Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 38.935 questões

Q1214923 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão:

A vila perdida

Olhando do alto, a Vila Autódromo é uma faixa de terra com um aglomerado de casas. Chegando perto são escombros do que um dia foi uma comunidade. Segundo moradores, a ocupação começou nos anos 1960, quando pescadores instalaram moradias provisórias à beira da lagoa de Jacarepaguá. O autódromo veio depois. Os barracos aumentaram, casas de classe média foram construídas, melhorias urbanas foram conquistadas e as lutas por regularização e as ameaças de remoção se sucederam.
A vila tornou-se, especialmente para a imprensa estrangeira, símbolo do estilo truculento de fazer política pública no Brasil. Poderia ter se tornado o modelo de uma nova forma de tratar a política urbana.
Ao decidir pela remoção de várias famílias para a construção de via de acesso ao Parque Olímpico da Barra e para recuperação ambiental, o prefeito Eduardo Paes desprezou possibilidade de aproveitar, mesmo que em parte, projeto urbanístico premiado.
Preparado por arquitetos da UFRJ e da UFF, previa menos remoções e menos demolições. Só agora, após remover, propôs reurbanizar.
Como bem resumiu o jornal britânico "The Guardian", enquanto Londres usou os Jogos para revitalizar o East End e construir habitações populares, o Rio está desenvolvendo terra vazia para um mercado de luxo. São 31 prédios que abrigarão os atletas. Foram construídos e depois serão comercializados pelo empreiteiro Carlos Carvalho. Ao lado de Odebrecht e Andrade Gutierrez, investiu R$ 1 bilhão numa parceria com a prefeitura. Em troca, poderão explorar 40% da área que abriga o Parque Olímpico, vizinho à Vila Autódromo.
Carvalho, conhecido como o "rei da Barra", disse que não seria bom "arranhar" o destino de "bom gosto" da região com casas populares. Defendeu o espaço como "moradia de nobre, não moradia de pobre". Um retrato do Brasil. E do Rio.
Costa, Paula Cesarino. Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/paulacesarinocos ta/2016/03/1748248-a-vila-perdida.shtml.Acesso em 21/04/2016. 
Paula Cesarino no artigo faz:
Alternativas
Q1214884 Português
Leia o texto a seguir e respondas a questão:

"Acabou!"

O que as pessoas fazem para sobreviver emocionalmente em meio a tantas crises?
Uma empresária de 57 anos disse que está muito deprimida e até teve ataques de pânico em função da atual crise econômica e política.
"Procuro adotar a filosofia de viver um dia de cada vez. Meu mantra é: concedei-me a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".
Ela disse que seu maior sofrimento é não conseguir enxergar alguma saída para a crise. "Não gosto de tomar remédio para dormir ou para me acalmar. E, por isso, sofro demais com a minha insônia. Fiz muitos anos de análise, gastei uma fortuna com todos os tipos de terapia. Mas, na verdade, a única vez que um analista me ajudou foi quando eu estava em dúvida se voltava ou não para o meu exmarido. Levei uma folha com tudo anotado. Os prós: sentia falta das nossas conversas, tinha medo de ficar sozinha para sempre, estava com ciúmes da nova vida dele. Os contras: brigávamos o tempo todo, ele me irritava de propósito, só sabia me criticar e destruir minha autoestima".
O analista pegou a folha da sua mão e a rasgou em pedacinhos. Depois disse: "Acabou!". "Eu continuava insistindo em ruminar o passado: 'Onde foi que eu errei? Por que não deu certo? Será que eu estaria mais feliz se não tivesse me separado?' Não importava mais se minha decisão de separar tinha ou não sido certa: acabou! Não interessava se eu estava com medo de ficar sozinha para sempre ou com ciúmes dele: acabou! Foi a resposta que eu precisava para não me atormentar mais: acabou!".
Ela conclui: "Antes, quando tinha algum problema profissional ou pessoal, ficava paralisada. Falava com muitas pessoas, ouvia conselhos e opiniões contraditórias, ficava perdida e cada vez mais angustiada. Hoje, quando estou insegura com alguma questão, escrevo em uma página todos os prós e contras, analiso cada uma das possibilidades, tomo uma decisão e, depois, rasgo em pedacinhos o papel. Digo para mim mesma: Acabou! É uma verdadeira libertação dos meus medos, ansiedades e preocupações e, só assim, consigo dormir".
Por que temos tanta dificuldade para aceitar que, simplesmente, acabou?

Goldeberg, Mirian. Colunista da Folha de São Paulo, Março, 2016. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2016/03/175 2575-acabou.shtml .Acesso em 21/04/2016.
Ao pensar em voltar com o ex-marido, a autora elenca prós e contra. Entre os prós foi citado, EXCETO:
Alternativas
Q1214883 Português
Leia o texto a seguir e respondas a questão:

"Acabou!"

O que as pessoas fazem para sobreviver emocionalmente em meio a tantas crises?
Uma empresária de 57 anos disse que está muito deprimida e até teve ataques de pânico em função da atual crise econômica e política.
"Procuro adotar a filosofia de viver um dia de cada vez. Meu mantra é: concedei-me a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".
Ela disse que seu maior sofrimento é não conseguir enxergar alguma saída para a crise. "Não gosto de tomar remédio para dormir ou para me acalmar. E, por isso, sofro demais com a minha insônia. Fiz muitos anos de análise, gastei uma fortuna com todos os tipos de terapia. Mas, na verdade, a única vez que um analista me ajudou foi quando eu estava em dúvida se voltava ou não para o meu exmarido. Levei uma folha com tudo anotado. Os prós: sentia falta das nossas conversas, tinha medo de ficar sozinha para sempre, estava com ciúmes da nova vida dele. Os contras: brigávamos o tempo todo, ele me irritava de propósito, só sabia me criticar e destruir minha autoestima".
O analista pegou a folha da sua mão e a rasgou em pedacinhos. Depois disse: "Acabou!". "Eu continuava insistindo em ruminar o passado: 'Onde foi que eu errei? Por que não deu certo? Será que eu estaria mais feliz se não tivesse me separado?' Não importava mais se minha decisão de separar tinha ou não sido certa: acabou! Não interessava se eu estava com medo de ficar sozinha para sempre ou com ciúmes dele: acabou! Foi a resposta que eu precisava para não me atormentar mais: acabou!".
Ela conclui: "Antes, quando tinha algum problema profissional ou pessoal, ficava paralisada. Falava com muitas pessoas, ouvia conselhos e opiniões contraditórias, ficava perdida e cada vez mais angustiada. Hoje, quando estou insegura com alguma questão, escrevo em uma página todos os prós e contras, analiso cada uma das possibilidades, tomo uma decisão e, depois, rasgo em pedacinhos o papel. Digo para mim mesma: Acabou! É uma verdadeira libertação dos meus medos, ansiedades e preocupações e, só assim, consigo dormir".
Por que temos tanta dificuldade para aceitar que, simplesmente, acabou?

Goldeberg, Mirian. Colunista da Folha de São Paulo, Março, 2016. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2016/03/175 2575-acabou.shtml .Acesso em 21/04/2016.
Segundo o texto, a melhor saída para resolver um problema é:
Alternativas
Q1214844 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão:
Meu pior pesadelo

Além de insônia, tenho muitos pesadelos.
O mais recorrente é com nazistas querendo me matar. Apesar de ser uma menina frágil, consigo fugir e sobreviver, mas sofro desesperadamente por não conseguir salvar minha mãe.
Um pesadelo frequente é com meu pai e meus irmãos que me batem violentamente e roubam meu dinheiro. Apesar de ser uma menina magrinha, consigo sobreviver por ter aprendido a me tornar invisível. Outro pesadelo é com meu ex-marido que flerta descaradamente com outras mulheres. Reconheço que sou uma mulher insignificante e insegura, que merece ser traída. Consigo me esconder no banheiro e ele não vê minhas lágrimas.
O pesadelo mais recente é com o país dividido por um muro, com manifestações violentas nas ruas entre, de um lado, brasileiros vestidos de verde e amarelo e, de outro, brasileiros de vermelho. Todos gritam e destilam ódio, clamam pela prisão dos corruptos e xingam velhos amigos de golpistas e fascistas. Um ministro do governo anuncia uma guerra sangrenta com um cadáver que certamente virá. Um ministro do STF fala do risco de intervenção das Forças Armadas.
O presidente da Câmara, acusado em inúmeros inquéritos da Lava Jato, com dezenas de contas não declaradas no exterior, réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, é o terceiro na linha sucessória podendo chegar a ser o vice-presidente ou até mesmo o presidente do Brasil, como resultado de um processo de impeachment que ele mesmo instalou. Milhões de brasileiros desempregados, milhares de negócios fechados, incontáveis famílias querendo deixar o país, casos de ansiedade, depressão, insônia e pânico aumentando assustadoramente. Políticos corruptos querendo salvar a própria pele a qualquer custo, incendiando o país, sem a menor preocupação com o sofrimento que estão causando em todo o povo. Estão "cagando e andando", como disse um deles. O Brasil que, até recentemente, era uma das economias mais sólidas e promissoras do mundo, se encontra em uma situação desesperadora, sem qualquer perspectiva de solução. Sinto um medo enorme de perder tudo o que conquistei com muito trabalho e sacrifício, não sei como posso me proteger. Por favor, alguém pode me acordar e dizer que é só mais um pesadelo?

Goldenber, Mirian. Folha de São Paulo, 2016. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2016/04/ 1762506-meu-pior-pesadelo.shtml. Acesso em 21/04/2016.  
A autora destaca a sua preocupação com o povo brasileiro em meio a crise, evidenciada na seguinte colocação:
Alternativas
Q1214843 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão:
Meu pior pesadelo

Além de insônia, tenho muitos pesadelos.
O mais recorrente é com nazistas querendo me matar. Apesar de ser uma menina frágil, consigo fugir e sobreviver, mas sofro desesperadamente por não conseguir salvar minha mãe.
Um pesadelo frequente é com meu pai e meus irmãos que me batem violentamente e roubam meu dinheiro. Apesar de ser uma menina magrinha, consigo sobreviver por ter aprendido a me tornar invisível. Outro pesadelo é com meu ex-marido que flerta descaradamente com outras mulheres. Reconheço que sou uma mulher insignificante e insegura, que merece ser traída. Consigo me esconder no banheiro e ele não vê minhas lágrimas.
O pesadelo mais recente é com o país dividido por um muro, com manifestações violentas nas ruas entre, de um lado, brasileiros vestidos de verde e amarelo e, de outro, brasileiros de vermelho. Todos gritam e destilam ódio, clamam pela prisão dos corruptos e xingam velhos amigos de golpistas e fascistas. Um ministro do governo anuncia uma guerra sangrenta com um cadáver que certamente virá. Um ministro do STF fala do risco de intervenção das Forças Armadas.
O presidente da Câmara, acusado em inúmeros inquéritos da Lava Jato, com dezenas de contas não declaradas no exterior, réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, é o terceiro na linha sucessória podendo chegar a ser o vice-presidente ou até mesmo o presidente do Brasil, como resultado de um processo de impeachment que ele mesmo instalou. Milhões de brasileiros desempregados, milhares de negócios fechados, incontáveis famílias querendo deixar o país, casos de ansiedade, depressão, insônia e pânico aumentando assustadoramente. Políticos corruptos querendo salvar a própria pele a qualquer custo, incendiando o país, sem a menor preocupação com o sofrimento que estão causando em todo o povo. Estão "cagando e andando", como disse um deles. O Brasil que, até recentemente, era uma das economias mais sólidas e promissoras do mundo, se encontra em uma situação desesperadora, sem qualquer perspectiva de solução. Sinto um medo enorme de perder tudo o que conquistei com muito trabalho e sacrifício, não sei como posso me proteger. Por favor, alguém pode me acordar e dizer que é só mais um pesadelo?

Goldenber, Mirian. Folha de São Paulo, 2016. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2016/04/ 1762506-meu-pior-pesadelo.shtml. Acesso em 21/04/2016.  
Segundo o texto de Mirian Goldenber, o seu pesadelo mais recente se refere a:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: CONPASS Órgão: Prefeitura de Brejinho - RN
Q1214370 Português
O jornal e suas metamorfoses
Moradores de Copacabana, comprai vossos peixes na Um senhor pega um bonde depois de comprar o jornal e pô-lo debaixo do braço. Meia hora depois, desce com o mesmo jornal debaixo do mesmo braço. 
Mas já não é o mesmo jornal, agora é um monte de folhas impressas que o senhor abandona num banco de praça. 
Mal fica sozinho na praça, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que um rapaz o descobre, o lê, e o deixa transformado num monte de folhas impressas. 
Mal fica sozinho no banco, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Depois, leva-o para casa e, no caminho, aproveita-o para embrulhar um molho de celga, que é para o que servem os jornais depois dessas excitantes metamorfoses. 
CORTÁZAR, Julio. Histórias de Cronópios e de Famas. 4 ed. Trad. Glória Rpdroguez. Rio de Janeiro. Ed., Civilização Brasileira, 1983. p 64-65.
Das afirmações seguintes: 
I. A personagem principal do conto é “um jornal”; o que é algo inusitado. 
II. Ao longo do conto, o jornal se transforma em folhas impressas e depois se transforma novamente em jornal. 
III. O terceiro e o quarto parágrafo do conto iniciam-se praticamente com as mesmas palavras e expressa um contraste interessante entre o “ar de novidade” usado para descrever uma metamorfose vivida pelo jornal e a sua repetição.
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUNDATEC Órgão: IPASEM - NH
Q1211930 Português
Em relação às expressões que preenchem as lacunas do texto, analise as assertivas a seguir:
I. A lacuna da linha 13 ficaria corretamente preenchida por ‘cláusulas’.
II. A lacuna da linha 15 deveria ser corretamente preenchida por ‘inceçantemente’.
III. A lacuna da linha 23 ficaria corretamente preenchida por ‘exporádicos’.
Quais estão corretas?
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FAEPESUL Órgão: Prefeitura de Araranguá - SC
Q1209570 Português
Canção Amiga
Eu preparo uma canção em que minha mãe se reconheça, todas as mães se reconheçam, e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua que passa em muitos países. Se não se vêem, eu vejo e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo como quem anda ou sorri. No jeito mais natural dois carinhos se procuram.    Minha vida, nossas vidas formam um só diamante. Aprendi novas palavras e tornei outras mais belas.   Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças.
O eu lírico está fortemente marcado nesses versos. Quando Drummond prepara “uma canção amiga”, ele quer nos falar sobre qual tema?
Alternativas
Ano: 2016 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Figueirópolis - TO
Q1208962 Português
Em seu sentido tradicional, a cidadania expressa um conjunto de direitos e de deveres que permite aos cidadãos e cidadãs o direito de participar da vida política e da vida pública, podendo votar e serem votados, participando ativamente na elaboração das leis e do exercício de funções públicas, por exemplo. Hoje, no entanto, o significado da cidadania assume contornos mais amplos, que extrapolam o sentido de apenas atender às necessidades políticas e sociais, e assume como objetivo a busca por condições que garantam uma vida digna às pessoas.    Sobre o trecho acima: 
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FAUEL Órgão: Prefeitura de Jacarezinho - PR
Q1206633 Português
UMA EMPRESA AGRIDE A NATUREZA ATÉ QUE A NATUREZA E A SOCIEDADE REAJAM
Tão importante quanto preservar o meio ambiente e corrigir os abusos cometidos contra ele é mudar mentalidades. E as suas práticas. A responsabilidade social é parte das novas atitudes de respeito à natureza. Trata-se de um ideal contemporâneo, um meio transformador que constrói uma sociedade sustentável do ponto de vista ambiental, social e empresarial. Todos os vínculos são requalificados entre empresas, governos, pessoas. E entre todos eles e o meio ambiente. Muitas empresas já fazem parte dessa cultura que traz resultados positivos para os negócios e para a sociedade. A natureza está nos lucros, não nas perdas.
Disponível em: <http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-924campanha2005_pagdupla2.pdf> Acesso em: 02 abr 2016.
Da leitura do título do texto: “Uma empresa agride a natureza até que a natureza e a sociedade reajam”, é possível afirmar que:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: CONSULPLAN Órgão: Prefeitura de Sabará - MG
Q1206069 Português
Texto para responder à questão 
Nick Vujicic: australiano sem braços e pernas passará em 5 cidades do Brasil em Outubro de 2016 
Histórias de superação são sempre fascinantes, porque nos mostram que vencer as dificuldades, por piores que elas sejam, é possível. A incrível e emocionante vida do australiano Nick Vujicic já tinha sido transformada em livros, e agora ele chega com uma turnê ao vivo entre 3 e 8 de outubro no Brasil. Já estão confirmadas as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.  
Nick Vujicic nasceu sem pernas e sem braços devido a uma síndrome rara, denominada tetra-amelia, que ocorre por falha na formação embrionária. Apesar de suas limitações, aprendeu a escrever com a boca, a digitar, nadar, mergulhar, surfar, jogar futebol, andar de skate, jogar golfe... Formou-se em Economia e Contabilidade, casou-se e é pai. Não satisfeito, tornou-se palestrante motivacional e escritor best-seller. Já falou para mais de seis milhões de pessoas, em 50 países, sendo sempre ovacionado pelo público.
“Sabe por que consigo fazer tudo isso? Porque não tenho medo de dificuldades e me esforço bastante!”, conta Nick, no seu livro Me Dá Um Abraço, lançado pela editora Mundo Cristão. Em oito capítulos ricamente ilustrados, o autor narra alguns acontecimentos que mais marcaram sua vida, sempre ressaltando a importância do amor e dos gestos daqueles que influenciaram positivamente sua trajetória. Logo no primeiro capítulo ele traz o emocionante relato sobre um encontro com uma garotinha de três anos de idade, que o olhava espantada, mas que, para a surpresa dele, aproximou-se para abraçá-lo com os braços para trás. “Que jeito mais especial de abraçar! Esticou o pescoço, apoiou a cabeça em meu ombro e pressionou seu pescoço de leve contra o meu. Nós nos abraçamos como duas girafas”, escreveu.
(Disponível em: https://noticias.terra.com.br/dino/nick-vujicic-australiano-sem-bracos-e-pernas-passara-em-5-cidades-do-brasil-em-outubro-de-2016,980ba27b0a6dc406c5664e4e45e0a12ad1jp4dqy.html.)
Dentre as estratégias de referenciação pode-se indicar a retomada do objeto já presente no discurso. Dentre os trechos a seguir, tal estratégia só NÃO pode ser identificada em:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: IBADE Órgão: Câmara de Santa Maria Madalena - RJ
Q1202484 Português
Longe dos olhos, longe da consciência
Alguns anos atrás os jornais noticiaram, com destaque, que a praça da Sé estava voltando a ser um aprazível ponto turístico de São Paulo.
A providência higienizadora do nosso marco zero consistiu na retirada dos menores que por lá perambulavam. Com a saneadora medida, a praça estava salva, voltava a ser nossa. À sua crônica sujeira não mais incomodava. Os menores estavam fora, pouco importava a permanência dos marreteiros, pregadores da Bíblia, comedores de faca e fogo, ciganos, repentistas e os saudáveis churrasquinhos e pastéis. Até os trombadões permaneceram. Aliás, é compreensível; é bem mais fácil remover as crianças do que deter os trombadões.
Anteriormente, competente e sensível autoridade levou dezenas de menores para fora das fronteiras de nosso Estado. A operação expurgo foi também bastante noticiada.
No Rio de Janeiro a providência teve caráter definitivo. As crianças foram mortas na Candelária.
Em Belo Horizonte, também há algum tempo, uma operação militar foi montada para retirar das ruas cerca de 500 crianças. A imprensa exibiu fotos de crianças de até quatro anos, várias com chupetas na boca, sendo colocadas em camburões pelos amáveis e carinhosos soldados da milícia mineira, que souberam respeitar as crianças, deixando-as com suas chupetas.
Riscar as crianças dos mapas urbanos já não está mais nos planos dos zelosos defensores das nossas urbes e da nossa incolumidade física. Viram ser essa uma missão inócua. Retiradas daqui ou dali, passam a habitar lá ou acolá. Saem da praça da Sé, vão para a praça Ramos ou para as praças da zona Leste, Oeste, Norte ou Sul. Saem de uma capital e vão para outra, de um extremo ao outro do país.
lronias à parte, cuidar dos menores para evitar o abandono, para suprir as suas carências e para protegê-los da violência que os atinge é obrigação humanitária de todos nós. E, para quem não tem a solidariedade como móvel de sua conduta, que aja ao menos impulsionado pelo egoísmo em nome da autopreservação.
No entanto novamente se assiste ao retumbante coral repressivo, que entoa a surrada, falsa e enganosa solução da cadeia para os que já cometeram infrações e, para os demais, esperar que as cometam, para irem fazer companhia aos outros.
A verdade é que sempre quisemos distância das nossas crianças carentes. Longe dos olhos, longe da consciência. A sociedade só se preocupa com os menores porque eles estão assaltando. Estivessem quietos, amargando inertes as suas carências, continuariam esquecidos e excluídos.
Esse problema, reduzido à fórmula simplista de solução — diminuição da idade -, bem mostra como a questão criminal no país é tratada de forma leviana, demagógica e irresponsável. Colocam-se nas penitenciárias ou nas delegacias os maiores de 16 anos e ponto final. Tudo resolvido.
A indagação pertinente é por que diminuir a responsabilidade penal só para 16 anos. Há crianças com dez ou oito anos assaltando? Vamos encarcerá-las. Melhor, nascituros também poderiam ser isolados. Dependendo das condições em que irão viver, poderão estar fadados a nos agredir futuramente. Não será melhor criá-los longe dos centros urbanos, isolá-los em rincões distantes para que não nos ponham em risco?
Parece estar na hora — tardia, diga-se de passagem — de encararmos com honestidade e com olhos de ver a questão do crime no país, especialmente do menor infrator e do menor carente. Chega de demagogia e de hipocrisia. Vamos cuidar da criança e do adolescente. Aliás, não só do carente e do abandonado, mas também daqueles poucos bem nascidos, pois também estavam cometendo crimes. Destes esperamos que os pais acordem e imponham regras e limites, deem menos liberdade, facilidades e dinheiro e mais educação, respeito pelo próximo e conhecimento da trágica realidade do país.
Em relação aos outros, esperamos que a sociedade e o Estado, em vez de os porem na cadeia, eduquem-nos, deem-lhes afeto e os ajudem a adquirir autoestima, única maneira de os proteger do crime de abandono.
OLIVEIRA, Antônio Cláudio Mariz de. Longe dos olhos, longe da consciência. Folha de S. Paulo, São Paulo, 11 ago. 2004. Brasil, Opinião, p. AS.
Considere as seguintes afirmações sobre aspectos da construção do texto:
| Na frase “A sociedade só se preocupa com os menores porque eles estão assaltando.”, o SE é partícula apassivadora.
II. Em “a praça da Sé estava voltando a ser um aprazível ponto turístico de São Paulo.”, o autor cometeu um equívoco ao não usar o sinal indicativo de crase na segunda ocorrência do A.
III. Na frase “é obrigação humanitária de todos NOS.”, o elemento destacado é pronome pessoal oblíquo.
Está correto apenas o que se afirma em:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FAUEL Órgão: Câmara de São José dos Pinhais - PR
Q1200339 Português
Convite
Poesia é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam.
As palavras não: quanto mais se brinca com elas mais novas ficam.
Como a água do rio que é água sempre nova.
Como cada dia que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
José Paulo Paes. Poemas para brincar. São Paulo: Ática, 1998.
Assinale abaixo a única alternativa que apresenta um trecho do poema relacionado ao fato das palavras sempre se renovarem:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: Câmara de Linhares - ES
Q1199467 Português
Um homem de consciência
Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.
Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.
Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o deperecimento visível de sua Itaoca.
- Isto já foi muito melhor, diz consigo. Já teve três médicos bem bons - agora só um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está se acabando...
João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava de um fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.
- É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada...
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado - e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca! ...
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou no seu cavalinho magro e partiu.
Antes de deixar a cidade foi visto por um amigo madrugador.
- Que é isso, João? Para onde se atira assim de armas e bagagens?
- Vou-me embora, respondeu o retirante.
Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
- Mas, como? Agora que você está delegado?
- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. E adeus.
E sumiu.
Lobato, Monteiro. Um homem de consciência. In Cidades Mortas. 12ª edição. São Paulo, Brasiliense, 1965.
De acordo com o texto, João Teodoro:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUMARC Órgão: Câmara de Dores do Rio Preto - ES
Q1198784 Português
O dono da casa impediu que o assalto fosse maior, EXCETO porque 
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: Câmara de Linhares - ES
Q1195157 Português
Os urubus
— Estou esperando!
— Não quero!
— Deixá-lo passar!
— Naufragou!
Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia de Santa Luzia, tão suave e tão formoso, onde se amontoam as coisas lúgubres da cidade - a Santa Casa, o Necrotério, o serviço de enterramentos. [...] Dois olhavam com avidez os bondes que vinham da rua do Passeio; dois estavam totalmente voltados para o lado da Faculdade. Ao aparecer um bonde, um magrinho bradou:
— Largo!
Prestei atenção. Do tramway em movimento saltou um cavalheiro defronte do Necrotério.
[...]
A um tempo falavam todos, e o cavalheiro, coberto de luto, com o lenço empapado de suor e de lágrimas, murmurava, como se estivesse a receber pêsames:
— Muito obrigado! Muito obrigado!
Aproximei-me de um dos funcionários do serviço mortuário.
— Que espécie de gente é essa?
— Oh! não conhece”? São os urubus!
— Urubus?
— Sim, OS corvos... E o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto. Não é muito numerosa a classe, mas que faro, que atividade!
Totalmente interessado, tive uma dessas exclamações de pasmo que lisonjeiam sempre os informantes e nada exprimem de definitivo. Ele sorriu, tossiu e falou. Foi prodigioso.
— Os agenciadores de coroas levantam-se de madrugada e compram todos os jornais para ver quais os homens importantes falecidos na véspera. Defunto pobre não precisa de luxo, e coroa é luxo. Logo que tomam as notas disparam para a casa do morto e propõem adiantar o que for necessário para o enterro, com a condição de se lhes comprarem as coroas. [...]. E os títulos dessas casas davam para um tratado de psicologia recreativa. Há os poéticos, os delicados, os floridos, os babosos, os fúnebres — Tributo da Saudade, Coroa de Violetas, Flor de Lis, Bogari, A Jardineira, Coroa de Rosas...
— Mas... e estes homens aqui?
— Estes homens, são os urubus de Santa Luzia, serviço especial e maçônico. Três ficam à entrada principal da Santa Casa. Quando avistam um tipo, brada o primeiro: estou esperando!
Se o tipo não tem casa de enterro: não quero! Deixá-lo passar. Se o homem vem de tilburi, correm até aqui a acompanhá-lo... Se o tilburi segue, bradam: naufragou! E voltam ao lugar donde não saíram os outros. E interessante ouvir-lhes o diálogo. Tu é que não correste! Conheço o homem; Antes fosse, era meu o negócio...
— Mas é horrível!
— É avida, meu caro.
[...]
Os urubus devem ter nome?
— Têm, são urubus urbanos. Vê o senhor aquele? E o Chico Basílio. Há cerca de trinta anos exerce a profissão. Está vendo aquele grupo? Encontra lã o Brasilino, o Caranguejo, o Bilu, o Espanhol da Saúde, o Mangonga. Os outros são o Joaquim, o Tatuí, o Paulino, o Cá e Lá, o Buriti, o Manduca...
[...]
Eu ouvia o meu informante um pouco melancólico. Que diabo! Por que urubus, naquele pedaço da cidade que cheira a cadáveres e a morte?
Não há terra onde prospere como nesta a flora dos sem-ofício e dos parasitas que não trabalham. Esses sujeitinhos vestem bem, dormem bem, chegam a ter opiniões, sistema moral, ideias políticas.
[...]
Despedi-me, comecei a andar devagar. Um dos urubus aproximou-se.
— Estiveram contando coisas a nosso respeito”?
— Não, absolutamente.
— Que se há de fazer? A comissão é tão pequena! Quando quiser uma coroa...
— Deus queira que não! —fiz assustado.
E apertei a mão do homem-urubu com um tremor de superstição e de susto.
RIO, João do. Os urubus. In: ANTELO, Raúl (Org). A alma encantadora do Rio. São Paulo: Companhia das Letras, 1977.
No contexto do último período do texto, o sentido da expressão destacada em “Dois olhavam COM AVIDEZ os bondes que vinham da rua do Passeio” é equivalente ao da expressão:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: PC-PA
Q1193141 Português
Não raro as palavras "moral" e "ética" aparecem num mesmo contexto e, às vezes, são erroneamente entendidas como sinônimos. A primeira tem caráter prático, relativo e restrito a determinada circunstância. Já a segunda é a reflexão filosófica sobre a moral, busca compreender sua lógica e justificá-la. É necessário reconhecer que a própria etimologia dos termos favorece dúvidas. [...] Podemos pensar que moral são as normas que devem ser seguidas e tem como objetivo regular o comportamento [...]. Já a ética expressa um conjunto de valores que orientam as ações com o fim de preservaro bem-estar coletivo.É possível dizer que, enquanto a ética é teórica, "filosófica", a moral está associada à prática, ao cotidiano, à maneira como vivemos os principios éticos. Subjacente aos dois conceitos há uma questão básica: a oposição entre o bem e o mal. Para a psiquiatria, a psicanálise e a maioria das abordagens psicológicas, porém, a visão maniqueísta é insuficiente diante da complexidade humana. Muitas vezes, as supostas maldades -ou o que a priori seriam considerados gestos de bondade - surgem como sintomas de alguma patologia ou emergem de quadros psíquicos alterados. Além disso, se levarmos em conta a existência de uma instância psíquica inconsciente, que constantemente sabota nossas boas intenções (e quanto menos nos conhecemos mais o faz), fica ainda mais difícil estabelecer uma separação objetiva entre bons e maus.Friedrich Nietzsche (1844-1900), por exemplo, propõe pensarmos "para além do bem e do mal". Escreve: "Pergunte aos escravos 'quem é o mau', e eles apontarão o personagem que a moral aristocrática considera 'bom', isto é, o poderoso, O dominador". O filósofo alemão faz uma colocação muito pertinente: há sempre a perspectiva de quem julga, suas experiências e seus interesses. Como então lidar com essa multiplicidade de olhares possíveis sobre um mesmo objeto? Uma saida talvez seja lançar mão de um recurso bastante simples, a empatia, e fazermos o exercício (nem sempre cômodo ou fácil) de nos colocarmos no lugar do outro, procurando compreender seu ponto de vista - e sua dor. Buscando esse ponto que nos coloca em contato com o outro, tão diferente e ao mesmo tempo tão próximo, talvez seja mais fácil buscar em nós mesmos espaços psíquicos que comportem escolhas menos nocivas.Rev. mentecérebro. Abril de 2011, p. 22.
Na argumentação, o autor emprega a locução "além de" - V. "Além disso" (82)- para:
Alternativas
Q1192501 Português

Leia o texto “Carnes vivas”, de João Pereira Coutinho, e responda a questão.

      Tive uma infância de príncipe. Passei longas horas na rua, sem supervisão parental, a me aventurar. Isso na cidade.
      No campo, o cardápio era melhor. Parti o braço (uma vez) e o pulso (idem). Tudo porque teimava em subir nas árvores. E, por falar em árvores, cheguei a construir uma casa rudimentar no cimo de uma oliveira que aguentou apenas duas horas. Findas as duas horas, já eu estava no chão, com os joelhos em carne viva. 
      Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que fui reaparecesse agora. Provavelmente, seria exibido em uma jaula, como um King Kong pré- -púbere.
    “Minhas senhoras e meus senhores, vejam com os próprios olhos, uma criança que gosta de brincar!”
      Imagino a plateia, horrorizada, tapando os olhos dos filhos – ou, melhor ainda, ligando os tablets e anestesiando-os com a dose apropriada de pixels.
      E a minha mãe certamente estaria presa. Exagero? Não creio. Conta a “Economist” dessa semana que Debra Harrell, da Carolina do Sul, foi detida por deixar a filha de nove anos brincar no parque sem vigilância apurada.
   Engraçado. Na década de 1950, uma criança tinha cinco vezes mais possibilidades de morrer precocemente do que uma criança do século 21. Mas os pais da “baby-boom generation” deixavam as suas crianças à solta, talvez por entenderem que uma criança é uma criança. Esses pais não eram, como diz a revista, “pais-helicóptero”.
    Expressão feliz. Conheço vários casais que devotam aos filhos a mesma atenção obsessiva que um pesquisador dedica aos seus ratinhos de laboratório. Gostam de controlar tudo sobre os filhos. Como os helicópteros, estão constantemente a planar sobre a existência dos petizes.
    E quando finalmente descem a terra, é a desgraça: correm com eles para aulas de música, caratê, natação, matemática. No regresso a casa, é ver esses pequenos escravos, mortificados e exaustos, antes de se recolherem aos quartos.
   Não sei que tipo de crianças os “pais-helicóptero” estão a produzir. Deixo essas matérias para os especialistas. Digo apenas que a profusão de “pais-helicóptero” é uma brutal amputação da infância e da adolescência. Para além de corromper a relação entre pais e filhos.
    Sobre a amputação, não sei que adulto eu seria se nesses primeiros anos não houvesse a sensação de liberdade, mas também a percepção do risco, que me acompanhava todos os dias. Apesar dos ossos que quebrei, dores foram compensadas pela confiança que ganhei e pela intuição de que o mundo não é uma ameaça constante, povoado por sequestradores, pedófilos ou extraterrestres. 
    Mas os “pais-helicóptero” corrompem a relação essencial entre eles e os filhos. Anos atrás, o filósofo  Michael Sandel escreveu um ensaio contra o uso da engenharia genética para produzir descendências perfeitas. Dizia Sandel que se os pais pudessem manipular os fetos para terem superfilhos, estaria quebrada a qualidade essencial da parentalidade: o fato de amarmos os filhos incondicionalmente. Sejam ou não perfeitos.
    Igual raciocínio é aplicável aos “pais-helicóptero”: é natural desejar o melhor para os filhos. Porém não é natural ter com os filhos a mesma relação que existe entre um treinador e o seu atleta, como se a vida – acadêmica, pessoal, emocional – fosse uma mini-Olimpíada permanente.
    Na minha infância, as únicas medalhas que colecionei são as cicatrizes que trago no corpo. Não as troco por nada.
(Folha de S.Paulo, 29.07.2014. Adaptado)

Considere a frase do décimo primeiro parágrafo.


Sobre a amputação, não sei que adulto eu seria se nesses primeiros anos não houvesse a sensação de liberdade, mas também a percepção do risco, que me acompanhava todos os dias.


A respeito das formas verbais destacadas, é correto afirmar que

Alternativas
Q1192500 Português

Leia o texto “Carnes vivas”, de João Pereira Coutinho, e responda a questão.

      Tive uma infância de príncipe. Passei longas horas na rua, sem supervisão parental, a me aventurar. Isso na cidade.
      No campo, o cardápio era melhor. Parti o braço (uma vez) e o pulso (idem). Tudo porque teimava em subir nas árvores. E, por falar em árvores, cheguei a construir uma casa rudimentar no cimo de uma oliveira que aguentou apenas duas horas. Findas as duas horas, já eu estava no chão, com os joelhos em carne viva. 
      Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que fui reaparecesse agora. Provavelmente, seria exibido em uma jaula, como um King Kong pré- -púbere.
    “Minhas senhoras e meus senhores, vejam com os próprios olhos, uma criança que gosta de brincar!”
      Imagino a plateia, horrorizada, tapando os olhos dos filhos – ou, melhor ainda, ligando os tablets e anestesiando-os com a dose apropriada de pixels.
      E a minha mãe certamente estaria presa. Exagero? Não creio. Conta a “Economist” dessa semana que Debra Harrell, da Carolina do Sul, foi detida por deixar a filha de nove anos brincar no parque sem vigilância apurada.
   Engraçado. Na década de 1950, uma criança tinha cinco vezes mais possibilidades de morrer precocemente do que uma criança do século 21. Mas os pais da “baby-boom generation” deixavam as suas crianças à solta, talvez por entenderem que uma criança é uma criança. Esses pais não eram, como diz a revista, “pais-helicóptero”.
    Expressão feliz. Conheço vários casais que devotam aos filhos a mesma atenção obsessiva que um pesquisador dedica aos seus ratinhos de laboratório. Gostam de controlar tudo sobre os filhos. Como os helicópteros, estão constantemente a planar sobre a existência dos petizes.
    E quando finalmente descem a terra, é a desgraça: correm com eles para aulas de música, caratê, natação, matemática. No regresso a casa, é ver esses pequenos escravos, mortificados e exaustos, antes de se recolherem aos quartos.
   Não sei que tipo de crianças os “pais-helicóptero” estão a produzir. Deixo essas matérias para os especialistas. Digo apenas que a profusão de “pais-helicóptero” é uma brutal amputação da infância e da adolescência. Para além de corromper a relação entre pais e filhos.
    Sobre a amputação, não sei que adulto eu seria se nesses primeiros anos não houvesse a sensação de liberdade, mas também a percepção do risco, que me acompanhava todos os dias. Apesar dos ossos que quebrei, dores foram compensadas pela confiança que ganhei e pela intuição de que o mundo não é uma ameaça constante, povoado por sequestradores, pedófilos ou extraterrestres. 
    Mas os “pais-helicóptero” corrompem a relação essencial entre eles e os filhos. Anos atrás, o filósofo  Michael Sandel escreveu um ensaio contra o uso da engenharia genética para produzir descendências perfeitas. Dizia Sandel que se os pais pudessem manipular os fetos para terem superfilhos, estaria quebrada a qualidade essencial da parentalidade: o fato de amarmos os filhos incondicionalmente. Sejam ou não perfeitos.
    Igual raciocínio é aplicável aos “pais-helicóptero”: é natural desejar o melhor para os filhos. Porém não é natural ter com os filhos a mesma relação que existe entre um treinador e o seu atleta, como se a vida – acadêmica, pessoal, emocional – fosse uma mini-Olimpíada permanente.
    Na minha infância, as únicas medalhas que colecionei são as cicatrizes que trago no corpo. Não as troco por nada.
(Folha de S.Paulo, 29.07.2014. Adaptado)
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1192499 Português

Leia o texto “Carnes vivas”, de João Pereira Coutinho, e responda a questão.

      Tive uma infância de príncipe. Passei longas horas na rua, sem supervisão parental, a me aventurar. Isso na cidade.
      No campo, o cardápio era melhor. Parti o braço (uma vez) e o pulso (idem). Tudo porque teimava em subir nas árvores. E, por falar em árvores, cheguei a construir uma casa rudimentar no cimo de uma oliveira que aguentou apenas duas horas. Findas as duas horas, já eu estava no chão, com os joelhos em carne viva. 
      Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que fui reaparecesse agora. Provavelmente, seria exibido em uma jaula, como um King Kong pré- -púbere.
    “Minhas senhoras e meus senhores, vejam com os próprios olhos, uma criança que gosta de brincar!”
      Imagino a plateia, horrorizada, tapando os olhos dos filhos – ou, melhor ainda, ligando os tablets e anestesiando-os com a dose apropriada de pixels.
      E a minha mãe certamente estaria presa. Exagero? Não creio. Conta a “Economist” dessa semana que Debra Harrell, da Carolina do Sul, foi detida por deixar a filha de nove anos brincar no parque sem vigilância apurada.
   Engraçado. Na década de 1950, uma criança tinha cinco vezes mais possibilidades de morrer precocemente do que uma criança do século 21. Mas os pais da “baby-boom generation” deixavam as suas crianças à solta, talvez por entenderem que uma criança é uma criança. Esses pais não eram, como diz a revista, “pais-helicóptero”.
    Expressão feliz. Conheço vários casais que devotam aos filhos a mesma atenção obsessiva que um pesquisador dedica aos seus ratinhos de laboratório. Gostam de controlar tudo sobre os filhos. Como os helicópteros, estão constantemente a planar sobre a existência dos petizes.
    E quando finalmente descem a terra, é a desgraça: correm com eles para aulas de música, caratê, natação, matemática. No regresso a casa, é ver esses pequenos escravos, mortificados e exaustos, antes de se recolherem aos quartos.
   Não sei que tipo de crianças os “pais-helicóptero” estão a produzir. Deixo essas matérias para os especialistas. Digo apenas que a profusão de “pais-helicóptero” é uma brutal amputação da infância e da adolescência. Para além de corromper a relação entre pais e filhos.
    Sobre a amputação, não sei que adulto eu seria se nesses primeiros anos não houvesse a sensação de liberdade, mas também a percepção do risco, que me acompanhava todos os dias. Apesar dos ossos que quebrei, dores foram compensadas pela confiança que ganhei e pela intuição de que o mundo não é uma ameaça constante, povoado por sequestradores, pedófilos ou extraterrestres. 
    Mas os “pais-helicóptero” corrompem a relação essencial entre eles e os filhos. Anos atrás, o filósofo  Michael Sandel escreveu um ensaio contra o uso da engenharia genética para produzir descendências perfeitas. Dizia Sandel que se os pais pudessem manipular os fetos para terem superfilhos, estaria quebrada a qualidade essencial da parentalidade: o fato de amarmos os filhos incondicionalmente. Sejam ou não perfeitos.
    Igual raciocínio é aplicável aos “pais-helicóptero”: é natural desejar o melhor para os filhos. Porém não é natural ter com os filhos a mesma relação que existe entre um treinador e o seu atleta, como se a vida – acadêmica, pessoal, emocional – fosse uma mini-Olimpíada permanente.
    Na minha infância, as únicas medalhas que colecionei são as cicatrizes que trago no corpo. Não as troco por nada.
(Folha de S.Paulo, 29.07.2014. Adaptado)
Segundo o filósofo Michael Sandel,
Alternativas
Respostas
31341: C
31342: D
31343: C
31344: C
31345: D
31346: C
31347: A
31348: B
31349: B
31350: D
31351: B
31352: A
31353: C
31354: E
31355: B
31356: D
31357: B
31358: E
31359: B
31360: C