Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1768509 Português
Leia o relato a seguir, escrito por Mário Quintana, para responder as próximas questões. 

Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo. E isto naturalmente, quase sem querer. Em meus tempos de criança, era aquela encantação. Lia-se continuamente e avidamente um mundaréu de história. Mas lia-se corrido, frase após frase, do princípio ao fim. Ora, as crianças de hoje não se acostumam a ler corretamente, porque apenas olham as figuras dessas histórias em quadrinhos, cujo texto se limita a simples frases interjeitivas. No fundo, uma fraseologia de uivos, uma subliteratura de homem das cavernas. Exagerei? Bem feito! Mas se as crianças, coitadas, nunca adquirirem o hábito da leitura, como saberão um dia escrever?
(Trecho com adaptações)
Em relação à importância da leitura para as crianças, o trecho em destaque apresenta uma visão:
Alternativas
Q1768338 Português
Leia o seguinte poema, de autoria de Luís da Camões, para responder a próxima questão.

“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder; 

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” 
No tocante ao desfecho do texto poético em questão, pode-se afirmar que, em seus três últimos versos, o poeta expressa uma:
Alternativas
Q1768337 Português
Leia o seguinte poema, de autoria de Luís da Camões, para responder a próxima questão.

“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder; 

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” 
Em síntese, pode-se afirmar que Luís de Camões enfatiza em seu texto poético um aspecto do amor, que seria o seu caráter:
Alternativas
Q1768334 Português
Leia o seguinte poema, de autoria de Luís da Camões, para responder a próxima questão.

“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder; 

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” 
Em relação à interpretação do poema, pode-se afirmar que, em sua maior parte, é composto por definições de:
Alternativas
Q1768331 Português
Considere atentamente o poema a seguir, escrito por Vinicius de Moraes, para responder a próxima questão. 


“De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure” 
No primeiro verso da segunda estrofe “Quero vivê-lo em cada vão momento”, o pronome “lo”, em “vivê-lo”, retoma no texto a expressão:
Alternativas
Q1768329 Português
Considere atentamente o poema a seguir, escrito por Vinicius de Moraes, para responder a próxima questão. 


“De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure” 
Em relação à interpretação do texto, pode-se dizer que, em síntese, o poeta expressa:
Alternativas
Q1767915 Português
Por que as mulheres vivem mais?

   Grande parte das espécies do reino animal dividem uma tendência curiosa: as fêmeas tendem a viver mais do que os machos. O motivo por __________ dessa diferença de longevidade, no entanto, permanece um mistério.
   De acordo com um novo estudo, a existência de dois cromossomos sexuais do mesmo tipo, presente nas fêmeas (as mulheres, por exemplo, possuem dois cromossomos X, enquanto homens têm um X e um Y), pode estar relacionada a uma vida mais longa.
   Conforme afirma a pesquisa, a segunda cópia do cromossomo sexual tem um efeito de proteção do DNA, o que resultaria em maior longevidade. A ideia é de que o cromossomo Y seria pouco capaz de proteger um indivíduo de genes __________ presentes no X.
   Assim, um cromossomo X que carrega genes defeituosos teria mais chances de ser anulado por outro X do que por um Y. Com menos genes ruins, o indivíduo teria melhores chances de viver por mais tempo.
   Segundo os cientistas, os indivíduos que possuem dois cromossomos sexuais iguais vivem em média 17,6% mais tempo do que aqueles que apresentam cromossomos diferentes ou apenas um cromossomo sexual. É o caso de alguns pássaros, nos quais os machos apresentam dois cromossomos W, enquanto suas contrapartes costumam ter um W e um Z.
   Além disso, em espécies nas quais os machos têm dois cromossomos sexuais iguais (e não as fêmeas), eles tendem a viver 7,1% a mais. Essas constatações apontam para o fato de que é a presença de dois cromossomos sexuais iguais que culminaria em uma vida mais longa.

 https://veja.abril.com.br/ciencia/por-que... - adaptado.
Segundo o texto, assinalar a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1767875 Português
Conheça o Wasp-76b, novo planeta em que chove metal
líquido

     Se uma chuva de ferro começasse a cair aqui na Terra, só haveria uma resposta possível para o fenômeno: apocalipse. Mas, para o Wasp-76b, que está a 640 anos-luz de nós, isso é só mais um dia como qualquer outro. O Wasp76b foi encontrado ____ quatro anos e recebeu esse nome (que, em inglês, quer dizer “vespa”) por causa do WASP, organização astronômica que procura por exoplanetas (planetas que se localizam fora do Sistema Solar).
     As descobertas recentes da chuva de metal, no entanto, foram feitas por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça. Eles observaram que a temperatura por lá pode chegar aos 2.400°C – quente o suficiente para vaporizar metais. Isso se deve à proximidade do Wasp-76b com a estrela em que orbita: ele está tão perto que leva apenas 43 horas para dar uma volta em torno dela.
     O novo exoplaneta se encaixa em uma categoria que os cientistas chamam de Hot Jupiter: gigantes gasosos (daí a referência a Júpiter) cujas órbitas são tão próximas ____ uma estrela que é impossível abrigar vida. Em janeiro, a Super Interessante contou a história do KELT-9b, outro integrante dessa categoria e que é o planeta mais quente já descoberto. O Wasp, vale dizer, tem o dobro do tamanho de Júpiter.

https://super.abril.com.br/ciencia/...- adaptado.
De acordo com o texto, analisar os itens abaixo:
I. O exoplaneta Wasp-76b foi encontrado a quatro anos atrás. II. No exoplaneta descoberto, a temperatura é alta o suficiente para vaporizar metais. III. As órbitas tanto do novo exoplaneta quanto de Júpiter são próximas de uma estrela, o que facilita abrigar vida.
Está(ão) CORRETO(S):
Alternativas
Q1766970 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão. 

Hábitos Indígenas
Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena___ Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias.Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho.Que bom que os índios nos ensinaram isso, né___Assim somos um povo bem cheirosinho___
Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças. E como os índios têm muito conhecimento de ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em chás indígenas. É influência deles também a utilização de redes para dormir, as várias danças, principalmente as da região Norte do Brasil. E ainda várias canções e lendas do folclore brasileiro.

(Texto Adaptado. Fonte: https://plenarinho.leg.br/index.php/2018/02/dia-do-indio/)
O texto fala de alguns hábitos que herdamos da cultura indígena.Qual dos hábitos,listados abaixo, não é citado no texto?
Alternativas
Q1766788 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

Delírios de Honestidade.
Outro dia eu estava pensando em como seria o mundo se ___ pessoas fossem realmente honestas. Inclusive no mais prosaico cotidiano. Eu me imagino entrando em uma dessas churrascarias de luxo. Sento-me ___ mesa e peço um filé bem passado ao garçom. Ele me alerta:
— Não aconselho. O filé hoje está uma sola de sapato.
— Peço o quê?
— Peça licença e vá para outro lugar. Olhe bem o cardápio. Pelo preço de um bife o senhor compra mais de um quilo no açougue. Quer jogar seu dinheiro fora?
Vou para outro e escolho: salmão. O garçom:
— Se o senhor quiser, eu trago. Mas salmão, salmão, não é. É surubim, alimentado de forma
___ ficar com a carne rosada. Ainda quer?
— Nesse caso fico com escargots.
— Lesmas, quer dizer? Por que não vai catar no jardim?
Ou então entro numa butique de griffe. Experimento um jeans, que está apertadinho na barriga. O vendedor aproxima-se:
— Ficou bom? Ah, não ficou, não, está apertado e não tenho um número maior.
— Acho que dá... ando pensando em fazer regime.
— Pois compre depois de obter algum resultado. Se bem que não sei, não... essa barriga parece coisa consolidada.
— Eu quero o jeans. Quero e pronto!
— Não vou deixar que cometa essa loucura. Aliás, falando francamente, o que o senhor viu nesse jeans, que nem cai bem nas suas adiposidades? Só pode ser a etiqueta. Meu amigo, ainda acredita em griffe?
Corro ___ casa de chocolates e peço um dietético. A mocinha no balcão:
— Confia nessa história de dietético? Ou só quer calar ___ sua consciência?
— E se eu quiser confiar, estou proibido?
— Pois saiba que engorda. Menos que o chocolate comum, mas engorda. E o senhor não me parece em condição de fazer concessões a doces. Não vou contribuir para o seu auto-engano, jamais poria esse chocolate nas suas mãos. Vá ___ feira e peça um jiló.
Resolvo trocar de carro. Passeio pela concessionária, escolho:
— Este vermelho, que tal?
— O motor funde mais dia, menos dia — alerta o vendedor. — Parece tão bonitinho...
— Desculpe, mas você acha que a lataria anda sozinha? Já alertei o dono da loja, este carro está péssimo. Fique com aquele.
— Mas é velho e horroroso!
— Pode ser, mas anda. Está decidido, leve aquele. E não discuta! O embate com a honestidade absoluta também poderia ser uma galeria de arte. — Gostei daquele — aponto o quadro à marchande.
— Está precisando de pano de chão?
— Não... é que... bem, posso não entender de arte, mas achei bonito.
— Sinceramente, o senhor não entende mesmo. Isso aqui é um horror. Não vale a tinta que gastou. Está exposto porque o dono da galeria insistiu. Leve aquele, é valorização na certa.
— Aquele? É muito sombrio... eu queria alguma coisa alegre e ...
— Não insista. Sombrio ou não, vou embrulhar. Faça o cheque, é melhor pra você.
E numa loja de móveis? Mostro as cadeiras que me interessam. O decorador:
— É amigo de algum ortopedista?
— Está precisando de um? Posso indicar...
— Você é quem vai precisar. Essas cadeiras vão desmontar na terceira vez em que alguém se sentar. Fratura na certa.
— Caras assim e desmontam? Eu devia chamar o Procon.
— Se quiser, eu chamo para o senhor!
Pior seria alguma vaidosa querendo fazer plástica. O cirurgião examina:
— Hum... hum...
— Meu nariz vai ficar bom, doutor?
— Se a senhora se contenta em trocar uma picareta por um parafuso, fica! Agora, se ambiciona uma melhora significativa, o melhor é morrer e reencarnar de novo. Pode ser tenha mais sorte.
A paciente sai chorando. Eu, que vivo me irritando com vendedores, chego a uma conclusão: quero comprar o jeans que me oprime a barriga, o chocolate que não emagrece e o quadro colorido. Deliciar-me com as pequenas fantasias. Feitas as contas, delírios de honestidade podem transformar-se em pesadelos cruéis. Os pequenos enganos abrem as comportas dos pequenos sonhos e adoçam o dia-a-dia.

Walcyr Carrasco. O golpe do aniversariante. São Paulo, Ática, 1989. 
Ao lermos o trecho: “[...] Pelo preço de um bife o senhor compra mais de um quilo no açougue. [...]”, podemos concluir que:
Alternativas
Q1766785 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

Delírios de Honestidade.
Outro dia eu estava pensando em como seria o mundo se ___ pessoas fossem realmente honestas. Inclusive no mais prosaico cotidiano. Eu me imagino entrando em uma dessas churrascarias de luxo. Sento-me ___ mesa e peço um filé bem passado ao garçom. Ele me alerta:
— Não aconselho. O filé hoje está uma sola de sapato.
— Peço o quê?
— Peça licença e vá para outro lugar. Olhe bem o cardápio. Pelo preço de um bife o senhor compra mais de um quilo no açougue. Quer jogar seu dinheiro fora?
Vou para outro e escolho: salmão. O garçom:
— Se o senhor quiser, eu trago. Mas salmão, salmão, não é. É surubim, alimentado de forma
___ ficar com a carne rosada. Ainda quer?
— Nesse caso fico com escargots.
— Lesmas, quer dizer? Por que não vai catar no jardim?
Ou então entro numa butique de griffe. Experimento um jeans, que está apertadinho na barriga. O vendedor aproxima-se:
— Ficou bom? Ah, não ficou, não, está apertado e não tenho um número maior.
— Acho que dá... ando pensando em fazer regime.
— Pois compre depois de obter algum resultado. Se bem que não sei, não... essa barriga parece coisa consolidada.
— Eu quero o jeans. Quero e pronto!
— Não vou deixar que cometa essa loucura. Aliás, falando francamente, o que o senhor viu nesse jeans, que nem cai bem nas suas adiposidades? Só pode ser a etiqueta. Meu amigo, ainda acredita em griffe?
Corro ___ casa de chocolates e peço um dietético. A mocinha no balcão:
— Confia nessa história de dietético? Ou só quer calar ___ sua consciência?
— E se eu quiser confiar, estou proibido?
— Pois saiba que engorda. Menos que o chocolate comum, mas engorda. E o senhor não me parece em condição de fazer concessões a doces. Não vou contribuir para o seu auto-engano, jamais poria esse chocolate nas suas mãos. Vá ___ feira e peça um jiló.
Resolvo trocar de carro. Passeio pela concessionária, escolho:
— Este vermelho, que tal?
— O motor funde mais dia, menos dia — alerta o vendedor. — Parece tão bonitinho...
— Desculpe, mas você acha que a lataria anda sozinha? Já alertei o dono da loja, este carro está péssimo. Fique com aquele.
— Mas é velho e horroroso!
— Pode ser, mas anda. Está decidido, leve aquele. E não discuta! O embate com a honestidade absoluta também poderia ser uma galeria de arte. — Gostei daquele — aponto o quadro à marchande.
— Está precisando de pano de chão?
— Não... é que... bem, posso não entender de arte, mas achei bonito.
— Sinceramente, o senhor não entende mesmo. Isso aqui é um horror. Não vale a tinta que gastou. Está exposto porque o dono da galeria insistiu. Leve aquele, é valorização na certa.
— Aquele? É muito sombrio... eu queria alguma coisa alegre e ...
— Não insista. Sombrio ou não, vou embrulhar. Faça o cheque, é melhor pra você.
E numa loja de móveis? Mostro as cadeiras que me interessam. O decorador:
— É amigo de algum ortopedista?
— Está precisando de um? Posso indicar...
— Você é quem vai precisar. Essas cadeiras vão desmontar na terceira vez em que alguém se sentar. Fratura na certa.
— Caras assim e desmontam? Eu devia chamar o Procon.
— Se quiser, eu chamo para o senhor!
Pior seria alguma vaidosa querendo fazer plástica. O cirurgião examina:
— Hum... hum...
— Meu nariz vai ficar bom, doutor?
— Se a senhora se contenta em trocar uma picareta por um parafuso, fica! Agora, se ambiciona uma melhora significativa, o melhor é morrer e reencarnar de novo. Pode ser tenha mais sorte.
A paciente sai chorando. Eu, que vivo me irritando com vendedores, chego a uma conclusão: quero comprar o jeans que me oprime a barriga, o chocolate que não emagrece e o quadro colorido. Deliciar-me com as pequenas fantasias. Feitas as contas, delírios de honestidade podem transformar-se em pesadelos cruéis. Os pequenos enganos abrem as comportas dos pequenos sonhos e adoçam o dia-a-dia.

Walcyr Carrasco. O golpe do aniversariante. São Paulo, Ática, 1989. 
O texto “Delírios de honestidade” apresenta uma suposição que nos faz imaginar como seria o mundo se as pessoas fossem realmente honestas. Portanto, de acordo com o narrador/personagem do texto, o que é possível inferir sobre a honestidade das pessoas?
Alternativas
Q1766324 Português
Leia o texto para responder a questão. 

O misterioso caso de Agatha Christie
Em 1920, exatamente um século atrás, ela publicou seu
primeiro livro. Entenda como viagens exóticas, timidez
crônica e uma pontinha de farmacêutica na 1ª Guerra
transformaram uma dama vitoriana na escritora mais
vendida e traduzida da história da civilização.
Texto: Carolina Fioratti

    Era 4 de dezembro de 1926. O dia nasceu sob o peso do ar gelado e úmido do inverno inglês. Um garoto encontra um calhambeque Morris Cowley abandonado em uma vala às margens de uma estradinha de terra, no interior da reserva natural de Newlands Corner. Logo depois, chega um motorista de caminhão; eles avisam a polícia.
    Nos bancos do veículo, havia uma carteira de habilitação vencida e algumas roupas femininas. A 700 metros do local, fica um lago chamado Silent Pool – em português, “piscina silenciosa”. De início, todos pensaram que a motorista havia se afogado ali na madrugada anterior.
   A vítima era Agatha Christie, 36, e ela havia acabado de se tornar uma personagem de seus próprios livros. Naquele ano, a escritora perdeu a mãe, e seu marido, o Coronel Archibald Christie, pediu divórcio porque havia se apaixonado por outra mulher. Consternada, às 21h45 da noite de 3 de dezembro, Agatha subiu no carro e desapareceu. De Archibald, guardou o sobrenome – com o qual assinou toda a sua obra.
   Dez dias depois, a polícia encontrou a desaparecida no tradicional hotel Hydro, a 300 quilômetros de Newlands Corner. É a mesma distância que separa a capital paulista de Paraty (RJ), mas Agatha teve lapsos de memória – não se lembrava de ter embarcado em dois trens para percorrê-la. Ela estava hospedada como Teresa Neele, sobrenome da mulher pela qual o ex-marido a largou. Nesse meio-tempo, tabloides e repórteres carniceiros acompanharam a investigação de perto e espalharam todo tipo de boato.
   Acusaram Agatha de armar o desaparecimento para se vingar de Archibald ou para propagandear seu primeiro hit, O Assassinato de Roger Ackroyd – já que ela, embora famosa, ainda não era a celebridade que se tornaria depois: a autora mais traduzida da história, na frente de Verne e Shakespeare (que ficam em segundo e terceiro).
   Ela não precisava sair no jornal para ficar famosa, é claro: seus livros falam por si só. O grande mistério de Agatha Christie não é seu sumiço, mas sua carreira. Como uma típica dama vitoriana – que cresceu e casou em uma sociedade machista, e sequer frequentou a escola – pôde cultivar seu talento inigualável e construir os quebra-cabeças literários mais influentes de todos os tempos?
[...]

Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/o-misterioso-caso-de-agathachristie/  
Assinale a alternativa correta de acordo com o texto.
Alternativas
Q1766297 Português

Leia o texto abaixo e responda o que se pede.


Números e delongas


Há quem acredite que os números são eloquentes e prescindem de mais delongas. Esta é uma edição de números eloquentes. Como você verá, porém, o que está por trás deles é o que impressiona. Comecemos pela reportagem de capa. O tema é um país de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas – o mais populoso do planeta – cuja economia cresce espantosos dez pontos percentuais ao ano. Por trás desses números, é evidente, há uma revolução em andamento, uma imensa e abrangente revolução que abala a rotina, o pensamento e a tradição da misteriosa China [...].

Fonte: Ronny Hein. Diretor de Redação. Caminhos da Terra, ano 14, nº 165, p.4, jan.2006.





Dado o enunciado “Como você verá, o que está por trás deles é o que impressiona”, avalie as explicações quanto à sua estrutura, assinalando (V) para verdadeiro e (F) para Falso.
( ) A expressão linguística “Como você verá” implica a participação cooperativa do leitor nas intenções pretendidas pelo autor. ( ) Em “o que está por trás deles”, o pronome “eles” retoma o termo “números” num processo de coesão anafórico. ( ) A expressão “o que impressiona” pode ser substituído sem alterar o sentido pelo termo “impressionante”.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:


Alternativas
Q1766296 Português

Leia o texto abaixo e responda o que se pede.


Números e delongas


Há quem acredite que os números são eloquentes e prescindem de mais delongas. Esta é uma edição de números eloquentes. Como você verá, porém, o que está por trás deles é o que impressiona. Comecemos pela reportagem de capa. O tema é um país de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas – o mais populoso do planeta – cuja economia cresce espantosos dez pontos percentuais ao ano. Por trás desses números, é evidente, há uma revolução em andamento, uma imensa e abrangente revolução que abala a rotina, o pensamento e a tradição da misteriosa China [...].

Fonte: Ronny Hein. Diretor de Redação. Caminhos da Terra, ano 14, nº 165, p.4, jan.2006.





Analise as proposições e, logo após, marque a alternativa CORRETA.


I- Vemos que os numerais podem desempenhar uma importante função persuasiva.

II- O excerto do texto enreda o leitor, a partir do título, dando aos numerais o papel central na busca do convencimento.

III- No primeiro enunciado, o autor consegue se isentar da assertiva exposta, usando um verbo impessoal.

Alternativas
Q1766001 Português
Considere o texto a seguir, extraído de um dos discursos do orador brasileiro Rui Barbosa, para responder à próxima questão.

“As formas políticas são vãs, sem o homem que as anima. É o vigor individual que faz as nações robustas. Mas o indivíduo não pode ter essa fibra, esse equilíbrio, essa energia, que compõem os fortes, senão pela consciência do seu destino moral, associada ao respeito desse destino nos seus semelhantes. Ora, eu não conheço nada capaz de produzir na criatura humana em geral esse estado interior, senão o influxo religioso. Nem o ateísmo reflexivo dos filósofos, nem o inconsciente ateísmo dos indiferentes são compatíveis com as qualidades de ação, resistência e disciplina essenciais aos povos livres”. 
Em seu discurso, Rui Barbosa destaca algumas qualidades que, em sua visão, estão presentes nos indivíduos fortes. Marque a alternativa que NÃO apresenta uma dessas qualidades.
Alternativas
Q1765999 Português
Considere o texto a seguir, extraído de um dos discursos do orador brasileiro Rui Barbosa, para responder à próxima questão.

“As formas políticas são vãs, sem o homem que as anima. É o vigor individual que faz as nações robustas. Mas o indivíduo não pode ter essa fibra, esse equilíbrio, essa energia, que compõem os fortes, senão pela consciência do seu destino moral, associada ao respeito desse destino nos seus semelhantes. Ora, eu não conheço nada capaz de produzir na criatura humana em geral esse estado interior, senão o influxo religioso. Nem o ateísmo reflexivo dos filósofos, nem o inconsciente ateísmo dos indiferentes são compatíveis com as qualidades de ação, resistência e disciplina essenciais aos povos livres”. 
Em relação à interpretação do texto, pode-se afirmar que o seu autor:
Alternativas
Q1765943 Português

Louco amor

(Ferreira Gullar)


     Era dado a paixões, desde menino. Na escola, aos oito anos, sentava-se ao lado de Nevinha, que tinha a mesma idade que ele e uns olhos que pareciam fechados: dois traços no rosto redondo e sorridente. Quando se vestia, de manhã cedo, para ir à escola, pensava nela e queria ir correndo encontrá-la. Puxava conversa a ponto da professora ralhar. Mas, chegaram as férias de dezembro, perguntou onde ela ia passá-las.

“No inferno”, respondeu. Ele se espantou, ela riu. “É como minha mãe chama o sítio de meus avós em Codó.” No ano seguinte, sua mãe o matriculou numa escola mais perto de sua casa e ele nunca mais viu Nevinha.

     Na nova escola, enamorou-se de Teca, que tinha duas tranças compridas caídas nos ombros. Era engraçada e sapeca, brincava com todo mundo e não dava atenção a ele. Já no ginásio, foi a Lúcia, de olhos fundos, silenciosa, quase não ria. Amor à distância. Uma vez ela deixa cair o estojo de lápis e ele, prestimoso, o juntou no chão, e lhe entregou. Ela riu, agradecida. 

     Enlouqueceu mesmo foi pela Paula, de 15 anos, quando ele já tinha 22 e se tornara pintor. Era filha de Bonetti, seu professor na Escola de Belas Artes e cuja casa passou a frequentar, bem como outros colegas de turma. A coisa nasceu sem que ele se desse conta, já que a via como uma menina. Mas, certo dia, acordou com a lembrança dela na mente, o perfil bem desenhado, o nariz, os lábios, os olhos inteligentes. Ela era muito inteligente, falava francês, já que vivera com os pais em Paris e lá estudara. A partir daquela manhã, quando visitava o professor era, na verdade, para revêla. De volta a seu quarto, no Catete, sentia sua falta e inventava pretextos para visitas. Ficava a olhá-la, o coração batendo forte, louco para tomar-lhe as mãos e dizer-lhe: “Eu te amo, Paula”.

     Mas não se atrevia, embora já não conseguisse pintar nem sair com os amigos sem pensar no momento em que declararia a ela o seu amor. Mas não o fazia e já agora custava a dormir e, quando dormia, sonhava com ela. Mas eis que, numa das visitas à casa do professor, não a encontrou. Puxou conversa com a mãe dela e soube que havia ido ao cinema com um primo. Quando chegou, foi em companhia dele, de mãos dadas. Era o Eduardo, que chegara dos Estados Unidos, onde se formara.

     Sentiu que o mundo ia desabar sobre sua cabeça, mal conseguia ver os dois, sentados no divã da sala, cochichando e rindo, encantados um com o outro.

    Agora, acordar de manhã era um suplício, já que a lembrança dela não lhe saía da cabeça. Evitava agora ir à casa de Bonetti, que, estranhando-lhe a ausência, telefonava para convidá-lo. Temia ir lá, mas terminava indo, porque pelo menos podia revê-la, mas voltava para casa arrasado. Muitas vezes nem entrava em casa, com medo de se defrontar com a insuportável realidade. Ficava pela rua andando à toa, até altas horas da noite. Decidiu entregar-se totalmente a sua pintura, comprou telas novas, tintas novas, mas postado em frente ao cavalete, tudo o que conseguia era pensar nela. “Então, vou fazer dela o tema de meus quadros”, decidiu-se e iniciou uma série de retratos dela, que eram antes alegorias patéticas e dolorosas. Os colegas gostaram e contaram ao Bonetti, que pediu para vê-los. Levou-lhe alguns dos quadros, que mereceram dele entusiasmados elogios. Paula, depois de elogiá-los, observou: “Ela parece comigo!”. Ele a fitou nos olhos: “Ela é você”. Sem entender, ela sorriu lisonjeada. 

    Paula e o primo se casaram e foram morar nos Estados Unidos. Júlio ganhou um prêmio de viagem ao exterior e foi conhecer os museus da Europa, fixandose em Paris, que era na época o centro irradiador de arte e literatura. De volta ao Brasil, conheceu Camila, com quem se casou e teve dois filhos, uma menina e um menino, que hoje estão casados e lhe deram netos. Quanto a Paula, de que nunca mais tivera notícias, soube que se separara do marido e voltara ao Brasil, indo morar em São Paulo.

     Júlio e Bonetti continuaram amigos. Já sem a mesma frequência, ia visitá-lo naquele mesmo apartamento de Botafogo, onde viveu com a mesma mulher, mãe de Paula. Morreu dormindo, como queria. Júlio foi ao velório, no Cemitério de São João Batista, onde ele encontrou Paula, quarenta anos depois.

    Ela estava sentada junto ao caixão, ao lado de uma moça. “Júlio foi amigo de meu pai a vida toda... Me conheceu menina.”

     Falou aquilo com toda a naturalidade. “Que estranha é a vida”, pensou ele, fitando o rosto da mocinha que jamais poderia ter sido filha sua.


Gullar, Ferreira. A alquimia na quitanda: artes, bichos e barulhos nas melhores crônicas do poeta. São Paulo: Três Estrelas, 2016.

A passagem adiante servirá de base para a próxima questão:

A coisa nasceu sem que ele se desse conta, que a via como uma menina.”


A que se refere o termo destacado “coisa”?

Alternativas
Q1765913 Português
Leia atentamente o trecho a seguir, extraído de um dos discursos do célebre orador brasileiro Rui Barbosa, para responder à próxima questão.

“Creio na liberdade onipotente, criadora das nações robustas; creio na lei, emanação dela, o seu órgão capital, a primeira das suas necessidades; creio que, neste regime, não há poderes soberanos, e soberano é só o direito, interpretado pelos tribunais; creio que a própria soberania popular necessita de limites, e que esses limites vêm a ser as suas Constituições, por ela mesma criadas, nas suas horas de inspiração jurídica, em garantia contra os seus impulsos de paixão desordenada; creio que a República decai, porque se deixou estragar confiando-se ao regime da força; creio que a Federação perecerá, se continuar a não saber acatar e elevar a justiça; porque da justiça nasce a confiança, da confiança a tranqüilidade, da tranqüilidade o trabalho, do trabalho a produção, da produção o crédito, do crédito a opulência, da opulência a respeitabilidade, a duração, o vigor; creio no governo do povo pelo povo; creio, porém, que o governo do povo pelo povo tem a base da sua legitimidade na cultura da inteligência nacional pelo desenvolvimento nacional do ensino, para o qual as maiores liberalidades do tesouro constituíram sempre o mais reprodutivo emprego da riqueza pública; creio na tribuna sem fúrias e na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade; creio na moderação e na tolerância, no progresso e na tradição, no respeito e na disciplina, na impotência fatal dos incompetentes e no valor insuprível das capacidades”.
(Trecho com adaptações).
Em seu discurso, Rui Barbosa afirma que “da justiça nasce a confiança, da confiança a tranqüilidade, da tranqüilidade o trabalho”, e assim por diante. Marque a alternativa que NÃO indica um elemento que nasce da opulência, segundo o autor no texto.
Alternativas
Q1765362 Português
Leia o texto para responder a questão.


O último ano de John Lennon
John morreu há 40 anos e estaria completando 80 neste mês.
Embarque aqui numa viagem pelos últimos 12 meses de vida
do beatle, quando a velha rivalidade com Paul renasceu, e lhe
deu energia para compor o último capítulo de sua obra.
Texto: Alexandre Carvalho
    “Você sabe quem sou eu?”, perguntou o cliente embriagado à garçonete da casa de shows Troubadour, em Los Angeles. “Você é só um babaca com um absorvente enrolado na cabeça”, respondeu a atendente, já cansada das grosserias naquela mesa. O ano era 1974, e, de fato, John Lennon tinha achado uma boa ideia sair à noite com um absorvente menstrual na testa. Em outra ocasião, novamente bebaço, o beatle seria expulso da mesma casa por trocar socos com o empresário de uma banda que tentava se apresentar em meio aos gritos e palavrões de Lennon. Foram 18 meses de esbórnia na costa oeste dos Estados Unidos, uma fase que mais tarde o músico chamaria de lost weekend – “fim de semana perdido”, uma referência ao nome original do filme Farrapo Humano (1945), que conta a tragédia de um alcoólatra. John havia sido chutado no ano anterior por Yoko Ono, que não aguentava mais as infidelidades do marido. Pela primeira vez, se via na condição de solteiro milionário mais famoso do mundo. Então se juntou a uma gangue de bebuns, da qual faziam parte o também beatle Ringo Starr, o baterista Keith Moon, do The Who, e o músico Harry Nilsson – uma turma que o cantor Alice Cooper chamava de The Hollywood Vampires Drinking Club. 
    A farra durou até 1975, quando Yoko chamou Lennon de volta para casa, e ele topou na mesma hora. A reconciliação seria o fato mais marcante da vida de John naquele ano se não houvesse outro ainda mais transformador: a gravidez de Yoko, que daria à luz o único filho do casal, Sean – nascido exatamente no aniversário do pai, 9 de outubro. 
    À época, John já tinha um herdeiro, o pré-adolescente Julian, de seu primeiro casamento, com Cynthia Powell. E Lennon tinha consciência de que sempre fora um pai ausente para seu primogênito. “Hey Jude”, a canção que Paul McCartney compôs para consolar Julian do divórcio dos pais, sempre o lembraria disso. Então, ainda na ressaca moral de seu lost weekend, Lennon decidiu que com Sean seria diferente. E mudou completamente de vida, tornando-se um recluso no apartamento 72 do Edifício Dakota, em Nova York, onde John e Yoko decidiram se estabelecer ainda no início daquela década. A partir do nascimento de seu caçula, o beatle mais rebelde e antissistema deixaria a vida pública para se dedicar à família. Pelo menos até o epílogo de sua história, meia década depois, em 1980. E é para esse ano, o último da vida de John, que vamos agora.
    Quarentenado
   Minha “lareira eletrônica”. Era como John Lennon chamava seu aparelho de TV, de tanto que ficava ligado, sem som, sintonizado em novelas. Naquele início de 1980, no ano em que se tornaria quarentão, o músico passava a maior parte do dia sentado de pernas cruzadas em sua cama, lendo o que lhe caísse na mão. Tinha um apetite eclético para revistas e jornais, que ia de publicações de fofoca a conteúdos mais densos, como Scientific American e The Economist. Via tudo dando goles em até 30 xícaras de chá e café por dia, em meio a cinzeiros com baganas de Gitanes sem filtro. Essa rotina caseira permitia caminhadas pelo Central Park, bem à frente do seu prédio, e levar o filho pequeno para a natação. Mas de resto Lennon preferia se esconder em seu apartamento. As visitas-surpresa do ex-parceiro Paul, que aparecia do nada com um violão quando de passagem por Nova York, tinham parado desde que John insistiu que ele telefonasse antes de ir, lembrando que não estavam mais nos anos 1950, quando eram adolescentes que não se desgrudavam. “Não falei por mal”, explicaria Lennon. “Só quis dizer que estava tomando conta de um bebê o dia inteiro, e não dava para ter um cara batendo na minha porta.”
    [...]
Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/o-ultimo-ano-de-john-lennon/
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q1765359 Português
Leia o texto para responder a questão.


O último ano de John Lennon
John morreu há 40 anos e estaria completando 80 neste mês.
Embarque aqui numa viagem pelos últimos 12 meses de vida
do beatle, quando a velha rivalidade com Paul renasceu, e lhe
deu energia para compor o último capítulo de sua obra.
Texto: Alexandre Carvalho
    “Você sabe quem sou eu?”, perguntou o cliente embriagado à garçonete da casa de shows Troubadour, em Los Angeles. “Você é só um babaca com um absorvente enrolado na cabeça”, respondeu a atendente, já cansada das grosserias naquela mesa. O ano era 1974, e, de fato, John Lennon tinha achado uma boa ideia sair à noite com um absorvente menstrual na testa. Em outra ocasião, novamente bebaço, o beatle seria expulso da mesma casa por trocar socos com o empresário de uma banda que tentava se apresentar em meio aos gritos e palavrões de Lennon. Foram 18 meses de esbórnia na costa oeste dos Estados Unidos, uma fase que mais tarde o músico chamaria de lost weekend – “fim de semana perdido”, uma referência ao nome original do filme Farrapo Humano (1945), que conta a tragédia de um alcoólatra. John havia sido chutado no ano anterior por Yoko Ono, que não aguentava mais as infidelidades do marido. Pela primeira vez, se via na condição de solteiro milionário mais famoso do mundo. Então se juntou a uma gangue de bebuns, da qual faziam parte o também beatle Ringo Starr, o baterista Keith Moon, do The Who, e o músico Harry Nilsson – uma turma que o cantor Alice Cooper chamava de The Hollywood Vampires Drinking Club. 
    A farra durou até 1975, quando Yoko chamou Lennon de volta para casa, e ele topou na mesma hora. A reconciliação seria o fato mais marcante da vida de John naquele ano se não houvesse outro ainda mais transformador: a gravidez de Yoko, que daria à luz o único filho do casal, Sean – nascido exatamente no aniversário do pai, 9 de outubro. 
    À época, John já tinha um herdeiro, o pré-adolescente Julian, de seu primeiro casamento, com Cynthia Powell. E Lennon tinha consciência de que sempre fora um pai ausente para seu primogênito. “Hey Jude”, a canção que Paul McCartney compôs para consolar Julian do divórcio dos pais, sempre o lembraria disso. Então, ainda na ressaca moral de seu lost weekend, Lennon decidiu que com Sean seria diferente. E mudou completamente de vida, tornando-se um recluso no apartamento 72 do Edifício Dakota, em Nova York, onde John e Yoko decidiram se estabelecer ainda no início daquela década. A partir do nascimento de seu caçula, o beatle mais rebelde e antissistema deixaria a vida pública para se dedicar à família. Pelo menos até o epílogo de sua história, meia década depois, em 1980. E é para esse ano, o último da vida de John, que vamos agora.
    Quarentenado
   Minha “lareira eletrônica”. Era como John Lennon chamava seu aparelho de TV, de tanto que ficava ligado, sem som, sintonizado em novelas. Naquele início de 1980, no ano em que se tornaria quarentão, o músico passava a maior parte do dia sentado de pernas cruzadas em sua cama, lendo o que lhe caísse na mão. Tinha um apetite eclético para revistas e jornais, que ia de publicações de fofoca a conteúdos mais densos, como Scientific American e The Economist. Via tudo dando goles em até 30 xícaras de chá e café por dia, em meio a cinzeiros com baganas de Gitanes sem filtro. Essa rotina caseira permitia caminhadas pelo Central Park, bem à frente do seu prédio, e levar o filho pequeno para a natação. Mas de resto Lennon preferia se esconder em seu apartamento. As visitas-surpresa do ex-parceiro Paul, que aparecia do nada com um violão quando de passagem por Nova York, tinham parado desde que John insistiu que ele telefonasse antes de ir, lembrando que não estavam mais nos anos 1950, quando eram adolescentes que não se desgrudavam. “Não falei por mal”, explicaria Lennon. “Só quis dizer que estava tomando conta de um bebê o dia inteiro, e não dava para ter um cara batendo na minha porta.”
    [...]
Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/o-ultimo-ano-de-john-lennon/
Assinale a alternativa correta de acordo com o texto.
Alternativas
Respostas
17881: D
17882: C
17883: B
17884: A
17885: B
17886: B
17887: B
17888: D
17889: D
17890: A
17891: A
17892: B
17893: E
17894: C
17895: C
17896: B
17897: D
17898: A
17899: B
17900: D