Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3252733 Português
Os mineiros são invencíveis em festa de casamento

Quando organizei meu casamento em Belo Horizonte, o choque cultural foi imediato: eu, gaúcho, e ela, mineira, tínhamos duas tradições muito diferentes para festas de casamento. Como os convidados estavam divididos entre os dois Estados, tivemos que escolher um único modelo.

O dilema não era escolher padrinhos ou organizar os assentos no salão, mas definir a sequência da festa. No Rio Grande do Sul, o bufê é servido no início, para que as pessoas comam antes de beber e evitem exageros. Já em Minas, a comida é servida no final, como o auge da celebração.

Travei um debate com minha noiva. Argumentei que os mais velhos precisavam comer cedo para não passarem mal. Ela discordou, dizendo que isso deixaria os convidados sonolentos e a festa terminaria antes do tempo.

Beatriz explicou com convicção: em Minas, até os mais velhos lideram a dança e ninguém abandona a festa cedo. A música abre a recepção, e a comida só aparece no final, quando os mineiros "ressuscitam" e renovam a energia. Além disso, mineiros felizes comem por três e repetem o prato várias vezes, garantindo que a festa tenha um segundo pico à meia-noite.

Cedi, é claro. E ela estava certa: nenhum mineiro caiu de bêbado ou foi embora antes do fim. Às 4h30 da manhã, eles ainda estavam dançando, contrariados por terem que sair. Enquanto isso, meus amigos gaúchos não resistiram: seis deles estavam abraçados ao vaso sanitário, já sonhando com o voo de volta.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/os-mineiros-sao-i nvenciveis-em-festa-de-casamento-1.2226330 
No texto "Os mineiros são invencíveis em festa de casamento", de Fabrício Carpinejar, observa-se um contraste cultural entre as tradições de festas de casamento no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Sobre as diferenças mencionadas no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3252730 Português
Os mineiros são invencíveis em festa de casamento

Quando organizei meu casamento em Belo Horizonte, o choque cultural foi imediato: eu, gaúcho, e ela, mineira, tínhamos duas tradições muito diferentes para festas de casamento. Como os convidados estavam divididos entre os dois Estados, tivemos que escolher um único modelo.

O dilema não era escolher padrinhos ou organizar os assentos no salão, mas definir a sequência da festa. No Rio Grande do Sul, o bufê é servido no início, para que as pessoas comam antes de beber e evitem exageros. Já em Minas, a comida é servida no final, como o auge da celebração.

Travei um debate com minha noiva. Argumentei que os mais velhos precisavam comer cedo para não passarem mal. Ela discordou, dizendo que isso deixaria os convidados sonolentos e a festa terminaria antes do tempo.

Beatriz explicou com convicção: em Minas, até os mais velhos lideram a dança e ninguém abandona a festa cedo. A música abre a recepção, e a comida só aparece no final, quando os mineiros "ressuscitam" e renovam a energia. Além disso, mineiros felizes comem por três e repetem o prato várias vezes, garantindo que a festa tenha um segundo pico à meia-noite.

Cedi, é claro. E ela estava certa: nenhum mineiro caiu de bêbado ou foi embora antes do fim. Às 4h30 da manhã, eles ainda estavam dançando, contrariados por terem que sair. Enquanto isso, meus amigos gaúchos não resistiram: seis deles estavam abraçados ao vaso sanitário, já sonhando com o voo de volta.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/os-mineiros-sao-i nvenciveis-em-festa-de-casamento-1.2226330 
Com base no texto "Os mineiros são invencíveis em festa de casamento", identifique o posicionamento do narrador em relação ao debate cultural entre as tradições de casamento mineiras e gaúchas. Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3252489 Português




(Mort Walker, “Recruta Zero”. https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos, 20.09.2024)

Com a frase do personagem no 2o quadro, conclui-se corretamente que ele decidiu
Alternativas
Q3252485 Português
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Considere as passagens:
•  Não respeita nada, cobre até os astros no céu. (1 º parágrafo)
•  Seu alerta de que o descongelamento do solo... (3 º parágrafo)
•  ... ele retomou o adjetivo... (4 º parágrafo)

As expressões destacadas mantêm relação coesiva, correta e respectivamente, com os termos: 
Alternativas
Q3252484 Português
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Na frase final do texto – Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado. –, a informação destacada permite inferir corretamente que
Alternativas
Q3252483 Português
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Nas passagens –... mas quando se impõe para valer... (1º parágrafo) – e – As metrópoles estrebucham entre dois extremos... (4º parágrafo) –, as expressões destacadas significam, respectivamente: 
Alternativas
Q3252482 Português
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
O autor usa a referência ao livro bíblico Apocalipse, ao livro A Terra Inabitável e ao artigo do cientista Carlos Nobre com a intenção de
Alternativas
Q3252481 Português
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Na opinião do autor, a situação ambiental do país
Alternativas
Q3252480 Português

Leia a tira.



Imagem associada para resolução da questão


(Cartunista Fernando Gonzales.

Em: https://www.instagram.com/niquelnausea. Acesso em 23.09.2024)



O efeito de humor da tira decorre

Alternativas
Q3252473 Português
A andorinha da torre


   Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

   Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

   Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

    Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

   Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava-os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

   A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

    Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.


(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024)

* palhaços 
Identifica-se emprego de termo(s) em sentido figurado na passagem:
Alternativas
Q3252472 Português
A andorinha da torre


   Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

   Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

   Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

    Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

   Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava-os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

   A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

    Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.


(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024)

* palhaços 
Considere as passagens:

•  ... o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio... (1º parágrafo)
•  ... sob a cúpula enorme do sino grande... (2º parágrafo)
•  ... sem dar atenção ao burburinho da cidade... (2º parágrafo)


Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3252471 Português
A andorinha da torre


   Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

   Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

   Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

    Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

   Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava-os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

   A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

    Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.


(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024)

* palhaços 
O narrador da história deixa claro que
Alternativas
Q3252470 Português




(https://www.instagram.com/adaoiturrusgarai. Acesso em 20.09.2024) 

A relação de sentido estabelecida entre as expressões “Ter um emprego” e “ficar desempregado” também ocorre entre os termos destacados em: 
Alternativas
Q3252469 Português




(https://www.instagram.com/adaoiturrusgarai. Acesso em 20.09.2024) 

Na perspectiva do personagem, ficar desempregado é visto como algo
Alternativas
Q3252276 Português
Em 'O Som e o Sentido: Uma outra história das músicas', José Wisnik revoluciona a forma como entendemos a história da música. Ao invés de se limitar à tradição ocidental erudita, Wisnik propõe uma abordagem interdisciplinar que engloba diversas culturas e estilos musicais, estabelecendo diálogos entre a música e outras áreas do conhecimento, como a filosofia, a antropologia e a história. Essa nova perspectiva permite uma compreensão mais ampla e rica da experiência musical humana."
Qual das alternativas abaixo não representa uma das características dessa nova abordagem?
Alternativas
Q3250422 Português

Atenção: use o texto a seguir para responder a questão.

Texto 3

Norma da empresa

Descartar-se um cliente que está reclamando com um “É norma da empresa” deixa-o furioso. É o equivalente empresarial da frase que nossos pais costumavam dizer: “Porque sim”. 

A semelhança entre as frases da empresa e dos pais é 
Alternativas
Q3250420 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 2

Economizar água

Apesar de parecer muita, devido ao aumento excessivo da população mundial e à poluição que o homem produz, diariamente, a água potável do mundo está cada vez mais escassa. E a falta de água para consumo, principalmente em regiões mais pobres, populosas e áridas do mundo, já é uma realidade preocupante. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é um país de sorte e vai contra essa tendência mundial.
O Brasil vai contra a tendência mundial porque
Alternativas
Q3250414 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a questão.

Texto 1

A Geografia da Fome

Não é somente agindo sobre o corpo dos flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida dos sertanejos, mas também atuando sobre o seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social. Nenhuma calamidade é capaz de desagregar tão profundamente e num sentido tão nocivo à personalidade humana quando alcança os limites da verdadeira inanição. Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado, apresenta uma conduta mental que pode parecer a mais desconcertante. Muda o seu comportamento como muda o de todos os seres vivos alcançados pelo flagelo nesta mesma área geográfica.
Josué de Castro – A Geografia da Fome
Esse texto aborda o problema da fome.
Um aspecto desse problema que não está presente nesse texto, é: 
Alternativas
Q3249478 Português
A Flor e a Náusea



Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre,
o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
(...)


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
(...)



(ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 1ª
ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2012. )

Retome a última estrofe destacada do poema e responda à pergunta 15:


Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do

tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.


Qual é o significado simbólico da flor que nasceu na rua, considerando o contexto urbano e as ações descritas?

Alternativas
Q3249469 Português
2023 foi o ano mais quente já registrado; a previsão é
que este ano seja ainda mais




Em 2024, as tendências climáticas globais são motivo de alarme profundo e otimismo cauteloso. O ano passado foi o mais quente já registrado por uma enorme margem e este ano provavelmente será mais quente ainda. A temperatura média global anual pode, pela primeira vez, ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais – um limiar crucial para estabilizar o clima da Terra. Sem uma ação imediata, corremos o sério risco de cruzar pontos de inflexão irreversíveis no sistema climático da Terra. No entanto, há razões para esperança.


As emissões globais de gases de efeito estufa podem atingir o pico neste ano e começar a cair. Este seria um ponto de virada histórico, anunciando o fim da era dos combustíveis fósseis, à medida que o carvão, o petróleo e o gás são cada vez mais substituídos por tecnologias de energia limpa.


Mas temos de fazer mais do que tirar o pé do acelerador de aquecimento – temos de pisar no freio. Para evitar o pior da crise climática, as emissões globais devem cair aproximadamente pela metade até 2030. A tarefa é monumental, mas possível, e não poderia ser mais urgente. Não é fim de jogo. É início de jogo.


No ano passado, a Terra foi a mais quente desde o início dos registros. O início das condições de El Niño no Oceano Pacífico ajudou a elevar as temperaturas globais a novos patamares. O Copernicus Climate Change Service da União Europeia descobriu que 2023 foi 1,48 °C mais quente do que a média pré-industrial.


Temperaturas globais mais quentes em 2023 trouxeram eventos extremos e desastres em todo o mundo. Como ondas de calor mortais no verão do hemisfério norte, incêndios florestais devastadores no Canadá e no Havaí e chuvas recordes em muitos lugares, incluindo Coreia, África do Sul e China.


O ano passado também foi o mais quente já registrado para os oceanos do mundo. Mais de 90% do calor do aquecimento global é armazenado nos oceanos. As temperaturas nas águas são um indicador claro do aquecimento do nosso planeta, revelando um aumento ano a ano e uma aceleração na taxa de aquecimento.


O aquecimento dos oceanos significou para partes de 2023 que a extensão do gelo marinho nas regiões polares da Terra foi a mais baixa já registrada. Durante o inverno do hemisfério sul, o gelo marinho na Antártida ficou mais de 1 milhão de quilômetros quadrados abaixo do recorde anterior – uma área de gelo mais de 15 vezes o tamanho da Tasmânia.


Este ano pode ser mais quente ainda. Há uma chance razoável de 2024 terminar com uma temperatura média global mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Os governos concordaram, por meio do Acordo de Paris, em trabalhar juntos para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, porque o aquecimento além desse limiar representa enormes perigos para a humanidade.


O acordo refere-se a tendências de longo prazo na temperatura, não a um único ano. Portanto, ultrapassar 1,5 °C em 2024 não significaria que o mundo deixou de cumprir a meta de Paris. No entanto, em tendências de longo prazo, estamos no caminho certo para ultrapassar o limite de 1,5 °C no início da década de 2030.


À medida que o planeta aquece, corremos agora um sério risco de cruzar “pontos de inflexão” irreversíveis no sistema climático da Terra – incluindo a perda de mantos de gelo polares, o aumento associado do nível do mar e o colapso das principais correntes oceânicas. Esses pontos de inflexão representam limiares que, quando ultrapassados, desencadearão mudanças abruptas e perpetuantes no clima e nos oceanos do mundo. São ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade – portas de mão única pelas quais não queremos passar.


Em 2024 também há muitos motivos para esperança.


Nas negociações climáticas da COP28 das Nações Unidas, em dezembro de 2023, governos de quase 200 países concordaram em acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis nesta década crucial. A queima de combustíveis fósseis é a principal causa da crise climática.


Temos a tecnologia necessária para substituir os combustíveis fósseis em toda a nossa economia: na geração de eletricidade, transporte, aquecimento, alimentação e processos industriais. De fato, a crescente demanda do mercado por tecnologias de energia limpa – eólica, solar, baterias e carros elétricos – está agora substituindo tecnologias poluentes, como veículos movidos a carvão e motores a combustão, em escala global.


O mundo adicionou 510 bilhões de watts de capacidade de energia renovável em 2023, 50% a mais do que em 2022 e equivalente a toda a capacidade de energia da Alemanha, França e Espanha juntas. Espera-se que os próximos cinco anos vejam um crescimento ainda mais rápido das energias renováveis.


A mudança acelerada para tecnologias de energia limpa significa que as emissões globais de gases de efeito estufa podem cair em 2024. Uma análise recente da Agência Internacional de Energia (AIE), com base nas políticas declaradas dos governos, sugere que as emissões podem, de fato, ter atingido o pico no ano passado. A conclusão é apoiada por uma análise do instituto Climate Analytics, que encontrou 70% de chance de as emissões caírem a partir de 2024 se o crescimento atual das tecnologias limpas continuar.


Um número crescente de grandes economias ultrapassou seus picos de emissões, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Japão. A China é atualmente o maior emissor do mundo, contribuindo com 31% do total global no ano passado. Mas o crescimento explosivo dos investimentos em energia limpa significa que as emissões da China não devem apenas cair em 2024, mas entrar em declínio estrutural.


Além disso, a China está passando por um boom na fabricação de energia limpa e uma expansão histórica de energias renováveis – especialmente solar. Espera-se um crescimento igualmente explosivo para baterias e veículos elétricos. Um pico nas emissões globais é motivo de otimismo – mas não será suficiente. As emissões de gases de efeito estufa ainda se acumularão na atmosfera e impulsionarão um aquecimento catastrófico, até que as aproximemos o máximo de zero possível.


O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que as emissões globais devem cair pela metade até 2030 para manter a meta de 1,5 °C ao alcance. A tarefa é gigantesca, mas possível. A Austrália está fazendo grandes avanços na implantação de energia renovável. Mas os governos estaduais e federal estão minando esse progresso ao aprovar novos projetos de combustíveis fósseis.


Cada novo desenvolvimento de carvão, petróleo ou gás põe em perigo todos nós. A Austrália deve reformar urgentemente sua lei ambiental nacional – a Lei de Proteção Ambiental e Conservação da Biodiversidade – para acabar com novos desenvolvimentos de combustíveis fósseis.


Da mesma forma, os ganhos da Austrália em energia renovável foram compensados pelo aumento das emissões em outros setores, principalmente nos transportes. É hora de implementar padrões de eficiência de combustível há muito prometidos e reduzir essas emissões. Além desses próximos passos práticos imediatos, a Austrália tem muito trabalho pela frente para mudar das exportações de combustíveis fósseis para alternativas limpas. 


A oportunidade para a Austrália desempenhar um papel positivo importante na jornada de descarbonização do mundo é inegável, mas essa janela de oportunidade está se estreitando rapidamente.


(Fonte: Wesley Morgan. Este texto foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Disponivel em: https://esginsights.com.br/por-que2024-e-um-ano-determinante-para-a-crise-climatica/ ). 
De acordo com a discussão trazida pelo artigo, qual é um dos principais motivos para alarme nas tendências climáticas globais em 2024?
Alternativas
Respostas
6461: C
6462: D
6463: D
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6465: C
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6467: A
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