Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
Foram encontradas 29.370 questões
A abreviação correta da forma de tratamento Vossa Magnificência é:
V. Mag.ª e V. Maga
A forma de tratamento da questão anterior é usada para:
A abreviação correta da forma de tratamento Vossa Magnificência é:
Leia o poema de Pedro Bloch.
Chuva zangada é temporal.
Chuva preguiçosa é chuvisco.
Chuva contente é a que refresca.
Chuva malcriada é granizo.
As palavras em destaque nos versos pertencem à mesma classe gramatical da palavra grifada em
COM BASE NA LEITURA DO TEXTO ABAIXO, ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 1 A 9. ;
INFORMAÇÃO NÃO BASTA
Muitas vezes o jovem esquece ou abandona
tudo o que sabe em algum lugar da cabeça.
E isso o coloca cara a cara com o risco
1 Um ponto que une a atual geração de jovens é a grande quantidade de
2 informação a que ela é exposta desde muito cedo. O conhecimento está sempre ali, à
3 distância de poucos toques e tecladas dos dedos. O jovem aprende, de forma
4 surpreendente e precoce, a lidar com várias fontes de informação ao mesmo tempo.
5 Ele funciona como uma grande antena, sempre ligada, sempre captando. E faz tudo
6 isso muito bem.
7 O quarto de dormir virou uma espécie de quartel-general da informação. De
8 posse de controles remotos, botões, teclado e mouse, o mundo das notícias e das
9 novidades se abre para o jovem de hoje como os adultos, no passado, descascavam
10 uma banana. Ficou muito mais fácil ter o conhecimento.
11 Por outro lado, o que se vê é que muito pouco dessa informação é
12 aproveitada pelo jovem para a construção de um mundo melhor e mais seguro para
13 ele mesmo. Não que a informação não esteja ali, fincada de forma definitiva em seus
14 neurônios. Mas, muitas vezes, ela é esquecida ou propositadamente abandonada, ali
15 mesmo, dentro da cabeça. Do saber para o fazer, cria-se um abismo, diversas vezes,
16 intransponível. E essa distância pode colocar o jovem cara a cara com o risco. [...]
17 Como trabalhar a informação de maneira que ela seja acessada e utilizada na
18 hora em que for necessária? Se apenas a informação e a razão não parecem segurar
19 o ímpeto desafiador e imprudente do jovem, o que fazer? As apostas se voltam para o
20 impreciso e pantanoso mundo das emoções. Pode ser que aí repouse a chave para o
21 entendimento do que se passa. [...]
22 A informação traz o mundo da razão, o mundo das regras, o mundo do real
23 para a vida do jovem. Talvez em alguns momentos ele queira justamente esquecer
24 esse mundo real para viver em outro, mais livre, sem limites, mais lúdico, mais
25 emocional, onde possa fazer o que bem quiser. Dentro dessa percepção distorcida,
26 ele vê a informação como empecilho, como obstáculo, não como apoio e ajuda.
27 Nessa hora, ele entende que a informação atrapalha e, assim, desliga esse filtro e
28 deixa a vida exposta ao risco acontecer. [...]
Jairo Bouer
Psiquiatra e apresentador do programa
diário Ao Ponto, no Canal Futura
Disponível em:<http://veja.abril.com.br/especiais/jovens>
Quanto aos fatos gramaticais da língua, é correto afirmar que
A mão ativa o cérebro
A palavra escrita no papel está ameaçada de extinção pelo computador
- e isso pode não ser bom para o ensino
1 O hábito da escrita vem caindo em desuso
2 à medida que o computador se dissemina
3 O momento em que o homem começou a expressar-se por meio da escrita,
4 gravando caracteres em tabletas de argila há cerca de 5 000 anos, marca o fim da pré-
5 história e a pedra fundamental das civilizações tal como as conhecemos hoje. Mas a
6 maneira como desde então a humanidade vem perpetuando sua memória e
7 transmitindo conhecimento de uma geração para outra pode virar peça de museu. Na
8 semana passada, uma decisão tomada nos Estados Unidos veio reforçar essa ideia
9 que tanto atormenta os (cada vez mais raros) entusiastas do lápis e do papel. Em ato
10 inédito, o governo do estado de Indiana desobrigou as escolas de ensinar a escrita
11 cursiva (aquela em que as letras são emendadas umas nas outras) e recomendou que
12 elas passassem a dedicar-se mais à digitação em teclados de computador ‒ decisão
13 que deve ser acompanhada por outros quarenta estados seguidores do mesmo
14 currículo. Oficializa-se com isso algo que, na prática, já se percebe de forma
15 acentuada, inclusive no Brasil. Diz a VEJA o especialista americano Mark Warschauer,
16 professor da Universidade da Califórnia: “Ter destreza no computador tornou-se um
17 bem infinitamente mais valioso do que produzir uma boa letra”.
18 Ninguém de bom-senso discorda disso. Um conjunto recente de pesquisas na
19 área da neurociência, no entanto, sugere uma reflexão acerca dos efeitos
20 devastadores do computador sobre a tradição da escrita em papel. Por meio da
21 observação do cérebro de crianças e adultos, verificou-se de forma bastante clara que
22 a escrita de próprio punho provoca uma atividade significativamente mais intensa que
23 a da digitação na região dedicada ao processamento das informações armazenadas
24 na memória (o córtex pré-frontal), o que tem conexão direta com a elaboração e a
25 expressão de ideias. Está provado também que o ato de escrever desencadeia
26 ligações entre os neurônios naquela parte do cérebro que faz o reconhecimento visual
27 das palavras, contribuindo assim para a fluidez na leitura. Com a digitação, essa área
28 fica inativa. "Pelas habilidades que requer, o exercício da escrita manual é mais
29 sofisticado, por isso põe o cérebro para trabalhar com mais vigor", explica a
30 neurocientista Elvira Souza Lima, especialista em desenvolvimento humano. [...]
Luís Guilherme Barrucho Disponível em:<http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/mao-ativa-cerebro-635803.shtml>.
Acesso em: 29 ago. 2011
COM BASE NO TEXTO, ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 01 A 10.
No que diz respeito aos fatos da língua, é correto afirmar que
TEXTO I
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4.
MACACOS COM BRAÇOS IMPLANTADOS CONSEGUEM SENTIR O TATO DE NOVO
A pesquisa, liderada pelo brasileiro Miguel Nicolelis, tem por objetivo criar um “exoesqueleto” que, apesar de não ser natural, possa dar a oportunidade a pessoas paralíticas de voltar a fazer movimentos e sentir.
1 Pela primeira vez, um time de pesquisadores liderados pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, conseguiu fazer com que macacos movessem um braço implantado apenas com o cérebro e, ao tocar algum objeto, sentissem o tato, mesmo com o órgão falso. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (5), tem por objetivo criar um “exoesqueleto” que, apesar de não ser natural, possa dar a oportunidade a pessoas paralíticas de voltar a fazer movimentos e
6 sentir.
O teste consistiu em implantar novas partes do corpo em macacos que, por meio de um aparelho neurológico, podiam ser movidas. Pela análise dos dados coletados dos cérebros dos animais, os cientistas conseguiram comprovar que, mesmo usando um membro “falso”,
10 eles conseguiam sentir as superfícies que tocavam.
A pesquisa é importante porque abre novos precedentes nas pesquisas com paralíticos. A implantação de partes do corpo sem o tato já pode ser feita hoje, mas justamente por não conseguirem sentir aquele órgão, as pessoas que passaram por implantes acabam não conseguindo se mover e executar ações simples direito. Por exemplo, ao tentar segurar um objeto, sem saber a força que estão aplicando, muitas vezes elas acabam por quebrá-lo ou
16 deixá-lo cair.
“Queremos ter uma versão final para demonstração disso antes da Copa do Mundo de 2014. Quando o time brasileiro entrar em campo, queremos que seja acompanhado por dois adolescentes tetraplégicos que, além de entrar com eles, darão o primeiro chute na bola
20 usando a tecnologia”, afirmou, ao jornal inglês The Guardian, Nicolelis.
As pesquisas, até o momento, só foram realizadas em animais como os macacos dos laboratórios, e ainda não se sabe quando começarão a ser feitas com seres humanos. O teste nos primatas consistia em oferecer-lhes uma recompensa caso conseguissem realizar uma ação pedida pelos cientistas - escolher entre diferentes círculos enquanto tinham sua
25 atividade cerebral monitorada.
Outra curiosidade encontrada pelo time do brasileiro é que quanto mais tempo os macacos passavam com o membro implantado, mais eles adquiriam a percepção de que aquilo era uma parte do corpo deles de verdade. “Eles foram ficando cada vez melhores com o tempo. Através de acompanhamentos do tempo que eles ficavam em cada círculo do experimento, podíamos ver que eles estavam muito focados em encontrar as texturas corretas”, disse
31 Nicolelis.
32 Segundo Nicolelis, o próximo passo da pesquisa é realizar os testes em humanos.
Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Ciencia-e-tecnologia/noticia/2011/10/macacos-com-bracos-implantadosconseguem-sentir-o-tato-de-novo.html. Acesso em 08 out. 2011. Texto adaptado.
Observe este trecho.
A pesquisa é importante porque abre novos precedentes nas pesquisas com paralíticos. (linha 11)
A conjunção em destaque estabelece uma relação de
Leia o texto “ Cigarra, Formiga & Cia” , de José Paulo Paes, para responder às questões de 1 a 6.
Cansadas dos seus papéis fabulares, a cigarra e a formiga resolveram associar-se para reagir contra a estereotipia a que haviam sido condenadas.
Deixando de parte atividades mais lucrativas, a formiga empresou a cigarra. Gravou-lhe o canto em discos e saiu a vendê-los de porta em porta. A aura de mecenas a redimiu para sempre do antigo labéu de utilitarista sem entranhas.
Graças ao mecenato da formiga, a cigarra passou a ter comida e moradia no inverno. Já ninguém a poderia acusar de imprevidência boêmia.
O desfecho desta refábula não é róseo. A formiga foi expulsa do formigueiro por lhe haver traído as tradições de pragmatismo à outrance e a cigarra teve de suportar os olhares de desprezo com que o comum das cigarras costuma fulminar a comercialização da arte.
[PAES, José Paulo Paes. Socráticas , BETA, pg. 490]
Ao ler a fábula atentamente, depreende-se que ela faz um(a):
Texto I
Por que cometemos atos falhos?
Por que você trocou o nome da namorada na hora H? Freud explica, mas é bom já saber que a neurociência discorda dele. Segundo a psicanalista Vera Warchavchik, a primeira explicação veio no livro Psicopatologia da vida cotidiana, de 1901, em que Freud descreveu o ato falho como uma confusão com um sentido maior por trás. Ou seja, para Freud, você fala “sem querer querendo”. Isso aí: todos temos nossos momentos Chaves.
Já a neurociência considera esse deslize um esquecimento corriqueiro sem nenhum significado especial. Ele acontece porque, ao contrário de uma filmadora, o cérebro não grava todos os mínimos detalhes dos acontecimentos, mas apenas as informações principais. Quando ativamos nosso banco de dados para buscar a situação completa, ele monta esses dados como se editasse um filme. E, para ligar uma coisa a outra, preenche as lacunas com algumas invenções. Pronto! É exatamente nesse momento que surgem as confusões, que, se pegarem mal, serão consideradas atos falhos. A contragosto dos psicanalistas, seriam simples e pequenos tilts na memória sem nenhuma razão oculta. Por isso, na próxima vez que der uma mancada na cama, diga que a culpa é do seu cérebro.
(Natália Kuschnaroff)
“...mas é bom saber que a neurociência discorda dele.”. A conjunção sublinhada tem valor adversativo, ou seja, opõe dois posicionamentos, que são:
palavras compostas em que o prefixo termina em vogal, e o segundo elemento começa por r ou s, estas consoantes ficam dobradas (contra+regra = contrarregra – anti+social = antissocial).
Assinale a alternativa em que as palavras estão escritas segundo essa norma.
Em palavras compostas, existe hífen se a segunda delas começa por h (anti-horário) ou pela mesma letra com que a primeira termina (anti-imediato).
Assinale a alternativa com as palavras em que os dois elementos devem seguir essa norma.
Ainda sobre o trecho da questão anterior, é corretor afirmar que:
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 08.
Luto na família Silva
A ambulância foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava deitado na calçada. Uma poça de sangue. A ambulância voltou vazia. O homem estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos “Fatos Diversos” do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito: João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.
João da Silva – Neste momento em que seu corpo vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os joões da silva, os populares joões da silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos, principalmente, na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva. Quando o Brasil foi colonizado, éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos os imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos, andamos pelas ruas e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome “de Tal”. A família Silva e a família “de Tal” são a mesma família.
João da Silva – Você não possuía sangue-azul. O sangue que saía de sua boca era vermelho – vermelhinho da silva. Sangue de nossa família. Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto, é que trabalha para as famílias importantes que são sustentadas pela nossa família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França, no Japão. A gente de nossa família trabalha nas plantações de mate, nos postos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mato, nas cozinhas, em todo lugar onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telha de barro, laça bois, levanta prédios, conduz os ônibus, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família faz tudo.
Apesar disso, João da Silva, temos de enterrar você na vala comum, da miséria e da glória. Porque nossa família um dia há de subir na política...
(Rubem Braga. Adaptado)
A expressão que estabelece uma correta relação de significado entre as frases do 1.º parágrafo – A ambulância voltou vazia. O homem estava morto. – é
TEXTO 1
As torcidas organizadas não são as (únicas) culpadas
Torcidas organizadas agora recebem o rótulo de "facções". É uma clara tentativa de relacioná-las ao mundo do crime, como se todas as suas atitudes fossem ilícitas. Mas a realidade é diferente. O torcedor organizado não é bandido. Ele trabalha (a média de desemprego nas torcidas é de 2,8%, em comparação com os 8,1% da média brasileira), mora com os pais (86,8%) e tem um significativo grau de instrução (80,8% possui de 10 a 12 anos de escolaridade).
Esses números fazem parte do resultado de uma pesquisa que realizei com 813 integrantes das três maiores organizadas de São Paulo. São dados que desmentem a visão de que seus filiados são vagabundos que se associam para o crime. Costuma-se generalizar, mostrando que as mortes que ocorrem no futebol têm a ver apenas com as torcidas. Não é verdade. Por isso, pregar a extinção das organizadas para estancar a violência é a mesma coisa que defender o fim do Senado para acabar com a corrupção.
Enquanto alguns culpam apenas as torcidas organizadas, outros responsáveis pelo problema são poupados. Há o Estado, que muitas vezes não oferece um policiamento de qualidade, preparado para atuar em jogos de futebol. Jogadores e dirigentes incitam a violência com declarações impensadas. E grande parte da imprensa, na ânsia de encontrar respostas imediatas a um problema histórico, comete equívocos básicos, como não ouvir todas as partes envolvidas. O resultado é uma visão deturpada e preconceituosa, que não contribui para a superação do problema.
Outros números da pesquisa apontam que é um erro subestimar a capacidade de discernimento dos torcedores organizados. A maioria tem compreensão dos fatores que causam a violência e apontam a imprensa (78,1%) e a polícia (19,5%) como co-responsáveis. Engana-se também quem pensa que estão pretendendo transferir a responsabilidade, pois 61,8% remete o problema a situações em que os próprios torcedores são os protagonistas, como rivalidade, provocação dos rivais, falta de educação e ignorância.
Além disso, os torcedores organizados, especialmente os jovens, se reúnem não apenas para torcer por suas cores. Eles discutem a política do clube, o esporte, entre outros assuntos. São questões que atualmente não são abordadas em outro espaço da sociedade. Mesmo que possuam uma parcela da responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as torcidas organizadas apresentam características positivas. Essas agremiações têm grande importância para os clubes, apresentando um alto grau de fidelidade (85% dos entrevistados vão ao estádio de uma a duas vezes por semana, independentemente da situação do seu time e de onde o jogo será realizado).
E não apenas nas arquibancadas as agremiações demonstram aspectos construtivos. Geralmente, são compostas por representantes de diversas origens e classes sociais, que promovem ações de assistência social voltadas para a comunidade. Há, portanto, uma inegável importância de cunho social. Mais do que isso, trata-se de um ambiente de aprendizado político, derivado da convivência entre os integrantes. Assim, alguns membros se destacam, pleiteiam cargos e acabam tornando-se dirigentes, enquanto os demais exercem alguns dos seus direitos de cidadania. É um espaço de discussão política, que preenche uma lacuna.
Obviamente, os crimes e delitos praticados por membros de torcidas devem ser punidos, como deveria acontecer com todos. Mas a falta de leis específicas e a cultura da impunidade no Brasil jogam contra a paz no futebol. No Senado, tramita um projeto de lei que talvez mude esse panorama, modificando e ampliando os direitos e deveres dos torcedores e dos organizadores das partidas de futebol. Mas, até que essa lei surta efeito, poderíamos ao menos abandonar o preconceito com que tratamos as torcidas organizadas. E deixar de apontá-las como as únicas vilãs de uma história que não tem mocinhos.
Revista Galileu, n.18, de setembro de 2009. p.96-97.
As questões de 1 a 12 referem-se ao texto 1
Assinale a alternativa cujo advérbio destacado foi empregado para expressar uma opinião do autor.
TEXTO 1
As torcidas organizadas não são as (únicas) culpadas
Torcidas organizadas agora recebem o rótulo de "facções". É uma clara tentativa de relacioná-las ao mundo do crime, como se todas as suas atitudes fossem ilícitas. Mas a realidade é diferente. O torcedor organizado não é bandido. Ele trabalha (a média de desemprego nas torcidas é de 2,8%, em comparação com os 8,1% da média brasileira), mora com os pais (86,8%) e tem um significativo grau de instrução (80,8% possui de 10 a 12 anos de escolaridade).
Esses números fazem parte do resultado de uma pesquisa que realizei com 813 integrantes das três maiores organizadas de São Paulo. São dados que desmentem a visão de que seus filiados são vagabundos que se associam para o crime. Costuma-se generalizar, mostrando que as mortes que ocorrem no futebol têm a ver apenas com as torcidas. Não é verdade. Por isso, pregar a extinção das organizadas para estancar a violência é a mesma coisa que defender o fim do Senado para acabar com a corrupção.
Enquanto alguns culpam apenas as torcidas organizadas, outros responsáveis pelo problema são poupados. Há o Estado, que muitas vezes não oferece um policiamento de qualidade, preparado para atuar em jogos de futebol. Jogadores e dirigentes incitam a violência com declarações impensadas. E grande parte da imprensa, na ânsia de encontrar respostas imediatas a um problema histórico, comete equívocos básicos, como não ouvir todas as partes envolvidas. O resultado é uma visão deturpada e preconceituosa, que não contribui para a superação do problema.
Outros números da pesquisa apontam que é um erro subestimar a capacidade de discernimento dos torcedores organizados. A maioria tem compreensão dos fatores que causam a violência e apontam a imprensa (78,1%) e a polícia (19,5%) como co-responsáveis. Engana-se também quem pensa que estão pretendendo transferir a responsabilidade, pois 61,8% remete o problema a situações em que os próprios torcedores são os protagonistas, como rivalidade, provocação dos rivais, falta de educação e ignorância.
Além disso, os torcedores organizados, especialmente os jovens, se reúnem não apenas para torcer por suas cores. Eles discutem a política do clube, o esporte, entre outros assuntos. São questões que atualmente não são abordadas em outro espaço da sociedade. Mesmo que possuam uma parcela da responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as torcidas organizadas apresentam características positivas. Essas agremiações têm grande importância para os clubes, apresentando um alto grau de fidelidade (85% dos entrevistados vão ao estádio de uma a duas vezes por semana, independentemente da situação do seu time e de onde o jogo será realizado).
E não apenas nas arquibancadas as agremiações demonstram aspectos construtivos. Geralmente, são compostas por representantes de diversas origens e classes sociais, que promovem ações de assistência social voltadas para a comunidade. Há, portanto, uma inegável importância de cunho social. Mais do que isso, trata-se de um ambiente de aprendizado político, derivado da convivência entre os integrantes. Assim, alguns membros se destacam, pleiteiam cargos e acabam tornando-se dirigentes, enquanto os demais exercem alguns dos seus direitos de cidadania. É um espaço de discussão política, que preenche uma lacuna.
Obviamente, os crimes e delitos praticados por membros de torcidas devem ser punidos, como deveria acontecer com todos. Mas a falta de leis específicas e a cultura da impunidade no Brasil jogam contra a paz no futebol. No Senado, tramita um projeto de lei que talvez mude esse panorama, modificando e ampliando os direitos e deveres dos torcedores e dos organizadores das partidas de futebol. Mas, até que essa lei surta efeito, poderíamos ao menos abandonar o preconceito com que tratamos as torcidas organizadas. E deixar de apontá-las como as únicas vilãs de uma história que não tem mocinhos.
Revista Galileu, n.18, de setembro de 2009. p.96-97.
As questões de 1 a 12 referem-se ao texto 1
“Mesmo que possuam uma parcela da responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as torcidas organizadas apresentam características positivas.”
A relação lógico-semântica estabelecida pela expressão mesmo que é a de
1. Verbo 2. Artigo 3. Adjetivo 4. Conjunção 5. Substantivo 6. Pronome possessivo 7. Pronome demonstrativo
“Puxa, Eddie ( ) sortudo, que beleza de pensamento profundo ( ) esse ( ) seu ( )!”
“Obrigado... Ele também precisa ( ) de presunto ou ( ) rosbife, queijo suíço, alface, tomates, maionese... e uma ( ) pitada de pimenta.”
A sequência está correta em
Observe o texto e numere as palavras grifadas de acordo com as classes a que pertencem.
1. Substantivo
2. Pronome relativo
3. Pronome demonstrativo
4. Pronome indefinido
5. Verbo
6. Adjetivo
“Os países desenvolvidos ( ) também estão diante de uma situação ( ) complicada. Alguns ( ) conseguiram um planejamento. Os ( ) que ( ) podem, planejam ( ) essa independência e assistência.”
A sequência está correta em
