Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG2A1.
No segmento “que efetivamente se abre” (último período do texto), o deslocamento do pronome “se” para a posição enclítica — que efetivamente abre-se — manteria a correção gramatical do texto.
Em relação a mecanismos de coesão empregados no texto CG2A1, julgue o próximo item.
No último período do texto, o pronome presente na forma contraída “disso”, em “a partir disso”, retoma “fator que transforma o discurso em prática”.
Medo do futuro 2:
a ascensão da inteligência artificial
A ciência que
poderia desafiar a morte combina tecnologias digitais aliadas à inteligência
artificial e à engenharia genética
"O homem é um deus em ruínas", escreveu o
americano Ralph Waldo Emerson no século 19. Desde que nossos antepassados
distantes contemplaram, pela primeira vez, a dimensão divina, vivemos uma
divisão profunda entre o nosso lado animal e o nosso lado capaz de imaginar o
eterno.
Essa natureza dual entre o animal e o semidivino, o mortal e
o imortal, é nossa característica mais marcante, tema de grandes livros e
pensamentos filosóficos. Hoje é, também, tema que inspira várias pesquisas
científicas, da engenharia genética à inteligência artificial. Será que a
ciência vai ser capaz de transformar o ser humano a ponto de redefinir nossa
relação com a morte?
Duzentos anos atrás, Mary Shelley publicava "Frankenstein", um romance gótico que continua sendo tão relevante
hoje quanto foi no início do século 19. A ideia de que a ciência pode vencer a morte é pelo menos tão antiga quanto os alquimistas. No caso de Shelley, a
ciência de ponta da época era o uso de correntes elétricas para estimular o
movimento muscular, relação descoberta por Luigi Galvani e Alessandro Volta.
Hoje, a ciência de ponta que poderia desafiar a morte
combina tecnologias digitais aliadas à inteligência artificial (IA) com a
engenharia genética. Dos vários temas correlatos, discuto aqui a IA e se
devemos ou não nos preocupar com esse tipo de tecnologia. Não que esteja
prestes a desafiar a morte, longe disso. Mas seu impacto no mundo em que
vivemos e no futuro da espécie humana deve ser considerado com cuidado, e
quanto antes melhor.
O mundo depende fundamentalmente dos computadores. Carros,
redes elétricas, aeroportos, trens, o sistema bancário, eleitoral, hospitais,
as atividades individuais e profissionais do leitor, nada escapa. Paralelamente
a essa dependência crescente, os computadores estão ficando mais espertos,
dominando o mundo um pouco mais a cada dia. Com isso, passam a controlar
tarefas cada vez mais complexas, tomando o lugar dos humanos.
Das cirurgias de alta precisão e diagnósticos médicos à
automação de fábricas e linhas de produção, da exploração e tratamento de
minérios em minas ou águas profundas ou em ambientes altamente radioativos até
tomadas de decisão no mercado de capitais, nada parece escapar das máquinas
digitais. Em breve, com veículos autônomos, será a vez dos caminhoneiros, dos
motoristas de ônibus escolares, dos motoristas de táxi, dos maquinistas,
criando um vácuo perigoso no mercado de trabalho, afetando milhões de pessoas,
que precisariam ser retreinadas.
Por enquanto, ao menos, a tecnologia digital está se
apoderando do mundo porque nós assim queremos. A questão, e temor de muitos, é
se isso pode mudar. Se as tecnologias de IA tornarem-se autônomas, capazes de
se programar e de ter intenções próprias, poderiam efetivamente controlar o
mundo. Este é o argumento do filósofo Nick Bostrom, em seu livro
"Superinteligência", da cruzada anti-IA do bilionário Elon Musk e do
medo do físico Stephen Hawking, dentre outros.
Um dos problemas dessa conversa é como definir inteligência.
Existe a IA do futuro, aquela que vemos nos filmes e livros de ficção
científica, e a do presente, que está muito longe dela. A gente vê o acrônimo
IA por toda a parte, algoritmos de aprendizado de máquinas, redes neurais,
programas que vão aprimorando sua eficiência por si mesmos, computadores que
ganham de mestres mundiais de xadrez e de Go.
Esse tipo de aplicação presente de IA não ameaça o futuro da
espécie humana. Por enquanto, refletem a inteligência de seus programadores
que, no fim das contas, se Nem aos interesses de suas empresas, tentando ganhar
nossa atenção e dinheiro. Níveis atuais de IA (que não chamaria de IA) cumprem
funções especificadas por seus programadores. Não têm autonomia ou intenção
própria.
Esta situação pode mudar? É aqui que começa o problema. Não
sabemos a resposta; não sabemos se uma máquina pode desenvolver autonomia e
autoconsciência. As IA de hoje estão muito, muito longe do famoso Hall, o
computador no filme (e livro) "2001: Uma Odisseia no Espaço", que
resolveu matar todos os humanos na espaçonave por não julgá-los competentes
para contatar alienígenas superinteligentes.
Por outro lado, avançar cegamente com a pesquisa em IA "porque podemos" me parece profundamente irresponsável. Muito antes de construirmos uma máquina de fato inteligente, se isso é realmente possível, a IA de menor porte causará sérios problemas sociais, redefinindo o mercado de trabalho e o tipo de habilidades e perícias que serão relevantes no futuro. Isso já está, aliás, acontecendo. Portanto, antes de nos preocuparmos com os primos do Hall dominando o mundo, deveríamos estar criando salvaguardas com a função de garantir que as máquinas que criamos estão aqui para servir a humanidade, e não para destruí-la aos poucos.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. "Medo do futuro 2: a ascensão da inteligência artificial". Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelogleiser/2018/>Publicado em: 28 de out. de 2018. Acesso
em: 10 de mar. de 2025)
- aquela que vemos nos filmes e livros de ficção científica (8º parágrafo)
- que está muito longe dela (8º paragrafo)
- que serão relevantes no futuro (11º parágrafo)
Os termos destacados referem-se, respectivamente, a:
Cálice
Gilberto Gil
Chico Buarque
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
(...)
“Ela comeu duas maçãs.”
A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.
A correção gramatical do texto seria mantida caso a forma pronominal presente no trecho “para fazê-lo com sucesso” (final do segundo parágrafo) fosse deslocada para a posição proclítica, escrevendo-se para o fazer com sucesso.
Assinale a alternativa correta quanto ao uso do pronome oblíquo na substituição do termo destacado.
Brasileiros já podem solicitar autorização de viagem para o Reino Unido
Por Julia Buckley

(Disponível em: www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/viagem/brasileiros-ja-podem-solicitar-autorizacaode-viagem-para-reino-unido-veja-como/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

(Dik Browne. O melhor de Hagar – o Horrível. Adaptado)
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, a fala do personagem do quadrinho.
“Se alguém o convidar para a reunido, avise-me imediatamente, pois não lhe compete tomar decisões sem o meu consentimento.”
Acerca do emprego dos pronomes em destaque no período, avalie:
I. “Se” atua como pronome obliquo, indicando reflexividade do sujeito.
II. “o” refere-se ao interlocutor, desempenhando a função de objeto direto.
III. “lhe” funciona como pronome obliquo, desempenhando a função de objeto indireto.
IV. “me” atua como pronome reto, exercendo a função de sujeito.
Assinale a alternativa correta:
A ofensiva chinesa ocorreu na ausência dos EUA. Veem a invasão chinesa como uma forma de risco, buscam combater a invasão chinesa indiretamente, criando à invasão chinesa um enfraquecimento nas parcerias.
Julgue o item a seguir, relativos às ideias e a aspectos gramaticais do texto precedente.
No primeiro parágrafo, o pronome “ele” retoma o termo “século XXII”.
Defendemos que a divulgação científica (DC) é produzida pela esfera da cultura científica em colaboração com outras esferas de atividades humanas. Assim, a DC é um produto gerado na interseção de esferas de criação ideológicas, cujas atividades disputam motivos, propósitos, regras, agentes, ferramentas culturais, entre tantos outros elementos.
Em uma análise a partir da cultura científica, teremos a apropriação da comunicação, do jornalismo, da mídia e suas técnicas como ferramentas culturais para a produção da DC, enquanto o universo de referência, os princípios e os valores continuam sendo próprios da cultura científica. Por outro lado, se partirmos da esfera da mídia, teremos a apropriação de conhecimentos, fatos e histórias da ciência, enquanto as formas de produção do suporte são próprias da esfera midiática. Podemos estender esse exercício para todas as esferas que atuam na DC, como a educação, por exemplo, condição que reforça nossa compreensão de que a DC é produzida em meio à interseção da cultura científica com outras esferas de atuação humana.
Embora existam coerções e interseções com outros campos, não há como deslocar princípios ontológicos da cultura científica que são inerentes aos conceitos, às metodologias e às práticas da ciência — fato que sustenta e fortalece a interpretação do divulgador como um representante da cultura científica. A DC, portanto, é produzida em meio a uma interseção de esferas de criação ideológica; a cultura científica, no entanto, exerce maior influência sobre o produto gerado. Tal concepção evidencia que a interseção na qual a DC é produzida não é composta por esferas equipolentes.
Ainda que a cultura científica tenha maior influência na determinação dos produtos da DC, trata-se de produtos gerados em meio a disputas, cujos escopos variam de acordo com os suportes de DC e os meios de comunicação em que são veiculados. Não é preciso ser um especialista em DC para notar as diferenças entre veículos de DC que, por vezes, sustentam coerções da indústria cultural e, por isso, usufruem livremente do sensacionalismo e da fetichização do conhecimento científico, visando ao aumento das vendas, e veículos que claramente têm interesse em ensinar conceitos científicos que estão fortemente baseados em coerções provenientes da educação científica.
Guilherme da Silva Lima e Marcelo Giordan.
Da reformulação discursiva a uma práxis da cultura científica: reflexões sobre a divulgação científica.
In: História, Ciências, Saúde, Manguinhos, Rio de Janeiro,
v. 28, n.º 2, abr.-jun./2021, p. 389 (com adaptações).
Considerando os aspectos linguísticos do texto apresentado e as ideias nele veiculadas, julgue o próximo item.
Os referentes das formas pronominais “cujas” (segundo período do primeiro parágrafo) e “cujos” (primeiro período do último parágrafo) são, respectivamente, “esferas de criação ideológica” e “disputas”.