Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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(Tatiana Cavalcanti.
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/01/mulheres-patentearaminventos-no-brasil-quando-ainda-nem-podiam-votar.shtml)
I. A preocupação da maioria das mulheres no início do século 20 se voltava para problemas domésticos.
II. Embora não consideradas na sociedade como cidadãs plenas, ainda assim as mulheres puderam registrar inventos.
III. A criação de patentes, segundo a análise feita nos documentos do INPI, em nada se relaciona a um perfil semelhante de mulheres naquela época.
Assinale
“A cidade não é uma selva de concreto; é um zoológico humano.”
A afirmativa correta sobre a estruturação argumentativa dessa frase é:
Assinale a relação lógica entre esses segmentos que está corretamente indicada.
“A natureza é um imenso dicionário!”
A comparação entre a natureza e o dicionário se justifica por duas marcas, que são:
Acerca de aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o seguinte item.
No segmento “tendemos a não os notar” (penúltimo período
do segundo parágrafo), a anteposição da forma pronominal
“os” ao verbo “notar” é obrigatória, não sendo admitida a
ênclise pronominal, em razão do emprego do vocábulo
“não”.
Acerca de aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o seguinte item.
A inserção de uma vírgula imediatamente após “lugar”
(segundo período do segundo parágrafo), além de
gramaticalmente correta, preservaria as relações coesivas e
de sentido do texto original.
Acerca de aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o seguinte item.
No último período do texto, a forma verbal “levante” está
flexionada no modo imperativo devido ao emprego da
conjunção “Embora”.
Acerca de aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o seguinte item.
A coerência das ideias do terceiro período do primeiro
parágrafo seria mantida caso a expressão “no entanto” fosse
substituída por não obstante.
Acerca de aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o seguinte item.
Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto,
o segmento “combinadas com a IA” (penúltimo período do
primeiro parágrafo) poderia ser reescrito como combinadas
à IA.
Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue o item que se segue.
Entende-se do texto que a invisibilidade da IA decorre de sua
frequente conexão com outras tecnologias.
Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue o item que se segue.
A argumentação no texto é desenvolvida no sentido de
relativizar o papel da IA na geração dos problemas éticos
relacionados à tecnologia na atualidade.
Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue o item que se segue.
Segundo o texto, são inéditos os dilemas éticos suscitados
pelas inovações empreendidas pela IA.
Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue o item que se segue.
O primeiro parágrafo do texto versa sobre problemas éticos
comuns à IA e a outras tecnologias, bem como sobre
problemas éticos decorrentes da sobreposição da IA a outras
tecnologias.
Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1, julgue o item que se segue.
No texto, o exemplo dos problemas relativos à privacidade
dos usuários de mídias sociais ilustra uma questão ética
restrita à IA.
Texto 42A2-III
Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração. Não é que eu esteja analfabeto. Soletrei, anos e meio, meante cartilha, memória e palmatória. Tive mestre, Mestre Lucas, no Curralinho, decorei gramática, as operações, regra de três, até geografia e estudo pátrio. Em folhas grandes de papel, com capricho tracei bonitos mapas. Ah, não é por falar: mas, desde o começo, me achavam sofismado de ladino. E que eu merecia de ir para cursar latim, em Aula Régia – que também diziam. Tempo saudoso! Inda hoje, apreceio um bom livro, despaçado. Na fazenda O Limãozinho, de um meu amigo Vito Soziano, se assina desse almanaque grosso, de logogrifos e charadas e outras divididas matérias, todo ano vem. Em tanto, ponho primazia é na leitura proveitosa, vida de santo, virtudes e exemplos – missionário esperto engambelando os índios, ou São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Geraldo... Eu gosto muito de moral. Raciocinar, exortar os outros para o bom caminho, aconselhar a justo. Minha mulher, que o senhor sabe, zela por mim: muito reza. Ela é uma abençoável. Compadre meu Quelemém sempre diz que eu posso aquietar meu temer de consciência, que sendo bem-assistido, terríveis bons-espíritos me protegem. Ipe! Com gosto... Como é de são efeito, ajudo com meu querer acreditar. Mas nem sempre posso. O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.
Guimarães Rosa. Grande sertão: veredas., In: João Guimarães Rosa / Ficção completa, vol. II.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 12-4
Texto 42A2-II
Cunhantã
Vinha do Pará.
Chamava Siquê.
Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.
Piá branca nenhuma corria mais do que ela.
Tinha uma cicatriz no meio da testa:
― Que foi isto, Siquê?
Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:
― Minha mãe (a madrasta) estava costurando
Disse vai ver se tem fogo
Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo
Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa
Riu, riu, riu
Uêrêquitáua.
O ventilador era a coisa que roda.
Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!
Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Manuel Bandeira: poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 216.
Vocabulário:
cunhantã – (tupi-guarani) menina, moça.
piá – menino(a) mestiço(a) de indígena com branco.
tuíra – de cor indefinida, preto desbotado, pardo.
Texto 42A2-II
Cunhantã
Vinha do Pará.
Chamava Siquê.
Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.
Piá branca nenhuma corria mais do que ela.
Tinha uma cicatriz no meio da testa:
― Que foi isto, Siquê?
Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:
― Minha mãe (a madrasta) estava costurando
Disse vai ver se tem fogo
Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo
Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa
Riu, riu, riu
Uêrêquitáua.
O ventilador era a coisa que roda.
Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!
Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Manuel Bandeira: poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 216.
Vocabulário:
cunhantã – (tupi-guarani) menina, moça.
piá – menino(a) mestiço(a) de indígena com branco.
tuíra – de cor indefinida, preto desbotado, pardo.
O professor Adelino falou sobre o número de sílabas que “o Gonçalves” gostava de usar, das pausas, da rima consoante e da toante, ali havia o segredo da musicalidade de grandes poetas, nec pluribus impar*, falou da velha tradição da poesia portuguesa, dos árcades e que, embora o Gonçalves violasse as regras do verso e da gramática, era um poeta dos melhores. Que o Gonçalves tinha o direito de quebrar as regras do verso porque era verdadeiro poeta e o senso natural dos verdadeiros poetas vale mais que todas as regras, sejam da Versificação, sejam da gramática! Eu o ouvi, fiz-lhe perguntas e nossa conversa aconteceu. Claro, como poderia não acontecer? Ele falava do meu assunto predileto, o Gonçalves, e descobriu que quando falava no poeta, ou em poesia, eu me interessava, ele passou a levar o livro de Antonio para a minha casa, a fazer leituras em voz alta de poemas de Antonio. Embalde o professor Adelino tentava me conquistar com as poesias de Antonio que lia em voz alta, tão emocionado como se ele mesmo as houvesse escrito, ao final tecia comentários sobre a poesia, daí em diante nossos encontros eram para essas leituras, eu sentia algum pudor da situação, mas agradava-me fechar os olhos e imaginar que quem estava ali na minha frente lendo para mim era o autor das composições.
Ana Miranda. Dias e dias: romance. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 143.
*superior aos outros homens