Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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I. Ambos os textos apresentam a água como elemento secundário, seja em dimensão simbólica e metafórica (“Águas de Março”), seja em dimensão concreta e social (enchentes em MG).
II. Somente o texto 2 evidencia a relação entre fenômenos naturais e a experiência humana, demonstrando como as chuvas e as águas influenciam a vida, o cotidiano e as condições de existência das pessoas.
III. Observa-se, em ambas as produções, a ideia de ciclo e transformação, uma vez que as águas representam simultaneamente término e recomeço, encerramento de um período e possibilidade de renovação.
IV. Tanto o texto poético quanto o texto informativo ressaltam as consequências das chuvas, seja em perspectiva existencial e simbólica (vida, morte, caminho, esperança), seja em perspectiva social e material (deslocamento, perdas e vulnerabilidade).
V. Nos dois textos, a presença das águas está associada à noção de tristeza da vida, indicando que as adversidades provocadas pelas chuvas levam pouca expectativa de renovação da vida cotidiana.
Leia o texto para responder à questão.
A perca. (Martha Medeiros).
Estava parada num sinal da Avenida Ipiranga quando um carro encostou ao lado do meu. A motorista abriu a janela e pediu para eu abrir a minha. Era uma moça simpática que me perguntou: “Martha, o certo é dizer perda ou perca?”.“Hãn?” “É perda de tempo ou perca de tempo? Como se diz?”
A pergunta era tão inusitada para a hora e o local, tão surpreendente, vinda de alguém que eu não conhecia, que me deu um branco: por um milésimo de segundo eu não soube o que responder. Perca de tempo, isso existe? Então o sinal abriu, os carros da frente começaram a engatar a primeira, eu olhei para ela e disse: “É perda de tempo”.
Ela sorriu em agradecimento e foi em frente. Meu carro ainda ficou um tempo parado. Eu parada no tempo. Perca de tempo.
Dei uma risada e segui meu rumo também.
Se alguém te diz “não perca tempo”, e todos te dizem isso o tempo todo, como não confundir?
Tantos confundem. São coagidos a tal.
E, cá entre nós, a “perca” parece mais amena do que a perda.
A perca de um amor é quase tão corriqueira como a perca do capítulo da novela. A perca é feira livre. A perca é festiva. A perca é música popular.
Já a perda é sinfonia de Beethoven.
A perca acontece no verão. A perca de uma cadeirinha de praia, a perca de um palito premiado de picolé.
As perdas acontecem no inverno.
A perca é simplória, a perca é distraída, a perca é provisória, logo, logo reencontrarão o que está faltando.
A perda é para sempre.
As percas reinventam o vocabulário e seu sentido, não são graves, as percas são imperfeições perdoáveis, as percas são inocentes.
As perdas são catastróficas, nada têm de folclóricas.
A perca é um erro gramatical, e apenas esse erro ela contém. De resto, não faz mal a ninguém.
A perda é um acerto gramatical, mas só esse acerto ela contém. De resto, é brutal.
Se eu pudesse voltar no tempo, reconstituiria a cena de outra forma:
“Martha, é perda de tempo ou perca de tempo? Como é que se diz?”
“O correto é dizer perda, mas é muito solene. Perca dói menos por ser mais trivial”.
Leia o texto para responder à questão.
A perca. (Martha Medeiros).
Estava parada num sinal da Avenida Ipiranga quando um carro encostou ao lado do meu. A motorista abriu a janela e pediu para eu abrir a minha. Era uma moça simpática que me perguntou: “Martha, o certo é dizer perda ou perca?”.“Hãn?” “É perda de tempo ou perca de tempo? Como se diz?”
A pergunta era tão inusitada para a hora e o local, tão surpreendente, vinda de alguém que eu não conhecia, que me deu um branco: por um milésimo de segundo eu não soube o que responder. Perca de tempo, isso existe? Então o sinal abriu, os carros da frente começaram a engatar a primeira, eu olhei para ela e disse: “É perda de tempo”.
Ela sorriu em agradecimento e foi em frente. Meu carro ainda ficou um tempo parado. Eu parada no tempo. Perca de tempo.
Dei uma risada e segui meu rumo também.
Se alguém te diz “não perca tempo”, e todos te dizem isso o tempo todo, como não confundir?
Tantos confundem. São coagidos a tal.
E, cá entre nós, a “perca” parece mais amena do que a perda.
A perca de um amor é quase tão corriqueira como a perca do capítulo da novela. A perca é feira livre. A perca é festiva. A perca é música popular.
Já a perda é sinfonia de Beethoven.
A perca acontece no verão. A perca de uma cadeirinha de praia, a perca de um palito premiado de picolé.
As perdas acontecem no inverno.
A perca é simplória, a perca é distraída, a perca é provisória, logo, logo reencontrarão o que está faltando.
A perda é para sempre.
As percas reinventam o vocabulário e seu sentido, não são graves, as percas são imperfeições perdoáveis, as percas são inocentes.
As perdas são catastróficas, nada têm de folclóricas.
A perca é um erro gramatical, e apenas esse erro ela contém. De resto, não faz mal a ninguém.
A perda é um acerto gramatical, mas só esse acerto ela contém. De resto, é brutal.
Se eu pudesse voltar no tempo, reconstituiria a cena de outra forma:
“Martha, é perda de tempo ou perca de tempo? Como é que se diz?”
“O correto é dizer perda, mas é muito solene. Perca dói menos por ser mais trivial”.
INSTRUÇÃO: Leia este texto para responder à questão.
O poder de ver as pequenas alegrias da vida
Por alguns anos, usar a palavra “gratidão” no lugar do “obrigada” virou moda. Parecia que todo mundo em todo lugar estava grato por algo a todo instante. Do dia para noite, o “hype” era dizer, escrever, vestir camisa, twittar e postar a tal da “#gratidão”.
Só de ouvir alguém fazendo essa troca de vocábulos me fazia virar os olhos e bufar. Pensava: “Agora começou a banalização de mais uma palavra. Todo mundo falando, mas ninguém nem para pra pensar no porquê da gratidão.”
Anos se passaram desde o “boom” da gratidão, mas meu ranço em relação à palavra segue firme. Porém, para minha surpresa, recentemente me descobri uma grande hipócrita. Ao mesmo tempo em que tenho aversão a ela, passei a notar muitas pequenas alegrias no meu dia e passo minutos diários apenas agradecendo por elas.
BOCCARA, Diana e LOBO, Leo. Coluna Couple of things
da Revista Vida Simples. Disponível em: https://vidasimples.
co/colunista/o-poder-de-ver-as-pequenas-alegrias-da-
vida/. Acesso em: 9 nov. 2025. [Fragmento adaptado]
Glossário:
• Hype: mania coletiva; termo usado para descrever uma onda de popularidade.
• Boom: aumento súbito e exagerado
INSTRUÇÃO: Leia este texto para responder à questão.
O poder de ver as pequenas alegrias da vida
Por alguns anos, usar a palavra “gratidão” no lugar do “obrigada” virou moda. Parecia que todo mundo em todo lugar estava grato por algo a todo instante. Do dia para noite, o “hype” era dizer, escrever, vestir camisa, twittar e postar a tal da “#gratidão”.
Só de ouvir alguém fazendo essa troca de vocábulos me fazia virar os olhos e bufar. Pensava: “Agora começou a banalização de mais uma palavra. Todo mundo falando, mas ninguém nem para pra pensar no porquê da gratidão.”
Anos se passaram desde o “boom” da gratidão, mas meu ranço em relação à palavra segue firme. Porém, para minha surpresa, recentemente me descobri uma grande hipócrita. Ao mesmo tempo em que tenho aversão a ela, passei a notar muitas pequenas alegrias no meu dia e passo minutos diários apenas agradecendo por elas.
BOCCARA, Diana e LOBO, Leo. Coluna Couple of things
da Revista Vida Simples. Disponível em: https://vidasimples.
co/colunista/o-poder-de-ver-as-pequenas-alegrias-da-
vida/. Acesso em: 9 nov. 2025. [Fragmento adaptado]
Glossário:
• Hype: mania coletiva; termo usado para descrever uma onda de popularidade.
• Boom: aumento súbito e exagerado
No último parágrafo do texto, a autora utiliza os termos “ranço”, “surpresa”, “hipócrita”, “aversão”.
Esses termos podem ser substituídos, sem prejuízo do sentido do trecho, respectivamente, por:
( ) Celebrar o Dia Nacional do Livro Infantil contribui para enfatizar a importância da leitura para as crianças.
( ) Ler, na infância, ajuda no desenvolvimento de diversas habilidades, como raciocínio lógico e escrita.
( ) Ao ler para uma criança, o adulto deve exercer uma função quase passiva, manifestando-se pouco com relação à leitura, para que a criança aprenda a pensar.