Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Um dia, olhando para a estrada sobre a qual haviam colocado diversas pedrinhas para reforçar a superfície, a pedra grande sentiu um enorme desejo de estar lá embaixo, junto às outras.
- Que estou eu fazendo aqui entre as flores? Quero viver com minhas irmãs. Acho que é um direito meu. Assim dizendo, moveu-se e rolou para baixo, terminando seu caprichoso percurso exatamente no meio das pedrinhas por cuja companhia tanto almejava.
Na estrada passavam carretas com rodas de ferro, cavalos que pisavam com força, camponeses de botas ferradas, rebanhos e manadas de animais.
A bela pedra logo se viu maltratada. Alguns a faziam rolar, outros batiam nela com os pés, outros ainda a chutavam para mais adiante. As vezes via-se toda suja de lama.
Olhando para o lugar de onde viera, a pedra suspirou pela perda de sua solidão e teve, em vão, saudades da paz que outrora conhecera.
Esta fábula é dedicada aqueles que estupidamente saem da paz e do silêncio do verde campo para irem para a cidade, encontrando pessoas de maldade sem limites.
(Leonardo da Vinci: Fábulas e Lendas, S.Paulo, Circulo do Livro, 1972.)
Observe as afirmativas abaixo:
l - A estrada almejada pela pedra era de terra.
II - A pedra não teve paz na sua nova morada.
III - A pedra foi feliz na estrada.
IV - A pedra valorizou, após a experiência, o seu antigo lugar.
V - A estrada era calma, pouco movimentada.
Segundo a leitura do texto, estão CORRETAS apenas:
Tenho pelas pessoas gordas que conheço a maior simpatia, e me comovem os esforços que fazem para emagrecer. Vibram com a redução de um quilo em oitenta do peso total, dura conquista de uma semana de dieta feroz e malhação, e relaxam no fim de semana. Chega a Segunda-feira e a dura realidade é que o ponteiro da balança, implacável, denuncia o seu desvario dominical.
Outras pegam receitas azuis de medicamentos antiforme na ilusão de que o milagre acontecerá, e bem que ocorre durante um certo tempo. Mas, depois, vem o tsunami de gordura repor os quilos. Parece que o cérebro tem uma regulagem para o peso e dela não se afasta.
Enfim, para encurtar a história, devo dizer que só vi dois casos de emagrecimento seguro e duradouro, ambos de homens. Não estou contando aqui aqueles que fizeram cirurgia de redução de estômago, apenas os que conseguiram emagrecer com o esforço próprio de dieta e exercícios.
Um deles tornou-se vegetariano, só come saladas e passou a correr 10 quilômetros por dia, todos os dias.
O outro faz uma dieta programada por um nutrólogo, e não sei se vai conseguir manter-se sem a gordura. Na verdade, ele precisava emagrecer para fazer uma cirurgia de hérnia abdominal. Conseguiu, emagreceu vinte quilos em poucos meses, e perdeu, de fato, a barriga. Não fez ainda a cirurgia, que talvez agora não seja mais necessária. Como é um grande bebedor histórico de cerveja, o seu médico o proibiu de beber fermentados; liberou apenas os destilados, até três doses por semana. A última vez que o encontrei foi num bar, noite de sábado, quando ele me contou suas proezas dietéticas. Aproveitou para fazer uma gracinha: bebia, no sábado, três doses, já que o sábado é o último dia da semana; e, no domingo, mais três, visto que está começando outra semana.
Qualquer um com um mínimo de raciocínio poderia argumentar que a vantagem só ocorre na primeira semana, pois não poderia beber no próximo sábado, último dia da semana que já foi bebida no domingo que passou.
Alcoólatra inventa cada uma! Esse aí não vai conseguir ficar magro. Só se passar a correr os dez quilômetros: combustível é que não falta!
(LEVIN, Jacques. Recanto das Letras, 16/05/2007. www.recantodasletras.uol.br)
De acordo com o que se diz no 5º parágrafo, o gordo consumidor de bebida alcoólica, dentre as bebidas abaixo, NÃO poderia consumir;
UM HOMEM TEM 1,54m DE ALTURA
Um homem, imbuído de alto espírito de solidariedade animal, deu liberdade a um passarinho, o qual (segundo se apurou posteriormente) era um gênio encantado que, por elementar dever de gratidão entre os gênios, concedeu-lhe três pedidos. O primeiro seria de atendimento imediato e os dois restantes a vencer nos prazos de 30 e 60 dias garantidos por duas promissórias.
O homem (que tinha 1,54 m de altura), muito alegre e alvoroçado, pediu para crescer.
O gênio atendeu o pedido, conforme fora combinado, e partiu. E o homem de 1,54 m ficou com 1,60 m e logo com 1,76 m e dormiu com 1,80 m, radiante como nunca estivera antes, pois sempre fora arredio, esmagado por complexos de baixa estatura. Quando acordou tinha 2,30 m. Almoçou com 2,50 m, com muito apetite, e jantou com 3 m. Em breve cresceu até o segundo andar e logo até o quinto. Depois passou os telhados. Trinta dias depois tinha 53 metros, segundo topógrafo consultado, e estava muito apreensivo apesar de livre dos seus complexos. Venceu, então, a primeira promissória e o gênio voltou rigorosamente no prazo, como convém aos gênios.
- Quero diminuir. Quero diminuir. Pediu o gigante contrafeito por estar de tanga e com muito frio.
Quinze dias depois o homem chegara novamente, sentindo até um certo alívio, à sua altura de 1,54 m. Mas não parou aí. Logo depois tinha 1 metro e logo 50 centímetros.
Os complexos voltaram, então, mais agravados. Com 30 cm veio o desespero que aumentou quando estava com 15 cm, virou pânico no 55º dia quando acordou com 8 cm.
A família do homem (gigantes de 1,54 m) cercou-o de todas as garantias para que o seu desaparecimento ótico gradativo não o condenasse a um desaparecimento físico, pisado desastradamente por um inseto caseiro ou mordido por um micróbio. Quando o gênio chegou, no dia marcado, como sempre, aliás, encontrou o homem de 1 mm muito desanimado, protegido por uma campânula de vidro, dessas de proteger doce.
- Quero que você entre novamente na gaiola, berrou o homem com voz débil. Vamos começar tudo sem muita malícia.
(VASCONCELLOS, Marcos de. In Trinta contos redondos. Rio de janeiro: J. Alves Editor, 1963.)
Para fazer o terceiro pedido, o homem teve de berrar, porque:
Carlos Eduardo Novaes
É difícil fugir ao irresistível apelo dos supermercados. É nele que o homem satisfaz a todas as necessidades de consumidor. A primeira intenção de quem entra num supermercado é comprar tudo. Um conhecido meu, consumidor consagrado, já confessou que seu maior desejo é poder se atirar sobre as prateleiras, abrir pacotes, latas e caixas de biscoitos, queijo, compotas, doces e ficar ali esparramado, comendo até sair pelos ouvidos. Os proprietários têm consciência dessa compulsão e arrumam suas mercadorias de forma a poder deixar o consumidor como eles, proprietários, quando chegaram ao Brasil, ou seja, de tanga. Curiosamente, a alimentação deixou de ser uma simples necessidade para tornar-se um complicado sistema de “marketing” e pesquisa. Hoje, a gente nem sempre compra o que quer. Compra-se o que eles querem vender. Vocês sabem, por exemplo, por que o açúcar é colocado no fundo dos supermercados? Porque o açúcar é um artigo comum a todos, e ficando no fundo obriga o consumidor a passar por várias outras seções antes de encontrá-lo. E nessa passagem pode comprar mais alguma coisa. Para escapar a esse risco, há uma solução: entrar pela porta dos fundos. A colocação dos artigos nas prateleiras é matematicamente calculada. Os que têm saída certa ficam embaixo. Os de venda difícil são colocados à altura dos olhos. Dos olhos e principalmente das mãos. E há ainda as embalagens, feitas de forma a atrair o consumidor. Tem muita gente que só compra pela embalagem, tem gente que ainda faz pior. Só come a embalagem. As últimas pesquisas demonstram que os homens já estão se equiparando às mulheres na freqüência aos supermercados. Revelam ainda que eles vêm mostrando um talento incrível para donas-de-casa. Os homens são os melhores fregueses nas chamadas compras de impulso - termo que surgiu com o supermercado - que são aquelas que não se coloca na lista. Você chega lá, olha para a mercadoria, verifica quanto tem no bolso e depois se justifica: “Vou comprar só desta vez para experimentar”. As pesquisas assinalam ainda que nas compras o impulso ocorre da classe média para cima. Abaixo da classe média, diminui sensivelmente. Até mesmo porque, se houvesse impulso, não haveria dinheiro.
Conforme o texto, os dois fatores conjugados que tornam o homem um consumidor consagrado são:
I – Subentende-se das informações do texto que a comunidade científica reconhece a validade do conhecimento ecológico tradicional. II – A linguagem do conhecimento ecológico tradicional opõe suas verdades às verdades do conhecimento científico. III – O conhecimento ecológico tradicional, embora seja prático, é embasado em princípios morais, éticos e numa visão espiritual do mundo.
A seqüência correta é:
O CASAMENTO
- Eu quero ter um casamento tradicional, papai. - Sim, minha filha. - Exatamente como você! - Ótimo. - Que música tocaram no casamento de vocês? - Não tenho certeza, mas acho que era Mendelssohn. Ou Mendelssohn é o da Marcha Fúnebre? Não, era Mendelssohn mesmo. - Mendelssohn, Mendelssohn... Acho que não conheço. Canta alguma coisa dele aí. - Ah, não posso, minha filha. Era o que o órgão tocava em todos os casamentos, no meu tempo. - O nosso não vai ter órgão, é claro. - Ah, não? - Não. Um amigo do Varum tem um sintetizador eletrônico e ele vai tocar na cerimônia. O Padre Tuco já deixou. Só que esse Mendelssohn, não sei, não... - É, acho que no sintetizador não fica bem... - Quem sabe alguma coisa do Queen... - Quem? - O Queen. - Não é a Queen? - Não. O Queen. É o nome de um conjunto, papai. - Ah, certo. O Queen. No sintetizador. - Acho que vai ser o maior barato! - Só o sintetizador ou... - Não. Claro que precisa ter uma guitarra elétrica, um baixo elétrico... - Claro. Quer dizer, tudo bem tradicional. - Isso.
(VERÍSSIMO, L. Fernando. In Para gostar de ler. Vol. 13 - Histórias divertidas. São Paulo, Ática, 1994.)
Leia com atenção a frase: “Um amigo do Varum tem um sintetizador e ele vai tocar na cerimônia”. Das alterações feitas abaixo na frase, aquela que modifica o sentido dela é
O Globo, 1.º/12/2007
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando aspectos marcantes do sistema educacional brasileiro, julgue o item subseqüente.
A disciplina Química é a que tem menos professores licenciados no conjunto da área de ciências; provavelmente, isso tenha a ver com a falta de laboratórios.
Um dia, olhando para a estrada sobre a qual haviam colocado diversas pedrinhas para reforçar a superfície, a pedra grande sentiu um enorme desejo de estar lá embaixo, junto às outras.
- Que estou eu fazendo aqui entre as flores? Quero viver com minhas irmãs. Acho que é um direito meu. Assim dizendo, moveu-se e rolou para baixo, terminando seu caprichoso percurso exatamente no meio das pedrinhas por cuja companhia tanto almejava.
Na estrada passavam carretas com rodas de ferro, cavalos que pisavam com força, camponeses de botas ferradas, rebanhos e manadas de animais.
A bela pedra logo se viu maltratada. Alguns a faziam rolar, outros batiam nela com os pés, outros ainda a chutavam para mais adiante. As vezes via-se toda suja de lama.
Olhando para o lugar de onde viera, a pedra suspirou pela perda de sua solidão e teve, em vão, saudades da paz que outrora conhecera.
Esta fábula é dedicada aqueles que estupidamente saem da paz e do silêncio do verde campo para irem para a cidade, encontrando pessoas de maldade sem limites.
(Leonardo da Vinci: Fábulas e Lendas, S.Paulo, Circulo do Livro, 1972.)
De acordo com a moral da fábula, o bosque sombreado e a estrada simbolizam, respectivamente:
Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e medicina no Brasil. É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvidos os enguiços entre diplomas e carreiras. Falta-nos descobrir que a concorrência (sob um bom marco regulatório) promove o interesse da sociedade e que o monopólio só é bom para quem o detém. Não fora essa ignorância, como explicar a avalanche de leis que protegem monopólios espúrios para o exercício profissional?
Mas continua havendo boas razões para estudar direito, pois esse é um curso no qual se exercita lógica rigorosa, se lê e se escreve bastante. Torna os graduados mais cultos e socialmente mais produtivos do que se não houvessem feito o curso. Se aprendem pouco, paciência, a culpa é mais da fragilidade do ensino básico do que das faculdades. Diante dessa polivalência do curso de direito, os exames da OAB são uma solução brilhante. Aqueles que defenderão clientes nos tribunais devem demonstrar nessa prova um mínimo de conhecimento. Mas, como os cursos são também úteis para quem não fez o exame da Ordem ou não foi bem sucedido na prova, abrir ou fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC, não da OAB. A interferência das corporações não passa de uma prática monopolista e ilegal em outros ramos da economia. Questionamos também se uma corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a dificuldade das provas, pois essa é também uma forma de limitar a concorrência - mas trata-se aí de uma questão secundária. (...)
(Ve ja, 07.03.2007. Adaptado)
I. O advogado é aprovado na OAB.
II. O advogado raciocina com lógica.
III. O advogado defende o cliente no tribunal.
Sempre que o verão começa, o Mar Báltico fica com a aparência de lama malcheirosa em partes do litoral da Suécia. Os peixes morrem e bóiam na superfície. Quem chega muito perto fica com os olhos ardendo e algumas pessoas têm dificuldade para respirar. Esses são alguns dos efeitos das marés vermelhas, como são chamadas as concentrações de algas tóxicas em águas próximas ao litoral. Até uma década atrás, no Golfo do México, esse fenômeno acontecia em média a cada dez anos – hoje, ele ocorre todo ano e chega a durar meses. Marés vermelhas são sinal de oceanos doentes. Elas se devem a uma conjunção de fatores, entre eles a destruição dos pântanos e manguezais próximos à costa e a poluição causada pelo assentamento humano, cada vez mais intenso nas regiões litorâneas. Esse cenário diminui a quantidade de peixes e outras espécies marinhas que vivem junto à costa, abrindo caminho para a multiplicação das algas. Algumas algas produzem toxinas que, além de matar os peixes, são levadas pela brisa marinha até a costa. Em seres humanos, as toxinas provocam incômodo pelo mau cheiro e causam desde reações alérgicas na pele até problemas respirató- rios, como bronquite e crises de asma. Durante as marés vermelhas, as toxinas produzidas pelas algas podem chegar à mesa do almoço, absorvidas por mexilhões, ostras e outros frutos do mar. A intoxicação por esses alimentos contaminados provoca infecções intestinais e até convulsões e desmaios. As marés vermelhas também causam perdas financeiras às áreas afetadas. Em diversas regiões da China, onde o fenômeno vem acontecendo com maior freqüência, a pesca comercial fica suspensa enquanto duram as marés. Em regiões turísticas, como a Flórida e a Califórnia, as reservas dos hotéis são canceladas assim que são divulgados alertas de maré vermelha. (Adaptado de Leoleli Camargo. Veja, 27 de setembro de 2006, p.102-103)
O pronome grifado acima refere-se, considerando-se o contexto, aos
Vários historiadores têm procurado entender a originalidade da monarquia brasileira vinculando-a à chegada da família real ao Brasil em 1808. De fato, é no mínimo inusitado pensar numa colônia sediando a capital de um império. Chamada por Maria Odila Leite da Silva Dias de a “internacionalização da metrópole”, a instalação no Brasil da corte portuguesa, que fugia das tropas napoleônicas, significou não apenas um acidente fortuito, mas um momento angular da história nacional e de um processo singular de emancipação. Fuga ou golpe político, o fato é que com D. João e sua família, e contando com a ajuda inglesa, transferiram-se para o país a própria corte portuguesa — cujo número estimado de pessoas chegava a 20 mil, sendo que a cidade do Rio possuía apenas 60 mil almas — e várias instituições metropolitanas. Mas não era só: comerciantes ingleses e franceses, artistas italianos e naturalistas austríacos vinham junto com os baús. Difícil imaginar choque cultural maior. Transformado em reino unido já em 1815, o Brasil passou a distanciar-se, aos poucos, de seu antigo estatuto colonial, ganhando uma autonomia relativa jamais conhecida naquele contexto. A partir de então, o Rio de Janeiro tornou-se capital de Portugal e de suas possessões na África e na Ásia, e os portos brasileiros se abriram ao comércio britânico (seguindo o acerto feito com a Inglaterra, que assegurou o transporte da corte, mas o trocou por esse acordo comercial). Tais fatos alteraram radicalmente a situação da colônia portuguesa na América. (Adaptado de SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 35-36.)
O segmento que traduz, completa e corretamente, a situação da coroa inglesa descrita no trecho sublinhado acima é:
Foi então que passou por mim a brisa da terra; e essa brisa que esbarrava em tantos ângulos de cimento para chegar até mim ainda tinha, apesar de tudo, um vago cheiro de folhas, um murmúrio de grilos distantes, um segredo de terra anoitecendo.
E pensei em uma pessoa; e sonhei que poderíamos estar os dois juntos, vendo a ascensão da lua; deslembrados, inocentes, puros, na doçura da noitinha como dois bichos mansos vagamente surpreendidos e encantados perante o mistério e a beleza eterna da lua.
(Rubem Braga, in O Estado de S. Paulo, dez. 1990)
Foi então que passou por mim a brisa da terra; e essa brisa que esbarrava em tantos ângulos de cimento para chegar até mim ainda tinha, apesar de tudo, um vago cheiro de folhas, um murmúrio de grilos distantes, um segredo de terra anoitecendo.
E pensei em uma pessoa; e sonhei que poderíamos estar os dois juntos, vendo a ascensão da lua; deslembrados, inocentes, puros, na doçura da noitinha como dois bichos mansos vagamente surpreendidos e encantados perante o mistério e a beleza eterna da lua.
(Rubem Braga, in O Estado de S. Paulo, dez. 1990)
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada - meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada.
Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
(TREVISAN, Dalton. Apelo. In: BOSI, Alfredo, org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo, Cultrix/Edusp. 975. p. 190.)
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada - meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada.
Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
(TREVISAN, Dalton. Apelo. In: BOSI, Alfredo, org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo, Cultrix/Edusp. 975. p. 190.)

A partir do texto acima, julgue os itens subseqüentes.
Não importa quais são os rituais, nem mesmo a quem
são dirigidas as orações. Embora não haja consenso científico
sobre o assunto, vários estudos revelam que a prática religiosa
ajuda as pessoas a atingirem níveis mais altos de tranqüilidade.
Provavelmente, há outros mecanismos a serem levados em
conta, além da fé. Mas, em si mesmo, o exercício da
espiritualidade traz atitudes e posturas benéficas, como
mostram depoimentos de líderes religiosos. Todos eles
recomendam meios de chegar ao equilíbrio. Um dos principais
recursos é a meditação.
Recentemente, o Centro de Espiritualidade e da Mente
da Universidade da Pensilvânia divulgou uma pesquisa que
comparou a atividade cerebral durante a meditação de budistas
tibetanos e monges franciscanos. Nos dois grupos, intensificouse
a ação dos neurotransmissores que proporcionam a
sensação de bem-estar e disposição de ânimo. O Centro inclui
a meditação no tratamento de pacientes com doenças graves e
dores crônicas.
Além de levar as pessoas ao exercício da meditação, a
fé estimula-as a se envolverem em projetos comunitários,
reforça a auto-estima, induz ao relaxamento, ajuda a refrear
excessos. São, todos esses, fatores que podem remover
montanhas de remédios antidepressivos.
(Adaptado de Suzane Frutuoso. Revista Época, 15/03/2007)
I. Os cientistas não admitem que a força da fé produza qualquer efeito sobre quem se dedique a práticas religiosas.
II. O texto afirma que a prática da meditação não tem efeito sobre as pessoas que não sejam religiosas.
III. Ao reforçar laços comunitários, a fé religiosa pode evitar a ação de fatores que causam depressão.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em
Não importa quais são os rituais, nem mesmo a quem
são dirigidas as orações. Embora não haja consenso científico
sobre o assunto, vários estudos revelam que a prática religiosa
ajuda as pessoas a atingirem níveis mais altos de tranqüilidade.
Provavelmente, há outros mecanismos a serem levados em
conta, além da fé. Mas, em si mesmo, o exercício da
espiritualidade traz atitudes e posturas benéficas, como
mostram depoimentos de líderes religiosos. Todos eles
recomendam meios de chegar ao equilíbrio. Um dos principais
recursos é a meditação.
Recentemente, o Centro de Espiritualidade e da Mente
da Universidade da Pensilvânia divulgou uma pesquisa que
comparou a atividade cerebral durante a meditação de budistas
tibetanos e monges franciscanos. Nos dois grupos, intensificouse
a ação dos neurotransmissores que proporcionam a
sensação de bem-estar e disposição de ânimo. O Centro inclui
a meditação no tratamento de pacientes com doenças graves e
dores crônicas.
Além de levar as pessoas ao exercício da meditação, a
fé estimula-as a se envolverem em projetos comunitários,
reforça a auto-estima, induz ao relaxamento, ajuda a refrear
excessos. São, todos esses, fatores que podem remover
montanhas de remédios antidepressivos.
(Adaptado de Suzane Frutuoso. Revista Época, 15/03/2007)