Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Julgue os itens a seguir, com relação às ideias e aspectos
linguísticos do texto.

A respeito da organização das estruturas linguísticas e das ideias do
texto, julgue os itens a seguir.
Todas as formas relacionadas a seguir remetem ao que foi dito anteriormente ou vai ser dito em seguida no texto, com EXCEÇÃO apenas de:
Em todas as alternativas abaixo se relativiza ou atenua o argumento usado em: "o problema é a desigualdade e a distribuição, não a quantidade de comida que produzimos" (linhas 31-33), com exceção da seguinte:
A argumentação desenvolvida no texto está orientada no
sentido de persuadir o leitor de que:
enquanto traço de união entre os interlocutores, ela só se realiza no processo da compreensão em que há ação e interação. Sob este
prisma, o signo, ideológico, se realiza, então, na
. Há que se compreender que cada palavra emitida, segundo Bakhtin (1981,p.113), "é determinada tanto pelo fato de que precede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém". A significação é
efeito da interação do locutor e do receptor, produzido através do material de um determinado complexo sonoro.
Podemos ainda nos reportar à Bakhtin, quando este nos mostra que a realidade da consciência é a linguagem, que os
conteúdos da consciência são linguísticos. Portanto, sem linguagem não se pode falar em psiquismo humano, mas somente em
processos fisiológicos ou processos do sistema nervoso, pois não há uma atividade mental independente da linguagem.
(Adaptado de Ribeiro, O. M. "Direito e linguística: uma relação de complementaridade". Revista Jurídica Unijus vol. 3, n. 1, Nov. 2000,
Uberaba, UNIUBE. p. 85)
enquanto traço de união entre os interlocutores, ela só se realiza no processo da compreensão em que há ação e interação. Sob este
prisma, o signo, ideológico, se realiza, então, na
. Há que se compreender que cada palavra emitida, segundo Bakhtin (1981,p.113), "é determinada tanto pelo fato de que precede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém". A significação é
efeito da interação do locutor e do receptor, produzido através do material de um determinado complexo sonoro.
Podemos ainda nos reportar à Bakhtin, quando este nos mostra que a realidade da consciência é a linguagem, que os
conteúdos da consciência são linguísticos. Portanto, sem linguagem não se pode falar em psiquismo humano, mas somente em
processos fisiológicos ou processos do sistema nervoso, pois não há uma atividade mental independente da linguagem.
(Adaptado de Ribeiro, O. M. "Direito e linguística: uma relação de complementaridade". Revista Jurídica Unijus vol. 3, n. 1, Nov. 2000,
Uberaba, UNIUBE. p. 85)
quais a diversidade linguística atua como um recurso comunicativo de forma a permitir que os interlocutores se baseiem em
conhecimentos e paradigmas relativos às diferentes maneiras de articulação da língua para categorizar eventos, inferir intenções e
antever situações que poderão ocorrer. Se, de acordo com GOFFMAN (1974), retomado em GUMPERS (1989), uma elocução pode
ser entendida de diferentes modos, as pessoas podem interpretar uma determinada elocução

do que está acontecendo no
momento da interação, num dado contexto histórico-social.
GUMPERS (1989), em seus trabalhos, propôs alguns procedimentos que serviram para identificar estratégias de interpretações
disponíveis aos falantes, seguindo as pistas de contextualização, que se apresentam na forma dos traços linguísticos ou não
linguísticos que contribuem para assinalar as pressuposições contextuais. Assim, de acordo com esse autor, é possível, a partir
dessas pistas, conhecer as causas do mal-entendido, ou os problemas de comunicação.
(Extraído de Kappel, I. B. de A., Parreira, M. S., Ribeiro, O. M. Construção, destruição e (re)construção do sentido: uma análise do malentendido
na interpretação de um texto legal. Revista Jurídica Unijus. vol. 3, n. 1, Nov. 2000, Uberaba, UNIUBE. p. 45)
quais a diversidade linguística atua como um recurso comunicativo de forma a permitir que os interlocutores se baseiem em
conhecimentos e paradigmas relativos às diferentes maneiras de articulação da língua para categorizar eventos, inferir intenções e
antever situações que poderão ocorrer. Se, de acordo com GOFFMAN (1974), retomado em GUMPERS (1989), uma elocução pode
ser entendida de diferentes modos, as pessoas podem interpretar uma determinada elocução

do que está acontecendo no
momento da interação, num dado contexto histórico-social.
GUMPERS (1989), em seus trabalhos, propôs alguns procedimentos que serviram para identificar estratégias de interpretações
disponíveis aos falantes, seguindo as pistas de contextualização, que se apresentam na forma dos traços linguísticos ou não
linguísticos que contribuem para assinalar as pressuposições contextuais. Assim, de acordo com esse autor, é possível, a partir
dessas pistas, conhecer as causas do mal-entendido, ou os problemas de comunicação.
(Extraído de Kappel, I. B. de A., Parreira, M. S., Ribeiro, O. M. Construção, destruição e (re)construção do sentido: uma análise do malentendido
na interpretação de um texto legal. Revista Jurídica Unijus. vol. 3, n. 1, Nov. 2000, Uberaba, UNIUBE. p. 45)
A língua pode ser estudada a partir de três planos de análise, tomando em consideração os diferentes tipos de vinculações que os signos mantêm entre si: com
; com
; com
. "A primeira vinculação é chamada sintaxe; a segunda, semântica; a terceira, pragmática. (....) Mediante tais níveis, tenta-se estabelecer regras que, apesar de não serem inerentes às linguagens, permitem sua análise". (Adaptado de Kozick, K. "Semiologia jurídica: da semiologia política à semiologia do desejo". Revista do Instituto de Pesquisas e Estudos, Bauru, n. 25, p. 63-75, abr./jul. 1999, p. 65)
As lacunas X, Y e Z são, correta e respectivamente, preenchidas por:
consegue fazer entender sua situação - ela deve pagar uma
fatura de cartão de crédito que lhe foi enviado sem que pedisse,
e que jamais utilizou - é um exemplo corriqueiro do poder das
palavras e da fragilidade de quem não as domina. A mulher
acabará sendo despachada, sem resolver seu problema, pela
impaciência do bancário e de todos os que estão na fila. Duas
carências na mesma pessoa: a de recursos econômicos e a de
linguagem. Nem o conforto de um status prestigiado, nem a
desenvoltura argumentativa de um discurso.
Graciliano Ramos, no romance Vidas secas, tratou a
fundo dessa questão: suas personagens, desamparados retirantes
nordestinos, lutam contra as privações básicas: a de água, a
de comida... e a de linguagem. O narrador desse romance é um
escritor ultraconsciente de seu ofício: sabe que muito da nossa
identidade profunda e da nossa identificação social guarda uma
relação direta com o domínio que temos ou deixamos de ter das
palavras. Não há, para Graciliano, neutralidade em qualquer
discurso: um falante carrega consigo o prestígio ou a humilhação
do que é ou não é capaz de articular.
Nas escolas, o ensino da língua não pode deixar de
considerar essa intersecção entre linguagem e poder. O professor,
bem armado com sua refinada metalinguagem, pode,
evidentemente, reconhecer que há uma específica suficiência
na comunicação que os alunos já trazem consigo; mas terá ele
o direito de não prepará-los para um máximo de competência,
que inclui não apenas uma plena exploração funcional da
língua, mas também o acesso à sua mais alta representação,
que está na literatura?
(Juvenal Mesquita, inédito)
I. No 1º parágrafo, insinua-se que o conforto de um status prestigiado e a desenvoltura argumentativa de um discurso não costumam ocorrer concomitantemente.
II. No 2º parágrafo, afirma-se que, para Graciliano Ramos, não existe neutralidade em qualquer discurso porque o poder das palavras não guarda necessária relação com outras esferas do poder.
III. No 3º parágrafo, admite-se que deixar um aluno estacionado no patamar de um uso linguístico que já é o seu constitui um modo de privá-lo tanto do poder objetivo como do caráter artístico da linguagem.
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em
consegue fazer entender sua situação - ela deve pagar uma
fatura de cartão de crédito que lhe foi enviado sem que pedisse,
e que jamais utilizou - é um exemplo corriqueiro do poder das
palavras e da fragilidade de quem não as domina. A mulher
acabará sendo despachada, sem resolver seu problema, pela
impaciência do bancário e de todos os que estão na fila. Duas
carências na mesma pessoa: a de recursos econômicos e a de
linguagem. Nem o conforto de um status prestigiado, nem a
desenvoltura argumentativa de um discurso.
Graciliano Ramos, no romance Vidas secas, tratou a
fundo dessa questão: suas personagens, desamparados retirantes
nordestinos, lutam contra as privações básicas: a de água, a
de comida... e a de linguagem. O narrador desse romance é um
escritor ultraconsciente de seu ofício: sabe que muito da nossa
identidade profunda e da nossa identificação social guarda uma
relação direta com o domínio que temos ou deixamos de ter das
palavras. Não há, para Graciliano, neutralidade em qualquer
discurso: um falante carrega consigo o prestígio ou a humilhação
do que é ou não é capaz de articular.
Nas escolas, o ensino da língua não pode deixar de
considerar essa intersecção entre linguagem e poder. O professor,
bem armado com sua refinada metalinguagem, pode,
evidentemente, reconhecer que há uma específica suficiência
na comunicação que os alunos já trazem consigo; mas terá ele
o direito de não prepará-los para um máximo de competência,
que inclui não apenas uma plena exploração funcional da
língua, mas também o acesso à sua mais alta representação,
que está na literatura?
(Juvenal Mesquita, inédito)
NÃO se encontra índice dessa relação apenas neste segmento:
àquilo que não tem voz, quando dá um nome àquilo que ainda
não tem um nome, e especialmente àquilo que a linguagem política
exclui ou tenta excluir. Refiro-me, pois, aos aspectos, situações,
linguagens tanto do mundo exterior como do mundo
interior; às tendências reprimidas no indivíduo e na sociedade.
A literatura é como um ouvido que pode escutar além daquela
linguagem que a política entende; é como um olho que pode ver
além da escala cromática que a política percebe. Ao escritor,
precisamente por causa do individualismo solitário do seu trabalho,
pode acontecer explorar regiões que ninguém explorou
antes, dentro ou fora de si; fazer descobertas que cedo ou tarde
resultarão em campos essenciais para a consciência coletiva.
Essa ainda é uma utilidade muito indireta, não intencional,
casual. O escritor segue o seu caminho, e o acaso ou as
determinações sociais e psicológicas levam-no a descobrir alguma
coisa que pode se tornar importante também para a ação
política e social.
Mas há também, acredito eu, outro tipo de influência,
não sei se mais direta, mas decerto mais intencional por parte
da literatura, isto é, a capacidade de impor modelos de linguagem,
de visão, de imaginação, de trabalho mental, de correlação
dos fatos, em suma, a criação (e por criação entendo
organização e escolha) daquele gênero de valores modelares
que são a um tempo estéticos e éticos, essenciais em todo
projeto de ação, especialmente na vida política.
Se outrora a literatura era vista como espelho do mundo,
ou como uma expressão direta dos sentimentos, agora nós não
conseguimos mais esquecer que os livros são feitos de palavras,
de signos, de procedimentos de construção; não podemos
esquecer que o que os livros comunicam por vezes permanece
inconsciente para o próprio autor, que em todo livro há uma
parte que é do autor e uma parte que é obra anônima e coletiva.
(Adaptado de Ítalo Calvino, Assunto encerrado)
àquilo que não tem voz, quando dá um nome àquilo que ainda
não tem um nome, e especialmente àquilo que a linguagem política
exclui ou tenta excluir. Refiro-me, pois, aos aspectos, situações,
linguagens tanto do mundo exterior como do mundo
interior; às tendências reprimidas no indivíduo e na sociedade.
A literatura é como um ouvido que pode escutar além daquela
linguagem que a política entende; é como um olho que pode ver
além da escala cromática que a política percebe. Ao escritor,
precisamente por causa do individualismo solitário do seu trabalho,
pode acontecer explorar regiões que ninguém explorou
antes, dentro ou fora de si; fazer descobertas que cedo ou tarde
resultarão em campos essenciais para a consciência coletiva.
Essa ainda é uma utilidade muito indireta, não intencional,
casual. O escritor segue o seu caminho, e o acaso ou as
determinações sociais e psicológicas levam-no a descobrir alguma
coisa que pode se tornar importante também para a ação
política e social.
Mas há também, acredito eu, outro tipo de influência,
não sei se mais direta, mas decerto mais intencional por parte
da literatura, isto é, a capacidade de impor modelos de linguagem,
de visão, de imaginação, de trabalho mental, de correlação
dos fatos, em suma, a criação (e por criação entendo
organização e escolha) daquele gênero de valores modelares
que são a um tempo estéticos e éticos, essenciais em todo
projeto de ação, especialmente na vida política.
Se outrora a literatura era vista como espelho do mundo,
ou como uma expressão direta dos sentimentos, agora nós não
conseguimos mais esquecer que os livros são feitos de palavras,
de signos, de procedimentos de construção; não podemos
esquecer que o que os livros comunicam por vezes permanece
inconsciente para o próprio autor, que em todo livro há uma
parte que é do autor e uma parte que é obra anônima e coletiva.
(Adaptado de Ítalo Calvino, Assunto encerrado)
I. No 1º parágrafo, Calvino mostra que a solidão do indivíduo criador não representa entrave, antes é propícia para descobertas pessoais que poderão produzir uma ressonância coletiva.
II. No 2º parágrafo, o autor defende a ideia de que a beleza de uma obra literária é quase sempre alcançada sem o concurso da vontade de seu criador.
III. No 3º e no 4º parágrafos, o autor compara dois modos históricos de se conceber a literatura e conclui que a visão mais antiga era menos ingênua que a de agora.
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em
àquilo que não tem voz, quando dá um nome àquilo que ainda
não tem um nome, e especialmente àquilo que a linguagem política
exclui ou tenta excluir. Refiro-me, pois, aos aspectos, situações,
linguagens tanto do mundo exterior como do mundo
interior; às tendências reprimidas no indivíduo e na sociedade.
A literatura é como um ouvido que pode escutar além daquela
linguagem que a política entende; é como um olho que pode ver
além da escala cromática que a política percebe. Ao escritor,
precisamente por causa do individualismo solitário do seu trabalho,
pode acontecer explorar regiões que ninguém explorou
antes, dentro ou fora de si; fazer descobertas que cedo ou tarde
resultarão em campos essenciais para a consciência coletiva.
Essa ainda é uma utilidade muito indireta, não intencional,
casual. O escritor segue o seu caminho, e o acaso ou as
determinações sociais e psicológicas levam-no a descobrir alguma
coisa que pode se tornar importante também para a ação
política e social.
Mas há também, acredito eu, outro tipo de influência,
não sei se mais direta, mas decerto mais intencional por parte
da literatura, isto é, a capacidade de impor modelos de linguagem,
de visão, de imaginação, de trabalho mental, de correlação
dos fatos, em suma, a criação (e por criação entendo
organização e escolha) daquele gênero de valores modelares
que são a um tempo estéticos e éticos, essenciais em todo
projeto de ação, especialmente na vida política.
Se outrora a literatura era vista como espelho do mundo,
ou como uma expressão direta dos sentimentos, agora nós não
conseguimos mais esquecer que os livros são feitos de palavras,
de signos, de procedimentos de construção; não podemos
esquecer que o que os livros comunicam por vezes permanece
inconsciente para o próprio autor, que em todo livro há uma
parte que é do autor e uma parte que é obra anônima e coletiva.
(Adaptado de Ítalo Calvino, Assunto encerrado)
E é verdade, como sua avó sempre lhe dizia, que a prática realmente faz a perfeição. Mas não só a prática desordeira, ao acaso. O domínio de uma área, a mestria, decorre do que Ericsson denomina "prática deliberada", o que significa mais que tocar ao piano a escala de C menor 100 vezes ou treinar saques de tênis até deslocar o ombro. A prática deliberada tem três componentes básicos: definição de objetivos específicos, obtenção de feedback imediato e concentração tanto em técnicas quanto em resultados.
As pessoas que se tornam excelentes em determinada área nem sempre são as mesmas que parecem "superdotadas" quando crianças ou jovens. Isso sugere que, quando se trata de escolher o que fazer na vida, as pessoas devem fazer o que amam - sim, sua avó também lhe disse isso - porque, se você não amar o que faz, dificilmente se empenhará o suficiente para ser bom no que faz.
LEVITT, Steven D.; DUBNER, Stephen J. Super Freakonomics. O lado oculto do dia a dia. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, p. 56-57. (adaptado)
( ) "Talento natural" e "talento bruto" estão sendo usados com o mesmo sentido.
( ) As pesquisas de Ericsson demonstram que não há nada que supere o talento natural.
( ) Geralmente é preciso esforço e dedicação para que a pessoa alcance um desempenho excelente em alguma atividade.
( ) Ao dizer que a "prática deliberada" mencionada por Ericsson "significa mais que tocar ao piano [.] ou treinar [.] até deslocar o ombro" (sublinhado no texto), o autor não descarta estas últimas atividades, apenas diz que elas não são suficientes para o domínio de uma área.
( ) O autor contrapõe a prática ametódica ao que Ericsson denomina " prática deliberada", que seria uma prática planejada.
( ) O autor refere-se à sua própria avó, nos dois últimos parágrafos do texto.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


