Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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• “O mundo pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial…” (1º parágrafo)
• “… Moscou testando os nervos da Otan por meios híbridos, de sabotagens a violações de espaço aéreo.” (2º parágrafo)
• “… enquanto o Sudão, sob disputa de potências regionais, permanece como moedor de gente e usina de refugiados.” (2º parágrafo)
A locução prepositiva “à beira de”, o par de preposições “de … a” e a preposição “sob”, destacados, expressam, correta e respectivamente, sentidos de:
• As pessoas provavelmente não _________ ano de 2026 como o ano em que o mundo entrou em guerra. (1º parágrafo)
• Embora os países estejam mais _________ de uma guerra do que nunca, parece que as pessoas estão mais _______ a um estado de tensão permanente. (1º parágrafo)
• Chama a atenção a relativa indiferença das pessoas ________ guerras que acontecem. (3º parágrafo)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Identifique a alternativa que apresenta a classificação morfológica dos vocábulos presentes no trecho incorretamente.
Identifique a alternativa que apresenta a classificação morfológica dos vocábulos presentes no trecho incorretamente.
Burnout nas relações de trabalho: O que as empresas precisam fazer para evitar um passivo bilionário
O aumento de 14,5% no número de ações judiciais por burnout nos primeiros quatro meses de 2025, conforme levantamento divulgado pela imprensa nacional, é mais do que uma estatística preocupante, é um sinal claro de que as empresas precisam tratar a saúde mental como um vetor de risco jurídico. Segundo o levantamento, feito exclusivo para a Folha de S. Paulo, foram 5.248 novos processos ajuizados no período, com pedidos que somam R$ 3,75 bilhões em indenizações, com valor médio superior a R$ 368 mil por ação.
Reconhecida pela OMS – Organização Mundial da Saúde, desde 2022, como uma síndrome ocupacional relacionada ao esgotamento crônico no trabalho, a síndrome de burnout passou a ser enquadrada, no Brasil, como doença do trabalho nos termos do art. 20, §1º, alínea “d”, da Lei nº 8.213/1991. Isso significa que, ao se configurar o nexo entre a atividade profissional e o adoecimento, o trabalhador pode ser afastado com direito ao benefício previdenciário acidentário (auxílio-doença por acidente de trabalho), além de eventuais repercussões cíveis e trabalhistas.
É nesse contexto que se impõe às empresas a necessidade de uma atuação mais ativa e preventiva. A responsabilização do empregador, nesses casos, se funda na teoria da responsabilidade subjetiva, exigindo-se a comprovação de culpa ou dolo. No entanto, uma jurisprudência cada vez mais sensível ao tema tem flexibilizado a análise do nexo causal, especialmente em ambientes organizacionais marcados por metas agressivas, jornadas excessivas, ausência de pausas e práticas de gestão disfuncionais.
Embora a NR-1, que trata do GRO – Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, tenha seu item específico sobre riscos psicossociais adiado para vigência plena em 2026, seu conteúdo já serve como marco técnico de orientação. A nova redação da NR-1, aprovada pela Portaria nº 6.730/2020 do Ministério do Trabalho, estabelece a obrigatoriedade de identificação, avaliação e controle dos riscos ocupacionais – incluindo os de natureza psicossocial – no PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos.
Assim, ainda que o não cumprimento específico das medidas voltadas à saúde mental não seja, neste momento, objeto de penalidades administrativas, o descumprimento do dever geral de cautela e diligência na gestão dos riscos do trabalho já pode ser utilizado como elemento de prova em ações judiciais. Nesse sentido, negligenciar a elaboração de um PGR adequado pode representar omissão culposa.
A defesa eficaz das empresas não passa apenas pela contestação individual das ações judiciais, mas pela adoção de medidas estruturantes de compliance trabalhista e gestão preventiva dos riscos ocupacionais. Isso inclui o mapeamento real dos fatores psicossociais no ambiente de trabalho; o treinamento de lideranças e RH para identificação precoce de sinais de adoecimento; programas internos de promoção à saúde mental, com registros e protocolos bem documentados; a adequação do PGR aos riscos psicossociais, mesmo antes da obrigatoriedade legal; e a revisão periódica de práticas de gestão para evitar exposição indevida a situações potencialmente lesivas.
Empresas que atuam proativamente têm, além de uma posição jurídica mais sólida, argumentos concretos para afastar o nexo causal, comprovando que adotaram todas as medidas razoáveis para prevenir o dano. Esse tipo de postura será cada vez mais valorizado tanto pela jurisprudência quanto pelas auditorias fiscais e pelo próprio mercado, especialmente diante da criação do selo de saúde mental corporativa, anunciado pelo Ministério do Trabalho em 2024.
A judicialização da saúde mental não é uma abstração, é um fenômeno concreto que já mobiliza bilhões de reais em passivo trabalhista. O burnout, por sua natureza complexa e multifatorial, exige das empresas uma postura técnica, preventiva e juridicamente embasada. Ignorar esse cenário é permitir que um risco previsível se transforme em prejuízo certo.
(Ernane de Oliveira Nardelli. Disponível em: https://www.migalhas.com.br. Acesso em: dezembro de 2025.)

Leia o texto para responder à questão.
Um país de escolas inseguras não tem futuro
Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na
certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo
na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a
garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em
consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação
intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma
nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que
significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a
escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e
crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia
silenciosa e inconcebível.
Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada
pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º
ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro
na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que
a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.
Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas
pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto
sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência
(doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação,
gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde;
segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos
oferecendo aos nossos adolescentes.
O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos
anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola
e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a
anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação
de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada,
qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de
desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar
melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa
fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar
currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos,
mediante aprimoramento da formação de professores.
A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência,
inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento
do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a
vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco
jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento
tão difícil de transição da infância para a adolescência.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.09.2025. Adaptado)
SOLO DE CLARINETA
Lembro-me de que certa noite – eu teria uns quatorze anos, quando muito – encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam carneado. (…) Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida?
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.
Érico Veríssimo. Solo de Clarineta. Tomo I. Porto Alegre: Globo, 1978.
“[...] continuei firme onde estava, talvez pensando assim”
O termo destacado se trata de um(a):
I. As palavras “redesenha” e “incertezas” formam-se pelo mesmo tipo de derivação, com prefixos diferentes.
II. Os termos “vaivém” e “ex-executivo” são formados pelo mesmo tipo de processo, ou seja, compostos por justaposição.
III. A expressão “geração Z” é um neologismo, uma nova expressão da língua com papel de completar espaços a respeito de um novo conceito.
IV. A expressão “salário emocional”, formada por substantivo e adjetivo, indica um conceito que inclui, por exemplo, reconhecimento, incentivo, folgas e horários flexíveis.
Assinale a alternativa correta.
I. Nas duas ocorrências do termo “para”, os sentidos são diferentes: na primeira indica finalidade e na segunda é um elemento coesivo.
II. Duas funções são desempenhadas pelo termo “que”, nas três ocorrências: duas vezes como pronome relativo e uma vez como conjunção.
III. Os pronomes “nossa” e “nos” são utilizados pelo produtor do texto com a intenção de incluir o público-leitor da revista.
IV. Os dois pontos empregados ocupam o espaço de um termo com sentido conclusivo, podendo ser substituídos pela palavra “portanto”.
Assinale a alternativa correta.
Texto I - A sociedade do cansaço é cada vez mais realidade. Como se blindar?
A vida moderna naturalizou a cobrança excessiva por produtividade e positividade; com tanta pressão por perfeição, saúde física e mental pedem a conta
Wanessa Ferrari - 3 Junho, 2021
“Já amanheci cansada.” O meme, que circula pela internet faz sucesso nas redes sociais ao resumir uma sensação que domina boa parte da sociedade adulta: o de que nem boas noites de sono são suficientes para restaurar o vigor e a disposição, por isso, não raramente amanhecemos cansados.
O que pouca gente sabe é que essa sensação permanente de exaustão tem explicação na filosofia: de acordo com o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, vivemos na , que naturalizou a cobrança excessiva por produtividade, pela alta sociedade do cansaço performance e pelos resultados, tudo isso sob o pano da positividade. Com tanta pressão, saúde física e mental pedem a conta.
Ter um olhar crítico sobre esforços e objetivos, reconhecer-se imperfeito e buscar por tempo de qualidade longe de telas e de trabalho são algumas das alternativas para se blindar dessa patologia da sociedade moderna.
Entenda a sociedade do cansaço
Pare e reflita: quantas vezes você já se cobrou e se frustrou por não ter a produtividade que esperava em um determinado dia ou período de tempo? E quantas vezes você já se deparou com o perfil de um colega de faculdade no , observou a empresa onde LinkedIn ele trabalha ou a atual situação profissional dele, comparou com sua situação e se sentiu deprimido ou fracassado? Questionamentos e sentimentos como estes, que têm como pano de fundo a busca excessiva por produtividade, alta performance, desempenho e resultado são decorrentes da , um termo cunhado por Byung-Chul Han, que se dedicou a entender como o modelo de sociedade do cansaço produção da última fase do capitalismo tem interferido na vida das pessoas. Os resultados foram reunidos no livro Sociedade do Cansaço.
“Esse filósofo defende que a sociedade atual valoriza o desempenho, a alta performance, o resultado, a máxima produtividade. O problema é quando essas coisas não acontecem. As pessoas tendem a se sentir frustradas, deprimidas e fracassadas”, explica a psicóloga e psicoterapeuta Ana Gabriela Andriani, doutora em educação pela Universidade de Campinas (Unicamp).
O cansaço extremo, por sua vez, na visão do filósofo, favorece o surgimento de patologias que afetam a saúde física e mental, como a hiperatividade, o déficit de atenção, o transtorno de personalidade borderline, a ansiedade, a melancolia, a depressão e a síndrome de burnout.
Outra característica marcante da sociedade do cansaço levantada pelo filósofo sul-coreano é a individualização e o isolamento. “As pessoas vivem cercadas por outras, mas estão isoladas dentro de si”, explica a psicoterapeuta.
A cobrança em excesso, somada ao surgimento de patologias e à individualização resulta ainda em um outro problema: o uso excessivo de medicamentos. “Para poder desempenhar bem seus papéis, as pessoas vêm se utilizando de artifícios químicos e medicamentos para que oscilações emocionais não aconteçam. Elas não podem ficar tristes nem desmotivadas; precisam garantir a estabilidade de humor e a alta produtividade sempre”, explica Ana Gabriela Andriani.
Para o psicanalista clínico Diego Felipe Silva Cavalcante, da clínica Kaizen, excesso de estímulos e de informações, a globalização e o avanço tecnológico, a obsessão em querer atender às expectativas geradas pela sociedade e o esforço do indivíduo em ser produtivo, autêntico e inovador são alguns dos fatores que mais contribuem com a sociedade do cansaço.
Fonte: Ferrari, Wanessa. A sociedade do cansaço é cada vez mais realidade. Como se blindar? https://consumidormoderno.com.br/sociedade-cansaco-blindar/[adaptado]. Acesso em: 23 out. 2025.
