Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/163269348904/tirinha-original.
Acesso em: 15 ago. 2022.
Na tirinha, o que justifica a diferença entre os termos usados é uma variação do tipo
O texto abaixo será utilizado para responder à questão.
O mel armazenado na colmeia é a principal fonte de reposição de energia para que as abelhas se mantenham aquecidas. Quando o objetivo é o resfriamento, as abelhas transportam água para a colmeia e abanam suas asas para provocar a evaporação e a convecção. REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. p. 881 (Adaptado).
“Ora, a língua passa a integrar a vida através de enunciados concretos (que a realizam); é igualmente através de enunciados concretos que a vida entra na língua. O enunciado é um núcleo problemático de importância excepcional”. (BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 6. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011, p. 265.)
Dentre as alternativas abaixo, uma apresenta corretamente o conceito de enunciado, de acordo com a perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN, 2011):
Para Marcuschi (2012), os fatores de conexão conceitual-cognitiva dos textos podem ser de relações lógicas e de modelos cognitivos globais. Para o autor, as relações lógicas são construídas por meio de:
A questão se referem ao texto a seguir.
TEXTO
“Tudo errado, mas tudo bem”
Por Salvador Nogueira
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
Era 1997. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis. No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus – número consistente com o consenso atual.
A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa, James Hansen, participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas – sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
O cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015, contou que um memorando trocado entre as companhias diz: “A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima”.
Fundada em 1989, a tal Coalização Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os Estado Unidos da América do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases–estufas por todos os países.
Mais de uma década depois, a história se repetiria com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido. No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1°C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
Superinteressante, jun/2021. [texto adaptado]
O cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015, contou que um memorando trocado entre as companhias diz: “A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima”.
Nesse período, o autor
A questão se referem ao texto a seguir.
TEXTO
“Tudo errado, mas tudo bem”
Por Salvador Nogueira
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
Era 1997. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis. No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus – número consistente com o consenso atual.
A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa, James Hansen, participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas – sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
O cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015, contou que um memorando trocado entre as companhias diz: “A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima”.
Fundada em 1989, a tal Coalização Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os Estado Unidos da América do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases–estufas por todos os países.
Mais de uma década depois, a história se repetiria com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido. No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1°C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
Superinteressante, jun/2021. [texto adaptado]
A questão se referem ao texto a seguir.
TEXTO
“Tudo errado, mas tudo bem”
Por Salvador Nogueira
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
Era 1997. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis. No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus – número consistente com o consenso atual.
A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa, James Hansen, participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas – sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
O cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015, contou que um memorando trocado entre as companhias diz: “A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima”.
Fundada em 1989, a tal Coalização Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os Estado Unidos da América do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases–estufas por todos os países.
Mais de uma década depois, a história se repetiria com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido. No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1°C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
Superinteressante, jun/2021. [texto adaptado]
A questão se referem ao texto a seguir.
TEXTO
“Tudo errado, mas tudo bem”
Por Salvador Nogueira
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
Era 1997. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis. No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus – número consistente com o consenso atual.
A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa, James Hansen, participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas – sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
O cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015, contou que um memorando trocado entre as companhias diz: “A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima”.
Fundada em 1989, a tal Coalização Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os Estado Unidos da América do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases–estufas por todos os países.
Mais de uma década depois, a história se repetiria com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido. No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1°C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
Superinteressante, jun/2021. [texto adaptado]
A questão se referem ao texto a seguir.
TEXTO
“Tudo errado, mas tudo bem”
Por Salvador Nogueira
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
Era 1997. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis. No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus – número consistente com o consenso atual.
A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa, James Hansen, participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas – sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
O cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015, contou que um memorando trocado entre as companhias diz: “A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima”.
Fundada em 1989, a tal Coalização Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os Estado Unidos da América do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases–estufas por todos os países.
Mais de uma década depois, a história se repetiria com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido. No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1°C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
Superinteressante, jun/2021. [texto adaptado]
A questão refere-se aos textos a seguir.
TEXTO 1
Renovação da língua, neologismos e estrangeirismos
Companheira dos seus usuários, a língua participa dos acontecimentos e mudanças históricas por que eles passam, sucessos ou fracassos. A língua portuguesa, transplantada à América pelos nossos descobridores e colonizadores, chega ao Brasil no século XVI num momento auspicioso para a humanidade. A vontade e a força indomáveis de heroicos navegadores fazem singrar por mares até então desconhecidos caravelas pouco favorecidas pela ciência náutica da época, mas, impulsionadas por acalentados sonhos de poder e de ambição, revelam novas terras e aproximam povos de variadas línguas e culturas. Nessa empresa têm papel relevante os portugueses, que, na frase feliz de Alexandre Humboldt, duplicaram o mundo até então conhecido. A florescente terra brasileira, depois dos obstáculos a serem vencidos na árdua tarefa de descobrir e fixar-se na nova terra, alargando-lhe os limites e enraizando as bases da nova nação, chega ao século XVIII, independente, ávida por acertar os passos civilizatórios com as nações europeias de mais prestígio na época.
A nova atmosfera cultural impulsiona o falante da língua a criar vocábulos novos, conhecidos pelo nome de neologismos. Os neologismos podem começar por utilizar a prata da casa, alargando a família da palavra com a utilização de prefixos e sufixos: pátria, patriotismo, patriotada, etc. Outros neologismos vêm do contato com outras línguas, caso em que são chamados empréstimos. Uma concepção antiga de língua “pura” via com maus olhos esses empréstimos exóticos, oriundos de outras línguas, fazendo exceção àquele que viesse do latim e do grego. Ocorre que não há língua de cultivo puro, sem o auxílio do patrimônio de outras línguas, com as quais um idioma entra em contato. Os filólogos, gramáticos e escritores de boa formação não entram no rol desses puristas. Mais adiante vamos ver como José de Alencar põe nos devidos termos a boa orientação em face dos estrangeirismos, especialmente os francesismos ou galicismos, isto é, os que nos chegam da França.
Na feliz declaração do nosso historiador Capistrano de Abreu, José de Alencar foi quem melhor teve a intuição da vida colonial brasileira, e é esse romancista que, em 1872, na “Bênção paterna” aos sonhos douro, denuncia o anseio da sociedade dessa fase da vida brasileira:
Notam-se aí, através do gênio brasileiro, umas vezes embebendo-se dele, outras invadindo-o, traços de várias nacionalidades adventícias; é a inglesa, a italiana, a espanhola, a americana, porém especialmente a portuguesa e francesa, que todas flutuam, e a pouco e pouco vão diluindo-se para infundir-se n’alma da pátria adotiva, e forma a nova e grande nacionalidade brasileira.
Vê-se por essa passagem que a língua de nacionalidade brasileira, consubstanciada nos dois séculos anteriores com o enriquecimento da contribuição das línguas indígenas e africanas, passou a receber também a contribuição de outras nações que vieram ajudar os brasileiros a construir a nova sociedade. A contribuição espraiava-se nos vários domínios culturais, desde os degraus da ciência até aquele do dia a dia do cidadão comum. Entre essas novidades ocupavam lugar preeminente os fatos da língua, conhecidos, como já vimos, pelo nome técnico empréstimos. Entre a variada gama das variantes linguísticas (as fonéticas, morfológicas, sintáticas e lexicais), as mais suscetíveis de novas aquisições são as lexicais, porque o vocabulário é a mais larga porta do idioma para contato com o mundo exterior, com os laços culturais com outras nações. José de Alencar está atento a esses contactos linguísticos, e sobre eles assim se expressa no mesmo texto já citado, reclamando dos seus críticos:
Tachar-se estes livros (Lucíola, Diva, A pata da gazela e Sonhos d’ouro) de confeição estrangeira, é, relevem os críticos, não conhecer a fisionomia da sociedade fluminense, que aí está a faceirar-se pelas salas e ruas com atavios parisienses, falando a algemia universal, que é a língua do progresso, jargão eriçado de termos franceses, ingleses, italianos e agora também alemães.
Os termos e locuções de fontes estrangeiras eram trazidos por pessoas que sabiam os idiomas, ou que tinham sobre eles alguma informação de pronúncia e grafia; por isso, se vestiam com as feições originárias. Admitidos na linguagem diária, muitos desses estrangeirismos mais usados podiam ser acomodados à pronúncia e grafia do português, que os recebia; aportuguesavam-se, apesar da crítica de juízes mais exigentes. Alencar, sempre sintonizado com o que ele chamou “língua do progresso”, perpetrou tais nacionalizações e assim se manifestou numa polêmica travada com Joaquim Nabuco, em 1875:
Notou ainda o crítico a palavra grog, de origem inglesa, por mau aportuguesamento em grogue. Podia notar outras como tílburi, piquenique, lanche; ou crochete e champanhe, do francês. Desde que termos estrangeiros são introduzidos em um país pela necessidade e tornam-se indispensáveis nas relações civis, a língua, que os recebe em seu vocabulário, reage, por uma lei natural sobre a composição etimológica, para imprimir-lhe o seu próprio caráter morfológico. A pronúncia e a ortografia alteram-se, em alguns casos profundamente; mas sempre conforme as leis fonéticas, estudadas por Jacob Grimm e seus continuadores. Em português nós já temos de outros tempos, redingote de redingoat; jaqueta de jacket inglês ou jaquette francês; pichelingue e escolteto do flamengo Flessing e schout, dessér, trumó, do francês dessert e trumeau e muitos outros. As línguas estrangeiras também por sua vez corrompem ou antes sujeitam ao seu molde os nossos vocabulários brasileiros. Assim os franceses mudaram goiaba em goiave, caju em acajou, mandioca em manioc; e o mesmo acontece com outros povos acerca de várias palavras americanas. A iniciativa dessa nacionalização filológica do vocábulo exótico há de partir de alguém, mas será o primeiro a dar-lhe o cunho brasileiro; e por que não pode ser este seu escritor?
Todo esse trecho de Alencar antecipa de quase 150 anos as questões de que hoje tratam linguistas, filólogos, gramáticos, escritores e jornalistas. As propostas do escritor cearense pouco diferem das apresentadas agora, embora tenha de haver bom senso no processo de nacionalização, porque muitos desses termos estrangeiros pertencem ao rol daqueles que Sérgio Correia da Costa chamava “palavras sem fronteiras”, que pertencem a terminologias técnicas e que na forma estrangeira correm mundo em todas ou quase todas as línguas; a nacionalização pode segregar o idioma em face do internacional generalizado.
Na história dos estrangeirismos merecem atenção especial as palavras de torna-viagem, isto é, aquelas que depois de passar por uma língua a outra, retornam à primeira sob roupagem exótica da 2ª; aconteceu isso com o português feitiço, que passou para o francês fétiche e depois foi tomado do francês para o português sob a forma fetiche, com o derivado fetichismo.
No tempo de Alencar, com vigência até nossos dias, os empréstimos do francês — os galicismos — eram repelidos com veemência por todos os puristas de plantão, portugueses e brasileiros, gramáticos e escritores. O nosso romancista encontrou a razão da rejeição, mostrando a sem-razão do procedimento, antecipando-se de anos à lição exarada pelos filólogos Adolf Noreen e Michel Bréal, segundo a qual esse repúdio continuava dissensões e desavenças políticas entre povos, com as quais, apesar de justas, os estudos linguísticos nada têm a ver. Assim os filólogos gregos proscreviam as palavras turcas, como os tchecos as alemães, os alemães as francesas e os portugueses as francesas, aqui para vingar a invasão de Portugal pelas tropas de Junot. Leia-se o comentário certeiro de Alencar em defesa dos galicismos que ele emprega em suas obras: “Mas a mania do classicismo, que outro nome não lhe cabe, repele a mínima afinidade entre duas línguas irmãs, saídas da mesma origem. Temos nós a culpa do ódio que semearam em Portugal os exércitos de Napoleão?”
(In: BECHARA, Evanildo. Análise e história da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2022. p. 245-247.)
TEXTO 2
Samba do approach
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash
Fica ligado no link
Que eu vou confessar my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho engov
Eu tirei o meu green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser pop-star
Mas já sou um nouveau riche
Eu tenho sex-appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team
De dia, um macho man
E de noite, drag queen
Disponível em: <https://www.letras.mus.br/zeca-baleiro/43674/>. Acesso em: 22 set. 2022.
TEXTO 1
TEXTO 1
Como a Lua se formou? Cientistas mapeiam presença de hidrogênio na superfície lunar
Denis Pacheco
Embora ela esteja bem perto de nós e plenamente visível quase todas as noites, ainda são muitos os mistérios que cercam a Lua. Em especial, mistérios que envolvem o papel da água na origem do satélite natural da Terra.
Em um estudo publicado no Journal of Geophysical Research, pela primeira vez, pesquisadores do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, nos Estados Unidos, compilaram um mapa completo da presença de hidrogênio na superfície da Lua. O mapa identifica dois tipos de materiais lunares contendo o elemento e confirma ideias anteriores sobre a relação entre hidrogênio e água na Lua. Os achados sugerem que a água provavelmente desempenhou um papel importante na formação e solidificação original do oceano de magma da Lua.
De acordo com o professor Ricardo Trindade, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, os cientistas do laboratório utilizaram dados de nêutrons orbitais da Missão Lunar Prospector. A sonda, que foi implantada pela Nasa, em 1998, orbitou a Lua por um ano e meio e enviou de volta a primeira evidência direta de hidrogênio nos polos lunares, antes de impactar a superfície lunar. “
“O Lunar Prospector era um satélite com vários instrumentos, incluindo um espectrômetro de nêutrons que detecta a interação deles com o hidrogênio”, explica o especialista ao sintetizar que, por causa do detector, foi possível estimar a quantidade de hidrogênio na Lua.
“A variação da quantidade de hidrogênio lunar aumenta com relação à latitude, por isso, quanto mais próximo dos polos da Lua, maior a quantidade de hidrogênio. Inclusive, temos evidências de gelo nas calotas polares da Lua. Mas, o que esse mapa novo mostra é que, na porção central da Lua, ou seja, nas porções mais próximas do Equador, distante dos polos, existem duas regiões que têm valores de hidrogênio anomalamente elevados”, esclarece o geofísico.
O mapa confirmou hidrogênio em dois tipos de materiais lunares. A primeira confirmação surgiu no território lunar conhecido como Planalto de Aristarco, que abriga o maior depósito piroclástico da Lua. Esses depósitos são fragmentos de rochas em erupção de vulcões, corroborando observações anteriores de que o hidrogênio e/ou a água desempenharam um papel nos eventos magmáticos lunares. A segunda confirmação veio na forma de rochas do tipo KREEP, um acrônimo em inglês para rocha de lava lunar, que significa potássio (K), elementos de terras raras (REE) e fósforo (P). Ambos os locais remontam às origens do satélite.
“O grande interesse desse trabalho é que costumamos associar a quantidade de hidrogênio – ou voláteis em geral – na superfície da Lua como um efeito da vinda desse material a partir do vento solar. Como se esse material tivesse sido depositado sobre a superfície da Lua depois que ela se formou. No entanto, a existência dessa quantidade maior de hidrogênio nesses dois locais mostra que a água pode ter sido parte dos elementos que contribuíram para a formação da Lua, 4 bilhões de anos atrás”, revela o professor.
De acordo com os cientistas, descobertas como essa são importantes não apenas para entendermos o funcionamento e a origem do sistema solar, mas também para planejar futuras explorações humanas fora da Terra.
O professor reforça que, atualmente, a hipótese mais aceita é que a Lua tenha nascido da colisão de um corpo muito grande, praticamente do tamanho de Marte, com a Terra primitiva. No processo, uma parte do manto terrestre escapou, mas ficou aprisionada pela gravidade e formou nosso satélite. “Por isso, considerando essa hipótese, a formação da Lua não é exatamente como a formação da Terra ou de outros planetas do nosso sistema solar. Então, entender qual era a composição desse material que se descolou da Terra para formar a Lua é importante, assim como saber se havia água no processo”, finaliza.
Adaptado de: https://jornal.usp.br/atualidades/como-a-lua-se-formou-cientistas-mapeiam-presenca-dehidrogenio-na-superficie-lunar/. Acesso em 16/08/2022.

Ao se fazer a leitura da tirinha texto, percebe-se como compreensão do diálogo entre as personagens:
Fonte:https://periodicos.ufes.br/conel/article/view/2014/1526
Em seus escritos, Mikhail Bakhtin (1997) focaliza sua reflexão: