Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Ninguém conseguirá trabalhar em equipe se não aprender a ouvir. Ninguém aprenderá a ouvir se não aprender a se colocar no lugar dos outros.
Augusto Cury.
Assinale a alternativa que apresenta a palavra cujo significado
resumiria adequadamente o texto acima.
Texto para as questão.

Internet: <www.noticiasterra.com> (com adaptações).
( ) A prática da análise linguística requer ações metalinguísticas e epilinguísticas. Estas constituem uma reflexão sobre os recursos expressivos que levam à construção de noções que categorizam tais recursos; aquelas abarcam toda espécie de reflexão sobre diferentes formas de dizer.
( ) A prática docente, ainda muito comum, de partir de noções prontas, exemplificá-las e, por meio de exercícios, fixar uma reflexão reverbera em uma mera fixação da metalinguagem utilizada. É preciso enfatizar as atividades de conhecimento em detrimento das inócuas práticas de reconhecimento.
( ) Mostrar ao aluno, em suas produções textuais, um problema detectado em determinado trecho é oportunizar a ele uma reflexão necessária à reelaboração do texto. Assim, atitudes como anotações, ao lado da folha de redação, do tipo “problemas de coesão”, são indicadores para uma reflexão por parte do aluno e, também, constituem-se em importante oportunidade para aprender.
( ) As atividades de análise linguística, seja em caráter prospectivo, quando ocorrem antes da produção; seja em caráter retrospectivo, após o texto ter sido elaborado e avaliado ou durante a produção, podem ser de grande importância para ampliar a apropriação, por parte dos alunos, das habilidades e dos conhecimentos necessários para rever e aprimorar as suas produções.
( ) Ao trabalhar na perspectiva da análise linguística, o professor reporta-se ao estudo da gramática tradicional e a questões relacionadas ao propósito do texto, como adequação do texto aos objetivos pretendidos e análise dos recursos expressivos utilizados, entre outros elementos.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
1. Os gêneros primários são formados em situações de comunicação verbal espontânea e servem de componentes aos gêneros secundários que os absorvem e os modificam.
2. “Em casa de ferreiro, espeto de pau”. Esse é um exemplo de gênero primário, assim como a crônica. Ambos retratam situações comunicativas mais intrinsecamente voltadas ao cotidiano.
3. Os gêneros têm uma identidade e eles são entidades poderosas que, na produção textual, condicionam-nos a escolhas que não podem ser totalmente livres nem aleatórias, seja sob o ponto de vista do léxico, grau de formalidade ou natureza dos temas. Os gêneros limitam nossa ação na escrita.
4. Os gêneros secundários caracterizam-se pela escrita, pelas formas padronizadas de organização da linguagem e pelo fato de desempenharem funções mais ou menos formalizadas no processo de construção da cultura do povo; por outro lado, sabe-se que os modos de expressão oral e escrito por si só não são suficientes para a classificação de um gênero como primário ou secundário.
5. O professor deve ensinar ao aluno a “fórmula” dos gêneros primários e secundários; por exemplo, a estrutura de um artigo de opinião ou de uma crônica. Assim, poderá ajudar a compreensão dos efeitos de sentido causados pelo uso de um gênero discursivo em detrimento de outro, na sua dimensão verbal.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
1. Partindo-se da premissa que a capacidade comunicativa já se acha muito bem desenvolvida no aluno quando ele chega à escola, esta não deve ensinar o que ele já sabe. Isso implica dizer que a escola não ensina a língua, mas usos da língua e formas não corriqueiras de comunicação oral e escrita.
2. As pessoas falam para serem “ouvidas”, às vezes para serem respeitadas e também para exercer uma influência no ambiente em que realizam os atos linguísticos. O poder da palavra é o poder de mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e concentrá-la num ato linguístico.
3. O que o indivíduo faz ao usar a língua é traduzir, exteriorizar um pensamento, ou transmitir informações a outrem, seu interlocutor. Isso precisa ser feito com ideias claras que devem ser expressas de forma lógica, precisa, sem equívocos e sem ambiguidades, buscando a perfeição.
4. O texto é um produto da codificação de um emissor a ser decodificado pelo seu interlocutor que deve já conhecer o código usado. O papel do interlocutor passa a ser passivo, uma vez que a informação deve ser recebida tal qual havia na mente do emissor.
5. Um texto não se esclarece em seu pleno funcionamento apenas no âmbito da língua, mas exige aspectos sociais e cognitivos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
I. Ambiguidade diz respeito à indeterminação de sentido que certas palavras ou expressões apresentam, dificultando a compreensão do enunciado.
II. A ambiguidade estrutural está relacionada ao posicionamento de determinada expressão em um enunciado.
III. A ambiguidade lexical é desencadeada, às vezes, pelo uso de uma palavra que não permite identificação precisa de seu referente no texto.
IV. A ambiguidade pode ser resultado do uso de uma palavra ou expressão que, em um contexto específico, ganha sentido oposto ou diverso daquele que costuma ser utilizado.
Quais estão corretas?
Essa coisa da realidade, essa dificuldade, esse suposto confronto entre poesia e realidade, talvez ele não exista verdadeiramente, ou será que existe? Manuel Bandeira tem razão quando diz que estamos imersos em poesia e isso é uma grande verdade. Ao mesmo tempo, João Cabral também está certo quando diz, nos versos finais de Uma faca só lâmina, que a realidade arrebenta com toda palavra; isso também é uma verdade. São contradições? São. Mas o que importa é que ambos dizem verdades. É que a realidade é uma coisa muito difícil, imensamente difícil de saber. As palavras, quer dizer, essa coisa da fala, como se fosse um canto geral, uma música, uma verdadeira música que o homem diz nas circunstâncias mais banais, têm um sentido de uma intensidade admirável; não há no mundo palavra que seja uma palavra perdida, ao contrário das balas. As palavras acertam fundo; todo o discurso humano é um canto realmente extraordinário. Isso ultrapassa o país, isso ultrapassa as fronteiras. Agora, o ouvido é pequeno, o ouvido é insuficiente, o ouvido realmente não dá, não tem a medida do diapasão desse canto, que é o canto da realidade, do qual, no entanto, não desistimos, não desanimamos de escutar onde quer que estejamos.
Francisco Alvim. In: Flora Süssekind e Tânia Dias (org.).
Cultura brasileira hoje: diálogos. Rio de Janeiro:
Fundação Casa de Rui Barbosa, 2018. p. 236.
Internet:<http://www.casaruibarbosa.gov.br/>
(com adaptações).
Com base no texto acima, assinale a alternativa correta acerca de literatura, cultura e realidade.
Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim
Francisco Buarque de Holanda. Até o fim. In: Chico Buarque. Rio de Janeiro: Marola Edições Musicais, 1978. Internet: <www.chicobuarque.com.br>.
Assinale a alternativa correta quanto às relações existentes entre o trecho do poema de Drummond e o da letra da canção de Chico Buarque de Holanda.
Aristóteles (tradução de Eudoro de Sousa). Poética. Porto: Casa da Moeda, 1986, p. 50.
O texto acima apresenta uma das primeiras iniciativas no sentido de formular um conceito de literatura a partir de uma das especificidades da linguagem literária que a difere das demais expressões culturais. Sendo assim, assinale a alternativa que apresenta o conceito de literatura com base em uma especificidade da linguagem literária que dialoga com a anunciada no texto de Aristóteles.
Iracema inquieta veio pela várzea seguindo o rastro do esposo até o tabuleiro. As sombras doces vestiam os campos quando ela chegou à beira do lago. Seus olhos viram a seta do esposo fincada no chão, o goiamum trespassado, o ramo partido, e encheram‐se de pranto.
— Ele manda que Iracema ande para trás, como o goiamum, e guarde sua lembrança, como o maracujá guarda sua flor todo o tempo, até morrer.
A filha dos tabajaras retraiu os passos lentamente, sem volver o corpo, nem tirar os olhos da seta de seu esposo, e tornou à cabana.
José de Alencar. Iracema. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1975, p. 162‐163.
José Maria de Medeiros. Iracema (1884 óleo s/tela – 167,5 x 250,2 cm Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Internet: . Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978‐85‐7979‐060‐7.
Texto para a questão.

Yuval Noah Harari (trad. Paulo Geiger). Homo Deus: uma
breve história do amanhã. São Paulo: Companhia
das Letras, 2016, p. 47‐8 (com adaptações).