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Questões de Concurso Comentadas sobre orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas... em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 1.367 questões

Q4233862 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo



Ministério da Saúde inicia projeto-piloto para tratar obesidade com semaglutida no SUS


    O Ministério da Saúde (MS) iniciou um projeto piloto para avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será desenvolvida no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e integra uma estratégia para produzir evidências sobre a efetividade da medicação em um modelo de cuidado multidisciplinar. A proposta é gerar informações que possam orientar futuras políticas públicas voltadas ao tratamento da doença crônica.

    O projeto será realizado com pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição e prevê o acompanhamento por equipes multiprofissionais, reunindo diferentes estratégias para o cuidado da obesidade. Além da semaglutida, os participantes receberão assistência voltada à alimentação, à atividade física e aos demais aspectos relacionados ao tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é avaliar como esse modelo funciona na prática dentro do SUS, reunindo dados sobre os resultados clínicos e a implementação da estratégia.

    De acordo com a pasta, os dados produzidos pelo projeto poderão contribuir para ampliar o conhecimento sobre o tratamento da obesidade e subsidiar futuras discussões sobre políticas públicas relacionadas ao tema.

    O ministro da Saúde, Alexandre padilha, afirmou que a pasta federal pretende fortalecer a produção de evidências para qualificar o cuidado oferecido aos pacientes.

    "O Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde. Estamos estimulando estudos nessa tecnologia para que o país se aprimore, cada vez mais, da sua produção e oferta de forma segura. Nesse primeiro momento, ela [semaglutida] é muito importante para o diabetes e obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e ate mesmo para tratamento de cânceres", afirmou o ministro, em nota oficial do Ministério da Saúde.

    Além de avaliar o uso da semaglutida, o projeto piloto pretende analisar os resultados de um modelo de atendi mento integrado, envolvendo diferentes profissionais de saúde no acompanhamento dos pacientes. A expectativa do Ministério da Saúde e que a iniciativa forneça informações capazes de apoiar o planejamento de futuras ações voltadas ao enfrentamento da obesidade no SUS.



Fonte: https.//www.metropoles.com/saude/ministerio-da saudesemaglutida (adaptado) 

Considere a seguinte estrutura presente no quinto parágrafo: ...ela [semaglutida] é muito importante para o diabetes e obesidade, mas pode se estender também a outras doenças.... A conjunção sublinhada estabelece uma relação de:
Alternativas
Q4233304 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Por que utilizar o CadÚnico como fonte de informação para orientar políticas públicas?

    O CadÚnico reúne dados da população com renda per capita de até meio salário-mínimo, ou até três salários-mínimos como renda familiar total. Os dados do cadastro contribuem para subsidiar dezenas de programas federais, notadamente aqueles voltados à população de baixa renda. Nesse sentido, aponta-se que o CadÚnico possui ampla abrangência da população pobre.
    No período 2016-2022 o CadUnico foi alvo de desmontes e desmobilizações. A partir de 2023 foram despendidos esforços no sentido do aprimoramento da base, inclusão de novas famílias via programas sociais, revisão de normas para aprimorar a averiguação e revisão cadastral, além do esforço do Ipea na geocodificação de toda a base que permite cruzamentos detalhados com bases diversas de dados, inclusive municipais.
    A principal desvantagem no uso dos dados do CadÚnico diz respeito ao fato de que se tratam de dados autodeclarados. Nesse sentido, há a recomendação de que o ministério responsável desenvolva uma estratégia de verificação, que pode ocorrer por amostragem, com o potencial de garantir maior confiabilidade aos dados.
    Um ponto que pode ser considerado uma desvantagem a longo prazo diz respeito ao maior foco do CadÚnico nas famílias mais vulneráveis, de modo que não necessariamente todas as famílias que deveriam ser atendidas pela Lei de ATHIS - aquelas com renda de até três salários-mínimos - estejam incluídas no Cadastro. Contudo, tendo em vista a necessidade de priorização dos beneficiários devido aos usualmente limitados recursos para implementação da referida legislação, vislumbra-se esta como uma vantagem, já que revela a parcela de maior vulnerabilidade e, nesse sentido, prioritária. 
    Complementarmente, o cadastro tem sido utilizado em distintas iniciativas para acompanhamento da situação habitacional. Os principais exemplos são do Espírito Santo, iniciativa do Instituto Jones dos Santos Neves desde 2015, que se beneficia também da possibilidade de desagregação dos dados para monitorar o déficit habitacional quantitativo municipal em periodicidade anual. A partir desta referência, o Instituto Mauro Borges desenvolveu metodologia semelhante em Goiás. Posteriormente, esta metodologia foi adaptada pelo Ipea para investigar a existência de déficit habitacional na situação de moradia anterior das famílias contempladas pelo Minha Casa Minha Vida, enquadradas na Faixa 1 do programa, nas 20 maiores cidades do país.

Fonte: INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APUCADA (IPEA) Nota Técnica nº 55. Brasília, DF: Ipea, 2025.
Quanto aos aspectos gramaticais e de pontuação do texto, analise as assertivas que seguem, julgando-as V, se Verdadeiras, ou F, se Falsas: 

( ) O uso dos travessões no quarto parágrafo justifica-se para isolar uma estrutura explicativa, a qual não poderia ser alternativamente isolada por parênteses.
( ) O emprego dos termos desmontes e desmobilizações, no segundo parágrafo, consiste em um eufemismo.
( ) No título, o emprego da expressão Por que justifica-se por tratar-se de uma conjunção explicativa que introduz uma oração coordenada.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima? 
Alternativas
Q4231876 Português
Qual alternativa apresenta uma relação de sentido coerente entre as informações apresentadas?
Alternativas
Q4229020 Português
Analise o texto a seguir e com base nas relações sintáticas estabelecidas, assinale a alternativa CORRETA:
"A tecnologia tem ampliado o acesso à informação, mas o desenvolvimento do pensamento crítico depende de práticas educacionais que incentivem a análise e a reflexão. Embora os recursos digitais ofereçam inúmeras possibilidades de aprendizagem, eles não substituem a mediação do professor nem o compromisso do estudante com o próprio processo de formação." 
Alternativas
Q4228544 Português
As orações coordenadas podem ser classificadas em assindéticas ou sindéticas. O reconhecimento dessas estruturas é fundamental para a análise sintática do período composto e para a compreensão das relações de sentido entre as orações. Considerando essas características, correlacione os períodos compostos apresentados na Coluna 1 com a classificação correspondente na Coluna 2. 

Coluna 1
(__)O pesquisador concluiu a análise, redigiu o parecer, encaminhou o processo.
(__)A equipe finalizou o relatório, porém aguardará a aprovação da diretoria antes da divulgação.
(__)Os candidatos estudaram durante todo o semestre, portanto obtiveram excelente desempenho.
(__)O servidor organizou os documentos, arquivou os processos, atualizou os registros eletrônicos.
(__)A comissão suspendeu a sessão, porque novos documentos precisavam ser analisados.

Coluna 2
I.Oração coordenada sindética.
II.Oração coordenada assindética.

Correlacione as colunas e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Q4228269 Português

Texto CG1A1


Cerca de quatro a cada dez cargos de liderança no Poder Executivo brasileiro são ocupados por pessoas negras ou indígenas. Apesar de representarem juntas a maior parte da população brasileira, elas são 39% das lideranças nos ministérios, nas autarquias e nas fundações. Essa porcentagem aumentou 17% ao longo dos últimos 25 anos. Homens brancos seguem, no entanto, ocupando sozinhos a maior fatia das posições de liderança, 35%.

Os dados são do estudo inédito Lideranças negras no Estado brasileiro (1995-2024). O estudo promove um levantamento do perfil daqueles que ocupam os quadros de liderança, com base nos dados do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE). A pesquisa considera os últimos 25 anos, o que corresponde a sete gestões presidenciais. Além disso, o estudo apresenta entrevistas aprofundadas com 20 dessas lideranças.

De acordo com os dados levantados, em 1999, homens negros ou indígenas ocupavam 13% dos cargos de liderança no Poder Executivo. Já as mulheres negras ou indígenas ocupavam 9% dessas posições. Juntos, esses homens e mulheres preenchiam 22% dos cargos. Na mesma época, os homens brancos estavam em 37% das posições de liderança, e as mulheres brancas, em 29%.

Em 2024, o cenário mudou. Homens negros ou indígenas passaram a ocupar 24% dos cargos, e as mulheres negras ou indígenas, 15%. As mulheres brancas estão em 26% dos cargos de liderança, e os homens brancos seguem ocupando a maior porcentagem, 35%.

O estudo também destaca alguns marcos de ações afirmativas no serviço público que promoveram mudanças no perfil das lideranças no Poder Executivo. Entre eles está a Lei n.º 12.990/2014, que reserva às pessoas negras 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União.

“O aumento da presença de pessoas negras em posições de liderança no Poder Executivo nos últimos anos representa um avanço importante, porém ainda insuficiente. Os dados revelam que há um trabalho significativo a ser realizado para garantir a equidade racial e de gênero no Brasil. Investir em políticas que ampliem a presença de líderes pretos, pardos e indígenas no serviço público e que promovam a sua permanência nesses cargos é necessário e urgente para a democracia. Essa iniciativa impactará positivamente o país”, diz Alessandra Benedito, vice-presidente de Equidade Racial da Fundação Lemann.


Internet: (com adaptações).

Estariam mantidos a correção gramatical e o sentido do texto CG1A1 caso, no trecho “Homens brancos seguem, no entanto, ocupando sozinhos a maior fatia das posições de liderança” (primeiro parágrafo), a expressão “no entanto” fosse substituída por
Alternativas
Q4228142 Português

quanto tempo falta pra gente se ver hoje


quanto tempo falta pra gente se ver logo


quanto tempo falta pra gente se ver todo dia


quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre


quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não


quanto tempo falta pra gente se ver às vezes


quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos


quanto tempo falta pra gente não querer se ver


quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais


quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu


quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer


quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu”


(BEBER, Bruna. Romance em doze linhas. In: BEBER, Bruna. Rua da padaria. Rio de Janeiro: Record, 2013.) 

No verso "quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu", a palavra “e” estabelece uma relação de: 
Alternativas
Q4228003 Português
quanto tempo falta pra gente se ver hoje

quanto tempo falta pra gente se ver logo

quanto tempo falta pra gente se ver todo dia

quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre

quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não

quanto tempo falta pra gente se ver às vezes

quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos

quanto tempo falta pra gente não querer se ver

quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais

quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu

quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer

quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu”


(BEBER, Bruna. Romance em doze linhas. In: BEBER, Bruna. Rua da padaria. Rio de Janeiro: Record, 2013.) 
No verso "quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu", a palavra “e” estabelece uma relação de: 
Alternativas
Q4227717 Português

quanto tempo falta pra gente se ver hoje

quanto tempo falta pra gente se ver logo

quanto tempo falta pra gente se ver todo dia

quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre

quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não

quanto tempo falta pra gente se ver às vezes

quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos

quanto tempo falta pra gente não querer se ver

quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais

quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu

quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer

quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu”


(BEBER, Bruna. Romance em doze linhas. In: BEBER, Bruna. Rua da padaria. Rio de Janeiro: Record, 2013.

No verso "quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu", a palavra “e” estabelece uma relação de: 
Alternativas
Q4224619 Português
A questão refere-se ao texto abaixo.


Golpe da falsa central telefônica


    O golpe da falsa central telefônica é uma tática em que o fraudador liga para a vítima e diz ser funcionário de um banco ou de uma empresa. A conversa geralmente ocorre por ligação convencional, mas também pode envolver contatos por SMS e aplicativos de mensagens como o WhatsApp. 

    As principais narrativas incluem: uma ............ financeira (realizada ou suspeita); pedido de ............. de dados; ou ............... de irregularidade na conta do cliente. 

    Entre as faces mais conhecidas do golpe estão as mensagens de texto enviadas no celular da vítima com textos como “Compra de R$ 1.450 aprovada. Não reconhece? Ligue 0800…”. O número fornecido costuma ser de uma falsa central telefônica. 

    No entanto, também pode ocorrer de o contato mostrado na tela do celular ser o do banco, mas, quando o cliente atende, a ligação migra para uma central clandestina. 

    Para resolver o suposto problema, a vítima é orientada a fornecer dados sigilosos, como senhas e códigos, ou a realizar transferências de dinheiro. É um dos golpes mais registrados no país nos últimos anos, segundo alerta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). 

    Em dezembro de 2025, uma quadrilha de Cachoeirinha, na Região Metropolitana, foi alvo de operação policial. Em agosto de 2023, um morador de Alvorada, na Região Metropolitana, perdeu R$ 90 mil ao contatar golpistas após receber uma mensagem de texto no celular.

    Ligações a clientes solicitando documentos, senhas, dados cadastrais, estornos ou transferências não fazem parte dos procedimentos das instituições financeiras. Por isso, nunca informe ou digite senhas quando a ligação não tiver sido iniciada por você. Não envie fotos dos seus documentos ou do seu rosto. 

    Não retorne chamadas para números 0800 enviados por SMS ou mensagens. Utilize sempre os canais oficiais do banco ou fale com o seu gerente. Mesmo que, ao receber uma ligação, o contato mostrado na tela do celular seja o do banco ou empresa, tome cuidado, pois em alguns casos os golpistas conseguem redirecionar a chamada para uma central clandestina. Outra orientação é não clicar em links recebidos por mensagens. 

    Instituições financeiras podem ligar para confirmar movimentações suspeitas, mas nunca solicitam senhas, token ou outros dados pessoais nessas ligações. Tampouco pedem que clientes façam transferências, Pix ou qualquer tipo de pagamento. 

    Tenha atenção a ofertas de serviços e produtos com preço abaixo do mercado e a ligações com senso de urgência. Frases como “você precisa regularizar sua situação agora” ou “você reconhece essa compra feita no seu cartão?” são características desse tipo de golpe.

    Caso atenda a uma ligação, desligue imediatamente após o primeiro pedido de informação sigilosa. Se ficar na dúvida sobre algum problema, busque os canais oficiais do banco ou empresa ou procure a sede física para esclarecer a situação.


Disponível em < https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/noticia/2026/02/golpe-da-falsa-central-telefonica-usa-ligacao-e-sms-para-enganar-vitimas-veja-detalhes-e-como-se-proteger-cmlv7wkei01w0016k9z87u12q.html> (adaptado). 
No primeiro parágrafo, a expressão “mas também”, em negrito, estabelece ideia de: 
Alternativas
Q4224180 Português
A coesão textual é responsável pela conexão superficial entre os elementos de um texto, utilizando recursos como pronomes, conjunções, elipses e sinônimos para garantir a fluidez entre frases e parágrafos. Já a coerência diz respeito ao sentido lógico e à unidade temática, garantindo que as ideias se articulem de forma compreensível. Um texto coeso não é necessariamente coerente, e vice-versa, de modo que ambos os mecanismos devem atuar em conjunto para produzir um texto bem construído. Considere essas noções para responder à questão a seguir e assinale a alternativa em que o recurso coesivo empregado compromete a coerência do texto:  
Alternativas
Q4223885 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Texto 1

Bons motivos para não se levar tão a sério e fazer sua criança interior aflorar

Jogos de mesa, mímica, queimada, palavras-cruzadas: brincar pode ser qualquer atividade de lazer sem compromisso com a performance, só pela diversão. Na infância, a gente se sente livre para explorar esse lado lúdico sem medo do julgamento.

À medida que a vida adulta se aproxima, cresce a pressão para abandonar esse tipo de prazer e adotar uma postura mais séria. Além disso, em meio a rotinas aceleradas, reservar um tempo para a brincadeira não só é difícil, como muitas vezes parece uma perda de tempo.

Estudos recentes indicam que esse hábito pode trazer vários benefícios para a saúde, além de tornar a vida mais leve e plena.

 

Raiz do problema

Segundo o psiquiatra norte-americano Stuart Brown, autor de “Play: How it Shapes the Brain, Opens the Imagination, and Invigorates the Soul” (Como brincar molda o cérebro, abre a imaginação e revigora a alma), os altos índices de melancolia de hoje — refletidos no aumento de transtornos como depressão e ansiedade — estão ligados à supressão do instinto natural de brincar.

“O oposto de brincar não é o trabalho, é a depressão. O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise de saúde pública”, disse em entrevista à revista National Geographic.

De acordo com um relatório publicado pela Lego em 2022, 93% dos adultos afirmam se sentir estressados regularmente. Entre eles, 86% dizem que brincar ou interagir com brinquedos ajuda a aliviar a tensão. Durante esses momentos, as preocupações do trabalho e da rotina ficam em segundo plano, e exercitamos algo cada vez mais raro: a atenção plena. Ao nos conectarmos com o presente, também conseguimos escutar melhor nós mesmos — com mais calma, leveza e presença.

Quando feito em grupo, o ato de brincar pode ser um antídoto contra a solidão. E mais: fortalece os laços sociais. Afinal, muitas vezes, durante essas atividades lúdicas, aprendemos a compartilhar, negociar, lidar com regras, respeitar o espaço do outro e mediar conflitos — habilidades sociais essenciais para a convivência.

Segundo Brown, brincar ainda é uma forma eficiente de desenvolver a adaptabilidade, a inteligência, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas. Para ele, em tempos difíceis, precisamos disso mais do que nunca, pois reforça nossa aptidão de lidar com o inesperado.

 

Os ‘kidults’

Junção das palavras “kid” (criança) e “adult” (adulto), o termo “kidult” é usado hoje para definir os adultos que compram, colecionam e se envolvem com brinquedos, personagens e itens que normalmente seriam voltados para o público infantil.

Esse universo está cada vez mais longe de ser um nicho pequeno. De acordo com dados da empresa de pesquisa WGSN, o mercado dos brinquedos colecionáveis foi estimado em US$12,5bilhões em 2021 (R$ 6,6 bilhões, sem correção da inflação) e pode chegar a US$ 35,3 bilhões até 2032 (R$ 18,8 bilhões).

Só nos Estados Unidos, pessoas entre 19 e 99 anos representaram 17,3% das vendas de brinquedos em 2023, segundo a Business Insider.

Mais do que passatempo, os brinquedos oferecem refúgio. Em tempos de burnout e sobrecarga emocional, funcionam como uma ponte de volta aos momentos leves da infância — e, por isso, têm ganhado espaço em um mercado cada vez mais guiado pela nostalgia. Filmes como Barbie e Lilo & Stitch são apenas alguns exemplos dessa tendência.

Entre os favoritos dos kidults, estão clássicos como os bonecos Funko, as peças de Lego e as famosas action figures. E também os hypados monstrinhos Labubu e os bebês reborn.

 

Hora de brincar

Em entrevista ao The New York Times, a professora Meredith Sinclair, autora do livro “Well Played: The Ultimate Guide to Awakening Your Family’s Playful Spirit” (Bem jogado: o guia para acordar o espírito brincalhão da sua família), sugere um jeito simples de reencontrar o prazer de brincar: lembrar do que fazia você feliz na infância. Pode ser algo tão simples quanto massinha de modelar, jogar stop com amigos ou correr atrás de uma bola no parque. O importante é deixar de lado a preocupação com o olhar alheio.

Brincar também passa por fazer algo sem a intenção de postar ou de gerar engajamento — algo que, convenhamos, anda cada vez mais raro. Embora compartilhar nas redes o que tem feito você se divertir seja legal, inclusive para inspirar outras pessoas, viver uma experiência só para si pode ser um exercício bem poderoso.

Na vida adulta, brincar raramente acontece por acaso. Por isso, vale reservar um tempo na agenda. Dedicar alguns minutos do dia a algo leve, só por prazer, pode ser justamente o que falta para sua rotina ficar um pouco mais solar.

 

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/bons-motivospara-nao-se-levar-tao-a-serio-e-fazer-sua-crianca-interior-aflorar.shtml. Acesso em: 23 dez. 2025.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente entre parênteses a relação sintático-semântica estabelecida entre as orações e sinalizada pelo termo em destaque. 
Alternativas
Q4223850 Português
A terceira idade encontrou um novo companheiro de conversa


      Durante séculos, a velhice foi tratada como uma espécie de exílio silencioso. A sociedade recorria aos idosos quando precisava de memória, mas raramente quando precisava decidir o futuro. O avanço da idade costumava vir acompanhado da redução dos espaços de influência, da perda gradual de autonomia e da sensação de que o mundo seguia adiante sem consultar aqueles que ajudaram a construí-lo. Agora, uma transformação inesperada começa a alterar esse cenário: a inteligência artificial está devolvendo voz, capacidade de ação e protagonismo a milhões de pessoas na terceira idade.

    Não se trata de uma revolução feita por robôs humanoides nem de cenários futuristas inspirados pelo cinema. O que está acontecendo é muito mais simples e, justamente por isso, mais relevante. Durante muito tempo, a revolução digital foi como uma festa realizada atrás de uma porta fechada. Os idosos ouviam a música, percebiam a movimentação, mas raramente recebiam um convite para entrar. A inteligência artificial começa a mudar essa cena ao transformar códigos, comandos e interfaces em linguagem humana.

    A população mundial está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo estimativas das Nações Unidas, o número de pessoas com mais de 65 anos deverá ultrapassar 1,6 bilhão até meados deste século. Paralelamente, a solidão tornou-se um dos grandes desafios sociais contemporâneos. Pesquisas realizadas em diversos países associam o isolamento prolongado ao aumento de casos de depressão, declínio cognitivo, doenças cardiovasculares e redução da qualidade de vida.

      É nesse contexto que a inteligência artificial começa a ocupar um espaço inesperado.

     Para uma parcela crescente da terceira idade, ela se transformou numa assistente disponível vinte e quatro horas por dia. Ajuda a organizar medicamentos, agenda compromissos, esclarece dúvidas sobre benefícios previdenciários, traduz documentos, explica notícias complexas e orienta o uso de serviços digitais que antes pareciam reservados a especialistas.

   Mas seus efeitos mais profundos não aparecem nas estatísticas.

    Muitos idosos descobriram que podem dialogar com sistemas de inteligência artificial sem receio de julgamento. Diferentemente de ambientes onde perguntas básicas costumam ser recebidas com impaciência ou ironia, a interação ocorre em ritmo próprio. A tecnologia não demonstra pressa nem constrangimento. Para quem passou anos ouvindo que não acompanhava as mudanças do mundo, essa experiência produz um efeito frequentemente subestimado: a recuperação da confiança intelectual.

    Os benefícios alcançam também a área da saúde. Ferramentas baseadas em inteligência artificial auxiliam no monitoramento de doenças crônicas, identificam sinais de risco, analisam grandes volumes de dados clínicos e apoiam decisões médicas. Em regiões onde especialistas são escassos, essas soluções ampliam o acesso a cuidados que antes exigiam longos deslocamentos ou meses de espera.

     A educação constitui outra fronteira em rápida transformação. Nunca foi tão simples estudar um novo idioma, aprofundar conhecimentos em História, Filosofia, Literatura ou explorar temas que permaneceram adormecidos durante décadas de trabalho e responsabilidades familiares. O conhecimento deixou de depender exclusivamente de instituições formais e passou a responder diretamente à curiosidade individual.

    Os efeitos começam a aparecer também no campo da cidadania. Tarefas que antes exigiam auxílio constante de parentes ou conhecidos – preencher formulários, compreender documentos públicos, acessar serviços governamentais ou comparar informações contraditórias – tornam-se mais acessíveis. A consequência não é apenas praticidade. É independência. E independência continua sendo uma das expressões mais concretas da dignidade humana em qualquer idade.

    Isso não significa ignorar riscos. Questões relacionadas à privacidade, fraudes digitais e uso indevido de dados exigem vigilância permanente. Também existe o desafio de evitar que interações artificiais substituam vínculos humanos reais. Nenhuma tecnologia merece adesão automática apenas por ser nova.

     Ainda assim, algo historicamente significativo está acontecendo.

    Talvez estejamos diante de uma das inversões mais surpreendentes produzidas pela revolução digital. A tecnologia que muitos acreditavam destinada exclusivamente aos jovens está se revelando uma poderosa aliada de quem acumulou décadas de experiência humana. Num planeta que frequentemente mede valor pela velocidade, pela produtividade e pela capacidade de adaptação permanente, a inteligência artificial oferece aos idosos algo mais importante do que conveniência tecnológica: devolve presença. Presença na circulação do conhecimento, nas decisões cotidianas, no acesso a oportunidades e na compreensão das transformações que moldam o século XXI. Não se trata apenas de inovação. Trata-se de garantir que milhões de pessoas continuem ocupando o lugar que lhes pertence na vida pública, cultural e intelectual das sociedades.

   Em uma época saturada pela novidade, talvez a maior contribuição da inteligência artificial seja lembrar que experiência continua sendo uma das formas mais valiosas de inteligência já produzidas pela humanidade.


(Disponível em: https://revistaforum.com.br/opiniao. Acesso em: junho de 2026.)
Qual é a constituição do período “Os idosos ouviam a música, percebiam a movimentação, mas raramente recebiam um convite para entrar.” (2º§), considerando sua estrutura sintática?
Alternativas
Q4222963 Português

Leia o texto para responder à questão

Desconstruções. (Martha Medeiros).


Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam ideias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.


Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

Ainda no texto, o período “mas nada que resista por muito tempo”, a oração é:
Alternativas
Q4222293 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

A Idade de Ser Feliz. (Geraldo Eustáquio de Souza).

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los,
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores,
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor.
Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso
Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa ... ...
doce pássaro do aqui e agora que
quando se dá por ele, já partiu para nunca mais!
No período do texto “e entregar-se a todos os amores”, temos uma oração: 
Alternativas
Q4222262 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

Você é o que você gosta. (Martha Medeiros).

Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.
A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.
Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.
Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby.
Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.
Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.
Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente só com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho. Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro. Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé. Você está fazendo sua lista? Tô esperando.
Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre. Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.
Agora é sua vez.
Ainda no texto, o período “mas não sou ilha deserta”, a conjunção é:
Alternativas
Q4222232 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

Mais... (Martha Medeiros).

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por
nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.
Ainda no texto, o período “e sofro antes”, a palavra grifada é: 
Alternativas
Q4222177 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

A vida com legendas. (Martha Medeiros).

Uma vez eu estava assistindo a um filme americano no DVD, quando uma amiga da minha filha chegou aqui em casa. Ela deu um alô de longe, para não atrapalhar a sessão, mas de repente algo chamou sua atenção na TV, e em seguida ela me olhou com uma expressão atônita. Achei que fosse me revelar um segredo de Fátima, mas o que ela me disse foi: "Tia, você não sabe? Dá para assistir ao filme dublado!". Aquele "tia" não conseguiu estragar meu humor. "Eu sei, querida, mas eu prefiro assistir com legenda".
A cara de espanto que ela fez, só vendo. Dava para ler seu pensamento: como alguém pode preferir ver um filme com legenda em vez de dublado??? Pois é. Eu me rendo feliz às legendas, já que meu inglês não é nenhum espetáculo. Mas não é só por isso. Por melhores que sejam nossos dubladores, perde-se a interpretação original, o tom de voz, as interjeições. Fica um troço frio. Dublada, qualquer obra de arte parece filme de sessão da tarde. Vai pro ralo a magia do cinema.
Legenda, ao contrário, permite o confronto entre o que foi dito e o que foi compreendido. Temos acesso às duas versões. Aliás, não seria nada mal se legendassem algumas cenas da vida real, também. 
Ainda no texto, o período “mas de repente algo chamou sua atenção na TV”, a oração é:
Alternativas
Q4222081 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

A DESPEDIDA DO AMOR. (Martha Medeiros).

Existe duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão envolvidos que não conseguimos ver luz no fim do túnel. A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
Você deve achar que eu bebi. Se a luz está sendo vista, adeus dor, não seria assim? Mais ou menos. Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também. 

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um suvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo.
Despedir-se de um amor, é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.
Ainda no texto, o período “mas já é outra”, a oração é: 
Alternativas
Q4219701 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A economia da longevidade

José Eustáquio

     O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.
     O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.
     A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.
    O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.
    A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.
     O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.
    A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.
     A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.
     A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026. 
Assinale a alternativa em que a oração destacada estabelece com a anterior uma relação sintático-semântica de adição. 
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: B
4: C
5: A
6: A
7: C
8: C
9: C
10: B
11: D
12: C
13: D
14: C
15: B
16: C
17: B
18: C
19: B
20: A