Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
Foram encontradas 38.929 questões
Atualmente, os estudiosos da linguagem começam a
desenvolver uma série de teorias do discurso, em que se mostra
que existe uma gramática que preside à construção do texto.
Assim como ensinamos aos alunos, por exemplo, a coordenação
e a subordinação como processos de estruturação do período, é
preciso ensinar-lhes a gramática do discurso, para que eles
possam, com mais eficácia, interpretar e redigir textos.
O texto pode ser abordado de dois pontos de vista
complementares. De um lado, podem-se analisar os mecanismos
sintáticos e semânticos responsáveis pela produção de sentido; de
outro, pode-se compreender o discurso como objeto cultural,
produzido a partir de certas condicionantes históricas, em relação
dialógica com outros textos. A finalidade de analisar elementos
de uma gramática do discurso é tornar explícitos mecanismos
implícitos de estruturação e interpretação de textos.
Quem escreve ou lê com eficiência conhece esses
procedimentos de maneira mais ou menos intuitiva. Explicitá-los
contribui para que um maior número de pessoas possa, de
maneira mais rápida e eficaz, transformar-se em bons leitores.
J. L. Fiorin. Introdução. In: Elementos de análise
do discurso. São Paulo: Contexto, 2005, p.10.
A partir das informações veiculadas no texto acima e das noções
básicas da análise do discurso, julgue os itens a seguir.
Atualmente, os estudiosos da linguagem começam a
desenvolver uma série de teorias do discurso, em que se mostra
que existe uma gramática que preside à construção do texto.
Assim como ensinamos aos alunos, por exemplo, a coordenação
e a subordinação como processos de estruturação do período, é
preciso ensinar-lhes a gramática do discurso, para que eles
possam, com mais eficácia, interpretar e redigir textos.
O texto pode ser abordado de dois pontos de vista
complementares. De um lado, podem-se analisar os mecanismos
sintáticos e semânticos responsáveis pela produção de sentido; de
outro, pode-se compreender o discurso como objeto cultural,
produzido a partir de certas condicionantes históricas, em relação
dialógica com outros textos. A finalidade de analisar elementos
de uma gramática do discurso é tornar explícitos mecanismos
implícitos de estruturação e interpretação de textos.
Quem escreve ou lê com eficiência conhece esses
procedimentos de maneira mais ou menos intuitiva. Explicitá-los
contribui para que um maior número de pessoas possa, de
maneira mais rápida e eficaz, transformar-se em bons leitores.
J. L. Fiorin. Introdução. In: Elementos de análise
do discurso. São Paulo: Contexto, 2005, p.10.
A partir das informações veiculadas no texto acima e das noções
básicas da análise do discurso, julgue os itens a seguir.
crianças brasileiras. A pesquisa inédita Saúde Brasil 2008, do
Ministério da Saúde, avaliou o crescimento da população e
verificou que, caso o Brasil mantenha o ritmo, a desnutrição será
praticamente nula entre 10 e 15 anos. O mesmo estudo mostrou
que o risco de obesidade vem aumentando no país,
principalmente entre os jovens do sexo masculino.
"O aumento da altura do brasileiro é um reflexo da
melhoria do padrão nutricional. Os investimentos em políticas
públicas de distribuição de renda, de saneamento e de melhorias
na alimentação e nutrição contribuíram para avanços e superação
da desnutrição no país", analisa uma das responsáveis pela
pesquisa Saúde Brasil. Ela destaca que o crescimento na estatura
das crianças, o maior entre todas as faixas etárias, permite ao país
uma visão otimista quanto ao fim da desnutrição infantil,
considerada um problema de saúde pública.
A análise sobre a redução no deficit de altura mostra que
as crianças brasileiras estão cada vez mais próximas do padrão
internacional estipulado pela Organização Mundial de Saúde, que
é feito a partir das medidas de peso e altura de meninos e meninas
sadias.
Os avanços são observados também na população adulta.
O estudo comprova que o brasileiro está mais alto. As mulheres
ganharam 3,3 cm em 14 anos. Os homens, nesse período,
aumentaram 1,9 cm no tamanho e chegaram a uma média de 1,70
m em 2003 - contra 1,68 m em 1989. Entretanto, esse ganho de
altura entre os adultos ainda está abaixo do padrão mundial usado
como referência.
Combate à desnutrição faz deficit de altura cair mais de 75% em
crianças. Internet:
Com referência às ideias e à tipologia do texto acima, julgue os
itens de 51 a 57.
crianças brasileiras. A pesquisa inédita Saúde Brasil 2008, do
Ministério da Saúde, avaliou o crescimento da população e
verificou que, caso o Brasil mantenha o ritmo, a desnutrição será
praticamente nula entre 10 e 15 anos. O mesmo estudo mostrou
que o risco de obesidade vem aumentando no país,
principalmente entre os jovens do sexo masculino.
"O aumento da altura do brasileiro é um reflexo da
melhoria do padrão nutricional. Os investimentos em políticas
públicas de distribuição de renda, de saneamento e de melhorias
na alimentação e nutrição contribuíram para avanços e superação
da desnutrição no país", analisa uma das responsáveis pela
pesquisa Saúde Brasil. Ela destaca que o crescimento na estatura
das crianças, o maior entre todas as faixas etárias, permite ao país
uma visão otimista quanto ao fim da desnutrição infantil,
considerada um problema de saúde pública.
A análise sobre a redução no deficit de altura mostra que
as crianças brasileiras estão cada vez mais próximas do padrão
internacional estipulado pela Organização Mundial de Saúde, que
é feito a partir das medidas de peso e altura de meninos e meninas
sadias.
Os avanços são observados também na população adulta.
O estudo comprova que o brasileiro está mais alto. As mulheres
ganharam 3,3 cm em 14 anos. Os homens, nesse período,
aumentaram 1,9 cm no tamanho e chegaram a uma média de 1,70
m em 2003 - contra 1,68 m em 1989. Entretanto, esse ganho de
altura entre os adultos ainda está abaixo do padrão mundial usado
como referência.
Combate à desnutrição faz deficit de altura cair mais de 75% em
crianças. Internet:
Com referência às ideias e à tipologia do texto acima, julgue os
itens de 51 a 57.
crianças brasileiras. A pesquisa inédita Saúde Brasil 2008, do
Ministério da Saúde, avaliou o crescimento da população e
verificou que, caso o Brasil mantenha o ritmo, a desnutrição será
praticamente nula entre 10 e 15 anos. O mesmo estudo mostrou
que o risco de obesidade vem aumentando no país,
principalmente entre os jovens do sexo masculino.
"O aumento da altura do brasileiro é um reflexo da
melhoria do padrão nutricional. Os investimentos em políticas
públicas de distribuição de renda, de saneamento e de melhorias
na alimentação e nutrição contribuíram para avanços e superação
da desnutrição no país", analisa uma das responsáveis pela
pesquisa Saúde Brasil. Ela destaca que o crescimento na estatura
das crianças, o maior entre todas as faixas etárias, permite ao país
uma visão otimista quanto ao fim da desnutrição infantil,
considerada um problema de saúde pública.
A análise sobre a redução no deficit de altura mostra que
as crianças brasileiras estão cada vez mais próximas do padrão
internacional estipulado pela Organização Mundial de Saúde, que
é feito a partir das medidas de peso e altura de meninos e meninas
sadias.
Os avanços são observados também na população adulta.
O estudo comprova que o brasileiro está mais alto. As mulheres
ganharam 3,3 cm em 14 anos. Os homens, nesse período,
aumentaram 1,9 cm no tamanho e chegaram a uma média de 1,70
m em 2003 - contra 1,68 m em 1989. Entretanto, esse ganho de
altura entre os adultos ainda está abaixo do padrão mundial usado
como referência.
Combate à desnutrição faz deficit de altura cair mais de 75% em
crianças. Internet:
Com referência às ideias e à tipologia do texto acima, julgue os
itens de 51 a 57.
com árvores frutíferas faz parte da mitologia de muitas religiões.
Também inspirou grandes pintores, como o renascentista
Hieronymus Bosch, autor de Jardim do Éden. A maior
pesquisa já feita sobre a diversidade genética da África, berço
da espécie humana há 200.000 anos, muda esse cenário para
um amontoado de areia, pedras e arbustos. O estudo, realizado
pela Universidade da Pensilvânia, concluiu que o homem
moderno surgiu numa região que hoje se situa na fronteira entre
Angola e Namíbia, no sudoeste do continente africano. Nessa
área vivem os 100.000 integrantes do povo san, ainda hoje
formado por caçadores e coletores.
Nenhum povo africano tem uma variedade genética tão
grande quanto os sans, e foi justamente isso que levou os
pesquisadores a concluir que seus antepassados deram origem
à humanidade. Sabe-se que, quanto mais distante da África,
menor a diferenciação de genes das populações que hoje
habitam os quatro cantos do mundo. A explicação é simples. A
população original teve mais tempo para acumular variações em
seu genoma. Chama-se a isso "efeito fundador". As populações
mais distantes da África são descendentes de grupos
migratórios pequenos e relativamente recentes, o que se traduz
num conjunto genético mais homogêneo.
A pesquisa conclui que os antepassados dos sans se
espalharam pela África. Também calcula o ponto exato em que
um grupo deles - talvez um bando tribal com não mais que 150
integrantes - teria deixado a África, há 50.000 anos, cruzando o
Mar Vermelho em direção à Ásia, e daí ganhando o mundo. A
descoberta reforça a tese, consolidada nas últimas décadas
pelas pesquisas genéticas, de que a humanidade descende de
um pequeno grupo de "Evas" e "Adãos".
A conclusão de que os sans se espalharam pela África e
se tornaram nossos antepassados é reforçada pelo fato de
certas características da língua falada por eles estarem
presentes em diversas outras do leste da África, próximo de
onde o homem moderno deixou o continente. Uma pesquisa de
2003 concluiu que o idioma dos sans pode guardar a chave
para explicar a origem da própria linguagem humana. Por fim,
os pesquisadores descobriram que todos os africanos
descendem de catorze populações. Para obterem esse
resultado, eles compararam os padrões genéticos com a etnia,
a cultura e a língua dos povos pesquisados. Descobriram fortes
relações entre os traços genéticos e a cultura de cada povo,
com poucas exceções. O estudo foi festejado como peça-chave
para a compreensão da origem da humanidade, das migrações
que povoaram o planeta e das adaptações do homem ao meio.
(Leandro Beguoci. Veja, 13 de maio de 2009, pp. 110-111, com
adaptações)
com árvores frutíferas faz parte da mitologia de muitas religiões.
Também inspirou grandes pintores, como o renascentista
Hieronymus Bosch, autor de Jardim do Éden. A maior
pesquisa já feita sobre a diversidade genética da África, berço
da espécie humana há 200.000 anos, muda esse cenário para
um amontoado de areia, pedras e arbustos. O estudo, realizado
pela Universidade da Pensilvânia, concluiu que o homem
moderno surgiu numa região que hoje se situa na fronteira entre
Angola e Namíbia, no sudoeste do continente africano. Nessa
área vivem os 100.000 integrantes do povo san, ainda hoje
formado por caçadores e coletores.
Nenhum povo africano tem uma variedade genética tão
grande quanto os sans, e foi justamente isso que levou os
pesquisadores a concluir que seus antepassados deram origem
à humanidade. Sabe-se que, quanto mais distante da África,
menor a diferenciação de genes das populações que hoje
habitam os quatro cantos do mundo. A explicação é simples. A
população original teve mais tempo para acumular variações em
seu genoma. Chama-se a isso "efeito fundador". As populações
mais distantes da África são descendentes de grupos
migratórios pequenos e relativamente recentes, o que se traduz
num conjunto genético mais homogêneo.
A pesquisa conclui que os antepassados dos sans se
espalharam pela África. Também calcula o ponto exato em que
um grupo deles - talvez um bando tribal com não mais que 150
integrantes - teria deixado a África, há 50.000 anos, cruzando o
Mar Vermelho em direção à Ásia, e daí ganhando o mundo. A
descoberta reforça a tese, consolidada nas últimas décadas
pelas pesquisas genéticas, de que a humanidade descende de
um pequeno grupo de "Evas" e "Adãos".
A conclusão de que os sans se espalharam pela África e
se tornaram nossos antepassados é reforçada pelo fato de
certas características da língua falada por eles estarem
presentes em diversas outras do leste da África, próximo de
onde o homem moderno deixou o continente. Uma pesquisa de
2003 concluiu que o idioma dos sans pode guardar a chave
para explicar a origem da própria linguagem humana. Por fim,
os pesquisadores descobriram que todos os africanos
descendem de catorze populações. Para obterem esse
resultado, eles compararam os padrões genéticos com a etnia,
a cultura e a língua dos povos pesquisados. Descobriram fortes
relações entre os traços genéticos e a cultura de cada povo,
com poucas exceções. O estudo foi festejado como peça-chave
para a compreensão da origem da humanidade, das migrações
que povoaram o planeta e das adaptações do homem ao meio.
(Leandro Beguoci. Veja, 13 de maio de 2009, pp. 110-111, com
adaptações)
Na afirmativa acima, o autor

O texto acima tem como ideia central a
Sempre se falou mal de funcionários, inclusive dos que
passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não sei
se esse tipo de burocrata-escritor ainda existe. A racionalização
do serviço público, ou o esforço para essa racionalização, trouxe
modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e
é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de
processos se hajam ressentido desses novos métodos de
trabalho.
E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque
desperdiçava os minutos de seu dia, reservados aos interesses
da Nação, no trato de quimeras pessoais. A Nação pagava-
lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar
casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade
as "partes". Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso
romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o
papel da repartição com palavras. Figuras e abstrações que em
nada adiantam à sorte do público. É bem verdade que esse
público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova
do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista.
O certo é que um e outro são inseparáveis, ou antes, o
funcionário determina o escritor. O emprego do Estado concede
com que viver, de ordinário sem folga, e essa é condição ideal
para bom número de espíritos: certa mediania que elimina os
cuidados imediatos, porém não abre perspectiva de ócio absoluto.
O indivíduo tem apenas a calma necessária para refletir na
mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o
fausto; sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar
ou fazer observar; o papel barra-lhe a vista dos objetos
naturais, como uma cortina parda. É então que intervém a
imaginação criadora, para fazer desse papel precisamente o
veículo de fuga, sorte de tapete mágico, em que o funcionário
embarca, arrebatando consigo a doce ou amarga invenção, que
irá maravilhar outros indivíduos, igualmente prisioneiros de
outras rotinas, por este vasto mundo de obrigações não escolhidas.
(Carlos Drummond de Andrade, Passeios na ilha)
Sempre se falou mal de funcionários, inclusive dos que
passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não sei
se esse tipo de burocrata-escritor ainda existe. A racionalização
do serviço público, ou o esforço para essa racionalização, trouxe
modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e
é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de
processos se hajam ressentido desses novos métodos de
trabalho.
E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque
desperdiçava os minutos de seu dia, reservados aos interesses
da Nação, no trato de quimeras pessoais. A Nação pagava-
lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar
casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade
as "partes". Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso
romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o
papel da repartição com palavras. Figuras e abstrações que em
nada adiantam à sorte do público. É bem verdade que esse
público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova
do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista.
O certo é que um e outro são inseparáveis, ou antes, o
funcionário determina o escritor. O emprego do Estado concede
com que viver, de ordinário sem folga, e essa é condição ideal
para bom número de espíritos: certa mediania que elimina os
cuidados imediatos, porém não abre perspectiva de ócio absoluto.
O indivíduo tem apenas a calma necessária para refletir na
mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o
fausto; sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar
ou fazer observar; o papel barra-lhe a vista dos objetos
naturais, como uma cortina parda. É então que intervém a
imaginação criadora, para fazer desse papel precisamente o
veículo de fuga, sorte de tapete mágico, em que o funcionário
embarca, arrebatando consigo a doce ou amarga invenção, que
irá maravilhar outros indivíduos, igualmente prisioneiros de
outras rotinas, por este vasto mundo de obrigações não escolhidas.
(Carlos Drummond de Andrade, Passeios na ilha)
Sempre se falou mal de funcionários, inclusive dos que
passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não sei
se esse tipo de burocrata-escritor ainda existe. A racionalização
do serviço público, ou o esforço para essa racionalização, trouxe
modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e
é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de
processos se hajam ressentido desses novos métodos de
trabalho.
E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque
desperdiçava os minutos de seu dia, reservados aos interesses
da Nação, no trato de quimeras pessoais. A Nação pagava-
lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar
casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade
as "partes". Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso
romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o
papel da repartição com palavras. Figuras e abstrações que em
nada adiantam à sorte do público. É bem verdade que esse
público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova
do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista.
O certo é que um e outro são inseparáveis, ou antes, o
funcionário determina o escritor. O emprego do Estado concede
com que viver, de ordinário sem folga, e essa é condição ideal
para bom número de espíritos: certa mediania que elimina os
cuidados imediatos, porém não abre perspectiva de ócio absoluto.
O indivíduo tem apenas a calma necessária para refletir na
mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o
fausto; sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar
ou fazer observar; o papel barra-lhe a vista dos objetos
naturais, como uma cortina parda. É então que intervém a
imaginação criadora, para fazer desse papel precisamente o
veículo de fuga, sorte de tapete mágico, em que o funcionário
embarca, arrebatando consigo a doce ou amarga invenção, que
irá maravilhar outros indivíduos, igualmente prisioneiros de
outras rotinas, por este vasto mundo de obrigações não escolhidas.
(Carlos Drummond de Andrade, Passeios na ilha)
I. No 1º parágrafo, o autor faz crer que as rotinas das repartições públicas influíram de algum modo nas vocações literárias dos funcionários.
II. No 2º parágrafo, o cronista considera a contradição que existe entre maldizer o literato-funcionário e consolar-se com o que ele criou como escritor.
III. No 3º parágrafo, o autor afirma que a condição da mediania, vivida pelo funcionário público, pode ser a ideal para estimulá-lo como criador, favorecendo sua imaginação.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
Sempre se falou mal de funcionários, inclusive dos que
passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não sei
se esse tipo de burocrata-escritor ainda existe. A racionalização
do serviço público, ou o esforço para essa racionalização, trouxe
modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e
é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de
processos se hajam ressentido desses novos métodos de
trabalho.
E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque
desperdiçava os minutos de seu dia, reservados aos interesses
da Nação, no trato de quimeras pessoais. A Nação pagava-
lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar
casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade
as "partes". Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso
romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o
papel da repartição com palavras. Figuras e abstrações que em
nada adiantam à sorte do público. É bem verdade que esse
público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova
do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista.
O certo é que um e outro são inseparáveis, ou antes, o
funcionário determina o escritor. O emprego do Estado concede
com que viver, de ordinário sem folga, e essa é condição ideal
para bom número de espíritos: certa mediania que elimina os
cuidados imediatos, porém não abre perspectiva de ócio absoluto.
O indivíduo tem apenas a calma necessária para refletir na
mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o
fausto; sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar
ou fazer observar; o papel barra-lhe a vista dos objetos
naturais, como uma cortina parda. É então que intervém a
imaginação criadora, para fazer desse papel precisamente o
veículo de fuga, sorte de tapete mágico, em que o funcionário
embarca, arrebatando consigo a doce ou amarga invenção, que
irá maravilhar outros indivíduos, igualmente prisioneiros de
outras rotinas, por este vasto mundo de obrigações não escolhidas.
(Carlos Drummond de Andrade, Passeios na ilha)
humanidade. Teremos de encontrar alternativas de energia para
manter nosso padrão de vida sem acabar com a atmosfera.
Aprender a reciclar tudo em uma escala inimaginável e também
a conciliar o consumo com a sabedoria da conservação. Mesmo
em meio à redução da atividade econômica global, o impacto
humano no ambiente do planeta nunca foi tão grande. Chegamos
ao ponto em que a nossa ânsia para acumular cada vez mais nos
levou a alcançar limites críticos dos recursos naturais do planeta.
É evidente que há uma interligação entre todos os problemas -
meio ambiente, população, alimentos, acesso à água doce e às
matérias-primas.
National Geographic Brasil. O estado
do planeta, 2010, p. 75 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens a
seguir, relativos a desenvolvimento sustentável.
humanidade. Teremos de encontrar alternativas de energia para
manter nosso padrão de vida sem acabar com a atmosfera.
Aprender a reciclar tudo em uma escala inimaginável e também
a conciliar o consumo com a sabedoria da conservação. Mesmo
em meio à redução da atividade econômica global, o impacto
humano no ambiente do planeta nunca foi tão grande. Chegamos
ao ponto em que a nossa ânsia para acumular cada vez mais nos
levou a alcançar limites críticos dos recursos naturais do planeta.
É evidente que há uma interligação entre todos os problemas -
meio ambiente, população, alimentos, acesso à água doce e às
matérias-primas.
National Geographic Brasil. O estado
do planeta, 2010, p. 75 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens a
seguir, relativos a desenvolvimento sustentável.
de quase 10% no valor dos investimentos em máquinas,
equipamentos e construções, como confirmam as contas nacionais
divulgadas pelo IBGE. Por isso, 2009 não foi um ano perdido
apenas quanto ao crescimento econômico. A contração de 0,2% do
produto interno bruto (PIB) está longe de ser desastrosa. A perda
mais importante foi outra: o país aplicou muito menos que o
necessário para modernizar e ampliar sua capacidade produtiva e
garantir, dessa maneira, condições mais sólidas para a expansão
nos anos seguintes. A queda do investimento de 18,7% para 16,7%
do PIB entre 2008 e 2009 é o dado mais negativo, em termos
estratégicos, no cenário do ano passado.
O Estado de S.Paulo, 12/3/2010 (com adaptações).
Idem, ibidem (com adaptações).
Assinale a opção que está de acordo com as ideias do texto acima.
Há muita senhora que se refere a sua empregada
doméstica como "minha auxiliar". Evita a secura da palavra
"empregada" por lhe parecer pejorativa ou politicamente
incorreta. As mais sofisticadas chegam a se valer de "minha
assistente" ou, ainda, "minha secretária" ? em que ganham, por
tabela, o status de executiva ou diretora de departamento. Mas
fiquemos com "auxiliar", e pensemos: auxiliar exatamente em
qual tarefa? Pois são muitos os casos em que a dona de casa
não faz absolutamente nada, a não ser administrar aquilo em
que sua "auxiliar" está de fato se empenhando: preparando o
almoço, lavando e guardando a louça, limpando a casa, lavando
e passando a roupa de toda a família etc.
É muito comum a situação de alguém pegar no batente,
fazer todo o serviço pesado e ser identificado como "auxiliar", ou
"estagiário", ou "assistente", quando não tachado de "provisório"
ou "experimental". Não se trata de uma implicância com certas
palavras; trata-se de reconhecer a condição injusta de quem faz
o essencial como se cuidasse apenas do acessório. Lembro-me
de que, no meu segundo ano de escola, a professora adoeceu
no meio ano. Durante todo o segundo semestre foi substituída
por uma jovem, que era identificada como "a substituta". "Você
está gostando da substituta?". "Será que a substituta vai dar
muita lição?". Ela dava aulas tão bem ou melhor do que a
primeira professora, mas não era reconhecida como mestra:
estava condenada a ser "a substituta".
Tais situações nos fazem pensar no reconhecimento que
deixa de ser prestado a quem mais fez por merecer. Quando o
freguês satisfeito elogia o proprietário de um restaurante pela
ótima refeição, não estará se esquecendo de alguém? Valeume,
a propósito, a lição de um amigo, quando, depois de um
almoço num restaurante, comentei: "Boa cozinha!". Ao que ele
retrucou: "Bom cozinheiro!". E será que esse cozinheiro tinha
um bom "auxiliar"?
(Manuel Praxedes de Sá, inédito)
Há muita senhora que se refere a sua empregada
doméstica como "minha auxiliar". Evita a secura da palavra
"empregada" por lhe parecer pejorativa ou politicamente
incorreta. As mais sofisticadas chegam a se valer de "minha
assistente" ou, ainda, "minha secretária" ? em que ganham, por
tabela, o status de executiva ou diretora de departamento. Mas
fiquemos com "auxiliar", e pensemos: auxiliar exatamente em
qual tarefa? Pois são muitos os casos em que a dona de casa
não faz absolutamente nada, a não ser administrar aquilo em
que sua "auxiliar" está de fato se empenhando: preparando o
almoço, lavando e guardando a louça, limpando a casa, lavando
e passando a roupa de toda a família etc.
É muito comum a situação de alguém pegar no batente,
fazer todo o serviço pesado e ser identificado como "auxiliar", ou
"estagiário", ou "assistente", quando não tachado de "provisório"
ou "experimental". Não se trata de uma implicância com certas
palavras; trata-se de reconhecer a condição injusta de quem faz
o essencial como se cuidasse apenas do acessório. Lembro-me
de que, no meu segundo ano de escola, a professora adoeceu
no meio ano. Durante todo o segundo semestre foi substituída
por uma jovem, que era identificada como "a substituta". "Você
está gostando da substituta?". "Será que a substituta vai dar
muita lição?". Ela dava aulas tão bem ou melhor do que a
primeira professora, mas não era reconhecida como mestra:
estava condenada a ser "a substituta".
Tais situações nos fazem pensar no reconhecimento que
deixa de ser prestado a quem mais fez por merecer. Quando o
freguês satisfeito elogia o proprietário de um restaurante pela
ótima refeição, não estará se esquecendo de alguém? Valeume,
a propósito, a lição de um amigo, quando, depois de um
almoço num restaurante, comentei: "Boa cozinha!". Ao que ele
retrucou: "Bom cozinheiro!". E será que esse cozinheiro tinha
um bom "auxiliar"?
(Manuel Praxedes de Sá, inédito)
I. No 1º parágrafo, a palavra administrar está empregada, com alguma ironia, para indicar a posição de quem se mantém distante da ação mesma de trabalhar.
II. No 2º parágrafo, as expressões pegar no batente, fazer todo o serviço pesado e faz o essencial referem-se ao caso em que o trabalhador não vê seu empenho ser reconhecido.
III. No 3º parágrafo, a expressão "Bom cozinheiro" concretiza o trabalhador, ao passo que "Boa cozinha" abstrai a operação do trabalho.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
Há muita senhora que se refere a sua empregada
doméstica como "minha auxiliar". Evita a secura da palavra
"empregada" por lhe parecer pejorativa ou politicamente
incorreta. As mais sofisticadas chegam a se valer de "minha
assistente" ou, ainda, "minha secretária" ? em que ganham, por
tabela, o status de executiva ou diretora de departamento. Mas
fiquemos com "auxiliar", e pensemos: auxiliar exatamente em
qual tarefa? Pois são muitos os casos em que a dona de casa
não faz absolutamente nada, a não ser administrar aquilo em
que sua "auxiliar" está de fato se empenhando: preparando o
almoço, lavando e guardando a louça, limpando a casa, lavando
e passando a roupa de toda a família etc.
É muito comum a situação de alguém pegar no batente,
fazer todo o serviço pesado e ser identificado como "auxiliar", ou
"estagiário", ou "assistente", quando não tachado de "provisório"
ou "experimental". Não se trata de uma implicância com certas
palavras; trata-se de reconhecer a condição injusta de quem faz
o essencial como se cuidasse apenas do acessório. Lembro-me
de que, no meu segundo ano de escola, a professora adoeceu
no meio ano. Durante todo o segundo semestre foi substituída
por uma jovem, que era identificada como "a substituta". "Você
está gostando da substituta?". "Será que a substituta vai dar
muita lição?". Ela dava aulas tão bem ou melhor do que a
primeira professora, mas não era reconhecida como mestra:
estava condenada a ser "a substituta".
Tais situações nos fazem pensar no reconhecimento que
deixa de ser prestado a quem mais fez por merecer. Quando o
freguês satisfeito elogia o proprietário de um restaurante pela
ótima refeição, não estará se esquecendo de alguém? Valeume,
a propósito, a lição de um amigo, quando, depois de um
almoço num restaurante, comentei: "Boa cozinha!". Ao que ele
retrucou: "Bom cozinheiro!". E será que esse cozinheiro tinha
um bom "auxiliar"?
(Manuel Praxedes de Sá, inédito)
Um indivíduo participa da vida social em proporção ao
volume e à qualidade das informações que possui, mas,
especialmente, em função de suas possibilidades de aproveitálas
e, sobretudo, de sua possibilidade de nelas intervir como
produtor do saber. Isso significa que, nas discussões acerca
das condições sociais da democracia, algumas questões
merecem ser focalizadas.
Como os indivíduos recebem a informação? Quais as
informações que lhes são dadas? Quando o são? Quem as dá?
Com que fim são fornecidas ? para serem fixadas mecanicamente
ou para lhes dar liberdade de escolha e margem de
iniciativa?
São questões decisivas, se a discussão da democracia
for a sério.
(Adaptado de Marilena Chauí, Cultura e democracia)
I. é absoluto numa democracia, cabendo apenas atentar para aspectos mais circunstanciais dos canais de informação e avaliar a eficácia destes no processo comunicativo.
II. deve ser permanentemente avaliado, para se saber se entre o emissor e o receptor da informação não há dificuldades operacionais ou técnicas a serem superadas.
III. está vinculado a uma série de condicionantes, que devem ser reconhecidos para se avaliar qual a efetiva participação dos indivíduos na vida democrática.
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em