Questões de Concurso Comentadas sobre orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas... em português

Foram encontradas 1.338 questões

Q4198920 Português
Leia o texto para responder à questão:

Comércio global à margem da OMC

    A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Camarões terminou como tantas desde o colapso da Rodada Doha, em 2008: sem acordo. Negociações sobre o comércio digital fracassaram. Tentativas de reformas institucionais empacaram. Delegações voltaram para casa com declarações vagas. O representante comercial dos EUA anunciou que Washington buscaria acordos fora da OMC.
    O impasse não surpreende. A organização depende do consenso entre mais de 160 países. A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. Os EUA mantêm paralisado o órgão de apelação. A China resiste a mudanças que atinjam seus subsídios. A máquina roda formalmente, mas não produz resultados.
    Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. Cadeias produtivas continuam ligando fábricas na Ásia, centros tecnológicos na Europa e mercados consumidores nas Américas. Fluxos apenas mudam de caminho, deslocando fornecedores e rotas. Os governos não estão emulando o unilateralismo dos EUA, e não se materializou um protecionismo generalizado. Os países negociam, mesmo quando a OMC não decide.
    As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. Desfazer operações globais implicaria custos elevados, perda de escala e ruptura de contratos. Quando políticas comerciais avançam nessa direção, encontram resistência de empresas e mercados. A integração econômica sobrevive por inércia e interesse, mesmo quando a arquitetura institucional vacila.
    Grandes rodadas de liberalização são coisa do passado. Trata-se de preservar alguma previsibilidade num sistema mais fragmentado e modular. A alternativa não é entre uma OMC perfeita e o colapso, mas entre um sistema imperfeito e funcional ou o caos baseado na lei do mais forte. Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação para evitar que o comércio se transforme numa sucessão de pactos desconectados. Sem esse equilíbrio, o risco não é exatamente o fim da globalização, mas sua degradação. Até aqui, o comércio tem resistido mais do que as instituições que deveriam organizá-lo. A letra da OMC está morta. Seu espírito vive.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 09.04.2026. Adaptado)
Considere as passagens:

•  A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. (2º parágrafo)
•  Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. (3º parágrafo)
•  As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. (4º parágrafo)
•  Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação... (5º parágrafo)

As expressões destacadas estabelecem entre as orações do texto, correta e respectivamente, relações de sentido de:
Alternativas
Q4198628 Português
LEIA um trecho do Conto de Guimarães Rosa, “Conversa de Bois”.

“– Eu acho que nós, bois, – Dançador diz, com baba – assim como os cachorros, as pedras, as árvores, somos pessoas soltas, com beiradas, começo e fim. O homem, não: o homem pode se ajuntar com as coisas, se encostar nelas, crescer, mudar de forma e de jeito… O homem tem partes mágicas… São as mãos… Eu sei… Mas já Brilhante endureceu as orelhas, soslaiando Dançador: … “Chegou um dia, nós reparamos que já estava trecho demais sem chover. Tempo e tempo. Coisa como nunca em antes tinha sido. Quase que nem capim seco não tinha mais, e a gente comia gravetos, casca de árvores, e desenterrava raiz funda, p’ra pastar. Foi ruim…”
27. “Mas já Brilhante endureceu as orelhas, soslaiando Dançador: … “Chegou um dia, nós reparamos que já estava trecho demais sem chover. Tempo e tempo. Coisa como nunca em antes tinha sido. Quase que nem capim seco não tinha mais, e a gente comia gravetos, casca de árvores, e desenterrava raiz funda, p’ra pastar. Foi ruim…”

O conectivo destacado pode ser SUBSTITUÍDO sem prejuízo de sentido por:
Alternativas
Q4192747 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que cada vez mais brasileiros deixam Portugal e recomeçam na Espanha


O brasileiro Paulo Geronimo espera ser beneficiado pelo processo extraordinário de regularização iniciado na Espanha em abril, voltado a imigrantes que já vivem no país. Após sete anos em Portugal, ele se mudou com a família para a Espanha em 2025.

Apesar de ter regularizado sua situação em Portugal, Paulo afirma que passou a perceber maior hostilidade contra brasileiros, além de considerar os salários espanhóis mais atrativos. Com experiência como motorista de caminhão, conseguiu promessa de contrato de trabalho e desenvolve um aplicativo voltado ao setor de transporte.

A Espanha adota um discurso mais favorável à imigração e políticas voltadas à integração dos estrangeiros, diferentemente de Portugal, que abriga a maior comunidade brasileira da Europa. Somado ao crescimento econômico espanhol, esse cenário ajuda a explicar o aumento do interesse de brasileiros pela mudança.

Nos últimos meses, cresceram os grupos virtuais com orientações sobre migração para a Espanha, especialmente em regiões de fronteira. O movimento envolve tanto imigrantes irregulares quanto pessoas já regularizadas.

Uma professora universitária aposentada decidiu deixar o norte de Portugal e mudar-se com a família para a Espanha, relatando aumento da hostilidade contra imigrantes e sobrecarga dos serviços públicos portugueses. Seu marido aguardava havia dois anos a renovação do visto de residência.

Dados oficiais indicam crescimento acelerado da comunidade brasileira na Espanha nos últimos anos, com milhares de novos registros apenas no último trimestre analisado.

Embora a regularização extraordinária beneficie apenas pessoas que já estavam na Espanha até o final de 2025, o interesse pela mudança também decorre do endurecimento das regras migratórias portuguesas e da busca por melhores condições de vida.

Portugal aprovou mudanças legais que restringem mecanismos de regularização, dificultam o reagrupamento familiar e ampliam o tempo necessário para solicitação de cidadania portuguesa. Especialistas observam que o país abandonou um dos modelos migratórios mais flexíveis da Europa.

Além disso, cresceram os registros de discriminação e hostilidade contra imigrantes. Pesquisas apontam aumento da percepção negativa sobre brasileiros, enquanto casos de preconceito ganharam maior visibilidade.

Analistas relacionam as diferenças entre Portugal e Espanha às orientações políticas dos governos atuais. Enquanto a Espanha mantém discurso mais favorável à imigração, Portugal passou a adotar postura mais restritiva.

Outro fator importante é o impacto proporcional da imigração. Embora a Espanha tenha recebido mais imigrantes em números absolutos, o crescimento populacional relativo foi mais intenso em Portugal, pressionando serviços públicos.

Na Espanha, o governo apresenta a imigração como solução para problemas estruturais, como envelhecimento populacional e falta de mão de obra. Especialistas destacam que parte do crescimento econômico espanhol recente está associada à imigração, além de os salários serem superiores aos portugueses.

A regularização extraordinária integra um conjunto de medidas voltadas à integração dos imigrantes, incluindo facilitação do reconhecimento de diplomas e ampliação do acesso à saúde pública.

Especialistas observam que a Espanha possui um mercado informal capaz de absorver trabalhadores estrangeiros, contribuindo para o elevado número de imigrantes irregulares. O novo processo permite acelerar o acesso à residência e ao trabalho formal.

O governo argumenta que a medida atende a uma necessidade social e econômica, enquanto críticos afirmam que ela pode incentivar novas entradas irregulares. Pesquisas sobre regularizações anteriores, porém, indicam aumento do emprego formal e da arrecadação sem crescimento significativo da imigração irregular.

Estudiosos destacam que os fluxos migratórios resultam de fatores diversos, como crises econômicas, violência, oportunidades de trabalho e políticas migratórias internacionais.

Embora exista debate sobre imigração na Espanha, o tema ainda provoca menos polarização do que em Portugal. Pesquisas mostram que a questão não figura entre as principais preocupações da população espanhola.

Especialistas concluem que, apesar das mudanças políticas e das oscilações entre maior abertura ou restrição, a Europa continuará necessitando de trabalhadores estrangeiros para sustentar sua economia. Ainda assim, recomendam que a migração ocorra preferencialmente por vias legais, reduzindo riscos e vulnerabilidades.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyp7k85l1po.adaptado.
Portugal aprovou mudanças legais que restringem mecanismos de regularização, dificultam o reagrupamento familiar e ampliam o tempo necessário para solicitação de cidadania portuguesa.

Assinale a alternativa correta acerca da relação sintática estabelecida entre as orações do período.
Alternativas
Q4188802 Português
Considere o período: “O candidato revisou todo o conteúdo da prova, portanto sentia-se seguro para realizar o exame.”
A oração iniciada pela conjunção em destaque classifica-se como:
Alternativas
Q4187656 Português
Texto para responder à questão


    De acordo com dados do Censo 2022, o Brasil abriga cerca de 1,7 milhão de pessoas indígenas, pertencentes a 391 povos e falantes de 295 línguas distintas. Esses números indicam a enorme diversidade social e cultural existente entre os povos indígenas. Reconhecer essa pluralidade é um passo essencial para que a escola compreenda que a abordagem dessa temática exige sensibilidade, conhecimento e não pode ser tratada de forma simplificada.


    Segundo Delmira de Almeida Peres, coordenadora adjunta do Programa Saberes Indígenas na Escola, Núcleo UNILA, e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Estadual de Maringá (UEM/PR), quando reproduz estereótipos, a escola ensina exclusão ao invés de cidadania intercultural.


    “Os estereótipos produzem impactos profundos: reforçam o racismo estrutural e epistemológico, naturalizam a invisibilização dos povos indígenas, impedem estudantes de compreenderem a diversidade brasileira, produzem preconceito e discriminação nas escolas e formam cidadãos com visão histórica incompleta do país”, diz.


    Em março de 2008, foi homologada a Lei nº 11.645, que torna obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro- -brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio. Entretanto, não há essa obrigatoriedade nos estabelecimentos de ensino superior para os cursos de formação de professores (licenciaturas), o que reflete no que é ensinado na escola.


(Por: Nairim Bernardo. Disponível em: https://novaescola.org.br/. Acesso em: junho de 2026. Fragmento. Adaptado.)
Entre os períodos que compõem o 4º§ do texto, é possível observar um valor contrastivo indicado por emprego do termo “Entretanto”, cujo efeito de sentido mostra-se equivalente a: 
Alternativas
Q4186884 Português
Leia o texto para responder à questão..

Feliz por nada. (Martha Medeiros).


Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou.

Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.

Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.

Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.
Ainda no texto, o período “e que muda de opinião sem a menor culpa”, a oração é: 
Alternativas
Q4183737 Português

Maior Sorte


O médico me olhou achando graça.


"Parece até que você está indo ao cinema" comentou sobre meu relaxamento.


Tentei falar que talvez tivesse algo a ver com a epidural, mas as palavras não saíram, e só consegui esboçar um sorriso indeciso. As paredes brancas eram tão claras que me cegavam como se fosse um quarto escuro feito breu, e logo caí num sono profundo. A próxima coisa que me lembro foram os gritos.


Eu os ouvia através de um véu, que tornava o som oco e distante, ainda que me perfurassem. Sua dor, eu acredito, doía mais em mim do que em você.


De repente, como que por mágica, o silêncio reinou.


Olho para baixo e lá está você, com a cabecinha mole que tanto me aterrorizou nos meses seguintes, encostada no meu peito. Você era uma paz que eu nunca soube ter. Apesar do parto tranquilo, você estava virada. O médico não te retirou, como é de praxe, pela cabeça, mas pela sua bundinha de neném. Ele brincou que você nasceu com o bumbum virado pra lua, mas eu sabia que isso não era brincadeira nenhuma. A sua primeira sorte foi ter vindo de mim. O que são casualidades e probabilidades se não esse conceito místico e até vulgar que chamamos de boa ou má sorte? Eu gostaria de entender, mas vou deixar essa para os filósofos. Só sei que a calmaria do seu nascimento foi um presságio de todos os trevos de quatro folhas que você encontraria ao longo da vida. A sua segunda sorte deve ter sido como nunca te deixei cair de maneira fatal, como você sempre atravessou a rua de forma segura, mesmo que soltasse as minhas mãos, que nunca deixaram de buscar as suas, e que por sua vez só buscavam independência. Para ficar vivo, necessita-se de uma baita sorte. E, por te ter comigo, ganhei na loteria.


MAGALHÃES, Lívia Batista. Maior sorte. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir: número 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 14 abr. 2026.

Considere as afirmativas relacionadas ao emprego da vírgula nas frases extraídas do texto e registre V para verdadeiras e F para falsas:


(__)Na frase "Eu gostaria de entender, mas vou deixar essa para os filósofos", a vírgula antes de mas é facultativa pela norma culta, pois separa duas orações coordenadas adversativas de mesmo sujeito.

(__)Na frase "Apesar do parto tranquilo, você estava virada", a vírgula separa um adjunto adverbial concessivo deslocado para o início do período, uso consagrado pela gramática normativa.

(__)Na frase "Sua dor, eu acredito, doía mais em mim do que em você", as vírgulas isolam uma oração intercalada que não interfere na estrutura sintática da oração principal, podendo ser suprimida sem prejuízo gramatical.


Assinale a alternativa com a sequência CORRETA de cima para baixo:

Alternativas
Q4183344 Português
O texto a seguir servirá de base para a próxima questão. Leia-o atentamente.

     Em tempos difíceis e complexos, em que somos surpreendidos por situações que não conhecemos muito bem, é necessário humildade. Eu lembro sempre que humildade não é subserviência. A subserviência é um acovardamento, uma diminuição da capacidade. A humildade é a percepção de que nós temos muitas capacidades, mas não somos tudo.
    Nós temos muita potência como indivíduos e como comunidade, mas não temos toda a força para a ação. E somos surpreendidos, em grande medida, quando nos imaginamos invulneráveis. E não é assim. Cada pessoa precisa não só ser humilde em relação a isso, mas agir para permanecer, mesmo que numa memória, numa obra que marque o seu tempo de passagem.
    O pensador francês La Bruyère (1645-1696), em seu livro “Os caracteres” escreveu: “Quem pode, mesmo possuindo os talentos mais raros e o mérito mais excelso, não se convencer de sua inutilidade, quando considera que, ao morrer, deixa um mundo que não se ressente de sua perda, em que há tanta gente para substituí-lo?”. A advertência de La Bruyère nos leva a refletir sobre o quanto é preciso ter a percepção da humildade.

    * Mais reflexões sobre humildade podem ser lidas em “Qual é a tua obra?”, (Vozes, 144 pág.)

(Mario Sergio Cortella)
No trecho ‘‘Cada pessoa precisa não só ser humilde em relação a isso, mas agir para permanecer, mesmo que numa memória, numa obra que marque o seu tempo de passagem’’, a conjunção destacada estabelece uma relação de:
Alternativas
Q4181681 Português
Assinale a alternativa que mantém a relação semântica geral nesta frase:

Além do acesso, a utilização dos serviços de saúde também é influenciada por fatores sociais.
Alternativas
Q4179773 Português

Fevereiro Laranja



        Machado de Assis, com sua sensibilidade descritiva aguçada, mestre da observação psicológica, romântico e parnasiano- -realista, querendo satisfazer uma curiosidade a respeito da influência do sangue no ser humano, fez uma incursão na área do xenotransplante, inexistente à época, é claro. Pela experiência narrada, Stroibus e Pítias, dois amigos filósofos e cientistas, descobriram que se a pessoa ingerir o sangue do rato irá tornar-se ratoneiro, da coruja, sábia, da aranha, arquiteta, da cegonha, da andorinha, viajante, da rola, fidelidade conjugal, do pavão, vaidosa. Tomaram o sangue de rato. Foram presos na corte de Ptolomeu e condenados à morte por seguidos furtos de raras obras literárias da biblioteca de Alexandria.


         É certo que a ficção científica nunca foi o campo preferido do Bruxo do Cosme Velho, mas faz ver que o homem sempre se interessou por aventuras biológicas relacionadas com o sangue. Tamanha verdade que a própria ciência médica entabulou os procedimentos envolvendo transplantes sanguíneos com inquestionáveis sucessos para a saúde humana. E assim é possível caracterizar o homem como proprietário de um imenso latifúndio, chamado corpo humano e, ao mesmo tempo em que representa um patrimônio individualizado, carrega a semente universal, que irá proporcionar a continuidade da humanidade.


         A criatividade humana, agindo em benefício de sua própria causa, identificou doenças rotineiras e as inseriu em um mês do ano, tingindo-o com uma cor inconfundível. Assim surgiram, dentre outros, Outubro Rosa e Novembro Azul, sempre para orientar e conscientizar o cidadão a respeito de doenças que, se forem diagnosticadas a tempo, muitas não terão progressão.


         “Fevereiro Laranja”, desta forma, é o símbolo que representa a chamada de atenção a respeito da leucemia, doença com acelerado crescimento da produção desordenada de glóbulos brancos e que afeta as células sanguíneas saudáveis, assim como, com especial relevo, para a doação de medula óssea.


        A doação de órgãos e tecidos no Brasil é feita inter vivos, modalidade em que qualquer pessoa capaz poderá consentir e, na impossibilidade, seu representante legal, desde que se trate de órgãos duplos (rins, por exemplo) ou partes renováveis do corpo humano, para fins terapêuticos ou para transplantes em cônjuge, parentes consanguíneos até o quarto grau, ou qualquer outra pessoa, mediante autorização judicial, dispensada esta em relação à medula óssea. Sempre e sempre a título gratuito, em razão do disposto no art. 199, § 4º, da Constituição Federal e da Lei nº 9.434/1997, em seu art. 1º. Percebe-se, pelo relato legislativo, que a pessoa não divide com o Estado a legitimidade de doar sua medula óssea e pode fazê-lo a quem lhe aprouver, prevalecendo sua autonomia.


         Na realidade, a doação deveria ser ato de comunhão, de alteridade, levando-se em consideração que a natureza humana tem como um dos seus sustentáculos, o altruísmo. O sangue que circula no corpo ou se aloja na medula óssea de uma pessoa, tem compatibilidade para se transferir para outro corpo e restaurar uma vida atingida por doenças que afetam as células, como as leucemias. É, por um lado, uma doação representando um gesto de extrema solidariedade, com rápida reconstituição do material doado e, por outro, a única chance de vida para o doente receptor.


        Respeitadas as condições exigidas, qualquer um pode ser doador. Basta procurar pelo hemocentro mais próximo e manifestar o interesse. É, sem dúvida, um ato de extremada solidariedade, revelador de um sentimento humanitário digno de todo respeito e admiração, demonstrando que a natureza humana proporciona o bem-estar àquele que é saudável e acode o vulnerável com os recursos do corpo humano alheio.



(Por: Eudes Quintino de Oliveira Júnior. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/coluna/leitura-legal/. Acesso em: maio de 2026. Adaptado.)

Acerca da constituição do período “É certo que a ficção científica nunca foi o campo preferido do Bruxo do Cosme Velho, mas faz ver que o homem sempre se interessou por aventuras biológicas relacionadas com o sangue.” (2º§), é possível observar orações:
Alternativas
Q4179428 Português

Doenças psicossomáticas: entenda como emoções se manifestam no corpo 



Imagine que você acordou atrasado para uma reunião importantíssima. Levantou-se rápido, pulou o café da manhã e pagou caro em um carro de aplicativo porque não daria tempo de pegar o transporte público. Chegando na empresa, em cima da hora, descobre que a reunião foi remarcada para o dia seguinte. Frustrante, certo? 
Enquanto você se sente irritado com a situação, seu corpo também reage: seus vasos sanguíneos contraem, a glicose no seu sangue aumenta, sua pele fica pálida, sua pressão arterial sobe e seu coração dispara. É a raiva correndo por todo o seu corpo.}
Diante de ameaças reais, as reações psicossomáticas (termo que se refere a sintomas físicos causados ou agravados por fatores emocionais) são normais. O problema é quando acontecem de forma repetida ou prolongada, podendo desencadear condições crônicas. Mas por que o que se passa na nossa mente pode afetar o físico?
No livro “A linguagem do organismo”, a gastroenterologista Giulia Enders explica como o nosso corpo comunica tudo o que se passa nele. Segundo a ciência psicossomática, essas reações acontecem porque o estresse e a ansiedade, enquanto processos psicológicos, ativam o sistema nervoso central, que ativa o sistema nervoso autônomo. Este, por sua vez, regula funções viscerais como o coração, pulmões e o sistema digestivo. 
Ao interpretar alguma situação, por exemplo, um prazo apertado, como uma situação de medo, seu organismo libera cortisol e adrenalina, que fazem com que as veias se estreitem, limitando o fluxo sanguíneo. É isso que faz você sentir que está com falta de ar, um aperto no peito, tremedeira e dor na barriga. 
“Essa situação é interpretada como algo que está ameaçando o seu bem-estar, o que ativa o sistema nervoso central e, consequentemente, o autônomo”, explica o médico Avelino Luiz Rodrigues, professor do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), especialista em psicossomática.
sse tensionamento pode ocasionar dores e gerar a sensação de olho embaçado ou a pálpebra tremendo. Questões psicológicas também se conectam com reações do intestino, como uma dor de barriga, porque a ativação do sistema nervoso autônomo estimula a motilidade intestinal, complementa o médico.
No livro, Enders escreve que o estresse altera o comportamento do sistema imunológico, tornando as células de defesa mais intolerantes. Assim, micro-organismos que antes conviviam em paz no trato digestivo passam a ser atacados pelo sistema imune; em resposta, essas bactérias ativam seus mecanismos de defesa, o que gera inflamação e dor.
A psicóloga especialista em psicossomática Denise Ramos, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), afirma que, em momentos de susto ou ameaças, é normal sentir o estresse agudo. “O problema é quando essa ativação não volta ao equilíbrio (homeostase) e se torna algo constante ou crônica.” 
Ela diz que, quando o estresse agudo é repetitivo, ele também pode se tornar crônico, e a pessoa pode se sentir estressada apenas pela expectativa do que vai acontecer. Por exemplo, se você é repreendido de forma agressiva pelo seu chefe toda vez que entrega algum trabalho, há chances de você começar a experienciar o estresse antes mesmo de fazer a entrega.
Algumas pessoas tendem a não perceber que estão com ansiedade, aponta Rodrigues, mas que a expressam fundamentalmente através do corpo, como se ele descarregasse a tensão emocional que está acumulada. Com o tempo, se isso acontece de forma frequente, pode levar a algumas condições, como a síndrome do intestino irritável, afirma.
Outras doenças crônicas que podem estar associadas a reações emocionais são gastrite, hipertensão, úlceras, distúrbios do sono, cefaleias e enxaqueca, desencadear condições autoimunes e até mesmo ocasionar infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral). 
Perceber se o que você está experienciando no momento é uma reação esperada a uma situação estressora ou se é uma condição crônica depende da frequência e também da intensidade da resposta do organismo, dizem os especialistas.
“Essas reações são normais se a pessoa está diante de algum perigo. Mas se está sentado no sofá e está se sentindo mal, sem perigo aparente, ou se esses sinais aparecem constantemente, é sinal de que isso deve ser cuidado”, afirma Ramos. 
A psicóloga diz que, nesses casos, não basta tomar uma medicação para tentar remediar o sintoma físico, mas que é necessário cuidar, de preferência combinando tratamento médico e psicológico, dos fatores que desencadeiam esses sintomas. 
Segundo Rodrigues, além do tratamento especializado, há algumas práticas de melhoria de qualidade de vida que podem ajudar. A atividade física, afirma, é considerada fundamental no combate ao estresse, assim como boa alimentação e tempo de repouso. 


(Por: Giulia Peruzzo. Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: maio de 2026.)

 

A partir das ideias desenvolvidas no 8º§, é possível compreender que a dor e a inflamação no trato digestivo, em contextos de estresse, decorrem de um processo em que:
Alternativas
Q4178862 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Cooperativa que produz açaí no Amapá fecha contrato de cinco anos com gigante chinesa 


A cooperativa dos produtores extrativistas de açaí do estado do Amapá (Amazonbai) firmou parceria com a segunda maior rede de distribuição de alimentos chinesa para o fornecimento de toda a safra de açaí pelos próximos cinco anos, totalizando 15 mil toneladas do produto. A negociação ocorreu durante a Sial China, maior feira de alimentos da Ásia. 


A Amazonbai faz parte da Rota do Açaí, inserida nas Rotas de Integração Nacional, iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que tem como objetivo o fortalecimento de sistemas produtivos locais e a promoção do desenvolvimento regional sustentável.


A participação da Amazonbai e de outras sete cooperativas — todas integrantes das Rotas de Integração Nacional — na Sial China contou com investimento de R$ 207 mil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). São elas: União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Brasil), Unicafes Bahia, IPE Unicafes, Cooperativa Grande Sertão, Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC) e Cooperativa Agropecuária Regional de Palmeira dos Índios (Carpil). A participação das cooperativas no evento possibilita a apresentação de produtos sustentáveis brasileiros ao público asiático. 


O presidente da Amazonbai, Amiraldo Picanço, comemorou a parceria internacional e o apoio do MIDR. "Que o produto da Amazonbai e das outras cooperativas da Rota de Integração possa ser distribuído neste continente, neste mercado tão promissor.


Para o secretário nacional substituto de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial do MIDR, Edgar Caetano, o financiamento do intercâmbio de produtores beneficiados pelas Rotas de Integração Nacional na Sial 2026, maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das maiores do mundo, demonstra a relevância dessa estratégia para a valorização dos produtos.


A Sial China é a maior feira de alimentos da Ásia e uma das maiores do planeta. A edição de 2026 ocorreu entre os dias 18 e 20 de maio, em Xangai. Nesta edição, o Brasil enviou 82 empresas exportadoras para a feira, um recorde em relação às 54 da edição anterior.


 A inserção das cooperativas no evento busca ampliar o acesso de suas produções, apoiadas pelas Rotas de Integração Nacional, a mercados internacionais; promover o reconhecimento internacional das Rotas como modelo de política pública para o desenvolvimento regional; e estabelecer alianças estratégicas entre instituições públicas, privadas e comunitárias dos países visitados e os territórios brasileiros.


https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202605/acai-do-amapa-conquist a-mercado-chines-adaptado 

"A Sial China é a maior feira de alimentos da Ásia e uma das maiores do planeta. A edição de 2026 ocorreu entre os dias 18 e 20 de maio, em Xangai. Nesta edição, o Brasil enviou 82 empresas exportadoras para a feira, um recorde em relação às 54 da edição anterior."


A respeito dos mecanismos de coesão e coerência empregados nesse trecho, assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q4177376 Português
Leia o texto para responder a questão.


Animal mais letal do mundo é menor do que se pensa

Um milhão e meio de mortes por ano são causadas por

animais, mais de metade é devido a apenas um tipo deles


Por Paloma Lazzaro


    Tubarão, jacaré e onças são alguns dos animais que vêm à mente das pessoas quando o assunto é espécies mortíferas. No entanto, eles estão longe do topo da lista de bichos que causam mais mortes no planeta. Juntos, tubarões e crocodilos são responsáveis por apenas 156 óbitos anuais, de acordo com dados de organizações de saúde compilados pelo Our World in Data. O ser humano, que em si é a causa de morte de 600 mil membros da própria espécie por ano, também não é o primeiro colocado, mas o segundo. E o animal mais mortífero do mundo é bem menor que qualquer uma das espécies listadas previamente. Mosquitos são os responsáveis por mais mortes no mundo  

    No planeta, aproximadamente 760 mil pessoas por ano têm suas mortes causadas por mosquitos. Claro, uma picada em si não é o motivo desses óbitos, mas as doenças transmitidas pelos insetos. A malária é, por uma grande margem, a mais fatal de todas, sendo responsável por de 80% dessas mortes. Ela é transmitida e disseminada pelo mosquito Anopheles, e ainda mata cerca de meio milhão de crianças todos os anos. Outras 100 mil fatalidades anuais se devem a outras doenças, como a dengue e febre amarela, ambas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, e encefalite japonesa, transmitida pelo mosquito Culex.  

    Cobras matam 100 mil pessoas por ano

    As cobras já são causa de medo em diversas pessoas, e os dados corroboram esse temor. Os répteis são responsáveis por, aproximadamente, 100 mil mortes por ano. Essa alta fatalidade se deve a como os ataques de cobras peçonhentas ocorrem. Boa parte deles se dá em áreas rurais, onde antídotos e tratamento rápido, necessários à sobrevivência no caso de uma picada, estão pouco disponíveis.

    Cachorros são 800 vezes mais fatais que que aranhas 

    O quarto colocado da lista de animais mortíferos é o melhor amigo do homem. Mortes causadas por cachorros somam 40 mil casos anuais. Assim como os mosquitos e as cobras, os cachorros não matam humanos por meio de feridas diretas ou os devorando, mas indiretamente. A raiva, doença viral com taxa de mortalidade próxima a 100%, é o grande pivô por trás de tantos óbitos. Atualmente, existe tratamento para a raiva feito com o soro antirrábico. Porém, assim como o tratamento para mordidas de cobra, ele deve ser administrado rapidamente, o que é difícil em regiões com pouca cobertura dos sistemas de saúde.


Disponível em https://exame.com/ciencia/animal-mais-letal-do-mundo-emenor-do-que-sepensa/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento  
No trecho “No entanto, eles estão longe do topo da lista...”, a expressão destacada classifica-se como uma conjunção que estabelece relação de 
Alternativas
Q4176430 Português
Inglês corporativo: diferencial ou requisito básico?


Durante décadas, o inglês ocupou um espaço confortável no currículo dos profissionais brasileiros: era um “diferencial competitivo”, algo que destacava candidatos em processos seletivos. Hoje, essa realidade mudou e mudou rápido.

No mercado de trabalho atual, o inglês deixou de ser um bônus e passou a ser um requisito básico cada vez mais pedido. A transformação não é apenas percepção. É evidência. Dados recentes mostram que o inglês já se consolidou como uma das competências mais exigidas atualmente pelas empresas no Brasil. Segundo o Guia Salarial 2025 da consultoria Robert Half, o domínio do idioma está entre as quatro habilidades técnicas mais valorizadas no mercado.

Mais do que valorizado, o inglês já é decisivo em processos seletivos. Um levantamento com base em dados do LinkedIn aponta que mais de 92% das vagas gerenciais no Brasil exigem pelo menos inglês intermediário, enquanto em áreas como tecnologia, marketing e finanças, o idioma aparece como requisito essencial em mais de 70% das oportunidades. Em outras palavras: não se trata mais de destacar-se, e sim de não ficar de fora.

A exigência crescente do inglês tem impacto direto na empregabilidade e na renda. Profissionais com domínio do idioma não apenas acessam mais oportunidades, como também são mais bem remunerados. Estudos indicam que quem domina um segundo idioma pode ter ganhos salariais significativamente superiores, chegando a aumentos de até 83% em comparação com quem não possui essa habilidade. Em cargos de liderança, o impacto também é expressivo: profissionais com inglês avançado podem ganhar, em média, 38% a mais.

Além disso, a ausência do idioma pode ser um fator eliminatório. Em processos seletivos que exigem inglês, mais da metade dos candidatos é descartada nas etapas iniciais por não conseguir se comunicar adequadamente.

Fonte: CNN Brasil. Adaptado.
Considerando o emprego de conjunções no texto, analisar os itens.
I. A expressão “e sim” (3º parágrafo) estabelece uma relação de adição.
II. A expressão “Além disso” (5º parágrafo) serve para acrescentar uma informação relativa ao que já foi dito.
III. A palavra “segundo” (2º parágrafo) poderia ser substituída por “conforme” sem alterar o sentido da frase.
Está CORRETO o que se afirma:
Alternativas
Q4173667 Português
A fuga

Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.
– Para com esse barulho, meu filho – falou, sem se voltar.
Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.
– Pois então para de empurrar a cadeira.
– Eu vou embora – foi a resposta.
Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa – a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.
A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:
– Viu um menino saindo desta casa? – Gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.
– Saiu agora mesmo com uma trouxinha – informou ele.
Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e – saíra de casa prevenido – uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.
– Meu filho, cuidado!
O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho:
– Que susto você me passou, meu filho – e apertava-o contra o peito, comovido. –
Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.
Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas.
– Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.
– Me larga. Eu quero ir embora.
Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala – tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.
– Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.
– Fico, mas vou empurrar esta cadeira.
E o barulho recomeçou.

(SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Sabiá. Fundação Casa de Rui Barbosa: Rio de Janeiro, 1962.)
No excerto “Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.” (10º§), as orações iniciadas pelas conjunções “mas” e “como” indicam, respectivamente, ideias de: 
Alternativas
Q4173551 Português

        O agrupamento das pessoas em classes sociais não é, ao contrário do que alguns pensam, "apenas uma decisão técnica como outra qualquer". Como tudo no estudo da desigualdade, esse agrupamento reflete decisões políticas, ainda que elas não sejam explícitas. E não é sem razão: a escolha da identificação de classes de uma forma específica tem implicações concretas. O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas. 

        Quem não consegue entender isso pode fazer um exercício simples: identifique pobres como uma classe; considere que quase todo mundo queira erradicar a pobreza; que quase todo mundo queira saber melhor o que é preciso para tanto; defina como pobre 0,1% da população; nesse caso, que medida erradicaria a pobreza? Caridade privada seria suficiente; agora defina como pobre 99,9% da população. A medida recomendada seria uma revolução.

        Conclui-se desse exercício que a forma como pesquisas dividem a sociedade em classes tem implicações práticas, pois pesquisa em desigualdade é usada para definir políticas. Quando se coloca uma pessoa numa classe, a tendência é que essa pessoa passe a ser vista como todas as demais pessoas que estão naquela classe e, em alguns casos, passe a ser tratada do mesmo modo pelas políticas.

        Qual é a diferença substantiva entre uma pessoa um centavo abaixo da linha de renda que define os benefícios de assistência social e outra um centavo acima? Em renda, irrelevante, mas a classificação elegível e não elegível tem impactos concretos na vida das pessoas. Elas passam ou não pelo buraco da agulha dos critérios de elegibilidade de programas sociais. Alguns programas chegam a ser desenhados com base em classes, por isso o assunto não é apenas um detalhe acadêmico.


Marcelo Medeiros. Os ricos e os pobres. São Paulo: Companhia das Letras, 2023 

(com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.


No período "O problema não está apenas na terminologia usada, está também na forma como as classes são definidas." (final do primeiro parágrafo), a substituição da segunda ocorrência da forma verbal "está" por mas alteraria o sentido estabelecido na coordenação das duas primeiras orações — o sentido de adição passaria a oposição. 

Alternativas
Q4171972 Português
TEXTO I


O pomo

Desde a instalação da República o Brasil tem se especializado em perder uma oportunidade atrás da outra e nossa imobilidade vai acabar nos apodrecendo

Alexandre Garcia




O Senado brasileiro passando a lei que aboliu a escravidão no país, em 13 de maio de 1888 / Foto: Domínio Público.


    No 13 de maio, como em todos os anos, refizeram-se discussões sobre a Lei Áurea, que aboliu a escravatura, há 138 anos. A Princesa Isabel, como regente, pois o pai, Pedro II, estava fora do Brasil, enviou o projeto ao Parlamento numa terça-feira, a Câmara o aprovou na quinta e o Senado no domingo. No mesmo domingo, 13 de maio 1888, a regente sancionou a Lei Áurea e a mandou para o Diário Oficial publicar. O Senado trabalhou até no domingo. Porque o pomo estava maduro e era hora de colher o fim da escravidão. A Independência também foi a colheita de um pomo que já estava maduro. Leopoldina, regente enquanto o marido estava fora da capital, enviou ao Príncipe Pedro mensagem para que não esperasse mais: “O pomo está maduro; colhei-o já, senão apodrece”. Mas a Monarquia foi derrubada e a República passou a perder um pomo precioso atrás de outro, deixando-os apodrecer.

  Só vou citar os pomos que caíram de podres em que fui contemporâneo, a começar pela oportunidade de termos assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto. Lutamos na Itália, lá deixamos sangue, rompemos a Linha Gótica da defesa alemã, ensinamos os americanos a tomar uma cidade e a conviver com vencidos e com a população, mas o Brasil anulou os vitoriosos antes mesmo de para cá voltarem. Os americanos retiraram os alemães do norte da África porque puderam usar o Trampolim da Vitória no saliente nordestino. Estávamos cotados para ser o sexto integrante do Conselho de Segurança, representando a América Latina. O pomo estava maduro e não soubemos colhê-lo naquela oportunidade. Até hoje fazemos discursos querendo o lugar.

    Os constituintes de 1988 tiveram a humildade de julgar que o trabalho estava imperfeito e previram uma revisão em cinco anos, com aprovação por maioria simples. Uma comissão de notáveis parlamentares fez o trabalho. Reformas administrativa, tributária, previdenciária, trabalhista, política, aproveitando os defeitos que a experiência mostrava. Pomo maduro. Não colhemos porque o senador Orestes Quércia julgou que reduziria o número de municípios. Até hoje lutamos por causa do apodrecimento dos tributos, previdência, polícia, administração.

   Nos anos 1990, o deputado federal Flávio Rocha trouxe ao debate nacional o imposto único. O Brasil seria um gigantesco paraíso fiscal, com um único imposto de 1% sobre a movimentação bancária. Havia crise na Ásia e centenas de bilhões de dólares procuravam um país para pousar. Mas a banca ameaçou os políticos de não financiar campanhas eleitorais, e o projeto que poderia converter o Brasil num país de primeiríssimo mundo foi para o lixo. E o Brasil também. Parece que somos masoquistas.

    A terra é fértil, o clima é bom, os pomos são atraentes, mas não os colhemos. Quando El-Rey Dom Manuel recebeu a notícia de que Colombo, em nome da Espanha, chegara a terras a oeste, percebeu que havia um pomo maduro do outro lado do mar e aquém do meridiano de Tordesilhas, e mandou o nobre Pedr’Álvares Cabral colher o fruto imediatamente. Parece que perdemos a vocação portuguesa da colheita, por último praticada pela Princesa Imperial Isabel. Agora somos uma árvore cheia de pomos podres, que contaminam seus galhos, seu tronco e suas raízes. Estamos imóveis, vendo a podridão cair e empestar o chão brasileiro. Nossa imobilidade vai acabar nos apodrecendo também. 


Fonte: Garcia Alexandre. O pomo. https://revistaoeste.com/revista/edicao-322/o-pomo/ (adaptado).
Analise cada afirmação abaixo sobre um elemento constitutivo do texto I, antes de julgar o que se pede.

I. Em “Desde a instalação da República, o Brasil tem se especializado em perder uma oportunidade atrás da outra e nossa imobilidade vai acabar nos apodrecendo” (subtítulo), nota-se em destaque uma perífrase verbal conjugada no Pretérito Perfeito do Indicativo.
II. Em “Os constituintes de 1988 tiveram a humildade de julgar que o trabalho estava imperfeito e previram uma revisão em cinco anos, com aprovação por maioria simples.” (3º par.), o elemento coesivo em destaque foi usado para iniciar uma oração substantiva com função de objeto direto, sendo, portanto, um Pronome Relativo.
III. Em “Desde a instalação da República, o Brasil tem se especializado em perder uma oportunidade atrás da outra e nossa imobilidade vai acabar nos apodrecendo” (subtítulo), a expressão em destaque cumpre a função de complemento nominal do adjetivo no particípio “especializado”.
IV. Em “Quando El-Rey Dom Manuel recebeu a notícia de que Colombo, em nome da Espanha, chegara a terras a oeste...” (5º par.), está em destaque um verbo simples que se equivale morfológica e semanticamente à expressão “havia chegado”.
V. Em “A terra é fértil, o clima é bom, os pomos são atraentes, mas não os colhemos.” (5º par.), a conjunção coordenativa em destaque possui valor semântico de oposição e, por isso, poderia ser substituída pela expressão adversativa “todavia”, a fim de manter a correção gramatical do contexto.

A partir do que foi dito acima, pode-se dizer que se encontra correto o que foi afirmado somente em:
Alternativas
Q4167447 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

A estrutura sintática dos períodos no conto reflete a complexidade das percepções do protagonista. Nesse contexto, analise a classificação das orações nos trechos e assinale a alternativa que apresenta a análise correta. 
Alternativas
Q4167236 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.


Microempreendedoras vítimas de violência terão crédito especial


   Microempresárias do setor de turismo vítimas de violência doméstica ou de gênero poderão pedir a suspensão temporária dos pagamentos de financiamentos obtidos por meio do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), bem como a ampliação dos prazos de carência. As mudanças nas regras do fundo criado para oferecer suporte financeiro a empreendimentos e políticas públicas de desenvolvimento do setor foram anunciadas pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

   Segundo a pasta, o objetivo das condições especiais de crédito para microempreendedoras do setor turístico é oferecer proteção e suporte econômico as vítimas de violência.

   "A medida vai permitir que as mulheres que enfrentam momento difícil contem com carência maior nos financiamentos do Fungetur, dando estabilidade para preservar seus negócios e, depois, voltar a arcar com as parcelas", afirmou Feliciano, ao anunciar a medida durante o Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB).

   Com as mudanças nas regras operacionais do Fungetur, além da possibilidade de pedir a suspensão temporária dos pagamentos por até seis meses, as interessadas poderão solicitar que o prazo de amortização para investimentos em capital fixo passe de 240 para 246 meses, com carência estendida de 60 para 66 meses. No caso do financiamento de bens, a amortização sobe para 126 meses e a carência para 54 meses. Nas operações de capital de giro isolado, o limite de amortização vai a 126 meses e a carência é ampliada de 24 para 30 meses.

   As novas regras valem tanto para novos financiamentos quanto para contratos em fase de amortização. Para receber o benefício, a solicitante terá que comprovar que é alvo de violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial previstos na Lei Maria da Penha. A apresentação de documentos oficiais, como medidas protetivas, decisões judiciais ou boletins de ocorrência, é obrigatória.

   Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra mais de um milhão de atendimentos anuais relacionados à violência de gênero. Considerando que mais de 10 milhões de mulheres estão à frente de um negócio no país, o Ministério do Turismo estima que os casos de violência tendem a agravar a vulnerabilidade econômica das empreendedoras, afetando a gestão dos negócios, a geração de renda, a manutenção de empregos e a sustentabilidade dos empreendimentos turísticos.

   Daí a expectativa da pasta em "ampliar as condições de acesso e permanência das mulheres nas linhas de financiamento do Fungetur, reduzir os impactos econômicos da violência de gênero sobre os negócios e fortalecer a autonomia financeira feminina".


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026- 06/mtur-microempreendedoras-vitimas-de-violencia-terao-creditoespecial (adaptado)
O último parágrafo do texto é iniciado pelo articulador Daí. Nesse contexto, esse termo estabelece com o parágrafo anterior uma relação discursiva de:
Alternativas
Q4164515 Português
 Leia o texto abaixo e analise as assertivas a seguir a respeito do período nele sublinhado:

A Nova Literatura Chinesa – Lume
Este livro oferece ao público brasileiro uma entrada privilegiada no vasto universo do imaginário literário chinês. Em tempos de crescente aproximação entre as duas nações, a arte da palavra reafirma seu papel na construção de pontes subjetivas. LUME constitui, portanto, um passo importante para conhecer a China de hoje através de suas histórias, consolidando um intercâmbio cultural que promete ser fértil e duradouro. Dentre os vários autores, o premiado com o Nobel de Literatura, Mo Yan.
Fonte: Editora Unesp (Disponível em: https://editoraunesp.com.br/catalogo).

I. O período é formado por cinco orações. II. Em sua construção, identificam-se duas orações reduzidas. III. A oração principal do período apresenta uma relação de conclusão com o período anterior.


Quais estão corretas? 
Alternativas
Respostas
41: A
42: B
43: D
44: D
45: A
46: B
47: B
48: A
49: A
50: D
51: B
52: C
53: D
54: C
55: D
56: E
57: C
58: E
59: D
60: B