Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia em português

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Q1005876 Português

TEXTO 3

                            O apanhador de desperdícios


Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.

BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74. 

A palavra destacada em “Tenho abundância de ser feliz por isso” é formada pelo mesmo processo que em
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Q1005872 Português

TEXTO 2

                                        Vista cansada


      [...]

      Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver.

      [...]. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

      Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

      Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

      Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Adaptação do texto de Otto Lara Resende. “Folha de S. Paulo”, edição de 23/02/1992. 

Em “Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro.”, a palavra destacada é um exemplo de superlativo absoluto sintético, assim como em
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Q1005331 Português

Considerando o emprego do vocábulo “perenes” (l. 10), analise as assertivas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) O vocábulo é uma paroxítona e pode ser classificado como polissílabo.

( ) A palavra destacada poderia ser substituída por “duradouros” e “perduráveis” sem prejuízo do significado original do texto.

( ) Poder-se-ia formar o também adjetivo “perenal”, por derivação sufixal, a partir da palavra destacada do texto.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

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Q1004557 Português

“Aborígine, aborígene


A palavra aborígine (ou aborígene) é com frequência empregada para designar autóctone de um país, nativo, indígena, principalmente em referência a populações originárias da Austrália. Sua origem está no latim aborigines (‘os autóctones ou primeiros habitantes do Lácio e da Itália, cujos reis lendários são Latino, Saturno e Fauno’).”

Palavras: Origens e Curiosidades, Roosevelt Nogueira de Hollanda, p. 42


As informações prestadas no texto acima se localizam no terreno linguístico da

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Q1004555 Português
As preposições são elementos importantes no texto. A frase em que a preposição de mostra valor exclusivamente funcional, sem valor semântico, é:
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Q1004554 Português

“O conceito de direitos humanos está sendo transformado num palavrão”. (Boris Casoy)

Nessa frase, o vocábulo “palavrão”, formado com o sufixo -ão, perdeu o valor de aumentativo, passando a significar “palavra chula”.


A opção abaixo em que esse caso NÃO está representado por nenhum dos termos é:

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Q1004549 Português
Em sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, os autores Celso Cunha e Lindley Cintra afirmam, sobre o emprego do artigo definido, que ele se antepõe ao substantivo para indicar “que se trata de um ser já conhecido do leitor, seja por ter sido mencionado antes, seja por ser objeto de um conhecimento de experiência”. A frase em que o emprego do artigo sublinhado se deve ao primeiro caso apontado é
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Q1004548 Português

Observe o segmento textual abaixo, que iniciava uma narrativa escolar: “Um carro entrou no estacionamento com os faróis apagados, os pneus furados e um cacho de bananas no teto”.


Uma das observações do emprego dos artigos definidos e indefinidos é que os primeiros indicam termos já enunciados no texto (conhecidos) e os segundos indicam termos presentes no texto pela primeira vez. Assim, é correto afirmar que

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Q1004543 Português

TEXTO 1


“Oscar tinha um sítio. Um dia Oscar resolveu levar na camioneta um pouco de esterco do sítio, que era no interior de Minas, para o jardim de sua casa na capital. Na barreira foi interpelado pelo guarda:

- O que é que o senhor está levando aí nesse saco?

- Esterco – respondeu Oscar, farejando aborrecimento: - Por quê? Não lhe cheira bem?

- O senhor tem a guia? – o guarda perguntou, imperturbável.

- Guia?

- É preciso de uma guia, o senhor não sabia disso?”

Fernando Sabino, A mulher do vizinho


Sobre o emprego de artigos nesse pequeno texto do início de uma crônica, a única afirmativa inadequada é:

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Q1004542 Português
Segundo a gramática, os adjetivos podem indicar estados, qualidades, características ou relações. A frase abaixo em que o adjetivo sublinhado indica uma relação é
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Q1004539 Português

O gramático Celso Cunha define substantivo do seguinte modo: “Substantivo é a palavra com que designamos os seres em geral, servindo de núcleo de funções” (p. 187).


Para essa definição, o gramático utilizou os critérios

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Q1004536 Português

Uma prova de Língua Portuguesa continha uma questão sobre processos de formação de palavras. Nessa questão, solicitava-se a indicação de um vocábulo formado por derivação regressiva – numa lista de cinco – e a resposta pretendida era a indicação do vocábulo cálculo.

Ocorre que os dicionários de língua portuguesa informam que esse vocábulo provém do latim calculus, “pedrinha”.


Nesse caso, a questão

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Q1004191 Português

Roma

            O filme Roma está constantemente entre dois caminhos. É pessoal e grandioso, popular e intelectual, tecnológico – rodado em 65 mm digital – e clássico – feito em preto e branco com a mesma ousadia dos movimentos cinematográficos das décadas de 1950 e 1960. O título, uma referência a Colonia Roma, bairro da Cidade do México, também remete a Roma, Cidade Aberta, filme-símbolo do neorrealismo italiano assinado por Roberto Rossellini.

            Ao revisitar a própria memória, o cineasta Alfonso Cuarón escolhe olhar para Cleo, a empregada, de origem indígena, de uma família branca de classe média. Resgata, assim, não apenas os seus anos de formação, mas todas as particularidades do passado do país. O México no início dos anos 1970 fervilhava entre revoluções sociais e a influência da cultura estrangeira. Cleo, porém, se mantinha ingênua, centrada nas suas obrigações: lavar o pátio, buscar as crianças na escola, lavar a roupa, colocar os pequenos para dormir.

            Até que tudo se transforma. A família perfeita desmorona, com o pai que sai de casa, a mãe que não se conforma com o fim do casamento e os filhos jogados de um lado para o outro na confusão dos adultos. Enquanto isso, Cleo se apaixona, engravida, é enganada e deixada à própria sorte. Duas mulheres de diferentes origens compartilham a dor do abandono. Juntas, reencontram a resiliência que segura o mundo frente às paixões autocentradas.

            O cineasta, que além da direção e do roteiro assina a fotografia e a montagem (ao lado de Adam Gough), retrata sua história, entrelaçada com a de seu país, como se na vida adulta reencontrasse o olhar da infância, cujo fascínio por cada descoberta aumenta o tamanho e a importância de tudo.

            O que Cuarón faz em Roma é raro. São camadas e camadas sobrepostas para reproduzir a complexidade do seu imaginário afetivo e das relações sociais de um país. Entre muitas inspirações, referências e técnicas, sua assinatura está na sinceridade com que olha para si mesmo e para os seus personagens, encontrando beleza e verdade no que muitos menosprezam. Esse é um filme simples e complicado, como a própria vida.

(Natália Bridi. Omelete. 11.01.2019. www.omelete.com.br. Adaptado)

Na frase “Esse é um filme simples e complicado, como a própria vida.” (5º parágrafo), o vocábulo destacado exprime circunstância de
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Q1001867 Português

“Com abordagens diretas ou indiretas, a cultura baiana continua em destaque na “Festa Literária Internacional de Paraty”, evento fluminense considerado como um dos principais festivais literários da América do Sul. A nova curadora da “Flip 2019”, a publisher e jornalista Fernanda Diamant acaba de anunciar o escritor fluminense Euclides da Cunha como o “Autor Homenageado” no evento que começa em 10 de julho, no balneário histórico de Paraty”.

Tribuna da Bahia, 7/11/2018.


Assinale a opção que indica a palavra que tem processo de formação distinta das demais.

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Q1001730 Português

“Um estudo realizado pela oncologista Luciana Landeiro, da equipe do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB)/Grupo Oncoclínicas, revela que mulheres com diagnóstico de câncer de mama, mesmo aquelas que já enfrentaram a doença, têm menos chances no mercado de trabalho. O estudo “Retorno ao trabalho após o diagnóstico do câncer de mama: Estudo prospectivo observacional no Brasil” é resultado da tese de doutorado da médica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e foi publicada na Revista Câncer, publicação cientifica norte-americana e uma das principais revistas internacionais na área de oncologia”.

Tribuna da Bahia, 23/11/2018.


O segmento aborda estudo ligado à oncologia, “estudo do câncer”.

Assinale a opção que indica o vocábulo formado por esse mesmo radical e mostra seu significado corretamente.

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Q1001401 Português

                     

A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.


A supressão do vocábulo “do”, em “Mais do que isso” (ℓ. 5 e 6), comprometeria a coesão e a correção gramatical do texto.

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Q1001344 Português

[...]

"Ah, porque estou tão sozinho?

Ah, porque tudo é tão triste?

Ah, a beleza que existe

A beleza que não é só minha

Que também passa sozinha." Vinícius de Moraes

[...]


No texto, a palavra‘Ah’ que aparece repetida é um/uma

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Q1001343 Português
Em qual alternativa todas as palavras estão no Processo de Justaposição?
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Q1001342 Português
Marque a alternativa em que aparece um advérbio de modo.
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Q1001340 Português

                                     Relato


      Em Santos, onde morávamos, minha mãe me lia histórias, meu pai gostava de declamar poesias. Foi em algum momento do ginásio – por volta do que hoje seria a sexta ou sétima série – que li de começo a fim um romance: Inocência, de Taunay, é minha mais remota lembrança de leitura de um romance brasileiro. Livro aberto nos joelhos, afundada de atravessado numa poltrona velha e gorda, num quartinho com máquina de costura, estante de quinquilharias e uma gata branca chamada Minie.

      Até então, leitura era coisa doméstica. Tinha a ver apenas comigo mesma, com os livros que havia na estante de quinquilharias de meu pai e com os volumes que avós, tias e madrinhas me davam de presente. No cardápio destas leituras, Monteiro Lobato, as aventuras de Tarzan, os volumes da Biblioteca das Moças. O sítio do Pica Pau Amarelo, as florestas africanas, castelos e cidades europeias constituíam a geografia romanesca que preenchia meus momentos livres.

      Mas um dia a escola entrou na história. Dona Célia, nossa professora de português, mandou a gente ler um livro chamado Inocência. Disse que era um romance. Na classe, tinha uma menina chamada Maria Inocência. Loira desbotada, rica e chata. Muito chata. Alguma coisa em minha cabeça dizia que um livro com nome de colega chata não podia ser coisa boa.

      Foi por isso que com a maior má vontade do mundo comecei a leitura do romance de Visconde de Taunay, de quem eu nunca tinha ouvido falar: visconde, para mim, era o de Sabugosa. Fui lendo a frio, sem entusiasmo nenhum.

      O presságio da chatice confirmava-se, até que apareceu o episódio das borboletas. Aí me interessei pelo livro: um alemão corria caçando borboletas e depois dava a uma delas o nome da heroína do livro... Gostei. Não muito, mas gostei. E passei a olhar o nome das borboletas com olhos diferentes: alguma delas seria a papiloinnocentia da história? [...]

(Marisa Lajolo. Como e por que ler o romance brasileiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. p. 15-7.)

No trecho: “Tinha a ver apenas comigo mesma, com os livros que havia na estante de quinquilharias de meu pai...” O termo ‘com’ é um/uma
Alternativas
Respostas
15041: C
15042: D
15043: A
15044: D
15045: D
15046: D
15047: E
15048: E
15049: D
15050: B
15051: E
15052: A
15053: A
15054: E
15055: E
15056: E
15057: C
15058: A
15059: B
15060: C