Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Texto CG1A1-I

Assis Moreira. Valor econômico, 18/3/2019.
Internet: <valor.globo.com>
Considerando os aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o item a seguir.
No trecho “os investidores reconhecem cada vez mais o
impacto, para a sociedade, das empresas nas quais investem”
(l. 35 a 37), a substituição de “nas quais” por aonde
prejudicaria a correção gramatical do texto.
No terceiro parágrafo do texto CG1A1-I, a forma pronominal “o”,
em “o lançam” (
29), faz referência a
Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir.
É muito ruim quando os casais ficam habituados_________ brigas. É importante que as pessoas ____________conscientizem ___________ é preciso viver em harmonia.
Escola inclusiva
É alvissareira a constatação de que 86% dos brasileiros concordam que há melhora nas escolas quando se incluem alunos com deficiência.
Uma década atrás, quando o país aderiu à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e assumiu o dever de uma educação inclusiva, era comum ouvir previsões negativas para tal perspectiva generosa. Apesar das dificuldades óbvias, ela se tornou lei em 2015 e criou raízes no tecido social.
A rede pública carece de profissionais satisfatoriamente qualificados até para o mais básico, como o ensino de ciências; o que dizer então de alunos com gama tão variada de dificuldades.
Os empecilhos vão desde o acesso físico à escola, como o enfrentado por cadeirantes, a problemas de aprendizado criados por limitações sensoriais – surdez, por exemplo – e intelectuais.
Bastaram alguns anos de convívio em sala, entretanto, para minorar preconceitos. A maioria dos entrevistados (59%), hoje, discorda de que crianças com deficiência devam aprender só na companhia de colegas na mesma condição.
Tal receptividade decerto não elimina o imperativo de contar com pessoal capacitado, em cada estabelecimento, para lidar com necessidades específicas de cada aluno. O censo escolar indica 1,2 milhão de alunos assim categorizados. Embora tenha triplicado o número de professores com alguma formação em educação especial inclusiva, contam-se não muito mais que 100 mil deles no país. Não se concebe que possa haver um especialista em cada sala de aula.
As experiências mais bem-sucedidas criaram na escola uma estrutura para o atendimento inclusivo, as salas de recursos. Aí, ao menos um profissional preparado se encarrega de receber o aluno e sua família para definir atividades e de auxiliar os docentes do período regular nas técnicas pedagógicas.
Não faltam casos exemplares na rede oficial de ensino. Compete ao Estado disseminar essas iniciativas exitosas por seus estabelecimentos. Assim se combate a tendência ainda existente a segregar em salas especiais os estudantes com deficiência – que não se confunde com incapacidade, como felizmente já vamos aprendendo.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 16.10.2019. Adaptado)
Analise este trecho adaptado de Dom Casmurro, de Machado de Assis:
No meio da confusão, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas.
Sobre ele, NÃO é correto dizer:
O rápido aumento das viagens para o exterior, impulsionado por tarifas aéreas baratas e férias anuais mais longas, estimulou o apetite pelo exótico. Em Bonn, Toronto e outras 50 cidades ocidentais, o número de restaurantes finos cresceu – na França e na Itália já havia vários. O banqueiro e a mulher, o advogado e a família, a diretora da escola e o marido, bem como todas as pessoas do mesmo estrato social, que na década de 1930 entravam em restaurantes somente para festas de casamento, passaram a sair para comer fora com estilo. Os almoços de negócios tornavam-se mais frequentes e mais longos. A moda de comer fora se popularizou graças à prosperidade crescente e às famílias menores, auxiliada também pelo enfraquecimento dos movimentos pela austeridade e abstinência, vigorosos até mesmo durante a década de 1930 em países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e alguns outros. No ápice pela cruzada pela moderação, grupos de protestantes evitavam entrar em restaurantes ou hotéis que servissem refeições, para não verem sobre a mesa a imagem da tentação em forma de uma garrafa de vinho alemão ou francês. No fim do século, essa mudança profunda na maneira de as pessoas cozinharem e comerem, bem como em outros aspectos do dia a dia, encontrava-se em estágio avançado. No início do século, a cozinha era o centro de uma casa típica. Farinha, açúcar e alimentos básicos ficavam guardados em latas e tigelas, e das vigas pendiam réstias de cebola, ervas e carne defumada. Em fogões a lenha ou a carvão, praticamente todas as refeições eram preparadas e também se fervia a água para beber e lavar roupas. Grande parte da vida das mulheres se passava na cozinha, onde preparavam comida e faziam inúmeras outras tarefas. Em 2001, esse modo de vida tornava-se raro na Europa e em boa parte das Américas. A comida pronta, enlatada e congelada tomava conta das despensas. Fogões a gás ou elétricos e fornos de micro-ondas substituíam os antigos fogões e os estoques de carvão ou lenha. Foram mudanças extraordinárias, ocorridas rapidamente e experimentadas por cerca de metade dos lares em todo o mundo. (BLEINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 237).
No que se refere à colocação pronominal, analise os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:
I – Pedro me pediu um livro muito bom.
II – Carlos nunca me pediu um livro emprestado.
III – Foi André quem me pediu dinheiro emprestado.
Leia o seguinte texto jornalístico.
Um adolescente de 13 anos criou um sistema de energia para abastecer barracos, depois que a irmã dele morreu num incêndio causado por uma vela, em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.
A história é parecida com a do filme "O Menino que Descobriu o Vento". A diferença é que Rogério Gonçalves, conhecido como o "Gênio da Lâmpada", é brasileiro e vive no assentamento Jatobá, a 71 km de Campo Grande.
Dos 185 barracos onde vivem as famílias, 8 deles possuem luz elétrica por meio de um sistema que o garoto criou com placas de rádio e bateria de celular. A ideia de não deixar as famílias na escuridão, surgiu após a irmã mais velha morrer queimada aos dois anos de idade em um incêndio causado por uma vela no barraco em que a família morava, em Nioaque, no MS.
( ... )
Disponível em: http://www.sonoticiaboa.eom.br/2019/07 /06/ menino-cria-sistema-energia-irma-morrer-incendio-vela/ Acesso em: 11 jul. 2019.
03. No terceiro parágrafo, o pronome relativo 'que' foi utilizado duas vezes. Ele faz referência , respectivamente, aos seguintes termos:
Com o intuito de enfatizar o termo da oração que funciona como objeto, comumente utiliza-se um pronome oblíquo com sentido e função equivalentes. Considerando o enunciado, assinale a alternativa cujo conteúdo apresenta um objeto indireto pleonástico:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Sobre estar sozinho
01 Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas
02 também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O
03 que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista
04 individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação de dependência,
05 em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
06 A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo,
07 está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que
08 somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
09 Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais
10 a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da
11 ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se
12 sou manso, ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco
13 romântica, por sinal.
14 A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo
15 amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o
16 avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de
17 ficarem sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a
18 perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo,
19 também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um
20 companheiro de viagem.
21 O ser humano é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se
22 adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada
23 a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do
24 outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e
25 significado. Visa à aproximação de dois inteiros e não à união de duas metades. E ela só é
26 possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for
27 competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
28 A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas
29 relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de
30 ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do
31 século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para
32 avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que
33 fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
34 Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo
35 interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de
36 espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso,
37 ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de
38 ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há
39 o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em: https://www.contioutra.com/sobre-estarsozinho-de-flavio-gikovate/. Acesso em 10 jan. 2019.
Os pronomes funcionam como recursos coesivos, auxiliando a retomar termos anteriormente mencionados em um texto e garantindo que este seja coerente e, portanto, dotado de unidade de sentido. A esse respeito, analise as seguintes afirmações:
I. O pronome “suas” (l. 10) está retomando diretamente “processo de despersonalização” (l. 09).
II. O pronome “ela” (l. 24) está retomando diretamente “energia” (l. 23).
III. O pronome “ela” (l. 25) está retomando diretamente “nova forma de amor” (l. 24).
Quais estão corretas?
Que elemento da função morfológica NÃO é usado na Libras?
Leia com atenção o texto e responda o que se pede no comando das questões.
O ninho não mais vazio
Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o Réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a rola — fizeram seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.
Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. "Ela gostou daqui”, ele disse. "Vai voltar para fazer outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?
Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.
E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.
Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia. Só as iniciais: Janio de Freitas.
(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. 1, ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p. 21/ 22)
A forma verbal em que a colocação do pronome seria semelhante a de ''elegem-no'' é:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Arte, música, poemas e histórias: crianças precisam disso?
01 As crianças precisam de arte, histórias, poemas e música tanto quanto precisam de amor,
02 comida, ar fresco e brinquedos. Prive uma criança de alimento e os danos rapidamente se
03 tornarão visíveis. Prive uma criança de ar fresco e brinquedos e os danos se tornarão também
04 visíveis, mas não tão rapidamente. Prive uma criança de amor e os danos, embora possam
05 permanecer ocultos por alguns anos, serão permanentes.
06 Mas prive uma criança de arte, histórias, poemas e música e os danos não serão vistos
07 facilmente. Entretanto, eles estarão lá. Essas crianças, com seus corpos saudáveis, podem
08 correr, pular, nadar e comer vorazmente e fazer muito barulho, como as crianças sempre fizeram
09 – mas algo lhes falta.
10 É verdade que algumas pessoas crescem sem nenhum contato com arte de qualquer tipo
11 e são perfeitamente felizes, vivem vidas boas e preciosas; pessoas em ......... casas não há
12 livros, e que não ligam muito para pinturas, e não entendem para que serve música. Tudo bem.
13 Conheço pessoas assim. São bons vizinhos e bons cidadãos.
14 Mas outras pessoas, em algum ponto de sua infância, ou na juventude, ou talvez em seus
15 anos de maturidade, deparam-se com algo com que jamais sonharam – algo que lhes é tão
16 estranho quanto o lado oculto da lua. Um dia, elas são surpreendidas por uma voz no rádio
17 declamando um poema; ou passam por uma casa de janelas abertas e escutam alguém tocando
18 piano; ou .......... a reprodução de uma certa pintura pendurada na parede de alguém e aquilo
19 lhes atinge como uma pancada tão forte e tão gentil, que elas sentem como que uma vertigem.
20 Nada as havia preparado para aquilo. Elas de repente se dão conta de uma fome enorme que
21 existia por dentro, embora não tivessem ideia disso um minuto atrás; fome de alguma coisa tão
22 doce e saborosa que chega a doer-lhes o coração. Quase choram. Sentem-se tristes e felizes,
23 sozinhas e acolhidas por conta desta experiência sumamente estranha e nova – e anseiam
24 avidamente por ouvir aquela voz do rádio mais de perto, demoram-se ali ao pé da janela, não
25 conseguem desgrudar os olhos da pintura. É isso que queriam, é disso que precisavam – como
26 um homem faminto precisa de alimento –, e não o sabiam. Nem imaginavam.
27 É isso que acontece a uma criança que precisa de música, pinturas ou poesia, ao se deparar
28 com essas coisas por acaso. Não fosse esse acaso, talvez o encontro jamais ocorresse, e ela
29 passaria a vida inteira num estado de inanição cultural da qual nem teria ideia.
30 Os efeitos da inanição cultural não fazem alarde, nem são passageiros. Não são facilmente
31 visíveis. E, como eu sempre digo, algumas pessoas, pessoas boas, bons amigos e bons cidadãos,
32 jamais chegam a viver essa experiência. Estão perfeitamente bem sem isso. Se todos os livros
33 e toda a música e todas as pinturas do mundo desaparecessem da noite para o dia, elas não
34 sentiriam falta; elas nem notariam.
35 Mas essa fome existe em muitas crianças e, muitas vezes, jamais chega a ser satisfeita,
36 porque jamais foi despertada. Muitas crianças em todos os cantos do mundo estão passando
37 fome pela falta de algo que alimenta e nutre suas almas de uma maneira que nada mais no
38 mundo poderia.
39 Dizemos, e com razão, que toda criança tem direito ____ alimentação, ____ abrigo, ____
40 educação, ____ assistência médica e assim por diante. Mas temos de entender que todas elas
41 ......... direito a vivenciar a cultura. Temos de entender verdadeiramente que sem histórias,
42 poemas, pinturas e música, as crianças também passarão fome.
Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/arte-musica-poemas-e-historias-criancas-precisam-disso/ – Texto adaptado para esta prova.
A respeito da ocorrência de pronomes no texto, analise as seguintes assertivas:
I. O pronome ‘eles’ (l. 07) retoma ‘danos’ (l. 06).
II. O pronome ‘lhes’ (l. 09) retoma ‘corpos saudáveis’ (l. 07).
III. O pronome ‘lhes’ (l. 15) retoma ‘outras pessoas’ (l. 14).
Quais estão INCORRETAS?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Arte, música, poemas e histórias: crianças precisam disso?
01 As crianças precisam de arte, histórias, poemas e música tanto quanto precisam de amor,
02 comida, ar fresco e brinquedos. Prive uma criança de alimento e os danos rapidamente se
03 tornarão visíveis. Prive uma criança de ar fresco e brinquedos e os danos se tornarão também
04 visíveis, mas não tão rapidamente. Prive uma criança de amor e os danos, embora possam
05 permanecer ocultos por alguns anos, serão permanentes.
06 Mas prive uma criança de arte, histórias, poemas e música e os danos não serão vistos
07 facilmente. Entretanto, eles estarão lá. Essas crianças, com seus corpos saudáveis, podem
08 correr, pular, nadar e comer vorazmente e fazer muito barulho, como as crianças sempre fizeram
09 – mas algo lhes falta.
10 É verdade que algumas pessoas crescem sem nenhum contato com arte de qualquer tipo
11 e são perfeitamente felizes, vivem vidas boas e preciosas; pessoas em ......... casas não há
12 livros, e que não ligam muito para pinturas, e não entendem para que serve música. Tudo bem.
13 Conheço pessoas assim. São bons vizinhos e bons cidadãos.
14 Mas outras pessoas, em algum ponto de sua infância, ou na juventude, ou talvez em seus
15 anos de maturidade, deparam-se com algo com que jamais sonharam – algo que lhes é tão
16 estranho quanto o lado oculto da lua. Um dia, elas são surpreendidas por uma voz no rádio
17 declamando um poema; ou passam por uma casa de janelas abertas e escutam alguém tocando
18 piano; ou .......... a reprodução de uma certa pintura pendurada na parede de alguém e aquilo
19 lhes atinge como uma pancada tão forte e tão gentil, que elas sentem como que uma vertigem.
20 Nada as havia preparado para aquilo. Elas de repente se dão conta de uma fome enorme que
21 existia por dentro, embora não tivessem ideia disso um minuto atrás; fome de alguma coisa tão
22 doce e saborosa que chega a doer-lhes o coração. Quase choram. Sentem-se tristes e felizes,
23 sozinhas e acolhidas por conta desta experiência sumamente estranha e nova – e anseiam
24 avidamente por ouvir aquela voz do rádio mais de perto, demoram-se ali ao pé da janela, não
25 conseguem desgrudar os olhos da pintura. É isso que queriam, é disso que precisavam – como
26 um homem faminto precisa de alimento –, e não o sabiam. Nem imaginavam.
27 É isso que acontece a uma criança que precisa de música, pinturas ou poesia, ao se deparar
28 com essas coisas por acaso. Não fosse esse acaso, talvez o encontro jamais ocorresse, e ela
29 passaria a vida inteira num estado de inanição cultural da qual nem teria ideia.
30 Os efeitos da inanição cultural não fazem alarde, nem são passageiros. Não são facilmente
31 visíveis. E, como eu sempre digo, algumas pessoas, pessoas boas, bons amigos e bons cidadãos,
32 jamais chegam a viver essa experiência. Estão perfeitamente bem sem isso. Se todos os livros
33 e toda a música e todas as pinturas do mundo desaparecessem da noite para o dia, elas não
34 sentiriam falta; elas nem notariam.
35 Mas essa fome existe em muitas crianças e, muitas vezes, jamais chega a ser satisfeita,
36 porque jamais foi despertada. Muitas crianças em todos os cantos do mundo estão passando
37 fome pela falta de algo que alimenta e nutre suas almas de uma maneira que nada mais no
38 mundo poderia.
39 Dizemos, e com razão, que toda criança tem direito ____ alimentação, ____ abrigo, ____
40 educação, ____ assistência médica e assim por diante. Mas temos de entender que todas elas
41 ......... direito a vivenciar a cultura. Temos de entender verdadeiramente que sem histórias,
42 poemas, pinturas e música, as crianças também passarão fome.
Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/arte-musica-poemas-e-historias-criancas-precisam-disso/ – Texto adaptado para esta prova.
As lacunas pontilhadas das linhas 11, 18 e 41 ficam, correta e respectivamente, preenchidas por:
A alternativa redigida de acordo com a norma-padrão de concordância nominal e de colocação de pronomes é:
Leia o texto para responder às questões de números 11 a 20.
União, gente
___Nunca se despreze o poder de uma ideia cuja hora chegou. Minha rebelião contra a salsinha ganha adeptos e, a julgar pela correspondência que recebo, esta era uma causa à espera do primeiro grito. Só não conseguimos ainda nos organizar e partir para a mobilização – manifestações de rua, abraços a prédios públicos – porque persiste uma certa indefinição de conceitos. Eu sustento que “salsinha” é nome genérico para tudo que está no prato só para enfeite ou para confundir o paladar, o que incluiria até aqueles galhos de coisa nenhuma espetados no sorvete, o cravo no doce de coco, etc. Outros, com mais rigor, dizem que salsinha é, especificamente, o verdinho picadinho que você não consegue raspar de cima da batata cozida, por exemplo, por mais que tente. Outros, mais abrangentes até do que eu, dizem que salsinha é o nome de tudo que é persistentemente supérfluo em nossas vidas, da retórica ao porta-aviões, passando pelo cheiro-verde. Meu conselho é que evitemos a metáfora e a disputa semântica e, unidos pela mesma implicância, passemos à ação.
___Mas, como se esperava, começou a reação dos pró-salsinhas. Alegam que a salsinha não é uma inconsequência culinária, mas tem importância gastronômica reconhecida, tanto que na cozinha francesa faz parte do nome de um prato – isto é, eles não só usam a salsinha como a anunciam! E não podia faltar: um salsófilo renitente, o jornalista Reali Jr., alega que a salsinha é, inclusive, afrodisíaca. Agora só falta dizerem que o verde intrometido tem vitamina V.
(Luis Fernando Verissimo. A mesa voadora. Rio de Janeiro,
Objetiva, 2010, Adaptado)
Observe as seguintes passagens do texto:
• Meu conselho é que evitemos a metáfora e a disputa semântica... (1o parágrafo)
• ... incluiria até aqueles galhos de coisa nenhuma espetados no sorvete, o cravo no doce de coco, etc. (1o parágrafo)
• ... eles não só usam a salsinha... (2o parágrafo)
Considerando-se a colocação pronominal segundo a norma-padrão da língua, ao se substituírem as expressões destacadas por pronomes, tem-se respectivamente:
