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Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 10.458 questões

Q3350961 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A arte de andar de ônibus.

O transporte público no Brasil é algo essencial para a maioria da população, que vive verdadeiras aventuras ao usufruir deste meio. Em um ônibus pode acontecer e acontece de quase tudo, senão tudo...!

Eis quem vos escreve também usa este meio para se locomover. Um ônibus é um carro grande com um motorista que gosta dos extremos, tem aquele que é mais lento e vive na vibe do paz e amor, e aquele outro que curte a adrenalina e não tá nem aí "manda" o passageiro pular dentro do ônibus para este mesmo passageiro desenvolver algumas técnicas para se equilibrar.

O motorista paz e amor não liga se o amigão do carro pequeno ao lado tá há meia hora buzinando e xingando ele. Manda os passageiros subirem, não liga se não vai dar mais ninguém, pois acha que ônibus é que nem coração de mãe, cabe sempre mais um. Vale lembrar que alguns deles acham que dois corpos ocupam SIM o mesmo lugar no espaço. Acho que cabe mesmo, é só lembrar daqueles indivíduos que acham que podem ficar atrás apertando você contra a cadeira, quase fazendo você sentar no colo de outro passageiro, que te olha com a cara feia, como se a culpa pelo empurrão fosse sua.

Não existe maior interação social do que andar de coletivo, o próprio nome já diz tudo todos estão no aperto juntos. Tem desde o educado até o totalmente mal educado, desde o grosso até o que cede a cadeira para o idoso, da criança berrando querendo peito da mãe, e as figuras como os DJ's e o pessoal da igreja no ônibus. Sem esquecer os que pedem ajuda, com o discurso praticamente pronto e igual ao do outro que vai subir no ponto seguinte. Quem lembra do "Bom dia desculpem estar aqui atrapalhando a viagem das vossas pessoas"?

Por falar em figuras que aparecem, é quase diário quando vejo três figuras certas: o DJ, o cantor e o pastor. Me diz aí qual é o pior?

O pastor é aquele que vê o diferente classifica-os como perdidos e adjetivos afins e inicia a pregação, os cantores (e cantoras) são os que devem se sentir frustrados, e não satisfeitos, resolvem desbravar e abrir os pulmões dentro dos coletivos que estamos falando aqui. E por último e não menos importante (ou não), eles, os DJ's de ônibus. Figuras esdrúxulas que possuem fortes sintomas de egocentrismo e acham que seu gosto é universal, amplamente aceito e sem características ruins. Estes indivíduos são por muitos odiados, pois simplesmente colocam seus equipamentos nas alturas obrigando todos a partilharem de sua música e esquecem que fone de ouvidos estão aí para serem utilizados.

A universalidade dos protagonistas dos coletivos é grande, isso mesmo, quem aí já tirou aquela soneca gostosa e esqueceu-se da vida por alguns minutos (que na verdade são segundos!)? Não é novidade os engarrafamentos, apesar de muitos odiarem e se estressarem fácil, para os sonecas de coletivos tem uma ótima função, cochilar, cochilar e/ou dormir. Existem os pescadores natos, os sonâmbulos e, pra mim, o mais, vamos dizer, especial: aquele que dorme do momento que sentou até a hora de descer. Detalhe: inexplicavelmente, ele sabe a hora de parar e pedir a parada. Dom de poucos, não?!

Há quem diga que andar de ônibus é uma aventura ou testar a paciência diariamente. A real é que andar de ônibus é uma arte de sentir todas as emoções e situações possíveis, é paquerar sem saber que pode durar até o ponto seguinte, é ser eclético, é ser cantor, é ser filósofo, é saber dividir, saber esperar, esperar mesmo sozinho no ponto, mas esperar e por mais tempo que você espere você sabe que está mais perto do ônibus chegar ou então chegar no ponto e 10 segundos depois seu ônibus chegar ou então ele já ter passado, é sinalizar pro motorista e ele passar direto e, de quebra, sorrir da sua cara. Ou então, correr e na hora não ser o seu ônibus, enfim é aventurar.

O coletivo é uma aventura ímpar, pois proporciona um tour pela cidade, a oportunidade de conversar com aquela pessoa e possivelmente nunca mais ver, é treinar a virtude da paciência é se preocupar, é o momento da leitura, é se desligar do Mundo, é dormir, é acordar, é malhar (sentar e levantar é um ótimo exercício), enfim, andar de ônibus é uma arte.


(Jonas Sakamoto, 8 de junho de 2012)
"Sem esquecer os que pedem ajuda, com o discurso praticamente pronto (...)". Sobre o excerto, não se pode afirmar:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IDCAP Órgão: UEFS Prova: IDCAP - 2024 - UEFS - Técnico em Enfermagem |
Q3349434 Português
As revelações de nova pesquisa sobre condições do planeta Urano

Até pouco tempo atrás, os cientistas acreditavam que o planeta Urano e suas cinco maiores luas eram mundos completamente estéreis, sem possibilidade de vida.

Agora, eles descobriram que as luas do gigante gelado podem ter oceanos e até ser capazes de sustentar vida, dizem os cientistas.

Muito do que sabemos sobre elas foi coletado pela nave espacial Voyager 2 da Nasa, que visitou o planeta há muitos anos.

Uma nova análise dos mesmos dados mostra que a visita da Voyager coincidiu com uma poderosa tempestade solar, o que levou a uma ideia enganosa de como o sistema uraniano realmente é.

Urano é um planeta nos confins do sistema solar composto por um núcleo rochoso cercado por gelo.

É um dos planetas mais frios, e inclinado para o lado em comparação com outros planetas — o que também o torna um dos planetas mais estranhos.

Cientistas tiveram a chance de analisar Urano com mais detalhes pela primeira vez em 1986, quando a Voyager 2 passou por ele e tirou fotos sensacionais do planeta e de cinco das suas maiores luas.

Mas o que impressionou os cientistas é que as informações coletadas pela Voyager 2 e enviadas para a Terra mostram que o sistema planetário de Urano, o planeta e suas luas, é ainda mais estranho do que se pensava. 

Os dados coletados pelos instrumentos da nave indicavam que eles eram inativos, diferentemente de outros sistemas planetários. Eles também mostravam que o campo magnético de Urano era estranhamente distorcido — era meio esmagado e empurrado para longe do Sol.

O campo magnético segura quaisquer gases e outros materiais que saiam do planeta e suas luas.

A Voyager 2 não encontrou esses materiais, o que era um indício de que o planeta e suas luas eram inativos e estéreis.

Isso foi uma surpresa, porque nenhum dos outros planetas do sistema solar é assim.

Mas uma nova pesquisa resolveu este mistério de longa data. Ela mostrou que a Voyager 2 passou pelo planeta em um dia ruim.

O estudo mostra que, quando a Voyager passava por Urano, o Sol desencadeava uma tempestade solar que criou um poderoso vento que soprou o material dos planetas para fora do campo magnético.

 "Então, por quarenta anos, tivemos uma visão incorreta de Urano e de suas cinco maiores luas", explica o pesquisador William Dunn, da University College London.

"Esses resultados demonstram que o sistema uraniano é mais emocionante do que se pensava anteriormente", diz Dunn.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy4nd3ewljo.adaptado.
É um dos planetas mais frios, e inclinado para o lado em comparação com outros planetas — o que também "o torna" um dos planetas mais estranhos.
Na expressão destacada, tem-se:
Alternativas
Q3347385 Português
Leia o texto para responder à questão.


    Com a seriedade que lhe conferiam seus poucos anos a mais, além de sua condição de bacharel em direito e professor, João Etienne Filho não embarcava nas estripulias dos companheiros. Sempre se mantinha sóbrio, conta, para cuidar deles. Entrou em pânico na madrugada em que viu Fernando Sabino encarapitado1 no arco do viaduto, na postura de quem se atiraria de um trampolim.
    Hélio Pellegrino se aprazia em brincar com Etienne. Tinha mania de carregá-lo na avenida Afonso Pena – como, aliás, Paulo Mendes Campos fez um dia com Monteiro Lobato na avenida São João, no centro de São Paulo, na euforia de estar diante de um dos heróis de sua infância.
    O convívio nem sempre era idílico2, e houve momentos em que Etienne se magoou de verdade com os quatro amigos – a ponto de escrever uma carta a Mário de Andrade, queixando-se. Recebia mal as brincadeiras de Otto Lara Resende, por exemplo. Quando publicou seu primeiro livro, Dia e noite, Etienne morava no primeiro andar da farmácia de uns tios, em Copacabana, que se chamava exatamente Dia e Noite – e Otto espalhou que o título da obra visava promover o estabelecimento.
    Nada o magoou mais, no entanto, que as insinuações de que seria ele o inspirador de Hugo, personagem de O encontro marcado a certa altura envolvido com um aluno, “um negócio meio escandaloso”. “Foi uma safadeza do Fernando”, reagiu Etienne, lembrando que Hugo foi basicamente inspirado em Otto Lara Resende, assim como Mauro é quase todo Hélio Pellegrino e Eduardo Marciano o próprio romancista.


(Humberto Werneck. O desatino da rapaziada. Companhia das Letras, 1992. Adaptado)


Vocabulário:
1encarapitar: pôr-se no alto.
2idílico: de amor terno e delicado.

A alteração da posição do vocábulo destacado em relação ao trecho original mantém a norma-padrão de colocação pronominal em: 
Alternativas
Q3344992 Português

E alguns trabalhadores procuram 'empregos' fora do setor.


 O pronome que substitui o termo destacado, mantendo-se a forma culta da língua,         

Alternativas
Q3344926 Português
Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal e de colocação pronominal.
Alternativas
Q3343892 Português
Leia o texto para responder à questão.


    Com a seriedade que lhe conferiam seus poucos anos a mais, além de sua condição de bacharel em direito e professor, João Etienne Filho não embarcava nas estripulias dos companheiros. Sempre se mantinha sóbrio, conta, para cuidar deles. Entrou em pânico na madrugada em que viu Fernando Sabino encarapitado1 no arco do viaduto, na postura de quem se atiraria de um trampolim.

    Hélio Pellegrino se aprazia em brincar com Etienne. Tinha mania de carregá-lo na avenida Afonso Pena – como, aliás, Paulo Mendes Campos fez um dia com Monteiro Lobato na avenida São João, no centro de São Paulo, na euforia de estar diante de um dos heróis de sua infância. 

    O convívio nem sempre era idílico2 , e houve momentos em que Etienne se magoou de verdade com os quatro amigos – a ponto de escrever uma carta a Mário de Andrade, queixando-se. Recebia mal as brincadeiras de Otto Lara Resende, por exemplo. Quando publicou seu primeiro livro, Dia e noite, Etienne morava no primeiro andar da farmácia de uns tios, em Copacabana, que se chamava exatamente Dia e Noite – e Otto espalhou que o título da obra visava promover o estabelecimento. 

    Nada o magoou mais, no entanto, que as insinuações de que seria ele o inspirador de Hugo, personagem de O encontro marcado a certa altura envolvido com um aluno, “um negócio meio escandaloso”. “Foi uma safadeza do Fernando”, reagiu Etienne, lembrando que Hugo foi basicamente inspirado em Otto Lara Resende, assim como Mauro é quase todo Hélio Pellegrino e Eduardo Marciano o próprio romancista.


(Humberto Werneck. O desatino da rapaziada. Companhia das Letras, 1992. Adaptado)


Vocabulário:

1 encarapitar: pôr-se no alto.

2 idílico: de amor terno e delicado.
Assinale a alternativa em que há regência e emprego do pronome, em conformidade com a norma-padrão e com o que se afirma no texto.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUMARC Órgão: Prefeitura de Betim - MG Provas: FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Assistente Social 20H / 30H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Biólogo | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Bioquímico | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Buco-Maxilo-Facial | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Disfunção Tempo-Poromandibular e Dor Orofacial | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Endodontia | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em PNE | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Estomatologia | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Odontopediatria | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Periodontia | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista - Especialista em Prótese Dental | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Cirurgião Dentista | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Nutricionista | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Odontólogo | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fisioterapeuta 20H / 30H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Médico Generalista | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Médico Homeopata | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Médico Pediatra | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Enfermeiro 24H / 40H / 44H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Médico Psiquiatra 20H / 24H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Médico Veterinário | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Médico | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Engenheiro Clínico | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Nutricionista 20H / 44H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Psicólogo 20H / 44H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Epidemiólogo | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Farmacêutico 20H / 44H | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Biólogo | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Biomédico | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Enfermeiro | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Engenheiro de Alimentos | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Farmacêutico | FUMARC - 2024 - Prefeitura de Betim - MG - Fiscal Sanitário II - Médico Veterinário |
Q3342887 Português
Como dominar os monstros interiores


        Aos 16 anos comecei a ler Simone de Beauvoir, Schopenhauer, Nietzsche, Spinoza, Sartre, Marco Aurélio, Sêneca, Epicteto e outros filósofos que me ajudaram nos momentos mais difíceis da minha vida. Nunca mais parei: é na filosofia que encontro um pouco de coragem, força e determinação para descobrir a melhor atitude que posso ter para enfrentar os obstáculos, adversidades, crises, tragédias e desafios da vida.

         A filosofia é um exercício de introspecção e uma jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal; um desafio para mergulhar profundamente na minha própria consciência, enfrentando meus monstros interiores.

       No silêncio e quietude da reflexão existencial, reconheço minhas fraquezas, impotências e limitações e busco aceitar o que não posso mudar, coragem para mudar o que posso e sabedoria para distinguir entre o que posso e o que não posso mudar.

       Aprendi que há apenas um caminho para a liberdade e a felicidade: parar de me preocupar com tudo aquilo que está além do meu controle, decisão e capacidade e ter a consciência de que não são as pessoas e situações que me afetam e desequilibram, mas as minhas percepções, opiniões, crenças e interpretações equivocadas sobre elas.

         No início da pandemia, "Meditações", de Marco Aurélio, junto com "Em Busca de Sentido", de Viktor Frankl, me ajudaram a encontrar significado e propósito naquele momento desesperador: cuidar dos meus amigos nonagenários.

         Foi quando passei a acessar diariamente vídeos de canais do YouTube que ensinam a praticar o estoicismo na nossa própria vida. Recentemente, escutei um vídeo que me fez refletir sobre este momento de tanta tristeza, angústia e impotência: "Dominando os monstros internos".

        Uma prova concreta de que estou aprendendo a dominar meus monstros internos é o fato de ter parado de tomar Lexotan. Antes da pandemia, sempre que precisava viajar, dar aulas, palestras, entrevistas, participar de programas de televisão, eu tomava o ansiolítico antes de dormir. Quando meu pai teve câncer no pâncreas, durante os cem dias em que cuidei dele até a sua morte, tomava três Lexotans por dia.

        Recebo inúmeros pedidos para participar de programas de rádio e televisão, entrevistas, lives, podcasts, palestras, debates, aulas, conferências, bancas, consultorias etc. Seria humanamente impossível aceitar todas as demandas diárias. A filosofia está me ensinando a "dizer não".

       Um dos meus maiores arrependimentos é o de não ter tido a coragem de "dizer não" para uma pessoa de confiança que me convenceu a assinar, sem ler, um documento. Se eu tivesse lido o documento, jamais teria assinado algo que me prejudicou bastante. Todos os dias eu me xingo de burra, estúpida e idiota, pois sei que um simples "não" teria evitado muitos problemas, aborrecimentos e chateações que tenho até hoje.

        Quando fico doente, estressada e exausta em função de vampiros emocionais e pessoas tóxicas que sugam a minha energia, paz de espírito e saúde física e psicológica, lembro-me de que só tenho controle sobre meus pensamentos e atitudes e que não tenho o poder de controlar os comportamentos e escolhas dos outros.

        Marco Aurélio, em suas "Meditações", ensina a melhor maneira de se vingar das "almas sinistras".

        "Dizer para si mesmo, ao amanhecer: ‘Sei que vou encontrar um indiscreto, um ingrato, um grosseiro, um velhaco, um invejoso, um intolerante. Mas esses homens são assim devido à sua ignorância do bem e do mal... Concentra-te na arte que aprendeste e ama-a. Não seja tirano nem escravo de ninguém... Alguém procedeu mal comigo? Isso é com ele. A deliberação é dele, a ação é dele... É impossível que os maus não pratiquem o que está em sua índole... Eis a melhor maneira de se vingar: não se lhes assemelhar."

          A coragem de "dizer não" para as "almas sinistras" se tornou um exercício diário. Tenho buscado aproveitar cada dia como se fosse o último, saboreando o presente, sem ficar presa aos traumas do ontem ou às preocupações com o amanhã.

       Por isso, todos os dias, assim que acordo, respondo às seguintes perguntas no meu diário: "O que eu faria se não tivesse tanto medo? Como vou gozar o dia de hoje? O que posso fazer de bonito, bom e relevante? Como posso transformar o meu medo em coragem, a minha tristeza em beleza e a minha dor em amor?".


GOLDENBERG, Mirian. Como dominar os monstros interiores. Folha de S.
Paulo, São Paulo, 23 maio 2024, FolhaCorrida, p. B8. Disponível em:
https://acervo.folha.uol.com.br/digital/leitor.do?numero=50653&
maxTouch=0&anchor=6495186&pd=db788aa618689d5c6e76af5c0711efe3

Leia estes fragmentos:

I. ... descobrir a melhor atitude que posso ter para enfrentar os obstáculos ... II. ... impotências e limitações e busco aceitar o que não posso mudar... III. ... parar de me preocupar com tudo aquilo que está além do meu controle... IV. ... lembro-me de que só tenho controle sobre meus pensamentos e atitudes...

Identifica-se pronome relativo apenas em:
Alternativas
Q3334803 Português
Em qual das sentenças a seguir o pronome em destaque é do tipo demonstrativo?
Alternativas
Q3332972 Português
Em qual das alternativas a seguir ocorre um pronome pessoal do caso oblíquo tônico? 
Alternativas
Q3331549 Português
A sentença em que a colocação pronominal está incorreta, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:
Alternativas
Q3329800 Português
No que diz respeito à colocação dos pronomes átonos, podem ser consideradas como características do português falado no Brasil:
Alternativas
Q3329798 Português

Leia o texto seguinte



Pesquisadores buscam reconhecimento para o portunhol falado entre Brasil e Uruguai


Grupo de intelectuais quer que a Unesco declare o dialeto (1) patrimônio imaterial da humanidade.


Apenas uma rua separa as cidades de Santana do Livramento e Rivera, em uma fronteira difusa entre Brasil e Uruguai. Um grupo de historiadores, artistas e linguistas de ambas as regiões organizou um ciclo de conferências no lado uruguaio para iniciar um processo que, em princípio, parece quixotesco: postular o portunhol, uma forma de expressão a meio caminho entre o português e o espanhol (2), como Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco. “O portunhol é a linguagem da fronteira. Muitas vezes um brasileiro do sul está falando e parece um uruguaio”, conta Eduardo Palermo, historiador de 52 anos, um dos defensores da petição. “O problema é que essa forma de expressão (3) é sempre discriminada”.


Quando um riverense ou um santanense atravessa a rua que divide ambas as cidades, não muda automaticamente sua forma de falar. E quem não fala portunhol tem o ouvido familiarizado com os seus sons. “Pasáme una sía”, “vou passar a plancha”, “busco un kilo de laranya”, “dame este biscoito”. Qualquer habitante da fronteira sabe que alguém está pedindo uma cadeira, que vai passar roupa, que quer comprar laranjas ou um biscoito.


“Por muito tempo as pessoas tinham vergonha de falar portunhol”, diz Julho Piastre, de 47 anos, um dos coordenadores dos centros do Ministério de Educação e Cultura em Rivera. “Queremos defender o orgulho de falar portunhol”, enfatiza. Para que a Unesco o (4) declare patrimônio da humanidade, primeiro o Governo uruguaio deve reconhecê-lo (5) como tal. O ciclo de conferências 


“Jodido bushinshe [tremendo rebuliço]. Do falar ao ser”, que começou na sexta-feira passada e se estenderá até novembro, busca criar “uma massa crítica” e produzir bibliografia para respaldar a proposta.



(Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/pesquisadores-buscam-reconhecimento-para-portunholfalado-entre-brasil-uruguai-16933789>. Acesso em: 01 out. 2024. Adaptado.)



Tendo em vista o texto acima e os estudos sobre a referenciação observados em Koch (2006), analise as afirmações abaixo:



I. Em (1) se retoma o termo “portunhol” com um hiperônimo.


II. Em (2) se retoma o termo “portunhol” com uma paráfrase anafórica.


III. Em (3) e (4) se retoma o termo “portunhol” por referenciação pronominal.


IV. Em (1) e (5) se retoma o termo “portunhol” com recursos lexicais.


V. Em (4) se retoma o termo “portunhol” com recursos gramaticais.



Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões): 

Alternativas
Q3329797 Português

Leia o excerto a seguir, extraído de um artigo científico:


_"Nos últimos anos, tem-se observado um crescimento significativo nas pesquisas relacionadas ao impacto ambiental das atividades industriais. Isso se deve, em grande parte, ao aumento da conscientização global sobre a necessidade de práticas sustentáveis. De acordo com dados recentes, muitas empresas estão revendo suas políticas para reduzir a emissão de gases poluentes. Além disso, os governos têm implementado novas legislações que visam mitigar os danos ao meio ambiente. Essas medidas, contudo, ainda são insuficientes para conter o avanço das mudanças climáticas, que continuam a representar uma ameaça à biodiversidade mundial."_


Considerando o uso de elementos de referenciação, substituição e repetição de conectores no texto acima, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas
Q3327890 Português
A Crônica


    A crônica é o único gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e predeterminada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando−se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o leem.

    Regra geral, a crônica é um comentário breve e despretensioso sobre algum fato do cotidiano — algo a ser lido “enquanto se toma o café da manhã”, na feliz expressão de Fernando Sabino. Tal comentário pode ser poético ou irônico, mas seu motivo, na maioria dos casos, é o fato miúdo: a notícia em que ninguém prestou atenção, o acontecimento insignificante, a cena corriqueira. Nessas trivialidades, o cronista surpreende a beleza, a comicidade, os aspectos singulares. O tom, como acentua Antonio Candido, é o de “uma conversa aparentemente banal”.

    O próprio Fernando Sabino apresenta uma das melhores definições para a crônica, ao dizer que ela “busca o pitoresco ou o irrisório no cotidiano de cada um”. Em outro momento, explicando a opção que fez pelo gênero, Sabino diz: “Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer um flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno−me simples espectador”.

    A mistura entre jornalismo e literatura leva o cronista a um frequente impasse. Para se constituir em texto artístico, seu comentário sobre o cotidiano precisa apresentar uma linguagem que transcenda à da mera informação. Ou seja, precisa de uma linguagem menos denotativa e mais pessoal. Isso não implica uma elaboração muito sofisticada ou pretensiosa. Significa que o estilo deve dar a impressão de naturalidade e que a língua escrita deve aproximar−se da fala.

    Nem sempre o cronista atinge este alvo duplo: fazer literatura e expressar−se com simplicidade. Em função do grande público, é preciso buscar primeiramente a clareza e uma dimensão de oralidade na escrita. Daí a crônica ser considerada por muitos críticos um gênero menor. Aquela vontade de forma, que todo grande artista possui, muitas vezes desaparece diante da necessidade de ser acessível a todos os leitores.


Sergius Gonzaga. Adaptado.


Assinalar a alternativa que apresenta a classe das palavras sublinhadas, na ordem em que aparecem no texto.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: Câmara de Sete Lagoas - MG Provas: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Procurador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Administrativo: Direito | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Administrativo: Ciências Contábeis | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Administrativo: Administração de Empresa, Administração Pública, Economia | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Legislativo: Administração Pública, Direito e Afins | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Legislativo: Arquitetura e Urbanismo e Afins | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Legislativo: Ciências Contábeis, Economias e Afins | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Legislativo: História | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista Legislativo: Letras ou Áreas Afins | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Analista de Tecnologia da Informação | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Comunicador Social | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Jornalista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Câmara de Sete Lagoas - MG - Controlador |
Q3327714 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Influencer convence o mundo a ler Machado de Assis: “Nada vai se comparar a isso”

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”, assim começa o livro Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que encantou a influencer de literatura do TikTok, Courtney Henning. Ela viralizou ao começar um projeto de ler um livro de cada país do mundo em ordem alfabética. O Reading Around the World colocou a tiktoker em contato com Brás Cubas, que Courtney adorou, o que a levou a gravar um vídeo de elogios e a publicar na rede.

O conteúdo viralizou na plataforma e colocou a tradução para o inglês da obra brasileira em segundo lugar na lista dos mais vendidos da Amazon, na categoria de ficção latino‑americana e caribenha.

Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-earte/2024/05/6862350-influencer-convence-o-mundo-a-ler-machadode-assis-nada-vai-se-comparar-a-isso.html. Acesso em: 25 jun. 2024. [Fragmento]
Releia este trecho:

“O Reading Around the World colocou a tiktoker em contato com Brás Cubas, que Courtney adorou, o que a levou a gravar um vídeo de elogios e a publicar na rede.”

Quanto à colocação do pronome destacado no trecho, é correto afirmar:
Alternativas
Q3327431 Português

O texto abaixo, da escritora Martha Medeiros, serve de base para a questão. Portanto, leia-o, atentamente, antes de responder a elas.


Na terra do “Se”


Se quem luta por um mundo melhor soubesse que toda revolução começa por revolucionar antes a si próprio.

Se aqueles que vivem intoxicando sua família e seus amigos com reclamações fechassem um pouco a boca e abrissem suas cabeças, reconhecendo que são responsáveis por tudo o que lhes acontece.

Se as diferenças fossem aceitas naturalmente e só nos defendêssemos contra quem nos faz mal.

Se todas as religiões fossem fiéis a seus preceitos, enaltecendo apenas o amor e a paz, sem se envolver com as escolhas particulares de devotos.

Se a gente percebesse que tudo o que é feito em nome do amor (e isso não inclui o ciúme e a posse) tem 100% de chance de gerar boas reações e resultados positivos.

Se as pessoas fossem seguras o suficiente para tolerar opiniões contrárias às suas sem precisar agredir e despejar sua raiva.

Se fôssemos mais divertidos para nos vestir e mobiliar nossa casa, e menos reféns de convencionalismo.

Se não tivéssemos tanto medo da solidão e não fizéssemos tanta besteira para evitá-la.

Se todos lessem bons livros.

Se as pessoas soubessem que quase sempre vale mais a pena gastar dinheiro com coisas que não vão para dentro dos armários, como viagens, filmes e festas para celebrar a vida.

Se valorizássemos o cachorro-quente tanto quanto o caviar.

Se mudássemos o foco e concluíssemos que a infelicidade não existe, o que existe são apenas momentos infelizes.

Se percebêssemos a diferença entre ter uma vida sensacional e uma vida sensacionalista.

Se acreditássemos que uma pessoa é sempre mais valiosa do que uma instituição: é a instituição que deve servir a ela, e não o contrário.

Se quem não tem bom humor reconhecesse sua falta e fizesse dessa busca a mais importante da sua vida.

Se as pessoas não se manifestassem agressivamente contra tudo só para tentar provar que são inteligentes.

Se fôssemos mais feras em tudo e menos preguiçosos. 

Se em vez de lutar para não envelhecer, lutássemos para não emburrecer.

Se.


https://mpenhahist.blogspot.com/p/textos-interessantes.html/texto levemente modificado por Márcia Rebêlo e capturado em 25/04/2024 

Marque a assertiva correta em relação ao uso da colocação pronominal presente no seguinte trecho: “Se não tivéssemos tanto medo da solidão e não fizéssemos tanta besteira para evitá-la”. 
Alternativas
Q3323662 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Doping corporativo': a venda ilegal de remédio para TDAH que invadiu a Faria Lima


Marta lutava contra o cansaço no dia a dia. Sem foco para enfrentar atividades do trabalho, numa grande empresa em São Paulo, e ganhando peso, ela achou uma boa ideia quando recomendaram um endocrinologista famoso que poderia ajudá-la.

"A consulta custou R$1.200 e durou apenas 5 minutos. Eu e meu marido saímos com a mesma receita: Ozempic para emagrecer e Venvanse para ter foco — uma combinação que ele aparentemente prescreve para todos."

Ela conta que tentou argumentar se aquele caminho, medicamentoso, seria o único possível para resolver suas queixas. Mas acabou seguindo a receita.

"A experiência com o Venvanse foi a mais impactante. De amor e ódio, eu diria. No primeiro dia, senti um hiperfoco e bem-estar incríveis, fui mais produtiva e motivada, mas sabia que isso era efeito do remédio."

Os comprimidos, prescritos para TDAH e compulsão alimentar, aumentam a liberação dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina nas sinapses, que são as conexões entre os neurônios.

Essas substâncias, deficientes em quem tem os quadros citados, são cruciais para a regulação do humor, atenção e comportamento impulsivo.

"Mas em organismos onde os níveis já são adequados, o aumento pode causar efeitos indesejáveis, como insônia, ansiedade, irritabilidade, impaciência e até agressividade. Casos mais graves incluem convulsões e problemas cardiovasculares", diz Marcos Gebara, psiquiatra e professor convidado do curso de Pós-Graduação de Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

"Em pessoas predispostas a problemas psíquicos, esses efeitos podem piorar significativamente."

Gebara e outros médicos consultados pela reportagem afirmam que o uso dos comprimidos por pessoas sem diagnósticos que o justifique tem sido cada vez mais comum, e que muitos usuários não sabem ou ignoram que o Venvanse contém anfetamina, uma substância que pode causar dependência.

"O uso requer um acompanhamento médico, sempre. A dependência é um risco, especialmente se a pessoa aumentar as doses sem indicação."

Com medo justamente de que pudesse ficar dependente da 'sensação de superpoder', Marta expressou suas preocupações, mas o médico insistiu que o uso era seguro.

"Foi aí que busquei outro profissional, que me ajudou a parar com o remédio, entendendo minha preocupação com os efeitos a longo prazo. Foi difícil aceitar a vida sem Venvanse. Me senti deprimida por algumas semanas."

Amanda também teve acesso ao remédio por prescrição médica e sem ter nenhum dos diagnósticos para os quais a droga é indicada.

Foi ela que, se sentindo esgotada e incapaz de dar conta dos dois empregos que levava, pediu a uma nutróloga que receitasse Venvanse. Ela conta que a médica pediu exames, e com os resultados em dia, forneceu a receita.

"Eu usava os comprimidos esporadicamente, apenas nos dias em que precisava de um desempenho melhor no trabalho. Percebi que me dava um foco e energia extras, mas no dia seguinte estava extremamente cansada e precisava dormir mais para compensar."

Depois que as últimas caixas acabaram, Amanda cogitou pular a fase da consulta médica e comprar os comprimidos direto no mercado ilegal.

"Tinha colegas que me indicaram os caminhos: por grupos nas redes sociais e até com esquemas diretamente com farmácias de rua", conta.

Mas por fim, assim como Marta, ela também relata ter parado de usar o remédio por medo de uma dependência da qual não conseguisse mais voltar atrás.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9786n92z37ofragmentoadapt ado
A próclise refere-se à colocação do pronome antes do verbo. Nas frases abaixo, retiradas do texto, o emprego da próclise NÃO está de acordo com a norma-padrão. Identifique-a:
Alternativas
Q3322399 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.


    Voltou muito cansado. Os campos o levaram para longe. O caroço de tucumã o levara também, aquele caroço que soubera escolher entre muitos no tanque embaixo do chalé. Quando voltou já era bem tarde. A tarde sem chuva em Cachoeira lhe dá um desejo de se embrulhar na rede e ficar sossegado como quem está feliz por esperar a morte. Os campos não voltaram com ele, nem as nuvens nem os passarinhos e os desejos de Alfredo caíram pelo campo como borboletas mortas. Mais para longe já eram os campos queimados, a terra preta do fogo e os gaviões caçavam no ar os passarinhos tontos. E a tarde parecia inocente, diluída num sossego humilde e descia sobre os campos queimados como se os consolasse. Voltava donde começavam os campos escuros. Indagava por que os campos de Cachoeira não eram campos cheios de flores, como aqueles campos de uma fotografia de revista que seu pai guardava. Ouvira Major Alberto dizer à D. Amélia: campos da Holanda. Chama-se a isso prados.


    Alfredo estava cansado, mais cansado ainda talvez porque perdera o caroço de tucumã no princípio dos campos queimados. O caroço saltara da mão e se escondeu num buraco de terra. Então não podia compreender, nem mesmo fazia grande esforço para isso, porque era que voltava mais fatigado, como que trazendo nos ombros a própria noite para o chalé.


(JURANDIR, Dalcídio. Chove nos Campos de Cachoeira. Ciclo do Extremo-Norte, Romance I. 8 ed. Bragança: Pará.grafo Editora, 2019, p. 23)

Qual a função morfossintática do vocábulo destacado no excerto: “Os campos o levaram para longe”?
Alternativas
Q3321176 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I


Mulheres devem ser maioria entre médicos no País já a partir deste ano


Segundo CFM, médicas são 49,92% dos profissionais e ligeira vantagem masculina deve acabar neste ano; desde 2009, elas lideram entre egressos de cursos de Medicina


Elas representam mais de 49% dos profissionais em atuação no Brasil. Na cidade de São Paulo, já são maioria.

O número de mulheres médicas já é quase metade do total de profissionais no Brasil e elas devem superar a quantidade de homens e se tornar maioria na profissão ainda neste ano, conforme a nova edição do estudo Demografia Médica, divulgada hoje pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Segundo a pesquisa, que reúne dados atualizados até janeiro deste ano, mulheres representam hoje 49,92% dos profissionais, enquanto os homens são 50,08% do total. Em 1990, só 30% dos médicos no País eram do sexo feminino.

Há localidades do País em que as médicas já são maioria, como na cidade de São Paulo, onde elas representam 51,04% da força de trabalho da profissão, com 39.721 profissionais.

Segundo o CFM, a ligeira vantagem masculina ainda existente no cenário nacional deverá ser superada neste ano porque, desde 2009, as mulheres são maioria entre as egressas das faculdades de Medicina. Entre os profissionais com menos de 40 anos, elas já são maioria (58%). E só considerando os médicos que ingressaram no mercado em 2023, 60% eram do sexo feminino. “A minha turma da faculdade era composta majoritariamente por mulheres. De 40 alunos, só 7 eram homens”, conta a clínica-geral Laura Gomes Flores, que se formou em 2019.

Especialistas e representantes da categoria destacam que a mudança no perfil dos médicos brasileiros traz repercussões também para os pacientes. No estudo divulgado, o CFM ressalta que a evolução na composição de gênero na Medicina “traz consigo novas perspectivas e abordagens para o atendimento à saúde”.

Quanto às áreas de especialização, embora o País esteja atingindo um equilíbrio de gênero no número total de médicos, há especialidades que ainda mantêm amplo predomínio feminino ou masculino.

Estudo de 2023 da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostrou que, em dermatologia, pediatria, endocrinologia e alergia e imunologia, as mulheres chegam a mais de 70% dos especialistas. Já em áreas como urologia, ortopedia e neurocirurgia, os homens representam mais de 90% dos profissionais. As especialidades cirúrgicas, no geral, têm menos de 25% de mulheres entre seus médicos.

Para Lígia Bahia, médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chamada feminização da Medicina é um fenômeno mundial impulsionado pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho como um todo e traz um impacto positivo para o paciente ao elevar o número de profissionais do sexo feminino, que costumam ter mais habilidades relacionais, como a empatia. “Mulheres são dedicadas, costumam privilegiar a solidez e a qualidade do trabalho em detrimento da competição e valores elevados de remuneração. A presença feminina costuma ser acompanhada por compromisso e maior tempo de permanência com os pacientes”, diz a especialista.

Para o CFM, o cenário “desafia as estruturas tradicionais e as normas de gênero na Medicina, abrindo caminho para um ambiente mais inclusivo e diversificado” e “pode servir como um catalisador para abordar questões mais amplas de equidade de gênero no setor de saúde”.


Fonte: CAMBRICOLI, Fabiana. Mulheres devem ser maioria entre médicos no País já a partir deste ano. O Estado de S. Paulo, ano 145, n. 47655, 8 abr. 2024. Metrópole, p. A12. Disponível em: https://www.pressreader.com/brazil/o-estado-de-s-paulo/20240408/page/12. Acesso em: 08 abr. 2024, com adaptações. 
Releia o fragmento extraído do Texto I e analise as assertivas apresentadas em sequência.

Mulheres devem ser maioria entre médicos no País já a partir deste ano

Segundo CFM, médicas são 49,92% dos profissionais e ligeira vantagem masculina deve acabar neste ano; desde 2009, elas lideram entre egressos de cursos de Medicina
Elas representam mais de 49% dos profissionais em atuação no Brasil. Na cidade de São Paulo, já são maioria”.

I- Os termos “mulheres” e “médicas” constituem uma cadeia coesiva em torno do tema central do texto.
II- A repetição do termo “elas”, mencionado no fragmento duas vezes, é um recurso linguístico inadequado, haja vista que provoca repetição desnecessária.
III- O emprego do termo “elas” constitui uma retomada pronominal importante na recuperação de termos já mencionados.
IV- O emprego do termo “elas” constitui uma retomada por hipônimo, ou seja, de um termo geral para um específico, recurso que colabora para a interligação das partes do texto.
V- No fragmento “Na cidade de São Paulo, já são maioria”, há uma elipse do referente, recurso coesivo também importante na construção textual.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3320981 Português
Leia o Texto I e responda à questão.


Texto 1


O menino e o homem  


    Quando chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e o que mais houvesse para aparar a água que caia e para que os vazamentos não se transformassem numa inundação. [...]  

    Naquele dia, assim que a chuva passou, fui como sempre brincar no quintal. Descalço, pouco me incomodando com a lama em que meus pés se afundavam, gostava de abrir regos para que as poças d'água, como pequeninos lagos, escorressem pelo declive do terreiro, formando o que para mim era um caudaloso rio. E me distraia fazendo descer por ele barquinhos de papel, que eram grandes caravelas de piratas. Desta vez, o que me distraiu a atenção foi uma fila de formigas a caminho do formigueiro, 14 perto do bambuzal, e que o rio aberto por mim havia interrompido. As formiguinhas iam até a margem e, atarantadas, ficavam por ali procurando um jeito de atravessar. Encostavam a cabeça umas nas outras, trocando ideias, iam e vinham, sem saber o que fazer. Algumas acabavam tão desorientadas com o imprevisto obstáculo à sua frente que recuavam caminho, atropelando as que vinham atrás e estabelecendo na fila a maior confusão.  

    Do outro lado, entre as que já haviam passado, reinava também certa confusão. Enquanto as que iam mais a frente prosseguiam a caminhada até o formigueiro, sem perceber o que acontecia a retaguarda, as ainda próximas do rio ficavam indecisas, indo e vindo por ali, junto à margem, pintando uma forma qualquer de ajudar as outras a atravessar.  

    Resolvi colaborar, apelando para os meus conhecimentos de engenharia. Em poucos instantes construí uma ponte com um pedaço de bambu aberto ao meio, e procurei orientar para ela, com um pauzinho, a fila de formigas. Estava empenhado nisso, quando senti que havia alguém em pé atras de mim. Uma voz de homem, que soou familiar aos meus ouvidos, perguntou: 

    — Que é que você está fazendo?

    Sem me voltar, tão entretido estava com as formigas, expliquei o que se passava. Logo consegui restabelecer o tráfego delas, recompondo a fila através da ponte. O homem se agachou a meu lado, dizendo que várias formigas seguiam por um caminho, uma na frente de duas, uma atrás de duas, uma no meio de duas. E perguntou: 

    — Quantas formigas eram?

    Pensei um pouco, fazendo cálculos. Naquele tempo eu achava que era bom em aritmética: uma na frente de duas faziam três; uma atrás de duas eram mais três; uma no meio de duas, mais três. 

    — Nove! - exclamei, triunfante.

    Ele começou a rir e sacudiu a cabeça, dizendo que não: eram apenas três, pois formiga só anda em fila, uma atrás da outra.

    Então perguntei a ele o que é que cai em pé e corre deitado. 

    —Cobra? — ele arriscou, enrugando a testa, intrigado.

    Foi a minha vez de achar graça:

    — Que cobra que nada! É a chuva — e comecei a rir também. 

    — Você sabe o que é que caindo no chão não quebra e caindo n'água quebra?

    —Sei: papel. 

    Gostei daquele homem: ele sabia uma porção de coisas que eu também sabia. Ficamos conversando um tempão, sentados na beirada da caixa de areia, como dois amigos, embora ele fosse cinquenta anos mais velho do que eu, segundo me disse. Não parecia. Eu também lhe contei uma porção de coisas. [...] 

    — Fernando! — berrou o papagaio, imitando mamãe: — Vem pra dentro, menino! Olha o sereno! [...]

    O homem disse que tinha de ir embora — antes queria me ensinar uma coisa muito importante:

    — Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida? 

    — Quero - respondi.

    O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:

    — Pense nos outros. 

    Na hora achei esse segredo meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando me lembrei de segui-lo, fazendo-me feliz como um menino. 

    O homem se curvou para me beijar na testa, se despedindo:

    — Quem é você? — perguntei ainda.

    Ele se limitou a sorrir, depois disse adeus com um aceno e foi-se embora para sempre. 


SABINO, Fernando. O menino e o homem. Disponível em: https://ima-rs.com.br/wp-content/uploads/2018/11/70.-ano-O-Menino-no-Espelho-Fernando-Sabino.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024, com adaptações. 
Observe os termos em destaque no fragmento: “Gostei daquele homem: ele sabia uma porção de coisas que eu também sabia”. Esta CORRETA a seguinte avaliação: 
Alternativas
Respostas
2021: A
2022: A
2023: D
2024: A
2025: D
2026: C
2027: A
2028: D
2029: A
2030: A
2031: D
2032: D
2033: C
2034: D
2035: A
2036: B
2037: D
2038: D
2039: E
2040: C