Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4370172 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



Geopolítica, a hora do retorno 


Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano até o momento __________ ocorre um evento catastrófico e toda aquela bagagem teórico-conceitual é acionada para tentar entender o que o empírico impõe. Foi preciso, mais uma vez, __________ uma superpotência militar demonstrasse na prática que a geopolítica está viva, __________ geógrafos e outros colegas voltassem para os debates que estavam cobertos por uma poeira empobrecedora.


Não somente na academia, mas é visível como o público em geral está buscando, nos últimos anos, literatura que o ajude a compreender algo que parecia distante no tempo e no espaço: superpotências que rivalizam, não somente no campo simbólico e comercial, mas também em conflitos territoriais, que, ou eram percebidos como distantes no tempo, circunscritos às aulas de história, ou em espaços mundiais periféricos, __________ atenção, em geral, é marginalizada pela grande mídia e intelectuais.


[...] O que está em jogo é a revalorização da geografia como modo de se pensar o Estado, em suas questões internas e, ao mesmo tempo, na formulação de políticas externas. Em outras palavras, a complexidade da localização é acionada para formular teorias e projetos de ação voltados às relações de poder entre os estados. Sob um olhar repaginado (às vezes nem tanto) do realismo político, o território é visto novamente como não apenas produto de relações de poder, mas também “fonte” de poder.


A geopolítica sempre foi uma mistura de conhecimento e técnica, uma espécie de consciência geográfica do Estado, como afirmava a importante geógrafa brasileira Bertha Becker (1930-2013). Os elementos geográficos – posição, distâncias, recursos naturais, concentração e dispersão da população, massa territorial, fronteiras e limites, grau de conexão etc. – precisam ser levados em consideração, seja para interpretar os movimentos nesse jogo War do mundo real, seja para traçar estratégias aplicadas para o Estado-nação em sua constante e necessária (re)construção territorial. É nesse sentido __________ a crise atual pode ser entendida.  


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/geopolitica-a-hora-do-retorno/. (Adaptado) 

Assinale a alternativa que conceitua corretamente “geopolítica” de acordo com o texto.
Alternativas
Q4370171 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



Geopolítica, a hora do retorno 


Há discussões acadêmicas que, infelizmente, são colocadas em segundo plano até o momento __________ ocorre um evento catastrófico e toda aquela bagagem teórico-conceitual é acionada para tentar entender o que o empírico impõe. Foi preciso, mais uma vez, __________ uma superpotência militar demonstrasse na prática que a geopolítica está viva, __________ geógrafos e outros colegas voltassem para os debates que estavam cobertos por uma poeira empobrecedora.


Não somente na academia, mas é visível como o público em geral está buscando, nos últimos anos, literatura que o ajude a compreender algo que parecia distante no tempo e no espaço: superpotências que rivalizam, não somente no campo simbólico e comercial, mas também em conflitos territoriais, que, ou eram percebidos como distantes no tempo, circunscritos às aulas de história, ou em espaços mundiais periféricos, __________ atenção, em geral, é marginalizada pela grande mídia e intelectuais.


[...] O que está em jogo é a revalorização da geografia como modo de se pensar o Estado, em suas questões internas e, ao mesmo tempo, na formulação de políticas externas. Em outras palavras, a complexidade da localização é acionada para formular teorias e projetos de ação voltados às relações de poder entre os estados. Sob um olhar repaginado (às vezes nem tanto) do realismo político, o território é visto novamente como não apenas produto de relações de poder, mas também “fonte” de poder.


A geopolítica sempre foi uma mistura de conhecimento e técnica, uma espécie de consciência geográfica do Estado, como afirmava a importante geógrafa brasileira Bertha Becker (1930-2013). Os elementos geográficos – posição, distâncias, recursos naturais, concentração e dispersão da população, massa territorial, fronteiras e limites, grau de conexão etc. – precisam ser levados em consideração, seja para interpretar os movimentos nesse jogo War do mundo real, seja para traçar estratégias aplicadas para o Estado-nação em sua constante e necessária (re)construção territorial. É nesse sentido __________ a crise atual pode ser entendida.  


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/geopolitica-a-hora-do-retorno/. (Adaptado) 

Assinale a alternativa que menciona a tese principal formulada no texto.
Alternativas
Q4370169 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



Como o mundo funciona


Mudança climática, poluição e superexploração de recursos naturais são problemas graves, que cobram ações de todos nós, mas é precipitado afirmar que o fim do planeta ou da civilização esteja próximo. Não há risco, por exemplo, de o oxigênio da Terra acabar, como já sugeriu um presidente. Já água e comida são uma preocupação, mas não em relação à produção e sim à distribuição. Temos esses dois recursos em quantidades suficientes, mas os gerenciamos muito mal. Um terço dos alimentos produzidos estraga sem ser consumido.


O aquecimento global é uma realidade e vai ser difícil limitá-lo aos 2 ºC. O problema é que somos uma civilização de combustíveis fósseis e livrar-nos deles é uma tarefa de séculos, não de anos nem de décadas. Nós provavelmente avançaremos de forma rápida para tecnologias sustentáveis na produção de eletricidade e transportes, mas isso é só parte da conta.


Os fertilizantes, indispensáveis para alimentar os 8 bilhões de humanos que habitam o planeta, e aço, cimento e plásticos, que dão a base material para nossa civilização, encapsulam enormes quantidades de carbono. E, se quisermos ser minimamente justos, isto é, estender aos bilhões de terrestres que ainda vivem na pobreza níveis de conforto semelhantes aos experimentados pelos habitantes de países ricos, então precisaremos produzir muito mais. Ao contrário da eletricidade, não há à vista nenhuma tecnologia sustentável para substituí-los. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2022/06/como-o-mundo-funciona.shtml. (Adaptado)

Considerando as informações apresentadas no texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4370168 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



Como o mundo funciona


Mudança climática, poluição e superexploração de recursos naturais são problemas graves, que cobram ações de todos nós, mas é precipitado afirmar que o fim do planeta ou da civilização esteja próximo. Não há risco, por exemplo, de o oxigênio da Terra acabar, como já sugeriu um presidente. Já água e comida são uma preocupação, mas não em relação à produção e sim à distribuição. Temos esses dois recursos em quantidades suficientes, mas os gerenciamos muito mal. Um terço dos alimentos produzidos estraga sem ser consumido.


O aquecimento global é uma realidade e vai ser difícil limitá-lo aos 2 ºC. O problema é que somos uma civilização de combustíveis fósseis e livrar-nos deles é uma tarefa de séculos, não de anos nem de décadas. Nós provavelmente avançaremos de forma rápida para tecnologias sustentáveis na produção de eletricidade e transportes, mas isso é só parte da conta.


Os fertilizantes, indispensáveis para alimentar os 8 bilhões de humanos que habitam o planeta, e aço, cimento e plásticos, que dão a base material para nossa civilização, encapsulam enormes quantidades de carbono. E, se quisermos ser minimamente justos, isto é, estender aos bilhões de terrestres que ainda vivem na pobreza níveis de conforto semelhantes aos experimentados pelos habitantes de países ricos, então precisaremos produzir muito mais. Ao contrário da eletricidade, não há à vista nenhuma tecnologia sustentável para substituí-los. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2022/06/como-o-mundo-funciona.shtml. (Adaptado)

Assinale a alternativa que explica a dificuldade apontada pelo autor no trecho sublinhado no texto. 
Alternativas
Q4370167 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



__________ o norte está na parte superior da maioria dos mapas do mundo?


Poucas coisas parecem mais naturais do que os quatro pontos cardeais.  


Onde quer que você esteja no planeta, você pode ver o Sol nascendo no leste e se pondo no oeste. O zênite do sol identifica o sul, enquanto outra estrela, a estrela polar, lhe dirá onde está o norte. 


Sem os pontos cardeais estaríamos perdidos. Mais do que pontos em um mapa ou bússola, são ideias poderosas com significados políticos, morais e culturais. [...]


Embora tenha dado origem a um dos conceitos mais poderosos e intangíveis – o Ocidente ou o mundo ocidental – as sociedades antigas recusavam-se a privilegiar o Ocidente como lugar onde o sol se punha.  


O pôr do sol personificava o fim da jornada da vida, antecipando a escuridão e o reino da morte, de modo que quase nenhuma cultura o escolheu como orientação sagrada para a oração, e menos ainda o colocou no topo de seus mapas. 


Ele era colocado na área inferior dos mapas, como no mapa-múndi de Hereford, um dos grandes mapas medievais, no qual ao olhar para baixo você chega ao oeste, onde o julgamento final espera por você. [...]


Mas se o oeste estiver na parte de baixo dos mapas, o leste estará na parte de cima.


O norte também é único entre os quatro pontos cardeais, devido ao polo físico do campo magnético da Terra. As correntes de convecção combinam a eletricidade com o núcleo planetário de ferro e níquel, criando um campo geomagnético que gira em torno do planeta e se espalha pelo espaço.


No entanto, como não possuímos uma bússola neurológica interna, do ponto de vista científico, não temos um sentido inato do norte magnético.


Então, __________ ele acabou por padrão no topo do mapa-múndi é uma questão que ainda divide os historiadores.  


Sabemos __________ os chineses o tinham ali, embora as primeiras bússolas chinesas apontassem para o sul, o que era considerado mais desejável do que o norte escuro.


O imperador vivia no norte do país e sempre tinha que aparecer no topo do mapa, olhando seus súditos de cima para baixo.


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61691283. (Adaptado)  

Releia o trecho a seguir:


As correntes de convecção combinam a eletricidade com o núcleo planetário de ferro e níquel, criando um campo geomagnético que gira em torno do planeta e se espalha pelo espaço.  


No entanto, como não possuímos uma bússola neurológica interna, do ponto de vista científico, não temos um sentido inato do norte magnético.


A relação criada pela expressão em destaque é de:  

Alternativas
Q4370166 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



__________ o norte está na parte superior da maioria dos mapas do mundo?


Poucas coisas parecem mais naturais do que os quatro pontos cardeais.  


Onde quer que você esteja no planeta, você pode ver o Sol nascendo no leste e se pondo no oeste. O zênite do sol identifica o sul, enquanto outra estrela, a estrela polar, lhe dirá onde está o norte. 


Sem os pontos cardeais estaríamos perdidos. Mais do que pontos em um mapa ou bússola, são ideias poderosas com significados políticos, morais e culturais. [...]


Embora tenha dado origem a um dos conceitos mais poderosos e intangíveis – o Ocidente ou o mundo ocidental – as sociedades antigas recusavam-se a privilegiar o Ocidente como lugar onde o sol se punha.  


O pôr do sol personificava o fim da jornada da vida, antecipando a escuridão e o reino da morte, de modo que quase nenhuma cultura o escolheu como orientação sagrada para a oração, e menos ainda o colocou no topo de seus mapas. 


Ele era colocado na área inferior dos mapas, como no mapa-múndi de Hereford, um dos grandes mapas medievais, no qual ao olhar para baixo você chega ao oeste, onde o julgamento final espera por você. [...]


Mas se o oeste estiver na parte de baixo dos mapas, o leste estará na parte de cima.


O norte também é único entre os quatro pontos cardeais, devido ao polo físico do campo magnético da Terra. As correntes de convecção combinam a eletricidade com o núcleo planetário de ferro e níquel, criando um campo geomagnético que gira em torno do planeta e se espalha pelo espaço.


No entanto, como não possuímos uma bússola neurológica interna, do ponto de vista científico, não temos um sentido inato do norte magnético.


Então, __________ ele acabou por padrão no topo do mapa-múndi é uma questão que ainda divide os historiadores.  


Sabemos __________ os chineses o tinham ali, embora as primeiras bússolas chinesas apontassem para o sul, o que era considerado mais desejável do que o norte escuro.


O imperador vivia no norte do país e sempre tinha que aparecer no topo do mapa, olhando seus súditos de cima para baixo.


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61691283. (Adaptado)  

Quanto aos recursos coesivos sublinhados no texto, assinale a alternativa que estabelece corretamente as relações entre os termos e seus referentes. 
Alternativas
Q4370165 Português

O texto a seguir é referência para a questão.



__________ o norte está na parte superior da maioria dos mapas do mundo?


Poucas coisas parecem mais naturais do que os quatro pontos cardeais.  


Onde quer que você esteja no planeta, você pode ver o Sol nascendo no leste e se pondo no oeste. O zênite do sol identifica o sul, enquanto outra estrela, a estrela polar, lhe dirá onde está o norte. 


Sem os pontos cardeais estaríamos perdidos. Mais do que pontos em um mapa ou bússola, são ideias poderosas com significados políticos, morais e culturais. [...]


Embora tenha dado origem a um dos conceitos mais poderosos e intangíveis – o Ocidente ou o mundo ocidental – as sociedades antigas recusavam-se a privilegiar o Ocidente como lugar onde o sol se punha.  


O pôr do sol personificava o fim da jornada da vida, antecipando a escuridão e o reino da morte, de modo que quase nenhuma cultura o escolheu como orientação sagrada para a oração, e menos ainda o colocou no topo de seus mapas. 


Ele era colocado na área inferior dos mapas, como no mapa-múndi de Hereford, um dos grandes mapas medievais, no qual ao olhar para baixo você chega ao oeste, onde o julgamento final espera por você. [...]


Mas se o oeste estiver na parte de baixo dos mapas, o leste estará na parte de cima.


O norte também é único entre os quatro pontos cardeais, devido ao polo físico do campo magnético da Terra. As correntes de convecção combinam a eletricidade com o núcleo planetário de ferro e níquel, criando um campo geomagnético que gira em torno do planeta e se espalha pelo espaço.


No entanto, como não possuímos uma bússola neurológica interna, do ponto de vista científico, não temos um sentido inato do norte magnético.


Então, __________ ele acabou por padrão no topo do mapa-múndi é uma questão que ainda divide os historiadores.  


Sabemos __________ os chineses o tinham ali, embora as primeiras bússolas chinesas apontassem para o sul, o que era considerado mais desejável do que o norte escuro.


O imperador vivia no norte do país e sempre tinha que aparecer no topo do mapa, olhando seus súditos de cima para baixo.


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61691283. (Adaptado)  

Considerando as informações apresentadas no texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4370003 Português
Hidrogéissão redes tridimensionais de polímeros – naturais ou sintéticos – capazes de reter grande quantidade de água em sua estrutura. Outra característica importante é a elasticidade desses compostos. Uma das novas aplicações, desenvolvida no Canadá, é um sensor que, grudado à pele, transforma estímulos mecânicos, como tensão e deformação, e outros sinais, como umidade, em sinais elétricos. O dispositivo foi batizado de AISkin (de pele iônica artificial em inglês), e os primeiros resultados foram publicados na revista Materials Horizons. A previsão é que o sensor possa incrementar tecnologias vestíveis em áreas diversas. No artigo, os cientistas relatam testes bem-sucedidos com a detecção do movimento de um dedo da mão, o que poderia ajudar, na área da saúde, o acompanhamento de processos de reabilitação, por exemplo. Outro teste foi feito com um touch pad (painel sensível ao toque) grudado à mão de uma pessoa, no qual foi possível controlar ações em um jogo eletrônico no computador. A inspiração para o novo sensor veio diretamente da pele humana, uma rede polimérica com presença de uma variedade de sensores neurais. Esses sensores transformam os estímulos recebidos – como um aperto de mão ou a aproximação do fogo – em sinais elétricos pelo transporte de íons (átomos eletricamente carregados, positiva ou negativamente, por terem perdido ou ganhado elétrons). Essa capacidade é chamada de transdução – a transformação de estímulo ou sinal de um tipo em outro.
[...] Pezzo, Mariana Disponível em: https://sinteses.blogfolha.uol.com.br/2020/01/23/de-piscina-de-ions-a-bebedouro-de-bacterias-o-potencialdo-hidrogel/ Acesso em: 23 jan. 2020. (Fragmento) 


De acordo com o texto acima, assinale a alternativa cujo trecho requer novas informações a fim de permitir rever opiniões e crenças desfavoráveis ao fato narrado. 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4367000 Português
TEXTO III


— O padrinho por que não compra um sítio? Seria tão bom fazer as suas culturas, ter o seu pomar, a sua horta... não acha?
Tão taciturno que ele estivesse, não pôde deixar de modificar imediatamente a sua fisionomia à lembrança da moça. Era um velho desejo seu, esse de tirar da terra o alimento, a alegria e a fortuna; e foi lembrando dos seus antigos projetos que respondeu à afilhada:
— É verdade, minha filha. Que magnífica ideia, tens tu! Há por aí tantas terras férteis sem emprego... A nossa terra tem os terrenos mais férteis do mundo... O milho pode dar até duas colheitas e quatrocentos por um...
A moça esteve quase arrependida da sua lembrança. Pareceu-lhe que ia atear no espírito do padrinho manias já extintas.
— Em toda a parte - não acha, meu padrinho? - há terras férteis.
— Mas como no Brasil, apressou-se ele em dizer, há poucos países que as tenham. Vou fazer o que tu dizes: plantar, criar, cultivar o milho, o feijão, a batata inglesa... Tu irás ver as minhas culturas, a minha horta, o meu pomar - então é que te convencerás como são fecundas as nossas terras!
A ideia caiu-lhe na cabeça e germinou logo. O terreno estava amanhado e só esperava uma boa semente. Não lhe voltou a alegria que jamais teve, mas a taciturnidade foi-se com o abatimento moral, e veio-lhe a atividade mental cerebrina, por assim dizer, de  outros tempos. Indagou dos preços correntes das frutas, dos legumes, das batatas, dos aipins; calculou que cinquenta laranjeiras, trinta abacateiros, oitenta pessegueiros, outras árvores frutíferas, além dos abacaxis (que mina!), das abóboras e outros produtos menos importantes, podiam dar o rendimento anual de mais de quatro contos, tirando as despesas. Seria ocioso trazer para aqui os detalhes dos seus cálculos, baseados em tudo no que vem estabelecido nos boletins da Associação de Agricultura Nacional. Levou em linha de conta a produção média de cada pé de fruteira, de hectare cultivado, e também os salários, as perdas inevitáveis; e, quanto aos preços, ele foi em pessoa ao mercado buscá-los.
Planejou a sua vida agrícola com a exatidão e meticulosidade que punha em todos os seus projetos. Encarou-a por todas as faces, pesou as vantagens e ônus; e muito contente ficou em vê-la monetariamente atraente, não por ambição de fazer fortuna, mas por haver nisso mais uma demonstração das excelências do Brasil.

BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paula: Ática. (fragmento)
No texto em questão, o olhar do padrinho em relação ao espaço rural é 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366999 Português
TEXTO III


— O padrinho por que não compra um sítio? Seria tão bom fazer as suas culturas, ter o seu pomar, a sua horta... não acha?
Tão taciturno que ele estivesse, não pôde deixar de modificar imediatamente a sua fisionomia à lembrança da moça. Era um velho desejo seu, esse de tirar da terra o alimento, a alegria e a fortuna; e foi lembrando dos seus antigos projetos que respondeu à afilhada:
— É verdade, minha filha. Que magnífica ideia, tens tu! Há por aí tantas terras férteis sem emprego... A nossa terra tem os terrenos mais férteis do mundo... O milho pode dar até duas colheitas e quatrocentos por um...
A moça esteve quase arrependida da sua lembrança. Pareceu-lhe que ia atear no espírito do padrinho manias já extintas.
— Em toda a parte - não acha, meu padrinho? - há terras férteis.
— Mas como no Brasil, apressou-se ele em dizer, há poucos países que as tenham. Vou fazer o que tu dizes: plantar, criar, cultivar o milho, o feijão, a batata inglesa... Tu irás ver as minhas culturas, a minha horta, o meu pomar - então é que te convencerás como são fecundas as nossas terras!
A ideia caiu-lhe na cabeça e germinou logo. O terreno estava amanhado e só esperava uma boa semente. Não lhe voltou a alegria que jamais teve, mas a taciturnidade foi-se com o abatimento moral, e veio-lhe a atividade mental cerebrina, por assim dizer, de  outros tempos. Indagou dos preços correntes das frutas, dos legumes, das batatas, dos aipins; calculou que cinquenta laranjeiras, trinta abacateiros, oitenta pessegueiros, outras árvores frutíferas, além dos abacaxis (que mina!), das abóboras e outros produtos menos importantes, podiam dar o rendimento anual de mais de quatro contos, tirando as despesas. Seria ocioso trazer para aqui os detalhes dos seus cálculos, baseados em tudo no que vem estabelecido nos boletins da Associação de Agricultura Nacional. Levou em linha de conta a produção média de cada pé de fruteira, de hectare cultivado, e também os salários, as perdas inevitáveis; e, quanto aos preços, ele foi em pessoa ao mercado buscá-los.
Planejou a sua vida agrícola com a exatidão e meticulosidade que punha em todos os seus projetos. Encarou-a por todas as faces, pesou as vantagens e ônus; e muito contente ficou em vê-la monetariamente atraente, não por ambição de fazer fortuna, mas por haver nisso mais uma demonstração das excelências do Brasil.

BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paula: Ática. (fragmento)
“Planejou a sua vida agrícola com a exatidão e meticulosidade que punha em todos os seus projetos”. (8º§) Esse fragmento revela que Policarpo Quaresma, o padrinho, era um homem 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366995 Português
Texto II
O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


GULLAR Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. p. 227-8.
A partir da leitura do poema, pode-se afirmar que 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366994 Português
Texto II
O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


GULLAR Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. p. 227-8.
A última estrofe do poema revela por parte do eu lírico uma
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366993 Português
Texto II
O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


GULLAR Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. p. 227-8.
O poema apresenta uma estrutura circular, remetendo a um processo que não tem fim uma vez que se repete no tempo. Nesse contexto, os personagens que representam as etapas: a produção, a comercialização e o consumo, respectivamente, são
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366990 Português
Texto I
Agricultura familiar, desafios e oportunidades rumo à inovação


No Brasil, a agricultura familiar está intrinsecamente vinculada à segurança alimentar e nutricional da população. Ela não só impulsiona economias locais, como também contribui para o desenvolvimento rural sustentável ao estabelecer uma relação íntima e vínculos duradouros da família com seu ambiente de moradia e produção. [...]

Apesar disso, as propriedades familiares compreendem apenas 24,3% de toda a área rural do país. O tamanho limitado compromete a viabilidade financeira desses estabelecimentos, uma vez que a escala de produção se torna um problema estrutural para o agricultor.

Estudos indicam que, em média, o valor bruto de produção mensal por propriedade familiar é de 0,46 salário mínimo, o que coloca grande parte dos produtores em situação de extrema pobreza. No Nordeste, por exemplo, 72% dos produtores não geram lucro suficiente no estabelecimento para elevar a mão de obra familiar acima da linha de pobreza. Inevitavelmente, essa realidade tem reflexo danoso na sustentabilidade dos estabelecimentos rurais familiares. [...]

Essa situação representa um grande desafio, principalmente quando a produção é feita em pequena escala. Com a perspectiva de desenvolvimento, o desafio dos agricultores familiares é melhorar sua capacidade de inserção nos mercados locais, por meio da inovação, da adoção de tecnologias e do estabelecimento de redes sociotécnicas e cooperativas.

Antes de tudo, é necessário desmistificar a herança histórica de que a agricultura familiar é basicamente uma agricultura de subsistência, voltada única e exclusivamente para o consumo da família, e quebrar as barreiras que impedem ou dificultam a transformação de um agricultor familiar em um empreendedor rural. É ainda fundamental buscar estratégias que viabilizem o estabelecimento de diferentes formas de associação por parte dos pequenos produtores. O sucesso nesse empreendimento não só melhoraria a capacidade de eles negociarem compras de insumos, como também criaria a possibilidade de encontrarem mercados mais estáveis para seus produtos. [...]

Para que os agricultores familiares possam se sentir confiantes, seguros, com a adoção das novas tecnologias ou até mesmo de processos mais sofisticados de gerenciamento de sua propriedade, é fundamental que o processo de apropriação dessas tecnologias seja acompanhado de uma rede de suporte e estímulo. [...] Esse é um processo que demanda parceria entre a pesquisa, o ensino e a extensão e o agricultor familiar, estimulando, cada vez mais, a inovação do setor e seu acesso a vários mercados. [...]

Agricultores familiares bem-sucedidos contribuem tanto para o fortalecimento do desenvolvimento regional, quanto para a fixação do homem no campo. E o resultado é mais segurança, mais qualidade e mais oferta de alimentos, medidas que, em síntese, ampliam a sustentabilidade agrícola.



Adaptado de BITTENCOURT, Daniela. Agricultura familiar, desafios e oportunidades rumo a inovação. In: EMBRAPA, Brasília, DF, 23 jan. 2018. Disponível em:<https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/31505030/artigo---agricultura-familiardesafios-e-oportunidades-rumo-a-inovacao> . Acesso em: 3 ago. 2020.
Leia o trecho:
“Para que os agricultores familiares possam se sentir confiantes, seguros, com a adoção das novas tecnologias ou até mesmo de processos mais sofisticados de gerenciamento de sua propriedade, é fundamental que o processo de apropriação dessas tecnologias seja acompanhado de uma rede de suporte e estímulo” (6º§). No período, o conector discursivo sublinhado indica:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366989 Português
Texto I
Agricultura familiar, desafios e oportunidades rumo à inovação


No Brasil, a agricultura familiar está intrinsecamente vinculada à segurança alimentar e nutricional da população. Ela não só impulsiona economias locais, como também contribui para o desenvolvimento rural sustentável ao estabelecer uma relação íntima e vínculos duradouros da família com seu ambiente de moradia e produção. [...]

Apesar disso, as propriedades familiares compreendem apenas 24,3% de toda a área rural do país. O tamanho limitado compromete a viabilidade financeira desses estabelecimentos, uma vez que a escala de produção se torna um problema estrutural para o agricultor.

Estudos indicam que, em média, o valor bruto de produção mensal por propriedade familiar é de 0,46 salário mínimo, o que coloca grande parte dos produtores em situação de extrema pobreza. No Nordeste, por exemplo, 72% dos produtores não geram lucro suficiente no estabelecimento para elevar a mão de obra familiar acima da linha de pobreza. Inevitavelmente, essa realidade tem reflexo danoso na sustentabilidade dos estabelecimentos rurais familiares. [...]

Essa situação representa um grande desafio, principalmente quando a produção é feita em pequena escala. Com a perspectiva de desenvolvimento, o desafio dos agricultores familiares é melhorar sua capacidade de inserção nos mercados locais, por meio da inovação, da adoção de tecnologias e do estabelecimento de redes sociotécnicas e cooperativas.

Antes de tudo, é necessário desmistificar a herança histórica de que a agricultura familiar é basicamente uma agricultura de subsistência, voltada única e exclusivamente para o consumo da família, e quebrar as barreiras que impedem ou dificultam a transformação de um agricultor familiar em um empreendedor rural. É ainda fundamental buscar estratégias que viabilizem o estabelecimento de diferentes formas de associação por parte dos pequenos produtores. O sucesso nesse empreendimento não só melhoraria a capacidade de eles negociarem compras de insumos, como também criaria a possibilidade de encontrarem mercados mais estáveis para seus produtos. [...]

Para que os agricultores familiares possam se sentir confiantes, seguros, com a adoção das novas tecnologias ou até mesmo de processos mais sofisticados de gerenciamento de sua propriedade, é fundamental que o processo de apropriação dessas tecnologias seja acompanhado de uma rede de suporte e estímulo. [...] Esse é um processo que demanda parceria entre a pesquisa, o ensino e a extensão e o agricultor familiar, estimulando, cada vez mais, a inovação do setor e seu acesso a vários mercados. [...]

Agricultores familiares bem-sucedidos contribuem tanto para o fortalecimento do desenvolvimento regional, quanto para a fixação do homem no campo. E o resultado é mais segurança, mais qualidade e mais oferta de alimentos, medidas que, em síntese, ampliam a sustentabilidade agrícola.



Adaptado de BITTENCOURT, Daniela. Agricultura familiar, desafios e oportunidades rumo a inovação. In: EMBRAPA, Brasília, DF, 23 jan. 2018. Disponível em:<https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/31505030/artigo---agricultura-familiardesafios-e-oportunidades-rumo-a-inovacao> . Acesso em: 3 ago. 2020.
No título, o fragmento “rumo à inovação” direciona o agricultor familiar 
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Ano: 2022 Banca: UFRRJ Órgão: UFRRJ Prova: UFRRJ - 2022 - UFRRJ - Engenheiro Agrônomo |
Q4366985 Português
Texto I
Agricultura familiar, desafios e oportunidades rumo à inovação


No Brasil, a agricultura familiar está intrinsecamente vinculada à segurança alimentar e nutricional da população. Ela não só impulsiona economias locais, como também contribui para o desenvolvimento rural sustentável ao estabelecer uma relação íntima e vínculos duradouros da família com seu ambiente de moradia e produção. [...]

Apesar disso, as propriedades familiares compreendem apenas 24,3% de toda a área rural do país. O tamanho limitado compromete a viabilidade financeira desses estabelecimentos, uma vez que a escala de produção se torna um problema estrutural para o agricultor.

Estudos indicam que, em média, o valor bruto de produção mensal por propriedade familiar é de 0,46 salário mínimo, o que coloca grande parte dos produtores em situação de extrema pobreza. No Nordeste, por exemplo, 72% dos produtores não geram lucro suficiente no estabelecimento para elevar a mão de obra familiar acima da linha de pobreza. Inevitavelmente, essa realidade tem reflexo danoso na sustentabilidade dos estabelecimentos rurais familiares. [...]

Essa situação representa um grande desafio, principalmente quando a produção é feita em pequena escala. Com a perspectiva de desenvolvimento, o desafio dos agricultores familiares é melhorar sua capacidade de inserção nos mercados locais, por meio da inovação, da adoção de tecnologias e do estabelecimento de redes sociotécnicas e cooperativas.

Antes de tudo, é necessário desmistificar a herança histórica de que a agricultura familiar é basicamente uma agricultura de subsistência, voltada única e exclusivamente para o consumo da família, e quebrar as barreiras que impedem ou dificultam a transformação de um agricultor familiar em um empreendedor rural. É ainda fundamental buscar estratégias que viabilizem o estabelecimento de diferentes formas de associação por parte dos pequenos produtores. O sucesso nesse empreendimento não só melhoraria a capacidade de eles negociarem compras de insumos, como também criaria a possibilidade de encontrarem mercados mais estáveis para seus produtos. [...]

Para que os agricultores familiares possam se sentir confiantes, seguros, com a adoção das novas tecnologias ou até mesmo de processos mais sofisticados de gerenciamento de sua propriedade, é fundamental que o processo de apropriação dessas tecnologias seja acompanhado de uma rede de suporte e estímulo. [...] Esse é um processo que demanda parceria entre a pesquisa, o ensino e a extensão e o agricultor familiar, estimulando, cada vez mais, a inovação do setor e seu acesso a vários mercados. [...]

Agricultores familiares bem-sucedidos contribuem tanto para o fortalecimento do desenvolvimento regional, quanto para a fixação do homem no campo. E o resultado é mais segurança, mais qualidade e mais oferta de alimentos, medidas que, em síntese, ampliam a sustentabilidade agrícola.



Adaptado de BITTENCOURT, Daniela. Agricultura familiar, desafios e oportunidades rumo a inovação. In: EMBRAPA, Brasília, DF, 23 jan. 2018. Disponível em:<https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/31505030/artigo---agricultura-familiardesafios-e-oportunidades-rumo-a-inovacao> . Acesso em: 3 ago. 2020.
No enunciado “Apesar disso, as propriedades familiares compreendem apenas 24,3% de toda a área rural do país.” (2º§), a expressão destacada estabelece com a sentença anterior uma relação de 
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Q4366376 Português
Texto IV
Machado de Assis e a administração pública brasileira


       Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.

      Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.

       Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.

      Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.

       Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...

      E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.

       Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.

     Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.


(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
Sobre a relação feita no texto IV entre Machado de Assis e a administração pública brasileira, é correto afirmar que, em sua essência, o conteúdo do texto de Luzia Magalhães Cardoso enfatiza que o citado escritor, em suas obras,
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Q4366375 Português
Texto IV
Machado de Assis e a administração pública brasileira


       Falar da importância de Machado de Assis pode, à primeira vista, parecer uma brincadeira, visto tratar-se de um fato inquestionável. Poeta e romancista, Machado de Assis se destacou muito na sociedade brasileira do século XIX, apesar de sua origem nas camadas populares. Filho de operário e morador do que hoje seria considerado como periferia da antiga capital da República, o destino profissional e social de Machado de Assis foi, sem dúvida, uma exceção, diferente do destino de vários outros Joaquim, Francisco ou José de sua geração.

      Importante também é lembrar a passagem de Machado de Assis nas instituições públicas do Estado, pois foi também funcionário público, de aprendiz na Tipografia Nacional a diretor do Ministério da Aviação. Por isso, conhecia bem o interior da administração estatal, tanto os privilégios dos altos cargos quanto a exploração e os sonhos de ascensão funcional dos “barnabés”. Sonhos esses que muitas vezes viravam pesadelo, quando tais funcionários precisavam “devolver” algum cargo comissionado, assumido na interinidade, pois a ascensão funcional era de difícil realização.

       Irônica realidade e, talvez, o recorte dado à discussão surpreenda o leitor, principalmente se você fizer coro às vozes que ressoam pela mídia e que divulgam a imagem de o funcionário público ser uma espécie de parasita do Estado.

      Mas não é assim, e também não era no período Imperial. Nem todos aqueles que trabalham nas instituições do Estado sugam ou sugaram os recursos públicos, e Machado de Assis pôde mostrar isso ao descrever o cotidiano de algumas de suas personagens.
Ficção? Não. Apesar do caráter não científico de obras literárias, é a realidade conhecida que alimenta o imaginário dos autores, os quais a descrevem com novas cores, contornos e odores ao desenharem o cenário de suas histórias.

       Lembremo-nos de “Dom Casmurro”, publicado no anoitecer do século XIX. Falo de Pádua, o pai de Capitu. Funcionário público em repartição dependente do Ministério da Guerra. Barnabé. Não ganhava bem...

      E, surpreenda-se, caro leitor: Pádua levava serviço para casa! Provavelmente, um esforço para obter reconhecimento profissional.

       Uma obra de ficção! Talvez seja o que você esteja pensando. Não só. No passado isso acontecia muito, bem como na atualidade. Mas, vejo que me interroga, querendo saber onde eu quero chegar.

     Vemos que a reflexão e a crítica acerca da administração pública brasileira são contribuições importantes da obra de Machado de Assis. As provocações feitas pelo autor incentivam uma revisão de valores e de comportamentos, mostrando aos jovens e adultos da atualidade a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade diferente e mais democrática.


(Adaptado de CARDOSO, Luzia Magalhães. Sem data. https: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos. Acesso em 26/10/2021.)
 A autora do texto IV constrói uma argumentação em defesa do (a) (s)
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Q4366366 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

A palavra “isenção”, presente no título do texto, apresenta vários sentidos no Dicionário Online de Português (www.dicio.com.br). Entre os sentidos apresentados a seguir, que tomam por base esse Dicionário, aquele que expressa a atitude do funcionário da repartição diante dos dois contribuintes é 
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Q4366361 Português
Texto I


Criados com esgoto a céu aberto, pesquisadores brasileiros mostram ao mundo relação entre saneamento e a Covid-19


      Nem sempre a mudança que queremos ver no mundo vem de “grandes heróis” ou de governos profundamente comprometidos com a agenda climática. Na maioria das vezes, histórias inspiradoras residem ao nosso lado, guardadas e vividas por pessoas que dentro da sua área de atuação decidem fazer o que está ao seu alcance para ver a transformação que desejam no Planeta.

       As regiões Norte e Nordeste do país são palco de uma dessas histórias que conscientizam, inspiram e engajam. E os protagonistas são dois brasileiros que acabam de publicar um artigo sobre a relação entre a falta de saneamento básico e a Covid-19 na Springer Nature, uma das maiores e mais renomadas editoras científicas do mundo.

    Estudantes de universidades públicas, James Thiago Cruz (Mestre em Desenvolvimento Sustentável), de Belém do Pará, e Erleyvaldo Bispo (Graduando em Engenharia Florestal na UFRRJ), de Lagarto, Sergipe, se basearam em sua realidade local para buscar soluções para a falta de saneamento básico. No estudo, eles alertam as populações e os governos dos impactos da ausência de água encanada e limpa e esgotamento sanitário, e da relação dessas carências com a expansão do novo coronavírus.

     O artigo foi desenvolvido, escrito e traduzido para o inglês entre abril e junho de 2020, retratando aquele período da crise sanitária no país. A dupla partiu de uma percepção trazida por estudos internacionais de que o SARS-CoV-2 poderia ter sua transmissão potencializada pela água não-tratada, visto que outros coronavírus antecessores já eram transmitidos por via entérica, ou seja, oral e fecal.

     “A falta de água dificulta o atendimento a medidas de higienização como a lavagem adequada das mãos, lavagem de utensílios domésticos coletivos etc. E os estudos científicos comprovavam a sobrevivência do coronavírus em água de esgoto entre uma e duas semanas, inclusive, em águas de esgoto da Holanda, foi identificada a presença do SARS-CoV-2 antes mesmo de a pandemia eclodir na China”, explicou James.

      A pesquisa evidenciou que as regiões brasileiras com maior número de óbitos e índice de transmissão da Covid-19 eram aquelas cuja população tinha menos acesso à água limpa e saneamento básico.

      “Nosso objetivo era justamente dar visibilidade a essa agenda que é um direito básico dos cidadãos, mas que infelizmente não está sendo garantido a todos no Brasil. Nós somos 70% água, desde o útero de nossa mãe estamos cercados por ela, precisamos valorizar esse bem comum, inclusive a nível educacional”, provoca Erley. 

     O pesquisador e ativista também defende a importância de promover a resiliência dentro das comunidades por meio de informação e incentivos para que todos pensem em soluções inovadoras para este nocivo problema.

     Segundo James, estimular a adoção de políticas públicas e ações por parte da iniciativa privada relacionadas ao saneamento é fundamental. “Com o nosso trabalho queremos estimular movimentos sociais e startups a desenvolverem alternativas e soluções criativas em comunidades que carecem do acesso à água limpa e de qualidade. Também desejamos dar visibilidade às inovações que já estão sendo realizadas no país bem como fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias sociais”, pontua.

     A dupla realizou a coleta e análise de dados sem apoio público ou patrocínio algum, todo investimento na pesquisa partiu de recursos pessoais dos pesquisadores. E este não foi o único desafio enfrentado.

      “Nós fizemos tudo isso durante o auge da pandemia, por isso, não pudemos realizar o trabalho de campo como gostaríamos, com entrevistas etc. Toda coleta de dados dependeu de um bom acesso à internet para conseguirmos as informações que já estavam disponíveis em outros estudos científicos”, comentou James. Como muitos brasileiros, o pesquisador ainda teve de lidar com desafios emocionais, como crise de pânico e ansiedade, que fizeram parte de sua vida durante a quarentena.

      Os dois rapazes estão transformando desafio em aprendizado e resiliência. Mais importante: passam tudo isso adiante. “Nós queremos estimular jovens da periferia bem como as comunidades mais vulneráveis a enxergar o seu potencial de transformar o mundo. Todos têm voz e têm vez”, crava James.


(Adaptado de GASPARINI, Nicole. https://umsoplaneta.globo.com/energia. 17 jun. 2021. Acesso em 25/10/2021.)
O texto I é classificado como reportagem porque 
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14381: B
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