Questões de Concurso
Comentadas sobre orações subordinadas reduzidas em português
Foram encontradas 327 questões
Assinale a frase em que essa substituição foi feita de forma inadequada.

Do ponto de vista sintático, é correto afirmar:
Em todas as opções abaixo há uma oração reduzida de infinitivo, que foi modificada, respectivamente, para uma oração desenvolvida e, a seguir, para uma estrutura nominal.
Assinale a opção em que houve erro numa dessas modificações.
TEXTO 1
Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. “Só tem um probleminha: não é habitada.” Rimos. É uma expressão coloquial na França – habité – mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer “aquela ali tem gente em casa” quando se refere a pessoas que fazem diferença.
Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo. Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas “inadequações” em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial. (Pessoas habitadas – Martha Medeiros).
O fim do sistema solar?
Quão estável é o sistema solar? Se considerarmos apenas o curto período de tempo em que os humanos habitaram a Terra, o sistema solar é bastante estável; no entanto, só é possível devido ao complexo equilíbrio atingido pelos planetas que orbitam o Sol ao longo de muitos, muitos anos e pelo papel que cada um desempenha neste sistema.
Se o sistema no qual vivemos pode ser considerado estável, que alterações seriam necessárias para o desestabilizar? Em uma tentativa de responder concretamente à questão, os pesquisadores Garett Brown e Hanno Rein, da Universidade de Toronto, no Canadá, desenvolveram um conjunto de cerca de 3 mil simulações de possíveis alterações às órbitas dos planetas do sistema solar de modo a perceberem quais as consequências e de que forma estas poderiam afetar o equilíbrio do mesmo. "Descobrimos que pequenas perturbações nas órbitas dos planetas externos são transferidas entre planetas, aumentando a probabilidade de que o sistema planetário interno se desestabilize", escreveram no seu relatório publicado recentemente na Arxiv.
A maioria das simulações resultou em algum tipo de consequência significativa para o sistema solar. As boas notícias são que, ainda assim, cerca de 960 cenários analisados pelos pesquisadores não deram origem a mudanças que possam ser consideradas significativas para o equilíbrio do sistema. Além disso, quaisquer consequências que pudessem advir da alteração da órbita de um planeta, fossem estas negativas ou não, só se fariam sentir muitos milhões de anos mais tarde, pelo que, mesmo no pior cenário, não resultaria no imediato colapso do sistema solar.
O estudo examinou, inclusive, os efeitos com um intervalo de até 4,8 mil milhões de anos depois. "Essas perturbações fracas não destroem o sistema solar imediatamente, apenas o agitam um pouco e só nos milhões ou mil milhões de anos seguintes é que algo fica instável", explica Rein à New Scientist.
(Disponível em: O fim do sistema solar? Basta que Netuno altere a sua órbita em apenas
0,1% (msn.com). Adaptado.)
A oração destacada trata-se de uma oração:
O fim do sistema solar?
Quão estável é o sistema solar? Se considerarmos apenas o curto período de tempo em que os humanos habitaram a Terra, o sistema solar é bastante estável; no entanto, só é possível devido ao complexo equilíbrio atingido pelos planetas que orbitam o Sol ao longo de muitos, muitos anos e pelo papel que cada um desempenha neste sistema.
Se o sistema no qual vivemos pode ser considerado estável, que alterações seriam necessárias para o desestabilizar? Em uma tentativa de responder concretamente à questão, os pesquisadores Garett Brown e Hanno Rein, da Universidade de Toronto, no Canadá, desenvolveram um conjunto de cerca de 3 mil simulações de possíveis alterações às órbitas dos planetas do sistema solar de modo a perceberem quais as consequências e de que forma estas poderiam afetar o equilíbrio do mesmo. "Descobrimos que pequenas perturbações nas órbitas dos planetas externos são transferidas entre planetas, aumentando a probabilidade de que o sistema planetário interno se desestabilize", escreveram no seu relatório publicado recentemente na Arxiv.
A maioria das simulações resultou em algum tipo de consequência significativa para o sistema solar. As boas notícias são que, ainda assim, cerca de 960 cenários analisados pelos pesquisadores não deram origem a mudanças que possam ser consideradas significativas para o equilíbrio do sistema. Além disso, quaisquer consequências que pudessem advir da alteração da órbita de um planeta, fossem estas negativas ou não, só se fariam sentir muitos milhões de anos mais tarde, pelo que, mesmo no pior cenário, não resultaria no imediato colapso do sistema solar.
O estudo examinou, inclusive, os efeitos com um intervalo de até 4,8 mil milhões de anos depois. "Essas perturbações fracas não destroem o sistema solar imediatamente, apenas o agitam um pouco e só nos milhões ou mil milhões de anos seguintes é que algo fica instável", explica Rein à New Scientist.
(Disponível em: O fim do sistema solar? Basta que Netuno altere a sua órbita em apenas
0,1% (msn.com). Adaptado.)
A oração destacada trata-se de uma oração:
Justiça argentina leva médicos de Maradona a julgamento por homicídio simples
Maradona, considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, 'em situação de desamparo' e 'deixado à própria sorte', segundo a investigação dos promotores.
A Justiça argentina levará oito pessoas a julgamento, entre médicos, enfermeiras e um psicólogo, que cuidaram de Diego Maradona, o mais importante jogador de futebol do país, no momento da sua morte, por “presumido ato de homicídio simples”, segundo decisão judicial divulgada nesta quarta-feira (22). O juiz responsável pelo processo questionou “as condutas --ativas ou omissas-- que cada um dos acusados teria desenvolvido e contribuído à realização do resultado lesivo”, segundo a decisão com 236 páginas.
Maradona, considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, “em situação de desamparo” e “deixado à própria sorte”, segundo a investigação dos promotores. “Em 30 de novembro de 2020, assim que vi a causa da morte, disse que era homicídio. Lutei por muito tempo e aqui estamos, com essa etapa cumprida”, disse Mario Baudry, advogado de um dos filhos de Maradona, à Reuters.
Os acusados são o neurocirurgião e médico pessoal do ex-jogador, Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Díaz, os enfermeiros Gisella Madrid e Ricardo Almirón, seu chefe Mariano Perroni, e os médicos Pedro Di Spagna e Nancy Forlini. O juiz também acusou Luque de ter falsificado a assinatura de Maradona para retirar seu histórico clínico do hospital e Cosachov por “falsidade ideológica”.
Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/06/22/justica-argentina-leva-medicos-de-maradona-a-julgamento-por-homicidio-simples.ghtml
Texto para o item.


Em relação aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto apresentado, julgue o item.
Se a vírgula empregada no trecho “Sonhos recorrentes,
que acompanham a gente a vida toda” (linhas 17 e 18)
fosse suprimida, o sentido original do texto seria
alterado, pois, nesse caso, a oração adjetiva introduzida
pelo pronome “que” passaria a ter sentido restritivo.
Literatura e justiça
Clarice Lispector
Hoje, de repente, como num verdadeiro achado, minha
tolerância para com os outros sobrou um pouco para mim
também (por quanto tempo?). Aproveitei a crista da onda, para
me pôr em dia com o perdão. Por exemplo, minha tolerância em
relação a mim, como pessoa que escreve, é perdoar eu não
saber como me aproximar de um modo “literário” (isto é,
transformado na veemência da arte) da “coisa social”. Desde
que me conheço o fato social teve em mim importância maior
que qualquer outro: em Recife os mocambos foram a primeira
verdade para mim. Muito antes de sentir “arte”, senti a beleza
profunda da luta. Mas é que tenho um modo simplório de me
aproximar do fato social: eu queria “fazer” alguma coisa, como
se escrever não fosse fazer. O que não consigo é usar escrever
para isso, ainda que a incapacidade me doa e me humilhe. O
problema de justiça é em mim um sentimento tão óbvio e tão
básico que não consigo me surpreender com ele – e, sem me
surpreender, não consigo escrever. E também porque para mim
escrever é procurar. O sentimento de justiça nunca foi procura
em mim, nunca chegou a ser descoberta, e o que me espanta é
que ele não seja igualmente óbvio em todos. Tenho consciência
de estar simplificando primariamente o problema. Mas, por
tolerância hoje para comigo, não estou me envergonhando
totalmente de não contribuir para algo humano e social por
meio do escrever. É que não se trata de querer, é questão de
não poder. Do que me envergonho, sim, é de não “fazer”, de
não contribuir com ações. (Se bem que a luta pela justiça leva à
política, e eu ignorantemente me perderia nos meandros dela.)
Disso me envergonharei sempre. E nem sequer pretendo me
penitenciar. Não quero, por meios indiretos e escusos, conseguir
de mim a minha absolvição. Disso quero continuar
envergonhada. Mas, de escrever o que escrevo, não me
envergonho: sinto que, se eu me envergonhasse, estaria
pecando por orgulho.
Nesse período do texto, a oração reduzida “eu não saber” pode ser adequadamente substituída pela seguinte oração desenvolvida:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Arqueólogos descobrem estaleiro viking que desafia teorias anteriores sobre atividades navais
Arqueólogos descobriram que a cidade de Birka, na Suécia, abrigou um porto viking. A descoberta, comandada por cientistas da Universidade de Estocolmo, mudou a visão que os historiadores tinham sobre a capacidade naval e o desenvolvimento das atividades marítimas dos antigos povos germânicos que habitavam a Escandinávia.
A descoberta revela grande capacidade comercial dos vikings e o local fica a 30 quilômetros da capital sueca, Estocolmo.
O leito das águas abrigava uma série de equipamentos e ferramentas avançadas de navegação e construção, o que indica que o local era um verdadeiro estaleiro. Além disso, através da análise dos leitos, os pesquisadores conseguiram mapear rotas e estabelecer uma dimensão para o porto, cuja idade é estimada entre 1300 e 1000 anos.
"Um sítio como este nunca foi encontrado antes, é o primeiro de seu tipo, mas as descobertas mostram, de forma convincente, que era um estaleiro", diz Sven Isaksson, professor de ciências arqueológicas da Universidade de Estocolmo e líder do projeto.
"Os achados de artefatos da área mostram com grande clareza que é aqui que as pessoas construíam seus navios", acrescentou.
Como se sabe, os vikings viajaram para diversas regiões do planeta, e existem registros de sua chegada às Américas muito antes dos portugueses, com um intercâmbio cultural com os povos originários.
A partir da investigação de Birka, os cientistas poderão explorar, com mais profundidade, o trabalho destes homens e mulheres, longe da mitologia e perto da realidade material dos fatos.
Birka era uma fortificação já conhecida pelos pesquisadores, mas o porto em suas águas indica que ela também poderia abrigar outros povos que vinham de fora das aldeias vikings.
"Alguém poderia atracar em qualquer lugar, ou importava se estava dentro ou fora da muralha da cidade? Há muito o que refletir aqui. Mas para nós, a investigação não termina com o trabalho de campo, continuamos no laboratório. Ao usar técnicas analíticas laboratoriais, obtemos mais informações do material de origem fragmentado do que seria possível", diz Isaksson.
(Disponível em: Arqueólogos descobrem estaleiro viking que desafia teorias anteriores
sobre atividades navais (msn.com). Adaptado.)
A oração em destaque é uma oração:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Arqueólogos descobrem estaleiro viking que desafia teorias anteriores sobre atividades navais
Arqueólogos descobriram que a cidade de Birka, na Suécia, abrigou um porto viking. A descoberta, comandada por cientistas da Universidade de Estocolmo, mudou a visão que os historiadores tinham sobre a capacidade naval e o desenvolvimento das atividades marítimas dos antigos povos germânicos que habitavam a Escandinávia.
A descoberta revela grande capacidade comercial dos vikings e o local fica a 30 quilômetros da capital sueca, Estocolmo.
O leito das águas abrigava uma série de equipamentos e ferramentas avançadas de navegação e construção, o que indica que o local era um verdadeiro estaleiro. Além disso, através da análise dos leitos, os pesquisadores conseguiram mapear rotas e estabelecer uma dimensão para o porto, cuja idade é estimada entre 1300 e 1000 anos.
"Um sítio como este nunca foi encontrado antes, é o primeiro de seu tipo, mas as descobertas mostram, de forma convincente, que era um estaleiro", diz Sven Isaksson, professor de ciências arqueológicas da Universidade de Estocolmo e líder do projeto.
"Os achados de artefatos da área mostram com grande clareza que é aqui que as pessoas construíam seus navios", acrescentou.
Como se sabe, os vikings viajaram para diversas regiões do planeta, e existem registros de sua chegada às Américas muito antes dos portugueses, com um intercâmbio cultural com os povos originários.
A partir da investigação de Birka, os cientistas poderão explorar, com mais profundidade, o trabalho destes homens e mulheres, longe da mitologia e perto da realidade material dos fatos.
Birka era uma fortificação já conhecida pelos pesquisadores, mas o porto em suas águas indica que ela também poderia abrigar outros povos que vinham de fora das aldeias vikings.
"Alguém poderia atracar em qualquer lugar, ou importava se estava dentro ou fora da muralha da cidade? Há muito o que refletir aqui. Mas para nós, a investigação não termina com o trabalho de campo, continuamos no laboratório. Ao usar técnicas analíticas laboratoriais, obtemos mais informações do material de origem fragmentado do que seria possível", diz Isaksson.
(Disponível em: Arqueólogos descobrem estaleiro viking que desafia teorias anteriores
sobre atividades navais (msn.com). Adaptado.)
Ela poderia 'abrigar outros povos' que vinham de fora das aldeias vikings.
A oração em destaque é uma oração:
Letra de médico
Na farmácia, presencio uma cena curiosa, mas não rara: balconista e cliente tentam, inutilmente, decifrar o nome de um medicamento na receita médica. Depois de várias hipóteses acabam desistindo. O resignado senhor que porta a receita diz que vai telefonar ao seu médico e voltará mais tarde. "Letra de doutor", suspira o balconista, com compreensível resignação. Letra de médico já se tornou sinônimo de hieróglifo, de coisa indecifrável.
Um fato tanto mais intrigante quando se considera que os médicos, afinal, passaram pelas mesmas escolas que outros profissionais liberais. Exercício da caligrafia é uma coisa que saiu de moda, mas todo aluno sabe que precisa escrever legivelmente, quando mais não seja, para conquistar a boa vontade dos professores. A letra dos médicos, portanto, é produto de uma evolução, de uma transformação. Mas que fatores estariam em jogo atrás dessa transformação?
Que eu saiba, o assunto ainda não foi objeto de uma tese de doutorado, mas podemos tentar algumas explicações. A primeira, mais óbvia (e mais ressentida), atribui os garranchos médicos a um mecanismo de poder. Doutor não precisa se fazer entender: são os outros, os seres humanos comuns, que precisam se familiarizar com a caligrafia médica. Quando os doutores se tornarem mais humildes, sua letra ficará mais legível.
Pode ser isso, mas acho que não é só isso. Há outros componentes: a urgência, por exemplo. Um doutor que atende dezenas de pacientes num movimentado ambulatório de hospital não pode mesmo caprichar na letra. Receita é uma coisa que ele precisa fornecer - nenhum paciente se considerará atendido se não levar uma receita. A receita satisfaz a voracidade de nossa cultura pelo remédio, e está envolta numa aura mística: é como se o doutor, através dela, acompanhasse o paciente. Mágica ou não, a receita é, muitas vezes, fornecida às pressas; daí a ilegibilidade.
Há um terceiro aspecto, mais obscuro e delicado. É a relação ambivalente do médico com aquilo que ele receita - a sua dúvida quanto à eficácia (para o paciente, indiscutível) dos medicamentos. Uma dúvida que cresce com o tempo, mas que é sinal de sabedoria. Os velhos doutores sabem que a luta contra a doença não se apoia em certezas, mas sim em tentativas: "dans la médicine comme dans l'amour, ni jamais, ni toujours", diziam os respeitados clínicos franceses: na medicina e no amor, "sempre" e "nunca" são palavras proibidas. Daí a dúvida, daí a ansiedade da dúvida, da qual o doutor se livra pela escrita rápida. E pouco legível.
[...]
SCLIAR, Moacyr. A face oculta ? inusitadas e reveladoras histórias da medicina. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001. [adaptado]
A oração destacada é:


