Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Os pronomes podem ser flexionados em modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), gênero (masculino e feminino), número (singular e plural), pessoa (primeira, segunda e terceira) e voz (ativa e passiva).
Texto para o item.

Com base na leitura do texto, julgue o item.
A expressão “nesta” (linha 2) refere‑se a um período de tempo fora do texto.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
CANÇÃO NA PLENITUDE
(1º§) Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida se machucou, há muito.
(2º§) Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
(3º§) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
(4º§) A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
(5º§) Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.
(6º§) Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.
(Lya Luft é escritora e poetisa.) − (jornaldepoesia.jor.br/lyaluft.html) − (Acesso 03.10.2023) − (Adaptado)
Marque a informação que não se comprova no período transcrito a seguir:
"O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos"
Leia o Texto 2 para responder à questão.
Texto 2
Entrevista do Globo Repórter à professora Hália Pauliv, especialista em adoção
Existe limite de idade para adotar?
Não, mas deve prevalecer o bom senso. Uma pessoa com 55 anos e deseja um bebê é imprudente, pois quando o filho estiver com 10 anos ela terá 65: será pai-avô ou mãeavó. Algumas até terão disposição para educar, acompanhar as atividades. Isso é resolvido com as técnicas da adoção.
O que pode qualificar pretendentes como inaptos à adoção?
Entre os documentos exigidos estão o atestado de boa conduta e a certidão negativa. Durante as entrevistas, as técnicas podem descobrir algo. Que eu saiba, é raro acontecer isso. Ao suspeitarem de algo, as técnicas encaminham as pessoas para avaliação mais profunda com psicólogos.
Disponível em: https://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1314178-16619,00-ESPECIALISTA+EM+ADOCAO+TIRA+DUVIDAS+DOS+INTERNAUTAS.html
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1
Cientista brasileiro batiza novo gênero de aranha com nome da banda Abba
Especialistas em aranhas e fãs da banda Abba, os biólogos Pedro Castanheira e Volker Framenau, da Universidade de Perth, na Austrália, uniram trabalho e diversão em um estudo que durou 15 anos e cujas conclusões foram publicadas recentemente na revista Evolutionary Systematics. No artigo, os cientistas brasileiro e alemão descrevem um novo gênero de aracnídeo, Abba transversa, ao qual incorporaram o nome do grupo pop sueco. Ao longo de suas carreiras, os pesquisadores deram nomes a muitas outras aranhas, incluindo a criação do gênero Socca (do latim, para o termo em inglês que significa futebol) e duas em homenagem a suas esposas.
Os integrantes do Abba podem se sentir lisonjeados. No estudo, Castanheira e Framenau relatam que as “músicas e musicais subsequentes da banda, Mamma Mia! (2008) e Mamma Mia – Here We Go Again! (2018), proporcionaram horas de entretenimento para os autores”. A descrição é resultado de mais de uma década de trabalho científico, com os pesquisadores analisando 12.000 registros em museus australianos e coleções no exterior.
O novo gênero é composto por uma única espécie relativamente pequena, justamente a Abba transversa, cujos indivíduos habitam a área costeira da Austrália. Diferencia-se das demais espécies da família Araneidae pela presença de duas manchas escuras no meio do abdome e pelas espessas macrocerdas no primeiro par de patas dos machos.
GIANNINI, Alessandro. Disponível em:
Os pronomes relativos (que, quem, qual, cujo, onde, quanto) substituem um termo da oração anterior e estabelecem relação entre as duas orações, como neste exemplo: Li o livro. Você me falou do livro.
“Li o livro de que você me falou”.
Assinale a alternativa em que os três períodos a seguir estão adequadamente reunidos por meio de pronomes relativos, obedecendo às normas da regência verbal.
- As ideias foram expostas na reunião.
- Simpatizamos com essas ideias.
- Participamos da reunião.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, observando a grafia das palavras e o emprego correto de crase, pronomes e acentuação, no seguinte texto humorístico, denominado “A mensagem inesperada”.
Um casal decidiu passar férias numa praia do Caribe, no mesmo hotel onde passou a lua de mel ______ 20 anos. Por problemas de trabalho, a mulher não _____ viajar com seu marido, mas iria na semana seguinte.
Quando o marido chegou, foi para o seu quarto de hotel e viu que havia um computador com ______ internet. Imediatamente, decidiu enviar um e-mail à esposa, mas errou uma letra no endereço e não percebeu que a mensagem foi enviada a outra pessoa.
O e-mail foi recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro do marido. Ao entrar na casa, o filho da pobre viúva ______ encontrou-a desmaiada perto do computador, em cuja tela se podia ler:
“Querida esposa, cheguei bem. Imagino que você esteja surpresa ao receber notícias minhas por e-mail, mas agora aqui tem computador e eu posso usá-lo o quanto quiser. Acabei de chegar e vi que está tudo preparado para a sua chegada na semana que vem. Um beijo do seu marido.”
Desde o tempo de xamãs e curandeiros, as pessoas têm uma demanda por produtos que aliviem 'a dor', auxiliem na interação social, facilitem 'o sono' ou aplaquem 'a ansiedade'.
Substituindo os termos destacados por seus respectivos pronomes pessoais oblíquos, tem-se:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Vespa invasora ameaça abelhas
Uma invasão de vespas asiáticas ameaça prejudicar as populações de abelhas no Reino Unido, pois os insetos se alimentam de abelhas e vespas nativas, prejudicando a biodiversidade. O alerta surge no momento em que cientistas renomados divulgam um relatório global sobre as ameaças causadas por espécies invasoras, também chamadas de espécies exóticas. Estudos mostram que os invasores têm influência em 60% das extinções de animais e plantas do planeta.
Espécies exóticas são seres vivos transportados pelos humanos a lugares onde não estariam naturalmente. Exemplos vão desde a Uva do Japão até fungos que matam árvores. Eles são um dos cinco principais impulsionadores da perda de biodiversidade e prevê-se que o problema se agrave.
A vespa asiática é um exemplo de espécie exótica em risco de ganhar uma posição permanente no Reino Unido. Em Folkestone, um dos focos de ocorrência de vespas asiáticas, o apicultor Simon contabiliza os custos para suas abelhas. Ele diz que os predadores que comem abelhas causam devastação, com dez das suas dezessete colmeias perdidas rapidamente. "Esses insetos se estabelecerão aqui e predarão todos os outros, especialmente as abelhas, sua fonte natural de alimento", alerta. "Eles acabarão destruindo ou complicando a apicultura para todos, reduzindo a biodiversidade na área de toda a Inglaterra."
Quando visitamos seu apiário, vimos várias vespas asiáticas capturadas naquele dia. O Departamento do Meio Ambiente afirma que a vespa asiática não representa maior risco para a saúde humana do que outras vespas, mas causa danos às colônias de abelhas que produzem mel e outros insetos benéficos. A população britânica foi aconselhada a se manter atenta e relatar imediatamente caso uma vespa seja vista.
É importante tomar cuidado para não se aproximar ou perturbar o ninho. "Ao garantir o alerta sobre possíveis casos o mais cedo possível, podemos tomar medidas rápidas e eficazes para acabar com a ameaça representada pelas vespas asiáticas", disse Nicola Spence, chefe do Departamento do Meio Ambiente e responsável pela saúde das abelhas.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c061pgrk3rko. Adaptado.
Uma invasão de vespas asiáticas ameaça prejudicar 'as populações de abelhas' no Reino Unido, pois 'os insetos' se alimentam 'de abelhas e vespas nativas', prejudicando 'a biodiversidade'.
Assinale a opção correta quanto ao uso pronominal na substituição de 'algumas' das expressões destacadas na frase:
A palavra “aonde” é formada pela união da preposição “a” e do advérbio, ou pronome relativo “onde”.
Portanto, só usamos esse termo quando ele vem acompanhado de outro termo que exija a preposição “a”. Expõe noção de movimento, não apresenta ideia de permanência, mas de movimento, transporte.
“Onde” é um advérbio de lugar e também pode exercer a função de pronome relativo (quando se refere a um lugar mencionado anteriormente na frase). Possui noção de lugar, mas sempre no sentido estático, permanente, isto é, sem movimento.
Sobre o uso de onde e aonde, assinale a alternativa indevida.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A BASE PARA O ENSINO DA GRAMÁTICA
(1º§) Os professores de Língua Portuguesa enfrentam um problema que vem se agravando dia após dia. Os alunos concluem o ensino básico, na sua grande maioria, sem dominar, às vezes até odiando, a língua pátria.
(2º§) O maior encalço na vida dos estudantes é entender a gramática da língua portuguesa. Muitos deles não conseguem compreender o porquê da existência de tantas regras, e exceções, que, em seus entendimentos, não possuem nenhum valor. Daí vem a questão: deve-se continuar a minar esse pensamento nos alunos ou está na hora de mudar a maneira de se ensinar a norma culta da língua portuguesa? Será que não se associa a gramática à arte, à cultura e à literatura. Ou se pretende ensinar língua portuguesa decorativamente? Não se pode pensar assim. A arte é fantástica, a cultura compreende tudo e a literatura se engaja com os efeitos da leitura.
(3º§) A língua portuguesa dispõe de vários tipos de gramática, mas as principais são: a normativa, a descritiva, a gerativa e a funcional. Três, dessas quatro, são desconhecidas pela maioria dos brasileiros, pois são estudadas somente nos cursos de graduação em Letras, a outra é comum a todos: a normativa. Ela é chamada assim porque é a responsável por essas regras que assombram a vida dos alunos.
(4º§) Nos dias de hoje, deve-se mostrar a prática de uso da norma e não somente teorias e exemplos descontextualizados. Para que o estudante possa ver a importância de tantas regras, tem de se provar que o não uso pode provocar desde interpretações equivocadas até a impossibilidade de comunicação. Partindo desse ponto, surge a seguinte pergunta de pesquisa: Há como professor utilizar o texto como base para o ensino da gramática?
(5º§) A justificativa de se ter o texto como base para o ensino da gramática, de acordo com as novas perspectivas de ensino, está na impossibilidade de se ter como base a análise de estratos, os quais descontextualizados não têm valor para as competências: discursiva (capacidade de usar a língua de modo variado), linguística (capacidade de conhecer a língua de uma comunidade específica) e estilística (capacidade de conhecer diferentes estilos). Para que o aluno tenha o domínio dessas três competências, as quais norteiam o desenvolvimento do português, seja na fala ou na escrita, o texto é
ferramenta ideal.
(6º§) Diante disso, este estudo, baseado em pesquisas bibliográficas, tem como objetivo geral mostrar a importância de contextualizar o ensino da gramática. Além de: conceituar gramática e texto; questionar os resultados do atual método de ensino da norma; refletir sobre as consequências do ensino da gramática nas perspectivas de hoje; conhecer os novos métodos de ensino.
(7º§) A gramática contempla quatro momentos: o primeiro dá o conceito geral de gramática e trabalha com cinco especificidades: gramática normativa, gramática descritiva, gramática gerativa, gramática internalizada e gramática funcional. No segundo momento, dá-se o conceito de texto e de seus tipos e gêneros, além de conceituar coesão e coerência. Em seguida, no terceiro momento, fala-se da aliança entre texto e gramática e por fim, dão-se sugestões para trabalhar texto e gramática juntos.
(8º§) Aos professores de português cabe a obrigação de ensinar a norma culta, sem desprestigiar todas as questões norteadas nas outras gramáticas, pois essas devem trabalhar aliadas, de forma contextualizada para que o aluno perceba como se dá o uso da língua portuguesa, principalmente na escrita. Aos alunos cabe se adaptar a essa nova perspectiva de ensino, deixando de lado a resistência de produzir elementos que certamente colaborarão para o aprendizado dessas normas, principalmente o texto.
(9º§) Entenda que a gramática estrutura as normas da língua. A língua depende da gramática, uma vez que são forças atuantes e indissociáveis.
(DAMASCENO JUNIOR, Raimundo Nonato Silva. Faculdade Evangélica de Brasília, Distrito Federal, 2009). (Texto adaptado)
Analise as assertivas com o código V (Verdadeiro) ou F (Falso).
(__) O período: "Muitos deles não conseguem compreender o porquê da existência de tantas regras, e exceções, que, em seus entendimentos, não possuem nenhum valor". − Contém, respectivamente: "porquê" − exemplo de derivação imprópria, daí a mudança de classe gramatical; "exceções" é palavra trissílaba oxítona sem acento gráfico que justifique a tonicidade, pois TIL não é acento, é marca suprassegmental de nasalização; "nenhum" é pronome indefinido variável.
(__) Na morfologia nominal, temos indicação de gênero e de número de nomes: substantivos, adjetivos, pronomes, numerais) − Exemplos: o(s) carro(s), os carros; a(s) mesa/as mesas; bonita(s)/bonito(s); seu(s)/sua(s); Dois/duas; duzentos/duzentas.
(__) Na morfologia verbal, existe apenas a centralização nos verbos irregulares. Ex.: (caber/fazer) e abundantes. Ex.:Eleger (eleito/elegido).
(__) A palavra cultura é derivada de colere, do Latim, que significa "cuidar de". A palavra arte é derivada de ars, do Latim, que significa "técnica", "habilidade". A cultura é comumente associada com diferentes tipos de artes, como a música, o teatro e a pintura.
Marque a alternativa com a série correta.
I. “Isso aí explica muita coisa.”
II. “Meu filho. Um Autorama!”
III. “Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados”
Nas sentenças dadas, ocorrem, respectivamente, pronomes dos tipos:
Instrução: Leia o Texto para responder à questão.
Como a avaliação de leitura escancara desigualdade do Brasil
Média do país esconde um abismo: a elite não vai mal, enquanto os alunos pobres, que são a maioria, têm baixo nível de aprendizagem
Ernesto Martins Faria e Lecticia Maggi
27 de maio de 2023
O Brasil conseguiu média de 419 pontos no Pirls (Progress in International Reading Literacy Study), uma avaliação global de leitura, aplicada a alunos do 4° ano do Ensino Fundamental, e cujos resultados foram divulgados recentemente. Foi a estreia do país no exame, que ocorre a cada cinco anos, desde 2001, por iniciativa da IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement), uma cooperativa de instituições de pesquisa e acadêmicos. Na última edição, de 2021, foram avaliados 65 países ou regiões e o Brasil ficou nas últimas colocações, atrás de nações como Uzbequistão e Azerbaijão.
No entanto, é importante relembrar que a média é, como o próprio nome diz, uma média da pontuação de todos os estudantes que compuseram a amostra. Isso evidentemente nos ajuda a conhecer a situação do país, mas não é suficiente para indicar quais são as ações mais urgentes. Uma análise mais aprofundada do Pirls, considerando os resultados por nível socioeconômico, chamado de NSE, dos estudantes, escancara a profunda desigualdade educacional brasileira: temos uma pequena elite (formada por 5% dos estudantes) que conseguiu 546 pontos. Esses alunos não ficam tão atrás do desempenho obtido por colegas de alto NSE de países como Espanha (550 pontos), França (553) e Portugal (555). Superam Geórgia (521) e a região da Bélgica de língua: francesa (531). Pode-se dizer, portanto, que são competitivos internacionalmente.
Já na outra ponta estão os alunos de baixo nível socioeconômico do Brasil: grupo formado por 64% dos estudantes, que obtiveram média de 390 pontos. Seus resultados são muito inferiores aos dos alunos de mesmo NSE de Espanha (488), França (462) e Portugal (488), por exemplo. Aqui, é necessária uma ponderação: ainda que o indicador de NSE busque fazer equivalência entre os estudantes dos diversos países participantes - considerando em seu cálculo as respostas dos pais ou responsáveis sobre os recursos presentes dentro de casa, e a escolaridade e profissão deles - sabe-se que não é uma medida perfeita. Os estudantes brasileiros pobres, muito provavelmente, têm desafios maiores que os estudantes de baixo nível socioeconômico de nações ricas.
No entanto, não há justificativa plausível para esse abismo. Como o próprio Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) traz em seu resumo executivo sobre o Pirls, a diferença na média dos estudantes brasileiros de alto e de baixo NSE foi de 156 pontos. Em nível internacional, a diferença entre esses grupos é de 86 pontos.
Os estudantes brasileiros pobres não conseguiram alcançar o nível mais baixo da escala: 400 pontos. Dessa forma, não é possível aferir o que eles são ou não capazes de fazer. É bastante provável que uma parcela relevante desses alunos, em especial aqueles que obtiveram menos de 340 pontos (25%), não tenha conseguido sequer ler a prova. Em outras nações, não há estudantes com menos de 300 pontos e pontuação inferior a 400 é um cenário de exceção.
As desigualdades raciais do Brasil também estão presentes nos resultados: estudantes autodeclarados brancos e amarelos alcançaram média de 457 pontos, enquanto estudantes pretos, pardos e indígenas, de 399. Há também diferenças por gênero: meninas obtiveram média de 431 pontos contra 408 dos meninos.
Além do nível socioeconômico e da cor/raça, o Pirls também aponta outros fatores relacionados aos resultados. Entre os fatores extraescolares, destacam-se a importância do suporte dos pais ou responsáveis e do hábito leitor deles. Estudantes cujos pais ou responsáveis costumavam ler, contar histórias ou cantar músicas para eles tiveram média de 518 pontos ante 418 daqueles que "nunca" ou "quase nunca" tiveram essas atividades em casa. Estudantes com pais que disseram "gostar muito" de ler conquistaram 526 pontos ante 479 daqueles com pais que "gostam pouco" ou "não gostam" de ler.
São apontados também fatores escolares com influência nos resultados, como a escassez de recursos relacionados à leitura, como livros. Nas escolas em que os diretores responderam que o ensino não foi afetado pela escassez de recursos (26% do total), a média dos estudantes foi de 481 pontos. Já nas unidades em que os diretores reportaram que "afetou de alguma maneira" (73%), a média foi de 398. Aqui surge uma questão importante: as escolas precisam compensar as desigualdades socioeconômicas de seus estudantes, porém, elas não têm conseguido isso. As unidades com maior escassez de recursos são aquelas que atendem alunos de baixo nível socioeconômico, justamente as que mais dependem de um currículo e de um sistema de avaliação público exigentes. Por isso, a importância de se rever o atual Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) para que cubra habilidades mais complexas dos estudantes.
O que o Pirls revela é que a aprendizagem em leitura na idade adequada é para poucos no Brasil. E esses poucos têm um perfil bem definido: alto nível socioeconômico, brancos, com pais com hábito leitor e inseridos em um sistema que garante os recursos necessários para oportunizar a leitura. Alunos que estão, em sua maioria, em escolas privadas de elite (já que também há baixa qualidade em escolas particulares). É um grupo seleto e privilegiado com suporte dentro e fora da escola, enquanto a maior parte dos estudantes não conseguem ter boas oportunidades educacionais.
O que devemos fazer como sociedade é nos incomodarmos com esses resultados e refletirmos sobre nossos currículos, avaliações, programas de formação de professores e materiais didáticos. Olharmos para o que outros países fazem (e como fazem). E, mais do que tudo, não aceitar que a educação favoreça os já favorecidos. A educação precisa ser um mecanismo efetivo de combate às desigualdades sociais.
Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2023/05/27/Como-a-avalia%C3%A7%C3%A3o-de-leitura-escancara-desigualdade-do-Brasil>. Acesso em: 24 de maio de 2023.
"Estudantes cujos pais ou responsáveis costumavam ler, contar histórias ou cantar músicas para eles tiveram média de 518 pontos ante 418 daqueles que "nunca" ou "quase nunca" tiveram essas atividades em casa."
É CORRETO afirmar que o termo em destaque é um pronome relativo com valor semântico de: