de colesterol; a prevenção à anemia — além de contribuir para a produção de células sanguíneas, a substância poderia auxiliar na absorção de ferro pelo organismo.

        Mas é bom lembrar que ainda não há provas robustas sobre nenhum desses benefícios. Portanto, é cedo para considerar o vinagre um remédio. Por fim, estão sendo realizados estudos para entender seus benefícios para o aumento da imunidade, a proteção do fígado e o fornecimento de energia aos músculos. Em excesso, o vinagre pode aumentar a acidez estomacal, desencadeando reações adversas, como dificuldade de digestão, perda da densidade muscular, queimação na garganta e desgaste do esmalte dentário. Há ainda casos em que incorporar o produto à dieta não é nem sequer uma opção.

       A ingestão do líquido deve ser evitada por pessoas que possuam problemas estomacais, como gastrite e refluxo, ou alergias a alguma das substâncias de sua composição. Portanto, antes de usufruir dos seus possíveis benefícios, entre em contato com o seu médico ou nutricionista, especialmente se você tem histórico de alguma dessas condições.


Luana Pazutti. Veja Saúde. Adaptado. 
Baseando-se na norma-padrão, assinalar a alternativa que preenche as lacunas do texto CORRETAMENTE.
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Q3054074 Português

O urso-de-óculos





   A única espécie de urso que vive na América do Sul é exclusiva da região dos Andes e corre risco de desaparecer. Trata-se do urso-de-óculos, também conhecido como urso andino. Por serem excelentes escaladores, os ursos andinos costumam construir plataformas nas árvores onde descansam, se alimentam e guardam comida para quando precisam. Eles são encontrados em vários pontos da América do Sul, vivendo nos chamados Andes tropicais. Dentro desse território estão diversos ecossistemas, como florestas tropicais secas e úmidas de terras baixas e montanhosas, matagais tropicais secos e úmidos, e pastagens de alta altitude. Infelizmente, esses ursos não existem no Brasil.


   É natural imaginar que todas as espécies de ursos hibernam durante os meses mais rigorosos do inverno. No entanto, esse não é o caso do urso andino. Como seu alimento fica disponível o ano todo na maior parte de seu habitat, os ursos-de-óculos não hibernam.


  O urso-de-óculos tem marcas brancas ou bronzeadas em forma de anel ao redor dos olhos, características marcantes da espécie. São essas marcas que dão o nome ao animal. As manchas em sua pelagem contrastam com a cor preta e uniforme do resto do corpo do animal, que em alguns casos pode assumir também um tom marrom-avermelhado. O urso andino tem porte médio, cauda curta de cerca de sete centímetros, orelhas pequenas e redondas, pescoço curto e grosso e focinho robusto.


   Destaca-se a preferência do animal por bromélias como alimento. Eles também comem frutas, além de palmeiras, musgo, cactos e outras espécies de plantas. De maneira oportunista, eles também se alimentam de mamíferos. Isso significa que podem comer coelhos e antas da montanha, e até mesmo gado doméstico quando estes pastam em liberdade.


Redação National Geographic Brasil – adaptado.

Qual dupla de palavras está acentuada CORRETAMENTE? 
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Q3053981 Português

Imagem associada para resolução da questão https://www.google.com.br/search 

Com base na norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresente palavra, incorretamente, acentuada. 

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Q3053197 Português
Assinale a opção que mostra uma acentuação gráfica incorreta.
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Q3053195 Português

Um cartaz de rua dizia:

Atenção, cidadões! Tá proibido jogar lixo aqui nesse local público!

Sobre essa frase, assinale a observação incorreta.

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Q3052654 Português

Imagem associada para resolução da questão


(Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/1065171749337063856/. Acesso em: agosto de 2024.)




A palavra “óbvio”, no terceiro quadrinho, é acentuada porque é uma palavra

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Q3051743 Português
Texto 1 - A tentação do Grande Irmão


   Uma das motivações mais poderosas para o surgimento das democracias liberais foi a revolta contra a vigilância intrusiva dos monarcas absolutistas. Isso não significa que toda vigilância seja ruim. Ao contrário. Se o fundamento do Estado de Direito é a igualdade de todos perante a lei, mecanismos para vigiar a observância da lei por todos são indispensáveis.


   Qualquer discussão sobre vigilância deve reconhecer uma ambivalência congênita entre “vigiar um indivíduo ou indivíduos para mantê-los seguros, mas também vigiá-los para garantir que observem um certo padrão de comportamento”, como disse o constitucionalista Lawrence Cappello em seu livro sobre o direito à privacidade, None of Your Damn Business (Não é da sua conta, em tradução livre). “Conceitualmente, a vigilância emancipa e também constrange. É usada tanto para proteger quanto para controlar.”


   Toda geração precisa equilibrar, por meio de suas instituições, segurança e liberdade, vigilância e privacidade. Se alguém quiser um vislumbre do que acontece quando esse equilíbrio é rompido, basta olhar para a China. A pretexto de proteger os cidadãos, o Partido Comunista está empregando a tecnologia digital para implementar o maior aparato de controle social e manipulação da opinião pública da história humana. Há dezenas (provavelmente centenas) de milhões de câmeras com reconhecimento facial pelo país. A internet é cercada por uma muralha digital, dentro da qual redes sociais, e-mails e conversas no WeChat (o WhatsApp chinês) são monitorados. Desde a pandemia, os cidadãos foram obrigados a baixar um aplicativo que rastreia seus movimentos.


   As delegacias monitoram milhões de indivíduos com ficha na polícia, mas também suspeitos de ameaçar a “segurança do Estado”, incluindo ativistas, fiéis religiosos e pessoas que peticionam contra o governo. Informantes são recrutados para denunciar colegas e vizinhos insatisfeitos com as autoridades. Está em curso a implementação de um “sistema de crédito social” que ranqueia cidadãos de acordo com seus comportamentos “antissociais”. Quem pisa fora da linha pode esperar a qualquer momento uma visita da polícia.


   Como constatou uma reportagem do New York Times, sobre a “repressão preventiva” chinesa: “O objetivo não é mais apenas lidar com ameaças específicas, como vírus ou dissidentes. É incorporar o Partido tão profundamente na vida diária que nenhum problema, por mais irrelevante ou apolítico que pareça, possa sequer surgir”. [...].


   Democracias liberais precisam de autoridades que vigiem o cumprimento de suas regras. Mas o preço da liberdade é a eterna vigilância sobre os vigilantes.



Editorial – disponível em: https://www.estadao.com.br/ opiniao/a-tentacao-do-grande-irmao/ Acesso em 30 de junho de 2024.
“[...] que ranqueia cidadãos de acordo com seus comportamentos “antissociais”.”. O termo destacado segue as regras ortográficas, conforme o Acordo Ortográfico entre os países que usam a língua portuguesa. Conforme esse Acordo, está correta a escrita da palavra
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Q3051539 Português
Igualdade de gênero é pilar de um mundo mais justo


Desde o início do século passado, o Dia Internacional da Mulher é associado à luta por melhores condições de vida e de trabalho, por salários mais justos e, principalmente, por equidade de gênero. Há conquistas a celebrar, isso é indiscutível, mas prefiro destacar o longo caminho que ainda precisamos percorrer para que as demandas mobilizadas pelos movimentos de nossas pioneiras em várias partes do mundo sejam atendidas.


Assim, o 8 de março reveste-se de singular importância – não pelo tom celebratório que alguns insistem em imprimir à data, mas pela oportunidade de reflexão. A data ainda faz sentido porque chama a atenção para a situação díspar das mulheres no mercado de trabalho, para a violência e opressão que sofrem em casa e nos ambientes que frequentam, para a necessidade de se formular políticas públicas que as contemplem e para as desiguais jornadas que ainda são obrigadas a cumprir nos âmbitos profissional e doméstico. Representa, ainda, uma possibilidade de refletir sobre as distâncias entre as muitas mulheres que foram, e têm sido, silenciadas ao longo dos tempos.


Como a Universidade não é um ente deslocado das estruturas sociais, grande parte dessa situação vivida pelas mulheres também é reproduzida dentro dos muros da academia. As mulheres representam mais da metade do corpo discente da UFMG (graduação e pósgraduação), mas essa proporção está longe de se refletir, por exemplo, no corpo docente de algumas áreas do conhecimento, na gestão da Universidade ou entre os pesquisadores que recebem bolsas do CNPq. Das 69 universidades federais, apenas 14 são comandadas por reitoras. As mulheres continuam subrepresentadas nos principais espaços decisórios da academia e sofrem com a discriminação e os estereótipos de gênero, perpetuados por uma sociedade desigual e preconceituosa.


É justamente no mês da mulher que recebemos uma nova leva de estudantes embalada pelo lema da nossa UFMG: Incipit vita nova, “uma vida nova se inicia”. Com a chegada dessa juventude – “página de um livro bom”, como diria a música –, somos levadas, a cada período letivo, a renovar nosso compromisso com a formação – tanto no campo do conhecimento formal quanto nas dimensões relacionadas ao exercício da cidadania e aos direitos humanos. E uma dessas dimensões é a igualdade de gênero. Temos que mostrar às novas gerações que as mulheres travam um bom combate permanente, que todas têm direitos que precisam ser assegurados – e, principalmente, que a igualdade de gênero não é boa só para as mulheres. Ela também é benéfica para os homens, para a sociedade e para o desenvolvimento econômico, pois é um dos pilares de um mundo mais justo e diverso.



(Sandra Regina Goulart Almeida | Reitora da UFMG. Disponível em: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/opiniaoigualdade-de-genero-e-pilar-de-um-mundo-mais-justo. Acesso em 03 de agosto de 2024.)
Quanto à acentuação gráfica, marque a alternativa cujos vocábulos estejam acentuados, respectivamente, pela mesma regra de acentuação dos vocábulos destacados em “[...]somos levadas, a cada período letivo [...]” e “Desde o início do século passado.” 
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Q3051538 Português
Igualdade de gênero é pilar de um mundo mais justo


Desde o início do século passado, o Dia Internacional da Mulher é associado à luta por melhores condições de vida e de trabalho, por salários mais justos e, principalmente, por equidade de gênero. Há conquistas a celebrar, isso é indiscutível, mas prefiro destacar o longo caminho que ainda precisamos percorrer para que as demandas mobilizadas pelos movimentos de nossas pioneiras em várias partes do mundo sejam atendidas.


Assim, o 8 de março reveste-se de singular importância – não pelo tom celebratório que alguns insistem em imprimir à data, mas pela oportunidade de reflexão. A data ainda faz sentido porque chama a atenção para a situação díspar das mulheres no mercado de trabalho, para a violência e opressão que sofrem em casa e nos ambientes que frequentam, para a necessidade de se formular políticas públicas que as contemplem e para as desiguais jornadas que ainda são obrigadas a cumprir nos âmbitos profissional e doméstico. Representa, ainda, uma possibilidade de refletir sobre as distâncias entre as muitas mulheres que foram, e têm sido, silenciadas ao longo dos tempos.


Como a Universidade não é um ente deslocado das estruturas sociais, grande parte dessa situação vivida pelas mulheres também é reproduzida dentro dos muros da academia. As mulheres representam mais da metade do corpo discente da UFMG (graduação e pósgraduação), mas essa proporção está longe de se refletir, por exemplo, no corpo docente de algumas áreas do conhecimento, na gestão da Universidade ou entre os pesquisadores que recebem bolsas do CNPq. Das 69 universidades federais, apenas 14 são comandadas por reitoras. As mulheres continuam subrepresentadas nos principais espaços decisórios da academia e sofrem com a discriminação e os estereótipos de gênero, perpetuados por uma sociedade desigual e preconceituosa.


É justamente no mês da mulher que recebemos uma nova leva de estudantes embalada pelo lema da nossa UFMG: Incipit vita nova, “uma vida nova se inicia”. Com a chegada dessa juventude – “página de um livro bom”, como diria a música –, somos levadas, a cada período letivo, a renovar nosso compromisso com a formação – tanto no campo do conhecimento formal quanto nas dimensões relacionadas ao exercício da cidadania e aos direitos humanos. E uma dessas dimensões é a igualdade de gênero. Temos que mostrar às novas gerações que as mulheres travam um bom combate permanente, que todas têm direitos que precisam ser assegurados – e, principalmente, que a igualdade de gênero não é boa só para as mulheres. Ela também é benéfica para os homens, para a sociedade e para o desenvolvimento econômico, pois é um dos pilares de um mundo mais justo e diverso.



(Sandra Regina Goulart Almeida | Reitora da UFMG. Disponível em: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/opiniaoigualdade-de-genero-e-pilar-de-um-mundo-mais-justo. Acesso em 03 de agosto de 2024.)
No vocábulo marcado em “As mulheres continuam sub-representadas nos principais espaços decisórios da academia [...].”, o hífen está corretamente empregado na escrita da palavra destacada, conforme o Novo Acordo Ortográfico. Conforme esse Acordo, está, também, corretamente grafado o vocábulo
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Q3051397 Português
Assinale a alternativa que apresenta correção de ortografia, segundo a norma culta da língua portuguesa: 
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Q3051388 Português
Identifica-se hiato em: 
Alternativas
Q3049263 Português
Grau de felicidade de povos tradicionais empata com países ricos


Pois é, dinheiro realmente não traz felicidade: encomenda online e manda entregar em casa. Que atire primeira pedra quem nunca usou uma tirada cínica a como essa quando a relação entre boa condição financeira e satisfação pessoal vem à baila. Piadas à parte, porém, parece que a conclusão verdadeira a se tirar sobre esse eterno dilema é "depende": em alguns contextos sociais, as pessoas podem se considerar um bocado felizes sem um centavo na carteira.

Essa é a principal lição de um estudo tremendamente simples, mas ainda assim intrigante, publicado há pouco tempo na PNAS, o periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA. Liderado por Victoria Reyes-García, do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambientais da Universidade Autônoma de Barcelona, o trabalho partiu de um dado aparentemente banal: as pesquisas sobre o nível (autodeclarado) de felicidade das pessoas em diversos países, que volta e meia ganham as manchetes de jornais como esta Folha e logo são esquecidas.

Numa primeira olhada, esse tipo de pesquisa parece confirmar a atitude cínica segundo a qual o melhor é encomendar felicidade em site de compras. De fato, pessoas que moram em países com renda per capita média mais alta tendem a se declarar mais satisfeitas com a vida do que as moradoras de países pobres.

Parece haver inclusive limiares numéricos nisso. Por exemplo, só em países com renda per capita anual acima de US$ 40 mil a "nota" média de satisfação com a vida é superior a 7 (numa escala de 0 a 10). E, nos lugares onde essa renda está abaixo de US$ 4.500, não há nenhuma nota média acima de 5,5.

Até agora, zero surpresa, infelizmente. Mas a sacada de Reyes-García e seus colegas foi fazer a mesma pesquisa em comunidades tradicionais do mundo inteiro. Ou seja, eles fizeram a pergunta padronizada − "Considerando todos os aspectos da sua vida, o quanto você se considera satisfeito numa escala de 0 a 10?" − para nômades tuaregues da Argélia, ribeirinhos brasileiros do rio Juruá e pescadores das ilhas Fiji, na Oceania, entre outros. No total, foram 19 comunidades desse tipo, cujos membros têm renda "monetária" (baseada em dinheiro oficial) inexistente, ou quase.

Resultado? Embora haja uma variação grande nas respostas (o que é esperado, dadas as grandes diferenças em quase todos os demais fatores de um lugar para o outro), o "nível médio de felicidade" das populações tradicionais é de 6,8. O que significa que ele supera o de países ricos como Itália, Japão e Espanha, além de empatar com o da Bélgica e do Reino Unido (o do Brasil é 6,1). E quatro dos locais têm níveis altíssimos de satisfação com a vida, superiores a 8 acima até dos − países escandinavos, considerados os campeões de felicidade do século 21.

É claro que muitos fatores podem explicar esse resultado. Outro detalhe importante que tem emergido nas pesquisas sobre satisfação com a própria vida é o elemento comparativo. Ou seja, as pessoas tendem a enxergar sua colocação no "pódio da felicidade" se comparando com quem está à sua volta.

Assim, num círculo social relativamente pequeno e igualitário, mesmo que com poucos recursos em termos absolutos, a tendência é olhar em volta e pensar "é, até que não estou tão mal". Em sociedades industrializadas, por outro lado, um nível material mais alto seria necessário para compensar a óbvia presença de gente muito mais rica do que você.

Mas é bem possível que essa não seja a única explicação. Entrevistas mais detalhadas com grupos tradicionais tendem a revelar que a satisfação está bastante ligada a fatores como a intensidade das relações sociais com quem está próximo, a sensação de harmonia trazida por esses laços e também o contato com a natureza.

Há, em suma, muito mais de uma maneira de se sentir um ser humano contente com a vida. Ainda que não seja viável simplesmente copiar a experiência das comunidades tradicionais nas metrópoles globais, aprender com elas pode muito bem ser vital para o nosso futuro.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: 24 fev. 2024.
Dentre as alternativas dadas a seguir, assinale aquela cuja construção tenha se dado de acordo com as regras de ortografia e discursividade, tal qual ocorreu em "Essa a principal lição de um estudo tremendamente simples, é mas ainda assim intrigante, publicado há pouco tempo na PNAS, o periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA".
Alternativas
Respostas
3501: A
3502: B
3503: C
3504: B
3505: A
3506: A
3507: C
3508: C
3509: A
3510: A
3511: D
3512: C
3513: B
3514: C
3515: A
3516: D
3517: B
3518: A
3519: D
3520: A