Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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O bairro Waldsiedlung é atualmente um local muito desejado para se viver na Alemanha. Mas viver ali também significa lidar com o passado do país: o bairro foi construído no período da Segunda Guerra Mundial como uma comunidade para a guarda de elite do Reich nazista, cujas responsabilidades incluíam executar o Holocausto. O conjunto foi projetado para incorporar a ideologia nazista que exaltava a relação mística dos arianos com sua terra ancestral. A forma como os atuais moradores lidam com esse passado acompanha tendências culturais mais amplas. Durante décadas, o tema foi varrido para debaixo do tapete. Como resultado, alguns moradores desconhecem a história do lugar até serem informados por vizinhos. “Algumas pessoas dizem: ‘Isso foi há 80 anos, não tem nada a ver comigo’”, disse uma moradora que se mudou para lá em 2000. “Para mim, é o contrário. Quero saber o que aconteceu na minha casa. Não é possível avançar com o silêncio.” À medida que o tempo passa e as últimas testemunhas morrem, os lugares físicos tornam-se cada vez mais importantes para a memória do Holocausto. O lugar é uma conexão.
Adaptado de https://www.nytimes.com/2025/05/27/realestate/berlin-holocaustnazis-neighborhood.html
Com base no texto, assinale a opção que analisa corretamente a relação entre espaço e memória.
A força da história oral é a mesma de qualquer história que possua seriedade metodológica. Essa força decorre da diversidade das fontes consultadas e da inteligência com que foram utilizadas. A informação oral serve para verificar a confiabilidade de outras fontes, da mesma forma que estas são sua garantia. Também pode fornecer detalhes minuciosos que, de outro modo, seriam inacessíveis. A história oral, com sua riqueza de detalhes, sua humanidade, sua frequente emoção e sempre com seu ceticismo em relação ao fazer histórico, encontra-se melhor preparada para esses componentes vitais da tarefa do historiador: a tradição e a memória, o passado e o presente.
Adaptado de PRINS, Gwyn. “Historia oral”, em Formas de hacer Historia. Madri: Alianza Universidad, 1996, pp. 174- 176.
Com base no trecho, assinale a opção que interpreta corretamente a história oral segundo o autor.
Cortar o tempo em períodos é necessário para a história, seja ela entendida como o estudo da evolução das sociedades, como um tipo particular de saber e ensino, ou mesmo como a simples passagem do tempo. No entanto, esse recorte não é um mero fato cronológico, mas também expressa a ideia de transição, de mudança e até de contradição em relação à sociedade e aos valores do período precedente. Os períodos têm, portanto, um significado particular em sua própria sucessão, na continuidade temporal ou nas rupturas que tal sucessão evoca, e constituem um objeto fundamental de reflexão para o historiador.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. ¿Realmente es necesario cortar la historia en rebanadas? México: Fondo de Cultura Económica, 2016, pp. 11-12.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre a periodização na história.
O predomínio espiritual da tradição greco-latina no Ocidente medieval fez com que se continuasse a associar, ao longo de todo o período, os livros e a língua latina ao poder e às elites sociais. A atitude da maior parte dos governantes medievais alfabetizados em relação ao livro e às bibliotecas foi reverencial e, em alguns casos, quase “totêmica”. As bibliotecas dos reis da Antiguidade Tardia seguiram um modelo episcopal-monástico, uma vez que o modelo tardo romano de biblioteca palatina semipública ou pública havia caído no esquecimento. Contudo, a maior parte das bibliotecas dos reis da época feudal se enquadra melhor no modelo de biblioteca senhorial do que no de biblioteca monástica ou palatina ou “de Estado”. O chamado renascimento do século XII começaria a alterar essa dinâmica, quando os príncipes do Ocidente latino passariam a se tornar reis clericalizados, possuidores de bibliotecas cada vez maiores.
Adaptado de RODRÍGUEZ DE LA PEÑA, Alejandro. “Los reyes bibliófilos: bibliotecas, cultura escrita y poder en el Occidente medieval”, En la España Medieval, n.º 33, 2010, p. 9.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente aspectos da organização das bibliotecas no Ocidental medieval.
Informação
não é conhecimento: o paradoxo da era hiperconectada
Uma das
características da modernidade líquida é a abundância informacional. Milhões de
dados são produzidos a cada segundo e algoritmos nos fornecem conteúdo com base
em nossas interações e gostos; nunca foi tão fácil acessar informação como
hoje.
Porém,
essa facilidade trouxe uma responsabilidade muitas vezes negligenciada: a de
produzir conhecimento. Tornamo-nos uma sociedade muito bem informada, mas pobre
em conhecimento. Refletir sobre as informações que adquirimos parece não ter
mais espaço no cotidiano.
Informação
e conhecimento são, portanto, distintos, ainda que relacionados. A informação
se apresenta de forma bruta, desordenada e fragmentada, enquanto o conhecimento
implica um processo de organização, interpretação e atribuição de sentido aos
dados. Conhecer é um processo ativo, que exige reflexão e articulação entre
diferentes experiências.
A
internet, ao favorecer o acesso rápido e contínuo a conteúdos, muitas vezes
impede que haja tempo para a assimilação e a reflexão. Assim, o consumo
fragmentado de informações pode gerar apenas uma sensação de saber, sem que
haja efetiva construção de conhecimento.
O mundo
hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação. No entanto, sem
reflexão, não há construção consistente do conhecimento. Aquele que se propõe a
conhecer precisa adotar uma postura de humildade diante do saber. Ao construir
o conhecimento, logo compreende que, quanto mais aprender, mais ainda há a ser
treinado e compreendido.
E, assim, nasce o perigo: informação sem discernimento se torna ruído; conhecimento sem sabedoria se torna arrogância; e sabedoria sem ação se torna vaidade. Diante dessas profundas transformações na relação entre informação e conhecimento, e do impacto da modernidade e da tecnologia no processo cognitivo humano, o desafio não é mais ter acesso ao conhecimento, mas formar pessoas que saibam o que fazer com ele.
No fim das contas, o problema da era da informação não é a escassez de dados, mas sim a pobreza de critérios. E talvez o maior luxo da atual geração seja encontrar silêncio, tempo e disposição para pensar com profundidade.
Adaptado de:
https://medium.com/escola-classica/informaconhecimento-o-paradoxo-da-era-hiperconectada-8f90c44cee5a.
Acesso em: 23 fev. 2026.
A associação entre educação integral e desenvolvimento integral se ancora na oferta regular e contínua de oportunidades para um crescimento humano tecido na experiência sócio-histórica, na articulação das diversas dimensões da vida e na interdependência entre processos e contextos de vida.
Fonte: GUARÁ, Isa Maria F. Rosa. “Educação e desenvolvimento integral: articulando saberes na escola e além da escola”. Em Aberto, v. 22, n. 80, 2009, p. 78.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre a associação entre educação integral e desenvolvimento integral do aluno.
I. A educação integral requer a oferta de vivências educativas diversificadas, capazes de considerar os aspectos constitutivos do desenvolvimento humano, como a ética e a estética.
II. A educação integral consiste na ampliação do tempo escolar como finalidade em si mesma e considera a permanência prolongada do aluno na escola condição suficiente para assegurar seu desenvolvimento pleno.
III. A educação integral centraliza a dimensão cognitiva da aprendizagem como critério principal da ação educativa, orientando-a pelos objetivos de desempenho escolar.
Está correto o que se afirma em