Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

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Q593524 Português
                               
                                                                       Texto 2

                                                          Produtos Orgânicos

                                                                 (Jennifer Fogaça)  

1 Quando você ouve as palavras “Química Orgânica" o que vem à sua mente? A maioria das pessoas costuma pensar em produtos e principalmente alimentos ditos “naturais", que são então chamados de “orgânicos". No entanto, o que é um produto orgânico?

2 No cotidiano, esse termo é usado para se referir a alimentos produzidos sem a adição de adubos químicos e de agrotóxicos. É uma expressão muito empregada pela mídia e seu uso teve início com a ideia de produzir alface e verduras sem esses aditivos químicos, para evitar produtos contaminados e envenenamento. Com o tempo, porém, essa prática se estendeu a outros produtos, como legumes, frutas, café, vinho etc. Existem até mesmo produtos orgânicos industrializados.  

3 O preço desses produtos costuma ser maior, mas as vantagens estão no melhor sabor e no fato de serem alimentos mais saudáveis. A produção desses alimentos é pouca em comparação à daqueles que são feitos com o uso de aditivos químicos. No entanto, esse ramo tem crescido muito no Brasil e esse tipo de alimento já é considerado oficialmente como uma categoria de produto específico, à parte do convencional, com regulamentos para a sua produção, certificação e comercialização.

4 No entanto, apesar de esse termo já estar bem fixado na linguagem do dia a dia, se formos entender o que é química orgânica, veremos que as expressões “produtos orgânicos", “hortaliças orgânicas", “legumes orgânicos" etc. têm, sem dúvida, um emprego “forçado". Pois a química orgânica é o estudo dos compostos do elemento carbono com propriedades características. Assim, todo e qualquer alimento, qualquer que seja seu método de produção, é formado, fundamentalmente, por substâncias orgânicas.  

5 Os compostos orgânicos estão presentes em todos os seres vivos. Por exemplo, a glicose é um carboidrato que é produzido nas plantas clorofiladas em um processo denominado fotossíntese. Essa substância é um composto orgânico de fórmula molecular C6H12O6. Alimentos como arroz, batata, macarrão e farinha são ricos em carboidratos; óleos vegetais, manteiga e gordura animal possuem lipídios; carne, queijo, ovos, presunto e grãos (soja, grão de bico, lentilha, feijão e ervilha) são fontes de proteínas. A massa do nosso organismo é constituída de 60% de compostos orgânicos, na forma de lipídios, carboidratos e proteínas. 

6 Além disso, todas as substâncias são químicas, pois a Química estuda a matéria, que é tudo aquilo que ocupa um lugar no espaço. Entretanto, na linguagem comum, um aditivo químico é aquele que foi sintetizado em laboratório. O uso desses termos errados no cotidiano faz que haja um preconceito referente ao estudo dessa ciência, pois muitos acham que ela só se baseia em produtos feitos em laboratório que podem gerar efeitos nocivos para o meio ambiente e para a saúde pública; quando, na verdade, o objetivo real da Química é trazer qualidade de vida.

7 Por isso, é extremamente importante estudar a Química Orgânica, pois, conforme mostrado neste texto, ela é essencial não somente em relação aos alimentos, mas também para o entendimento da natureza, das propriedades da maioria dos produtos de uso diário (como os remédios e os plásticos), dos artigos corriqueiros dos jornais e para formarmos a nossa própria opinião sobre esses assuntos de interesse global. Enfim, ela faz parte de nossa cultura, de nosso dia a dia, e está presente até mesmo no funcionamento de nosso corpo.  

Texto adaptado de <http://www.brasilescola.com/química/produtos-organicos.html> . Acessado em 22 de novembro de 2015.


Considere as seguintes afirmações sobre o texto 2.

I) A expressão “produto orgânico” (primeiro parágrafo) é resgatada por “esse termo” (segundo parágrafo).

II) No trecho “[...] a Química estuda a matéria, que é tudo aquilo que ocupa um lugar no espaço.” (sexto parágrafo), o pronome “que” se refere à palavra “química”.

III) No segundo parágrafo, a expressão “essa prática” refere-se ao trecho “[...] ideia de produzir alface e verduras sem esses aditivos químicos [...]”.

Agora assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q593520 Português
                               
                                                                       Texto 2

                                                          Produtos Orgânicos

                                                                 (Jennifer Fogaça)  

1 Quando você ouve as palavras “Química Orgânica" o que vem à sua mente? A maioria das pessoas costuma pensar em produtos e principalmente alimentos ditos “naturais", que são então chamados de “orgânicos". No entanto, o que é um produto orgânico?

2 No cotidiano, esse termo é usado para se referir a alimentos produzidos sem a adição de adubos químicos e de agrotóxicos. É uma expressão muito empregada pela mídia e seu uso teve início com a ideia de produzir alface e verduras sem esses aditivos químicos, para evitar produtos contaminados e envenenamento. Com o tempo, porém, essa prática se estendeu a outros produtos, como legumes, frutas, café, vinho etc. Existem até mesmo produtos orgânicos industrializados.  

3 O preço desses produtos costuma ser maior, mas as vantagens estão no melhor sabor e no fato de serem alimentos mais saudáveis. A produção desses alimentos é pouca em comparação à daqueles que são feitos com o uso de aditivos químicos. No entanto, esse ramo tem crescido muito no Brasil e esse tipo de alimento já é considerado oficialmente como uma categoria de produto específico, à parte do convencional, com regulamentos para a sua produção, certificação e comercialização.

4 No entanto, apesar de esse termo já estar bem fixado na linguagem do dia a dia, se formos entender o que é química orgânica, veremos que as expressões “produtos orgânicos", “hortaliças orgânicas", “legumes orgânicos" etc. têm, sem dúvida, um emprego “forçado". Pois a química orgânica é o estudo dos compostos do elemento carbono com propriedades características. Assim, todo e qualquer alimento, qualquer que seja seu método de produção, é formado, fundamentalmente, por substâncias orgânicas.  

5 Os compostos orgânicos estão presentes em todos os seres vivos. Por exemplo, a glicose é um carboidrato que é produzido nas plantas clorofiladas em um processo denominado fotossíntese. Essa substância é um composto orgânico de fórmula molecular C6H12O6. Alimentos como arroz, batata, macarrão e farinha são ricos em carboidratos; óleos vegetais, manteiga e gordura animal possuem lipídios; carne, queijo, ovos, presunto e grãos (soja, grão de bico, lentilha, feijão e ervilha) são fontes de proteínas. A massa do nosso organismo é constituída de 60% de compostos orgânicos, na forma de lipídios, carboidratos e proteínas. 

6 Além disso, todas as substâncias são químicas, pois a Química estuda a matéria, que é tudo aquilo que ocupa um lugar no espaço. Entretanto, na linguagem comum, um aditivo químico é aquele que foi sintetizado em laboratório. O uso desses termos errados no cotidiano faz que haja um preconceito referente ao estudo dessa ciência, pois muitos acham que ela só se baseia em produtos feitos em laboratório que podem gerar efeitos nocivos para o meio ambiente e para a saúde pública; quando, na verdade, o objetivo real da Química é trazer qualidade de vida.

7 Por isso, é extremamente importante estudar a Química Orgânica, pois, conforme mostrado neste texto, ela é essencial não somente em relação aos alimentos, mas também para o entendimento da natureza, das propriedades da maioria dos produtos de uso diário (como os remédios e os plásticos), dos artigos corriqueiros dos jornais e para formarmos a nossa própria opinião sobre esses assuntos de interesse global. Enfim, ela faz parte de nossa cultura, de nosso dia a dia, e está presente até mesmo no funcionamento de nosso corpo.  

Texto adaptado de <http://www.brasilescola.com/química/produtos-organicos.html> . Acessado em 22 de novembro de 2015.


Considere as seguintes afirmações sobre o texto 2.

I) No primeiro parágrafo, o emprego do pronome você indica que a autora está se dirigindo diretamente a uma pessoa específica a quem ela está explicando questões sobre alimentos orgânicos e convencionais.

II) As duas perguntas empregadas no primeiro parágrafo é uma maneira de a autora chamar a atenção dos leitores para o assunto que ela trata em seu texto.

III) No final do sétimo parágrafo, o emprego dos pronomes “nosso” e “nossa” indica que a autora do texto e os leitores do seu texto fazem parte de um mesmo contexto que envolve a química.

Agora assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q593459 Português
Leia a charge para responder à questão.

Imagem associada para resolução da questão 

(Mandrade. Folha de S. Paulo, 30.09.2013)


Assinale a alternativa cujos pronomes substituem, correta e respectivamente, as expressões em destaque na fala das personagens.
Alternativas
Q593216 Português
Facebook na Argentina oferece 54 opções de identidade de gênero


     Pela primeira vez na América Latina, o Facebook disponibilizou a opção “gênero personalizado”, permitindo ao usuário escolher entre 54 alternativas.
   As categorias foram elaboradas por organizações que militam pela diversidade sexual na Argentina.
   “Não é por acaso que a Argentina é o primeiro país da América Latina a ter a opção de gênero personalizado na rede social Facebook. Este passo adiante tem a ver com muitas outras coisas que aconteceram e que têm relação com a diversidade e a inclusão”, comemorou Cesar Cigiuti, presidente da CHA, durante o ato de lançamento da nova plataforma do Facebook.
   Agora já é possível escolher entre “Deseje a ela um feliz aniversário”, “Deseje a ele um feliz aniversário” ou a opção neutra “Deseje um feliz aniversário”.
  “Trans”, “torta”, “trans femenino”, “trans masculino”, “transgénero”, “transexual”, “transgénero femenina”, “transgénero masculino”, “trava” e “travesti” são dez das opções possíveis quando o usuário escolher a letra ‘T’ no item “sexo”, que possui agora três alternativas: “personalizado”, “hombre” e “mujer”. Clicando na letra ‘G’, aparecem os termos “gay”, “andrógino”, “andrógina”, entre outros. Com ‘P’, as identidades possíveis são “poliamoroso”, “poliamorosa”, “poliamorosx”, “puto”, “pansexual hombre” e “pansexual mujer”.
   Nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Espanha já havia opções personalizadas.
   Claudia Castrosín, vice-presidenta da Federación de Lesbianas, Gays, Bisexuales, Trans (FLGBT), disse que “existem muitas identidades, mas na verdade são infinitas. Como são infinitas, seguramente não poderemos contemplar todas elas porque em matéria de identidade, cada um se define como quer e como se sente. Mas este é um grande passo rumo à inclusão”.

(Daniella Cambaúva, Carta Capital online, visualizado em 31 de agosto de 2015).

A partir das opções a seguir “Deseje a ela um feliz aniversário”, “Deseje a ele um feliz aniversário” ou “Deseje um feliz aniversário” é possível afirmar que
Alternativas
Q592774 Português
      Texto 1 – Coordenação entre órgãos gestores
    Um Plano de Contingência para o Trânsito necessita de planejamento prévio para lidar com situações emergenciais e atuar em casos que venham a causar transtornos nos principais corredores viários de uma cidade.
O aumento progressivo da frota de veículos provoca congestionamentos que muitas vezes impedem que os procedimentos planejados de emergência sejam adotados.
    Nesses casos, passam a exigir ações mais criativas e diferenciadas, devendo ser planejadas por equipes de técnicos especializados, com a parceria das universidades.
     O gerenciamento de acidentes de trânsito, como a velocidade que se desfaz o local de uma batida numa via estrutural, envolve o uso de equipamentos especiais, como helicópteros, e de pessoal devidamente treinado para isso. É crucial haver integração e coordenação entre os órgãos gestores da mobilidade urbana, para solucionar rapidamente as demandas dessa natureza.
    Situações como obras, fechamento de ruas e de faixas de tráfego, enchentes, alagamentos das vias e quedas de encostas e árvores, que impedem a circulação normal de veículos, necessitam de sinalização adequada, de informação relevante e bem veiculada em várias mídias, de agentes de trânsito devidamente preparados, de cavaletes e indicação dos desvios possíveis, para diminuir os impactos negativos.
     Podemos fazer analogia com um infarto e um AVC, que impedem o fluxo de sangue e exigem providências urgentes para que a pessoa não morra. O mesmo fenômeno ocorre com o trânsito, para que o fluxo seja restabelecido o mais rápido possível. (Eva Vider, O Globo, 9/10/2015 - adaptado)
A oração adjetiva abaixo sublinhada que deveria vir introduzida com um pronome relativo precedido de preposição é:
Alternativas
Q592533 Português
Observe a charge abaixo: 


                        
As duas primeiras falas da charge mostram uma forma de pronome pessoal que se opõe ao “vocês" da última fala. Sobre essas formas, a afirmação correta é:
Alternativas
Q591924 Português
A respeito das estruturas linguísticas do texto precedente, julgue o item subsequente.
Na linha 8, o antecedente do pronome relativo “cuja” é “base”, o que justifica o emprego do feminino singular nesse pronome.
Alternativas
Q591923 Português
A respeito das estruturas linguísticas do texto precedente, julgue o item subsequente.
O deslocamento da partícula “se", em “Define-se" (l.24), para o início do período — escrevendo-se Se define — prejudicaria a correção gramatical do texto.
Alternativas
Ano: 2015 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2015 - MGS - Nível Fundamental Completo |
Q591791 Português
                                   O PADEIRO

      Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

       - Não é ninguém, é o padeiro!

       Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? Então você não é ninguém?

       Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

        Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.

(Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana, Crônicas. Editora do autor, Rio de Janeiro, 1960)
Assinale a alternativa que apresenta o comentário CORRETO sobre o trecho abaixo:

“Assim ficara sabendo que não era ninguém..." (4°§) 
Alternativas
Q591604 Português
                    A língua que somos, a língua que podemos ser

                                             (Eliane Brum)

      A alemã Anja Saile é agente literária de autores de língua portuguesa há mais de uma década. Não é um trabalho muito fácil. Com vários brasileiros no catálogo, ela depara-se com frequência com a mesma resposta de editores europeus, variando apenas na forma. O discurso da negativa poderia ser resumido nesta frase: “O livro é bom, mas não é suficientemente brasileiro". O que seria “suficientemente brasileiro"? 

      Anja (pronuncia-se “Ânia") aprendeu a falar a língua durante os anos em que viveu em Portugal (e é impressionante como fala bem e escreve com correção). Quando vem ao Brasil, acaba caminhando demais porque o tamanho de São Paulo sempre a surpreende e ela suspira de saudades da bicicleta que a espera em Berlim. Anja assim interpreta a demanda: “O Brasil é interessante quando corresponde aos clichês europeus. É a Europa que define como a cultura dos outros países deve ser para ser interessante para ela. É muito irritante. As editoras europeias nunca teriam essas exigências em relação aos autores americanos, nunca".

      Anja refere-se ao fato de que os escritores americanos conquistaram o direito de ser universais para a velha Europa e seu ranço colonizador― já dos brasileiros exige-se uma espécie de selo de autenticidade que seria dado pela “temática brasileira". Como se sabe, não estamos sós nessa xaropada. O desabafo de Anja, que nos vê de fora e de dentro, ao mesmo tempo, me remeteu a uma intervenção sobre a língua feita pelo escritor moçambicano Mia Couto, na Conferência Internacional de Literatura, em Estocolmo, na Suécia. Ele disse: 

       — A África tem sido sujeita a sucessivos processos de essencialização e folclorização, e muito daquilo que se proclama como autenticamente africano resulta de invenções feitas fora do continente. Os escritores africanos sofreram durante décadas a chamada prova de autenticidade: pedia-se que seus textos traduzissem aquilo que se entendia como sua verdadeira etnicidade. Os jovens autores africanos estão se libertando da “africanidade". Eles são o que são sem que se necessite de proclamação. Os escritores africanos desejam ser tão universais como qualquer outro escritor do mundo. (...) Há tantas Áfricas quanto escritores, e todos eles estão reinventando continentes dentro de si mesmos.

[...]

       — O mesmo processo que empobreceu o meu continente está, afinal, castrando a nossa condição comum e universal de contadores de histórias. (...) O que fez a espécie humana sobreviver não foi apenas a inteligência, mas a nossa capacidade de produzir diversidade. Essa diversidade está sendo negada nos dias de hoje por um sistema que escolhe apenas por razões de lucro e facilidade de sucesso. Os autores africanos que não escrevem em inglês – e em especial os que escrevem em língua portuguesa – moram na periferia da periferia, lá onde a palavra tem de lutar para não ser silêncio.

[...] 

        Talvez os indígenas sejam a melhor forma de ilustrar essa miopia, forjada às vezes por ignorância, em outras por interesses econômicos localizados em suas terras. Parte da população e, o que é mais chocante, dos governantes, espera que os indígenas – todos eles – se comportem como aquilo que acredita ser um índio. Portanto, com todos os clichês do gênero. Neste caso, para muitos os índios não seriam “suficientemente índios" para merecer um lugar e para serem escutados como alguém que tem algo a dizer.

       Outra parte, que também inclui gente que está no poder em todas as instâncias, do executivo ao judiciário, finge que os indígenas não existem. Finge tanto que quase acredita. Como não conhecem e, pior que isso, nem mesmo percebem que é preciso conhecer, porque para isso seria necessário não só honestidade como inteligência, a extinção progressiva só confirmaria uma ausência que já construíram dentro de si.

[...] 

Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ eliane-brum/noticia/2012/01/lingua-que-somos-lingua-que-podemos-ser.html>
A sintaxe do QUE está corretamente analisada em todas as opções, EXCETO:
Alternativas
Q591599 Português
                    A língua que somos, a língua que podemos ser

                                             (Eliane Brum)

      A alemã Anja Saile é agente literária de autores de língua portuguesa há mais de uma década. Não é um trabalho muito fácil. Com vários brasileiros no catálogo, ela depara-se com frequência com a mesma resposta de editores europeus, variando apenas na forma. O discurso da negativa poderia ser resumido nesta frase: “O livro é bom, mas não é suficientemente brasileiro". O que seria “suficientemente brasileiro"? 

      Anja (pronuncia-se “Ânia") aprendeu a falar a língua durante os anos em que viveu em Portugal (e é impressionante como fala bem e escreve com correção). Quando vem ao Brasil, acaba caminhando demais porque o tamanho de São Paulo sempre a surpreende e ela suspira de saudades da bicicleta que a espera em Berlim. Anja assim interpreta a demanda: “O Brasil é interessante quando corresponde aos clichês europeus. É a Europa que define como a cultura dos outros países deve ser para ser interessante para ela. É muito irritante. As editoras europeias nunca teriam essas exigências em relação aos autores americanos, nunca".

      Anja refere-se ao fato de que os escritores americanos conquistaram o direito de ser universais para a velha Europa e seu ranço colonizador― já dos brasileiros exige-se uma espécie de selo de autenticidade que seria dado pela “temática brasileira". Como se sabe, não estamos sós nessa xaropada. O desabafo de Anja, que nos vê de fora e de dentro, ao mesmo tempo, me remeteu a uma intervenção sobre a língua feita pelo escritor moçambicano Mia Couto, na Conferência Internacional de Literatura, em Estocolmo, na Suécia. Ele disse: 

       — A África tem sido sujeita a sucessivos processos de essencialização e folclorização, e muito daquilo que se proclama como autenticamente africano resulta de invenções feitas fora do continente. Os escritores africanos sofreram durante décadas a chamada prova de autenticidade: pedia-se que seus textos traduzissem aquilo que se entendia como sua verdadeira etnicidade. Os jovens autores africanos estão se libertando da “africanidade". Eles são o que são sem que se necessite de proclamação. Os escritores africanos desejam ser tão universais como qualquer outro escritor do mundo. (...) Há tantas Áfricas quanto escritores, e todos eles estão reinventando continentes dentro de si mesmos.

[...]

       — O mesmo processo que empobreceu o meu continente está, afinal, castrando a nossa condição comum e universal de contadores de histórias. (...) O que fez a espécie humana sobreviver não foi apenas a inteligência, mas a nossa capacidade de produzir diversidade. Essa diversidade está sendo negada nos dias de hoje por um sistema que escolhe apenas por razões de lucro e facilidade de sucesso. Os autores africanos que não escrevem em inglês – e em especial os que escrevem em língua portuguesa – moram na periferia da periferia, lá onde a palavra tem de lutar para não ser silêncio.

[...] 

        Talvez os indígenas sejam a melhor forma de ilustrar essa miopia, forjada às vezes por ignorância, em outras por interesses econômicos localizados em suas terras. Parte da população e, o que é mais chocante, dos governantes, espera que os indígenas – todos eles – se comportem como aquilo que acredita ser um índio. Portanto, com todos os clichês do gênero. Neste caso, para muitos os índios não seriam “suficientemente índios" para merecer um lugar e para serem escutados como alguém que tem algo a dizer.

       Outra parte, que também inclui gente que está no poder em todas as instâncias, do executivo ao judiciário, finge que os indígenas não existem. Finge tanto que quase acredita. Como não conhecem e, pior que isso, nem mesmo percebem que é preciso conhecer, porque para isso seria necessário não só honestidade como inteligência, a extinção progressiva só confirmaria uma ausência que já construíram dentro de si.

[...] 

Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ eliane-brum/noticia/2012/01/lingua-que-somos-lingua-que-podemos-ser.html>
Segundo a norma padrão, a colocação pronominal deveria ser diferente em:
Alternativas
Q591518 Português
                                   Arquimedes, o bom repórter

      Faz parte do meu ofício inventar. Mentir, sem qualquer consideração teológica. Preencher as páginas em branco, esforçando-me por criar heróis mesquinhos e sublimes. Um ofício que se funde com as adversidades do cotidiano e que, pautado por uma estética insubordinada, comporta todas as escalas morais, afugenta os ideários uniformizadores.

      A literatura brota de todos os homens, de todas as épocas. Sua ambígua natureza determina que os escritores integrem uma raça fadada a exceder-se. Seus membros, como uma seita, vivem na franja e no âmago da realidade, que constrange e ilumina ao mesmo tempo. E sem a qual a criação fenece. A arte dos escritores arregimenta a sucata e o sublime, o que se oxida em meio aos horrores, o que se regenera sob o impulso dos suspiros de amor. Apalpa a matéria secreta que sangra e aloja-se nos porões da alma.

      Há muito sei que a escrita não poupa o escritor. E que, ao ser um martírio diário, coloca-o a serviço do real. E enquanto este mero exercício de acumular palavras, de dar-lhes sentido, for um ato de fé no humano, a literatura seguirá sendo protagonista do enigma que envolve vida e morte. Uma arte que geme, emite sinais, desenha signos, e que constitui uma salvaguarda civilizadora perante a barbárie. Em cujas páginas batalha-se pelo provável entendimento entre seres e situações intoleráveis. Como se por meio de certos recursos estéticos fosse possível conciliar antagonismos, praticar a tolerância, ativar sentimentos, testar os limites da linguagem e da ambiguidade da solidão humana. Salvar, enfim, os seres trágicos que somos.

      Não sei ser outra coisa que escritora. Já pelas manhãs, enquanto crio, apalpo emoções benfazejas, sentimentos instáveis, a substância sob o abrigo do sinistro e da esperança. Tudo o que a realidade abusiva refuta. É mister, contudo, combater os expurgos estéticos para narrara história jamais contada.

      A criação literária, porém, que se faz à sombra da comunidade humana, aproximou-me sempre daqueles cujas experiências pessoais eram vizinhas no ato de escrever. Por isso, desde a infância, senti-me irmanada aos jornalistas no uso das palavras e na maneira de captar o mundo. E a tal ponto vinculada aos jornais que nos vinham a casa, já pelas manhãs, que disputava com o pai o privilégio de lê-los antes dele. De aproximar-me destas páginas vivazes que, arrancando-me da sonolência, proclamavam que a vida despertara antes de mim. O drama humano não tinha instante para começar, precedera-me há horas, há milênios.

PIÑON, Nélida. Aprendiz de Homero. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008, p. 81-82, fragmento. 
“E a tal ponto vinculada aos jornais que nos vinham a casa, já pelas manhãs, que disputava com o pai o privilégio de lê-los antes dele."

No período transcrito, a correlação discursiva entre a expressão “a tal ponto" com o conectivo “que" foi usada para exprimir o sentido de: 
Alternativas
Q591140 Português
Leia os versos de Carlos Drummond de Andrade e analise os termos destacados:

Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer".
Alternativas
Q591139 Português
Analise a frase:

“O homem julga que é superior à natureza, por isso ele a destrói, sem pensar que ela é essencial para sua vida".
Alternativas
Q590320 Português


Internet:  <www.tjdft.jus.br> (com adaptações).
Tendo como referência os aspectos gramaticais do texto, julgue o próximo item.
O pronome “isso" (l.4) retoma a ideia expressa no primeiro período do parágrafo, ou seja, refere-se ao fato de o ouro ser escasso.
Alternativas
Q590311 Português
Acerca dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.
Em “que a mantêm coesa e saudável" (l. 41 e 42), o deslocamento do pronome “a" para logo após a forma verbal “mantêm" prejudicaria a correção gramatical do período.
Alternativas
Q590309 Português
Acerca dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.
Na linha 1, o “que" é um elemento expletivo, empregado apenas para dar realce a “Os juízes".
Alternativas
Q589734 Português
Assinalar a alternativa cuja oração apresenta um pronome indefinido:
Alternativas
Q589695 Português
Sobre a colocação pronominal, analisar a sentença abaixo: 

Por se tratar de uma doença com sintomas inespecíficos, o dono pode demorar a perceber alterações no animal (1ª parte). Sugere-se que uma possível mutação do DNA pode ser a origem do problema (2ª parte). Se faz o tratamento com quimioterapia e medicamentos de suporte para diminuir os efeitos colaterais (3ª parte).

A sentença está: 
Alternativas
Q589506 Português
Peste Alada

   Mosquitos são criaturas terríveis. Estima-se que eles tenham sido responsáveis por metade de todas as mortes de seres humanos ao longo da história. Ou seja, mataram mais gente do que qualquer outra coisa. Isso acontece porque, como se multiplicam rápido e em enormes quantidades, são excelentes transmissores de doenças - como a dengue, que é causada por um vírus chamado DENV. O mosquito pica uma pessoa infectada, adquire o vírus, e o espalha para outras pessoas ao picá-las também. A dengue é uma doença séria, que pode matar, e um grande problema no Brasil: em 2013, o Ministério da Saúde registrou 1,4 milhão de casos, mais que o dobro do ano anterior. Tudo culpa do Aedes aegypti. Ele é um mosquito de origem africana, que chegou ao Brasil via navios negreiros, na época do comércio de escravos. E hoje, impulsionado pela
globalização, levou a dengue a mais de cem países (na década de 1970, apenas nove tinham epidemias da doença). Os números mostram que, mesmo com todos os esforços de combate e campanhas de educação e prevenção, o mosquito está ganhando a guerra.
   Entra em cena o 0X513A, que foi criado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele é idêntico ao Aedes aegypti - exceto por dois genes modificados, colocados pelo homem. Um deles faz as larvas do mosquito brilharem sob uma luz especial (para que elas possam ser identificadas pelos cientistas). O outro é uma espécie de bomba-relógio, que mata os filhotes do mosquito. A ideia é que ele seja solto na natureza, se reproduza com as fêmeas de Aedes e tenha filhotes defeituosos - que morrem muito rápido, antes de chegar à idade adulta, e por isso não conseguem se reproduzir. Com o tempo, esse processo vai reduzindo a população da espécie, até extingui-la. Recentemente, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou o mosquito. E o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a permitir a produção em grande escala do 0X513A- que agora só depende de uma última liberação da Anvisa. A Oxitec, empresa criada pela Universidade de Oxford para explorar a tecnologia, acredita que isso vai ocorrer. Tanto que acaba de inaugurar uma fábrica em Campinas para produzir o mosquito.
   O 0X513A já foi utilizado em testes na Malásia, nas Ilhas Cayman (no Caribe) e em duas cidades brasileiras: Jacobina e Juazeiro, ambas na Bahia. Deu certo. Em Juazeiro, a população de Aedes aegypti caiu 94% após alguns meses de tratamento com os mosquitos transgênicos. Em Jacobina, 92%. As outras formas de combate, como mutirões de limpeza, campanhas educativas e visitas de agentes de saúde, continuaram sendo realizadas. “Nós não paramos nenhuma ação de controle. Adicionamos mais uma técnica”, diz a bióloga Margareth Capurro, da USP, coordenadora técnica das experiências. Há indícios de que o mosquito transgênico funciona. Mas ele também tem seu lado polêmico.
[...]
   Mas, e se o mosquito 0X513A sofresse uma mutação, e se tornasse imune ao gene letal? Afinal, é assim que a evolução funciona. Mutações são inevitáveis. [...] A Oxitec diz que não há risco. Ela estima que até 5% dos filhotes transgênicos poderão sobreviver ao gene letal, e chegar à idade adulta. Mas eles serão menores e mais fracos do que os mosquitos “selvagens”, e por isso não conseguirão se reproduzir. Mesmo se conseguirem, em tese não terão nenhuma característica que os torne mais perigosos que o Aedes comum. Além disso, como eles são criados em laboratório, seu DNA pode ser monitorado. “Os dois genes [que foram] inseridos são muito estáveis. A linhagem 0X513A foi criada em 2002, e até agora teve mais de cem gerações em laboratório, sem nenhuma mudança nos genes inseridos”, afirmou a empresa em nota enviada à SUPER.

Revista Superinteressante, edição 337, set de 2014
O pronome relativo destacado em: “Ele é um mosquito de origem africana, QUE chegou ao Brasil via navios negreiros, na época do comércio de escravos.” funciona como elemento de coesão que, no texto, retoma o termo:
Alternativas
Respostas
8641: B
8642: C
8643: C
8644: C
8645: C
8646: E
8647: E
8648: C
8649: B
8650: E
8651: D
8652: D
8653: A
8654: C
8655: E
8656: C
8657: E
8658: B
8659: C
8660: D