Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
Foram encontradas 29.311 questões
Releia o trecho abaixo para responder às questões 14 e 15.
Medidas simples garantem mais segurança no trânsito
Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma
no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde
os motoristas descarregam toda sorte de frustração.
Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os
5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança
no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens
perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.
Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a
prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de
10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.”
Ele destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”
Ari Silveira
Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009
a cultura da impunidade é perigosa. (l. 11)
O prefixo “im” pode indicar negação, como na palavra impunidade, que significa ausência de punição. O prefixo da seguinte palavra também indica negação:
Medidas simples garantem mais segurança no trânsito
Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma
no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde
os motoristas descarregam toda sorte de frustração.
Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os
5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança
no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens
perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.
Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a
prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de
10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.”
Ele destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”
Ari Silveira
Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009
não fazer ultrapassagens perigosas (l. 6-7)
A palavra perigosas é um adjetivo, pois indica uma qualidade da palavra ultrapassagens. Outro adjetivo está sublinhado em:
Observe os fragmentos a seguir:
“...ao tomarmos decisões.”
“...pesquisas apontam...”
Em que alternativa a palavra destacada está corretamente escrita com S, assim como as palavras em destaque nos fragmentos?
Sobre o emprego dos conetivos, são feitas as seguintes afirmações:
I. Em “Para sermos mais eficazes, é primordial...”, o vocábulo destacado é uma conjunção de valor consecutivo, podendo ser substituído pela conjunção “a fim de”.
II. Em “...mais eficientes ao tomarmos decisões.”, a expressão destacada pode ser substituída pela expressão de valor temporal “quando tomamos”.
III. Em “...focar nos detalhes, ainda que em tarefas repetitivas.”, o elemento destacado apresenta valor condicional, podendo ser substituído pela conjunção “embora”.
Está (ão) correta(s) apenas a(s) afirmação(ões)
“O cego Estrelinho”
Mia Couto
O cego Estrelinho era pessoa de nenhuma vez: sua história poderia ser contada e descontada não fosse seu guia, Gigito Efraim. A mão de Gigito conduziu o desvistado por tempos e idades. Aquela mão era repartidamente comum, extensão de um no outro, siamensal. E assim era quase de nascença. Memória de Estrelinho tinha cinco dedos e eram os de Gigito postos, em aperto, na sua própria mão.
O cego, curioso, queria saber de tudo. Ele não fazia cerimónia no viver. O sempre lhe era pouco e o tudo insuficiente. Dizia, deste modo:
— Tenho que viver já, senão esqueço-me.
Gigitinho, porém, o que descrevia era o que não havia. O mundo que ele minuciava eram fantasias e rendilhados. A imaginação do guia era mais profícua que papaeira. O cego enchia a boca de águas:
— Que maravilhação esse mundo. Me conte tudo, Gigito!
A mão do guia era, afinal, o manuscrito da mentira. Gigito Efraim estava como nunca esteve S. Tomé: via para não crer. O condutor falava pela ponta dos dedos. Desfolhava o universo, aberto em folhas. A ideação dele era tal que mesmo o cego, por vezes, acreditava ver. O outro lhe encorajava esses breves enganos:
— Desbengale-se, você está escolhendo a boa procedência!
Mentira: Estrelinho continuava sem ver uma palmeira à frente do nariz. Contudo, o cego não se conformava em suas escurezas. Ele cumpria o ditado: não tinha perna e queria dar o pontapé. Só à noite, ele desalentava, sofrendo medos mais antigos que a humanidade. Entendia aquilo que, na raça humana, é menos primitivo: o animal.
— Na noite aflige não haver luz?
— Aflição é ter um pássaro branco esvoando dentro do sono.
Pássaro branco? No sono? Lugar de ave é nas alturas. Dizem até que Deus fez o céu para justificar os pássaros. Estrelinho disfarçava o medo dos vaticínios, subterfugindo:
— E agora, Gigitinho? Agora, olhando assim para cima, estou face ao céu?
Que podia o outro responder? O céu do cego fica em toda a parte. Estrelinho perdia o pé era quando a noite chegava e seu mestre adormecia. Era como se um novo escuro nele se estreasse em nó cego. Devagaroso e sorrateiro ele aninhava sua mão na mão do guia. Só assim adormecia. A razão da concha é a timidez da amêijoa? Na manhã seguinte, o cego lhe confessava: se você morrer, tenho que morrer logo no imediato. Senão-me: como acerto o caminho para o céu?
Foi no mês de dezembro que levaram Gigitinho. Lhe tiraram do mundo para pôr na guerra: obrigavam os serviços militares. O cego reclamou: que o moço inatingia a idade. E que o serviço que ele a si prestava era vital e vitalício. O guia chamou Estrelinho à parte e lhe tranquilizou:
— Não vai ficar sozinhando por aí. Minha mana já mandei para ficar no meu lugar.
O cego estendeu o braço a querer tocar uma despedida. Mas o outro já não estava lá. Ou estava e se desviara, propositado? E sem água ida nem vinda, Estrelinho escutou o amigo se afastar, engolido, espongínquo, inevisível. Pela pimeira vez, Estrelinho se sentiu invalidado.
— Agora, só agora, sou cego que não vê.
(...)
COUTO, Mia. Estórias abensonhadas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996. (Pág 23 e 24).
Na oração “A mão de Gigito conduziu o desvistado por tempos e idades”, o autor faz uso de um neologismo, assim como no decorrer de toda a obra em questão. Contudo, o neologismo só se torna possível pela utilização dos elementos mórficos naquilo que a gramática normativa pontua como Processo de Formação das Palavras. Levando em consideração apenas o recurso morfológico, qual Processo de Formação foi utilizado?
Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.
- _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
- comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
- prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
- a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
- visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
- do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
- orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
- _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
- de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
- com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
- menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
- pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
- do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
- diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
- nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
- era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
- desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
- _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
- peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
- realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
- religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
- era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
- Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
- voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
- _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
- Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
- traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
- brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
- da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
- paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
- _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
- decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
- se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
- mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
- num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
- eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
- manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
- em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
- existenciais
- _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
- destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
- cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
- enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
- purgação lhe rendera.
- _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
- dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
- de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
- martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
- sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
- realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
- mundo como ele é”.
- _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
- Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
- era bom para seu futuro. Não a culpo.
Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,
02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.
Em qual das linhas do texto referidas abaixo a palavra que é uma conjunção integrante?
Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.
- _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
- comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
- prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
- a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
- visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
- do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
- orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
- _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
- de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
- com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
- menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
- pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
- do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
- diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
- nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
- era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
- desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
- _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
- peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
- realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
- religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
- era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
- Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
- voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
- _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
- Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
- traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
- brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
- da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
- paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
- _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
- decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
- se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
- mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
- num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
- eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
- manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
- em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
- existenciais
- _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
- destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
- cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
- enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
- purgação lhe rendera.
- _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
- dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
- de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
- martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
- sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
- realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
- mundo como ele é”.
- _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
- Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
- era bom para seu futuro. Não a culpo.
Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,
02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.
Assinale a alternativa em que a palavra extraída do texto NÃO apresenta, em sua formação, processo de derivação prefixal.
Instrução: As questões 06 a 10 referem-se ao texto abaixo
A língua do Brasil amanhã
- ____Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a
- respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz
- que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de
- outras línguas supostamente expansionistas (em especial
- o inglês, atual candidato número um a língua universal);
- ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o
- “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper
- pelo uso da gíria e das formas populares de expressão
- (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado).
- Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a
- nossa língua, estou convencido, não está em perigo de
- desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro
- lado (e não é possível agradar a todos) acredito que
- nossa língua está mudando, e certamente não será a
- mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
- ____O que é que poderia ameaçar a integridade ou
- a existência da nossa língua? Um dos fatores,
- frequentemente citado, é a influência do inglês – o
- mundo de empréstimos que andamos fazendo para
- nos expressarmos sobre certos assuntos.
- ____Não se pode negar que o fenômeno existe; o que
- mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do
- marketing. Mas isso não significa o desaparecimento
- da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da
- vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso,
- mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue
- são palavras de origem estrangeira; hoje já se
- naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça
- nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar
- aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um
- nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram,
- mas a palavra estrangeira venceu – só que virou
- portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já
- casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
- ____Quero dizer que não há o menor sintoma de que os
- empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na
- língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em
- pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como toda
- língua, o português precisa crescer para dar conta das
- novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e
- pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute,
- balé – e também pode (e com maior frequência)
- criar palavras a partir de seus próprios recursos –
- como computador, ecologia, poluição – ou então esten-
- der o uso de palavras antigas a novos significados –
- executivo ou celular, que significam coisas hoje que
- não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo
- a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou
- nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil amanhã
e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
Páginas 11-14.
Assinale a alternativa que contém apenas palavras empregadas como adjetivos no texto.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Sentimentos Femininos
- Se estou conversando com uma mulher e os olhos dela se enchem de lágrimas – isso acontece
- frequentemente com amigas, colegas de trabalho e namoradas – tenho a sensação, tristíssima, de ser um
- humano defeituoso. É como se faltasse alguma coisa em mim que me impedisse de expressar meus
- sentimentos e emoções da mesma forma. Enquanto elas choram, abraçam, suspiram, tremem, riem, gritam
- e coram, eu tenho apenas o silêncio constrangido ou a racionalidade. Diante da algaravia exuberante dos
- sentimentos femininos, quase nada.
- A sensação não é minha apenas. A perplexidade dos homens frente ao repertório de emoções das
- mulheres é antiga e disseminada. Meu sentimento mais comum é de inveja – como elas conseguem ir tão
- fundo e tão rápido dentro de si mesmas, enquanto eu me sinto preso numa espécie de insensibilidade? –
- mas é possível também ter medo e raiva. É fácil ser frustrado ou afogado por essa aluvião de emoções. É
- comum que, por causa de sentimentos ou da ausência deles, a conversa entre homens e mulheres
- descambe para a mútua incompreensão.
- Houve um tempo, que terminou recentemente, em que era possível passar a vida no universo
- seguro das emoções masculinas. Nós ditávamos o mundo e estabelecíamos as regras de acordo com a
- nossa objetividade. Fora da intimidade do casal ou da família, não havia espaço para o vasto vocabulário
- das sensações femininas. Agora, isso mudou. As emoções das mulheres transbordaram para fora do
- ambiente doméstico e exigem ser levadas a sério. Isso criou, para todos nós, um mundo mais justo, mas
- muito mais complicado.
- Antes, uma mulher chorando no trabalho era motivo de escárnio e piada. Agora, é pelo menos tão
- sério quanto um cara esbravejando. Chefes perplexos passam horas administrando mágoas, inseguranças e
- ressentimentos que não são capazes de entender. É um mundo novo de sutilezas e sensibilidades que se
- impôs, a despeito da resistência dos homens. Se pudessem, eles diriam ___ mulheres que parassem de mimi-
- mi e voltassem ao trabalho, mas não podem. Elas conquistaram o direito de ser elas mesmas durante o
- expediente. Portanto, há que sentar, ouvir, conversar e acomodar sentimentos que aos homens,
- frequentemente, parecem exagerados e injustos, mas que se tornaram parte da realidade. Os homens - ao
- menos esta geração de homens - não compreendem, apenas aceitam. Este é outro motivo pelo qual as
- mulheres tendem ___ prosperar nas organizações modernas. Elas compreendem, e compreensão tornou-se
- essencial a qualquer projeto.
- Fora do trabalho, quando as pessoas não têm obrigação de se entender, as coisas se tornaram
- ainda mais difíceis. As mulheres querem colocar seus sentimentos na mesa e nós, homens, reagimos. Não é
- apenas o fiu-fiu que incomoda as moças nas calçadas e que os homens terão de aprender a suprimir. Há
- coisas mais sutis que emperram o convívio.
- É óbvio que um mundo que responda aos sentimentos de metade da população é um mundo mais
- justo. É evidente, até para o mais xucro dos homens, que não se pode construir uma sociedade, uma
- família ou uma relação de casal harmônicas ignorando a sensibilidade feminina. As mulheres oferecem ao
- planeta um olhar sutil, capaz de distinguir matizes de sentimentos e sensações que a cultura masculina não
- percebe. Com esse olhar ganha-se inteligência, amplitude e profundidade, mas não só. Há confusão
- também.
- A cultura em preto e branco do universo masculino funciona como proteção. A objetividade é um
- escudo contra o caos dos sentimentos. A cultura feminina permite a expressão de um leque maior de
- emoções e a percepção de um mundo mais complexo em seus detalhes, mas tem um lado B. Como se
- desliga a sensibilidade quando ela começa a se tornar autodestrutiva? Como se faz para lidar de forma
- organizada com o mundo exterior quando uma multidão de vozes contraditórias grita dentro de nós,
- exigindo expressão?
- O silêncio interior dos homens é uma coisa triste – como as lágrimas das mulheres frequentemente
- me fazem notar - mas ele permite ouvir o mundo com mais clareza. É um mundo mais simples esse que os
- homens habitam e enxergam, mas ele vem funcionando há milênios. Agora, as mulheres nos propõem o
- desafio de fazer funcionar um mundo mais parecido com elas – com mais cores, mais dimensões, mais
- detalhes e muitos mais sentimentos. Não vai ser fácil, mas não há alternativa. O mundo que os homens
- construíram ___ sua imagem e semelhança está ruindo. É necessário começar um mundo novo.
(Ivan Martins – Revista Época, 9 de março de 2016 – disponível em http://www.epoca.globo.com - adaptação)
Assinale a alternativa na qual o vocábulo esteja empregado como conjunção integrante.
ESTA VIDA
– Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver.
A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece, no infinito do tempo.
E vibra, e cresce, e se desdobra, e estala num segundo. Homem, eis o que somos neste mundo. Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Um monge me dizia: ó mocidade, és relâmpago ao pé da eternidade! Pensa: o tempo anda sempre e não repousa; esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto; o riso, às vezes, quase sempre, um pranto. Depois o mundo, a luta que intimida, quatro círios acesos: eis a vida! Isto me disse o monge e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Um pobre me dizia: para o pobre, a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre. Deus, eu não creio nesta fantasia. Deus me deu fome e sede a cada dia, mas nunca me deu pão, nem me deu água. Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa, de andar de porta em porta, esfarrapado. Deu-me esta vida: um pão envenenado. Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Uma mulher me disse: vem comigo! Fecha os olhos e sonha, meu amigo. Sonha um lar, uma doce companheira, que queiras muito e que também te queira. No telhado, um penacho de fumaça. Cortinas muito brancas na vidraça. Um canário que canta na gaiola. Que linda a vida lá por dentro rola! Pela primeira vez eu comecei a ver, dentro da própria vida, o encanto de viver.
Guilherme de Almeida
Quanto à morfossintaxe, em qual alternativa a classificação está correta.
ESTA VIDA
– Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver.
A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece, no infinito do tempo.
E vibra, e cresce, e se desdobra, e estala num segundo. Homem, eis o que somos neste mundo. Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Um monge me dizia: ó mocidade, és relâmpago ao pé da eternidade! Pensa: o tempo anda sempre e não repousa; esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto; o riso, às vezes, quase sempre, um pranto. Depois o mundo, a luta que intimida, quatro círios acesos: eis a vida! Isto me disse o monge e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Um pobre me dizia: para o pobre, a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre. Deus, eu não creio nesta fantasia. Deus me deu fome e sede a cada dia, mas nunca me deu pão, nem me deu água. Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa, de andar de porta em porta, esfarrapado. Deu-me esta vida: um pão envenenado. Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver, dentro da própria morte, o encanto de morrer.
– Uma mulher me disse: vem comigo! Fecha os olhos e sonha, meu amigo. Sonha um lar, uma doce companheira, que queiras muito e que também te queira. No telhado, um penacho de fumaça. Cortinas muito brancas na vidraça. Um canário que canta na gaiola. Que linda a vida lá por dentro rola! Pela primeira vez eu comecei a ver, dentro da própria vida, o encanto de viver.
Guilherme de Almeida
No verso do texto, “E vibra, e cresce, e se desdobra, e estala num segundo”, há a repetição de:
Texto para as questões 01 a 10
SOMOS SERES RETÓRICOS
Se você fosse uma velha senhora e descobrisse que, por um terrível engano, jogara cinquenta mil dólares no lixo, processaria um vizinho desempregado que, repentinamente e na mesma época da perda, enriquecera com um dinheiro achado também no lixo?
Se você fosse esse homem desempregado, como argumentaria a seu favor?
Se você fosse um vizinho e o chamassem para opinar sobre o caso, daria a um ou a outro? Por quê?
Se você fosse o advogado do homem que encontrara o dinheiro no lixo, aceitaria que seu cliente fosse processado por "fraude"?
Com certeza, várias serão as respostas para essas questões e, cada personagem, em função de sua posição nessa história, apresentará um discurso diferente. Todos defenderão com ardor as "suas" opiniões e irão valer-se da língua como um lugar de confronto das subjetividades. Provavelmente, chamarão seus pontos de vista de "razão" e suas "razões" de "verdade".
Enfim, somos seres retóricos. Por termos crenças, valores e opiniões, valemo-nos da palavra como um instrumento revelador de nossas impressões sobre o mundo, de nossos sentimentos, convicções, dúvidas, paixões e aspirações. Pela palavra, tentamos influenciar as pessoas, orientar-lhes o pensamento, excitar ou acalmar as emoções para, enfim, guiar suas ações, casar interesses e estabelecer acordos que nos permitam conviver em harmonia:
Fonte: Estado de S. Paulo, 26 mar. 2005.
Somos também, pela palavra, construtores sociais, sujeitos ativos que, de um modo ou de outro, se revelam no convívio com as pessoas. No texto, lugar de interação e de comunicação entre interlocutores, buscamos construir sentidos que, depois, serão interpretados e constituirão nosso discurso e o do outro.
Agimos retoricamente quando nos valemos do discurso para descrever, explicar e justificar nossa opinião com o objetivo de levar o outro a aceitar nossa posição. Como oradores, somos influenciadores e demonstramos a realidade sob certos ângulos, justificamos nossa posição em termos aceitáveis para conquistar a adesão de nosso interlocutor, para propor uma nova visão da realidade, para ajustar nossos interesses à sensibilidade e interesses de quem nos ouve. Como auditório, aceitamos se a construção retórica é ou não interessante, justa, bela, útil ou agradável suficientemente para que concordemos com o que nos foi exposto.
FERREIRA, Luiz Antonio. Leitura e Persuasão. São Paulo: Contexto, 2015.
Por duas vezes o autor usou a expressão enfim, no sexto parágrafo. Respectivamente, seus usos operam noção de:
Considere as sentenças e assinale a alternativa correta.
I- A tarde, ela chegou.
II- À tarde, ela chegou.
TEXTO
Olivia
Querida Olivia Schmid, muito obrigado pela carta que você me mandou no hospital Pró−Cardíaco, quando soube que eu estava internado lá, na semana passada. Sua carta me emocionou, bem como as muitas mensagens que recebi de amigos e de desconhecidos como você, desejando meu restabelecimento.
O restabelecimento era garantido, pois eu estava nas mãos dos médicos Claudio Domenico, Marcos Fernandes, Aline Vargas, Felipe Campos e toda a retaguarda de craques do hospital, além do dr. Alberto Rosa e do dr. Eduardo Saad, que instalou no meu peito o marca−passo que, se entendi bem, vai me permitir competir nas próximas Olimpíadas.
Mas, infelizmente, não pude responder sua cartinha, porque você não colocou seu endereço. Só sei que você se chama Olivia (lindo nome), tem 10 anos, mora na Tijuca e cursa o quinto ano da Escola Municipal Friedenreich. E que gosta muito de ler.
Você me fez uma encomenda: pediu que eu escrevesse uma história sobre pessoas que não gostam de acordar cedo de manhã, como você. Vou escrever a história, Olivia, inclusive porque pertenço à mesma irmandade.
Concordo que não existe maldade maior do que tirar a gente do quentinho da cama com o pretexto absurdo de que é preciso ir à escola, trabalhar etc., todas essas coisas que não se comparam com o prazer de ficar na cama só mais um pouquinho.
Acho até que poderíamos formar uma associação de pessoas que pensam como nós, uma Associação dos que Odeiam Sair da Cama de Manhã (AOSCM). Poderíamos até fazer reuniões do nosso grupo — desde que não fossem muito cedo de manhã, claro.
Você me fez um pedido e eu vou fazer um a você, Olivia. Por favor, continue sendo o que você é. Não, não quero dizer leitora dos meus livros, se bem que isto também. Continue sendo uma pessoa que consegue emocionar outra pessoa com um simples ato de bondade, sem qualquer outro pretexto a não ser sua vontade de ser solidária.
Você deve ter notado que o pessoal anda muito mal− humorado, Olivia. Se desentendem e brigam porque um não tolera a opinião do outro. Conversa vira bate−boca, debate vira, às vezes, até troca de tapas.
Uma das crises em que o Brasil está metido é uma crise de civilidade. Não deixe que nada disso mude a sua maneira de ser, Olivia. O seu simples ato de bondade vale mais do que qualquer um desses discursos rancorosos. Animou meu coração mais do que um marca−passo.
O Brasil precisa muito de você, Olivia.
VERÍSSIMO, Luiz Fernando. Olivia. Disponível em:
http://noblat.oglobo.globo.com/cronicas/noticia/2016/04/olivia.html.
Acessado em: 10 abr. 2016.
Só NÃO apresenta função adjetiva a palavra destacada em:
Pechada
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo
já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho.
Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
-Aí, Gaúcho!
-Fala, Gaúcho!
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim.
Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
-Mas o Gaúcho fala "tu"! -disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
-E fala certo -disse a professora. -Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português.
O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
-O pai atravessou a sinaleira e pechou...
-O que?
-O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
-O que foi que ele disse, tia?
-quis saber o gordo Jorge.
-Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
- E o que é isso?
-Gaúcho ... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
-Nós vinha ...
- Nós vínhamos.
-Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas " pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.
-Aí, Pechada!
-Fala, Pechada!
Luis Fernando Veríssimo, Revista Nova Escola.
As alternativas abaixo apresentam preposições destacadas, EXCETO, uma. Assinale-a.
Pechada
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo
já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho.
Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
-Aí, Gaúcho!
-Fala, Gaúcho!
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim.
Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
-Mas o Gaúcho fala "tu"! -disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
-E fala certo -disse a professora. -Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português.
O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.
-O pai atravessou a sinaleira e pechou...
-O que?
-O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
-O que foi que ele disse, tia?
-quis saber o gordo Jorge.
-Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
- E o que é isso?
-Gaúcho ... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
-Nós vinha ...
- Nós vínhamos.
-Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas " pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.
-Aí, Pechada!
-Fala, Pechada!
Luis Fernando Veríssimo, Revista Nova Escola.
Assinale a alternativa correta cujo termo destacado seja um exemplo de Conjunção explicativa.
Leia o título da matéria publicada no caderno TEC da Folha de São Paulo, para responder às questões de 06 a 08.
Recebeu, não leu…
WhatsApp passa a avisar usuários quando mensagem é lida e causa irritação e ansiedade; ‘recurso’ não pode ser desativado
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/195002- recebeu-nao-leu.shtml acesso em 28/04/2016)
O título do texto da matéria apresenta duas orações, no entanto não há um elemento coesivo ou conjunção fazendo a ligação delas, são separadas pela vírgula. Nesse caso, a conjunção que ligaria as orações do título, substituindo a vírgula, sem alterar o valor semântico dele, seria:
Leia o texto abaixo para responder às questões de 01 a 07.
TEXTO I
O cérebro pós-moderno: como as redes sociais nos transformam
A internet não mudou somente a forma como as pessoas produzem, criam, se comunicam e se divertem. De acordo com o neurocientista Gary Small, diretor do Centro de Pesquisa em Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia (UCLA), ela altera o funcionamento do cérebro.
“Sob certo aspecto, essa revolução digital nos mergulhou em um estado contínuo de atenção parcial. Estamos permanentemente ocupados, acompanhando tudo. Não nos focamos em nada. (…) As pessoas passam aexistir num ritmo de crise constante, em alerta permanente, sedentas de um novo contato ou um novo bit de informação”. Gary Small.
Essa sede por novidades, por consumir toda a informação disponível, é o que ocorre com as redes de relacionamento, segundo a pesquisa do Doutor Small. Ao nos acostumarmos a essa excitação, procuramos estar constantemente conectados. “As redes sociais são particularmente sedutoras. Elas nos permitem constantemente satisfazer nosso desejo humano por companhia e interação social”.
Um estudo que está sendo realizado na Universidade da Califórnia começou a desvendar o efeito que as redes sociais produzem no organismo. Os resultados mostraram que twittar, por exemplo, estimula a liberação de níveis de ocitocina e, consequentemente, diminui os níveis de hormônios como cortisol e ACTH, associados ao estresse. Ou seja, isso significa que o cérebro pode ter desenvolvido uma nova maneira de interpretar as conversas no Twitter. E, de acordo com Paul Zack, esta nova maneira é a seguinte: “o cérebro entende a conexão eletrônica como se fosse um contato presencial”, o que pode justificar a mudança que as redes sociais causaram na forma como nos relacionamos e fazemos amizades.
(Disponível em:http://filosofiaemvalores.blogspot.com.br/2013/03/o -cerebro-pos-moderno-como-as-redes.html Aceso em 28/04/2016)
Os resultados mostraram que twittar, por exemplo, estimula a liberação de níveis de ocitocina. O verbo em destaque no trecho acima demonstra os efeitos da era digital na Língua Portuguesa. Assinale a alternativa cujo vocábulo é um neologismo que surgiu pelo mesmo processo do verbo twittar:
Pois naci nunca vi Amor
E ouço del sempre falar;
Pero sei que me quer matar,
Mais rogarei a mia Senhor:
Que me mostr'aquel matador,
Ou que m'ampare del melhor.
----Disponível em: <https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/46948/>. Acesso em: 24 jul. 2016.
O texto, letra da canção Love Song, da banda Legião Urbana, é a primeira estrofe de uma cantiga de amor de autoria do trovador Nuno Fernandes Torneol. À época de sua feitura, no século XIII, o substantivo senhor era usado para referir-se tanto a homens quanto a mulheres, sendo precedido, para indicação de concordância nominal, por artigos ou pronomes. Assinale a alternativa que contém a denominação desse tipo de substantivo e seus exemplos no português que falamos e escrevemos hoje.
Leia o texto de Eugênio Mussak para responder às questões de números 01 a 07.
Em tempos difíceis como o que estamos vivendo, uma boa dose de otimismo pode nos ajudar a enfrentar as dificuldades do dia a dia. Os otimistas costumam ser mais positivos mesmo diante das adversidades, e, com isso, têm mais chance não só de encontrar meios para sobreviver à crise como de criar alternativas para sair dela.
Reconhecemos os otimistas de algumas maneiras. Uma delas é pelo tempo verbal de seu discurso. Enquanto os pessimistas falam no pretérito, os otimistas preferem falar no futuro. Os pessimistas insistem em ponderar sobre como deveria ter sido. Os otimistas ocupam-se em discorrer sobre como poderá vir a ser.
Outra maneira de diferenciar um pessimista de um otimista é pelo uso do “mas”, palavrinha de três letras muito usada quando dois pensamentos se complementam e parecem ser opostos. Cada vez que você diz “agora faz sol, mas mais tarde vai chover”, ou “minha cabeça dói, mas já vai passar”, está usando uma conjunção, que tem a finalidade de estabelecer ligações.
Voltando ao tema do otimismo e do pessimismo, sabemos que esses dois estados, que demonstram a visão que as pessoas têm da situação em que se encontram, bem como das perspectivas futuras, se refletem no uso dos recursos linguísticos. Ou melhor, na ordem em que se colocam os termos da oração em torno deles. Explico. Uma coisa é dizer: “Eu sei que está ruim, mas vai melhorar”. Outra é afirmar: “Eu sei que vai melhorar, mas que está ruim, está”. As duas frases envolvem exatamente os mesmos elementos em sua construção, a diferença entre elas está no foco.
Há “mas” para todos os gostos. Depende de nós usá-lo para criar um bom ambiente ou para jogar um balde de água fria no ânimo de qualquer um. Quando algo não está bem, como o atual momento econômico, surgem dois pensamentos: o de que tudo vai piorar e o de que, daqui pra frente, só é possível melhorar.
E, já que é assim, proponho o otimismo consciente. Aquele que não nega a realidade, mas que acredita na solução, no recomeço, na recuperação, na melhoria, no crescimento. Nosso país está como está porque fizeram com ele o que fizeram. Mas ele será o que será porque faremos o que faremos. E, neste caso, como diz o ditado, “não tem ‘mas’ nem meio ‘mas’”. Só depende de nós.
(Eugênio Mussak. Entre o otimismo e o pessimismo. Disponível em: http://vidasimples.uol.com.br/noticias/pensar/entre-o-otimismo-e-opessimismo.phtml#.Vp_EK5orKig, 16.11.2015. Adaptado)
As preposições servem para relacionar dois termos de uma mesma oração e estabelecer uma relação de sentido entre eles. Assinale a alternativa em que a expressão destacada é uma preposição com valor de finalidade.