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Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 36.891 questões

Q2497141 Português

O verbo for


    Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário – evidentemente o condizente com a nossa condição provecta –, tudo sairia fora de controle, mais do que já está. O vestibular, é claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça, mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrá-lo às minhas coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia de exercício).

    O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível, com citações decoradas, preferivelmente. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida, dos quais até hoje sei o comecinho. 

    Havia provas escritas e orais. A escrita já dava nervosismo, da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio, insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. A oral de latim era particularmente espetacular, porque se juntava uma multidão, para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. Franzino, sempre de colete e olhar vulpino (dicionário, dicionário), o mestre não perdoava.

     – Traduza aí quousque tandem, Catilina, patientia nostra – dizia ele ao entanguido vestibulando.

    – “Catilina, quanta paciência tens?” – retrucava o infeliz.

    Era o bastante para o mestre se levantar, pôr as mãos sobre o estômago, olhar para a plateia como quem pede solidariedade e dar uma carreirinha em direção à portada sala. 

    – Ai, minha barriga! – exclamava ele. – Deus, oh Deus, que fiz eu para ouvir tamanha asnice? Que pecados cometi, que ofensas Vos dirigi? Salvai essa alma de alimária. Senhor meu Pai!

    Pode-se imaginar o resto do exame. Um amigo meu, que por sinal passou, chegou a enfiar, sem sentir, as unhas nas palmas das mãos, quando o mestre sentiu duas dores de barriga seguidas, na sua prova oral. Comigo, a coisa foi um pouco melhor, eu falava um latinzinho e ele me deu seis, nota do mais alto coturno em seu elenco.

    O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candidato e vinha vê-lo “dar um show”. Eu dei      de português e inglês. O de português até que foi moleza, em certo sentido. O professor José Lima, de pé e tomando um cafezinho, me dirigiu as seguintes palavras aladas:

    – Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional!

    – As margens plácidas – respondi instantaneamente e o mestre quase deixa cair a xícara.

    – Por que não é indeterminado, “ouviram, etc.”?

    – Porque o “as” de “as margens plácidas” não é craseado. Quem ouviu foram as margens plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que existem no hino. “Nem tem quem te adora a própria morte”: sujeito “quem te adora”. Se pusermos na ordem direta...

    – Chega! – berrou ele. – Dez! Vá para a glória! A Bahia será sempre a Bahia!

    Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mi. Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante. Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.

    – Esse “for” aí, que verbo é esse?

    Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do circula, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.

    – Verbo for.

    – Verbo o quê?

    – Verbo for.

     – Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.

    – Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele, impávido. – Nós fomos, vós fondes, eles fõem.

    Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.


(João Ubaldo Ribeiro. O Globo. Em: 13/09/1998.)

O texto “O verbo for”, de João Ubaldo Ribeiro, é uma crônica em que o autor expõe a sua opinião. A alternativa que aponta o assunto principal do texto é:
Alternativas
Q2497101 Português
Leia com atenção o texto a seguir para responder à questão.

Texto 1

Tentação 

       Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
       Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
       Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
       Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
       A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
       Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
       Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
       Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
       No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
       Mas ambos eram comprometidos.
       Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
       A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.
       Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.) 
Leia as proposições abaixo sobre a ideia principal do texto.

I- O texto valoriza a riqueza interior das personagens destacando os aspectos do sentimento de solidão e a descoberta do outro.
II- O texto acaba promovendo uma reflexão sobre a emoção do amor entre um animal e uma menina.
III- O texto não é ficcional e, logo, tem a finalidade de denunciar problemas sociais.
IV- O texto foi escrito no século XXI, de modo que a sua preocupação estética é com a forma literária do gênero.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q2497061 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão:


O Sentinela 


Por Andréa de Nicola

O vermelho se espalha
Por toda a paisagem
Estrondos de canhões ardem
O ser vivente açoita.

E faz surgir o abismo
Limo no que foi formosura
Gritos, sufocos, gemidos
Choro na bela Alexandria.  

E veloz tal qual um Pégaso 
Um pássaro reluzente sobrevoa
Cortando o solo e o espaço
Nas fendas abertas da Pátria.

Bravos fardados tombam 
Em suas medalhas, ouro e prata
Em seus túmulos, mármore e bronze
Em seus corpos, nada. 

Tristes memórias, um clarim toca
Num grande silêncio seus espíritos habitam
Nos alvos braços celestiais dormem
Velando está um sentinela.

Fonte: Nicola, Andréa. O sentinela. In: ALMEIDA, Heriberto Coelho De (org.). Antologia Contemporânea da Poesia Paraibana. Paraíba: O Sebo Cultural, 1995. 
Diante da semântica imagética que o poema de Andréa de Nicola sugere, a partir da representação poética de um cenário de guerra, o que o vermelho simboliza?
Alternativas
Q2497038 Português
Leia o texto a seguir para responder as questão

Texto 05 

Público gamer cresce e 3 em cada 4 brasileiros consomem jogos eletrônicos 


Pesquisa Game Brasil revelou que as mulheres representam a maioria dos jogadores no país; população brasileira nunca teve tantos gamers


O número de brasileiros que se divertem através dos jogos eletrônicos continua crescendo e, neste ano, o país atingiu a marca de 74,5% de sua população que diz jogar games. Isso significa que três em cada quatro pessoas no Brasil usam celulares, videogames ou computadores para jogar. 
Este é o maior número já registrado em território nacional, e representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano passado. Já dentro do público gamer, a maioria dos usuários é composta por mulheres, que representam 51% dos jogadores. 
Os números são do nono levantamento anual realizado pela Pesquisa Game Brasil (PGB), desenvolvida pelo Sioux Group e Go Gamers em parceria com Blend New Research e ESPM. Em 2022, o estudo ouviu 13.051 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal entre os dias 11 de fevereiro e 7 de março.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/publico-gamer-cresce-e-3-em-cada-4-brasileiros-consomem-jogos-eletronicos/ (adaptado) - Acesso em agosto de 2022.
Assinale a alternativa CORRETA que indica qual o maior público gamer no Brasil. 
Alternativas
Q2497037 Português
Leia o texto a seguir para responder as questão

Texto 05 

Público gamer cresce e 3 em cada 4 brasileiros consomem jogos eletrônicos 


Pesquisa Game Brasil revelou que as mulheres representam a maioria dos jogadores no país; população brasileira nunca teve tantos gamers


O número de brasileiros que se divertem através dos jogos eletrônicos continua crescendo e, neste ano, o país atingiu a marca de 74,5% de sua população que diz jogar games. Isso significa que três em cada quatro pessoas no Brasil usam celulares, videogames ou computadores para jogar. 
Este é o maior número já registrado em território nacional, e representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano passado. Já dentro do público gamer, a maioria dos usuários é composta por mulheres, que representam 51% dos jogadores. 
Os números são do nono levantamento anual realizado pela Pesquisa Game Brasil (PGB), desenvolvida pelo Sioux Group e Go Gamers em parceria com Blend New Research e ESPM. Em 2022, o estudo ouviu 13.051 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal entre os dias 11 de fevereiro e 7 de março.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/publico-gamer-cresce-e-3-em-cada-4-brasileiros-consomem-jogos-eletronicos/ (adaptado) - Acesso em agosto de 2022.
O texto 05 é uma notícia e apresenta informações sobre um tema do cotidiano. Considerando as informações contidas no trecho localizado abaixo do título – Pesquisa Game Brasil revelou que as mulheres representam a maioria dos jogadores no país; população brasileira nunca teve tantos gamers, assinale a alternativa CORRETAsobre a sua função. 
Alternativas
Q2497035 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão.

Texto 04 
Pinóquio


       Era uma vez um homem chamado Gepeto que fazia lindos bonecos de madeira. Vivia sozinho e o seu sonho era ter um filho com quem partilhar todo o seu amor e carinho.       
       Um dia, Gepeto fez um pequeno rapaz de madeira. Quando terminou, Gepeto suspirou: “Quem me dera que este rapazinho de madeira fosse real e pudesse viver aqui comigo…”.
       De repente, aconteceu! O pequeno rapaz de madeira ganhou vida!
       Gepeto gritou de alegria e, entre gargalhadas de felicidade, disse: “Sejas bem-vindo! Vou te chamar Pinóquio”.
       Gepeto ajudou Pinóquio a vestir-se, deu-lhe alguns livros, um beijo na face e mandou-o para a escola, para aprender a ler e escrever. Mas avisou-o: “Assim que a escola terminar, vem para casa, Pinóquio”. Pinóquio respondeu que sim e, alegremente, foi caminhando em direção à escola.
       Pelo caminho, Pinóquio reparou que na praça havia um espetáculo de marionetas. Juntou-se a elas e, dançou tão bem, que o dono das marionetas lhe ofereceu cinco moedas de ouro. Pinóquio estava maravilhado e só pensava como Gepeto iria ficar feliz quando lhe entregasse as moedas.
       Já perto da escola, Pinóquio encontrou dois homens maus. Como era muito inocente, os dois homens convenceram Pinóquio a ir com eles até uma hospedaria para comerem e depois dormirem. Depois de comer, Pinóquio ficou sonolento e adormeceu facilmente. Sonhou que era rico e que ele e seu pai Gepeto viviam agora sem dificuldades e eram muito felizes.
       Quando acordou, esses homens convenceram Pinóquio a enterrar as suas moedas de ouro num sítio que eles conheciam e disseram-lhe: “As moedas aqui enterradas serão transformadas numa árvore de dinheiro e nunca mais o teu pai, que já está velho e cansado, precisará trabalhar!”.
       Pinóquio assim fez e ficou à espera de que as moedas de ouro se transformassem numa árvore de dinheiro. Esperou muito tempo até que, cansado, adormeceu. Os homens maus apareceram e levaram as moedas de ouro, enquanto Pinóquio dormia.
       Quando acordou, Pinóquio viu que lhe tinham levado as moedas e chorou. Não queria voltar para casa com medo de que Gepeto ficasse zangado e triste com ele.


Fonte: https://www.historiaparadormir.com.br/pinoquio/ (trecho adaptado) - Acesso em agosto de 2022. 
A partir da leitura e compreensão do texto 04, em que momento da história se deu o início do conflito no enredo?  
Alternativas
Q2497034 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão.

Texto 03 

Sabia que alguns medicamentos têm origem em seres que habitam o oceano?

A chamada citarabina foi o primeiro fármaco a ser desenvolvido a partir de uma substância obtida de uma esponja que vive no mar do caribe (Tectitethya crypta). Ela vem sendo utilizada para tratar leucemia (câncer nas células do sangue), principalmente em crianças, desde a década de 1970, e já salvou muitas vidas!

Hoje, já existem mais de uma dezena de medicamentos para tratar o câncer desenvolvidos a partir do ambiente marinho. Muitos deles são totalmente inovadores e podem ser usados para pacientes que já não respondem bem aos remédios tradicionais.

Apesar da imensidão da costa brasileira, ainda não temos nenhum medicamento marinho desenvolvido em nosso país. Imaginem o tesouro escondido no fundo do mar, entre as milhares de espécies que só aparecem por aqui! É por isso que o Brasil precisa de investimentos na ciência e na tecnologia, para trazer mais qualidade de vida para as pessoas do nosso país – e tudo isso, é claro, precisa ser feito com o uso sustentável e a conservação dos recursos marinhos!

Fonte: http://chc.org.br/artigo/farmacia-marinha/ (adaptado) – Acesso em agosto de 2022.
Considerando o texto a substância “citarabina” está sendo utilizada para o tratamento de uma doença. Assinale a alternativa que corresponde a esta doença.
Alternativas
Q2497033 Português
Leia o texto abaixo e responda a questão.

Texto 03 

Sabia que alguns medicamentos têm origem em seres que habitam o oceano?

A chamada citarabina foi o primeiro fármaco a ser desenvolvido a partir de uma substância obtida de uma esponja que vive no mar do caribe (Tectitethya crypta). Ela vem sendo utilizada para tratar leucemia (câncer nas células do sangue), principalmente em crianças, desde a década de 1970, e já salvou muitas vidas!

Hoje, já existem mais de uma dezena de medicamentos para tratar o câncer desenvolvidos a partir do ambiente marinho. Muitos deles são totalmente inovadores e podem ser usados para pacientes que já não respondem bem aos remédios tradicionais.

Apesar da imensidão da costa brasileira, ainda não temos nenhum medicamento marinho desenvolvido em nosso país. Imaginem o tesouro escondido no fundo do mar, entre as milhares de espécies que só aparecem por aqui! É por isso que o Brasil precisa de investimentos na ciência e na tecnologia, para trazer mais qualidade de vida para as pessoas do nosso país – e tudo isso, é claro, precisa ser feito com o uso sustentável e a conservação dos recursos marinhos!

Fonte: http://chc.org.br/artigo/farmacia-marinha/ (adaptado) – Acesso em agosto de 2022.
O texto trata de um tema bastante importante para nossa sociedade. Podemos considerar que este tema é: 
Alternativas
Q2497029 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão


Texto 01


O iglu


Maria Dörrenberg (autora)


       Estava tudo escuro. As pessoas dormiam. Só aquele monótono barulho do motor do avião tinha vida. Eu me cansei de jogar videogame e o pus na mesinha na minha frente.

       Eles moram em iglus, como o do museu no parque da minha cidade, ou dos desenhos da TV, das histórias de Natal. Vou morar em um iglu cercado de neve.

       Da janela vi as nuvens e a lua.

       É um lugar branco e gelado, sem árvore nem nada. Só água, gelo e céu. É frio e quieto lá e iglus são muito pequenos. Não vou ter um quarto, nem vai caber brinquedos. Tudo cheio de gelo e céu. Não vou andar de bicicleta. Vai ser legal?

       Eu estava meio triste. Olhei para mãe, mas ela dormia também.

       Ah! Mas vou pescar um peixão, o maior que tiver. Patinar e descer montanha e deslizar na neve. Vai ser cool!

       Aí mãe soltou um bocejo.

       Mãe, eles moram em iglus?

       Ela riu.

       Não, querido, eles moram em casas normais. Iglus estão no Alasca, no Ártico. Não vamos para lá.

       Pena! Eu já gostava da ideia de morar em um iglu.

       E então as casas foram aparecendo na janela e não eram iglus e o avião corria e eu não conseguia ver as casas direito e passava floresta e aparecia bosque e estação e vinha vilarejo e eu tentava olhar as casas e não conseguia e fiquei cansado desse filme maluco e desisti de olhar as casas.

       Fui morar num apartamento na cidade, que não era uma casa, mas era grande e eu tinha um quarto e não era iglu, nem tinha neve. Pena!


Fonte: https://revistavessa.com/edicoes/2014/out-nov/avessa_out-nov.pdf (trecho adaptado) - Acesso em agosto de 2022. 

Observe o trecho do texto:
“É um lugar branco e gelado, sem árvore nem nada. Só água, gelo e céu.”

O trecho está descrevendo características de um lugar. Assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q2497028 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão


Texto 01


O iglu


Maria Dörrenberg (autora)


       Estava tudo escuro. As pessoas dormiam. Só aquele monótono barulho do motor do avião tinha vida. Eu me cansei de jogar videogame e o pus na mesinha na minha frente.

       Eles moram em iglus, como o do museu no parque da minha cidade, ou dos desenhos da TV, das histórias de Natal. Vou morar em um iglu cercado de neve.

       Da janela vi as nuvens e a lua.

       É um lugar branco e gelado, sem árvore nem nada. Só água, gelo e céu. É frio e quieto lá e iglus são muito pequenos. Não vou ter um quarto, nem vai caber brinquedos. Tudo cheio de gelo e céu. Não vou andar de bicicleta. Vai ser legal?

       Eu estava meio triste. Olhei para mãe, mas ela dormia também.

       Ah! Mas vou pescar um peixão, o maior que tiver. Patinar e descer montanha e deslizar na neve. Vai ser cool!

       Aí mãe soltou um bocejo.

       Mãe, eles moram em iglus?

       Ela riu.

       Não, querido, eles moram em casas normais. Iglus estão no Alasca, no Ártico. Não vamos para lá.

       Pena! Eu já gostava da ideia de morar em um iglu.

       E então as casas foram aparecendo na janela e não eram iglus e o avião corria e eu não conseguia ver as casas direito e passava floresta e aparecia bosque e estação e vinha vilarejo e eu tentava olhar as casas e não conseguia e fiquei cansado desse filme maluco e desisti de olhar as casas.

       Fui morar num apartamento na cidade, que não era uma casa, mas era grande e eu tinha um quarto e não era iglu, nem tinha neve. Pena!


Fonte: https://revistavessa.com/edicoes/2014/out-nov/avessa_out-nov.pdf (trecho adaptado) - Acesso em agosto de 2022. 

O texto “O iglu” é um conto que narra a história de uma criança que estava tendo ideias sobre sua nova casa. Ao saber que sua casa não seria um iglu, a criança ficou: 
Alternativas
Q2497026 Português
Leia o texto:

Ágil e com enormes chifres, o carnotauro era um dinossauro diferentão. 
Imagem associada para resolução da questão


Ficha Técnica 

· Nome: Carnotauro (Carnotaurus sastrei)
· Origem: Argentina (América do Sul)
· Tamanho: cerca de 9 metros de comprimento e 3 metros de altura
· Peso: aproximadamente 1.500 quilogramas
· Época em que viveu: Há cerca de 71 milhões de anos (Período Cretáceo)

       O Cretáceo foi o último período da Terra a presenciar os dinossauros não aviários, ou seja, que não foram ancestrais das aves. É nessa fase de nosso planeta que viveram alguns dos maiores e mais diferentes dinossauros, como o carnotauro ou Carnotaurus sastrei.        
     Pertenceu a esse animal um dos esqueletos mais bem preservados dentre os grandes dinossauros carnívoros já descobertos. Seus restos fossilizados estavam articulados, o que nos dá uma ótima ideia da sua aparência em vida. A característica mais marcante do carnotauro é a presença de chifres logo acima de seus olhos.

Fonte: http://chc.org.br/artigo/o-touro-carnivoro-sul-americano/ - Acesso em agosto de 2022. 

Considerando o texto é CORRETO afirmar que:  

Alternativas
Q2497025 Português

Observe a imagem abaixo para responder a questão:  




Disponível em: https://www.techtudo.com.br/noticias/2013/07/guia-do-playstationara-iniciantes-veja-como-configurar-facilmente-seu-console.ghtml  

Imagem associada para resolução da questão


As imagens acima são trechos extraídos do texto Manual controle sem fio Dualshock 3 e tratam sobre a função dos botões e o botão PS. Para tratar sobre cada função, são empregados as “formas verbais”: exibe, confirma, cancela, liga, desliga e abandona. Esses verbos, no contexto do texto “Manual controle sem fio Dualshock 3” servem para:
Alternativas
Q2497022 Português
O desmatamento, a destruição do meio ambiente e a poluição são fatores que contribuem para a extinção de animais. Precisamos proteger o meio ambiente para evitarmos que espécies como a arara azul desapareçam.
Imagem associada para resolução da questão

Fonte: https://pt.slideshare.net/ruingomes/ap-5-g-animais-em-vias-de-extino-20092010. Acesso em: 22/09/2022.

Considerando a imagem apresentada assinale a alternativa CORRETA que indica o tipo de dieta da arara.
Alternativas
Q2497021 Português
Há uma maneira correta para descartar o lixo, com a qual é possível reciclar, reaproveitar e reduzir para se viver em um mundo mais limpo e sustentável.
Imagem associada para resolução da questão

Fonte: https://pin.it/JcuT4Ic. Acesso em 22/09/2022. (Adaptado)


De acordo com o texto, assinale a alternativa CORRETA de descartar o lixo.
Alternativas
Q2496756 Português
TEXTO

Últimos 20 anos são os mais secos em 500 anos

    Um estudo revelou que o Ocidente tem experimentado um período de seca e calor sem precedentes nos últimos 20 anos. A pesquisa, que analisou anéis de árvores que datam de 1553, concluiu que as condições atuais são as mais secas em pelo menos 500 anos.
    O estudo, liderado por Karen King, professora assistente da Universidade do Tennessee, Knoxville, aponta que a mudança climática causada pelo homem está intensificando o calor extremo e as condições secas, criando um ciclo de feedback positivo conhecido como “seca quente”.
    “Os resultados do estudo demonstram que a seca quente nunca foi tão grave quanto nos últimos 20 anos”, disse King. “Isso torna as projeções futuras e as medidas de mitigação mais incertas.”
    Para realizar o estudo, os cientistas utilizaram um método inovador que envolve a manipulação da luz para medir a densidade dos anéis das árvores. Essa técnica, mais segura, fácil e menos dispendiosa do que métodos tradicionais, permitiu aos pesquisadores obter uma imagem mais precisa das temperaturas ao longo dos últimos 5 séculos.
    A pesquisa se soma a um conjunto crescente de estudos que demonstram o impacto da mudança climática no planeta. Em 2023, outro estudo mostrou que as condições do Ocidente nos últimos 20 anos foram as mais secas em 1.200 anos.
    Os resultados do estudo de King reforçam a necessidade de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos da mudança climática. 


Fonte: Consulta ao link
https://www.ecodebate.com.br/2024/02/05/ultimos
-20-anos-sao-os-mais-secos-em-500-anos/
NÃO é possível inferir do texto a seguinte conclusão:
Alternativas
Q2496666 Português
Bullying e capacitismo: é preciso começar pelo respeito


       O governo federal sancionou a lei que torna crime o bullying e o cyberbullying. A partir de agora, o Código Penal atribui penas de multa e prisão para aqueles que cometerem intimidação sistemática em atos de humilhação e discriminação, com violência física ou psicológica, especialmente contra crianças e adolescentes.

        A nova legislação institui também a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual da Criança e Adolescente, com medidas como transformar em crime hediondo o estímulo ao suicídio pela internet, sequestro, cárcere privado ou tráfico de crianças e adolescentes, inclusive responsabilizando aqueles que transmitem ou exibem mensagens que colocam em risco a integridade dessas pessoas.

      Essas medidas são duras, mas necessárias. Em um momento em que a tecnologia promove uma rede social virtual com enorme influência no comportamento humano, onde a emissão de opiniões é facilitada e sem restrições, precisamos estabelecer limites. E o limite precisa ser o da civilidade, do respeito, da tolerância, da convivência fraterna e da construção de uma sociedade mais solidária.

     O bullying é um comportamento perverso e destrutivo. É uma prática insistente que deprecia a relação entre as pessoas, promovendo danos psicológicos que afetam o rendimento escolar, a construção de carreiras profissionais e a própria participação na família e na sociedade. E essa agressão parte geralmente de detalhes maldosos ou diferenças, geralmente de características físicas, emocionais ou intelectuais.

    Chamamos de capacitismo a discriminação e o preconceito direcionados às pessoas com deficiência, atitude que desconsidera a individualidade do ser humano e reproduz comentários opressores que classificam e segregam autoritariamente a sociedade entre os superiores e os inferiores ou subalternos. Isso acontece entre homens e mulheres, entre as etnias e também entre pessoas sem e com algum tipo de deficiência.

       Além do avanço da legislação penal, precisamos internalizar, nas relações sociais, o respeito para com as diferenças. Cada ser humano tem suas características e potencialidades. É essa diferença e a capacidade de se relacionar com elas que caracterizam a nossa caminhada civilizatória, uma organização social cada vez mais comprometida com a felicidade humana.

    Temos grandes exemplos na história de pessoas com deficiência, intelectual ou física, que deixaram heranças culturais gigantescas que dignificam nossas vidas até hoje, como Stephen Hawking, Frida Kahlo, Van Gogh, Herbert Vianna ou nosso supernadador paraolímpico Daniel Dias. A Nona Sinfonia de Beethoven foi produzida quando ele já estava totalmente sem audição. Hoje, com o apoio da ciência, temos pessoas com deficiência atuando na política, nas artes, no cinema, em cargos de gestão pública, desempenhando qualquer atividade profissional.

      Se antes a piada capacitista na escola era motivo de diversão, agora é crime. O constrangimento sistemático contra uma pessoa com deficiência é um comportamento que precisa ser banido, eliminado e culturalmente combatido. A zoação contra a deficiência não é divertida, é cruel e pode causar danos profundos nas pessoas. Se queremos ser pessoas melhores, com uma sociedade melhor e uma vida melhor para viver bem, precisamos começar pelo respeito às diferenças.



(Ana Paula Lima. Disponível em: correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/01/6789724-bullying-e-capacitismo-e-preciso-comecar-pelo-respeito.html.Acesso em: 03/02/2024.)

De acordo com o texto, analise as afirmativas a seguir.

I. O capacitismo é uma herança cultural. II. A nova legislação se restringe a crimes praticados virtualmente. III. O bullying se tornou uma prática corriqueira que se limita ao ambiente. IV. O capacitismo e o bullying são conceitos diferentes, mas um pode estimular a prática do outro.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q2496502 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

"Quando nasce um filho, nasce uma mãe e uma culpa"  

Nasce também a cobrança de quem sabe que não pode realizar os sonhos e todas as vontades, nem as suas, nem as dos filhos  

Regina Teixeira da Costa | 19/05/2024  

     As redes sociais no Dia das Mães bombaram. Zilhões de mensagens esperadas, afinal somos todos filhos. E, muitas de nós, mães. Portanto, nesse dia, expressamos os melhores sentimentos e homenagens àquela que nos deu à luz. 

      E não apenas nos pariu, foi além: nos adotou e amparou. Nem todas puderam manter consigo a sua cria, mas aquelas que as acolheram e as aqueceram com o calor de seu corpo, as amamentaram, falaram com elas, transmitindo a linguagem, as humanizou. A linguagem humaniza.
 
     Enfim, assumiram a maternidade e padeceram no paraíso, dizem. Mas o que isso quer dizer? Quer dizer que ser mãe não é fácil, pois implica assumir o cuidado e a responsabilidade de um ser indefeso, prematuro, que ainda dependerá dela por muitos anos, antes de se tornar um adulto independente. 

     As mensagens eram afetivas e emocionadas nos lembrando os melhores momentos desta relação da vida toda. A hora é de festejar e de comemorar tudo que recebemos para ser o que somos e o resultado de todo esse cuidado que nos fez crescer.

    Lendo os conteúdos das postagens, parece que as coisas correram sempre de modo ideal. A maternidade é uma relação sacralizada. E de repente a gente esquece os momentos difíceis e se lembra só da parte boa. Mas quem é mãe, tanto para quem é filho, sabe que as mães não são perfeitas, são de carne e osso e muitas vezes estão exaustas, sobrecarregadas e até impacientes. Quando nasce um filho, nasce uma mãe e uma culpa. Uma cobrança de quem sabe que não pode realizar os sonhos e todas as vontades, nem as suas, nem as dos filhos.
   Sem dúvida, um olhar determina o lugar da criança. [...] Desde bebê, no olhar da mãe, a criança se reconhece de corpo inteiro, e esse momento é de júbilo, porque ele assimila ser ele próprio ali na imagem.

   Filhos não são uma encomenda que escolhemos conforme nosso agrado. São muito mais pessoas que, crescendo, nos surpreendem e, ao longo dos anos, vamos conhecendo e entendendo. Eles não são o que se espera.

   Como filhos, muitas vezes precisamos, para afirmar quem somos, decepcionar expectativas e o desejo de nossos pais. Precisamos contrariar o que planejaram para nosso futuro, porque esse futuro quem decide é o próprio sujeito. Sendo outra pessoa, nunca poderá viver para realizar sonhos alheios, o que, para muitos pais, é difícil de aceitar, e, para os filhos, é difícil de praticar. Assumir o próprio desejo é um ato que implica uma separação. Ou não seria possível, para nenhum de nós, filhos, ter vida própria e aprender a viver segundo nosso desejo. Nem os pais podem tudo, nem os filhos; somos pessoas comuns e limitadas que não têm resposta para tudo.  

    Embora saibamos das dificuldades atravessadas por todas as mães e os filhos desde o nascimento até a vida adulta – e mesmo depois que cada filho, tendo conquistado sua independência, saia da família de origem para viver a própria vida, formar seu núcleo familiar ou mesmo uma produção independente –, quando a relação foi minimamente satisfatória, guardamos carinho e respeito. E também algumas mágoas e arrependimentos, mas a vida é isso... saber superar.

    Não importa como nasce cada filho; quando nasce um filho, nasce uma mãe. E cada filho experimentará emoções, dificuldades e alegrias. Portanto, é justo que celebremos também o dia ________ ganhamos a vida.


COSTA, Regina Teixeira da. "Quando nasce um filho, nasce uma mãe e uma culpa". Estado de Minas, 19 de maio de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/regina-teixeira-dacosta/2024/05/6860186-quando-nasce-um-filho-nasce-uma-mae-e-uma-culpa.html. Acesso em: 19 mai. 2024. Adaptado.  
O que a articulista quis afirmar ao mencionar que “a maternidade é uma relação sacralizada” (5º parágrafo)? 
Alternativas
Q2496385 Português

Barata entende


    Nesta casa, quando vim para cá, havia muitas baratas. Grandes, lentas, parecidas umas com as outras. Eram vistas à noite saindo da cozinha e passavam por mim, muitas vezes, aos pares, como as mulheres amigas que passeiam conversando.

    Havia uma que não se juntava com as outras e era diferente. Um pouco mais clara, talvez. Mais alazã. Essa, quando eu estava escrevendo, se punha defronte, em cima da Antologia poética, de Vinicius de Moraes, e ficava me olhando. A princípio, a testemunha, a vigilância, sua simples presença me causava um certo desconforto. Depois, já não me fazia o menor mal. Ao contrário, quando parava para pensar, fitava-a e as ideias me vinham mais depressa.

    Uma noite, demorou a aparecer e, enquanto a esperei, confesso, não estivesse sossegado. Imaginei que lhe houvesse acontecido alguma coisa. Tivesse comido um pó errado. Encontrado uma dessas gatas lascivas, que matam as baratas aos pouquinhos, brincando com elas. Só sei que, quando levantei os olhos e a vi, outra vez, em cima da Antologia Poética, não contive o grito:

    — Onde é que você andava!?

    A barata desceu do livro e começou a caminhar, na direção do banheiro. Parou, na porta, e voltou-se para mim, como que pedindo que a seguisse. Não me custava nada. Era a primeira vez. No banheiro, no canto onde se guardavam as vassourinhas e o desentupidor, parou. Ficou parada. Com um ar de “olhe para isso”. Lá, havia um pó amarelo, que a cozinheira, sem me consultar e absolutamente certa de que estava prestando um grande serviço, comprara. Eu precisava fazer qualquer coisa para minha barata saber que não era eu, que não fora eu, que não seria eu, nunca…

    Abaixei-me e, quando ia começar a varrer o veneno, descobri que a pobrezinha, antes, tinha ido no pó. Estava com as patinhas e a boca sujas de amarelo. Além disso, já se punha mal nas pernas. Ia morrer, como de fato morreu, minutos depois, erguendo-se sobre o traseiro e caindo, pesadamente, de barriga para cima. Então, eu lhe gritei, com toda voz e toda inocência:

    — Olha, barata, não fui eu, não!

    No dia seguinte, porque as outras não me interessavam, ou temendo que viesse, um dia, a me interessar por outra, telefonei para Insetisan e pedi que mandassem dedetizar a casa.


(Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Pesquisa, organização e introdução de Guilherme Tauil, Todavia, 2021, pp. 391-392. Publicada originalmente em: O Jornal, de 10/11/1962.)

Considere o termo sublinhado no trecho “Depois, já não me fazia o menor mal. Ao contrário, quando parava para pensar, fitava-a e as ideias me vinham mais depressa.” (2º§). É correto afirmar que, por “fitava”, o autor quer dizer que:
Alternativas
Q2496382 Português

Barata entende


    Nesta casa, quando vim para cá, havia muitas baratas. Grandes, lentas, parecidas umas com as outras. Eram vistas à noite saindo da cozinha e passavam por mim, muitas vezes, aos pares, como as mulheres amigas que passeiam conversando.

    Havia uma que não se juntava com as outras e era diferente. Um pouco mais clara, talvez. Mais alazã. Essa, quando eu estava escrevendo, se punha defronte, em cima da Antologia poética, de Vinicius de Moraes, e ficava me olhando. A princípio, a testemunha, a vigilância, sua simples presença me causava um certo desconforto. Depois, já não me fazia o menor mal. Ao contrário, quando parava para pensar, fitava-a e as ideias me vinham mais depressa.

    Uma noite, demorou a aparecer e, enquanto a esperei, confesso, não estivesse sossegado. Imaginei que lhe houvesse acontecido alguma coisa. Tivesse comido um pó errado. Encontrado uma dessas gatas lascivas, que matam as baratas aos pouquinhos, brincando com elas. Só sei que, quando levantei os olhos e a vi, outra vez, em cima da Antologia Poética, não contive o grito:

    — Onde é que você andava!?

    A barata desceu do livro e começou a caminhar, na direção do banheiro. Parou, na porta, e voltou-se para mim, como que pedindo que a seguisse. Não me custava nada. Era a primeira vez. No banheiro, no canto onde se guardavam as vassourinhas e o desentupidor, parou. Ficou parada. Com um ar de “olhe para isso”. Lá, havia um pó amarelo, que a cozinheira, sem me consultar e absolutamente certa de que estava prestando um grande serviço, comprara. Eu precisava fazer qualquer coisa para minha barata saber que não era eu, que não fora eu, que não seria eu, nunca…

    Abaixei-me e, quando ia começar a varrer o veneno, descobri que a pobrezinha, antes, tinha ido no pó. Estava com as patinhas e a boca sujas de amarelo. Além disso, já se punha mal nas pernas. Ia morrer, como de fato morreu, minutos depois, erguendo-se sobre o traseiro e caindo, pesadamente, de barriga para cima. Então, eu lhe gritei, com toda voz e toda inocência:

    — Olha, barata, não fui eu, não!

    No dia seguinte, porque as outras não me interessavam, ou temendo que viesse, um dia, a me interessar por outra, telefonei para Insetisan e pedi que mandassem dedetizar a casa.


(Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Pesquisa, organização e introdução de Guilherme Tauil, Todavia, 2021, pp. 391-392. Publicada originalmente em: O Jornal, de 10/11/1962.)

Ao descrever a barata de seu interesse e compará-la às outras que avistava, o autor faz alusão a outro animal pelo uso de um termo que comumente lhe é atribuído para descrevê-lo. O termo em questão se encontra sublinhado na reprodução a seguir: “Havia uma que não se juntava com as outras e era diferente. Um pouco mais clara, talvez. Mais alazã.” (2º§). É correto afirmar que, ao fazer uso do termo sublinhado, o autor propõe paralelo entre a barata e um(a): 
Alternativas
Q2496316 Português

A complicada arte de ver


    Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

    Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver”.

    William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.


(ALVES, Rubem. Folha de S. Paulo. Em: 26/10/2004. Adaptado.)

Considerando aspectos textuais tais como estrutura e conteúdo apresentados, pode-se afirmar que o texto tem como principal objetivo:
Alternativas
Respostas
7261: C
7262: A
7263: D
7264: B
7265: A
7266: D
7267: B
7268: C
7269: A
7270: C
7271: E
7272: C
7273: E
7274: A
7275: C
7276: B
7277: C
7278: B
7279: B
7280: D