Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - verbos em português

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Q3917340 Português
Cadê a indignação com a emergência habitacional?


        Certos problemas urbanos deixam brasileiros indignados. Edifícios altos que mudam a paisagem do bairro. Fios elétricos aéreos e outdoors que geram poluição visual. A proliferação de Oxxos e farmácias. São posts que viralizam e temas focais de discussões urbanas em jornais e planos diretores. A indignação, no entanto, parece ignorar um problema mais grave.

       No Brasil, 16 milhões de pessoas, equivalente à população da Holanda, moram em favelas. Isso significa, via de regra, precariedade habitacional e ausência de titularidade de terra e, portanto, de infraestrutura básica e serviços públicos. Cerca de 500 mil desses domicílios não possuem sequer acesso à rede de distribuição de água. Perante o vácuo institucional, esses territórios também se tornam reféns do crime organizado. Há uma relação íntima entre (a falta de) urbanismo e segurança pública.
 
         Essas favelas estão na periferia de Teresina, onde centenas de casas de taipa (construídas com técnica rudimentar de madeira e barro) não surgiram no século passado, mas em 2020, durante a pandemia. Estão também no Morumbi, em São Paulo, onde apenas em Paraisópolis moram mais de 50 mil pessoas. Ou no centro do Rio de Janeiro, onde a favela do Morro da Providência, considerada a primeira do país, é solenemente ignorada há nada menos que 130 anos. A pobreza, aparentemente, não atrapalha a paisagem urbana, tampouco gera indignação cuja raiz nasce da necessidade.

     Nossa política habitacional tem focado, desde a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação) em 1964, o financiamento de novos conjuntos habitacionais. "Moradia Digna", dizia o painel mostrando o recém-inaugurado empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) na periferia de Imperatriz, no interior do Maranhão. A imagem que acompanhava era de casas idênticas e repetidas, com acesso precário a empregos, serviços ou redes de transporte.

      O estudo "Morar Longe", do Instituto Escolhas em parceria com o Cepesp/FGV, avalia o resultado do PMCMV mostrando que a solução tem incentivado a ocupação de áreas mais distantes do centro das cidades. Com o financiamento, esses moradores também ficam "presos" ao seu endereço por uma década, dificultando uma troca de emprego que poderia levar à mobilidade social. Mesmo com milhões de unidades entregues, entre o Censo de 2010 e 2022 o Brasil apresentou um crescimento de 43,5% na sua população morando em favelas, evidenciando não apenas a insuficiência do PMCMV como a necessidade de atuar sobre territórios já consolidados.

       Ao tomar a decisão de não fazer nada, perpetuamos as desigualdades e deixamos as portas abertas para os territórios do crime. É urgente uma reflexão profunda sobre o alvo da nossa indignação urbana.


Texto de Anthony Ling (adaptado). Disponível em https://
www1.folha.uol.com.br/colunas/caos-planejado/2025/12/
acesso em 02 de dezembro de 2025.

Transpondo a oração “Nossa política habitacional tem focado, desde a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação) em 1964, o financiamento de novos conjuntos habitacionais.” para a voz passiva analítica, obtém-se a seguinte oração reescrita, adequadamente:
Alternativas
Q3916862 Português
Texto para responder à questão.

     Chagas aponta que o papel do meme como ferramenta democratizadora já é um grande avanço em relação ao debate público restritivo que tínhamos até então, assim, esse fenômeno repensa como o debate político ganhou uma amplitude inédita. “Esse fato, no entanto, não é isento de problemas. O meme pode ser a porta de entrada para esses debates da esfera pública, mas não devemos ficar apenas nele. Um exemplo seria a maior participação popular nos debates de atores sociais que resumem os seus argumentos em memes, mesmo sem possuírem um conhecimento aprofundado sobre o tema. Esse é um problema que a cultura dos memes pode trazer. Outro ponto de preocupação é o uso da liberdade de publicação para alimentar discursos de ódio e promover desinformação”, adiciona.

NUNES, Fernandes. A cultura dos memes no Brasil. Universidade Federal Fluminense, 27/08/2024.
Observe o trecho: “O meme pode ser a porta de entrada para esses debates da esfera pública, mas não devemos ficar apenas nele”. Considerando a forma verbal “devemos” e a combinação da preposição com o pronome “nele”, julgue as opções e marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3916858 Português
Observe o trecho do texto Poema só para Jaime Ovalle de Manuel Bandeira: “Quando hoje acordei, ainda fazia escuro / (Embora a manhã já estivesse avançada). / Chovia. / Chovia uma triste chuva de resignação / Como contraste e consolo...”. Considerando a ocorrência do verbo “chover”, julgue os itens abaixo e assinale a alternativa que contempla a concordância verbal adequada do verbo às normas gramaticais.
Alternativas
Q3916855 Português
Texto para responder à questão.

    No trecho a seguir, extraído de um romance, a personagem Semíramis faz uma observação sobre substantivos e adjetivos enquanto analisa uma obra do escritor cearense José de Alencar (1829–1877). Na obra, a personagem conviveu com o romancista cearense quando ele ainda era criança e o chamava carinhosamente de Cazuzinha.

     “Que livro belo, amoroso, equilibrado, casto, vasto, eterno... Fiz uma lista de adjetivos que Cazuzinha usava no romance: bravio, líquido, alvo, ensombrado, e numa só frase: verde, impetuoso, aventureiro, manso. Afoito rápido fresco frágil jovem branco selvagem intermitente vibrante, fugitivo, tênue, inocente, agro, lindo, fosco, brioso, altivo revolto branco airoso... isso só no primeiro capítulo. Cansei-me, a lista era longa. Padre Simeão dizia que os adjetivos são divinos, sagrados. São os adjetivos que dão a medida das cousas, o substantivo é real, parco, limitado. O substantivo é a substância, matéria, o adjetivo é espírito, é a transcendência do pensamento. A humana capacidade de julgar, compreender, se expressa nos adjetivos. Por exemplo, substantivo: padre. E adjetivo: padre matreiro. Astuto. Matraqueado.”

MIRANDA, Ana. Semíramis. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. (Fragmento)
Em relação aos aspectos linguísticos do trecho anterior, julgue os seguintes itens e assinale a opção correta.
Alternativas
Q3916172 Português
Como uma teoria da motivação humana mostra que
jogos de tabuleiro podem ser os presentes perfeitos
para qualquer pessoa



Nos finais de ano, é quase inevitável conversarmos sobre a arte e a ciência de presentear. Até dá para evitar, mas eu não quero. Acho fundamental falar sobre isso, dado o quanto de dinheiro desperdiçamos dando coisas que não gostaríamos de ter comprado para pessoas que nem queriam ganhar aquilo. Levantamentos feitos pelo mercado nos EUA e no Reino Unido dão conta de que o equivalente a mais de meio bilhão de reais é gasto em presentes que ninguém quer: lembranças protocolares, acessórios inúteis, objetos de decoração que não agradam.
Mas às vezes somos obrigados a presentar mesmo sem querer: um amigo, um familiar. Seria possível contar com auxílio da ciência para acertar no presente?
Haverá algo que todo mundo goste?
De acordo com a Teoria da Autodeterminação, proposta nos anos 1970, existem três necessidades básicas psicológicas básicas de todo ser humano: autonomia – sensação de ter controle e ser livre em suas escolhas; competência – sentimento de ser eficaz, interagir com o ambiente e modificá-lo, desenvolvendo habilidades; e relacionamento – a criação de vínculos, interação entre pessoas, promovendo conexão e pertencimento. Essas necessidades são a base da motivação intrínseca – aquela força que nos leva a fazer as coisas porque queremos genuinamente, que nos trazem prazer em si mesmas, não dependendo de recompensas externas.
A ludicidade, incluindo brincar e jogar, talvez seja a expressão mais completa da motivação intrínseca. É um impulso prazeroso por si só, provavelmente fixado em nossos instintos por nos levar a praticar habilidades e adquirir competências. E é por isso que sugiro que presenteemos com jogos. Apesar de divertidos, eles são mais sérios do que imaginamos quando se considera o quanto preenchem nossas necessidades de autonomia – já que nos jogos somos obrigados a fazer nossas próprias escolhas -, competência – uma vez que estamos praticando ali diversas habilidades -, e obviamente relacionamentos – peça chave dos jogos de tabuleiro.
Seja qual for o perfil da pessoa que você precisa presentear, com a quantidade de títulos que temos disponíveis hoje em dia é impossível não encontrar uma opção que a agrade, pois há alguns lançamentos recentes que mostram essa profusão de possibilidades.

É possível jogar individualmente, de dois a quatro jogadores, e também formar duplas, o que acrescenta mais uma camada de desafio às partidas, já que é preciso entrar perfeita em sintonia com o parceiro.


Texto de Daniel de Barros (adaptado). Disponível em https://revistagalileu.globo.com/colunistas/tubo-de-ensaios/ coluna/2025/11/, acesso em 13 de dezembro de 2025
No trecho: “Seja qual for o perfil da pessoa que você precisa presentear, com a quantidade de títulos que temos disponíveis hoje em dia é impossível não encontrar uma opção que a agrade, as formas verbais destacadas estão flexionadas, respectivamente, no tempo e modo:
Alternativas
Q3910441 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

O que vale nessa vida não cabe em algoritmo

 

O que vale nessa vida, nós ainda não sabemos. E talvez seja justamente essa ignorância que nos mantém vivos. Passamos séculos tentando explicar o inexplicável — com deuses, com teorias, com manuais de autoajuda — e seguimos errando, mas com elegância. Montaigne, em seus Ensaios, já desconfiava disso quando escreveu: “Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia.” Nós, humanos, seguimos com as duas meio tortas.

O que vale nessa vida tem o nosso jeito —um jeito malfeitor, hesitante, às vezes belo por engano. O jeito de quem pensa que entende o amor, mas ainda tropeça no próprio medo. Pascal, em Pensamentos, dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E é aí que moramos: nesse espaço entre o cálculo e o caos.

Somos criaturas curiosas. Capazes de criar sinfonias e guerras, poesia e fake news, ternura e destruição. Dostoievski nos avisou, em Os Irmãos Karamázov, que “todos somos culpados de tudo e por todos”. Talvez por isso sejamos tão inquietos: carregamos a culpa de um mundo inteiro dentro do peito.

O que vale nessa vida, se ainda vale alguma coisa, talvez seja o gesto. O gesto pequeno, humano, falho —aquele que ajeita uma confusão que nem é nossa.

Guimarães Rosa dizia em Grande Sertão: Veredas: “Viver é muito perigoso.” E mesmo assim vivemos — teimosamente. Acordamos, trabalhamos, amamos e fracassamos com uma dignidade que beira o heroísmo. Entre a fome e o riso, seguimos apostando em dias melhores, mesmo sabendo que o jogo é viciado.

O que vale nessa vida talvez seja esse dom humano de suportar o insuportável. Albert Camus, em O Mito de Sísifo, chamou isso de revolta: “O único problema filosófico realmente sério é o suicídio.”

E nós, por pura teimosia, escolhemos não morrer. Escolhemos continuar. Escolhemos rir no meio da tragédia e amar mesmo sabendo que tudo desaba.

Há, em nós, um modo estranho de ajeitar o caos. T.S. Eliot, em Quatro Quartetos, escreveu: “O tempo presente e o tempo passado estão ambos talvez presentes no tempo futuro.” É o jeito dele dizer que estamos condenados a repetir o que sentimos. Que a vida é cíclica, e o que cura hoje pode ferir amanhã. Ainda assim, insistimos em chamar isso de amor.

Byung-Chul Han, em A Agonia do Eros, explica que vivemos numa era onde o outro se tornou ameaça. E é por isso que amar, hoje, é quase um ato revolucionário. Amar de verdade — sem performance, sem filtros, sem publicidade — é dizer ao mundo: “eu ainda sou humano”. Eduardo Galeano, em O Livro dos Abraços, escreveu que “somos o que fazemos para mudar o que somos”. Talvez seja por isso que seguimos — não porque sabemos o caminho, mas porque o andar é o único verbo que nos resta.

Graciliano Ramos, o mais sóbrio dos realistas, deixou em Vidas Secas a constatação de que até o silêncio tem sede. E nós, os humanos, seguimos sedentos — de verdade, de ternura, de sentido.

Jean-Jacques Rousseau dizia em O Contrato Social que “o homem nasceu livre, e por toda parte se encontra acorrentado”. Talvez sejamos isso mesmo — seres que amam as próprias correntes. Gostamos de reclamar da prisão, mas temos medo da porta aberta.

No fim, o que vale nessa vida é o nosso jeito de continuar, mesmo quebrados, mesmo cansados, mesmo sem entender nada. O mundo se repete, o caos nos visita, mas nós, os humanos, seguimos ajeitando o impossível.

Enquanto os algoritmos tentam prever quem somos, seguimos sendo imprevisíveis. Talvez seja justamente essa falha, essa incoerência, esse jeito de tropeçar e levantar, que torna o ser humano a mais bela imperfeição da Terra.

 

Autor: Felipe Daroit (adaptado).

Na oração “Guimarães Rosa dizia em Grande Sertão: Veredas”, a forma verbal destacada encontra-se no:
Alternativas
Q3910440 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

O que vale nessa vida não cabe em algoritmo

 

O que vale nessa vida, nós ainda não sabemos. E talvez seja justamente essa ignorância que nos mantém vivos. Passamos séculos tentando explicar o inexplicável — com deuses, com teorias, com manuais de autoajuda — e seguimos errando, mas com elegância. Montaigne, em seus Ensaios, já desconfiava disso quando escreveu: “Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia.” Nós, humanos, seguimos com as duas meio tortas.

O que vale nessa vida tem o nosso jeito —um jeito malfeitor, hesitante, às vezes belo por engano. O jeito de quem pensa que entende o amor, mas ainda tropeça no próprio medo. Pascal, em Pensamentos, dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E é aí que moramos: nesse espaço entre o cálculo e o caos.

Somos criaturas curiosas. Capazes de criar sinfonias e guerras, poesia e fake news, ternura e destruição. Dostoievski nos avisou, em Os Irmãos Karamázov, que “todos somos culpados de tudo e por todos”. Talvez por isso sejamos tão inquietos: carregamos a culpa de um mundo inteiro dentro do peito.

O que vale nessa vida, se ainda vale alguma coisa, talvez seja o gesto. O gesto pequeno, humano, falho —aquele que ajeita uma confusão que nem é nossa.

Guimarães Rosa dizia em Grande Sertão: Veredas: “Viver é muito perigoso.” E mesmo assim vivemos — teimosamente. Acordamos, trabalhamos, amamos e fracassamos com uma dignidade que beira o heroísmo. Entre a fome e o riso, seguimos apostando em dias melhores, mesmo sabendo que o jogo é viciado.

O que vale nessa vida talvez seja esse dom humano de suportar o insuportável. Albert Camus, em O Mito de Sísifo, chamou isso de revolta: “O único problema filosófico realmente sério é o suicídio.”

E nós, por pura teimosia, escolhemos não morrer. Escolhemos continuar. Escolhemos rir no meio da tragédia e amar mesmo sabendo que tudo desaba.

Há, em nós, um modo estranho de ajeitar o caos. T.S. Eliot, em Quatro Quartetos, escreveu: “O tempo presente e o tempo passado estão ambos talvez presentes no tempo futuro.” É o jeito dele dizer que estamos condenados a repetir o que sentimos. Que a vida é cíclica, e o que cura hoje pode ferir amanhã. Ainda assim, insistimos em chamar isso de amor.

Byung-Chul Han, em A Agonia do Eros, explica que vivemos numa era onde o outro se tornou ameaça. E é por isso que amar, hoje, é quase um ato revolucionário. Amar de verdade — sem performance, sem filtros, sem publicidade — é dizer ao mundo: “eu ainda sou humano”. Eduardo Galeano, em O Livro dos Abraços, escreveu que “somos o que fazemos para mudar o que somos”. Talvez seja por isso que seguimos — não porque sabemos o caminho, mas porque o andar é o único verbo que nos resta.

Graciliano Ramos, o mais sóbrio dos realistas, deixou em Vidas Secas a constatação de que até o silêncio tem sede. E nós, os humanos, seguimos sedentos — de verdade, de ternura, de sentido.

Jean-Jacques Rousseau dizia em O Contrato Social que “o homem nasceu livre, e por toda parte se encontra acorrentado”. Talvez sejamos isso mesmo — seres que amam as próprias correntes. Gostamos de reclamar da prisão, mas temos medo da porta aberta.

No fim, o que vale nessa vida é o nosso jeito de continuar, mesmo quebrados, mesmo cansados, mesmo sem entender nada. O mundo se repete, o caos nos visita, mas nós, os humanos, seguimos ajeitando o impossível.

Enquanto os algoritmos tentam prever quem somos, seguimos sendo imprevisíveis. Talvez seja justamente essa falha, essa incoerência, esse jeito de tropeçar e levantar, que torna o ser humano a mais bela imperfeição da Terra.

 

Autor: Felipe Daroit (adaptado).

No trecho “porque o andar é o único verbo que nos resta”, a palavra “andar” classifica-se, gramaticalmente, como __________, enquanto “verbo” classifica-se como __________.
Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?
Alternativas
Q3910405 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

Impactos do uso da inteligência artificial em decisões administrativas e judiciais

 

O uso de inovações tecnológicas pela administração pública, especialmente a inteligência artificial (IA), é um tema central nas políticas públicas brasileiras, como demonstrado pela Estratégia Brasileira para Inteligência Artificial (EBIA). Essa iniciativa visa a promover a pesquisa, a inovação e a capacitação profissional, destacando a cooperação entre setores público e privado.

A IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados, ajudando na identificação de problemas e tendências e, assim, aprimorar a tomada de decisões dos administradores. No entanto, essa automatização apresenta riscos, especialmente no que diz respeito à discricionariedade, na medida em que a substituição do julgamento humano por decisões baseadas em algoritmos pode resultar em julgamentos injustos, especialmente em casos que exigem uma análise mais sutil e específica.

O ministro Gilmar Mendes, em seu voto no julgamento da ADI 6389/DF, enfatiza essa preocupação, alertando para a crescente automação das decisões críticas que afetam o Estado de Direito. "Vivemos na era das escolhas de Sofia automatizadas", destacou, reforçando a necessidade de transparência e controle, essenciais para a proteção dos valores democráticos e para o exercício da cidadania.

Nesse contexto, no âmbito do Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu a Resolução 332/2020 que dispõe sobre a ética, transparência na produção e uso da IA no Judiciário, a fim de preservar a base principiológica processual. Garantindo assim que os algoritmos das IAs não se tornem deterministas e enviesados, evitando-se também eventuais manipulações ao serem gerados.

Por mais que a referida resolução se restrinja ao Poder Judiciário, posto que ainda não há lei que trate do assunto, tais diretrizes devem ser estendidas para toda a administração pública, ante a evidente urgência em instruir, organizar e implementar a utilização de IAs. Mas afinal, para as hipóteses de tomada de decisão, uma recomendação apresentada por inteligência artificial possui caráter vinculante ou discricionário?

O questionamento é necessário, tendo em vista que, para chegar em tal recomendação, a IA se utilizou de base de dados, padrões e tendências fornecidas.

Ou seja, o julgador teria um ônus argumentativo ainda maior para a hipótese de decidir de forma contrária ao sugerido pela IA, ocasionando uma evidente redução na discricionariedade, em vista da natural conformidade ao produzido pelo sistema. Assim como pela insegurança de se alterar ou contrariar sugestão algorítmica, que por sua vez pode acarretar eventual responsabilização pelo ato proferido.

Portanto, embora a adoção da IA seja inevitável e possa trazer benefícios significativos, é crucial equilibrar seu uso com a supervisão humana, a fim de garantir decisões justas e respeitando a complexidade das situações que exigem um julgamento mais profundo e contextualizado. A responsabilidade do Estado é não apenas implementar essas tecnologias, mas também assegurar que elas sejam usadas de forma ética e justa.

 

Fonte: Correio Braziliense (adaptado).

O texto afirma que “o julgador teria um ônus argumentativo”, utilizando forma verbal que indica hipótese ou possibilidade futura. Considerando a conversão adequada desse enunciado para o pretérito perfeito do indicativo, assinale a alternativa que apresenta a reescrita correta. 
Alternativas
Q3910399 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

Impactos do uso da inteligência artificial em decisões administrativas e judiciais

 

O uso de inovações tecnológicas pela administração pública, especialmente a inteligência artificial (IA), é um tema central nas políticas públicas brasileiras, como demonstrado pela Estratégia Brasileira para Inteligência Artificial (EBIA). Essa iniciativa visa a promover a pesquisa, a inovação e a capacitação profissional, destacando a cooperação entre setores público e privado.

A IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados, ajudando na identificação de problemas e tendências e, assim, aprimorar a tomada de decisões dos administradores. No entanto, essa automatização apresenta riscos, especialmente no que diz respeito à discricionariedade, na medida em que a substituição do julgamento humano por decisões baseadas em algoritmos pode resultar em julgamentos injustos, especialmente em casos que exigem uma análise mais sutil e específica.

O ministro Gilmar Mendes, em seu voto no julgamento da ADI 6389/DF, enfatiza essa preocupação, alertando para a crescente automação das decisões críticas que afetam o Estado de Direito. "Vivemos na era das escolhas de Sofia automatizadas", destacou, reforçando a necessidade de transparência e controle, essenciais para a proteção dos valores democráticos e para o exercício da cidadania.

Nesse contexto, no âmbito do Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu a Resolução 332/2020 que dispõe sobre a ética, transparência na produção e uso da IA no Judiciário, a fim de preservar a base principiológica processual. Garantindo assim que os algoritmos das IAs não se tornem deterministas e enviesados, evitando-se também eventuais manipulações ao serem gerados.

Por mais que a referida resolução se restrinja ao Poder Judiciário, posto que ainda não há lei que trate do assunto, tais diretrizes devem ser estendidas para toda a administração pública, ante a evidente urgência em instruir, organizar e implementar a utilização de IAs. Mas afinal, para as hipóteses de tomada de decisão, uma recomendação apresentada por inteligência artificial possui caráter vinculante ou discricionário?

O questionamento é necessário, tendo em vista que, para chegar em tal recomendação, a IA se utilizou de base de dados, padrões e tendências fornecidas.

Ou seja, o julgador teria um ônus argumentativo ainda maior para a hipótese de decidir de forma contrária ao sugerido pela IA, ocasionando uma evidente redução na discricionariedade, em vista da natural conformidade ao produzido pelo sistema. Assim como pela insegurança de se alterar ou contrariar sugestão algorítmica, que por sua vez pode acarretar eventual responsabilização pelo ato proferido.

Portanto, embora a adoção da IA seja inevitável e possa trazer benefícios significativos, é crucial equilibrar seu uso com a supervisão humana, a fim de garantir decisões justas e respeitando a complexidade das situações que exigem um julgamento mais profundo e contextualizado. A responsabilidade do Estado é não apenas implementar essas tecnologias, mas também assegurar que elas sejam usadas de forma ética e justa.

 

Fonte: Correio Braziliense (adaptado).

O texto apresenta diferentes verbos empregados em suas formas nominais, integrando a estrutura sintática e semântica da frase ao indicar ação e circunstância de modo. Considerando a construção “A IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados, ajudando na identificação de problemas e tendências”, analise o emprego de formas nominais e assinale a alternativa que identifica corretamente a classificação de cada uma dentro do período.
Alternativas
Q3904862 Português
Sobre a concordância do verbo “faltar” nas orações dos itens:

I. No dia da prova faltou vários fiscais de sala.
II. Ainda falta trinta minutos para o término da prova.

Pode-se afirmar corretamente que:
Alternativas
Q3904861 Português
O verbo da oração: “Tu falaste a pura verdade?”, está conjugado em tempo e modo do: 
Alternativas
Q3904760 Português
“Ela não media palavras para ofender as pessoas”. O verbo está conjugado em tempo e modo do:
Alternativas
Q3903973 Português
I. TEXTO


A formiga e o gafanhoto


Durante o verão, enquanto o sol brilhava e as flores estavam em festa, a formiga trabalhava incansavelmente, armazenando grãos para o inverno. O gafanhoto, por sua vez, cantava, ria e dizia:


— Por que se preocupar agora? Está tudo tão bonito! Aproveite!

A formiga respondeu calmamente:

— Estou me preparando para quando o tempo ficar difícil.

O inverno chegou. A neve cobriu o chão e o gafanhoto, faminto, bateu à porta da formiga, pedindo ajuda. A formiga, mesmo cansada, compartilhou um pouco de sua comida e disse:

— O tempo de agir é antes da necessidade apertar.


Esopo. (séc. VI a.C.). A formiga e o gafanhoto. In: Fábulas de Esopo. Tradução e adaptação disponíveis em domínio público.
Assinale a opção em que a palavra destacada é um verbo:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2025 - TJ-PI - Residente Tecnológico |
Q3902998 Português
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas das orações:

Na sala de espera do hospital, ____________por boas notícias. (aguardar - 1º pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo).
I ________- se muitas casas em Parnaíba no mês de julho. (alugar - pretérito perfeito do indicativo).
II. Vós_______ calado como uma pedra. (estar - presente do indicativo).  
Alternativas
Q3902966 Português
Em “que esta nação, sob Deus, terá um novo nascimento de liberdade”, a forma verbal terá está conjugada no: 
Alternativas
Q3899365 Português
     
         A região da Capadócia, localizada no centro da Turquia, apresenta formações geológicas singulares originadas milhões de anos, através de atividade vulcânica e processos erosivos. Ao observar os vales e as “chaminés de fada”, os geólogos podem identificar depósitos de cinzas vulcânicas.
 
      Estudos científicos registram alterações na cobertura do solo, na vegetação e nos processos erosivos, atribuindo-lhes relevância para compreender os impactos ambientais. Esses registros permitem avaliar a resiliência do ecossistema; ao que tudo indica, havia adaptações naturais que possibilitavam à flora e fauna manterem-se em equilíbrio nas regiões de solo vulcânico e clima semiárido, demonstrando a capacidade de sobrevivência do ambiente frente a perturbações externas.

      Além disso, a análise da morfologia do terreno e da distribuição das formações rochosas permite observar padrões de erosão e sedimentação, o que contribui para estudos topográficos e geológicos detalhados. A Capadócia, assim, representa um modelo de estudo integrativo, no qual geologia, ecologia e processos naturais se entrelaçam, oferecendo informações valiosas para pesquisas científicas e à preservação da região.
O verbo “haver” apresenta-se conjugado em 2 formas no texto [há e havia]. Aponte a alternativa com a justificativa correta para a apresentação nessas formas:
Alternativas
Q3897980 Português
As emoções também passam pelo estômago, revela estudo inédito


Pesquisa captou o “diálogo” entre o cérebro e o aparelho digestivo, fornecendo pistas
mensuráveis sobre o impacto do estresse e da ansiedade no corpo


   Quantos de vocês já sentiram dor de barriga em uma semana estressante? Ou passaram dias sem conseguir ir ao banheiro antes de uma prova, de uma reunião ou de um encontro importante? Talvez até o contrário: precisaram correr para o banheiro justamente por estarem ansiosos? Essa ligação entre emoções e corpo é tão comum e fisiológica que praticamente todo mundo já passou por experiências do tipo. O que muitas vezes não se percebe é que há ciência por trás desses episódios – eles não são fruto de coincidência nem de simples “mania”.

   Esse entendimento começou a ganhar força quando os pesquisadores descobriram que trilhões de bactérias que vivem em nosso intestino – a microbiota – produzem substâncias que afetam diretamente o humor e a cognição. O que acontece nessa “amizade colorida”, denominada eixo intestino-cérebro, pode ajudar a determinar se nos sentimos mais deprimidos, ansiosos ou bem-dispostos.

   No dia a dia, costumamos associar o estômago e o intestino ao nervosismo e à ansiedade – basta lembrar de frases como “fiquei com um nó no estômago” ou “deu frio na barriga”. Mas, até agora, quase não havia estudos científicos investigando mais profundamente essa conexão.

  Uma pesquisa recém-publicada na Nature Mental Health amplia essa história ao apurar como essa sensação subjetiva lá na barriga está envolvida nas emoções e se traduz através de medidas objetivas na conversa entre o intestino e o cérebro. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Leah Banellis, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Para investigar o papel do sistema digestivo nessa engrenagem, ela e seus colegas analisaram 243 voluntários.

  Cada participante passou por uma bateria de testes: registros da atividade elétrica do estômago por meio do eletrogastrograma, sessões de ressonância magnética funcional para mapear a atividade cerebral e questionários detalhados sobre saúde mental e emoções. Em seguida, todas essas informações foram cruzadas com a ajuda de técnicas avançadas de aprendizado de máquina, o que permitiu aos cientistas encontrar padrões até então invisíveis.

  O que essa pesquisa encontrou foi inédito: existe um acoplamento entre os ritmos elétricos do estômago e os padrões de atividade do cérebro. Em outras palavras, os dois órgãos “conversam” em termos de ritmo. E aí vem a surpresa: quanto mais forte essa coordenação, piores eram os indicadores de saúde mental.

   Mas como assim “piores”? Não aprendemos que, ao estar em sintonia com o corpo – a respiração e os batimentos cardíacos em ordem –, ganhamos recursos para regular as emoções e nos sentirmos mais saudáveis? Pois, no caso do estômago, os cientistas observaram o contrário. Pessoas cujo cérebro estava mais sincronizado com as ondas estomacais (que acontecem a cada 20 segundos, mesmo sem comida envolvida) relataram mais sintomas de ansiedade, depressão, estresse e fadiga. Já aqueles com comunicação mais fraca apresentaram maior bem-estar e qualidade de vida. Um paradoxo instigante: nem sempre mais diálogo entre corpo e cérebro significa um resultado melhor.

   Não se trata, exatamente, de o estômago “causar” ansiedade ou depressão. O que os dados sugerem é que o padrão de comunicação entre estômago e cérebro pode influenciar – para mais ou para menos – como sentimos nossas emoções. Se essa linha de pesquisa se confirmar (na ciência, tudo depende de vários estudos replicando os mesmos achados), tal sincronia poderá servir como um biomarcador objetivo de saúde mental. Isso significaria que, além da descrição subjetiva dos sintomas, psicólogos e médicos poderiam contar com uma medida fisiológica, obtida por aparelhos relativamente simples. O caminho abriria possibilidades tanto para diagnósticos mais precisos quanto para intervenções inovadoras – de medicamentos e alimentos que modulam o ritmo gástrico a dispositivos capazes de estimular ou regular essa comunicação. O estudo de Lenah Banellis é apenas um entre muitos projetos fascinantes do Center of Functionally Integrative Neuroscience.


(Por Ilana Pinsky. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/mens-sana. Acesso em: agosto de 2025. Adaptado.)
De acordo com Cunha e Cintra (2016), “tempo é a variação que indica o momento em que se dá o fato expresso pelo verbo”. Nesse sentido, assinale o trecho cujo verbo destacado está conjugado no futuro do pretérito do indicativo. 
Alternativas
Q3897469 Português

Texto para a questão a seguir:


A Lenda da Gárgula


As gárgulas são figuras esculpidas em pedra, comumente encontradas na arquitetura de catedrais medievais, que capturam a imaginação popular há séculos. Frequentemente retratadas como criaturas monstruosas e grotescas, sua presença imponente no alto de edifícios sagrados parece contraditória. No entanto, essas esculturas não são meros adornos; elas carregam uma rica bagagem de lendas e simbolismos que explicam sua função tanto prática quanto espiritual, servindo como guardiãs silenciosas que observam a cidade do alto.


A origem do termo e da lenda mais famosa remonta à França do século VII, na cidade de Rouen. Conta a história que um temível dragão chamado "La Gargouille" aterrorizava a região, emergindo do rio Sena para cuspir água, inundar terras e devorar barcos e habitantes. A criatura era tão poderosa que os cidadãos, desesperados, ofereciam-lhe um sacrifício humano anual para aplacar sua fúria e garantir que o resto da população fosse poupado de sua ira destrutiva.


A situação mudou com a chegada de Romanus, um clérigo que mais tarde se tornaria São Romano de Rouen. Prometendo livrar a cidade do monstro em troca da conversão de seus habitantes ao cristianismo, ele enfrentou La Gargouille. Usando apenas a sua fé e o sinal da cruz, Romanus conseguiu domar a criatura, amarrando-a com sua estola e conduzindo-a de volta à cidade, onde foi condenada à morte e queimada em uma grande fogueira na praça pública.


Da carcaça incinerada do dragão, porém, uma parte permaneceu intacta: sua cabeça e seu pescoço, que, por terem sido constantemente expostos ao fogo expelido pela própria criatura, haviam se tornado imunes às chamas. Como um troféu e um aviso, a cabeça de La Gargouille foi montada na fachada da nova igreja da cidade. Essa se tornou a primeira gárgula, estabelecendo o precedente para que outras catedrais adotassem figuras semelhantes, não apenas como um sistema para escoar a água da chuva (função prática que deu origem ao nome, do francês "gargouiller", gargarejar), mas também como um símbolo de proteção, que afasta os maus espíritos e lembra aos fiéis que, enquanto o mal existe do lado de fora, dentro da igreja eles encontrarão a salvação.


No segmento "dentro da igreja eles encontrarão a salvação”, a forma verbal classifica-se como:


Alternativas
Q3894821 Português
O estudo dos verbos envolve a compreensão de suas flexões de modo (Indicativo, Subjuntivo, Imperativo) e tempo, que são cruciais para expressar a atitude do falante em relação ao fato (certeza, dúvida, hipótese, ordem). O Modo Indicativo é usado para fatos tidos como reais ou certos. O Modo Subjuntivo, por sua vez, é empregado para fatos hipotéticos, desejados ou duvidosos, sendo comum em orações subordinadas. A correta utilização de tempos como o Futuro do Pretérito (Indicativo) e o Pretérito Imperfeito (Subjuntivo) é essencial para construir relações de condição e consequência hipotética. Assim, analise as afirmativas a seguir:

I.O Modo Indicativo expressa certeza (Ex: 'Ele *estuda*'), enquanto o Subjuntivo expressa dúvida ou hipótese (Ex: 'Espero que ele *estude*').

II.Na frase 'Se eu *tivesse* dinheiro, *compraria* o carro', o verbo 'tivesse' está no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, indicando uma condição hipotética no passado ou presente, e 'compraria' está no Futuro do Pretérito do Indicativo, indicando a consequência dessa condição.

III.O Futuro do Subjuntivo (Ex: 'Quando eu *puder*') indica uma ação futura, mas hipotética ou incerta, enquanto o Futuro do Presente do Indicativo (Ex: 'Eu *poderei*') indica uma ação futura tida como certa.



Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3894613 Português
A conjugação de verbos irregulares e seus derivados representa um dos maiores desafios da norma culta, especialmente no que tange aos tempos do modo subjuntivo, que são frequentemente exigidos em orações subordinadas condicionais ou temporais. Verbos como 'manter' (derivado de 'ter') e 'rever' (derivado de 'ver') não seguem o padrão dos verbos regulares de suas respectivas conjugações, e seus radicais se alteram no futuro do subjuntivo (ex: 'Quando ele...'). O domínio dessas formas é essencial para a construção de períodos hipotéticos corretos. Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas da sentença: 'Quando o diretor... (verbo rever) o plano de acessibilidade e... (verbo manter) o orçamento para intérpretes, todos ficarão satisfeitos.
Alternativas
Respostas
701: A
702: D
703: C
704: D
705: E
706: B
707: C
708: C
709: B
710: B
711: D
712: A
713: B
714: E
715: C
716: B
717: A
718: C
719: D
720: A