Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Leia o texto abaixo e responda a questão:
COGITO
(Torquato Neto)
eu sou como eu sou pronome
pessoal intransferível do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.
Disponível em https://www.ouvirmusica.com.br/torquato-neto/387439/ Acesso em 31
dez. 2019.
Leia o texto abaixo e responda a questão:
COGITO
(Torquato Neto)
eu sou como eu sou pronome
pessoal intransferível do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.
Disponível em https://www.ouvirmusica.com.br/torquato-neto/387439/ Acesso em 31
dez. 2019.
Leia o texto para responder à questão.
Não se precisa ser um Matusalém1 para saber que houve um tempo em que nesta heroica e leal cidade todos nós nos conhecíamos. Dizíamos adeusinho uns para os outros, de calçada para calçada; às vezes até recomendávamos com muito carinho: “Vá pela sombra! Deus o acompanhe! Vá devagarinho: olhe que devagar se vai ao longe! Quem corre cansa, quem espera sempre alcança!...” Como era bonito o Rio, naquele tempo! Até parecia a Ilha do Nanja!
Creio, sim, que todos se conheciam naquele tempo: de modo que já se sabia quem era ladrão ou bêbedo. E não havia outros defeitos, além desses. Falava-se de “ladrão de casaca”, um tipo de fazer sonhar as crianças, de se incorporar ao Folclore ou à Mitologia, ao lado de Mefistófeles, Barba Azul, o Saci Pererê... enfim, entidades simbólicas mas inverossímeis. Todos se conheciam e tomavam as devidas precauções, como em geral se faz, quando se conhece alguém. Mas hoje?... Como vamos conhecer todos os nossos concidadãos? São filas e filas... – para o bonde, para o ônibus, para o refresco, para os remédios, para o cinema, para o circo e então para o teatro nem se fala.
(Cecília Meireles, “Aberrações do Número”. Escolha o seu Sonho. Adaptado)
1 Patriarca bíblico conhecido por ser o homem de mais longevidade de
toda a Bíblia, pois teria vivido 969 anos.
Leia o texto para responder à questão.
Não se precisa ser um Matusalém1 para saber que houve um tempo em que nesta heroica e leal cidade todos nós nos conhecíamos. Dizíamos adeusinho uns para os outros, de calçada para calçada; às vezes até recomendávamos com muito carinho: “Vá pela sombra! Deus o acompanhe! Vá devagarinho: olhe que devagar se vai ao longe! Quem corre cansa, quem espera sempre alcança!...” Como era bonito o Rio, naquele tempo! Até parecia a Ilha do Nanja!
Creio, sim, que todos se conheciam naquele tempo: de modo que já se sabia quem era ladrão ou bêbedo. E não havia outros defeitos, além desses. Falava-se de “ladrão de casaca”, um tipo de fazer sonhar as crianças, de se incorporar ao Folclore ou à Mitologia, ao lado de Mefistófeles, Barba Azul, o Saci Pererê... enfim, entidades simbólicas mas inverossímeis. Todos se conheciam e tomavam as devidas precauções, como em geral se faz, quando se conhece alguém. Mas hoje?... Como vamos conhecer todos os nossos concidadãos? São filas e filas... – para o bonde, para o ônibus, para o refresco, para os remédios, para o cinema, para o circo e então para o teatro nem se fala.
(Cecília Meireles, “Aberrações do Número”. Escolha o seu Sonho. Adaptado)
1 Patriarca bíblico conhecido por ser o homem de mais longevidade de
toda a Bíblia, pois teria vivido 969 anos.
Leia o texto para responder à questão.
Uma crise sem precedentes exige respostas sem precedentes. O papa Francisco afirmou “que este talvez seja o tempo de considerar uma renda mínima universal”. Programas como o Bolsa Família, por mais imperfeitos que sejam, podem servir de modelo a muitos países. Uma dúzia de nações está experimentando algo do gênero. A Espanha caminha para implementar um programa permanente para os mais pobres, e mesmo os EUA estão distribuindo cheques de US$ 1.200 aos mais vulneráveis. “Se os países pobres devem visar uma renda mínima universal além da crise é uma questão em aberto”, disse em editorial o jornal Financial Times. “Implementá-la temporariamente dará informações úteis para fazer a escolha depois. Mas, acima de tudo, os governos devem aos seus cidadãos mais pobres um salva-vidas incondicional já.” A comunidade internacional deveria pensar de maneira análoga em relação aos seus membros mais pobres. A verdade é que, na crise, não estamos “todos juntos”, mas, se indivíduos, organizações e governos seguirem a máxima moral – “aja como se estivéssemos todos juntos” –, talvez saiam dela menos separados.
(https://opiniao.estadao.com.br, 11.05.2020. Adaptado)
• “Se os países pobres devem visar uma renda mínima universal além da crise é uma questão em aberto”... • A comunidade internacional deveria pensar de maneira análoga em relação aos seus membros mais pobres. • ... se indivíduos, organizações e governos seguirem a máxima moral...
Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Leia o texto para responder à questão.
Uma crise sem precedentes exige respostas sem precedentes. O papa Francisco afirmou “que este talvez seja o tempo de considerar uma renda mínima universal”. Programas como o Bolsa Família, por mais imperfeitos que sejam, podem servir de modelo a muitos países. Uma dúzia de nações está experimentando algo do gênero. A Espanha caminha para implementar um programa permanente para os mais pobres, e mesmo os EUA estão distribuindo cheques de US$ 1.200 aos mais vulneráveis. “Se os países pobres devem visar uma renda mínima universal além da crise é uma questão em aberto”, disse em editorial o jornal Financial Times. “Implementá-la temporariamente dará informações úteis para fazer a escolha depois. Mas, acima de tudo, os governos devem aos seus cidadãos mais pobres um salva-vidas incondicional já.” A comunidade internacional deveria pensar de maneira análoga em relação aos seus membros mais pobres. A verdade é que, na crise, não estamos “todos juntos”, mas, se indivíduos, organizações e governos seguirem a máxima moral – “aja como se estivéssemos todos juntos” –, talvez saiam dela menos separados.
(https://opiniao.estadao.com.br, 11.05.2020. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Uma crise sem precedentes exige respostas sem precedentes. O papa Francisco afirmou “que este talvez seja o tempo de considerar uma renda mínima universal”. Programas como o Bolsa Família, por mais imperfeitos que sejam, podem servir de modelo a muitos países. Uma dúzia de nações está experimentando algo do gênero. A Espanha caminha para implementar um programa permanente para os mais pobres, e mesmo os EUA estão distribuindo cheques de US$ 1.200 aos mais vulneráveis. “Se os países pobres devem visar uma renda mínima universal além da crise é uma questão em aberto”, disse em editorial o jornal Financial Times. “Implementá-la temporariamente dará informações úteis para fazer a escolha depois. Mas, acima de tudo, os governos devem aos seus cidadãos mais pobres um salva-vidas incondicional já.” A comunidade internacional deveria pensar de maneira análoga em relação aos seus membros mais pobres. A verdade é que, na crise, não estamos “todos juntos”, mas, se indivíduos, organizações e governos seguirem a máxima moral – “aja como se estivéssemos todos juntos” –, talvez saiam dela menos separados.
(https://opiniao.estadao.com.br, 11.05.2020. Adaptado)
Leia o texto abaixo e responda o que se pede na questão.
Números e delongas
Há quem acredite que os números são eloquentes e prescindem de mais delongas. Esta é uma edição de números eloquentes. Como você verá, porém, o que está por trás deles é o que impressiona. Comecemos pela reportagem de capa. O tema é um país de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas – o mais populoso do planeta – cuja economia cresce espantosos dez pontos percentuais ao ano. Por trás desses números, é evidente, há uma revolução em andamento, uma imensa e abrangente revolução que abala a rotina, o pensamento e a tradição da misteriosa China [...].
Fonte: Ronny Hein. Diretor de Redação. Caminhos da Terra, ano 14, nº 165, p.4, jan.2006.
Dado o enunciado “Como você verá, o que está por trás deles é o que impressiona”, avalie as explicações quanto à sua estrutura, assinalando (V) para verdadeiro e (F) para Falso.
( ) Aexpressão linguística “Como você verá” implica a participação cooperativa do leitor nas intenções pretendidas pelo autor.
( ) Em “o que está por trás deles”, o pronome “eles” retoma o termo “números” num processo de coesão anafórico.
( ) Aexpressão “o que impressiona” pode ser substituído sem alterar o sentido pelo termo “impressionante”.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
Leia o texto abaixo e responda o que se pede na questão.
Números e delongas
Há quem acredite que os números são eloquentes e prescindem de mais delongas. Esta é uma edição de números eloquentes. Como você verá, porém, o que está por trás deles é o que impressiona. Comecemos pela reportagem de capa. O tema é um país de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas – o mais populoso do planeta – cuja economia cresce espantosos dez pontos percentuais ao ano. Por trás desses números, é evidente, há uma revolução em andamento, uma imensa e abrangente revolução que abala a rotina, o pensamento e a tradição da misteriosa China [...].
Fonte: Ronny Hein. Diretor de Redação. Caminhos da Terra, ano 14, nº 165, p.4, jan.2006.
Analise as proposições e, logo após, marque a alternativa CORRETA.
I- Vemos que os numerais podem desempenhar uma importante função persuasiva.
II- O excerto do texto enreda o leitor, a partir do título, dando aos numerais o papel central na busca do convencimento.
III- No primeiro enunciado, o autor consegue se isentar da assertiva exposta, usando um verbo impessoal.
Leia o texto abaixo, de modo a responder à questão.
A invenção do horizonte
Deu-me uma angústia danada a notícia de que, num futuro próximo, muito próximo, teremos toda a literatura do mundo na tela do computador. Angústia duplicada. Primeiro, pela minha intolerância figadal a esta maquinazinha dos infernos. Segundo, pela suspeita de desaparecimento dos livros, esses calhamaços impressos, cheirando a novo ou a mofo, roído pelo uso ou pelas traças, mas que são uma gostosura viajá-los pelas trilhas das letras como quem explora um mundo mágico, tanto mais novo quanto mais andado.
Sem o gozo de um livro nas mãos, fico cego, surdo e mudo, fico aleijado, penso, torto, despovoado. Espiá-los enfileirados nas estantes, gordos e magros, novos e velhos, empaletozados e esfarrapados, cobertos de pó e de teias de aranha, essa visão me transporta para todos os mundos e para todas as idades [...].
As minhas mãos ficariam nuas e inúteis quando não pudessem mais sustentar um livro, que não fosse pela velhice dos dedos. Mesmo assim, eles estariam por ali, nas prateleiras, amontoados na mesa, espalhados pelo chão, sempre comungando com o meu tempo, meu espaço, minha vida. Eles são a expressão digital da minha alma [...].
Um livro não é um simples objeto, um amontoado de folhas impressas. Vai mais longe, intangivelmente longe. É corrimão, é degrau, é escada, é caminho, é horizonte. Por mais que sonhe a tecnologia, jamais será capaz de inventar um horizonte.
(MARACAJÁ, Robério. Cerca de Varas. Campina Grande: Latus, 2014, p. 57.
Analise as proposições a seguir, sobre a construção do enunciado “Eles são a expressão digital da minha alma”:
I- A construção discursiva é metafórica, porque há um novo sentido no enunciado, que não lhe é comum ou próprio, resultante de uma intersecção entre dois termos.
II- O pronome pessoal “Eles” assume uma função sintática e, ao mesmo tempo, uma função referencial.
III- Aconstrução linguística apresenta um predicado verbal por ser formada com um verbo significativo que é núcleo do predicado.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Leia o texto abaixo, de modo a responder à questão.
A invenção do horizonte
Deu-me uma angústia danada a notícia de que, num futuro próximo, muito próximo, teremos toda a literatura do mundo na tela do computador. Angústia duplicada. Primeiro, pela minha intolerância figadal a esta maquinazinha dos infernos. Segundo, pela suspeita de desaparecimento dos livros, esses calhamaços impressos, cheirando a novo ou a mofo, roído pelo uso ou pelas traças, mas que são uma gostosura viajá-los pelas trilhas das letras como quem explora um mundo mágico, tanto mais novo quanto mais andado.
Sem o gozo de um livro nas mãos, fico cego, surdo e mudo, fico aleijado, penso, torto, despovoado. Espiá-los enfileirados nas estantes, gordos e magros, novos e velhos, empaletozados e esfarrapados, cobertos de pó e de teias de aranha, essa visão me transporta para todos os mundos e para todas as idades [...].
As minhas mãos ficariam nuas e inúteis quando não pudessem mais sustentar um livro, que não fosse pela velhice dos dedos. Mesmo assim, eles estariam por ali, nas prateleiras, amontoados na mesa, espalhados pelo chão, sempre comungando com o meu tempo, meu espaço, minha vida. Eles são a expressão digital da minha alma [...].
Um livro não é um simples objeto, um amontoado de folhas impressas. Vai mais longe, intangivelmente longe. É corrimão, é degrau, é escada, é caminho, é horizonte. Por mais que sonhe a tecnologia, jamais será capaz de inventar um horizonte.
(MARACAJÁ, Robério. Cerca de Varas. Campina Grande: Latus, 2014, p. 57.
Leia o texto abaixo, de modo a responder à questão.
A invenção do horizonte
Deu-me uma angústia danada a notícia de que, num futuro próximo, muito próximo, teremos toda a literatura do mundo na tela do computador. Angústia duplicada. Primeiro, pela minha intolerância figadal a esta maquinazinha dos infernos. Segundo, pela suspeita de desaparecimento dos livros, esses calhamaços impressos, cheirando a novo ou a mofo, roído pelo uso ou pelas traças, mas que são uma gostosura viajá-los pelas trilhas das letras como quem explora um mundo mágico, tanto mais novo quanto mais andado.
Sem o gozo de um livro nas mãos, fico cego, surdo e mudo, fico aleijado, penso, torto, despovoado. Espiá-los enfileirados nas estantes, gordos e magros, novos e velhos, empaletozados e esfarrapados, cobertos de pó e de teias de aranha, essa visão me transporta para todos os mundos e para todas as idades [...].
As minhas mãos ficariam nuas e inúteis quando não pudessem mais sustentar um livro, que não fosse pela velhice dos dedos. Mesmo assim, eles estariam por ali, nas prateleiras, amontoados na mesa, espalhados pelo chão, sempre comungando com o meu tempo, meu espaço, minha vida. Eles são a expressão digital da minha alma [...].
Um livro não é um simples objeto, um amontoado de folhas impressas. Vai mais longe, intangivelmente longe. É corrimão, é degrau, é escada, é caminho, é horizonte. Por mais que sonhe a tecnologia, jamais será capaz de inventar um horizonte.
(MARACAJÁ, Robério. Cerca de Varas. Campina Grande: Latus, 2014, p. 57.
Analise as proposições a seguir e coloque (V) para verdadeiro e (F) para Falso.
( ) O texto expressa a sensibilidade extrema de um escritor e a luminosa percepção do real sobre um tema marcadamente pessoal.
( ) O autor se insurge contra a irreversível chegada do progresso tecnológico, que rivaliza com o cultivo da experiência humana.
( ) O processo de produção escrita do autor se estabelece ancorado numa percepção de uma implacável passagem do tempo e as implicações dela decorrentes.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
Analise as proposições sobre o poema a seguir, de Patativa do Assaré.
“Avida aqui é assim” de Patativa do Assaré.
Aquele povo que veve
Nas rua da capitá,
Não sabe o quanto padece
Os trabaiadô de cá.
Esse povo da cidade,
Que só veve de vaidade
Nunca foi agricurtô,
Uma roça não conhece,
Não sabe o quanto padece
O povo do interior.
Fonte: ASSARÉ, Patativa. Cante lá que eu canto cá. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 81.
I- Aestrofe expressa a riqueza poética transmitida em linguagem popular.
II- O poeta procura alcançar a alma do povo e a identificação de seu código de valores.
III- Aestrofe resume uma visão de mundo que o sertanejo intui dividido entre a cidade e o campo.
A alternativa CORRETA é:
Toda produção escrita apresenta fatores de contextualização que ancoram o texto em uma situação comunicativa. Feita a leitura do texto abaixo responda a questão.
O tom da velhice
Pardais são como cantores profissionais: Também têm momentos de auge e declínio em suas carreiras. Entre pássaros, é comum que o canto de um macho invasor sirva como alerta de perigo. Só que pardais mais velhos colocam menos banca usando o gogó que os mais novos. Cientistas descobriram isso, colocando trinta e cinco pardais para ouvir sons de rivais com dois ou dez anos de idade. As cobaias se mostraram preocupadas com ruídos dos jovens, se aproximando desta fonte sonora para investigá-los. Avoz dos anciões, porém, não gerou a mesma comoção. O próximo passo é descobrir se ter um tom idoso afeta o match com as fêmeas.
Fonte: Sessão Fatos. Revista Superinteressante. Edição 412, fevereiro/2020, pag. 14.
Com relação ao tipo de registro empregado no enunciado “Só que pardais mais velhos colocam menos banca, usando o gogó que os mais novos”, é CORRETO afirmar:
I- Aelaboração linguística do enunciado apresenta um registro formal, empregando termos, exclusivos da variedade culta.
II- O enunciado foi construído com a utilização de termos coloquiais, para facilitar a compreensão do leitor.
III- O texto é da esfera jornalistica, sendo necessária uma linguagem objetiva, clara e precisa.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Leia atentamente o texto abaixo, extraído do jornal O TEMPO - 16/02/20, de modo a responder à questão.
O PESO DO MOSQUITO (LAURA MEDIOLE)
"Convidei meu vizinho para fazer um mutirão da limpeza em seu quintal, e ele só me enrola. Já denunciei, e nada. Ele só aparece a cada 15 dias. Mato e entulho tomaram conta de tudo.”
“Por que o jornal não vem filmar o criadouro dos mosquitos aqui, no vizinho? As calhas da sua casa estão todas entupidas, e a água da chuva desce em cima do muro, que vai cair a qualquer momento. Já denunciei aí no jornal a proliferação do mosquito da dengue, e ninguém faz nada...”
Pois é; as internautas têm razão, é o fim da picada!!! Ou melhor, o início, quando os vizinhos ignoram um dos maiores problemas enfrentados pela população nos últimos anos. Impressionante a falta de consciência (ou de vergonha na cara mesmo) dessas pessoas (felizmente, uma minoria), que põem em risco a saúde e até a vida dos moradores.
Custa dar uma olhada nos seus quintais? Não entendem que uma simples tampinha de Coca-Cola com água pode vir a ser um criadouro de larvas do Aedes aegypti? Que, ao crescerem, viram mosquitos capazes de causar danos enormes às pessoas? Quem já teve dengue sabe disso. [...] Como se não bastasse a incapacidade de reação, correm o risco de sofrer a dengue hemorrágica, que pode ser fatal.
Explico isso em pormenores acreditando que algum leitor menos esclarecido, que ainda não se deu conta da situação, se atente ao problema. E, antes de fazer pouco-caso das campanhas, mutirões ou pedidos dos vizinhos, pense nisso, pense num filho seu acometido pela doença. Se para um adulto já é pesado, imagina para uma criança?
Pesquisas confirmam que 80% dos focos são residenciais. Ou seja, estão no lixo acumulado nos quintais, na latinha com água de chuva, na calha entupida, e por aí vai. Como exemplo da irresponsabilidade, cito as caixas-d’água. O fiscal chega na casa, vasculha o terreno minuciosamente, explica os riscos, deixa um panfleto sobre o tema, notifica quando necessário e, para finalizar, pergunta sobre a caixa-d’água. O morador, já sem muita paciência com aquela “invasão domiciliar”, diz que a caixa está ok, que se encontra fechada. O fiscal sai, e entra o drone, que, do alto, mostra que aquela caixa-d’água, além de não ter tampa, é um criadouro de mosquitos.
Há vários meses a Prefeitura de Betim (cito ela porque é a que estou mais próxima) vem fazendo campanhas e mutirões de casa em casa, envolvendo escolas, pais de alunos, moradores de modo geral, além de um trabalho intensivo de capina e retirada de lixo e entulhos, espalhados pela população. [...]
Vejo que, além do lixo, temos aí um problema educacional. Talvez o país ainda demore décadas para
que a população se conscientize disso. [...] Em cada regional há um local destinado aos entulhos, o que
muitos caminhões clandestinos, vindos até de cidades vizinhas, ignoram. Mesmo com o risco de serem
multados, na calada da noite, continuam descarregando materiais nas calçadas ou em locais indevidos,
apesar de a prefeitura disponibilizar caçambas próprias para isso, distribuídas em pontos estratégicos da
cidade. Nas escolas, as crianças desde cedo são conscientizadas sobre a importância da reciclagem. E,
numa espécie de gincana ecológica, envolvendo também os pais, elas cumprem o que lhes é ensinado.
Um trabalho de formiguinha, até chegar o dia em que não serão mais necessários fiscais e tantos outros
custos para o município, que poderiam ser evitados. Até chegar o dia em que não morrerão mais pessoas
de dengue.
Nos fragmentos textuais abaixo, estão em destaque expressões a partir das quais depreendemos o posicionamento do autor do texto. Trata-se de pistas reveladoras da autoria (ou marcas de subjetividade).
I- “Pois é (1); as internautas têm razão, é o fim da picada!!! Ou melhor (2), o início, quando os vizinhos ignoram um dos maiores problemas enfrentados pela população nos últimos anos.”
II- “Impressionante a falta de consciência (ou de vergonha na cara mesmo) (3) dessas pessoas (felizmente (4), uma minoria), que põem em risco a saúde e até a vida dos moradores.”
III- “[...] Vejo que, além do lixo, temos aí um problema educacional. Talvez (5) o país ainda demore décadas para que a população se conscientize disso. [...] Em cada regional há um local destinado aos entulhos, o que muitos caminhões clandestinos, vindos até de cidades vizinhas, ignoram.”
As marcas sinalizadas expressam, respectivamente:
Quem inventou a aviação? No Brasil, sabemos que foi Santos Dumont. No resto do mundo, o consenso vai para os irmãos Wright. Na verdade, o que esses e outros pioneiros fizeram no início do século 20 foi construir máquinas caras e praticamente inúteis, que só voavam alguns metros. Provaram, porém, que voar era possível.
A aviação veio depois, e nisso os Wright tinham duas grandes vantagens: espírito empresarial e indústria nacional capaz de realizar seus planos.
Outro “voo de galinha”, que pode ter consequências ainda mais revolucionárias, foi divulgado na revista Nature: a Google anunciou ter usado um computador quântico para fazer em 3 minutos e 20 segundos um cálculo que o supercomputador mais rápido do mundo levaria 10 mil anos para fazer.
O problema que esse computador tratou — identificação de padrões em sequências de números aleatórios — não tem grande interesse prático. A IBM, competidora da Google, apressou-se em afirmar que computadores clássicos poderiam resolvê-lo em apenas 2,5 dias (mas não ofereceu fazê-lo....).
O computador da Google custou milhões de dólares e é praticamente inútil. Seu mérito foi provar que é possível.
Computação quântica é uma das ideias mais fascinantes da ciência desde os anos 1980, quando foi proposta por Paul Benioff e outros cientistas. Computadores clássicos guardam e processam informação na forma de bits, unidades minúsculas capazes de assumir apenas dois estados: 0 ou 1. Computadores quânticos tiram proveito das propriedades bizarras da matéria descritas pela mecânica quântica para realizar cálculos de modo muito diferente.
Uma dessas propriedades é a “superposição”: as unidades básicas dos computadores quânticos, chamadas qubits, podem assumir os dois estados, 0 e 1, ao mesmo tempo! Isto lhes confere uma capacidade extraordinária para armazenar e processar informação.
Uma dessas propriedades é a “superposição”: as unidades básicas dos computadores quânticos, chamadas qubits, podem assumir os dois estados, 0 e 1, ao mesmo tempo! Isto lhes confere uma capacidade extraordinária para armazenar e processar informação. Outra propriedade, ainda mais estranha, é o "emaranhamento": bits clássicos podem ser modificados independenetemente uns dos outros, mas os qubits estão ligados de tal modo que ações sobre qualquer deles afetam todos os outros. Isso acelera os cálculos de maneira vertiginosa.
Essas ideias foram desenvolvidas ao longo do século 20 por gerações de cientistas cujo único objetivo era entender a natureza: é mais um exemplo de pesquisa “inútil”, mudando profundamente o nosso mundo.
VIANA, Marcelo Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2019/11/o-1o-voo-da-computacao-quantica.shtml Acesso em: 22 jan. 2020.
Com base no texto, assinale a alternativa INCORRETA.
Veja as expressões:
“O sol tá queimando mais atualmente”
“Dizem que é o tal buraco da camada de ozônio”
Com base na tirinha acima assinale a alternativa correta:

Disponível em: https://saude.abril.com.br/medicina/vacina-gripe-2020/ . Acesso em 06/03/2020.