Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1215439 Português
Leia o texto para responder a questão.

Má educação e celular
      Dona Ana convidou os quatro netos para tomar um lanche. Queria passar um tempo com eles, como fazem as avós. Foram a uma lanchonete. Pediram sanduíches e refrigerantes.
     Então, os quatro pegaram os celulares. Ficaram todo o tempo trocando mensagens com amigos, rindo e se divertindo muito.
     Com cara de mamão murcho, a avó esperou alguma oportunidade de conversar com os netos. Não conseguiu. Agora, ela já prometeu:
− Desisti. Não sairei mais com meus netos.
(Walcyr Carrasco. Disponível em: http://epoca.globo.com. 23.01.2015. Adaptado)
O 2º parágrafo informa que os netos de Dona Ana
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Q1215438 Português
Leia o texto para responder a questão.

Má educação e celular
      Dona Ana convidou os quatro netos para tomar um lanche. Queria passar um tempo com eles, como fazem as avós. Foram a uma lanchonete. Pediram sanduíches e refrigerantes.
     Então, os quatro pegaram os celulares. Ficaram todo o tempo trocando mensagens com amigos, rindo e se divertindo muito.
     Com cara de mamão murcho, a avó esperou alguma oportunidade de conversar com os netos. Não conseguiu. Agora, ela já prometeu:
− Desisti. Não sairei mais com meus netos.
(Walcyr Carrasco. Disponível em: http://epoca.globo.com. 23.01.2015. Adaptado)
De acordo com o 1º parágrafo, é correto afirmar que Dona Ana desejava ter a companhia dos netos para
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Q1214742 Português
O consumo como forma de afeto

     Um ponto comum nas divergentes opiniões de pais sobre os jovens é a crítica ao consumismo exacerbado. Como entender esse comportamento à luz do que ocorreu com a sociedade brasileira nas últimas décadas? Para começar, há um encolhimento da família tradicional. Pais têm um ou dois filhos, muitas vezes criados por apenas um deles, já que quase 25% dos casamentos acabam antes dos dez anos. Mães e pais saem desde cedo de casa para trabalhar. E, encerrada a licença-maternidade, boa parte das mulheres (quase 70% delas trabalham fora de casa hoje) retoma sua lide diária de deslocamentos e dias extenuantes em escritórios, lojas e fábricas. Os pais continuam correndo atrás do pão nosso de cada dia.
     Culpados pela sensação de que estão longe dos filhos, eles tentam, muitas vezes, compensar a distância com presentes. Não é à toa que, em pouco tempo, o quarto dos pequenos está abarrotado de brinquedos, bonecas, joguinhos e tudo o mais que estiver ao alcance do cartão de crédito. Os pequenos percebem logo cedo que a birra, o choro, a reclamação e o protesto são boa moeda de troca na hora de conseguir o que querem. Pais com dificuldade de dizer “não” e filhos ávidos em ganhar resultam em jovens que consomem.
     Nossa sociedade também forneceu o molde para que essas transformações ocorressem. O valor do indivíduo passou a ser medido, numa escala maior do que outras, por aquilo que ele tem. O mérito da pessoa é avaliado hoje de uma maneira muito superficial, por aquilo que pode ser mostrado. E o consumo é moeda forte nesse mercado.   
       Para além do bom ou do ruim, o fenômeno é um reflexo dos tempos que vivemos. Mas é importante lembrar que existem outras possibilidades e valores que podem ser trabalhados com os filhos. Senão, corremos o risco de criar adultos insuportáveis. As escolhas profissionais, pessoais, amorosas podem vir influenciadas exclusivamente por esse viés consumista e individualista. A vida emocional pode ficar ainda mais solitária, pragmática e chata. Esse futuro é seu sonho de consumo?

(Jairo Bouer. Revista Época. 2012. Com adaptações.)
No fragmento “E o consumo é moeda forte nesse mercado.” (3º§), podemos afirmar que a ação verbal indica um fato:
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Q1214734 Português
O consumo como forma de afeto

     Um ponto comum nas divergentes opiniões de pais sobre os jovens é a crítica ao consumismo exacerbado. Como entender esse comportamento à luz do que ocorreu com a sociedade brasileira nas últimas décadas? Para começar, há um encolhimento da família tradicional. Pais têm um ou dois filhos, muitas vezes criados por apenas um deles, já que quase 25% dos casamentos acabam antes dos dez anos. Mães e pais saem desde cedo de casa para trabalhar. E, encerrada a licença-maternidade, boa parte das mulheres (quase 70% delas trabalham fora de casa hoje) retoma sua lide diária de deslocamentos e dias extenuantes em escritórios, lojas e fábricas. Os pais continuam correndo atrás do pão nosso de cada dia.
     Culpados pela sensação de que estão longe dos filhos, eles tentam, muitas vezes, compensar a distância com presentes. Não é à toa que, em pouco tempo, o quarto dos pequenos está abarrotado de brinquedos, bonecas, joguinhos e tudo o mais que estiver ao alcance do cartão de crédito. Os pequenos percebem logo cedo que a birra, o choro, a reclamação e o protesto são boa moeda de troca na hora de conseguir o que querem. Pais com dificuldade de dizer “não” e filhos ávidos em ganhar resultam em jovens que consomem.
     Nossa sociedade também forneceu o molde para que essas transformações ocorressem. O valor do indivíduo passou a ser medido, numa escala maior do que outras, por aquilo que ele tem. O mérito da pessoa é avaliado hoje de uma maneira muito superficial, por aquilo que pode ser mostrado. E o consumo é moeda forte nesse mercado.   
       Para além do bom ou do ruim, o fenômeno é um reflexo dos tempos que vivemos. Mas é importante lembrar que existem outras possibilidades e valores que podem ser trabalhados com os filhos. Senão, corremos o risco de criar adultos insuportáveis. As escolhas profissionais, pessoais, amorosas podem vir influenciadas exclusivamente por esse viés consumista e individualista. A vida emocional pode ficar ainda mais solitária, pragmática e chata. Esse futuro é seu sonho de consumo?

(Jairo Bouer. Revista Época. 2012. Com adaptações.)
Considerando as informações textuais, podemos afirmar que o crescimento do consumismo possibilita:
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Q1214733 Português
O consumo como forma de afeto

     Um ponto comum nas divergentes opiniões de pais sobre os jovens é a crítica ao consumismo exacerbado. Como entender esse comportamento à luz do que ocorreu com a sociedade brasileira nas últimas décadas? Para começar, há um encolhimento da família tradicional. Pais têm um ou dois filhos, muitas vezes criados por apenas um deles, já que quase 25% dos casamentos acabam antes dos dez anos. Mães e pais saem desde cedo de casa para trabalhar. E, encerrada a licença-maternidade, boa parte das mulheres (quase 70% delas trabalham fora de casa hoje) retoma sua lide diária de deslocamentos e dias extenuantes em escritórios, lojas e fábricas. Os pais continuam correndo atrás do pão nosso de cada dia.
     Culpados pela sensação de que estão longe dos filhos, eles tentam, muitas vezes, compensar a distância com presentes. Não é à toa que, em pouco tempo, o quarto dos pequenos está abarrotado de brinquedos, bonecas, joguinhos e tudo o mais que estiver ao alcance do cartão de crédito. Os pequenos percebem logo cedo que a birra, o choro, a reclamação e o protesto são boa moeda de troca na hora de conseguir o que querem. Pais com dificuldade de dizer “não” e filhos ávidos em ganhar resultam em jovens que consomem.
     Nossa sociedade também forneceu o molde para que essas transformações ocorressem. O valor do indivíduo passou a ser medido, numa escala maior do que outras, por aquilo que ele tem. O mérito da pessoa é avaliado hoje de uma maneira muito superficial, por aquilo que pode ser mostrado. E o consumo é moeda forte nesse mercado.   
       Para além do bom ou do ruim, o fenômeno é um reflexo dos tempos que vivemos. Mas é importante lembrar que existem outras possibilidades e valores que podem ser trabalhados com os filhos. Senão, corremos o risco de criar adultos insuportáveis. As escolhas profissionais, pessoais, amorosas podem vir influenciadas exclusivamente por esse viés consumista e individualista. A vida emocional pode ficar ainda mais solitária, pragmática e chata. Esse futuro é seu sonho de consumo?

(Jairo Bouer. Revista Época. 2012. Com adaptações.)
De acordo com as ideias do texto, sobre o consumismo NÃO é possível afirmar que:
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Q1214711 Português
Felicidade

     Não se preocupe: não vou dar, pois não tenho, receita de ser feliz. Não vou querer, pois não consigo, dar lição de coisa alguma. Decido escrever sobre esse tema tão gasto, tão vago, quase sem sentido, porque leio sobre felicidade. Recebo livros sobre felicidade. Vejo que, longe de ser objeto de certa ironia e atribuída somente a livros de autoajuda (hoje em dia o melhor meio de querer insultar um escritor é dizer que ele escreve autoajuda), ela serve para análises filosóficas, psicanalíticas. Parece que existe até um movimento bobo para que a felicidade seja um direito do ser humano, oficializado, como casa, comida, dignidade, educação.
     Mas ela é um estado de espírito. Não depende de atributos físicos. Nem de inteligência: acho até que, quanto mais inteligente se é, mais possibilidade de ser infeliz, porque se analisa o mundo, a vida, tudo, e o resultado tende a não ser cor-de-rosa. Posso estar saudabilíssimo, e infeliz. Posso ter montanhas de dinheiro, mas viver ansioso, solitário. Talvez felicidade seja uma harmonia com nós mesmos, com os outros, com o mundo. Alguma inserção consciente na natureza, da qual as muralhas de concreto nos isolam, ajuda. Mas dormimos de cortinas cerradas para não ver a claridade do dia, ou para escutar menos o rumor do mundo (trem passando embaixo da janela não dá). Tenho um amigo que detesta o canto dos pássaros, se pudesse mataria a tiro de chumbinho os sabiás que alegram minhas manhãs. Um parente meu não suportava praia, porque o barulho do mar lhe dava insônia.
     Portanto, cada um é infeliz à sua maneira.
     Uma boa rima para felicidade pode ser simplicidade. Ainda tenho projetos, sempre tive bons afetos. O que mais devo querer? A pele imaculada, o corpo perfeito, a bolsa cheia, a bolsa ou a vida? Acho que, pensando bem, com altos e baixos, dores e amores, e cores e sombras, eu ainda prefiro a vida.

(Lya Luft. Revista Veja. Agosto de 2011. Com adaptações.)
Em “Não se preocupe: não vou dar, pois não tenho, receita de ser feliz.” (1º§), é possível afirmar que a ação verbal destacada expressa:
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Q1214704 Português
Felicidade

     Não se preocupe: não vou dar, pois não tenho, receita de ser feliz. Não vou querer, pois não consigo, dar lição de coisa alguma. Decido escrever sobre esse tema tão gasto, tão vago, quase sem sentido, porque leio sobre felicidade. Recebo livros sobre felicidade. Vejo que, longe de ser objeto de certa ironia e atribuída somente a livros de autoajuda (hoje em dia o melhor meio de querer insultar um escritor é dizer que ele escreve autoajuda), ela serve para análises filosóficas, psicanalíticas. Parece que existe até um movimento bobo para que a felicidade seja um direito do ser humano, oficializado, como casa, comida, dignidade, educação.
     Mas ela é um estado de espírito. Não depende de atributos físicos. Nem de inteligência: acho até que, quanto mais inteligente se é, mais possibilidade de ser infeliz, porque se analisa o mundo, a vida, tudo, e o resultado tende a não ser cor-de-rosa. Posso estar saudabilíssimo, e infeliz. Posso ter montanhas de dinheiro, mas viver ansioso, solitário. Talvez felicidade seja uma harmonia com nós mesmos, com os outros, com o mundo. Alguma inserção consciente na natureza, da qual as muralhas de concreto nos isolam, ajuda. Mas dormimos de cortinas cerradas para não ver a claridade do dia, ou para escutar menos o rumor do mundo (trem passando embaixo da janela não dá). Tenho um amigo que detesta o canto dos pássaros, se pudesse mataria a tiro de chumbinho os sabiás que alegram minhas manhãs. Um parente meu não suportava praia, porque o barulho do mar lhe dava insônia.
     Portanto, cada um é infeliz à sua maneira.
     Uma boa rima para felicidade pode ser simplicidade. Ainda tenho projetos, sempre tive bons afetos. O que mais devo querer? A pele imaculada, o corpo perfeito, a bolsa cheia, a bolsa ou a vida? Acho que, pensando bem, com altos e baixos, dores e amores, e cores e sombras, eu ainda prefiro a vida.

(Lya Luft. Revista Veja. Agosto de 2011. Com adaptações.)
De acordo com as informações textuais, podemos deduzir que, EXCETO:
Alternativas
Q1214703 Português
Felicidade

     Não se preocupe: não vou dar, pois não tenho, receita de ser feliz. Não vou querer, pois não consigo, dar lição de coisa alguma. Decido escrever sobre esse tema tão gasto, tão vago, quase sem sentido, porque leio sobre felicidade. Recebo livros sobre felicidade. Vejo que, longe de ser objeto de certa ironia e atribuída somente a livros de autoajuda (hoje em dia o melhor meio de querer insultar um escritor é dizer que ele escreve autoajuda), ela serve para análises filosóficas, psicanalíticas. Parece que existe até um movimento bobo para que a felicidade seja um direito do ser humano, oficializado, como casa, comida, dignidade, educação.
     Mas ela é um estado de espírito. Não depende de atributos físicos. Nem de inteligência: acho até que, quanto mais inteligente se é, mais possibilidade de ser infeliz, porque se analisa o mundo, a vida, tudo, e o resultado tende a não ser cor-de-rosa. Posso estar saudabilíssimo, e infeliz. Posso ter montanhas de dinheiro, mas viver ansioso, solitário. Talvez felicidade seja uma harmonia com nós mesmos, com os outros, com o mundo. Alguma inserção consciente na natureza, da qual as muralhas de concreto nos isolam, ajuda. Mas dormimos de cortinas cerradas para não ver a claridade do dia, ou para escutar menos o rumor do mundo (trem passando embaixo da janela não dá). Tenho um amigo que detesta o canto dos pássaros, se pudesse mataria a tiro de chumbinho os sabiás que alegram minhas manhãs. Um parente meu não suportava praia, porque o barulho do mar lhe dava insônia.
     Portanto, cada um é infeliz à sua maneira.
     Uma boa rima para felicidade pode ser simplicidade. Ainda tenho projetos, sempre tive bons afetos. O que mais devo querer? A pele imaculada, o corpo perfeito, a bolsa cheia, a bolsa ou a vida? Acho que, pensando bem, com altos e baixos, dores e amores, e cores e sombras, eu ainda prefiro a vida.

(Lya Luft. Revista Veja. Agosto de 2011. Com adaptações.)
Considerando as ideias apresentadas no texto, é possível afirmar que:
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Q1214617 Português
Texto 2: Hino Nacional Brasileiro (fragmento)
[...]
Do que a terra, mais garrida, Teus risonhos, lindos campos têm mais flores, "Nossos bosques têm mais vida", "Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro dessa flâmula - Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte.
[...]
Letra: Joaquim Osório Duque Estrada / Música: Francisco Manuel da Silva
É correto afirmar sobre o Hino Nacional Brasileiro, exceto:
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Q1214614 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Texto 1: Liberdade

     Segundo o Dicionário de Filosofia, em sentido geral, o termo liberdade é a condição daquele que é livre; capacidade de agir por si próprio; autodeterminação; independência; autonomia.
     A história desse conceito perpassa os estudos de épocas e pensadores diversos e registra a interpretação de doutrinas sociais bastante variadas. Podemos fazer uma distinção inicial entre o que se convencionou chamar de concepção “negativa” e “positiva” da liberdade. Em seu sentido negativo, liberdade significa a ausência de restrições ou de interferência. O sentido positivo de liberdade significa a posse de direitos, implicando o estabelecimento de um amplo âmbito de direitos civis, políticos e sociais. O crescimento da liberdade é concebido como uma conquista da cidadania.
     No sentido político, a liberdade civil ou individual é o exercício de sua cidadania dentro dos limites da lei e respeitando os direitos dos outros. "A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro" (Spencer).
     Em um sentido ético, trata-se do direito de escolha pelo indivíduo de seu modo de agir, independentemente de qualquer determinação externa. "A liberdade consiste unicamente em que, ao afirmar ou negar, realizar ou enviar o que o entendimento nos prescreve, agimos de modo a sentir que, em nenhum momento, qualquer força exterior nos constrange" (Descartes).
     A liberdade de pensamento, em seu sentido estrito, é inalienável, inquestionável. Reivindicar a liberdade de pensar significa lutar pela liberdade de exprimir o pensamento. Voltaire ilustra bem essa liberdade: "Não estou de acordo com o que você diz, mas lutarei até o fim para que você tenha o direito de dizê-lo."
     T. Hobbes afirma que o “homem livre é aquele que não é impedido de fazer o que tem vontade, no que se refere às coisas e que pode fazer por sua força e capacidade”.
     Kant diz que ser livre é ser autônomo, isto, é dar a si mesmo as regras a serem seguidas racionalmente. Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O homem é, antes de tudo, livre. O homem é nada antes de definir-se como algo, e é absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo.
     No livro “A sociedade do espetáculo” (1997), Guy Debord, ao criticar a sociedade de consumo e o mercado, afirma que a liberdade de escolha é uma liberdade ilusória, pois escolher é sempre optar entre duas ou mais coisas prontas, isto é, predeterminadas por outros. Uma sociedade como a capitalista, onde a única liberdade que existe socialmente é a liberdade de escolher qual mercadoria consumir, impede que os indivíduos sejam livres na sua vida cotidiana. A vida cotidiana na sociedade capitalista, segundo Debord, se divide em tempo de trabalho e tempo de lazer. Assim, a sociedade da mercadoria faz da passividade (escolher, consumir) a liberdade ilusória que se deve buscar a todo o custo, enquanto que, de fato, como seres ativos, práticos (no trabalho, na produção), somos não livres.
     De maneira geral, a liberdade de indivíduos ou grupos sempre sugere, ou tem a possibilidade de implicar, a limitação da liberdade de outros.

Orson Camargo - Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
São recursos argumentativos utilizados no texto, exceto:
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Q1214613 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Texto 1: Liberdade

     Segundo o Dicionário de Filosofia, em sentido geral, o termo liberdade é a condição daquele que é livre; capacidade de agir por si próprio; autodeterminação; independência; autonomia.
     A história desse conceito perpassa os estudos de épocas e pensadores diversos e registra a interpretação de doutrinas sociais bastante variadas. Podemos fazer uma distinção inicial entre o que se convencionou chamar de concepção “negativa” e “positiva” da liberdade. Em seu sentido negativo, liberdade significa a ausência de restrições ou de interferência. O sentido positivo de liberdade significa a posse de direitos, implicando o estabelecimento de um amplo âmbito de direitos civis, políticos e sociais. O crescimento da liberdade é concebido como uma conquista da cidadania.
     No sentido político, a liberdade civil ou individual é o exercício de sua cidadania dentro dos limites da lei e respeitando os direitos dos outros. "A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro" (Spencer).
     Em um sentido ético, trata-se do direito de escolha pelo indivíduo de seu modo de agir, independentemente de qualquer determinação externa. "A liberdade consiste unicamente em que, ao afirmar ou negar, realizar ou enviar o que o entendimento nos prescreve, agimos de modo a sentir que, em nenhum momento, qualquer força exterior nos constrange" (Descartes).
     A liberdade de pensamento, em seu sentido estrito, é inalienável, inquestionável. Reivindicar a liberdade de pensar significa lutar pela liberdade de exprimir o pensamento. Voltaire ilustra bem essa liberdade: "Não estou de acordo com o que você diz, mas lutarei até o fim para que você tenha o direito de dizê-lo."
     T. Hobbes afirma que o “homem livre é aquele que não é impedido de fazer o que tem vontade, no que se refere às coisas e que pode fazer por sua força e capacidade”.
     Kant diz que ser livre é ser autônomo, isto, é dar a si mesmo as regras a serem seguidas racionalmente. Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O homem é, antes de tudo, livre. O homem é nada antes de definir-se como algo, e é absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo.
     No livro “A sociedade do espetáculo” (1997), Guy Debord, ao criticar a sociedade de consumo e o mercado, afirma que a liberdade de escolha é uma liberdade ilusória, pois escolher é sempre optar entre duas ou mais coisas prontas, isto é, predeterminadas por outros. Uma sociedade como a capitalista, onde a única liberdade que existe socialmente é a liberdade de escolher qual mercadoria consumir, impede que os indivíduos sejam livres na sua vida cotidiana. A vida cotidiana na sociedade capitalista, segundo Debord, se divide em tempo de trabalho e tempo de lazer. Assim, a sociedade da mercadoria faz da passividade (escolher, consumir) a liberdade ilusória que se deve buscar a todo o custo, enquanto que, de fato, como seres ativos, práticos (no trabalho, na produção), somos não livres.
     De maneira geral, a liberdade de indivíduos ou grupos sempre sugere, ou tem a possibilidade de implicar, a limitação da liberdade de outros.

Orson Camargo - Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Analise as afirmativas a seguir sobre o texto lido.
IV- A tipologia textual predominante no texto é dissertativa. V- Observa-se a progressão de fatos e uma sequência narrativa no texto. VI- A mensagem do texto está centrada no seu referente como principal função.
Estão corretas as afirmativas:
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Q1214593 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

“A crise migratória vai manter-se. É preciso uma visão integrada"

     A crise migratória vai manter-se, se não amplificar-se, por isso é preciso uma visão integrada. Essa foi uma das ideias deixadas por António Vitorino, diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM), no Seminário Diplomático, em 03 de janeiro de 2019, no Museu do Oriente, em Lisboa.
     Considerando que, no futuro, as migrações e as alterações climáticas são os maiores desafios da humanidade, o ex-ministro português, orador convidado deste evento, criticou as forças populistas que exploram medos associados às migrações e lamentou que EUA e oito países da UE não se tenham associado ao Pacto Global para a Migração da ONU. Pois, em seu entender, este contém essa visão integrada e, sem ela, não é possível responder às crises migratórias.
     "O crescimento da vaga populista vai de par com o retrocesso da cooperação internacional. A deriva nacionalista em curso leva à crítica acesa do multilateralismo. O problema hoje não é a incerteza, é aquilo a que os chineses chamam a impermanência. Decisões unilaterais como abandono de organizações e de acordos internacionais", afirmou, numa clara referência à Administração norte-americana liderada pelo republicano Donald Trump.
     "A deriva populista alimenta-se do ressentimento dos perdedores da globalização e dos que olham para os migrantes como resultado da pressão globalizadora. Medite-se sobre o exemplo da AfD. Nunca passou de um partido marginal. A partir do momento em que fez das migrações o centro da sua política disparou", declarou, referindo-se ao partido de extrema-direita alemão que conseguiu entrar no Bundestag - e em todos os parlamentos dos estados federados - à boleia da sua retórica anti-imigração e das suas críticas ferozes à política de porta aberta da chanceler Angela Merkel.
     "O tema das migrações é o tema preferido das forças populistas, que constroem um discurso contra as elites, em que a identidade prevalece sobre a economia, em que o debate político acontece num clima altamente polarizador. Os populistas fazem uso das redes sociais. Usam uma linguagem simples. Fácil de ser entendida. Mas não há soluções simplistas para problemas complexos. A questão do controlo das fronteiras é essencial. Era da responsabilidade dos Estados. É um elemento essencial para dar confiança às populações. 70% dos imigrantes irregulares nos países de destino entraram regularmente nesses países. A regularidade ou irregularidade não tem, por isso, que ver com a questão das fronteiras. Por isso é perigoso pedir ao controlo de fronteiras que elimine o problema do controlo das migrações", sublinhou, notando que, em relação às migrações, a dinâmica das percepções não acompanha aquilo que é a dinâmica da vida real.
     [...]
     "Há mais OIM para além do pacto global. Somos uma organização descentralizada. Temos relações bilaterais com os Estados. Tenho respeito pelas políticas migratórias dos EUA", disse, respondendo a uma pergunta de um dos diplomatas presentes na sala. "É preciso uma narrativa equilibrada sobre as migrações, que não ignore os obstáculos, mas que ao mesmo tempo não negue o papel que podem ter as migrações ordenadas. Sem deixar de levar em conta as resistências das comunidades de acolhimento. Há racismo e xenofobia, mas seria um erro grave de análise achar que todos aqueles que têm resistência às migrações têm motivações racistas e xenófobas", sublinhou ainda o ex-comissário europeu para a Justiça e Assuntos Internos da UE.
     "Nesta matéria", admitiu Vitorino, "não há fórmulas mágicas, cada caso é um caso". O diretor-geral da OIM, agradecendo todo o apoio à sua candidatura ao cargo por parte de Portugal, concluiu: "Portugal é, cada vez mais, um bom exemplo ou talvez, lamentavelmente, uma exceção honrosa, onde nunca as migrações foram usadas para desenhar linhas de divisão política e o consenso sempre existiu. E já agora, como vamos ter eleições em 2019, que depois disso seja assim também".

https://www.artigosenoticias.com/noticia/diario_de_noticias/2171699/a-crise-migratoria-vai-manter-se-e-preciso-uma-visao-integrada.html
Analise as afirmativas a seguir sobre o texto lido.
I- O orador convidado defende o Pacto Global para a migração da ONU. II- Para o diretor-geral da OIM o racismo e a xenofobia causam a resistência às migrações. III- Antônio Vitorino criticou as visões populistas e as relações bilaterais sobre as migrações.
Estão corretas as afirmativas:
Alternativas
Q1212401 Português
Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo O jurista francês René Cassin não queria proteger um ou outro grupo específico de pessoas quando disse: “Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo”. Um dos autores do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, o ganhador do Nobel da Paz de 1968 incluiu todos os homo sapiens naquela frase célebre. Morto em 1976, aos 88 anos, Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão “direitos humanos”, quase 70 anos depois da adoção do texto pela comunidade internacional. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que os direitos humanos “são um pré-requisito para uma sociedade pacífica”. Mas a mesma mensagem alerta para desafios no caminho dessa paz, como a desigualdade social, os conflitos gerados pelas mudanças climáticas e as visões extremistas que se espalham pelo mundo. Segundo o coordenador do Setor de Ciências Naturais e Sociais da Unesco no Brasil, Fabio Eon, os direitos humanos estão sendo alvo de uma onda conservadora que trata a expressão como algo politizado. — Existe hoje uma tendência a enxergar direitos humanos como algo ideológico, o que é um equívoco. Os direitos humanos não são algo da esquerda ou da direita. São de todos, independentemente de onde você nasceu ou da sua classe social. É importante enfatizar isso para frear essa onda conservadora — ressalta Eon, que sugere um remédio para o problema: — Precisamos promover uma cultura de direitos humanos. Pouca gente conhece os artigos do texto. O tema poderia, por exemplo, estar dentro das escolas como um assunto transversal. Precisamos romper com esse ranço, essa mentalidade machista e retrógrada que age pela violação dos direitos humanos. Dados divulgados em outubro de 2018 mostram a falta de entendimento sobre o assunto. De acordo com a pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, seis em cada dez brasileiros se dizem “a favor” dos direitos humanos. Mas, ao mesmo tempo, 63% dos entrevistados acham que os “direitos humanos defendem mais os bandidos que as vítimas”. A percepção chega a 79% na região Norte do Brasil. E alcança 76% entre as pessoas com ensino superior. Além disso, uma em cada cinco pessoas se declarou contra a própria existência dos direitos humanos. Ainda de acordo com a pesquisa, 43% dos brasileiros evitam falar sobre o assunto com outras pessoas, com medo de serem vistas como alguém que defende bandidos. Para o pesquisador Cézar Muñoz, da organização Humans Rights Watch no Brasil, a promoção dos direitos humanos gerou uma série de avanços na sociedade. Mas ele também vê com preocupação a deturpação de sentido que ocorre no Brasil. — A percepção no país está distorcida por causa das pessoas que acham que os direitos humanos só protegem as minorias. Organizações como a nossa se dedicam a monitorar violações dos direitos humanos, o que ocorre frequentemente contra as minorias. Mas o último relatório que escrevi foi sobre violência doméstica, um problema que não afeta um grupo pequeno de pessoas. É generalizado, ocorre em todas as regiões do país — afirma o pesquisador. Adotada na terceira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, ainda sob o trauma da Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é composta por 30 artigos que expressam garantias individuais que devem ser usufruídas por todas pessoas, como o direito à vida, à liberdade e à segurança. Embora não seja vinculante, o documento serviu de inspiração para diferentes constituições federais e também embasou reações da comunidade internacional diante de violações de direitos humanos no mundo, como durante a guerra civil que eclodiu na Bósnia e Herzegovina, em 1992, o genocídio étnico ocorrido em Ruanda, em 1994, e os conflitos que assolam o Sudão do Sul, desde 2013, gerando desabrigados, fome e mortes. A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que a declaração afirma os valores que devem guiar as democracias. “Vamos nos unir para assegurar que a promessa de paz e justiça apoiada pela democracia seja cumprida”. Fonte: com informações do *O Globo. FONTE: https://www.revistaprosaversoearte.com/nao-havera-paz-neste-planeta- enquanto-os-direitos-humanos-forem-violados-em-alguma-parte-do-mundo/
Considerando a passagem “É importante enfatizar isso para frear essa onda conservadora”, o termo em destaque recupera, por coesão:
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Q1212317 Português
Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo O jurista francês René Cassin não queria proteger um ou outro grupo específico de pessoas quando disse: “Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo”. Um dos autores do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, o ganhador do Nobel da Paz de 1968 incluiu todos os homo sapiens naquela frase célebre. Morto em 1976, aos 88 anos, Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão “direitos humanos”, quase 70 anos depois da adoção do texto pela comunidade internacional. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que os direitos humanos “são um pré-requisito para uma sociedade pacífica”. Mas a mesma mensagem alerta para desafios no caminho dessa paz, como a desigualdade social, os conflitos gerados pelas mudanças climáticas e as visões extremistas que se espalham pelo mundo. Segundo o coordenador do Setor de Ciências Naturais e Sociais da Unesco no Brasil, Fabio Eon, os direitos humanos estão sendo alvo de uma onda conservadora que trata a expressão como algo politizado. — Existe hoje uma tendência a enxergar direitos humanos como algo ideológico, o que é um equívoco. Os direitos humanos não são algo da esquerda ou da direita. São de todos, independentemente de onde você nasceu ou da sua classe social. É importante enfatizar isso para frear essa onda conservadora — ressalta Eon, que sugere um remédio para o problema: — Precisamos promover uma cultura de direitos humanos. Pouca gente conhece os artigos do texto. O tema poderia, por exemplo, estar dentro das escolas como um assunto transversal. Precisamos romper com esse ranço, essa mentalidade machista e retrógrada que age pela violação dos direitos humanos. Dados divulgados em outubro de 2018 mostram a falta de entendimento sobre o assunto. De acordo com a pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, seis em cada dez brasileiros se dizem “a favor” dos direitos humanos. Mas, ao mesmo tempo, 63% dos entrevistados acham que os “direitos humanos defendem mais os bandidos que as vítimas”. A percepção chega a 79% na região Norte do Brasil. E alcança 76% entre as pessoas com ensino superior. Além disso, uma em cada cinco pessoas se declarou contra a própria existência dos direitos humanos. Ainda de acordo com a pesquisa, 43% dos brasileiros evitam falar sobre o assunto com outras pessoas, com medo de serem vistas como alguém que defende bandidos. Para o pesquisador Cézar Muñoz, da organização Humans Rights Watch no Brasil, a promoção dos direitos humanos gerou uma série de avanços na sociedade. Mas ele também vê com preocupação a deturpação de sentido que ocorre no Brasil. — A percepção no país está distorcida por causa das pessoas que acham que os direitos humanos só protegem as minorias. Organizações como a nossa se dedicam a monitorar violações dos direitos humanos, o que ocorre frequentemente contra as minorias. Mas o último relatório que escrevi foi sobre violência doméstica, um problema que não afeta um grupo pequeno de pessoas. É generalizado, ocorre em todas as regiões do país — afirma o pesquisador. Adotada na terceira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, ainda sob o trauma da Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é composta por 30 artigos que expressam garantias individuais que devem ser usufruídas por todas pessoas, como o direito à vida, à liberdade e à segurança. Embora não seja vinculante, o documento serviu de inspiração para diferentes constituições federais e também embasou reações da comunidade internacional diante de violações de direitos humanos no mundo, como durante a guerra civil que eclodiu na Bósnia e Herzegovina, em 1992, o genocídio étnico ocorrido em Ruanda, em 1994, e os conflitos que assolam o Sudão do Sul, desde 2013, gerando desabrigados, fome e mortes. A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que a declaração afirma os valores que devem guiar as democracias. “Vamos nos unir para assegurar que a promessa de paz e justiça apoiada pela democracia seja cumprida”. Fonte: com informações do *O Globo. FONTE: https://www.revistaprosaversoearte.com/nao-havera-paz-neste-planeta- enquanto-os-direitos-humanos-forem-violados-em-alguma-parte-do-mundo/
Em “(...) Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão “direitos humanos”(...)”, a forma verbal em destaque, no tempo e no modo como foi usada, indica:
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Ano: 2019 Banca: FUNCERN Órgão: Prefeitura de Lajes - RN
Q1211839 Português
DIFERENTES MODO DE LER  Gabriel Perissé 
Precisamos ser leitores. Deixou de ser uma opção qualquer. Precisamos ser leitores, sem pestanejar. Sem hesitar. Sem titubear. Talvez nunca tenha sido uma questão tão, tão, mas tão premente. Não há mais tempo para esperar o melhor tempo. Agora é uma questão de sobrevivência para todos nós. De vida ou de vida. A leitura salvará a sociedade. A leitura salvará o planeta. A leitura salvará o livro. A leitura é o sal da terra e a luz do mundo.
Quem escreve tem incurável fascínio pelos leitores. Os escritores querem criar o seu leitorado, porque sabem que o leitorado lhe dará o único poder que um escritor merece ter: o voto de confiança em sua palavra. 
Há diferentes tipos de leitores. Ao definir o seu leitor, o escritor define o que irá fazer para que possa chamá-lo de "seu leitor". Diga-me quem é o seu leitor, e eu lhe direi que tipo de escritor você é. E na outra direção também: diga-me que leitor você é, e eu lhe direi quais os escritores criaram você. 
O pensador francês Michel de Certeau dizia que o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Este leitor caçador invade, na página, a mente de outra pessoa. E captura imagens. Persegue palavras e prepara armadilhas para os conceitos mais ariscos. O leitor caçador coleciona em sua biblioteca particular, como se troféus fossem, os autores que um dia alvejou com seu olhar. 
Outro francês, menos conhecido, o professor Vincent Jouve, acha que o leitor é um voyeur legítimo. É um caçador diferente do anterior. É um caçador Contemplativo, que mantém distância. Gosta de olhar e ver, mirar, acompanhar de longe os gestos dos personagens. Este leitor furtivo abre o livro como quem fica por trás da persiana, observando o movimento da rua. 
O escritor argentino Ricardo Piglia definiu, em seu livro O último leitor, que o leitor é justamente aquele que busca o sentido da experiência perdida. E é assim que este outro tipo de leitor caçador recupera todo o tempo que perdeu e simultaneamente ganhou na leitura. 
Para o romancista russo-americano Vladimir Nobokov, leitor é aquele que vai construindo um dicionário cerebral abundante, complexo, e, desse modo, adquire sentido artístico ao falar e escrever. Este tipo de leitor é forte candidato a ser escritor. É também um caçador. Talvez um "caçador de mim", porque a leitura leva-o a conhecer-se melhor e a expressar-se com mais agudeza. 
Kafka reconhecia-se como um leitor lento. Por ser meticuloso demais este tipo de leitor não tem pressa. Parece-lhe necessário avançar com redobrado cuidado no labirinto do texto. E para que, afinal, ler correndo e não perceber a realidade nua, dura, crua? 
A escritora e ensaísta Francine Prose faz um alerta. Quem lê muito rápido entenderá a narrativa, as ideias, as verdades de um texto, mas tal rapidez pode tornar-se sério empecilho para saborear as entrelinhas.
Guimarães Rosa queixava-se dos leitores analfabetos para as entrelinhas. O leitor que corre nas linhas pode vencer na velocidade dos parágrafos, mas perde na maratona da compreensão profunda. E Rubem Alves, mestre de leituras, tinha outra queixa: quem lê rapidamente aquilo que o autor levou talvez uma década para pensar e produzir comete uma grande falta de respeito com o escritor. Nietzsche, uma das paixões de Rubem Alves, confessou: "Não fui, em vão, filólogo, e ainda o sou talvez. Filólogo quer dizer mestre na leitura lenta".
O leitor lento (não sonolento) medita, rumina, assimila as palavras, e as transforma em carne da sua carne. Adquire a autoridade da leitura. O leitor lento, atento, desenvolve a capacidade de caminhar com decisão em direção ao seu destino. 
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor". São 
provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez .
Num dos seus poemas em prosa, Mario Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura. 
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes. 
Educação. São Paulo: Segmento,n.251.set.2018 
Considerando o texto em sua totalidade, a intenção comunicativa prioritária é  
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Ano: 2019 Banca: FUNCERN Órgão: Prefeitura de Lajes - RN
Q1211800 Português
DIFERENTES MODO DE LER  Gabriel Perissé 
Precisamos ser leitores. Deixou de ser uma opção qualquer. Precisamos ser leitores, sem pestanejar. Sem hesitar. Sem titubear. Talvez nunca tenha sido uma questão tão, tão, mas tão premente. Não há mais tempo para esperar o melhor tempo. Agora é uma questão de sobrevivência para todos nós. De vida ou de vida. A leitura salvará a sociedade. A leitura salvará o planeta. A leitura salvará o livro. A leitura é o sal da terra e a luz do mundo.
Quem escreve tem incurável fascínio pelos leitores. Os escritores querem criar o seu leitorado, porque sabem que o leitorado lhe dará o único poder que um escritor merece ter: o voto de confiança em sua palavra. 
Há diferentes tipos de leitores. Ao definir o seu leitor, o escritor define o que irá fazer para que possa chamá-lo de "seu leitor". Diga-me quem é o seu leitor, e eu lhe direi que tipo de escritor você é. E na outra direção também: diga-me que leitor você é, e eu lhe direi quais os escritores criaram você. 
O pensador francês Michel de Certeau dizia que o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Este leitor caçador invade, na página, a mente de outra pessoa. E captura imagens. Persegue palavras e prepara armadilhas para os conceitos mais ariscos. O leitor caçador coleciona em sua biblioteca particular, como se troféus fossem, os autores que um dia alvejou com seu olhar. 
Outro francês, menos conhecido, o professor Vincent Jouve, acha que o leitor é um voyeur legítimo. É um caçador diferente do anterior. É um caçador Contemplativo, que mantém distância. Gosta de olhar e ver, mirar, acompanhar de longe os gestos dos personagens. Este leitor furtivo abre o livro como quem fica por trás da persiana, observando o movimento da rua. 
O escritor argentino Ricardo Piglia definiu, em seu livro O último leitor, que o leitor é justamente aquele que busca o sentido da experiência perdida. E é assim que este outro tipo de leitor caçador recupera todo o tempo que perdeu e simultaneamente ganhou na leitura. 
Para o romancista russo-americano Vladimir Nobokov, leitor é aquele que vai construindo um dicionário cerebral abundante, complexo, e, desse modo, adquire sentido artístico ao falar e escrever. Este tipo de leitor é forte candidato a ser escritor. É também um caçador. Talvez um "caçador de mim", porque a leitura leva-o a conhecer-se melhor e a expressar-se com mais agudeza. 
Kafka reconhecia-se como um leitor lento. Por ser meticuloso demais este tipo de leitor não tem pressa. Parece-lhe necessário avançar com redobrado cuidado no labirinto do texto. E para que, afinal, ler correndo e não perceber a realidade nua, dura, crua? 
A escritora e ensaísta Francine Prose faz um alerta. Quem lê muito rápido entenderá a narrativa, as ideias, as verdades de um texto, mas tal rapidez pode tornar-se sério empecilho para saborear as entrelinhas.
Guimarães Rosa queixava-se dos leitores analfabetos para as entrelinhas. O leitor que corre nas linhas pode vencer na velocidade dos parágrafos, mas perde na maratona da compreensão profunda. E Rubem Alves, mestre de leituras, tinha outra queixa: quem lê rapidamente aquilo que o autor levou talvez uma década para pensar e produzir comete uma grande falta de respeito com o escritor. Nietzsche, uma das paixões de Rubem Alves, confessou: "Não fui, em vão, filólogo, e ainda o sou talvez. Filólogo quer dizer mestre na leitura lenta".
O leitor lento (não sonolento) medita, rumina, assimila as palavras, e as transforma em carne da sua carne. Adquire a autoridade da leitura. O leitor lento, atento, desenvolve a capacidade de caminhar com decisão em direção ao seu destino. 
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor". São 
provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez .
Num dos seus poemas em prosa, Mario Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura. 
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes. 
Educação. São Paulo: Segmento,n.251.set.2018 
Em relação às vozes marcadas no texto, o autor recorre 
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Ano: 2019 Banca: FUNCERN Órgão: Prefeitura de Lajes - RN
Q1211725 Português
DIFERENTES MODO DE LER  Gabriel Perissé 
Precisamos ser leitores. Deixou de ser uma opção qualquer. Precisamos ser leitores, sem pestanejar. Sem hesitar. Sem titubear. Talvez nunca tenha sido uma questão tão, tão, mas tão premente. Não há mais tempo para esperar o melhor tempo. Agora é uma questão de sobrevivência para todos nós. De vida ou de vida. A leitura salvará a sociedade. A leitura salvará o planeta. A leitura salvará o livro. A leitura é o sal da terra e a luz do mundo.
Quem escreve tem incurável fascínio pelos leitores. Os escritores querem criar o seu leitorado, porque sabem que o leitorado lhe dará o único poder que um escritor merece ter: o voto de confiança em sua palavra. 
Há diferentes tipos de leitores. Ao definir o seu leitor, o escritor define o que irá fazer para que possa chamá-lo de "seu leitor". Diga-me quem é o seu leitor, e eu lhe direi que tipo de escritor você é. E na outra direção também: diga-me que leitor você é, e eu lhe direi quais os escritores criaram você. 
O pensador francês Michel de Certeau dizia que o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Este leitor caçador invade, na página, a mente de outra pessoa. E captura imagens. Persegue palavras e prepara armadilhas para os conceitos mais ariscos. O leitor caçador coleciona em sua biblioteca particular, como se troféus fossem, os autores que um dia alvejou com seu olhar. 
Outro francês, menos conhecido, o professor Vincent Jouve, acha que o leitor é um voyeur legítimo. É um caçador diferente do anterior. É um caçador Contemplativo, que mantém distância. Gosta de olhar e ver, mirar, acompanhar de longe os gestos dos personagens. Este leitor furtivo abre o livro como quem fica por trás da persiana, observando o movimento da rua. 
O escritor argentino Ricardo Piglia definiu, em seu livro O último leitor, que o leitor é justamente aquele que busca o sentido da experiência perdida. E é assim que este outro tipo de leitor caçador recupera todo o tempo que perdeu e simultaneamente ganhou na leitura. 
Para o romancista russo-americano Vladimir Nobokov, leitor é aquele que vai construindo um dicionário cerebral abundante, complexo, e, desse modo, adquire sentido artístico ao falar e escrever. Este tipo de leitor é forte candidato a ser escritor. É também um caçador. Talvez um "caçador de mim", porque a leitura leva-o a conhecer-se melhor e a expressar-se com mais agudeza. 
Kafka reconhecia-se como um leitor lento. Por ser meticuloso demais este tipo de leitor não tem pressa. Parece-lhe necessário avançar com redobrado cuidado no labirinto do texto. E para que, afinal, ler correndo e não perceber a realidade nua, dura, crua? 
A escritora e ensaísta Francine Prose faz um alerta. Quem lê muito rápido entenderá a narrativa, as ideias, as verdades de um texto, mas tal rapidez pode tornar-se sério empecilho para saborear as entrelinhas.
Guimarães Rosa queixava-se dos leitores analfabetos para as entrelinhas. O leitor que corre nas linhas pode vencer na velocidade dos parágrafos, mas perde na maratona da compreensão profunda. E Rubem Alves, mestre de leituras, tinha outra queixa: quem lê rapidamente aquilo que o autor levou talvez uma década para pensar e produzir comete uma grande falta de respeito com o escritor. Nietzsche, uma das paixões de Rubem Alves, confessou: "Não fui, em vão, filólogo, e ainda o sou talvez. Filólogo quer dizer mestre na leitura lenta".
O leitor lento (não sonolento) medita, rumina, assimila as palavras, e as transforma em carne da sua carne. Adquire a autoridade da leitura. O leitor lento, atento, desenvolve a capacidade de caminhar com decisão em direção ao seu destino. 
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor". São 
provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez .
Num dos seus poemas em prosa, Mario Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura. 
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes. 
Educação. São Paulo: Segmento,n.251.set.2018 
Há subjacente, no texto de Perrisé, uma concepção de leitura que considera o ato de ler como 
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Ano: 2019 Banca: FCC Órgão: Câmara de Fortaleza - CE
Q1211619 Português
Diante dessas premissas, indaga-se sobre como as tecnologias e a internet podem contribuir com a inclusão social e a incidência da participação social, a ponto de se passar a empregar o termo “inclusão digital”. A inclusão social reconhece a diferença de classes ou estratos sociais, mas também as potencialidades de outros fatores que contribuem com a interação de classes e a participação social. Assim, o surgimento e o contínuo acréscimo das tecnologias da informação e comunicação na pós-modernidade contribuíram com o advento da ideia de inclusão digital, pois, entre os fatores que favorecem a interação social e produção de conhecimentos (em outras palavras, inclusão social), temos, atualmente, as tecnologias da informação e comunicação.   Por meio da interação baseada no uso das tecnologias e da internet, cria-se e fomenta-se o diálogo igualitário. As plataformas digitais criadas com base no desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação até favorecem as possibilidades de uma incidência de maior alcance e mais equitativa entre as diversas classes e grupos sociais. Essa é uma das grandes potencialidades das tecnologias e da internet como fatores para a participação social e inclusão social. A inclusão digital emerge, assim, como novo direito fundamental, diante do avanço das relações na internet. Na verdade, muitos dos serviços públicos essenciais são realizados pela internet, como é o caso da prestação jurisdicional e da comunicação. Hodiernamente, as chamadas telefônicas foram, em grande parte, substituídas por mensagens de aplicativos para a transmissão de conteúdos diversos, e a comunicação de atos jurisdicionais é feita pela internet − é nesse ambiente que as notícias circulam e que parte considerável dos diálogos são travados. 
(Adaptado de: MACHADO, Raquel Cavalcanti Ramos; RIVERA, Laura Nathalie Hernandez. Democratização na era digital. Revista Brasileira de Políticas Públicas, Brasília, v. 7, no 3, 2017, p. 601-616)
Da interpretação do texto depreende-se que
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Ano: 2019 Banca: FUNCERN Órgão: Prefeitura de Lajes - RN
Q1211610 Português
DIFERENTES MODO DE LER  Gabriel Perissé 
Precisamos ser leitores. Deixou de ser uma opção qualquer. Precisamos ser leitores, sem pestanejar. Sem hesitar. Sem titubear. Talvez nunca tenha sido uma questão tão, tão, mas tão premente. Não há mais tempo para esperar o melhor tempo. Agora é uma questão de sobrevivência para todos nós. De vida ou de vida. A leitura salvará a sociedade. A leitura salvará o planeta. A leitura salvará o livro. A leitura é o sal da terra e a luz do mundo.
Quem escreve tem incurável fascínio pelos leitores. Os escritores querem criar o seu leitorado, porque sabem que o leitorado lhe dará o único poder que um escritor merece ter: o voto de confiança em sua palavra. 
Há diferentes tipos de leitores. Ao definir o seu leitor, o escritor define o que irá fazer para que possa chamá-lo de "seu leitor". Diga-me quem é o seu leitor, e eu lhe direi que tipo de escritor você é. E na outra direção também: diga-me que leitor você é, e eu lhe direi quais os escritores criaram você. 
O pensador francês Michel de Certeau dizia que o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Este leitor caçador invade, na página, a mente de outra pessoa. E captura imagens. Persegue palavras e prepara armadilhas para os conceitos mais ariscos. O leitor caçador coleciona em sua biblioteca particular, como se troféus fossem, os autores que um dia alvejou com seu olhar. 
Outro francês, menos conhecido, o professor Vincent Jouve, acha que o leitor é um voyeur legítimo. É um caçador diferente do anterior. É um caçador Contemplativo, que mantém distância. Gosta de olhar e ver, mirar, acompanhar de longe os gestos dos personagens. Este leitor furtivo abre o livro como quem fica por trás da persiana, observando o movimento da rua. 
O escritor argentino Ricardo Piglia definiu, em seu livro O último leitor, que o leitor é justamente aquele que busca o sentido da experiência perdida. E é assim que este outro tipo de leitor caçador recupera todo o tempo que perdeu e simultaneamente ganhou na leitura. 
Para o romancista russo-americano Vladimir Nobokov, leitor é aquele que vai construindo um dicionário cerebral abundante, complexo, e, desse modo, adquire sentido artístico ao falar e escrever. Este tipo de leitor é forte candidato a ser escritor. É também um caçador. Talvez um "caçador de mim", porque a leitura leva-o a conhecer-se melhor e a expressar-se com mais agudeza. 
Kafka reconhecia-se como um leitor lento. Por ser meticuloso demais este tipo de leitor não tem pressa. Parece-lhe necessário avançar com redobrado cuidado no labirinto do texto. E para que, afinal, ler correndo e não perceber a realidade nua, dura, crua? 
A escritora e ensaísta Francine Prose faz um alerta. Quem lê muito rápido entenderá a narrativa, as ideias, as verdades de um texto, mas tal rapidez pode tornar-se sério empecilho para saborear as entrelinhas.
Guimarães Rosa queixava-se dos leitores analfabetos para as entrelinhas. O leitor que corre nas linhas pode vencer na velocidade dos parágrafos, mas perde na maratona da compreensão profunda. E Rubem Alves, mestre de leituras, tinha outra queixa: quem lê rapidamente aquilo que o autor levou talvez uma década para pensar e produzir comete uma grande falta de respeito com o escritor. Nietzsche, uma das paixões de Rubem Alves, confessou: "Não fui, em vão, filólogo, e ainda o sou talvez. Filólogo quer dizer mestre na leitura lenta".
O leitor lento (não sonolento) medita, rumina, assimila as palavras, e as transforma em carne da sua carne. Adquire a autoridade da leitura. O leitor lento, atento, desenvolve a capacidade de caminhar com decisão em direção ao seu destino. 
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor". São 
provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez .
Num dos seus poemas em prosa, Mario Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura. 
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes. 
Educação. São Paulo: Segmento,n.251.set.2018 
Quanto à progressão temática, o autor  
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Ano: 2019 Banca: FUNCERN Órgão: Prefeitura de Lajes - RN
Q1209939 Português
A 15 de setembro de 1830, um observador atento assim se expressou sobre o espetáculo inaugural da linha ferroviária Liverpool-Manchester, uma das primeiras do mundo: 

Não há palavras que possam dar uma ideia adequada da grandiosidade de nosso progresso. A princípio era relativamente lento; mas logo sentimos que verdadeiramente estávamos em marcha, e então todos aqueles para quem o veículo era novo devem haver-se dado conta de que a aplicação da força locomotora estava estabelecendo uma nova era no estado da sociedade, cujo resultado definitivo é impossível colocar-se. 

Apud HARDMAN, Francisco Foot. Trem fantasma: a modernidade na selva. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. (adaptado). 

As impressões desse observador sugerem a(o) 
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Respostas
23921: D
23922: C
23923: A
23924: B
23925: D
23926: A
23927: D
23928: B
23929: C
23930: D
23931: B
23932: A
23933: C
23934: B
23935: B
23936: C
23937: D
23938: C
23939: A
23940: C