Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1386671 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto, a seguir, para responder à questão.

Preconceito linguístico
[...]
O preconceito linguístico resulta da comparação indevida entre o modelo idealizado de língua que se apresenta nas gramáticas normativas e nos dicionários e os modos de falar reais das pessoas que vivem na sociedade, modos de falar que são muitos e bem diferentes entre si. Essa língua idealizada se inspira na literatura consagrada, nas opções subjetivas dos próprios gramáticos e dicionaristas, nas regras da gramática latina (que serviu durante séculos como modelo para a produção das gramáticas das línguas modernas), etc. No caso brasileiro, essa língua idealizada tem um componente a mais: o português europeu do século XIX. Tudo isso torna simplesmente impossível que alguém escreva e, principalmente, fale segundo essas regras normativas, porque elas descrevem e, sobretudo, prescrevem uma língua artificial, ultrapassada, que não reflete os usos reais de nenhuma comunidade atual falante de português, nem no Brasil, nem em Portugal, nem em qualquer outro lugar do mundo onde a língua é falada.
Mas a principal fonte de preconceito linguístico, no Brasil, está na comparação que as pessoas da classe média urbana das regiões mais desenvolvidas fazem entre seu modo de falar e o modo de falar dos indivíduos de outras classes sociais e das outras regiões. Esse preconceito se vale de dois rótulos: o “errado” e o “feio” que, mesmo sem nenhum fundamento real, já se solidificaram como estereótipos. Quando analisado de perto, o preconceito linguístico deixa claro que o que está em jogo não é a língua, pois o modo de falar é apenas um pretexto para discriminar um indivíduo ou um grupo social por suas características socioculturais e socioeconômicas: gênero, raça, classe social, grau de instrução, nível de renda, etc.
A instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito linguístico e de outras formas de discriminação. Uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vistas à criação de uma sociedade democrática e igualitária, é um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso.

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. Ceale. Disponível em: <https://goo.gl/UeoHoH>. Aceso em: 10 ago. 2017 (Fragmento adaptado).
Assinale a alternativa em que a ideia entre colchetes não está presente no respectivo trecho.
Alternativas
Q1386667 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto, a seguir, para responder à questão.

Preconceito linguístico
[...]
O preconceito linguístico resulta da comparação indevida entre o modelo idealizado de língua que se apresenta nas gramáticas normativas e nos dicionários e os modos de falar reais das pessoas que vivem na sociedade, modos de falar que são muitos e bem diferentes entre si. Essa língua idealizada se inspira na literatura consagrada, nas opções subjetivas dos próprios gramáticos e dicionaristas, nas regras da gramática latina (que serviu durante séculos como modelo para a produção das gramáticas das línguas modernas), etc. No caso brasileiro, essa língua idealizada tem um componente a mais: o português europeu do século XIX. Tudo isso torna simplesmente impossível que alguém escreva e, principalmente, fale segundo essas regras normativas, porque elas descrevem e, sobretudo, prescrevem uma língua artificial, ultrapassada, que não reflete os usos reais de nenhuma comunidade atual falante de português, nem no Brasil, nem em Portugal, nem em qualquer outro lugar do mundo onde a língua é falada.
Mas a principal fonte de preconceito linguístico, no Brasil, está na comparação que as pessoas da classe média urbana das regiões mais desenvolvidas fazem entre seu modo de falar e o modo de falar dos indivíduos de outras classes sociais e das outras regiões. Esse preconceito se vale de dois rótulos: o “errado” e o “feio” que, mesmo sem nenhum fundamento real, já se solidificaram como estereótipos. Quando analisado de perto, o preconceito linguístico deixa claro que o que está em jogo não é a língua, pois o modo de falar é apenas um pretexto para discriminar um indivíduo ou um grupo social por suas características socioculturais e socioeconômicas: gênero, raça, classe social, grau de instrução, nível de renda, etc.
A instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito linguístico e de outras formas de discriminação. Uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vistas à criação de uma sociedade democrática e igualitária, é um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso.

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. Ceale. Disponível em: <https://goo.gl/UeoHoH>. Aceso em: 10 ago. 2017 (Fragmento adaptado).
Em relação ao texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q1386230 Português
Na charge a seguir, o vocábulo QUEIMAR é empregado com sentidos distintos conforme a situação.
Imagem associada para resolução da questão

Assinale a alternativa que discrimina o valor do vocábulo em cada ocorrência:
Alternativas
Q1386226 Português
O texto publicitário caracteriza-se pela busca de convencimento, pela qualificação dos produtos ou serviços que oferece à clientela alvo; nessa arte, o modo de organizar as informações e explorar a linguagem de forma talentosa é crucial para o êxito da atividade, como demonstra o texto que segue:

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Da análise do texto, assinado pela instituição Santander (Veja, 28/10/17), é possível fazer algumas asserções CORRETAS, com uma única EXCEÇÃO, aquela que deve ser identificada:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FCM Órgão: IF Baiano Prova: FCM - 2017 - IF Baiano - Engenharia Química |
Q1383294 Português

A questão refere-se ao texto a seguir. Leia-o, atentamente, antes de marcar a resposta correta.


Uns craseiam, outros ganham fama

Ferreira Gullar 

    Foi em 1955 que ganhei um exemplar do livro "Tudo sobre a Crase". Tomei o ônibus que me levaria à Revista Manchete, comecei a ler o livro e, antes de descer, já havia sacado um aforismo: "A crase não foi feita para humilhar ninguém".

    Esse primeiro aforismo desencadeou uma série de outros, que publiquei, meses depois, no suplemento literário do Diário de Notícias. A verdade é que, já na semana seguinte à publicação, os estudantes universitários de Curitiba, que estavam em greve, puseram uma faixa no refeitório com o meu aforismo. Mas, numa entrevista a um jornal do Recife, um crítico literário o atribuiu a Paulo Mendes Campos.

   Não gostei, mas não dei muita importância, pois, no final das contas o que importa são meus poemas, que até agora ninguém atribuiu a outro poeta.

     A vida seguiu até que alguém, escrevendo sobre erros gramaticais, citou o aforismo como sendo de Otto Lara. Comecei a ficar grilado, mas me tranquilizei, lembrando que o Otto deve ter me citado e o cara não guardou meu nome. Mas não demorou muito e a autoria do mesmo aforismo foi atribuída a Machado de Assis e, em seguida, a Rubem Braga.

   Este, porém, já a par da confusão que se armara, decidiu esclarecer as coisas: publicou uma crônica afirmando que o verdadeiro autor do aforismo, agora tão citado, era o poeta Ferreira Gullar. Fiquei felicíssimo.

    Já estava tranquilo, certo de que finalmente me tornara autor do aforismo, quando, faz uns três domingos, surge um artigo afirmando que "Carlos Drummond escreveu: 'A crase não foi feita para humilhar ninguém'". Minha esperança é que, no futuro, alguém mal informado atribua a mim, ainda que por equívoco, a autoria do aforismo que é meu.

(Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3107201123.htm>. Acesso em: 09 maio. 2017.)

“Tomei o ônibus que me levaria à Revista Manchete, comecei a ler o livro e, antes de descer, já havia sacado um aforismo.” (1º parágrafo)


O valor semântico que se estabelece entre as frases desse período é de

Alternativas
Ano: 2017 Banca: FCM Órgão: IF Baiano Prova: FCM - 2017 - IF Baiano - Engenharia Química |
Q1383293 Português

A questão refere-se ao texto a seguir. Leia-o, atentamente, antes de marcar a resposta correta.


Uns craseiam, outros ganham fama

Ferreira Gullar 

    Foi em 1955 que ganhei um exemplar do livro "Tudo sobre a Crase". Tomei o ônibus que me levaria à Revista Manchete, comecei a ler o livro e, antes de descer, já havia sacado um aforismo: "A crase não foi feita para humilhar ninguém".

    Esse primeiro aforismo desencadeou uma série de outros, que publiquei, meses depois, no suplemento literário do Diário de Notícias. A verdade é que, já na semana seguinte à publicação, os estudantes universitários de Curitiba, que estavam em greve, puseram uma faixa no refeitório com o meu aforismo. Mas, numa entrevista a um jornal do Recife, um crítico literário o atribuiu a Paulo Mendes Campos.

   Não gostei, mas não dei muita importância, pois, no final das contas o que importa são meus poemas, que até agora ninguém atribuiu a outro poeta.

     A vida seguiu até que alguém, escrevendo sobre erros gramaticais, citou o aforismo como sendo de Otto Lara. Comecei a ficar grilado, mas me tranquilizei, lembrando que o Otto deve ter me citado e o cara não guardou meu nome. Mas não demorou muito e a autoria do mesmo aforismo foi atribuída a Machado de Assis e, em seguida, a Rubem Braga.

   Este, porém, já a par da confusão que se armara, decidiu esclarecer as coisas: publicou uma crônica afirmando que o verdadeiro autor do aforismo, agora tão citado, era o poeta Ferreira Gullar. Fiquei felicíssimo.

    Já estava tranquilo, certo de que finalmente me tornara autor do aforismo, quando, faz uns três domingos, surge um artigo afirmando que "Carlos Drummond escreveu: 'A crase não foi feita para humilhar ninguém'". Minha esperança é que, no futuro, alguém mal informado atribua a mim, ainda que por equívoco, a autoria do aforismo que é meu.

(Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3107201123.htm>. Acesso em: 09 maio. 2017.)

A história narrada na crônica resume-se em descrever
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FCM Órgão: IF Baiano Prova: FCM - 2017 - IF Baiano - Engenharia Química |
Q1383288 Português
INSTRUÇÃO: A questão refere-se ao texto a seguir. Leia-o, atentamente, antes de marcar a resposta correta.


   A nova maneira de organização social, praticada pela sociedade líquido-moderna de consumidores, provoca quase nenhuma dissidência, resistência ou revolta, graças ao expediente de apresentar o novo compromisso (o de escolher) como sendo a liberdade de escolha. Seria possível dizer que o mais considerado, criticado e insultado oráculo de Jean-Jacques Rousseau – o de que “as pessoas devem ser forçadas a ser livres” – tornou-se realidade, depois de séculos, embora não na forma em que tanto os ardentes seguidores como os críticos severos de Rousseau esperavam que fosse implementado. 
   Com muita frequência, a “localidade” a que os indivíduos permanecem leais e obedientes não entra mais em suas vidas e se confronta com eles na forma de uma negação de sua autonomia individual, ou de um sacrifício obrigatório. Em vez disso, apresenta-se na forma de festivais de convívio e pertença comunais, divertidos, prazerosos, realizados em ocasiões como a Copa do Mundo de futebol. Submeter-se à “totalidade” não é mais um dever adotado com relutância, incomodidade e muitas vezes oneroso, mas um “patriotenimento”, uma folia procurada com avidez e eminentemente festiva. 
   Carnavais tendem a ser interrupções na rotina diária, breves intervalos animados entre sucessivos episódios de cotidianidade enfadonha, pausas em que a hierarquia mundana de valores é temporariamente invertida, os aspectos mais angustiantes da realidade são suspensos por um breve período e os tipos de conduta proibidos ou considerados vergonhosos na vida “normal” são ostensivamente praticados e exibidos.
   A função (e o poder sedutor) dos carnavais líquido-modernos está no ressuscitamento momentâneo do convívio que entrou em colapso. Tais carnavais são sessões espíritas para as pessoas se reunirem, darem as mãos e invocarem do outro mundo o fantasma da falecida comunidade.

(BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação de pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Adaptado.)
Houve uma alteração linguística que preserva a correção gramatical do período em:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FCM Órgão: IF Baiano Prova: FCM - 2017 - IF Baiano - Engenharia Química |
Q1383286 Português
INSTRUÇÃO: A questão refere-se ao texto a seguir. Leia-o, atentamente, antes de marcar a resposta correta.


   A nova maneira de organização social, praticada pela sociedade líquido-moderna de consumidores, provoca quase nenhuma dissidência, resistência ou revolta, graças ao expediente de apresentar o novo compromisso (o de escolher) como sendo a liberdade de escolha. Seria possível dizer que o mais considerado, criticado e insultado oráculo de Jean-Jacques Rousseau – o de que “as pessoas devem ser forçadas a ser livres” – tornou-se realidade, depois de séculos, embora não na forma em que tanto os ardentes seguidores como os críticos severos de Rousseau esperavam que fosse implementado. 
   Com muita frequência, a “localidade” a que os indivíduos permanecem leais e obedientes não entra mais em suas vidas e se confronta com eles na forma de uma negação de sua autonomia individual, ou de um sacrifício obrigatório. Em vez disso, apresenta-se na forma de festivais de convívio e pertença comunais, divertidos, prazerosos, realizados em ocasiões como a Copa do Mundo de futebol. Submeter-se à “totalidade” não é mais um dever adotado com relutância, incomodidade e muitas vezes oneroso, mas um “patriotenimento”, uma folia procurada com avidez e eminentemente festiva. 
   Carnavais tendem a ser interrupções na rotina diária, breves intervalos animados entre sucessivos episódios de cotidianidade enfadonha, pausas em que a hierarquia mundana de valores é temporariamente invertida, os aspectos mais angustiantes da realidade são suspensos por um breve período e os tipos de conduta proibidos ou considerados vergonhosos na vida “normal” são ostensivamente praticados e exibidos.
   A função (e o poder sedutor) dos carnavais líquido-modernos está no ressuscitamento momentâneo do convívio que entrou em colapso. Tais carnavais são sessões espíritas para as pessoas se reunirem, darem as mãos e invocarem do outro mundo o fantasma da falecida comunidade.

(BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação de pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Adaptado.)
Segundo Zygmunt Bauman, a compreensão de pertencimento coletivo da sociedade líquido-moderna de consumidores ocorre através do/da
Alternativas
Q1382814 Português

A menina que fez a América


    Eu vou morrer um dia, porque tudo que nasce também morre: bicho, planta, mulher, homem. Mas histórias podem durar depois de nós. Basta que sejam postas em folhas de papel e que suas letras mortas sejam ressuscitadas por olhos que saibam ler. Por isso, aqui está para vocês o papel da minha história: uma vida-menina para as meninas-dos-seus-olhos.

    Vou contar...

    Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, ao sul da Itália. E onde fica a Itália?...É só olhar um mapa da Europa e procurar uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no Mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no Mar Adriático.

    É lá.

    Lá, nessa terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do florescer da primavera. Saracema: este era o nome do lugar pequenino onde eu nasci. Eu disse “era”, embora o lugar ainda existia e tenha crescido, como eu também cresci. Mas, como nunca mais voltei para lá, acho que não pode ser mais o mesmo que conheci e onde vivi até os dez anos de idade. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do risco das crianças e do lamento dos sinais das igrejas. Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

    Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Dizem que ele ficou muito feliz quando eu e meu irmãozinho Caetano nascemos. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella.

(LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. São Paulo, FTD) 

Assinale a alternativa em que não há o emprego de anáforas no texto.
Alternativas
Q1382812 Português

A menina que fez a América


    Eu vou morrer um dia, porque tudo que nasce também morre: bicho, planta, mulher, homem. Mas histórias podem durar depois de nós. Basta que sejam postas em folhas de papel e que suas letras mortas sejam ressuscitadas por olhos que saibam ler. Por isso, aqui está para vocês o papel da minha história: uma vida-menina para as meninas-dos-seus-olhos.

    Vou contar...

    Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, ao sul da Itália. E onde fica a Itália?...É só olhar um mapa da Europa e procurar uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no Mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no Mar Adriático.

    É lá.

    Lá, nessa terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do florescer da primavera. Saracema: este era o nome do lugar pequenino onde eu nasci. Eu disse “era”, embora o lugar ainda existia e tenha crescido, como eu também cresci. Mas, como nunca mais voltei para lá, acho que não pode ser mais o mesmo que conheci e onde vivi até os dez anos de idade. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do risco das crianças e do lamento dos sinais das igrejas. Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

    Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Dizem que ele ficou muito feliz quando eu e meu irmãozinho Caetano nascemos. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella.

(LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. São Paulo, FTD) 

No texto, a autora
Alternativas
Q1382811 Português

A menina que fez a América


    Eu vou morrer um dia, porque tudo que nasce também morre: bicho, planta, mulher, homem. Mas histórias podem durar depois de nós. Basta que sejam postas em folhas de papel e que suas letras mortas sejam ressuscitadas por olhos que saibam ler. Por isso, aqui está para vocês o papel da minha história: uma vida-menina para as meninas-dos-seus-olhos.

    Vou contar...

    Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, ao sul da Itália. E onde fica a Itália?...É só olhar um mapa da Europa e procurar uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no Mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no Mar Adriático.

    É lá.

    Lá, nessa terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do florescer da primavera. Saracema: este era o nome do lugar pequenino onde eu nasci. Eu disse “era”, embora o lugar ainda existia e tenha crescido, como eu também cresci. Mas, como nunca mais voltei para lá, acho que não pode ser mais o mesmo que conheci e onde vivi até os dez anos de idade. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do risco das crianças e do lamento dos sinais das igrejas. Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

    Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Dizem que ele ficou muito feliz quando eu e meu irmãozinho Caetano nascemos. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella.

(LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. São Paulo, FTD) 

O texto é classificado como
Alternativas
Q1379624 Português
Sua memória fica armazenada na mente dos seus melhores amigos

Do mesmo jeito que você parou de decorar o telefone dos outros por causa do seu celular, seu cérebro deleta informações porque sabe que pode dar um “Google” na memória dos seus amigos.

    Como se mede uma amizade? Você pode pensar nos seus melhores amigos como aqueles que estão há mais tempo com você, aqueles que vê com mais frequência ou com quem divide mais segredos. Mas pesquisadores americanos concluíram que a melhor forma de prever a qualidade da relação entre amigos é a interdependência de memória.
    Para simplificar, pense no seu celular. Se você nasceu antes dos aparelhos se tornarem populares, é bem capaz de ter decorado números importantes de telefone. Depois que surgiram os contatos na telinha, essas lembranças praticamente sumiram.
     Isso é porque o cérebro otimiza a sua memória: se existe uma fonte confiável de informação, ele não vai gastar energia armazenando tudo. O que ele aprende é o melhor atalho para conseguir aqueles dados.
     Só que isso não acontece só com seu celular – acontece com os amigos também. Sabe aquela história engraçada sobre vocês que seu melhor amigo conta de um jeito muito mais completo? Seu cérebro se dá o direito de esquecer os detalhes extras, porque sabe que pode contar com alguém para lembrá-los caso seja necessário.
    Em uma pesquisa recente, psicólogos entrevistaram jovens sobre os seus melhores amigos e a forma como eles trocavam memórias e conhecimento. Isso fazia mais diferença na intimidade entre eles do que a quantidade de tempo que passou desde que se conheceram.
     Um detalhe interessante é que esse fenômeno foi percebido antes em casais de velhinhos. A memória deles se tornava naturalmente defeituosa com a idade, mas quando estavam juntos, a habilidade de recordar fatos autobiográficos aumentava muito – por causa desse sistema de recordações interdependentes. Como um quebra-cabeça, cada um adicionava um pedacinho.
    Os pesquisadores acreditam que é por isso que, com frequência, se um idoso tem Alzheimer ou morre, a memória do seu cônjuge também sofre um baque grande: é como se parte da “fonte das memórias” secasse.
     Por último, os pesquisadores também descobriram que a memória conectada varia de acordo com o gênero. Quando duas pessoas do mesmo gênero são amigas, elas tendem a lembrar de assuntos parecidos – assim, uma reforça a memória da outra. Já entre gêneros opostos, as pessoas tendem a lembrar de fatos de diferentes áreas. Daí, o conhecimento de um é complementar ao do outro.
     Com isso tudo, a hipótese dos especialistas é que você provavelmente deixe de aprender algumas coisas nas quais seus amigos já são bons. Se um deles sabe muito sobre vinho, é possível que você aprofunde seus conhecimentos sobre cerveja – e ligue para ele quando precisar de uma indicação de uva. No fundo, para ser especialista em tudo, basta ser próximo de pessoas que manjem daquilo que você não sabe.

(LEONARDI, Ana Carolina. Revista Superinteressante. Disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/sua-memoria-fica-armazenadana-mente-dos-seus-melhores-amigos/. Acesso em: 11/11/2016. Adaptado.)
O trecho “Depois que surgiram os contatos na telinha, essas lembranças praticamente sumiram.” (2º§) evidencia uma ação
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Q1379622 Português
Sua memória fica armazenada na mente dos seus melhores amigos

Do mesmo jeito que você parou de decorar o telefone dos outros por causa do seu celular, seu cérebro deleta informações porque sabe que pode dar um “Google” na memória dos seus amigos.

    Como se mede uma amizade? Você pode pensar nos seus melhores amigos como aqueles que estão há mais tempo com você, aqueles que vê com mais frequência ou com quem divide mais segredos. Mas pesquisadores americanos concluíram que a melhor forma de prever a qualidade da relação entre amigos é a interdependência de memória.
    Para simplificar, pense no seu celular. Se você nasceu antes dos aparelhos se tornarem populares, é bem capaz de ter decorado números importantes de telefone. Depois que surgiram os contatos na telinha, essas lembranças praticamente sumiram.
     Isso é porque o cérebro otimiza a sua memória: se existe uma fonte confiável de informação, ele não vai gastar energia armazenando tudo. O que ele aprende é o melhor atalho para conseguir aqueles dados.
     Só que isso não acontece só com seu celular – acontece com os amigos também. Sabe aquela história engraçada sobre vocês que seu melhor amigo conta de um jeito muito mais completo? Seu cérebro se dá o direito de esquecer os detalhes extras, porque sabe que pode contar com alguém para lembrá-los caso seja necessário.
    Em uma pesquisa recente, psicólogos entrevistaram jovens sobre os seus melhores amigos e a forma como eles trocavam memórias e conhecimento. Isso fazia mais diferença na intimidade entre eles do que a quantidade de tempo que passou desde que se conheceram.
     Um detalhe interessante é que esse fenômeno foi percebido antes em casais de velhinhos. A memória deles se tornava naturalmente defeituosa com a idade, mas quando estavam juntos, a habilidade de recordar fatos autobiográficos aumentava muito – por causa desse sistema de recordações interdependentes. Como um quebra-cabeça, cada um adicionava um pedacinho.
    Os pesquisadores acreditam que é por isso que, com frequência, se um idoso tem Alzheimer ou morre, a memória do seu cônjuge também sofre um baque grande: é como se parte da “fonte das memórias” secasse.
     Por último, os pesquisadores também descobriram que a memória conectada varia de acordo com o gênero. Quando duas pessoas do mesmo gênero são amigas, elas tendem a lembrar de assuntos parecidos – assim, uma reforça a memória da outra. Já entre gêneros opostos, as pessoas tendem a lembrar de fatos de diferentes áreas. Daí, o conhecimento de um é complementar ao do outro.
     Com isso tudo, a hipótese dos especialistas é que você provavelmente deixe de aprender algumas coisas nas quais seus amigos já são bons. Se um deles sabe muito sobre vinho, é possível que você aprofunde seus conhecimentos sobre cerveja – e ligue para ele quando precisar de uma indicação de uva. No fundo, para ser especialista em tudo, basta ser próximo de pessoas que manjem daquilo que você não sabe.

(LEONARDI, Ana Carolina. Revista Superinteressante. Disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/sua-memoria-fica-armazenadana-mente-dos-seus-melhores-amigos/. Acesso em: 11/11/2016. Adaptado.)
Segundo o texto, como se mede uma amizade?
Alternativas
Q1379620 Português
Sua memória fica armazenada na mente dos seus melhores amigos

Do mesmo jeito que você parou de decorar o telefone dos outros por causa do seu celular, seu cérebro deleta informações porque sabe que pode dar um “Google” na memória dos seus amigos.

    Como se mede uma amizade? Você pode pensar nos seus melhores amigos como aqueles que estão há mais tempo com você, aqueles que vê com mais frequência ou com quem divide mais segredos. Mas pesquisadores americanos concluíram que a melhor forma de prever a qualidade da relação entre amigos é a interdependência de memória.
    Para simplificar, pense no seu celular. Se você nasceu antes dos aparelhos se tornarem populares, é bem capaz de ter decorado números importantes de telefone. Depois que surgiram os contatos na telinha, essas lembranças praticamente sumiram.
     Isso é porque o cérebro otimiza a sua memória: se existe uma fonte confiável de informação, ele não vai gastar energia armazenando tudo. O que ele aprende é o melhor atalho para conseguir aqueles dados.
     Só que isso não acontece só com seu celular – acontece com os amigos também. Sabe aquela história engraçada sobre vocês que seu melhor amigo conta de um jeito muito mais completo? Seu cérebro se dá o direito de esquecer os detalhes extras, porque sabe que pode contar com alguém para lembrá-los caso seja necessário.
    Em uma pesquisa recente, psicólogos entrevistaram jovens sobre os seus melhores amigos e a forma como eles trocavam memórias e conhecimento. Isso fazia mais diferença na intimidade entre eles do que a quantidade de tempo que passou desde que se conheceram.
     Um detalhe interessante é que esse fenômeno foi percebido antes em casais de velhinhos. A memória deles se tornava naturalmente defeituosa com a idade, mas quando estavam juntos, a habilidade de recordar fatos autobiográficos aumentava muito – por causa desse sistema de recordações interdependentes. Como um quebra-cabeça, cada um adicionava um pedacinho.
    Os pesquisadores acreditam que é por isso que, com frequência, se um idoso tem Alzheimer ou morre, a memória do seu cônjuge também sofre um baque grande: é como se parte da “fonte das memórias” secasse.
     Por último, os pesquisadores também descobriram que a memória conectada varia de acordo com o gênero. Quando duas pessoas do mesmo gênero são amigas, elas tendem a lembrar de assuntos parecidos – assim, uma reforça a memória da outra. Já entre gêneros opostos, as pessoas tendem a lembrar de fatos de diferentes áreas. Daí, o conhecimento de um é complementar ao do outro.
     Com isso tudo, a hipótese dos especialistas é que você provavelmente deixe de aprender algumas coisas nas quais seus amigos já são bons. Se um deles sabe muito sobre vinho, é possível que você aprofunde seus conhecimentos sobre cerveja – e ligue para ele quando precisar de uma indicação de uva. No fundo, para ser especialista em tudo, basta ser próximo de pessoas que manjem daquilo que você não sabe.

(LEONARDI, Ana Carolina. Revista Superinteressante. Disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/sua-memoria-fica-armazenadana-mente-dos-seus-melhores-amigos/. Acesso em: 11/11/2016. Adaptado.)
Segundo as ideias do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q1379619 Português
Sua memória fica armazenada na mente dos seus melhores amigos

Do mesmo jeito que você parou de decorar o telefone dos outros por causa do seu celular, seu cérebro deleta informações porque sabe que pode dar um “Google” na memória dos seus amigos.

    Como se mede uma amizade? Você pode pensar nos seus melhores amigos como aqueles que estão há mais tempo com você, aqueles que vê com mais frequência ou com quem divide mais segredos. Mas pesquisadores americanos concluíram que a melhor forma de prever a qualidade da relação entre amigos é a interdependência de memória.
    Para simplificar, pense no seu celular. Se você nasceu antes dos aparelhos se tornarem populares, é bem capaz de ter decorado números importantes de telefone. Depois que surgiram os contatos na telinha, essas lembranças praticamente sumiram.
     Isso é porque o cérebro otimiza a sua memória: se existe uma fonte confiável de informação, ele não vai gastar energia armazenando tudo. O que ele aprende é o melhor atalho para conseguir aqueles dados.
     Só que isso não acontece só com seu celular – acontece com os amigos também. Sabe aquela história engraçada sobre vocês que seu melhor amigo conta de um jeito muito mais completo? Seu cérebro se dá o direito de esquecer os detalhes extras, porque sabe que pode contar com alguém para lembrá-los caso seja necessário.
    Em uma pesquisa recente, psicólogos entrevistaram jovens sobre os seus melhores amigos e a forma como eles trocavam memórias e conhecimento. Isso fazia mais diferença na intimidade entre eles do que a quantidade de tempo que passou desde que se conheceram.
     Um detalhe interessante é que esse fenômeno foi percebido antes em casais de velhinhos. A memória deles se tornava naturalmente defeituosa com a idade, mas quando estavam juntos, a habilidade de recordar fatos autobiográficos aumentava muito – por causa desse sistema de recordações interdependentes. Como um quebra-cabeça, cada um adicionava um pedacinho.
    Os pesquisadores acreditam que é por isso que, com frequência, se um idoso tem Alzheimer ou morre, a memória do seu cônjuge também sofre um baque grande: é como se parte da “fonte das memórias” secasse.
     Por último, os pesquisadores também descobriram que a memória conectada varia de acordo com o gênero. Quando duas pessoas do mesmo gênero são amigas, elas tendem a lembrar de assuntos parecidos – assim, uma reforça a memória da outra. Já entre gêneros opostos, as pessoas tendem a lembrar de fatos de diferentes áreas. Daí, o conhecimento de um é complementar ao do outro.
     Com isso tudo, a hipótese dos especialistas é que você provavelmente deixe de aprender algumas coisas nas quais seus amigos já são bons. Se um deles sabe muito sobre vinho, é possível que você aprofunde seus conhecimentos sobre cerveja – e ligue para ele quando precisar de uma indicação de uva. No fundo, para ser especialista em tudo, basta ser próximo de pessoas que manjem daquilo que você não sabe.

(LEONARDI, Ana Carolina. Revista Superinteressante. Disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/sua-memoria-fica-armazenadana-mente-dos-seus-melhores-amigos/. Acesso em: 11/11/2016. Adaptado.)
De acordo com as informações textuais, podemos inferir que
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Q1379538 Português
Entre os mundos real e virtual

     Ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós nos expomos em rede global.

           Nosso mundo pós-moderno é fragmentado. Uma de suas expressões mais evidentes é o videoclipe. Enxurrada de flashes, vibrações acústicas, sons distorcidos. Rompe-se a linearidade, enquanto a simultaneidade embaralha passado, presente e futuro. Tudo é simuladamente aqui e agora.
         O Iluminismo, ancorado na literatura, cede lugar à digitalização frenética. Mundo que carece de sentido. Forma que dispensa conteúdo. A performance do artista ultrapassa a arte que ele produz. Seu nome vale mais que seu desempenho. A valoração dá lugar à exaltação.
          Einstein, que desnudou o mistério do Universo com suas equações, foi sucedido por Steve Jobs, que nos ofereceu maravilhas tecnológicas embaladas de refinamento estético, movidas a velocidade que desafia o cérebro humano.
        Agora a alienação já não resulta de ideologias que distorcem a realidade para nos incutir a mentira como verdade. Basta que sejamos deslocados do real para o virtual. Somos seres que trafegam simultaneamente em dois mundos: o da realidade de nossas necessidades e o da virtualidade de nossos sonhos e desejos.
       Trancados em nossos egos, avessos à sociabilidade, navegamos nas redes sociais que dispensam texto e contexto. Bastam vocábulos desconexos, abreviações, o balbuciar de sinais gráficos que nos conectam com a plateia global que, acomodada no teatro do mundo, desconectada do real, mantém os olhos fixos no palco vazio.
     As grandes narrativas são deletadas por esse tempo desprovido de memória e utopia. O passado passou, o futuro é uma quimera... Só resta o presente que se sucede prisioneiro da circularidade infinita.
      Ninguém ingressa em uma casa sem antes avisar ou ser convidado, marcar hora, identificar-se com o porteiro e justificar a espera e atenção.
       No entanto, centenas de pessoas invadem, pelas redes sociais, o nosso espaço privado, ferem a nossa sensibilidade com ofensas e desaforos, desafiam os nossos valores, jogam-nos na vala comum das emoções cifradas. Tudo se assemelha a um jogo de pingue-pongue com rede, porém sem mesa.
    Viciados em digitalização, aprisionados pela tecnologia que assegura retorno imediato ao capital, perdemos horas e horas da vida atirados ao ringue onomatopaico. Não navegamos, naufragamos. Deixamo-nos aprisionar pelas redes que nos favorecem a evasão de privacidade.
        Ora, ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós mesmos nos expomos em rede global, arrancamos máscaras e roupas, escancaramos nossa indigência cultural e nossa miséria espiritual.
     Como artefato tecnológico, somos também apenas uma forma. Um objeto jogado aleatoriamente no turbulento mar da dessignificação.
     Escravos da virtualidade, acorrentados nas redes, não somos mais capazes de desligar o celular e de nos desligar dele. É ele que nos permite olhar o mundo pela janelinha eletrônica dessa prisão em que nos trancamos, cuja chave jogamos nas águas que cercam a ilha na qual nos isolamos, desprovidos de alteridade e sentido.

(Frei Betto. O Globo, 10/08/2015.) 
De acordo com as características textuais apresentadas é correto afirmar que o texto tem como principal objetivo
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Q1379537 Português
Entre os mundos real e virtual

     Ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós nos expomos em rede global.

           Nosso mundo pós-moderno é fragmentado. Uma de suas expressões mais evidentes é o videoclipe. Enxurrada de flashes, vibrações acústicas, sons distorcidos. Rompe-se a linearidade, enquanto a simultaneidade embaralha passado, presente e futuro. Tudo é simuladamente aqui e agora.
         O Iluminismo, ancorado na literatura, cede lugar à digitalização frenética. Mundo que carece de sentido. Forma que dispensa conteúdo. A performance do artista ultrapassa a arte que ele produz. Seu nome vale mais que seu desempenho. A valoração dá lugar à exaltação.
          Einstein, que desnudou o mistério do Universo com suas equações, foi sucedido por Steve Jobs, que nos ofereceu maravilhas tecnológicas embaladas de refinamento estético, movidas a velocidade que desafia o cérebro humano.
        Agora a alienação já não resulta de ideologias que distorcem a realidade para nos incutir a mentira como verdade. Basta que sejamos deslocados do real para o virtual. Somos seres que trafegam simultaneamente em dois mundos: o da realidade de nossas necessidades e o da virtualidade de nossos sonhos e desejos.
       Trancados em nossos egos, avessos à sociabilidade, navegamos nas redes sociais que dispensam texto e contexto. Bastam vocábulos desconexos, abreviações, o balbuciar de sinais gráficos que nos conectam com a plateia global que, acomodada no teatro do mundo, desconectada do real, mantém os olhos fixos no palco vazio.
     As grandes narrativas são deletadas por esse tempo desprovido de memória e utopia. O passado passou, o futuro é uma quimera... Só resta o presente que se sucede prisioneiro da circularidade infinita.
      Ninguém ingressa em uma casa sem antes avisar ou ser convidado, marcar hora, identificar-se com o porteiro e justificar a espera e atenção.
       No entanto, centenas de pessoas invadem, pelas redes sociais, o nosso espaço privado, ferem a nossa sensibilidade com ofensas e desaforos, desafiam os nossos valores, jogam-nos na vala comum das emoções cifradas. Tudo se assemelha a um jogo de pingue-pongue com rede, porém sem mesa.
    Viciados em digitalização, aprisionados pela tecnologia que assegura retorno imediato ao capital, perdemos horas e horas da vida atirados ao ringue onomatopaico. Não navegamos, naufragamos. Deixamo-nos aprisionar pelas redes que nos favorecem a evasão de privacidade.
        Ora, ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós mesmos nos expomos em rede global, arrancamos máscaras e roupas, escancaramos nossa indigência cultural e nossa miséria espiritual.
     Como artefato tecnológico, somos também apenas uma forma. Um objeto jogado aleatoriamente no turbulento mar da dessignificação.
     Escravos da virtualidade, acorrentados nas redes, não somos mais capazes de desligar o celular e de nos desligar dele. É ele que nos permite olhar o mundo pela janelinha eletrônica dessa prisão em que nos trancamos, cuja chave jogamos nas águas que cercam a ilha na qual nos isolamos, desprovidos de alteridade e sentido.

(Frei Betto. O Globo, 10/08/2015.) 
Quanto às estratégias de referenciação, pode-se afirmar que referentes já existentes podem ser modificados ou expandidos de acordo com as informações textuais apresentadas. Dentre os termos (expressões) destacados a seguir, pode-se indicar como elementos anafóricos, de papel relevante na construção da coesão e coerência textuais, EXCETO:
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Q1379532 Português
Entre os mundos real e virtual

     Ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós nos expomos em rede global.

           Nosso mundo pós-moderno é fragmentado. Uma de suas expressões mais evidentes é o videoclipe. Enxurrada de flashes, vibrações acústicas, sons distorcidos. Rompe-se a linearidade, enquanto a simultaneidade embaralha passado, presente e futuro. Tudo é simuladamente aqui e agora.
         O Iluminismo, ancorado na literatura, cede lugar à digitalização frenética. Mundo que carece de sentido. Forma que dispensa conteúdo. A performance do artista ultrapassa a arte que ele produz. Seu nome vale mais que seu desempenho. A valoração dá lugar à exaltação.
          Einstein, que desnudou o mistério do Universo com suas equações, foi sucedido por Steve Jobs, que nos ofereceu maravilhas tecnológicas embaladas de refinamento estético, movidas a velocidade que desafia o cérebro humano.
        Agora a alienação já não resulta de ideologias que distorcem a realidade para nos incutir a mentira como verdade. Basta que sejamos deslocados do real para o virtual. Somos seres que trafegam simultaneamente em dois mundos: o da realidade de nossas necessidades e o da virtualidade de nossos sonhos e desejos.
       Trancados em nossos egos, avessos à sociabilidade, navegamos nas redes sociais que dispensam texto e contexto. Bastam vocábulos desconexos, abreviações, o balbuciar de sinais gráficos que nos conectam com a plateia global que, acomodada no teatro do mundo, desconectada do real, mantém os olhos fixos no palco vazio.
     As grandes narrativas são deletadas por esse tempo desprovido de memória e utopia. O passado passou, o futuro é uma quimera... Só resta o presente que se sucede prisioneiro da circularidade infinita.
      Ninguém ingressa em uma casa sem antes avisar ou ser convidado, marcar hora, identificar-se com o porteiro e justificar a espera e atenção.
       No entanto, centenas de pessoas invadem, pelas redes sociais, o nosso espaço privado, ferem a nossa sensibilidade com ofensas e desaforos, desafiam os nossos valores, jogam-nos na vala comum das emoções cifradas. Tudo se assemelha a um jogo de pingue-pongue com rede, porém sem mesa.
    Viciados em digitalização, aprisionados pela tecnologia que assegura retorno imediato ao capital, perdemos horas e horas da vida atirados ao ringue onomatopaico. Não navegamos, naufragamos. Deixamo-nos aprisionar pelas redes que nos favorecem a evasão de privacidade.
        Ora, ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós mesmos nos expomos em rede global, arrancamos máscaras e roupas, escancaramos nossa indigência cultural e nossa miséria espiritual.
     Como artefato tecnológico, somos também apenas uma forma. Um objeto jogado aleatoriamente no turbulento mar da dessignificação.
     Escravos da virtualidade, acorrentados nas redes, não somos mais capazes de desligar o celular e de nos desligar dele. É ele que nos permite olhar o mundo pela janelinha eletrônica dessa prisão em que nos trancamos, cuja chave jogamos nas águas que cercam a ilha na qual nos isolamos, desprovidos de alteridade e sentido.

(Frei Betto. O Globo, 10/08/2015.) 
Em relação ao ponto de vista do conteúdo temático do texto de Frei Betto e da charge a seguir, analise as afirmativas.
Imagem associada para resolução da questão
(Disponível em: http://tribunadainternet.com.br/charge-do-alpino-362/. Acesso em: 08/2015.)
I. O conteúdo temático do texto e da charge se aproximam ao apresentar, em primeiro plano, modos de comportamento da sociedade atual. II. Considerando todo o contexto da charge, pode-se afirmar que apesar do comportamento apresentado estabelecer uma relação de sentido com as ideias apresentadas no texto, a fala do personagem gera um distanciamento do mesmo. III. No texto predomina a expressão dos sentimentos do sujeito que fala de si de forma predominante e dá vazão a emoções, o que também pode ser visto na charge como característica, predominante especialmente através da expressão em primeira pessoa “eu adoro”.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
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Q1379531 Português
Entre os mundos real e virtual

     Ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós nos expomos em rede global.

           Nosso mundo pós-moderno é fragmentado. Uma de suas expressões mais evidentes é o videoclipe. Enxurrada de flashes, vibrações acústicas, sons distorcidos. Rompe-se a linearidade, enquanto a simultaneidade embaralha passado, presente e futuro. Tudo é simuladamente aqui e agora.
         O Iluminismo, ancorado na literatura, cede lugar à digitalização frenética. Mundo que carece de sentido. Forma que dispensa conteúdo. A performance do artista ultrapassa a arte que ele produz. Seu nome vale mais que seu desempenho. A valoração dá lugar à exaltação.
          Einstein, que desnudou o mistério do Universo com suas equações, foi sucedido por Steve Jobs, que nos ofereceu maravilhas tecnológicas embaladas de refinamento estético, movidas a velocidade que desafia o cérebro humano.
        Agora a alienação já não resulta de ideologias que distorcem a realidade para nos incutir a mentira como verdade. Basta que sejamos deslocados do real para o virtual. Somos seres que trafegam simultaneamente em dois mundos: o da realidade de nossas necessidades e o da virtualidade de nossos sonhos e desejos.
       Trancados em nossos egos, avessos à sociabilidade, navegamos nas redes sociais que dispensam texto e contexto. Bastam vocábulos desconexos, abreviações, o balbuciar de sinais gráficos que nos conectam com a plateia global que, acomodada no teatro do mundo, desconectada do real, mantém os olhos fixos no palco vazio.
     As grandes narrativas são deletadas por esse tempo desprovido de memória e utopia. O passado passou, o futuro é uma quimera... Só resta o presente que se sucede prisioneiro da circularidade infinita.
      Ninguém ingressa em uma casa sem antes avisar ou ser convidado, marcar hora, identificar-se com o porteiro e justificar a espera e atenção.
       No entanto, centenas de pessoas invadem, pelas redes sociais, o nosso espaço privado, ferem a nossa sensibilidade com ofensas e desaforos, desafiam os nossos valores, jogam-nos na vala comum das emoções cifradas. Tudo se assemelha a um jogo de pingue-pongue com rede, porém sem mesa.
    Viciados em digitalização, aprisionados pela tecnologia que assegura retorno imediato ao capital, perdemos horas e horas da vida atirados ao ringue onomatopaico. Não navegamos, naufragamos. Deixamo-nos aprisionar pelas redes que nos favorecem a evasão de privacidade.
        Ora, ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade. Nós mesmos nos expomos em rede global, arrancamos máscaras e roupas, escancaramos nossa indigência cultural e nossa miséria espiritual.
     Como artefato tecnológico, somos também apenas uma forma. Um objeto jogado aleatoriamente no turbulento mar da dessignificação.
     Escravos da virtualidade, acorrentados nas redes, não somos mais capazes de desligar o celular e de nos desligar dele. É ele que nos permite olhar o mundo pela janelinha eletrônica dessa prisão em que nos trancamos, cuja chave jogamos nas águas que cercam a ilha na qual nos isolamos, desprovidos de alteridade e sentido.

(Frei Betto. O Globo, 10/08/2015.) 
De acordo com o posicionamento assumido pelo autor em relação à temática do texto em análise, é correto afirmar que
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Q1379492 Português
O amor acaba
(Paulo Mendes Campos.)

    O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

(WERNECK, Humberto (org.). Boa companhia – Crônicas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.)
O autor inicia o texto com uma frase curta que nos remete ao entendimento de que o amor chega ao fim: “O amor acaba.” Porém, no desenvolvimento do texto ele nos leva à seguinte conclusão:
Alternativas
Respostas
29641: B
29642: B
29643: B
29644: B
29645: A
29646: B
29647: E
29648: C
29649: B
29650: D
29651: C
29652: C
29653: A
29654: D
29655: A
29656: B
29657: D
29658: A
29659: B
29660: D