Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1890092 Português
Texto para a questão

VISÕES DE ALFABETIZAÇÃO

(Maia et al., 2015; disponível em: https://bit.ly/3DuIef8). Trecho adaptado. 

Dentro do processo de Alfabetização em Língua Materna, percebemos a existência de duas visões: (1) a Alfabetização considerada como de caráter restrito e; (2) o Letramento, interpretado como um processo mais amplo.

Na primeira visão, temos a Alfabetização em Língua Materna, que guarda a ideia de finitude, quanto ao domínio de códigos e símbolos, ao que se dá importância capital. Logo, esta visão privilegia aspectos organizacionais e sintáticos da língua. 

Sobre a discussão de alfabetização em sua visão restrita, podemos destacar o que alguns autores trazem como contribuição para a construção do entendimento desse conceito: Abud (1987) que a coloca como sendo primordialmente voltada ao domínio das letras; Giroux (1989) que, embora considere a existência de tal visão, a critica por acreditar que, nesta proposta, favorecem-se formas de ignorância política e ideológica; Cook-Gumperz (1991), considerando-a como, em determinadas circunstâncias, tendo papel fundamental de ascensão social; Kleiman (1995) com uma abordagem sinalizando que é possível seu ensino desvinculado do contexto; Tfouni (2004) que a entende como domínio do código escrito, vinculada ao desenvolvimento do raciocínio, já que esta contribui para uma melhor organização do pensamento; e, por fim, temos Goody e Watt (1997), com linhas de pensamento semelhantes às de Tfouni (2004).

Scribner e Cole (1981), ao colocarem os processos de ensino da leitura e da escrita como sendo de responsabilidade da instituição escolar, apontam para a verificação de uma oralidade desenvolvida como prática corriqueira na escola, que evidencia poderes de análise e síntese oral. Assim, o desenvolvimento do raciocínio dos alunos que frequentam a escola é favorecido. Logo, atribuem a esta lócus fundamental para a organização do pensamento e de conhecimentos incorporados da realidade. A instituição escolar assume o papel de ambiente onde os alunos expressam oralmente aquilo que aprendem e que, em um processo de ensino formal, esse conhecimento se transforma; deste modo, direta ou indiretamente, dão relevância ao trabalho e interferência do professor e aos contextos trazidos pelos alunos. 
Leia o texto 'VISÕES DE ALFABETIZAÇÃO' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. A alfabetização considerada como de caráter restrito, para Tfouni, está vinculada ao desenvolvimento do raciocínio e busca o domínio do código escrito, conforme pode-se perceber a partir do texto.
II. A alfabetização considerada como de caráter restrito representa uma visão desenvolvimentista e plural dos aspectos organizacionais e sintáticos da língua, conforme pode ser compreendido após a leitura do texto.
III. Para Abud, a alfabetização considerada como de caráter restrito é primordialmente voltada ao desenvolvimento cognitivo e da capacidade crítica do educando, conforme fica claro após a leitura do texto.

Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1890091 Português
Texto para a questão

VISÕES DE ALFABETIZAÇÃO

(Maia et al., 2015; disponível em: https://bit.ly/3DuIef8). Trecho adaptado. 

Dentro do processo de Alfabetização em Língua Materna, percebemos a existência de duas visões: (1) a Alfabetização considerada como de caráter restrito e; (2) o Letramento, interpretado como um processo mais amplo.

Na primeira visão, temos a Alfabetização em Língua Materna, que guarda a ideia de finitude, quanto ao domínio de códigos e símbolos, ao que se dá importância capital. Logo, esta visão privilegia aspectos organizacionais e sintáticos da língua. 

Sobre a discussão de alfabetização em sua visão restrita, podemos destacar o que alguns autores trazem como contribuição para a construção do entendimento desse conceito: Abud (1987) que a coloca como sendo primordialmente voltada ao domínio das letras; Giroux (1989) que, embora considere a existência de tal visão, a critica por acreditar que, nesta proposta, favorecem-se formas de ignorância política e ideológica; Cook-Gumperz (1991), considerando-a como, em determinadas circunstâncias, tendo papel fundamental de ascensão social; Kleiman (1995) com uma abordagem sinalizando que é possível seu ensino desvinculado do contexto; Tfouni (2004) que a entende como domínio do código escrito, vinculada ao desenvolvimento do raciocínio, já que esta contribui para uma melhor organização do pensamento; e, por fim, temos Goody e Watt (1997), com linhas de pensamento semelhantes às de Tfouni (2004).

Scribner e Cole (1981), ao colocarem os processos de ensino da leitura e da escrita como sendo de responsabilidade da instituição escolar, apontam para a verificação de uma oralidade desenvolvida como prática corriqueira na escola, que evidencia poderes de análise e síntese oral. Assim, o desenvolvimento do raciocínio dos alunos que frequentam a escola é favorecido. Logo, atribuem a esta lócus fundamental para a organização do pensamento e de conhecimentos incorporados da realidade. A instituição escolar assume o papel de ambiente onde os alunos expressam oralmente aquilo que aprendem e que, em um processo de ensino formal, esse conhecimento se transforma; deste modo, direta ou indiretamente, dão relevância ao trabalho e interferência do professor e aos contextos trazidos pelos alunos. 
Leia o texto 'VISÕES DE ALFABETIZAÇÃO' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Uma das ideias presentes no texto é a de que Scribner e Cole colocam os processos de ensino da leitura e da escrita como sendo de responsabilidade das escolas.
II. O texto deixa claro que, para Kleiman, a alfabetização considerada como de caráter restrito possibilita o seu ensino desvinculado de algum contexto.
III. A alfabetização em língua materna, quando de caráter restrito, amplia e diversifica a percepção do sujeito sobre a linguagem, pois, nesse ponto de vista, o educando é estimulado a produzir bens culturais complexos e a expandir seus conhecimentos progressivamente, de acordo com o texto.

Marque a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q1890090 Português
Texto para a questão

VISÕES DE ALFABETIZAÇÃO

(Maia et al., 2015; disponível em: https://bit.ly/3DuIef8). Trecho adaptado. 

Dentro do processo de Alfabetização em Língua Materna, percebemos a existência de duas visões: (1) a Alfabetização considerada como de caráter restrito e; (2) o Letramento, interpretado como um processo mais amplo.

Na primeira visão, temos a Alfabetização em Língua Materna, que guarda a ideia de finitude, quanto ao domínio de códigos e símbolos, ao que se dá importância capital. Logo, esta visão privilegia aspectos organizacionais e sintáticos da língua. 

Sobre a discussão de alfabetização em sua visão restrita, podemos destacar o que alguns autores trazem como contribuição para a construção do entendimento desse conceito: Abud (1987) que a coloca como sendo primordialmente voltada ao domínio das letras; Giroux (1989) que, embora considere a existência de tal visão, a critica por acreditar que, nesta proposta, favorecem-se formas de ignorância política e ideológica; Cook-Gumperz (1991), considerando-a como, em determinadas circunstâncias, tendo papel fundamental de ascensão social; Kleiman (1995) com uma abordagem sinalizando que é possível seu ensino desvinculado do contexto; Tfouni (2004) que a entende como domínio do código escrito, vinculada ao desenvolvimento do raciocínio, já que esta contribui para uma melhor organização do pensamento; e, por fim, temos Goody e Watt (1997), com linhas de pensamento semelhantes às de Tfouni (2004).

Scribner e Cole (1981), ao colocarem os processos de ensino da leitura e da escrita como sendo de responsabilidade da instituição escolar, apontam para a verificação de uma oralidade desenvolvida como prática corriqueira na escola, que evidencia poderes de análise e síntese oral. Assim, o desenvolvimento do raciocínio dos alunos que frequentam a escola é favorecido. Logo, atribuem a esta lócus fundamental para a organização do pensamento e de conhecimentos incorporados da realidade. A instituição escolar assume o papel de ambiente onde os alunos expressam oralmente aquilo que aprendem e que, em um processo de ensino formal, esse conhecimento se transforma; deste modo, direta ou indiretamente, dão relevância ao trabalho e interferência do professor e aos contextos trazidos pelos alunos. 
Leia o texto 'VISÕES DE ALFABETIZAÇÃO' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. O texto traz a ideia de que a alfabetização considerada como de caráter restrito, na visão de Giroux, é um meio eficiente e capaz de superar diversas formas de ignorância política e ideológica.
II. O texto apresenta ao leitor a ideia de que a instituição escolar se configura um ambiente onde os alunos expressam oralmente aquilo que aprendem e que, em um processo de ensino formal, esse conhecimento se transforma.
III. De acordo com o texto, a alfabetização considerada como de caráter restrito, na perspectiva de Cook-Gumperz, tem recorrentemente um papel tolher as possibilidades de ascensão social do indivíduo.

Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1886434 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

Dramas ligados ao coronavírus inundam chamadas do CVV

   A chegada do novo coronavírus e todos os problemas por ele acarretados viraram assunto mundial e um dos reflexos imediatos foi a preocupação com a saúde mental da população. O Centro de Valorização da Vida, o CVV, já sentiu nas últimas duas semanas o impacto da Covid-19. Em pelo menos 50% das ligações o assunto tem surgido como um dos protagonistas das questões discutidas. O CVV recebe no Brasil 8.000 ligações por dia.

   “Os medos acarretados pelo coronavírus atacam em frentes variadas, mas todas elas derivam da questão de privação de liberdade”, afirma Antônio Batista, de São Paulo, voluntário do CVV de São Paulo há mais de vinte anos. “Por amor, muitos não podem encontrar familiares mais velhos sob o risco de transmitir a contaminação. O fato de a pandemia não ter data para terminar deixa a angústia maior: não há previsão para o reencontro com a pessoa amada acontecer”, completa Batista. A população mais velha, muitas vezes, não tem tanta desenvoltura com aplicativos de vídeo, como Skype e WhatsApp, agravando ainda mais a solidão e sensação de impotência. “Há muita gente com medo de perder mãe e avós já doentes, sem ter a chance de poder se despedir”, diz o voluntário.

   Outras queixas ligadas ao coronavírus: distanciamento da família, medo de ser contaminado pela doença, receio de perder o emprego e de empobrecer. A solidão, sempre ela, permeia boa parte das conversas. “Os problemas têm origens muito variadas, mas não podemos ignorar que a pandemia pode agravar o que já existe e trazer novas questões”, aponta Batista. O coronavírus pode ser um gatilho, para ficar no termo técnico mais usado no momento, para desencadear problemas psicológicos. “A pandemia despertou a fragilidade, a vulnerabilidade e a sensação de impotência das pessoas. Para manter a sanidade emocional, o primeiro passo é trabalhar a aceitação dos fatos. Devemos sempre estar atentos sobre a qualidade dos nossos pensamentos no sentido de não entrar em uma espécie de negação do problema nem nos render ao pavor que gera a paranoia”, explica Douglas Maluf, diretor do Centro Nacional de Inteligência Emocional.

   O CVV tem se adaptado aos novos tempos. Há medidas de higiene nos telefones e nas cabines dos centros nos quais os voluntários recebem as ligações. Muitos deles também estão trabalhando de forma remota, ajudando de suas casas quem quer uma palavra de conforto em alguma parte do Brasil. A Covid-19 interrompeu os cursos de capacitação de novos voluntários. “O país tem 120 postos de atendimento”, conta Antônio Batista. Desde 2018, a chamada para o número 188 do CVV passou a ser gratuita — o que permite ligações por quem está sem crédito no celular. “É mito de que apenas pessoas mais velhas ligam. Já atendi muitos adolescentes falando durante o recreio escolar”.

(Portal Veja. 27.03.2020. Adaptado).
Segundo o texto, o “gatilho” é um termo usado para 
Alternativas
Q1886433 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

Dramas ligados ao coronavírus inundam chamadas do CVV

   A chegada do novo coronavírus e todos os problemas por ele acarretados viraram assunto mundial e um dos reflexos imediatos foi a preocupação com a saúde mental da população. O Centro de Valorização da Vida, o CVV, já sentiu nas últimas duas semanas o impacto da Covid-19. Em pelo menos 50% das ligações o assunto tem surgido como um dos protagonistas das questões discutidas. O CVV recebe no Brasil 8.000 ligações por dia.

   “Os medos acarretados pelo coronavírus atacam em frentes variadas, mas todas elas derivam da questão de privação de liberdade”, afirma Antônio Batista, de São Paulo, voluntário do CVV de São Paulo há mais de vinte anos. “Por amor, muitos não podem encontrar familiares mais velhos sob o risco de transmitir a contaminação. O fato de a pandemia não ter data para terminar deixa a angústia maior: não há previsão para o reencontro com a pessoa amada acontecer”, completa Batista. A população mais velha, muitas vezes, não tem tanta desenvoltura com aplicativos de vídeo, como Skype e WhatsApp, agravando ainda mais a solidão e sensação de impotência. “Há muita gente com medo de perder mãe e avós já doentes, sem ter a chance de poder se despedir”, diz o voluntário.

   Outras queixas ligadas ao coronavírus: distanciamento da família, medo de ser contaminado pela doença, receio de perder o emprego e de empobrecer. A solidão, sempre ela, permeia boa parte das conversas. “Os problemas têm origens muito variadas, mas não podemos ignorar que a pandemia pode agravar o que já existe e trazer novas questões”, aponta Batista. O coronavírus pode ser um gatilho, para ficar no termo técnico mais usado no momento, para desencadear problemas psicológicos. “A pandemia despertou a fragilidade, a vulnerabilidade e a sensação de impotência das pessoas. Para manter a sanidade emocional, o primeiro passo é trabalhar a aceitação dos fatos. Devemos sempre estar atentos sobre a qualidade dos nossos pensamentos no sentido de não entrar em uma espécie de negação do problema nem nos render ao pavor que gera a paranoia”, explica Douglas Maluf, diretor do Centro Nacional de Inteligência Emocional.

   O CVV tem se adaptado aos novos tempos. Há medidas de higiene nos telefones e nas cabines dos centros nos quais os voluntários recebem as ligações. Muitos deles também estão trabalhando de forma remota, ajudando de suas casas quem quer uma palavra de conforto em alguma parte do Brasil. A Covid-19 interrompeu os cursos de capacitação de novos voluntários. “O país tem 120 postos de atendimento”, conta Antônio Batista. Desde 2018, a chamada para o número 188 do CVV passou a ser gratuita — o que permite ligações por quem está sem crédito no celular. “É mito de que apenas pessoas mais velhas ligam. Já atendi muitos adolescentes falando durante o recreio escolar”.

(Portal Veja. 27.03.2020. Adaptado).
De acordo com texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q1883189 Português

Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.


Imagem associada para resolução da questão


Segundo Cegalla, conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da mesma oração. Considerando a definição, observe a ocorrência da locução conjuntiva ‘uma vez que’ (linha 01) e indique a alternativa que apresenta corretamente a ideia expressa pela locução, bem como a correta possibilidade de substituição sem provocar alteração ao sentido do período em que se insere.

Alternativas
Q1883181 Português

Para Platão & Fiorin, ‘argumento é todo o procedimento linguístico que visa a persuadir, a fazer o receptor aceitar o que lhe foi comunicado, a levá-lo a crer no que foi dito e a fazer o que foi proposto.’. Conforme os citados autores, são inúmeros os recursos linguísticos usados com a finalidade de convencer e, assim considerando, analise as assertivas seguintes a respeito desses recursos, assinalando V, se verdadeiro, ou F, se falso.


( ) Argumento baseado no consenso tem como base a citação de autoridades em determinado domínio do saber, numa área de atividade humana, que visa corroborar uma tese, um ponto de vista.

( ) Argumento baseado em provas concretas terá muito mais peso se a opinião estiver embasada em fatos comprobatórios. Os dados apresentados devem ser pertinentes, suficientes, adequados, fidedignos.

( ) Argumentos baseados na competência linguística: o modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz. O uso de vocabulário adequado à situação de interlocução dá credibilidade às informações veiculadas; além disso, a utilização de diferentes mecanismos linguísticos também contribui para isso.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
Q1883179 Português

Avalie as seguintes assertivas a respeito de Efeitos de Sentido, conforme preconizam Abaurre e Pontara:


I. Em diferentes situações de interlocução, observa-se que as pessoas exploram a possibilidade de palavras ou expressões receberem mais de uma interpretação. Quando isso ocorre, cria-se o efeito de duplo sentido. Portanto, Duplo Sentido é a propriedade que têm certas palavras e expressões da língua de serem interpretadas de duas maneiras diferentes.

II. Em alguns casos, um texto pode ter mais de um sentido sem que isso tenha sido intencionalmente produzido. Nesses casos, ocorreu uma ambiguidade. Em assim sendo, Ambiguidade é a indeterminação de sentido que certas palavras ou expressões apresentam, dificultando a compreensão do enunciado.

III. A ambiguidade pode somente ocorrer no nível estrutural, em virtude da má colocação de palavras no ambiente frasal.


Quais estão corretas?

Alternativas
Q1882500 Português
Para brincar é preciso apropriar-se de elementos da __________ imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da ____________ ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda brincadeira é uma ________ transformada, no plano das emoções e das ideias, de uma realidade anteriormente _____________.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
Alternativas
Q1882421 Português

Considerando o exposto pelo texto e a charge a seguir, analise as assertivas que relacionam os dois textos: 


Imagem associada para resolução da questão


I. De acordo com o texto, a charge ilustra uma situação de barreira arquitetônica para a inclusão plena.

II. Pode-se inferir, a partir da leitura da charge, que o tamanho da cadeira é de responsabilidade do cadeirante para que ele não se sinta excluído.

III. A charge diverge do texto, mostrando uma situação de inclusão plena.


Quais estão corretas? 

Alternativas
Q1882211 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.



As lições das árvores que perdem as folhas no outono





(Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/lira-neto/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 


A partir da leitura do texto e da charge abaixo, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiro, ou F, se falso.


Imagem associada para resolução da questão

Fonte: https://homeworkhelpers-br.com/portugues.

( ) A charge aborda um dos aspectos abordados pelo texto, a queda das folhas das árvores durante o outono.
( ) O texto aborda o outono de forma idílica, ao passo que a charge o aborda de forma cômica.
( ) A charge não tem relação alguma com o texto, tendo em vista que não aborda o mesmo assunto.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q1880119 Português

FUGA


De repente você resolve: fugir.

Não sabe para onde nem como

nem por quê (no fundo você sabe

a razão de fugir; nasce com a gente).

É preciso FUGIR.

Sem dinheiro sem roupa sem destino.

Esta noite mesmo. Quando os outros

estiverem dormindo.

Ir a pé, de pés nus.

Calçar botina era acordar os gritos

que dormem na textura do soalho.


Levar pão e rosca; para o dia.

Comida sobra em árvores

infinitas, do outro lado do projeto:

um verdor eterno,

frutescente (deve ser).

Tem à beira da estrada, numa venda.

O dono viu passar muitos meninos

que tinham necessidade de fugir

e compreende.

Toda estrada, uma venda

para a fuga.


Fugir rumo da fuga

que não se sabe onde acaba

mas começa em você, ponta dos dedos.

Cabe pouco em duas algibeiras

e você não tem mais do que duas.

Canivete, lenço, figurinhas

de que não vai se separar

(custou tanto a juntar).

As mãos devem ser livres

para pessoas, trabalhos, onças

que virão.


Fugir agora ou nunca. Vão chorar,

vão esquecer você? ou vão lembrar-se?

(lembrar é que é preciso,

compensa toda fuga.)

Ou vão amaldiçoá-lo, pais da Bíblia?

Você não vai saber. Você não volta nunca.

(Essa palavra nunca, deliciosa.)

Se irão sofrer, tanto melhor.

Você não volta nunca nunca nunca.

E será esta noite, meia-noite

Em ponto.


Você dormindo à meia-noite.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Fuga. In: Menino antigo.

Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 155-156.

Assinale a alternativa em que a segunda oração NÃO veicula ideia de causa em relação ao fato expresso na primeira oração.
Alternativas
Q1880117 Português

FUGA


De repente você resolve: fugir.

Não sabe para onde nem como

nem por quê (no fundo você sabe

a razão de fugir; nasce com a gente).

É preciso FUGIR.

Sem dinheiro sem roupa sem destino.

Esta noite mesmo. Quando os outros

estiverem dormindo.

Ir a pé, de pés nus.

Calçar botina era acordar os gritos

que dormem na textura do soalho.


Levar pão e rosca; para o dia.

Comida sobra em árvores

infinitas, do outro lado do projeto:

um verdor eterno,

frutescente (deve ser).

Tem à beira da estrada, numa venda.

O dono viu passar muitos meninos

que tinham necessidade de fugir

e compreende.

Toda estrada, uma venda

para a fuga.


Fugir rumo da fuga

que não se sabe onde acaba

mas começa em você, ponta dos dedos.

Cabe pouco em duas algibeiras

e você não tem mais do que duas.

Canivete, lenço, figurinhas

de que não vai se separar

(custou tanto a juntar).

As mãos devem ser livres

para pessoas, trabalhos, onças

que virão.


Fugir agora ou nunca. Vão chorar,

vão esquecer você? ou vão lembrar-se?

(lembrar é que é preciso,

compensa toda fuga.)

Ou vão amaldiçoá-lo, pais da Bíblia?

Você não vai saber. Você não volta nunca.

(Essa palavra nunca, deliciosa.)

Se irão sofrer, tanto melhor.

Você não volta nunca nunca nunca.

E será esta noite, meia-noite

Em ponto.


Você dormindo à meia-noite.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Fuga. In: Menino antigo.

Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 155-156.

O autor do texto 2 propõe-se a:
Alternativas
Q1880116 Português

FUGA


De repente você resolve: fugir.

Não sabe para onde nem como

nem por quê (no fundo você sabe

a razão de fugir; nasce com a gente).

É preciso FUGIR.

Sem dinheiro sem roupa sem destino.

Esta noite mesmo. Quando os outros

estiverem dormindo.

Ir a pé, de pés nus.

Calçar botina era acordar os gritos

que dormem na textura do soalho.


Levar pão e rosca; para o dia.

Comida sobra em árvores

infinitas, do outro lado do projeto:

um verdor eterno,

frutescente (deve ser).

Tem à beira da estrada, numa venda.

O dono viu passar muitos meninos

que tinham necessidade de fugir

e compreende.

Toda estrada, uma venda

para a fuga.


Fugir rumo da fuga

que não se sabe onde acaba

mas começa em você, ponta dos dedos.

Cabe pouco em duas algibeiras

e você não tem mais do que duas.

Canivete, lenço, figurinhas

de que não vai se separar

(custou tanto a juntar).

As mãos devem ser livres

para pessoas, trabalhos, onças

que virão.


Fugir agora ou nunca. Vão chorar,

vão esquecer você? ou vão lembrar-se?

(lembrar é que é preciso,

compensa toda fuga.)

Ou vão amaldiçoá-lo, pais da Bíblia?

Você não vai saber. Você não volta nunca.

(Essa palavra nunca, deliciosa.)

Se irão sofrer, tanto melhor.

Você não volta nunca nunca nunca.

E será esta noite, meia-noite

Em ponto.


Você dormindo à meia-noite.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Fuga. In: Menino antigo.

Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 155-156.

Entre a decisão “E será esta noite, meia-noite. / Em ponto.” (versos 43 e 44) e a ação “Você dormindo à meia-noite” (verso 45), existe uma incoerência, a qual nos indica que:
Alternativas
Q1880115 Português

FUGA


De repente você resolve: fugir.

Não sabe para onde nem como

nem por quê (no fundo você sabe

a razão de fugir; nasce com a gente).

É preciso FUGIR.

Sem dinheiro sem roupa sem destino.

Esta noite mesmo. Quando os outros

estiverem dormindo.

Ir a pé, de pés nus.

Calçar botina era acordar os gritos

que dormem na textura do soalho.


Levar pão e rosca; para o dia.

Comida sobra em árvores

infinitas, do outro lado do projeto:

um verdor eterno,

frutescente (deve ser).

Tem à beira da estrada, numa venda.

O dono viu passar muitos meninos

que tinham necessidade de fugir

e compreende.

Toda estrada, uma venda

para a fuga.


Fugir rumo da fuga

que não se sabe onde acaba

mas começa em você, ponta dos dedos.

Cabe pouco em duas algibeiras

e você não tem mais do que duas.

Canivete, lenço, figurinhas

de que não vai se separar

(custou tanto a juntar).

As mãos devem ser livres

para pessoas, trabalhos, onças

que virão.


Fugir agora ou nunca. Vão chorar,

vão esquecer você? ou vão lembrar-se?

(lembrar é que é preciso,

compensa toda fuga.)

Ou vão amaldiçoá-lo, pais da Bíblia?

Você não vai saber. Você não volta nunca.

(Essa palavra nunca, deliciosa.)

Se irão sofrer, tanto melhor.

Você não volta nunca nunca nunca.

E será esta noite, meia-noite

Em ponto.


Você dormindo à meia-noite.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Fuga. In: Menino antigo.

Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 155-156.

A partir dos versos “De repente você resolve: fugir.” (verso 1) e “É preciso FUGIR.” (verso 5), assinale a alternativa que apresenta a causa para a decisão e a necessidade de fugir.
Alternativas
Q1880113 Português

FUGA

        Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

        — Para com esse barulho, meu filho — falou, sem se voltar.

       Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

        — Pois então para de empurrar a cadeira.

        — Eu vou embora — foi a resposta.

        Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

        A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

       — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

       — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele.

      Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa prevenido — uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

         — Meu filho, cuidado!

      O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

          — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito comovido.

         — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

         Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

          — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

        — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

          — Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

          — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

           E o barulho recomeçou.

Fonte: SABINO, Fernando. Fuga. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986. p.122-123. 

“Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano.”. Assinale a afirmativa INCORRETA em relação a esse trecho do sexto parágrafo.
Alternativas
Q1880110 Português

FUGA

        Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

        — Para com esse barulho, meu filho — falou, sem se voltar.

       Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

        — Pois então para de empurrar a cadeira.

        — Eu vou embora — foi a resposta.

        Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

        A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

       — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

       — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele.

      Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa prevenido — uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

         — Meu filho, cuidado!

      O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

          — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito comovido.

         — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

         Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

          — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

        — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

          — Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

          — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

           E o barulho recomeçou.

Fonte: SABINO, Fernando. Fuga. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986. p.122-123. 

Em “(...) saíra de casa prevenido (...)”, a forma verbal sublinhada poderia ser substituída por: 
Alternativas
Q1880106 Português

FUGA

        Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

        — Para com esse barulho, meu filho — falou, sem se voltar.

       Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

        — Pois então para de empurrar a cadeira.

        — Eu vou embora — foi a resposta.

        Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

        A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

       — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

       — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele.

      Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa prevenido — uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

         — Meu filho, cuidado!

      O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

          — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito comovido.

         — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

         Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

          — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

        — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

          — Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

          — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

           E o barulho recomeçou.

Fonte: SABINO, Fernando. Fuga. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986. p.122-123. 

No cotidiano, o diminutivo pode ser usado para expressar tamanho pequeno, tom pejorativo ou mesmo afetivo. Assinale a alternativa em que o diminutivo utilizado no texto 1 expressa tom pejorativo.
Alternativas
Q1880105 Português

FUGA

        Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

        — Para com esse barulho, meu filho — falou, sem se voltar.

       Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

        — Pois então para de empurrar a cadeira.

        — Eu vou embora — foi a resposta.

        Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

        A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

       — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

       — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele.

      Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa prevenido — uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

         — Meu filho, cuidado!

      O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

          — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito comovido.

         — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

         Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

          — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

        — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

          — Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

          — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

           E o barulho recomeçou.

Fonte: SABINO, Fernando. Fuga. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986. p.122-123. 

A respeito do trecho “Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas (...)”, assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Q1880104 Português

FUGA

        Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

        — Para com esse barulho, meu filho — falou, sem se voltar.

       Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

        — Pois então para de empurrar a cadeira.

        — Eu vou embora — foi a resposta.

        Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

        A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

       — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

       — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele.

      Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa prevenido — uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

         — Meu filho, cuidado!

      O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

          — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito comovido.

         — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

         Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

          — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

        — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

          — Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

          — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

           E o barulho recomeçou.

Fonte: SABINO, Fernando. Fuga. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986. p.122-123. 

Levando-se em consideração apenas o primeiro parágrafo do texto 1, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Respostas
15621: B
15622: C
15623: B
15624: A
15625: C
15626: C
15627: C
15628: D
15629: B
15630: A
15631: B
15632: A
15633: D
15634: B
15635: A
15636: A
15637: C
15638: C
15639: A
15640: B