Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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Leia o texto a seguir, de Juliano Martins:
Fuga do cão
Era uma perseguição implacável. Injusta, poderia dizer. Afinal, como duas pernas podem competir contra quatro?
Enquanto corria tanto quanto podia, percebia em assustadores relances que o cachorro ia alcançá-lo.
Podia ouvir os sons guturais que provinham das entranhas do quadrúpede sedento de sangue.
Neste momento, ao perceber o fôlego lhe faltando, Jonas se arrependeu. Maldita hora que decidira entrar pelo portão deixado aberto pelo vizinho para pegar algumas frutas. Seus pais não haviam lhe ensinado tão incisivamente que pegar bens alheios é roubo?
Malditas laranjas suculentas, pensou!
Tarde demais para lamentos. Entrara no quintal do vizinho sem autorização, despertara o cão raivoso e agora fugia do facínora.
Em certo momento, nem sentia as pernas – eram tão rápidas que dispensavam qualquer coordenação. Jamais imaginaria ser capaz de correr tanto assim.
Tanto correu que, de repente, descobriu-se em outro bairro. Parou, resfolegando como um cavalo. Olhou para trás e descobriu que o cachorro desaparecera.
Deu um grito de alegria ao perceber que fora mais rápido do que o cão. Quem poderia imaginar? Enfim, duas pernas venceram quatro! O feito renderia muitas histórias entre os amigos.
E isto sem contar o fato de que o susto servira para lhe ensinar uma importante lição: da próxima vez, ouviria os pais e a voz da consciência.
Foi quando um quintal alheio lhe chamou a atenção. Ao lado da casa, Jonas se deparou com uma cintilante árvore carregada de malditas laranjas suculentas!
Fonte: https://corrosiva.com.br/cronicas/fuga-do-cao/. Acesso em 02/09/2025
De acordo com o texto, Jonas teve uma razão para fugir do lugar onde estava. A razão é que ele:
I. Segundo a autora, quando ficamos presos a pensar em como algo seria se não tivéssemos agido de determinada maneira, estamos nos prendendo àquilo que já passou.
II. A fixação em nossos medos, supondo o que pode vir a acontecer, pode nos impedir de seguir adiante.
III. Com o passar do tempo, sabermos que teríamos feito algo diferente é um sinal de que não ficamos estagnados.
Quais estão corretas?
( ) Considerando o contexto em que ocorre, a palavra poderia ser substituída por “singular” sem causar alterações significativas ao sentido original do texto.
( ) “Despretensioso” é um adjetivo uniforme no que tange à flexão de gênero e foi formado pelo processo de derivação parassintética.
( ) Tanto a palavra “despretensioso” quanto a expressão “coisa rápida” (l. 04) referem-se a “passeio” (l. 04).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I. O encontro com a bala da infância fez com que o autor decidisse mudar o destino da viagem que estava realizando.
II. O autor relembra sua infância porque o doce que encontrou era o mesmo que lhe servia de recompensa durante os anos de escola.
III. O autor não havia comido todas as balas no momento em que escreveu o texto, guardando-as, pois elas representam um conforto que ele poderá ter em um momento difícil.
Quais estão corretas?
O texto faz referência ao gênero:
Leia o texto abaixo e responda à questão.
TEXTO III
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Fernando Sabino
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13529/aultima-cronica
Observe o trecho:
“[...] contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente.”
Considerando a perspectiva de Bakhtin (1992) sobre a linguagem literária como interação entre enunciador e receptor, a função comunicativa desse trecho é:
Observe os trechos a seguir:
I. “A Anvisa, porém, não tem competência legal para fiscalizar infrações patentárias — nem para proteger interesses da indústria em detrimento da saúde pública.” (6º parágrafo).
II. “Como a agência não pode fiscalizar violações de patente, e considerando que a manipulação sob prescrição médica é legal, a indústria conseguiu uma vitória indireta: alegou ausência de equivalência entre a semaglutida aprovada pela Anvisa e a usada em farmácias de manipulação estéreis.” (6º parágrafo).
As expressões em destaque estabelecem relação semântica de:
“A mão que afaga é a mesma que apedreja.”
Assinale a alternativa que apresenta uma substituição correta da palavra sublinhada sem alterar o sentido do verso:
“Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável!”
O verso destacado constitui um exemplo de:
“Entretanto, problemas relacionados aos custos de produção local e à falta de organização dos produtores cacaueiros contribuíram para a retração desse setor produtivo, representando hoje apenas 4% da produção mundial.”
Qual é a relação semântica desse trecho com a frase anterior:
( ) O texto destaca que o Alzheimer não tem cura, mas possui tratamentos que podem estabilizar os sintomas e diminuir a progressão da doença.
( ) O autor afirma que receber o diagnóstico de Alzheimer é mais problemático do que não ter diagnóstico algum.
( ) O texto ressalta a importância da conscientização sobre os sintomas iniciais para que a pessoa diagnosticada possa tomar decisões sobre sua vida e patrimônio.
A sequência CORRETA é:
Assinale a alternativa que melhor apresenta a estratégia de argumentação predominante no texto.
Texto 3
Leia o poema de Elias José.
O sim e o não
Em casa
Sempre digo NÃO
sem parar para pensar.
Ando só na contramão,
carregando bandeiras
e discursos de protesto.
Sinto que sou dura,
juro mudar, mas só vou piorando.
Na rua, na escola,
com colegas e professores,
sou a cordeirinha,
a dama do SIM,
aquela que abaixa a cabeça
e cala
ou ainda agradece
quando usada.
Sinto que sou mole, despersonalizada,
juro mudar, mas só vou piorando. Que raiva!
Por que não sei pôr
O SIM e o NÃO
no lugar e no tempo certos?
( ) Quer dizendo SIM quer dizendo NÃO, o eu lírico mostra uma vontade frustrada de mudança de comportamento.
( ) Quem fala no poema é uma adolescente.
( ) Na rua, o eu lírico é humilde e conformista.
( ) Para seus familiares, o eu lírico é sempre “do contra”.
( ) O SIM e o NÃO estariam no lugar e no tempo certos se o comportamento fosse igual, tanto na rua, quanto em casa.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

