Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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De acordo com Hirschman, não atentar às necessidades de seu público fará com que ele procure alternativas: a competição no caso de firmas e a oposição no caso de governos. Segundo o autor, escutar seu público e levar em conta suas considerações garantiria a qualidade no serviço prestado, o que, por sua vez, criaria lealdade para com a organização ofertante. Por trás desse estudo, está a ideia de que um governo e uma firma possam, em certa medida, funcionar da mesma maneira. Ainda que isso seja em parte possível, tal fato não torna o cidadão um consumidor, muito pelo contrário.
Vejamos. Se um bem público fosse um bem de consumo, ele poderia ter seu acesso controlado pelo preço, regulado por oferta e demanda. Bens públicos são públicos justamente porque são bens não rivais e não possuem paralelo de possibilidade de oferta, ou são essenciais e seu provisionamento em quantidade, qualidade e tempo hábil desafia a lógica empresarial e de mercado.
Em saneamento, por exemplo, limitar sua oferta implica incremento de doenças e aumento de custos com saúde pública. E a alternativa, não gastar com isso, é a morte. Portanto, não se trata de condições normais de mercado, mas de investimento social, de sua obrigatoriedade. Isso posto, é natural perguntar se não seria necessário garantir o direito de cidadania antes do de consumo.
É importante ter em mente que o cidadão não é — e jamais será — um consumidor, mas, sim, um beneficiário. Bem público não é bem de consumo, mas direito político pleno de acesso e usufruto. Entretanto, isso não significa que não se deva procurar eficiência e rentabilidade na economia do setor público. Tampouco implica abandonar pleitos por qualidade. Mas resulta em perceber que a qualidade está subscrita ao direito de acesso e usufruto, e não à possibilidade de seu consumo.
Julgue o item subsequente, relativo às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior.
De acordo com Hirschman, não atentar às necessidades de seu público fará com que ele procure alternativas: a competição no caso de firmas e a oposição no caso de governos. Segundo o autor, escutar seu público e levar em conta suas considerações garantiria a qualidade no serviço prestado, o que, por sua vez, criaria lealdade para com a organização ofertante. Por trás desse estudo, está a ideia de que um governo e uma firma possam, em certa medida, funcionar da mesma maneira. Ainda que isso seja em parte possível, tal fato não torna o cidadão um consumidor, muito pelo contrário.
Vejamos. Se um bem público fosse um bem de consumo, ele poderia ter seu acesso controlado pelo preço, regulado por oferta e demanda. Bens públicos são públicos justamente porque são bens não rivais e não possuem paralelo de possibilidade de oferta, ou são essenciais e seu provisionamento em quantidade, qualidade e tempo hábil desafia a lógica empresarial e de mercado.
Em saneamento, por exemplo, limitar sua oferta implica incremento de doenças e aumento de custos com saúde pública. E a alternativa, não gastar com isso, é a morte. Portanto, não se trata de condições normais de mercado, mas de investimento social, de sua obrigatoriedade. Isso posto, é natural perguntar se não seria necessário garantir o direito de cidadania antes do de consumo.
É importante ter em mente que o cidadão não é — e jamais será — um consumidor, mas, sim, um beneficiário. Bem público não é bem de consumo, mas direito político pleno de acesso e usufruto. Entretanto, isso não significa que não se deva procurar eficiência e rentabilidade na economia do setor público. Tampouco implica abandonar pleitos por qualidade. Mas resulta em perceber que a qualidade está subscrita ao direito de acesso e usufruto, e não à possibilidade de seu consumo.
Julgue o item subsequente, relativo às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior.
O mineiro Ícaro Miguel, de 24 anos, é o mais novo líder do ranking mundial da Federação Internacional de Taekwondo (Word Taekwondo), na categoria até 87 kg. A atualização de abril foi divulgada ontem (01/04/2020) no site da entidade. Ainda em clima de comemoração, o atleta descreveu a emoção ao se ver no topo do ranking, em uma postagem em rede social.
I. De acordo com o texto, Ícaro Miguel é o maior medalhista olímpico brasileiro nas modalidades de Judô e natação.
II. Ícaro Miguel é uma das principais promessas do Brasil no Taekwondo, mas esse status não lhe garante a presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, afirma o texto.
Marque a alternativa CORRETA:
Para compreendermos a questão da autoridade em nossos dias, devemos buscar na base histórica da formação de nossa sociedade contemporânea indícios que confirmam e influenciam as relações da nossa época atual, desde os primeiros indícios da sociedade Grega e, posteriormente, sua efetivação na vida pública/política no Império Romano, culminando na era cristã.
I. Segundo o texto, a visão de autoridade na sociedade romana esteve muito ligada à forte influência da cultura grega. Sendo assim, por estar intimamente ligada ao politeísmo, a questão da autoridade se limita à política.
II. O texto afirma que, devido à concepção de democracia surgida na Grécia, a autoridade, para os gregos, era constituída à base dos argumentos. Ou seja, quanto mais persuasivo o argumento, maiores as chances de sua validação pelo grupo, em diversas esferas, com única exceção para os períodos de guerra.
Marque a alternativa CORRETA:
No que se refere à sistemática de ensino de língua materna, pesquisas na área de linguagem revelam que, apesar da grande preocupação dos investigadores e de significativos avanços das teorias linguísticas, as práticas pedagógicas insistem no repasse de conteúdos gramaticais de forma fragmentada e descontextualizada, enfatizando-se um ensino burocratizante dos atos de ler, escrever e falar, que aposta numa concepção de linguagem enquanto sistema e de um ensino meramente prescritivo e metalinguístico.
I. As informações presentes no texto permitem inferir que o processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa necessita de análises e propostas pedagógicas que efetivamente insiram no contexto da sala de aula os saberes linguísticos advindos da ciência da linguagem, bem como os saberes didáticos e pedagógicos que favoreçam um aprendizado satisfatório.
II. Uma das ideias presentes no texto é a de que, devido à grande preocupação dos investigadores e de significativos avanços das teorias linguísticas, as práticas pedagógicas têm apostado cada vez mais numa concepção de linguagem enquanto sistema e de um ensino contextualizado, voltado para a análise crítica da realidade e o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e científicos.
III. Após a análise do texto, é possível concluir que a eficácia do processo de ensino e aprendizagem só ocorre na medida em que a formação dos profissionais acontece de forma bem fundamentada nos conhecimentos linguísticos e didáticos, como também estruturada a partir de um projeto políticopedagógico do curso de graduação.
Marque a alternativa CORRETA:
No que se refere à sistemática de ensino de língua materna, pesquisas na área de linguagem revelam que, apesar da grande preocupação dos investigadores e de significativos avanços das teorias linguísticas, as práticas pedagógicas insistem no repasse de conteúdos gramaticais de forma fragmentada e descontextualizada, enfatizando-se um ensino burocratizante dos atos de ler, escrever e falar, que aposta numa concepção de linguagem enquanto sistema e de um ensino meramente prescritivo e metalinguístico.
I. Após a análise do texto, é possível inferir que a escola precisa romper de modo radical com a tradição de um ensino burocratizante dos atos de ler, escrever e falar, que sobrevive insistentemente no ensino brasileiro. Assim, defende o texto, aos alunos deve ser dado o acesso apenas aos conhecimentos científicos, sem que sejam apresentados às possibilidades da sua língua materna.
II. As informações presentes no texto permitem concluir que a construção das práticas pedagógicas deve favorecer a adoção de uma concepção interacional da linguagem e a utilização de metodologias de ensino ajustadas a uma proposta de ensino que prima por um aprendizado significativo da língua.
III. O texto defende que a escola precisa acolher os conhecimentos linguísticos e didático-pedagógicos para favorecer um ensino produtivo que possa garantir aos estudantes um domínio efetivo das atividades linguageiras que se processam nos contextos sociointeracionais dos quais participam.
Marque a alternativa CORRETA:
No que se refere à sistemática de ensino de língua materna, pesquisas na área de linguagem revelam que, apesar da grande preocupação dos investigadores e de significativos avanços das teorias linguísticas, as práticas pedagógicas insistem no repasse de conteúdos gramaticais de forma fragmentada e descontextualizada, enfatizando-se um ensino burocratizante dos atos de ler, escrever e falar, que aposta numa concepção de linguagem enquanto sistema e de um ensino meramente prescritivo e metalinguístico.
I. O texto defende que o futuro professor precisa conscientizar-se de que deve dominar o aparato teórico para poder tomar decisões sobre sua prática, no que diz respeito ao planejamento das aulas, à seleção de atividades, ao gerenciamento da sala de aula e ao processo de avaliação.
II. O texto estimula o futuro professor a buscar saber o que é ensinar, o que é método de ensino, o que é língua, o que significa conhecer a Língua Portuguesa e por que ensiná-la a alunos brasileiros falantes dessa língua. Dessa forma, defende o texto, o professor poderá formar cidadãos mais qualificados para os desafios impostos pelo mercado de trabalho e mais preparados para terem uma posição ativa em um mundo rico em novas tecnologias.
III. O texto leva o leitor a inferir que pesquisas na área de linguagem revelam que as práticas pedagógicas de ensino de língua materna insistem no repasse de conteúdos gramaticais de forma fragmentada e descontextualizada, enfatizando-se um ensino burocratizante dos atos de escrever, falar e ler.
Marque a alternativa CORRETA:
Os gêneros textuais são “modelos” de textos que circulam socialmente e que estabelecem formas próprias de organização do discurso. São caracterizados pelo conteúdo temático, pelo estilo e pela construção composicional, que numa esfera de utilização apresentam tipos relativamente estáveis de enunciados, tais como o conto, o relato, o texto de opinião, a entrevista, o artigo, o resumo, a receita, a conta de luz, os manuais, entre outros. A escolha do gênero depende do contexto imediato e, consequentemente, da finalidade a que se destina, dos destinatários e do conteúdo.
I. As informações presentes no texto permitem concluir que a escolha do gênero textual depende de aspectos subjetivos do artista, dos seus interesses pessoais e dos seus sentimentos, em detrimento do contexto e dos destinatários da mensagem que ele deseja passar.
II. De acordo com as informações do texto, pode-se inferir que os gêneros textuais são entidades políticas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa. Nessa perspectiva, o texto defende a ideia de que escrever é uma forma de resistir à cultura dominante, ao consumismo e à degradação ambiental.
III. Após a análise do texto, é possível inferir que os gêneros textuais contribuem para que o aluno perceba a organização e os elementos de construção dos diferentes gêneros ou tipos textuais para que possa reconhecer a finalidade, as características e produzir textos, seja do tipo narrativo, descritivo, argumentativo ou expositivo, entre outros.
Marque a alternativa CORRETA:
Os gêneros textuais são “modelos” de textos que circulam socialmente e que estabelecem formas próprias de organização do discurso. São caracterizados pelo conteúdo temático, pelo estilo e pela construção composicional, que numa esfera de utilização apresentam tipos relativamente estáveis de enunciados, tais como o conto, o relato, o texto de opinião, a entrevista, o artigo, o resumo, a receita, a conta de luz, os manuais, entre outros. A escolha do gênero depende do contexto imediato e, consequentemente, da finalidade a que se destina, dos destinatários e do conteúdo.
I. O texto leva o leitor a entender que, no ambiente escolar, o trabalho com a diversidade de gêneros textuais possibilita o confronto de diferentes discursos sobre a mesma temática e ainda permite uma metodologia interdisciplinar com atenção especial para o funcionamento da língua e para as atividades culturais e sociais.
II. O texto leva o leitor a concluir que, nas práticas comunicativas, os indivíduos fazem uso de inúmeros gêneros textuais, sempre com o objetivo de tonar a mensagem mais clara, abstrata, imediata e intrincada. Assim, afirma o texto, ao escolher um gênero literário, o escritor está fazendo uma escolha política.
III. Uma das ideias presentes no texto é a de que os gêneros textuais são “modelos” de textos que circulam socialmente e que estabelecem formas próprias de organização do discurso. De acordo com o texto, eles são caracterizados pelo conteúdo temático, pelo estilo e pela construção composicional, que, numa esfera de utilização, apresentam tipos relativamente estáveis de enunciados.
Marque a alternativa CORRETA:
Os gêneros textuais são “modelos” de textos que circulam socialmente e que estabelecem formas próprias de organização do discurso. São caracterizados pelo conteúdo temático, pelo estilo e pela construção composicional, que numa esfera de utilização apresentam tipos relativamente estáveis de enunciados, tais como o conto, o relato, o texto de opinião, a entrevista, o artigo, o resumo, a receita, a conta de luz, os manuais, entre outros. A escolha do gênero depende do contexto imediato e, consequentemente, da finalidade a que se destina, dos destinatários e do conteúdo.
I. As informações presentes no texto permitem inferir que os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. São fruto de trabalho coletivo e contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia a dia.
II. O texto apresenta alguns exemplos de gêneros textuais, tais como o diálogo face a face, o bilhete, a carta (pessoal, comercial etc.), a receita culinária, o horóscopo, o artigo, o romance, o conto, a novela, o cardápio de restaurante, a lista de compras, a aula virtual, a piada, a resenha, o inquérito policial, o ofício, o requerimento, a ata.
III. Após a análise do texto, é possível concluir que, atualmente, identifica-se uma grande diversidade de gêneros na literatura, os quais representam instrumentos estanques e limitadores da ação criativa, ao mesmo tempo em que impõem regras inflexíveis aos escritores e aos autores, como uma “receita” para a arte.
Marque a alternativa CORRETA:
Conforme o que foi discutido no texto:

Dentre as classificações presentes no quadro de relações intertextualis de Piègay-Gros (1996), encontram-se: citação, menção, referência, plágio e alusão.
Nas tiras apresentadas fica evidente a presença de um(a):
Como vimos na primeira parte do livro, o Mito nº 6 expressa a prática milenar de confundir língua em geral com escrita e, mais reduzidamente ainda, com ortografia oficial. A tal ponto que uma elevada porcentagem do que se rotula de “erro de português” é, na verdade, mero desvio da ortografia oficial. O vigor desse mito se depreende, por exemplo, num exercício de pesquisa sugerido por um livro didático chamado Nossa palavra. Após apresentar o poema “Erro de português”, de Oswald de Andrade, os autores (CARVALHO; RIBEIRO, 1998) pedem ao aluno:
1. Procure localizar erros de português em cartazes, placas, ou até mesmo na fala de pessoas que você conhece. Transcreva-os em seu caderno (p.125).
Ora, em cartazes e placas não aparecem “erros de português” e, sim, “erros” de ortografia. (BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 52. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2009. p. 147-148.)
Conforme o texto, “erro de português” e “erro” de ortografia, na visão do teórico apresentado:
Baseada na opinião da autora, nas alternativas abaixo, apenas uma exemplifica eventos de letramento, a saber:
O que ajuda a carrear tanta atenção à IA é que, talvez levianamente, grudamos o rótulo de IA em muitas coisas que seriam, apenas, sofisticada tecnologia, tratamentos estatísticos e exame de correlação de dados.
Reconhecimento facial, por exemplo, é um tema de pesquisa desde os anos 60, e até recentemente não relacionado a IA. O mesmo se pode dizer das eficientíssimas máquinas de busca de que dispomos da internet de hoje. Foi o rápido e contínuo desenvolvimento do poder computacional que, aplicado a algoritmos, permitiu que usássemos a impressão digital, ou imagem da íris, ou reconhecimento facial como identificadores pessoais de acesso. Processamento, associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento e intercomunicação em rede, gerou ferramentas de busca e de localização.
Parece vontade de “dourar a pílula” da IA – por si já muito poderosa – colocar tudo sob o mesmo guarda-chuva. Aliás, cunha-se a sigla IA (Inteligência Artificial) para designar essa simplificação matreira e oportunista.
Os exemplos citados podem ser muito potencializados com a introdução da IA. Algoritmos fixos usados tornam-se dinâmicos: “aprendem” com seus próprios erros e resultados e buscam refinar sua ação. Não se trata mais, apenas, de identificar uma face, mas de detectar o estado de espírito do indivíduo e, se possível, inferir suas intenções. Não estamos simplesmente encontrando coisas na rede, mas recebendo resultados personalizados que, além de ter maior sintonia com o que procuramos, procuram causar mais impacto no que faremos depois. O céu (ou o inferno...) é o limite do que se pode conseguir quando sistemas evoluem a partir da sua própria experiência, afastam-se do seu funcionamento original e chegam a obter autonomia de difícil predição ou controle.
Há, assim, um efeito “moda” sobreposto a um real e afetivo progresso rumo a uma IA exuberante. Se previsões alarmantes, como 1984, de George Orwell ou Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, parecem estar se concretizando rapidamente, outras mais otimistas e animadoras, como robôs domésticos, viagens interplanetárias e carros totalmente autônomos ainda situam-se no campo das possibilidades. A história da IA começa nos anos 60 e apresenta uma “ciclotimia”: passa-se de momentos de euforia para momentos de retração, que ficaram conhecidos como os “invernos da IA”.
Estamos claramente num pleno verão, um pouco forçado, mas indiscutível. Há também alguns indícios de reconhecimento: levantam-se dúvidas sobre “carros automáticos”, se chegaremos mesmo à singularidade de Ray Kurzweil etc.. Há quem prenuncie um novo inverno pela frente. Se esse inverno vier, que seja na forma de oportunidades para avaliar riscos e benefícios, o uso ética e controle de tecnologias críticas que representam a ameaças à civilização.
Ou seja, que esse inverno traga um renascimento auspicioso como Shakespeare coloca na boca de Ricardo III: “... o inverno do nosso descontentamento converte-se agora em glorioso verão... e todas as nuvens que ameaçavam nossa casa estão enterradas no mais profundo dos oceanos”.
O que ajuda a carrear tanta atenção à IA é que, talvez levianamente, grudamos o rótulo de IA em muitas coisas que seriam, apenas, sofisticada tecnologia, tratamentos estatísticos e exame de correlação de dados.
Reconhecimento facial, por exemplo, é um tema de pesquisa desde os anos 60, e até recentemente não relacionado a IA. O mesmo se pode dizer das eficientíssimas máquinas de busca de que dispomos da internet de hoje. Foi o rápido e contínuo desenvolvimento do poder computacional que, aplicado a algoritmos, permitiu que usássemos a impressão digital, ou imagem da íris, ou reconhecimento facial como identificadores pessoais de acesso. Processamento, associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento e intercomunicação em rede, gerou ferramentas de busca e de localização.
Parece vontade de “dourar a pílula” da IA – por si já muito poderosa – colocar tudo sob o mesmo guarda-chuva. Aliás, cunha-se a sigla IA (Inteligência Artificial) para designar essa simplificação matreira e oportunista.
Os exemplos citados podem ser muito potencializados com a introdução da IA. Algoritmos fixos usados tornam-se dinâmicos: “aprendem” com seus próprios erros e resultados e buscam refinar sua ação. Não se trata mais, apenas, de identificar uma face, mas de detectar o estado de espírito do indivíduo e, se possível, inferir suas intenções. Não estamos simplesmente encontrando coisas na rede, mas recebendo resultados personalizados que, além de ter maior sintonia com o que procuramos, procuram causar mais impacto no que faremos depois. O céu (ou o inferno...) é o limite do que se pode conseguir quando sistemas evoluem a partir da sua própria experiência, afastam-se do seu funcionamento original e chegam a obter autonomia de difícil predição ou controle.
Há, assim, um efeito “moda” sobreposto a um real e afetivo progresso rumo a uma IA exuberante. Se previsões alarmantes, como 1984, de George Orwell ou Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, parecem estar se concretizando rapidamente, outras mais otimistas e animadoras, como robôs domésticos, viagens interplanetárias e carros totalmente autônomos ainda situam-se no campo das possibilidades. A história da IA começa nos anos 60 e apresenta uma “ciclotimia”: passa-se de momentos de euforia para momentos de retração, que ficaram conhecidos como os “invernos da IA”.
Estamos claramente num pleno verão, um pouco forçado, mas indiscutível. Há também alguns indícios de reconhecimento: levantam-se dúvidas sobre “carros automáticos”, se chegaremos mesmo à singularidade de Ray Kurzweil etc.. Há quem prenuncie um novo inverno pela frente. Se esse inverno vier, que seja na forma de oportunidades para avaliar riscos e benefícios, o uso ética e controle de tecnologias críticas que representam a ameaças à civilização.
Ou seja, que esse inverno traga um renascimento auspicioso como Shakespeare coloca na boca de Ricardo III: “... o inverno do nosso descontentamento converte-se agora em glorioso verão... e todas as nuvens que ameaçavam nossa casa estão enterradas no mais profundo dos oceanos”.
O que ajuda a carrear tanta atenção à IA é que, talvez levianamente, grudamos o rótulo de IA em muitas coisas que seriam, apenas, sofisticada tecnologia, tratamentos estatísticos e exame de correlação de dados.
Reconhecimento facial, por exemplo, é um tema de pesquisa desde os anos 60, e até recentemente não relacionado a IA. O mesmo se pode dizer das eficientíssimas máquinas de busca de que dispomos da internet de hoje. Foi o rápido e contínuo desenvolvimento do poder computacional que, aplicado a algoritmos, permitiu que usássemos a impressão digital, ou imagem da íris, ou reconhecimento facial como identificadores pessoais de acesso. Processamento, associado a capacidade quase ilimitada de armazenamento e intercomunicação em rede, gerou ferramentas de busca e de localização.
Parece vontade de “dourar a pílula” da IA – por si já muito poderosa – colocar tudo sob o mesmo guarda-chuva. Aliás, cunha-se a sigla IA (Inteligência Artificial) para designar essa simplificação matreira e oportunista.
Os exemplos citados podem ser muito potencializados com a introdução da IA. Algoritmos fixos usados tornam-se dinâmicos: “aprendem” com seus próprios erros e resultados e buscam refinar sua ação. Não se trata mais, apenas, de identificar uma face, mas de detectar o estado de espírito do indivíduo e, se possível, inferir suas intenções. Não estamos simplesmente encontrando coisas na rede, mas recebendo resultados personalizados que, além de ter maior sintonia com o que procuramos, procuram causar mais impacto no que faremos depois. O céu (ou o inferno...) é o limite do que se pode conseguir quando sistemas evoluem a partir da sua própria experiência, afastam-se do seu funcionamento original e chegam a obter autonomia de difícil predição ou controle.
Há, assim, um efeito “moda” sobreposto a um real e afetivo progresso rumo a uma IA exuberante. Se previsões alarmantes, como 1984, de George Orwell ou Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, parecem estar se concretizando rapidamente, outras mais otimistas e animadoras, como robôs domésticos, viagens interplanetárias e carros totalmente autônomos ainda situam-se no campo das possibilidades. A história da IA começa nos anos 60 e apresenta uma “ciclotimia”: passa-se de momentos de euforia para momentos de retração, que ficaram conhecidos como os “invernos da IA”.
Estamos claramente num pleno verão, um pouco forçado, mas indiscutível. Há também alguns indícios de reconhecimento: levantam-se dúvidas sobre “carros automáticos”, se chegaremos mesmo à singularidade de Ray Kurzweil etc.. Há quem prenuncie um novo inverno pela frente. Se esse inverno vier, que seja na forma de oportunidades para avaliar riscos e benefícios, o uso ética e controle de tecnologias críticas que representam a ameaças à civilização.
Ou seja, que esse inverno traga um renascimento auspicioso como Shakespeare coloca na boca de Ricardo III: “... o inverno do nosso descontentamento converte-se agora em glorioso verão... e todas as nuvens que ameaçavam nossa casa estão enterradas no mais profundo dos oceanos”.