Questões de Concurso Comentadas sobre orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas... em português

Foram encontradas 1.245 questões

Q2538712 Português
MUNDO ESTÁ FALHANDO NA PROTEÇÃO E NA
RESTAURAÇÃO DE FLORESTAS, APONTA RELATÓRIO
DA REDE WWF


    outubro, 24 2023

    Instituição estabelece plano de ação para colocar o planeta de volta no caminho certo para reduzir o desmatamento e a conversão e cumprir as metas globais até 2030.

   

    Por WWF-Brasil

  Novos dados alarmantes de relatórios inéditos mostram que o mundo não está no caminho certo para proteger e restaurar as florestas até 2030 e o fracasso em cumprir as metas florestais globais terá impactos catastróficos para o nosso planeta. O relatório Forest Pathways 2023, lançado nesta terça-feira (24) pelo WWF, argumenta que se os líderes e as empresas mantiverem as suas promessas de ação, ainda será possível inverter esta tendência e garantir um futuro com florestas mais prósperas que beneficiem a humanidade e o nosso planeta.

  Os dados da nova FDA (sigla em inglês para Avaliação da Declaração Florestal) mostram que a conversão e o desmatamento atingiram 6,6 milhões de hectares em 2022, com a perda de floresta tropical primária em 4,1 milhões de hectares. Uma porcentagem alarmante de 96% do desmatamento global ocorre em regiões tropicais. A Ásia Tropical é a única região que está perto do caminho para atingir o desmatamento bruto zero.

  O WWF alerta que as florestas tropicais estão começando a funcionar como fonte de carbono, e não como sumidouro, sob as pressões de um clima cada vez mais extremo, quente e seco. O desmatamento e a degradação generalizadas e crescentes nas três maiores bacias florestais tropicais do planeta – a Amazônia, o Congo e o Sudeste Asiático – poderão provocar uma catástrofe climática global.

Programa de áreas protegidas e restauração no Brasil

    O Programa de áreas protegidas (ARPA), uma iniciativa entre governo federal, órgãos estaduais, instituições privadas e sociedade civil, é destaque no relatório como um sucesso em questão de preservação de florestas. Entre os anos de 2008 e 2020, cerca de 264 mil hectares não foram desmatados, pois estavam em áreas protegidas pelo Programa.

    Já o Pacto Trinacional da Mata Atlântica é citado como case de restauração. A iniciativa foi reconhecida como uma das 10 bandeiras mundiais de restauração da Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas em 2022. As mais de 390 instituições envolvidas já alcançaram cerca de 1 milhão de hectares em restauração, geraram 126 mil empregos, apoiaram mais de 4.400 famílias e envolveram 7.500 crianças em programas de educação ambiental.

     A restauração é apontada no relatório como um potencial a ser desenvolvido para o caminho do desenvolvimento verde, gerando até 2,5 milhões de empregos até 2030, se o Brasil implementar efetivamente essa agenda.
    Para Edegar de Oliveira, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil, muito ainda precisa ser feito, pois a floresta já está afetada especialmente pelo desmatamento e pela degradação. “A floresta amazônica já vem dando sinais de declínio em algumas áreas, como por exemplo no sul e no sudeste do bioma. Algumas áreas já não absorvem carbono como antes, não por acaso essas localidades são mais quentes, desmatadas e com a floresta mais degradada. É urgente pararmos o desmatamento e investirmos em restauração de áreas, do contrário a seca que vemos agora, pode ser mais recorrente nos próximos anos”, alerta Oliveira.

    Alerta global

    [...]

     Os relatórios surgem antes da Cúpula das Três Bacias (que será realizada no Congo entre os dias 26 e 28 de outubro), que representa uma oportunidade importante para os governos apresentarem uma agenda robusta e orientada para a ação que demonstre responsabilidade e transparência, no prazo necessário para enfrentar a urgência na escala necessária. Isso inclui aumentar e canalizar o financiamento de uma forma transparente e equitativa para florestas tropicais de elevada integridade, e para que os governos e as empresas voltem ao bom caminho, cumpram os seus compromissos públicos de travar a perda de florestas, proteger, gerir e restaurar de forma sustentável as florestas, de forma a começar a fazer um progresso anual contínuo e significativo em direção às metas florestais globais.

Fonte: Disponível em

Atente-se ao seguinte trecho:



“O desmatamento e a degradação generalizadas e crescentes nas três maiores bacias florestais tropicais do planeta – a Amazônia, o Congo e o Sudeste Asiático – poderão provocar uma catástrofe climática global”.



A palavra destacada e sublinhada é de qual classe de palavras?

Alternativas
Q2536798 Português
Detalhes. (Roberto Carlos).


Não adianta nem tentar me esquecer,
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver.
Detalhes tão pequenos de nós dois,
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora, vão estar presentes,
Você vai ver.
Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer saudades minhas,
A culpa é sua.
O ronco barulhento do seu carro,
A velha calça desbotada, ou coisa assim,
Imediatamente você vai lembrar de mim.
Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido,
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido,
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim.
À noite, envolvida no silêncio
Do seu quarto,
Antes de dormir, você procura
O meu retrato,
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri,
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso, vai fazer você
Lembrar de mim.
Se alguém tocar seu corpo como eu,
Não diga nada,
Não vá dizer meu nome, sem querer,
À pessoa errada,
Pensando ter amor nesse momento,
Desesperada você tenta até o fim,
E até nesse momento, você
Vai lembrar de mim.
Eu sei que esses detalhes vão sumir
Na longa estrada,
Do tempo que transforma todo amor
Em quase nada,
Mas quase também é mais um detalhe.
Um grande amor, não vai morrer assim,
Por isso, de vez em quando, você vai,
Vai lembrar de mim.
Não adianta nem tentar me esquecer,
Durante muito, muito, muito tempo, em sua vida,
Eu vou viver.
Não, não adianta nem tentar,
Me esquecer. 

No período do texto “Detalhes tão pequenos de nós dois / São coisas muito grandes pra esquecer / E a toda hora vão estar presentes”. A oração grifada é:  
Alternativas
Q2535683 Português
Como é grande o meu amor por você!
(Roberto Carlos).



Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você.
E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você!



Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito,
Nada é maior que o meu amor
Nem mais bonito,
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar,
Como é grande o meu amor por você.
Nunca se esqueça, nem um segundo,
Que eu tenho o amor maior do mundo,
Como é grande o meu amor por você!



Nunca se esqueça, nem um segundo,
Que eu tenho o amor maior do mundo,
Como é grande o meu amor por você,
Mas como é grande o meu amor por você! 

No período do texto “Eu tenho tanto pra lhe falar / Mas com palavras não sei dizer / Como é grande o meu amor por você. A oração grifada é: 
Alternativas
Q2533909 Português

    Nossas contemplações mais despretensiosas do Cosmos nos induzem — há um calafrio na espinha, uma perda de voz, uma sensação de vazio, como em uma memória distante, de uma queda a grande altura. Sentimos que estamos próximos do maior dos mistérios.

    O tamanho e a idade do Cosmos estão além da compreensão humana. Perdido em algum local entre a imensidão e a eternidade, está o nosso diminuto lar planetário. Sob uma perspectiva cósmica, a maioria dos objetivos humanos parece insignificante, até mesmo mesquinha, embora nossa espécie seja jovem, curiosa e corajosa, e encerre grandes esperanças. Nos últimos milênios fizemos descobertas assombrosas e inesperadas sobre o Cosmos e sobre o nosso lugar nele, explorações que anseiam ser consideradas. Elas nos lembram de que os seres humanos evoluíram para perguntar sobre si mesmos, que compreender é uma alegria, que conhecimento é um prérequisito para sobreviver. Acredito que o nosso futuro dependa de quanto saibamos sobre este Cosmos no qual flutuamos como uma partícula de poeira em um céu matutino.

    Estas explorações requerem ceticismo e imaginação, que, com frequência, nos transporta a mundos que nunca existiram, mas sem ela não vamos à parte alguma. O ceticismo nos permite distinguir a fantasia do fato, para testar nossas especulações. O Cosmos é rico, além das previsões, em fatos graciosos, em inter-relações estranhas, em engenhos sutis do terror.

    As dimensões do Cosmos são tão grandes que, se utilizássemos as unidades de distância familiares, como metros ou milhas, escolhidas pela sua utilidade na Terra, fariam pouco sentido. Medimos, então, as distâncias com a velocidade da luz. Em um segundo, um raio de luz percorre 186.000 milhas, aproximadamente 300.000 quilômetros ou sete voltas em torno da Terra; em oito minutos ele viaja do Sol à Terra. Podemos dizer que o Sol está a oito minutos-luz de distância. Em um ano ele atravessa perto de dez trilhões de quilômetros, cerca de seis trilhões de milhas de espaço. Esta unidade de comprimento, a distância que a luz percorre em um ano, é chamada ano-luz. Mede não o tempo, mas distâncias — distâncias enormes.


Carl Sagan. Adaptado.

As orações coordenadas são aquelas que não dependem de outra oração para terem sentido. Qual das alternativas apresenta uma oração coordenada?
Alternativas
Q2527587 Português
Assinale a alternativa que contém um exemplo de oração coordenada sindética conclusiva:
Alternativas
Q2526574 Português

Julgue o item subsequente.


A frase "Assim que terminar o jantar, vou ao cinema" é um exemplo de oração coordenada. 

Alternativas
Q2525066 Português

A cartomante 


     Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida alguma influência misteriosa preponderava. Era ele tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na saúde pública; mas assim que obteve um bom “pistolão”, toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não deveria ir para diante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era obtida com o auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos.

     Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, à mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!

     A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era “coisa-feita”, havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal.

     Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da esposa. 
     Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que é que atrasava sua vida.

     Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma cartomante, cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda a espécie de feitiçaria, principalmente a africana. Rua, etc.”.
     Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga de algum preto-mina, a soldo do seu cunhado, Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã.

     Arranjou com o primeiro conhecido que encontrou o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá.

     O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria a casa; compraria um terno para Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.

     Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro, e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.

     Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito.
     O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa. Era sua mulher.

(Contos completos de Lima Barreto. Por: Lima Barreto. 2010. Adaptado.) 

A alternativa em que a oração assinalada expressa ideia de conclusão é: 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNCERN Órgão: AMCEVALE - RN Provas: FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Procurador | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Advogado | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente de Contratação | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente de Fiscalização Sanitária | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro Agrônomo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Farmacêutico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Fiscal de Postura | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Arquiteto | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Arquivista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Terapeuta Ocupacional | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente de Fiscalização Tributária | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Controlador | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro de Computação | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Farmacêutico Bioquímico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Jornalista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico do Trabalho | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico Plantonista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Neuropsicopedagogo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente Fiscal | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Contador | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente Fiscal de Tributo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Analista de Controle Interno | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Analista de Orçamento | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Auditor Fiscal | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Bibliotecário | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Biomédico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Psicopedagogo Clínico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Psicopedagogo Institucional | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Dentista / Odontólogo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Educador Físico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro Ambiental | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Fisioterapeuta | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico Clínico Geral / Médico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico Veterinário | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Ouvidor | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Zootecnista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro Civil | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Enfermeiro | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Fonoaudiólogo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Nutricionista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Assistente Social | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Psicólogo |
Q2522662 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas

José Ruy Lozano

        Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário – conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura – tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino. 
        Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Matter, identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais Mc’s, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando. 
        Ainda não cancelaram José de Alencar – escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idílico das populações indígenas conveniente ao Estado imperial de sua época –, mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. A indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
        Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus. Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobrir” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da universidade federal do Tocantins.
        Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. A discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 2018 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito, sua presença nos estudos literários veio para ficar: a universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d’água, e a universidade federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
        Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. A maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais e ganhado atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna crítica.
        A Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou, para seu exame de acesso, a obra de uma mulher negra, nascida em 1977, na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provêm boa parte de seus estudantes. Na UERJ, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido essa universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na terra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
        Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker retrata no livro as agruras de uma menina negra, no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai – de quem engravida e dá à luz dois filhos – e, posteriormente, obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
        A universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós-colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso. Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawless, da popstar Beyoncé.
        A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo... A entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.

Disponível em: < https://diplomatique.org.br/>. Acesso em: 08 dez. 2023. [Texto adaptado]

Considere o período a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


 Sobre a organização desse período, é correto afirmar:

Alternativas
Q2517155 Português
Todas as frases a seguir mostram termos ligados pela conjunção OU.
Assinale a opção em que essa conjunção mantém o valor de alternativa (e não de adição).:
Alternativas
Q2510295 Português
    Com esse objetivo, pretende-se que a sociedade desenvolva uma postura reflexiva e crítica e seja incentivada, desde a idade escolar, a agir de forma consciente de sua posição no mundo globalizado. Entretanto, há muito o que se fazer, em especial no Brasil, para que o letramento informacional seja uma realidade para a população e consiga colher os frutos almejados com o amadurecimento e a implementação da proposta. 
Sobre a organização do trecho, os dois períodos que o compõem estão interligados por um elemento linguístico que estabelece relação de
Alternativas
Q2507214 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Veneza proibirá grandes grupos de turistas e caixas de som 


Veneza proibirá o uso de caixas de som e a entrada de grupos com mais de vinte e cinco pessoas, numa tentativa de aliviar o impacto do turismo massivo na cidade italiana.

As novas regras entrarão em vigor a partir de junho de 2024, de acordo com um comunicado divulgado pela administração local.

O uso de caixas de som e alto-falantes foi proibido porque pode "gerar confusão e distúrbios", acrescenta o texto.

O excesso de turistas é amplamente reconhecido como uma questão urgente para a cidade famosa pelos canais, que segue como um dos locais mais visitados da Europa.

Em setembro de 2023, Veneza aprovou, ainda em fase de testes, uma taxa de 5 euros por dia para quem visitar a cidade.

Elisabetta Pesce, responsável pela segurança, disse que as últimas mudanças visam "melhorar a gestão e a organização dos grupos no centro histórico".

A cidade tem uma área de apenas 7,6 km², mas recebeu quase treze milhões de turistas em 2019, de acordo com o instituto nacional de estatística italiano.

Espera-se que o número de visitantes supere os níveis pré-pandemia nos próximos anos.

Cada vez mais residentes de Veneza optam por deixar a cidade, temendo que os turistas sobrecarreguem ainda mais o local.

As associações de cidadãos de Veneza lançaram estudos em abril deste ano para monitorar quantas camas estão disponíveis tanto para turistas como para residentes.

De acordo com a atualização mais recente de um desses levantamentos, o número de camas para turistas passou a casa de cinquenta mil e supera o disponível para os moradores locais.

Em julho, especialistas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirmaram que a cidade deveria ser adicionada a uma lista de patrimônios mundiais que estão em perigo, uma vez que o impacto das mudanças climáticas e do turismo em massa ameaçam causar alterações irreversíveis na região.

Os especialistas da Unesco culparam as autoridades italianas pela falta de visão estratégica para resolver os problemas enfrentados por uma das cidades mais conhecidas da Itália.

A Unesco, porém, não adicionou Veneza à lista de patrimônios ameaçados até o momento.

Gennaro Sangiuliano, o ministro de Cultura da Itália, disse que a Unesco reconheceu as tentativas de resolver os problemas locais por meio de sistemas contra inundações e a aprovação da taxa de entrada para os turistas.

Em 2021, grandes cruzeiros foram proibidos de entrar no centro histórico de Veneza através do canal Giudecca, depois de um navio ter colidido no porto.

Os críticos também argumentaram que as embarcações produziam muita poluição e corroíam as fundações da cidade.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c10y86zydjgo.adaptado.
O número de camas para turistas passou a casa de cinquenta mil 'e supera o disponível para os moradores locais'.
A expressão destacada trata-se de uma oração:
Alternativas
Q2506583 Português
DOS MUNDOS


Deus criou este mundo. O homem, todavia, Entrou a desconfiar, cogitabundo… Decerto não gostou lá muito do que via… E foi logo inventando o outro mundo.

QUINTANA, Mário. Dos mundos. Disponível em: <https://www.nossapoesia.com/poema/dos-mundos-mario-quintana/>. Acesso em: 21 de abril 2024.


Considerando o texto acima, assinale a alternativa que substitui a conjunção adversativa TODAVIA sem alteração de sentido:
Alternativas
Q2505704 Português
Sobre conjunções, à luz do que nos ensina Bechara, analise as assertivas que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A língua possui unidades que têm por missão reunir orações em um mesmo enunciado. Essas unidades são tradicionalmente chamadas de conjunções, que se repartem em dois tipos: coordenadas e subordinadas. ( ) A conjunção coordenada é um transpositor de um enunciado que passa a uma função de palavra, portanto de nível inferior dentro das camadas de estruturação gramatical. ( ) As conjunções alternativas enlaçam as unidades coordenadas, matizando-as de um valor alternativo quer para exprimir a incompatibilidade dos conceitos envolvidos, quer para exprimir a equivalência deles. A conjunção alternativa por excelência é “ou”, sozinha ou duplicada junto a cada unidade.
A ordem correta de preeenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2505253 Português
Centenário de Zabé da Loca: símbolo de resistência,
rainha do pífano
tem legado mantido em complexo turístico na PB


Há um século, no dia 12 de janeiro de 1924, nascia em Buíque, Pernambuco, Isabel Marques da Silva. Em Monteiro, no Cariri da Paraíba, ela se tornou Zabé da Loca, importante nome da cultura popular do Nordeste. Nesta sexta-feira (12), dia que marca o centenário da artista, o g1 relembra a trajetória e o legado da rainha do pífano.

Zabé da Loca é uma das personagens símbolo da resistência da cultura popular nordestina. Ainda adolescente, ela saiu de Pernambuco para o Cariri paraibano, e por cerca de 25 anos morou em uma gruta.

O nome "Zabé da Loca" se popularizou, justamente, por conta do lugar onde Zabé vivia. Mas, depois de mais de duas décadas morando na gruta, ela ganhou, em um processo de reforma agrária, uma casa no assentamento Santa Catarina, no município de Monteiro.

Em entrevista concedida ao Globo Rural em 2011, Zabé, na época com 86 anos, falou sobre o trabalho árduo como agricultora, com o qual sustentou a família por muitos anos.

"Eu já trabalhei muito. Trabalhei tanto que fiquei velha no tempo. Pai gritava. Nós éramos quatro. Era um em casa mais a mãe e os outros no roçado mais ele. Me criei trabalhando, minha filha", disse Zabé em entrevista ao Globo Rural, em 2011.

Além da agricultura, a vida de Zabé também era embalada pelo som do pífano, instrumento musical tipicamente nordestino, cujo som ecoado no sopro soa como o de outros tipos de flauta. E foi com o pífano e com as histórias do tempo em que viveu na gruta que Zabé ficou conhecida em várias partes do mundo.

Foi somente quando já tinha quase 80 anos que a história de Zabé da Loca ficou nacionalmente conhecida. Ela foi descoberta aos 79 anos, quando ainda morava na gruta, pela equipe do projeto Dom Helder Câmara, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na época Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Na época, ela gravou o seu primeiro CD, "Canto do SemiÁrido", com composições próprias e versões de Luiz Gonzaga e Humberto Texeira.

O som do pífano de Zabé encantou Brasil afora, e no auge de seus 85 anos, em 2009, ela ganhou seu primeiro grande reconhecimento, recebendo o prêmio Revelação da Música Popular Brasileira. Vários outros prêmios, como a Medalha de Ordem ao Mérito Cultural, concedida à Zabé pelo Governo Federal, também foram entregues a artista ainda em vida.

Em 2017, aos 92 anos, Zabé da Loca morreu, em Monteiro. A família informou que Zabé morreu de causas naturais e que, nos últimos anos de vida, ela sofria com o Alzheimer.

https://g1.globo.com/pb, 12/01/2024 
Considerando o trecho: “A família informou que Zabé morreu de causas naturais e que, nos últimos anos de vida, ela sofria com o Alzheimer”, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q2504849 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Na era dos esportivos elétricos, além de assegurar a performance, modelos precisam manter vivo o ronco dos motores a combustão que tanto seduz os fãs - Por André Sollitto

    São celebrados – por quem gosta, é claro – os vilões do filme Mad Max: Estrada da Fúria, de 2015, do australiano George Miller. Devotos do “Culto do V8”, mistura de religião e filosofia militar, bebem da atração por carros velozes e seus poderosos motores a combustão, de onde tiram a força vital. O totem dessa seita ficcional é o propulsor do Ford Mustang. Ele pode ser reconhecido de longe pelo ronco agressivo, espalhafatoso, em forma de fetiche. No mundo das coisas reais, sem o exagero da imaginação cinematográfica, há uma turma com essa pegada – os petrolheads, viciados em veículos sobre quatro rodas, sobretudo se forem muito, mas muito ruidosos. Como então adaptar o amor eterno pelo escarcéu das máquinas com o atual empenho para levar às ruas e estradas os carros elétricos, ecológicos, menos poluentes, mas naturalmente mais silenciosos?
    Pode soar como indagação bizantina, mas não é. Trata-se de preocupação real do mercado, atento aos nós ambientais mas também ao gosto dos consumidores. Tome-se como o exemplo a própria Ford, que acaba de trazer ao Brasil o Mustang Mach-E, versão eletrificada do clássico esportivo e primeiro veículo totalmente elétrico da montadora no país. O visual mudou. Ele virou um SUV, maior e mais alto, de pegada familiar, mas rapidíssimo. É capaz de ir de 0 a 100 quilômetros por hora em apenas 3,7 segundos – ante 4,3 segundos do motor tradicional. Tudo isso, em calmaria sepulcral. Mas e aquele vruuuuuuuuum gostoso e infernal, afeito a não alijar os adoradores? Deu-se um jeito, com o apoio de tecnologia de ponta. Ao selecionar o modo de “condução esportiva”, o motorista pode optar por ativar uma simulação sonora de propulsão. [...] O resultado não é idêntico, mas quem sentiu e ouviu aprovou.
    Convém não desdenhar do zelo pelo que emana da lataria. O alemão Dieter Landenberger, diretor dos arquivos históricos da Porsche, chegou a definir o querido alarido da grife como uma “mistura única entre a melodia emocionante do motor boxer, o crescendo das válvulas e o trombetear do sistema de escapamento”. [...] Na Europa, a montadora tentou registrar uma patente para a simulação sonora que desenvolveu, mas as autoridades de propriedade intelectual acharam que o estrondo não era tão memorável para ser reconhecido como único, e disseram “não”. A empresa está recorrendo da decisão, afirmando se tratar de uma criação artificial desenvolvida por músicos e compositores de trilhas sonoras.
    A Porsche não está sozinha. ABMWcontratou Hans Zimmer, autor de várias trilhas de Hollywood, para criar o som de seu BMW i4. Para os saudosistas, há empresas que vendem kits específicos com caixas de som acopladas ao veículo, projetadas para reproduzir o saudoso ruído. É movimento que faz um barulhão danado, porque a civilização avança, mas o já conhecido demora para ser abandonado. Contudo, há quem caminhe na contramão, certo de abrir novas estradas. Achinesa BYD, que trouxe o esportivo Seal ao Brasil, assumiu o silêncio quase total a bordo da cabine, com apenas uma ligeira sonoridade futurista do motor elétrico, e incluiu apenas um alerta sonoro para pedestres. Os tempos estão mudando – mas é sempre bom não abandonar a história e desdenhar da cultura. (Veja, 20/10/23)
No texto é recorrente o uso do MAS, conjunção que assume funções sintáticas e semânticas diversas, conforme o contexto de ocorrência.
Analise as explicações fornecidas quanto a algumas estruturas presentes no texto, e reproduzidas abaixo.
I- “[...] há uma turma com essa pegada — os petrolheads, viciados em veículos sobre quatro rodas, sobretudo se forem muito, MAS muito ruidosos.” (Tem função focalizadora dentro do sintagma, contribuindo para enfatizar uma característica do carro.) II- “Como então adaptar o amor eterno pelo escarcéu das máquinas com o atual empenho para levar às ruas e estradas os carros elétricos, ecológicos, menos poluentes, MAS naturalmente mais silenciosos?” (Tem função adversativa e enfática, ligando duas orações coordenadas.) III- “[...] o motorista pode optar por ativar uma simulação sonora de propulsão. [...] O resultado não é idêntico, MAS quem sentiu e ouviu aprovou.” (Tem valor constrastivo, aliando adversidade e concessividade, ao ligar as orações coordenadas.) IV-Os tempos estão mudando – MAS é sempre bom não abandonar a história e desdenhar da cultura. ” (Tem função de mudança de tópico, evidenciado pelo uso do travessão, com valor comparativo)
É (são) CORRETA(S) a (s) explicação(ões) presentes apenas em: 
Alternativas
Q2504840 Português
Após a leitura da crônica abaixo, responda à questão.

Um pé de milho

    Os americanos, através do radar, entraram em contato com a Lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.
    Aconteceu que, no meu quintal, em um monte de terra trazida pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro da casa. Secaram as pequenas folhas; pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que aquilo era capim. Quando estava com dois palmos, veio um outro amigo e afirmou que era cana.
    Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança suas folhas além do muro e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na lógica de seu crescimento, tal como vi numa noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, de crinas ao vento – e em outra madrugada, parecia um galo cantando.
    Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores lindas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que me fazem bem. É alguma coisa que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. Eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da rua Júlio de Castilhos.
(BRAGA, Rubem, Melhores crônicas - Seleção Carlos Ribeiro. São Paulo: Global, 2013)
Analise as proposições abaixo, que versam sobre os recursos morfossintáticos e sua relação com o sentido do texto.
I- “Secaram as pequenas folhas; pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu.” - Período formado por três orações, que estão coordenadas - as primeiras assindéticas, e a última sindética. Das duas primeiras depreende-se o sentido de adição e da última em relação à anterior, de adversidade. II- “Sou um ignorante, um pobre homem da cidade [...] Eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da rua [...]” - Nesse fragmento, o uso dos adjetivos antepostos aos nomes leva à perda da função descritiva e ganho da função valorativa, com os respectivos sentidos (homem simples, homem comum e lavrador importante) III- “Transplantei-o para o exíguo canteiro da casa”; “Há muitas flores lindas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda; “tal como o vi numa noite de luar” veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que me fazem bem”. - Todas as formas referenciais em destaque classificam-se morfologicamente como pronomes oblíquos e, quanto ao mecanismo de remissão, como anafóricas. IV- No texto, algumas formas referenciais presentes têm interpretação dependente da situação extralinguística. Assim, caracterizamse como dêiticas as seguintes formas: Eu nunca tinha visto (pronome pessoal); no meu quintal (pronome possessivo); Tinha visto centenas de milharais (verbo) e declarou desdenhosamente que aquilo era capim (pronome demonstrativo).
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q2504724 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

A beleza de Foz do Iguaçu e as quedas d'água gigantes pela própria natureza

    O Brasil é mesmo um país admirável. Não se conquista o privilégio de figurar entre as sete maravilhas do mundo por acaso. Nas categorias moderna e natural da honorável seleção, nós estamos lá, com destaques reconhecidos mundialmente: o Cristo Redentor, a Amazônia e as Cataratas do Iguaçu. Enquanto o maior bioma do mundo tem a paternidade compartilhada com outros oito países, as robustas quedas d'água são divididas apenas com a vizinha Argentina e até parecem ficar esquecidas lá no Sul do país, mas é um dos destinos mais procurados pelos turistas. Segundo levantamento feito pelo Parque Nacional do Iguaçu, 1,4 milhão de visitantes estiveram no local em 2022.
    Foz do Iguaçu, porém, não é exatamente uma rota de fácil acesso. Localizada em uma ponta mais a oeste do Paraná, a uma distância de cerca de 600 km da capital do estado e de 700 km do litoral, a cidade tem lá sua tradição turística, mas a economia se sustenta à base do seu maior cartão postal. Ainda que haja um aeroporto próprio, os voos geralmente exigem algumas conexões. Saindo de Brasília, fizemos duas paradas antes de desembarcar no destino: em São Paulo e em Curitiba.
    A viagem toda, que durou cerca de oito horas, é um pouco cansativa, porém, a sensação da chegada é reconfortante quando você, ainda no avião, visualiza de cima o conjunto gigantesco de cachoeiras e se dá conta de que está próximo não somente das famosas cataratas, e sim também da fronteira com outros dois países da América do Sul, tornando o passeio uma experiência também internacional.
    O acesso pelo lado brasileiro é muito tranquilo: o Parque Nacional do Iguaçu fica dentro de Foz, a poucos quilômetros do centro, com diversas modalidades de transporte, incluindo ônibus coletivo urbano e carro por aplicativo — com preços que vão de R$ 3,50 a R$ 50, aproximadamente. Os ingressos custam R$ 78, adquiridos antecipadamente pela internet, com direito ao transporte até as estações que dão início às atrações oferecidas. 
    Para quem não abre mão de uma boa aventura e gosta de sentir a adrenalina pura, existe o Macuco Safari, logo na primeira parada do ônibus. Nada mais é que um passeio de bote, em torno de duas horas, em que o turista embarca, protegido por colete salva-vidas, até as volumosas e potentes quedas das águas. O banho aqui é certo e dizem que a emoção supera qualquer desconforto por ficar todo ensopado. O tour, que pode ser adquirido no local, é bem mais salgado: entre R$ 300 e R$ 400, podendo ser parcelado no cartão. Porém, é um investimento que tem recompensas. Basta conferir alguns dos vídeos disponíveis na internet.
    Já na trilha terrestre, a visita também leva em torno de duas horas, porém em uma caminhada de cerca de 1,2 km que oferece uma vista panorâmica deslumbrante das cataratas em diversos ângulos e enquadramentos. Aos menos aventureiros que fugiram do safári aquático, há a garantia de que essa não é uma jornada perigosa: o caminho é todo cercado e há paradas estratégicas para assegurar as melhores fotos, sem nenhum risco. Mas as roupas confortáveis devem ser priorizadas, já que a temperatura pode esquentar ao longo da caminhada. E não esqueça a garrafinha de água, claro.
    A capa de chuva é um item indispensável para visitar as Cataratas do Iguaçu. À medida que as pessoas se aproximam mais do ponto onde as quedas estão mais fortes, os respingos vão se tornando maiores e inevitáveis. A época do ano deve ser observada com atenção: no período chuvoso, o volume das águas pode aumentar em até dez vezes. Especialmente no final do circuito, onde está a passarela suspensa de cerca de 670 metros que nos leva à base inferior da suntuosa Garganta do Diabo.
    Gigante pela própria natureza, tal qual o verso descrito no Hino Nacional Brasileiro, a cortina fluvial que surge do cânion parece que vai nos sugar com a potência das águas que se derramam de uma altura de 82 metros e 150 metros de largura, trafegando em uma impressionante correnteza por baixo dos nossos pés. Mas não se deixe amedrontar. Nesse ponto final do circuito, a experiência é única, imperdível e indescritível.
    Diante dessa maravilha do mundo, Eleanor Roosevelt, então primeira-dama dos Estados Unidos da América, teria exclamado: "Pobre Niágara!", em comparação às famosas cataratas que se ostentam na divisa entre as províncias de Nova York, nos EUA, e Ontario, no Canadá. Estive por lá, em 2011, e não dá para negar: a nossa é infinitamente soberana. 
   Para todos os lados que se olha nessa travessia, a visão das cataratas brasileiras é um deleite. Em um cenário que nos remete ao que ilustraram em nosso imaginário como o Jardim do Éden, no Parque Nacional do Iguaçu temos a constatação do quão vigorosa é a obra divina. A robustez das quedas d´água, que parecem surgir do céu, formando um rio que se molda com precisão entre as pedras e os montes, é um espetáculo que emociona. Em dias ensolarados, o arco-íris é uma presença constante na paisagem magnífica que se forma, trazendo ao instante esse sentimento que se aproxima da contemplação do sagrado. Desfrutar essa imagem, definitivamente, é uma benção. 

Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2023/10/5128017. Acesso em: fev. de 2024. [Adaptado]
A conjunção “porém”, utilizada no segundo parágrafo, estabelece relação de
Alternativas
Q2503702 Português
A Estabilidade na Crise


Poderia parecer que a crise que sacode nossa civilização neste momento, em todos os rincões do planeta e em tantas frentes de expressão, é algo próprio de nosso tempo e apresenta uma grandeza excessiva. No entanto, com olhar atento, encontraremos crise em qualquer momento da História, e comprovaremos que os filósofos sempre examinaram seu sentido mais profundo.


O uso reiterado e superficial das palavras as faz perder seu valor intrínseco. Hoje se interpreta como crise uma ruptura dolorosa, relacionada com o sofrimento, o choro e a perda em geral. Mas o conceito mais genuíno da palavra crise é "mudança".


Às vezes, se trata de uma mudança brusca, que modifica situações de diversas naturezas: materiais, morais, históricas, espirituais. É incomum que em uma crise se modifique somente um aspecto da vida; normalmente, diante de uma virada histórica importante, coincidem muitas mudanças simultaneamente.


É preciso construir ou manter a estabilidade em todos os aspectos do ser humano e em todos os fatores que constituem uma civilização.


Em tempos de crise, é necessário iniciativa. Embora pareça estar em contradição com a serenidade, a iniciativa, como ação, é a resposta imediata para a paz interior.


Em tempos de crise, não se pode ficar inativo, mas, ao contrário, empregar a serenidade, a imaginação e a criatividade para dar sempre um passo adiante, para evitar a inércia, a paralisia do medo.


Infelizmente, se confunde a iniciativa com a prepotência, com o abuso, o ímpeto e a agressividade; essas são as qualidades do "homem empreendedor" que, a julgar pelos fatos, nos levaram a esta crise histórica.


Uma solução estável para todo tipo de crise. Uma solução para uma mudança profunda e verdadeira.



Delia Steinberg Guzmán. Texto Adaptado. https://www.acropole.org.br/autores/delia-steinberghttps://www.acropole.org.br/autores/delia-steinberg-guzman/a-estabilidade-na-crise/
No período "EMBORA pareça estar em contradição com a serenidade, a iniciativa, como ação, é a resposta imediata para a paz interior", a conjunção "EMBORA" expressa uma ideia de:
Alternativas
Q2503700 Português
A Estabilidade na Crise


Poderia parecer que a crise que sacode nossa civilização neste momento, em todos os rincões do planeta e em tantas frentes de expressão, é algo próprio de nosso tempo e apresenta uma grandeza excessiva. No entanto, com olhar atento, encontraremos crise em qualquer momento da História, e comprovaremos que os filósofos sempre examinaram seu sentido mais profundo.


O uso reiterado e superficial das palavras as faz perder seu valor intrínseco. Hoje se interpreta como crise uma ruptura dolorosa, relacionada com o sofrimento, o choro e a perda em geral. Mas o conceito mais genuíno da palavra crise é "mudança".


Às vezes, se trata de uma mudança brusca, que modifica situações de diversas naturezas: materiais, morais, históricas, espirituais. É incomum que em uma crise se modifique somente um aspecto da vida; normalmente, diante de uma virada histórica importante, coincidem muitas mudanças simultaneamente.


É preciso construir ou manter a estabilidade em todos os aspectos do ser humano e em todos os fatores que constituem uma civilização.


Em tempos de crise, é necessário iniciativa. Embora pareça estar em contradição com a serenidade, a iniciativa, como ação, é a resposta imediata para a paz interior.


Em tempos de crise, não se pode ficar inativo, mas, ao contrário, empregar a serenidade, a imaginação e a criatividade para dar sempre um passo adiante, para evitar a inércia, a paralisia do medo.


Infelizmente, se confunde a iniciativa com a prepotência, com o abuso, o ímpeto e a agressividade; essas são as qualidades do "homem empreendedor" que, a julgar pelos fatos, nos levaram a esta crise histórica.


Uma solução estável para todo tipo de crise. Uma solução para uma mudança profunda e verdadeira.



Delia Steinberg Guzmán. Texto Adaptado. https://www.acropole.org.br/autores/delia-steinberghttps://www.acropole.org.br/autores/delia-steinberg-guzman/a-estabilidade-na-crise/
Em "É incomum QUE EM UMA CRISE SE MODIFIQUE SOMENTE UM ASPECTO DA VIDA", a oração QUE EM UMA CRISE SE MODIFIQUE SOMENTE UM ASPECTO DA VIDA é classificada sintaticamente como: 
Alternativas
Q2502439 Português

Leia o texto e responda à questão seguinte.


(...) Que seria esta vida, se é que de vida merece o nome, sem os prazeres da volúpia? Oh! Oh! Vós me aplaudis? Já vejo que não há aqui nenhum insensato que não possua esse sentimento. Sois todos muito sábios, uma vez que a meu ver, loucura é o mesmo que sabedoria. Podeis, pois, estar certos de que também os estóicos não desprezam a volúpia, embora espertamente se finjam alheios a ela e a ultrajem com mil injúrias diante do povo, a fim de que, amedrontando esses hipócritas declamem de boa fé, dizei-me, por Júpiter, sim, dizei-me se há, acaso, um só dia na vida que não seja triste, desagradável, fastidioso, enfadonho, aborrecido, quando não é animado pela volúpia, isto é, pelo condimento da loucura. Tomo Sófocles por testemunho irrefragável, Sófocles nunca bastante louvado. Oh! Nunca se me fez tanta justiça! Diz ele, para minha honra e minha glória: “Como é bom viver! Mas, sem sabedoria, porque esta é o veneno da vida”. Procuremos explicar essa proposição.

Todos sabem que a infância é a idade mais alegre e agradável. Mas que é que torna os meninos tão amados? Que é que nos leva a beijá-los, abraçá-los e amá-los com tanta afeição? Ao ver esses pequenos inocentes, até um inimigo se enternece e os socorre. Qual é a causa disso? É a natureza que, procedendo com sabedoria, deu às crianças um certo ar de loucura, pelo qual elas obtêm a redução dos castigos dos seus educadores e se tornam merecedoras do afeto de quem as tem ao seu cuidado. Ama-se a primeira juventude que se sucede à infância, sente-se prazer em ser-lhe útil, iniciá-la, socorrê-la. Mas de quem recebe a meninice os seus atrativos? De quem, se não de mim, que lhe concedo a graça de ser amalucada e, por conseguinte, de gozar e de brincar? Quero que me chamem de mentirosa, se não for verdade que os jovens mudam inteiramente de caráter logo que principiam a ficar homens e, orientados pelas lições e pela experiência do mundo, entram na infeliz carreira da sabedoria. Vemos, então, desvanecer-se aos poucos a sua beleza, diminuir a sua vivacidade, desaparecerem aquela simplicidade e aquela candura tão apreciadas. E acaba por extinguir-se neles o natural vigor. (...)


(Fragmentos do livro Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam, Ed. Martin Claret)

No período “E acaba por extinguir-se neles o natural vigor.(...)”, a conjunção, geralmente classificada como aditiva, assume o valor semântico de:
Alternativas
Respostas
241: A
242: E
243: C
244: A
245: D
246: E
247: A
248: A
249: A
250: B
251: D
252: A
253: C
254: C
255: D
256: C
257: B
258: A
259: C
260: B