Questões de Concurso
Sobre morfologia - verbos em português
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Muita gente se queixa da rotina do trabalho. Vale lembrar que rotina não é sinônimo de monotonia. O que faz com que haja um enfado em relação ao cotidiano profissional é a monotonia, não a rotina.
Mario Sergio Cortella. “Por que fazemos o que fazemos?”. São Paulo, 2016, p.39.


I. Na linha 03, o verbo ‘provir’ pode ser flexionado na terceira pessoal do singular ou na terceira do plural, mantendo a correção gramatical.
II. ‘afligem' completaria corretamente a lacuna da linha 24, considerando a sintaxe do período que em ocorre.
III. Na linha 43, ‘gera’ completaria corretamente a lacuna, visto que o sujeito, naquele contexto, é dito implícito.
Quais estão corretas?
I. A frase Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas atesta que o texto está narrado em primeira pessoa.
II. Os elementos apresentados no texto indicam que a personagem é casada, possui filhos e que, ao longo de sua existência, teve uma vida sem grandes embaraços ou necessidades existenciais.
III. Há, no texto, muitos verbos conjugados no pretérito mais-que-perfeito, cuja utilização é muito limitada e, portanto, são verbos pouco utilizados na linguagem coloquial.
Pode-se afirmar que:
O FIM DE PALMARES
João Felício dos Santos
...Domingos Jorge Velho atravessou o pátio, pisando por sobre os mortos, vencedor mas exausto.
Rasgado nas malhas fortes da véstia e no couro da carne, a barba grossa de suor e sangue, um pé descalço, negro pela fuligem do solo, o terrível paulista era a encarnação viva da vingança, da violência, da destruição.
Junto do poste-rei, Dandara acompanhava com os olhos fixos o Bandeirante que se aproximava do precipício. O resto da tropa vinha em segundo plano: era como uma silhueta vaga no olhar da mulata.
Foi então que a última e mais querida ialê de Zumbi-Rei adivinhou naquele gigante feroz surgido dos derrotados da aldeia finada o Chefe-Maior dos inimigos do seu povo: o Gana-Branco.
Esfarrapada, também, pela refrega de dois dias, coberta de pó, queimada pelas fagulhas que se despendiam em haustos ardentes da aldeia carbonizada, pés chumbados no chão, pernas muito abertas, como troncos, as coxas grossas lanhadas de rijo nas roscas da pele mulata, os braços em chagas virilmente cruzados sob os peitos feridos, os talhos abertos em bocas imponentes de ódio e despeito, Dandara bambula, de costa voltadas para a trágica descida rochosa, de tal modo tesou o olhar posto no Bandeirante que Jorge Velho estacou, surpreso, a uma distância de doze passos.
Antes tanta audácia, a prepotência petulante do guerreiro se amesquinhou por momentos. Mediramse os dois dos pés a cabeça. Jorge Velho sentiu a vontade de terminar. Falou:
- Onde estão todos ... todos os que ...
Mas a voz , arranhando o imponente silêncio do fim, só fez levantar um bando de urubus já pousado nas pontas restantes e sangrentas dos estrepes, no solo morto, nos galhos torados de bala ...
- Onde estão? Eram cinco ou seis ... Eu os vi! Que rumo levaram?
Dominando de novo o ambiente como senhor supremo de uma vitória evidente, Velho exigiu:
- Vamos! Responda!
Ouvindo a pergunta, a ordem depois, Dandara voltou-se sem pressa e cuspiu sua repulsa imensa no fundo do precipício:
- Estão lá! - e tornou a encarar o paulista.
- Onde está Zumbi? Mais demoradamente ainda, Dandara repetiu o gesto, escarrando com mais força, lá embaixo, no grotão sinistro.
Com um aceno seco, Jorge Velho chamou seus ajudantes e se encaminhou para Dandara.
Ainda sem nenhuma pressa, a mulata voltou-se pela terceira vez para o precipício. Então, cuspiu sobre aqueles homens rotos e imundos a última centelha de um ódio repleto de asco, resvalou as pernas na curva do terreno e se deixou cair pelo despenhadeiro.
Debruçando-se, Jorge Velho ainda teve tempo de ver o corpo volteando no ar, as roscas da pele mulata lanhadas de cinza batendo nas crinas cruas da pedra, num dilaceramento de carnes, largando pedaços no ar, pintando mil raivas de rubro nos sangues ...
Sobre o poste-rei, a caveira de boi de longos chifres parecia, alvinha do tempo, que se ria da vitória de Domingos Jorge Velho.
(Ganga-Zumba. Edição de Ouro, Rio de Janeiro, 1967)
Sobre as vozes verbais, analise as sentenças a seguir e marque V para a(s) sentença(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s):
(__) A sentença “O gato quebrou o vaso” está na voz ativa.
(__) A sentença “A cozinheira feriu-se com a faca” está na voz reflexiva.
(__) A sentença “O quadro foi apagado pelo professor” está na voz passiva sintética.
(__) A sentença “Descobre-se sempre a verdade” está na voz passiva analítica.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
Leia o texto.
O mistério da poesia.
Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: Trabajar era Bueno en el Sur. Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos.
E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.
O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram, lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.
Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.
De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não apenas do sentido. Se ele dissesse: Era Bueno trabajar en el Sur, não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinitivo do verbo cortar e do verbo hacer usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo: ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito com elementos mais simples: trabajar, era bueno, Sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos.
Isso lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua: “A grande dor das coisas que passaram”.
Talvez o que mais me impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a ideia de canoa é também motivo de emoção.
Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa “necessidade aborrecida” de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.
Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem profundas…
(Rubem Braga)
Sobre regência verbal avalie as afirmativas.
1. Em ambas as vezes em que aparece (parágrafos 3 e 6), o sentido do verbo lembrar é de trazer à memória e, por isso, está em sua forma pronominal.
2. A frase: “Ela esqueceu-se disso” tem regência verbal correta e o verbo “esquecer” segue as mesmas normas do verbo “lembrar”.
3. A frase: “Custei entender o sentido do texto” está incorreta quanto à regência do verbo “custar”, no sentido de ser difícil.
4. O verbo “implicar” no sentido de “causar” é transitivo direto. Assim, estão corretas as seguintes construções: “A leitura daquele poema implicou críticas positivas.” e “Falta ao serviço implica desconto na folha.”
5. O verbo “informar” pode ser completado por objeto direto e objeto indireto ao mesmo tempo. Assim, está correta a seguinte frase: “O engenheiro informou o mestre de obras que o serviço deveria ser concluído”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Sobre o trecho a seguir, assinale a alternativa correta:
“A faxineira fez a limpeza.”
I- Na sentença “Quando ele vier, cantaremos os parabéns” o verbo da sentença em destaque está no modo subjuntivo.
II- Na sentença “Não assine aquele documento!” o verbo da sentença em destaque está no modo indicativo.
III- Na sentença “Meus tios viajarão para a Europa” o verbo da sentença em destaque está no modo indicativo.
IV- Na sentença “Por gentileza, abram o livro na página seis” o verbo da sentença em destaque está no modo imperativo.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a resposta CORRETA:
I- Voz ativa.
II- Voz passiva analítica.
III- Voz passiva sintética.
IV- Voz reflexiva.
(__) A menina olhou-se no espelho.
(__) Percebe-se sempre quem errou.
(__) A porta foi aberta pelo vento.
(__) Eu comprei um novo casaco.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
Já ( ) anos que ( ) neste local árvores e flores. Hoje, só ( ) matos secos.
I. (_) vários acidentes na rodovia no último feriado prolongado.
II. (_) 11 horas no relógio da Catedral.
III. Comecei meu tratamento odontológico (_) três semanas.
IV. Tudo (_) ilusões da juventude.
V. (_) muita criança alérgica a glúten na escola.
A alternativa que completa, corretamente, com as formas verbais, as frases acima é:
Leia a tirinha a seguir e responda a questão.

(Armandinho)
CONTO DE FANTASMAS
Quando a Velhinha entrou na Livraria e perguntou se havia Livros que ensinassem a conversar com Fantasmas, todos nos surpreendemos. Era uma velha daquelas que se veem sorridentes em propagandas de plano de Saúde e certamente pareceria mais verossímil procurando livros de Tricô ou culinária. Mas fantasmas, não.
A mulher explicou à Vendedora, que, surpresa, a levou aos livros esotéricos, sob o olhar sorridente da Clientela próxima.
“Até sábado passado eu não acreditava em fantasma.” – disse – “Mas nesse dia, de repente, eles começaram a aparecer. Moro só. Só eu e meus Gatos.” – comentou, enquanto folheava livros a esmo. Todos nos aproximávamos disfarçadamente. Pessoas cúmplices entre desconhecidos, todos interessados neste Assunto novo e inaudito.
“Sábado, quando acordei, estavam sentados no Sofá da Sala. Não eram fantasmas de Lençol, nem daqueles que aparecem em Filmes de Terror. Eram fantasmas comuns, daquela palidez triste que não se encontra entre os Vivos.” – e já todos ríamos meio abertamente, pensando no quanto a solidão mexe com as Pessoas, ao tempo em que a velha escolhia dois livros sem maior critério.
“Conversamos Horas, desde então. Há Anos ninguém conversava tanto comigo e com os gatos.” – e nós, rindo de tudo, sabendo que devíamos nos condoer, enquanto a vendedora pegava os livros e levava-os ao Caixa.
“Ontem, me falaram que eu era especial, depois foram embora.” – “e eu não soube o que queriam dizer com isso. Por esta razão, quero os livros: para entender melhor nossa próxima conversa.”
O Senhor ao meu lado riu alto, como se lhe contassem uma Piada. Estávamos todos divertidos com a História da velha; a Culpa era para depois. “Quero entender por que sou especial”, – questionou, quando todos nós já ríamos indisfarçados.
Mas quando a velha pagou os livros e desapareceu no Ar, no meio da livraria, todos paramos de rir.
Disponível em: www.henriqueschneider