Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4080069 Português

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.



Dona Colô


Manuela Cantuária*



Tamanho o desespero da neta quando encontra a avó, no auge de seus 82 anos, no alto de uma escada, buscando uma caixa no armário. As duas haviam acabado de chegar de uma consulta médica com uma bomba-relógio dentro de um envelope. O diagnóstico de Alzheimer de Colotildes de Jesus.


A neta oferece ajuda, mas a avó insiste que ainda sabe se virar sozinha. Abre a caixa com um vestido de noiva embolorado. Sob o olhar desconfiado da jovem de 20 e poucos anos, rasga o vestido num rompante. Meu casamento foi o dia mais feliz da minha vida, diz Dona Colô.


Dona Colô gostava de costurar. Costurou seu vestido de noiva por meses. E agora o transformava em retalhos para fazer uma colcha. Uma colcha de memórias que ela decidiu costurar para não esquecer de si mesma.


O segundo dia mais feliz da vida de Colotildes foi quando enterrou seu marido. Ele morreu rápido. E se viu, finalmente, livre. Usou sua toalha de mesa favorita para receber seus familiares, com uma estampa de passarinhos. Mais um retalho, enquadrando a mancha de vinho deixada por sua cunhada, que, segundo ela, também era um pudim de cachaça, mas boa gente.


Os primeiros desenhos da neta também viraram retalhos alegres. Ela, apesar de jovem, já despontava como artista plástica, o que era um grande motivo de orgulho para sua avó, dona de casa.


A cortina do quarto agora tinha um buraco em forma de retalho. O vestido do batizado de um bebê despedaçado sobre a mesa. Fantasias de Carnaval, panos de prato com os dias da semana bordados, a bandeira do Bangu Atlético Clube.


A neta desabotoa sua camisa xadrez preferida para que sua avó meta-lhe a tesoura. O som da máquina de costura se tornou a sua música favorita. A trilha sonora de uma vida inteira.


O tempo era marcado pela mesma pergunta: você viu minha agulha? A neta escutava pensativa. E, pacientemente, ajudava Colotildes a recuperar o inquieto fio da meada. Até que veio a noite escura, e ela pode cobrir sua avó de memórias.



* Roteirista e escritora, faz parte da equipe do canal Porta dos Fundos. Folha de São Paulo, 16 maio 2022. Adaptado.

Acerca dos elementos estruturais do texto de Manuela Cantuária e suas estratégias de produção, é correto afirmar que
Alternativas
Q4080023 Português
É preciso ter atenção ao fazer uma substituição de expressões sinônimas porque conforme a aplicação e o contexto as palavras podem assumir diferentes sentidos e podem alterar a frase. Com base nessa abordagem, assinale a frase em que o termo destacado NÃO corresponde a um sinônimo das demais palavras também em destaque.
Alternativas
Q4080018 Português
Assinale a alternativa em que a figura de linguagem seja uma comparação.
Alternativas
Q4079666 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


33 milhões de pessoas passam fome no Brasil atualmente, aponta pesquisa.


O ano de 2022 marca o retrocesso da segurança alimentar no Brasil ao mesmo patamar de fome de quase 30 anos atrás.

Atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país, segundo resultado de uma nova pesquisa sobre o tema divulgada nesta quarta (8). Em 1993, eram 32 milhões de pessoas nessa situação, segundo dados semelhantes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) — a população brasileira então era 35% menor que a de hoje.

Naquele ano, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, a primeira grande campanha nacional da sociedade civil sobre o assunto.

“A gente regrediu literalmente 30 anos na luta contra a fome, o que nos assusta muito”, diz o atual diretor-executivo da Ação da Cidadania, Kiko Afonso. “Mas o sentimento de indignação da sociedade brasileira hoje diante da fome de 33 milhões de brasileiros está muito aquém da indignação de 1993, diante da fome de 32 milhões. Estamos inertes como sociedade.”

[...]

A pesquisa mostrou que 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. São 125,2 milhões de pessoas nesta situação, o que representa um aumento de 7,2% desde 2020 e de 60% na comparação com 2018.

[...]

“Temos desigualdades históricas do país que nunca foram resolvidas: rural e urbana, homem e mulher, brancos e negros. E essas desigualdades se reproduzem na questão da fome”, explica a médica sanitarista Ana Maria Segall, professora aposentada da Unicamp e pesquisadora da Rede Penssan. 
Qual o nível de linguagem usado no texto?
Alternativas
Q4079664 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


33 milhões de pessoas passam fome no Brasil atualmente, aponta pesquisa.


O ano de 2022 marca o retrocesso da segurança alimentar no Brasil ao mesmo patamar de fome de quase 30 anos atrás.

Atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país, segundo resultado de uma nova pesquisa sobre o tema divulgada nesta quarta (8). Em 1993, eram 32 milhões de pessoas nessa situação, segundo dados semelhantes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) — a população brasileira então era 35% menor que a de hoje.

Naquele ano, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, a primeira grande campanha nacional da sociedade civil sobre o assunto.

“A gente regrediu literalmente 30 anos na luta contra a fome, o que nos assusta muito”, diz o atual diretor-executivo da Ação da Cidadania, Kiko Afonso. “Mas o sentimento de indignação da sociedade brasileira hoje diante da fome de 33 milhões de brasileiros está muito aquém da indignação de 1993, diante da fome de 32 milhões. Estamos inertes como sociedade.”

[...]

A pesquisa mostrou que 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. São 125,2 milhões de pessoas nesta situação, o que representa um aumento de 7,2% desde 2020 e de 60% na comparação com 2018.

[...]

“Temos desigualdades históricas do país que nunca foram resolvidas: rural e urbana, homem e mulher, brancos e negros. E essas desigualdades se reproduzem na questão da fome”, explica a médica sanitarista Ana Maria Segall, professora aposentada da Unicamp e pesquisadora da Rede Penssan. 
Considerando as funções da linguagem, nos três primeiros parágrafos do texto, percebe-se o uso predominante da função:
Alternativas
Q4079663 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


33 milhões de pessoas passam fome no Brasil atualmente, aponta pesquisa.


O ano de 2022 marca o retrocesso da segurança alimentar no Brasil ao mesmo patamar de fome de quase 30 anos atrás.

Atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país, segundo resultado de uma nova pesquisa sobre o tema divulgada nesta quarta (8). Em 1993, eram 32 milhões de pessoas nessa situação, segundo dados semelhantes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) — a população brasileira então era 35% menor que a de hoje.

Naquele ano, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, a primeira grande campanha nacional da sociedade civil sobre o assunto.

“A gente regrediu literalmente 30 anos na luta contra a fome, o que nos assusta muito”, diz o atual diretor-executivo da Ação da Cidadania, Kiko Afonso. “Mas o sentimento de indignação da sociedade brasileira hoje diante da fome de 33 milhões de brasileiros está muito aquém da indignação de 1993, diante da fome de 32 milhões. Estamos inertes como sociedade.”

[...]

A pesquisa mostrou que 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. São 125,2 milhões de pessoas nesta situação, o que representa um aumento de 7,2% desde 2020 e de 60% na comparação com 2018.

[...]

“Temos desigualdades históricas do país que nunca foram resolvidas: rural e urbana, homem e mulher, brancos e negros. E essas desigualdades se reproduzem na questão da fome”, explica a médica sanitarista Ana Maria Segall, professora aposentada da Unicamp e pesquisadora da Rede Penssan. 
De acordo com o texto, a expressão “insegurança alimentar”, refere-se
Alternativas
Q4079662 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


33 milhões de pessoas passam fome no Brasil atualmente, aponta pesquisa.


O ano de 2022 marca o retrocesso da segurança alimentar no Brasil ao mesmo patamar de fome de quase 30 anos atrás.

Atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país, segundo resultado de uma nova pesquisa sobre o tema divulgada nesta quarta (8). Em 1993, eram 32 milhões de pessoas nessa situação, segundo dados semelhantes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) — a população brasileira então era 35% menor que a de hoje.

Naquele ano, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, a primeira grande campanha nacional da sociedade civil sobre o assunto.

“A gente regrediu literalmente 30 anos na luta contra a fome, o que nos assusta muito”, diz o atual diretor-executivo da Ação da Cidadania, Kiko Afonso. “Mas o sentimento de indignação da sociedade brasileira hoje diante da fome de 33 milhões de brasileiros está muito aquém da indignação de 1993, diante da fome de 32 milhões. Estamos inertes como sociedade.”

[...]

A pesquisa mostrou que 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. São 125,2 milhões de pessoas nesta situação, o que representa um aumento de 7,2% desde 2020 e de 60% na comparação com 2018.

[...]

“Temos desigualdades históricas do país que nunca foram resolvidas: rural e urbana, homem e mulher, brancos e negros. E essas desigualdades se reproduzem na questão da fome”, explica a médica sanitarista Ana Maria Segall, professora aposentada da Unicamp e pesquisadora da Rede Penssan. 
O texto aborda a questão da fome no Brasil. Qual dos trechos apresenta uma opinião sobre o assunto?
Alternativas
Q4079449 Português
Imagem associada para resolução da questão



https://www.inesc.org.br/educacao-publica-numa-democracia-moribunda

A partir da leitura da tirinha e com base na discussão sobre educação proposta a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é correto afirmar que a escola
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-AM Prova: FCM - 2022 - IF-AM - Pedagogo |
Q4079261 Português
A instituição escolar, "outrora espaço majoritário de transmissão do conhecimento sistematizado", tem sido desafiada a inovar-se para concorrer com outros meios de acesso ao conhecimento (DAROS, in: CAMARGO; DAROS, 2018, p. 7).
Por ser um dos meios de transformação, a inovação na educação é essencialmente necessária e deve ser compreendida de modo mais amplo, porque
Alternativas
Q4078983 Português

Leia a tirinha e responda a questão. 

A linguagem usada pelo homem e pelo papagaio possui características 
Alternativas
Q4078982 Português

Leia a tirinha e responda a questão. 

Percebe-se que o papagaio fala tudo errado, pois
Alternativas
Q4078981 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Cachorros!

Luís Fernando Veríssimo

Paris é tão bonita que você anda na rua olhando para todos os lados menos para onde pisa. Os cachorros de Paris vão a toda parte com seus donos, comem nos mesmos restaurantes, participam ativamente da sua vida social, frequentam vernissages e palestras, mas o convívio civilizado não afetou seus hábitos de higiene, que continuam iguais aos de cachorros de todo o mundo.

Há, provavelmente, mais cachorros por habitantes em Paris do que em qualquer grande cidade do mundo. O resultado desta combinação de fatores é que seu deslumbramento com Paris é constantemente interrompido pela sensação deslizante de ter pisado numa das características menos atraentes, e mais comuns, das suas calçadas. Você está admirando a fachada de uma igreja antiga e - iush - passa, em segundos, do barroco ao rococô.

[...]

Quando vejo um cachorro na rua tento adivinhar, pelo tamanho ou a sua cara, que peças no caminho eram da sua autoria. Elas rivalizam, na variedade de dimensões e configurações, com os doces expostos nas vitrines das "patisseries". Imagino que cada cachorro tenha, por assim dizer, a sua assinatura, o seu estilo de sujar as calçadas, e noto em muitas das suas obras aquela arrogância no acabamento de quem desdenha a crítica e não teme a retribuição. Preciso me controlar para não gritar "Salaud!" na cara deles. E sair correndo antes que o dono me pegue, claro.
Em “Você está admirando a fachada de uma igreja antiga e - iush - passa, em segundos, do barroco ao rococó”. As orações são separadas pelo conectivo “E” e são classificadas como: 
Alternativas
Q4078979 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Cachorros!

Luís Fernando Veríssimo

Paris é tão bonita que você anda na rua olhando para todos os lados menos para onde pisa. Os cachorros de Paris vão a toda parte com seus donos, comem nos mesmos restaurantes, participam ativamente da sua vida social, frequentam vernissages e palestras, mas o convívio civilizado não afetou seus hábitos de higiene, que continuam iguais aos de cachorros de todo o mundo.

Há, provavelmente, mais cachorros por habitantes em Paris do que em qualquer grande cidade do mundo. O resultado desta combinação de fatores é que seu deslumbramento com Paris é constantemente interrompido pela sensação deslizante de ter pisado numa das características menos atraentes, e mais comuns, das suas calçadas. Você está admirando a fachada de uma igreja antiga e - iush - passa, em segundos, do barroco ao rococô.

[...]

Quando vejo um cachorro na rua tento adivinhar, pelo tamanho ou a sua cara, que peças no caminho eram da sua autoria. Elas rivalizam, na variedade de dimensões e configurações, com os doces expostos nas vitrines das "patisseries". Imagino que cada cachorro tenha, por assim dizer, a sua assinatura, o seu estilo de sujar as calçadas, e noto em muitas das suas obras aquela arrogância no acabamento de quem desdenha a crítica e não teme a retribuição. Preciso me controlar para não gritar "Salaud!" na cara deles. E sair correndo antes que o dono me pegue, claro.
Os termos “assinatura”, “estilo”, “obras”, usados no texto estabelecem um paralelo entre os cocôs dos cachorros com:
Alternativas
Q4078978 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Cachorros!

Luís Fernando Veríssimo

Paris é tão bonita que você anda na rua olhando para todos os lados menos para onde pisa. Os cachorros de Paris vão a toda parte com seus donos, comem nos mesmos restaurantes, participam ativamente da sua vida social, frequentam vernissages e palestras, mas o convívio civilizado não afetou seus hábitos de higiene, que continuam iguais aos de cachorros de todo o mundo.

Há, provavelmente, mais cachorros por habitantes em Paris do que em qualquer grande cidade do mundo. O resultado desta combinação de fatores é que seu deslumbramento com Paris é constantemente interrompido pela sensação deslizante de ter pisado numa das características menos atraentes, e mais comuns, das suas calçadas. Você está admirando a fachada de uma igreja antiga e - iush - passa, em segundos, do barroco ao rococô.

[...]

Quando vejo um cachorro na rua tento adivinhar, pelo tamanho ou a sua cara, que peças no caminho eram da sua autoria. Elas rivalizam, na variedade de dimensões e configurações, com os doces expostos nas vitrines das "patisseries". Imagino que cada cachorro tenha, por assim dizer, a sua assinatura, o seu estilo de sujar as calçadas, e noto em muitas das suas obras aquela arrogância no acabamento de quem desdenha a crítica e não teme a retribuição. Preciso me controlar para não gritar "Salaud!" na cara deles. E sair correndo antes que o dono me pegue, claro.
Nota-se que no primeiro parágrafo do texto, o autor apresenta o assunto da crônica e logo em seguida faz uma ressalva quanto aos hábitos de higiene dos cachorros. Qual o conectivo é usado para criar oposição entre as ideias sem perder a coesão do texto?
Alternativas
Q4078977 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Cachorros!

Luís Fernando Veríssimo

Paris é tão bonita que você anda na rua olhando para todos os lados menos para onde pisa. Os cachorros de Paris vão a toda parte com seus donos, comem nos mesmos restaurantes, participam ativamente da sua vida social, frequentam vernissages e palestras, mas o convívio civilizado não afetou seus hábitos de higiene, que continuam iguais aos de cachorros de todo o mundo.

Há, provavelmente, mais cachorros por habitantes em Paris do que em qualquer grande cidade do mundo. O resultado desta combinação de fatores é que seu deslumbramento com Paris é constantemente interrompido pela sensação deslizante de ter pisado numa das características menos atraentes, e mais comuns, das suas calçadas. Você está admirando a fachada de uma igreja antiga e - iush - passa, em segundos, do barroco ao rococô.

[...]

Quando vejo um cachorro na rua tento adivinhar, pelo tamanho ou a sua cara, que peças no caminho eram da sua autoria. Elas rivalizam, na variedade de dimensões e configurações, com os doces expostos nas vitrines das "patisseries". Imagino que cada cachorro tenha, por assim dizer, a sua assinatura, o seu estilo de sujar as calçadas, e noto em muitas das suas obras aquela arrogância no acabamento de quem desdenha a crítica e não teme a retribuição. Preciso me controlar para não gritar "Salaud!" na cara deles. E sair correndo antes que o dono me pegue, claro.
O autor, ao narrar sobre as características das ruas de Paris menciona a quantidade de cachorros que se pode ver nas ruas, mas, sobretudo, enfoca “numa das características menos interessantes” desse fato. A que ele se refere?
Alternativas
Q4078827 Português

Leia com atenção o texto abaixo, para responder a questão



Súplica por uma árvore


Um dia, um professor comovido falava-me de árvores. Seu avô conhecera Andersen‐Andersen, esse pequeno deus que encantou para sempre a infância, todas as infâncias, com suas maravilhosas histórias. Mas, além de conhecer Andersen, o avô desse comovido professor legara a seus descendentes uma recordação extremamente terna: ao sentir que se aproximava o fim de sua vida, pediu que o transportassem aos lugares amados, onde brincara em menino, para abraçar e beijar as árvores daquele mundo antigo – mundo de sonho, pureza, poesia – povoado de crianças, ramos, flores, pássaros... O professor comovido transportava se a esse tempo de ternura, pensava nesse avô tão sensível, e continuava a participar, com ele, dessa cordialidade geral, desse agradecido amor à Natureza que, em silêncio, nos rodeia com a sua proteção, mesmo obscura e enigmática.



Lembrei‐me de tudo isso ao contemplar uma árvore que não esqueço, e cujo tronco há quinze dias se encontra todo ferido, lascado pelo choque de um táxi desgovernado. Segundo os técnicos, se não for socorrida, essa árvore deverá morrer dentro em breve: pois a pancada que a atingiu afetou‐a na profundidade da sua vida.



Uma testemunha realista, meramente interessada na descrição dos fatos aparentes, contaria que, uma destas tardes, um pobre táxi obscuro, rodando dentro da quilometragem regular, foi abalroado por um poderoso furgão, de maneira tão jeitosa que o motorista foi cuspido do seu lugar; e o carro, em movimento, dirigiu‐se, desgovernado, para cima, para baixo, para a direita e para a esquerda, até se amassar contra uma árvore. Apenas isso: sem falar que o táxi levava passageiro, que, no seu lugar, aguardava o desfecho desse jogo de forças cumprindo‐se inexoráveis dentro das leis da física.



Mas um observador mais sensível, mais dedicado ao que mora além das aparências – sem divergir da descrição gráfica do fato –, veria, no instante mais agudo da situação, a bondosa, a caridosa, a dadivosa árvore enfrentar o desastre com a sua solidez estoica, deter o desvario da máquina, embora expondo ao risco a sua vida.



Com que abraço se pode agradecer o heroísmo de uma árvore? Num tempo em que os homens se destroem com pensamentos, palavras e atos, de que maneira se pode louvar uma árvore que protege e salva, embora anônima e em silêncio? A quem se deve pedir que venha, com os recursos de que os homens dispõem, impedir que se extinga a vida vegetal que salvou uma vida humana? Vinde, senhores da cidade! Tratai desta árvore‐símbolo! Tratai‐a com amor, porque está sofrendo, porque está ferida, porque não se queixa – e para que não se diga que os homens são menos generosos que as plantas.



(MEIRELES, Cecília. Crônicas para jovens) 

“Lembrei‐me de tudo isso...” (2º§). Os termos sublinhados:
Alternativas
Q4078793 Português
O pandemônio que vem por aí


Sérgio Rodrigues*

Pode ser um daqueles truques que a memória nos prega, mas me lembro que, na bolha da minha infância mineira, a palavra "pandemônio" tinha ampla circulação.

Não é que o mundo que eu habitava fosse especialmente confuso ou cacofônico. Comparado ao de hoje, tinha uma simplicidade de três acordes da “Jovem Guarda” ‒ que, aliás, lhe providenciava a maior parte da trilha sonora.

O que acontecia era que, nas asas eternas da hipérbole, do exagero, do drama, o pandemônio era invocado para qualificar desordens mínimas. Por exemplo, a de um quarto de criança com dois gibis do Pato Donald, três carrinhos Matchbox e um pé de Kichute largados no chão.

Só muitos anos depois aprendi que o pandemônio, termo tão corriqueiro, tinha uma origem não apenas literária, mas enraizada na alta cultura. Era um termo erudito, eruditíssimo, que havia caído na vida. Como?

Não é tão simples desvendar esse como porque rola no mundo dos vocábulos uma clara tendência ao pandemônio. O que podemos fazer no caso é reconstituir com relativa segurança a fonte primária da palavra – e isso não é pouco.

Os etimologistas, que não gostam muito de concordar uns com os outros, concordam que se trata de um neologismo culto, um termo inventado pelo poeta inglês John Milton (1608-1674) em sua obra-prima "Paraíso Perdido". Esse longo poema épico de inspiração religiosa, lançado em 1667, tem entre seus personagens Adão, Eva, Deus e Satã. Pandemonium vem a ser o local de trabalho deste último: o palácio,  o quartel-general onde labutam o “Rabudo” e seus demônios subordinados.

O nome traduzia justamente esse coletivo. Milton o criou juntando dois elementos gregos: "pan" (todos) e "daimónion" (demônios), este após tabelinha com o latim "daemonium". Ou seja, o Pandemonium era o local onde se reunia a diabada toda.

Sobre a bem-sucedida carreira do pandemônio na linguagem comum há pistas esparsas. O dicionário etimológico de Douglas Harper registra, para o inglês, o surgimento do sentido expandido ‒ e já atenuado, pois não diabólico ‒ de "lugar de balbúrdia e desordem" cerca de um século após a publicação de "Paraíso Perdido".

Daí até o pandemônio chegar ao meu quarto infantil bagunçado foi preciso fazer uma escala em 1877, ano do primeiro registro do vocábulo em português, no dicionário Morais.

Hoje o Houaiss tem como uma das acepções da palavra uma fórmula domesticada e próxima do sentido em que a conheci: "mistura caótica de pessoas ou coisas; confusão".

Desconfio que o pandemônio já não ocupe posição tão privilegiada na linguagem familiar brasileira. Desde aquele tempo a sensação de desordem cresceu, e com ela o número de palavras encarregadas de traduzi-la. Da chula zona ao científico caos, do cômico furdunço ao popular angu de caroço, não faltam rivais para dividir as preferências do público e desafiar a autoridade vocabular do pandemônio.

Um dos sentidos de pandemônio no Houaiss ‒ "associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias" ‒ sugere que pode estar na hora de tirá-lo da gaveta.

* Escritor e jornalista.

Folha de São Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado.

Considere o texto a seguir e preencha corretamente as lacunas.



Imagem associada para resolução da questão




Um dos sinais gráficos em evidência no cartaz delimita um/uma __________ e foi empregado pelo mesmo motivo que em __________, termo citado no texto de Sérgio Rodrigues.


A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é

Alternativas
Q4078791 Português
O pandemônio que vem por aí


Sérgio Rodrigues*

Pode ser um daqueles truques que a memória nos prega, mas me lembro que, na bolha da minha infância mineira, a palavra "pandemônio" tinha ampla circulação.

Não é que o mundo que eu habitava fosse especialmente confuso ou cacofônico. Comparado ao de hoje, tinha uma simplicidade de três acordes da “Jovem Guarda” ‒ que, aliás, lhe providenciava a maior parte da trilha sonora.

O que acontecia era que, nas asas eternas da hipérbole, do exagero, do drama, o pandemônio era invocado para qualificar desordens mínimas. Por exemplo, a de um quarto de criança com dois gibis do Pato Donald, três carrinhos Matchbox e um pé de Kichute largados no chão.

Só muitos anos depois aprendi que o pandemônio, termo tão corriqueiro, tinha uma origem não apenas literária, mas enraizada na alta cultura. Era um termo erudito, eruditíssimo, que havia caído na vida. Como?

Não é tão simples desvendar esse como porque rola no mundo dos vocábulos uma clara tendência ao pandemônio. O que podemos fazer no caso é reconstituir com relativa segurança a fonte primária da palavra – e isso não é pouco.

Os etimologistas, que não gostam muito de concordar uns com os outros, concordam que se trata de um neologismo culto, um termo inventado pelo poeta inglês John Milton (1608-1674) em sua obra-prima "Paraíso Perdido". Esse longo poema épico de inspiração religiosa, lançado em 1667, tem entre seus personagens Adão, Eva, Deus e Satã. Pandemonium vem a ser o local de trabalho deste último: o palácio,  o quartel-general onde labutam o “Rabudo” e seus demônios subordinados.

O nome traduzia justamente esse coletivo. Milton o criou juntando dois elementos gregos: "pan" (todos) e "daimónion" (demônios), este após tabelinha com o latim "daemonium". Ou seja, o Pandemonium era o local onde se reunia a diabada toda.

Sobre a bem-sucedida carreira do pandemônio na linguagem comum há pistas esparsas. O dicionário etimológico de Douglas Harper registra, para o inglês, o surgimento do sentido expandido ‒ e já atenuado, pois não diabólico ‒ de "lugar de balbúrdia e desordem" cerca de um século após a publicação de "Paraíso Perdido".

Daí até o pandemônio chegar ao meu quarto infantil bagunçado foi preciso fazer uma escala em 1877, ano do primeiro registro do vocábulo em português, no dicionário Morais.

Hoje o Houaiss tem como uma das acepções da palavra uma fórmula domesticada e próxima do sentido em que a conheci: "mistura caótica de pessoas ou coisas; confusão".

Desconfio que o pandemônio já não ocupe posição tão privilegiada na linguagem familiar brasileira. Desde aquele tempo a sensação de desordem cresceu, e com ela o número de palavras encarregadas de traduzi-la. Da chula zona ao científico caos, do cômico furdunço ao popular angu de caroço, não faltam rivais para dividir as preferências do público e desafiar a autoridade vocabular do pandemônio.

Um dos sentidos de pandemônio no Houaiss ‒ "associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias" ‒ sugere que pode estar na hora de tirá-lo da gaveta.

* Escritor e jornalista.

Folha de São Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado.
“A intertextualidade se caracteriza pelas relações estabelecidas entre textos a partir de leituras e interpretações.”
SARMENTO, Leila Lauar. Oficina de redação. São Paulo: Moderna, 2013, p. 238.

A passagem transcrita na qual NÃO está presente, explicitamente, esse dialogismo para ofertar coerência ao texto é
Alternativas
Q4078790 Português
O pandemônio que vem por aí


Sérgio Rodrigues*

Pode ser um daqueles truques que a memória nos prega, mas me lembro que, na bolha da minha infância mineira, a palavra "pandemônio" tinha ampla circulação.

Não é que o mundo que eu habitava fosse especialmente confuso ou cacofônico. Comparado ao de hoje, tinha uma simplicidade de três acordes da “Jovem Guarda” ‒ que, aliás, lhe providenciava a maior parte da trilha sonora.

O que acontecia era que, nas asas eternas da hipérbole, do exagero, do drama, o pandemônio era invocado para qualificar desordens mínimas. Por exemplo, a de um quarto de criança com dois gibis do Pato Donald, três carrinhos Matchbox e um pé de Kichute largados no chão.

Só muitos anos depois aprendi que o pandemônio, termo tão corriqueiro, tinha uma origem não apenas literária, mas enraizada na alta cultura. Era um termo erudito, eruditíssimo, que havia caído na vida. Como?

Não é tão simples desvendar esse como porque rola no mundo dos vocábulos uma clara tendência ao pandemônio. O que podemos fazer no caso é reconstituir com relativa segurança a fonte primária da palavra – e isso não é pouco.

Os etimologistas, que não gostam muito de concordar uns com os outros, concordam que se trata de um neologismo culto, um termo inventado pelo poeta inglês John Milton (1608-1674) em sua obra-prima "Paraíso Perdido". Esse longo poema épico de inspiração religiosa, lançado em 1667, tem entre seus personagens Adão, Eva, Deus e Satã. Pandemonium vem a ser o local de trabalho deste último: o palácio,  o quartel-general onde labutam o “Rabudo” e seus demônios subordinados.

O nome traduzia justamente esse coletivo. Milton o criou juntando dois elementos gregos: "pan" (todos) e "daimónion" (demônios), este após tabelinha com o latim "daemonium". Ou seja, o Pandemonium era o local onde se reunia a diabada toda.

Sobre a bem-sucedida carreira do pandemônio na linguagem comum há pistas esparsas. O dicionário etimológico de Douglas Harper registra, para o inglês, o surgimento do sentido expandido ‒ e já atenuado, pois não diabólico ‒ de "lugar de balbúrdia e desordem" cerca de um século após a publicação de "Paraíso Perdido".

Daí até o pandemônio chegar ao meu quarto infantil bagunçado foi preciso fazer uma escala em 1877, ano do primeiro registro do vocábulo em português, no dicionário Morais.

Hoje o Houaiss tem como uma das acepções da palavra uma fórmula domesticada e próxima do sentido em que a conheci: "mistura caótica de pessoas ou coisas; confusão".

Desconfio que o pandemônio já não ocupe posição tão privilegiada na linguagem familiar brasileira. Desde aquele tempo a sensação de desordem cresceu, e com ela o número de palavras encarregadas de traduzi-la. Da chula zona ao científico caos, do cômico furdunço ao popular angu de caroço, não faltam rivais para dividir as preferências do público e desafiar a autoridade vocabular do pandemônio.

Um dos sentidos de pandemônio no Houaiss ‒ "associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias" ‒ sugere que pode estar na hora de tirá-lo da gaveta.

* Escritor e jornalista.

Folha de São Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado.
TEXTO I
“Pandemonium vem a ser o local de trabalho deste último [Satã]: o palácio, o quartel-general onde labutam o “Rabudo” e seus demônios subordinados. [...] Sobre a bem-sucedida carreira do pandemônio na linguagem comum há pistas esparsas. O dicionário etimológico de Douglas Harper registra, para o inglês, o surgimento do sentido expandido ‒ e já atenuado, pois não diabólico ‒ de "lugar de balbúrdia e desordem...”

TEXTO II


Imagem associada para resolução da questão


“Já dizia Camões, 'do velho caos a tão confusa face'. Mas, afinal, o que é o caos? [...] Desordem, babel, balbúrdia, barafunda, confusão, atrapalhada, charivari, embaralhação, escangalho, forrobodó, fuzarca, pandemônio, algaravia, atarantação, bagunça, cipoal etc. Esses sinônimos são uma expressão do caos, o qual é assim resumido por Plinio Corrêa de Oliveira: 'Um catastrófico auge de todas as desordens. [...] O caos, portanto, é o contrário da ordem.'”
Disponível em: <https://www.abim.inf.br/caos-o-aids-psicossocial-de-nossos-dias/>.  .

Considerando-se os dois textos, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I – Ambos, cada um à sua maneira, buscam explicar os sentidos para as palavras-chave que os norteiam, com destaque para certos aspectos que os aproximam. Ambos também se servem do argumento de autoridade para fundamentar seu ponto de vista. Todavia, o TEXTO II se distancia do TEXTO I
PORQUE,

II – além de conter a mescla de elementos verbais e imagéticos (ainda que esses últimos pudessem ser descartados, pois não comprometeriam a intenção original da mensagem), privilegia o humor estabelecido a partir da contraposição entre as representações metafóricas de “caos” e de “pandemônio”.


A respeito das asserções, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
95701: C
95702: B
95703: B
95704: A
95705: D
95706: A
95707: B
95708: D
95709: C
95710: E
95711: A
95712: C
95713: B
95714: A
95715: C
95716: C
95717: B
95718: C
95719: A
95720: C