Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3975424 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente

    Para alguns, felicidade é a uma rápida trégua entre uma tempestade e outra. Não discordo totalmente, mas sou mais otimista: acredito que é possível sentir um bem-estar pleno e constante, desde que se entenda que medos, incertezas e dores são comuns até quando a gente está bem. Vesti o colete que traz a frase: como posso ajudar? Lá vou eu.
    Para início de conversa, aceite a própria insignificância, sem surtar. Dá muito trabalho querer ser visto como alguém extraordinário. Para quê? Nem lembramos quem ganhou o Oscar ano passado. Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente. A história de cada um é sua própria obra de arte. Posses, amores e viagens a valorizam, mas ser gentil basta.
    As melhores coisas são de graça. Banho de sol, banho de mar, caminhar, dormir, conversar com os amigos, ouvir música, beijar, estar com os filhos. Você pode fazer tudo isso em Honolulu, mas já viu o preço das passagens? Aliás: dinheiro traz felicidade, sim. Desde que seja dinheiro seu. Ganho com seu trabalho, com suas ideias. Parasitar é cômodo, mas esvazia o significado da existência. Е, dependendo do método usado, pode render uma tornozeleira eletrônica.
    Recuse confrontos. Se for ao estádio, torça aos berros pelo seu time, mas sem bater boca à toa. Semana que vem já tem outra rodada.
    Não busque a aprovação dos outros. Não bajule nem queira ser bajulado. É humilhante depender da aceitação de estranhos. 
    Entenda o mundo em que vive, não apenas o que acontece na sua bolha. Leia, pesquise, se interesse pelo que ainda não conhece. Termine o dia com uma informação nova, com uma visão que ainda não tinha: evoluir tem sido um prazer subvalorizado, mas o resultado nunca desaponta.
    Não desmaie antes de tontear. Não sofra antes de doer. Não celebre antes de ganhar. Mantenha-se aqui, no fascinante agora.
    Gratifique-se com pequenas delicadezas. Ofereça-se para prestar um favor. Passe batom, mesmo que não vá sair. Faça seu mapa astral. Compre flores para a sala. Tome um suco de cajá ou uma taça de espumante. Leia um poema por dia. Seja verdadeiro e nunca será desmascarado.
    Cultue as soluções, não as dificuldades. Não lute contra sua energia vital, é um desgaste inútil. Consuma coisas boas em vez de porcarias (vale para shows, livros, postagens). Lembre-se: paz não significa ausência de conflito, e sim estar em meio ao conflito sem perder a calma. Adicione doçura ao organizar suas memórias. Tenha coragem - nunca vi um covarde satisfeito.
    A felicidade é medíocre? Não é criativa, nem genial? Pode ser. Mas ela traz, como se sabe, um benefício que coloca a humanidade de joelhos: pessoas felizes não chateiam.

Autor: Martha Medeiros (com alterações)
A interpretação textual exige identificar pressupostos e subentendidos. No trecho "Parasitar é cômodo, mas esvazia o significado da existência. E, dependendo do método usado, pode render uma tornozeleira eletrônica", a compreensão depende da captura de sentidos implícitos atrelados ao conhecimento de mundo do leitor. Nesse sentido, analise as assertivas que interpretam os sentidos dessa passagem:

I. Sugere-se que viver do dinheiro alheio de forma indevida é parasitismo.
II. "Tornozeleira eletrônica" subentende consequências penais para a obtenção ilícita de vantagens.
III. Fica pressuposto que o comodismo gera plena satisfação pessoal.

Está(ão) CORRETA(S):
Alternativas
Q3975423 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente

    Para alguns, felicidade é a uma rápida trégua entre uma tempestade e outra. Não discordo totalmente, mas sou mais otimista: acredito que é possível sentir um bem-estar pleno e constante, desde que se entenda que medos, incertezas e dores são comuns até quando a gente está bem. Vesti o colete que traz a frase: como posso ajudar? Lá vou eu.
    Para início de conversa, aceite a própria insignificância, sem surtar. Dá muito trabalho querer ser visto como alguém extraordinário. Para quê? Nem lembramos quem ganhou o Oscar ano passado. Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente. A história de cada um é sua própria obra de arte. Posses, amores e viagens a valorizam, mas ser gentil basta.
    As melhores coisas são de graça. Banho de sol, banho de mar, caminhar, dormir, conversar com os amigos, ouvir música, beijar, estar com os filhos. Você pode fazer tudo isso em Honolulu, mas já viu o preço das passagens? Aliás: dinheiro traz felicidade, sim. Desde que seja dinheiro seu. Ganho com seu trabalho, com suas ideias. Parasitar é cômodo, mas esvazia o significado da existência. Е, dependendo do método usado, pode render uma tornozeleira eletrônica.
    Recuse confrontos. Se for ao estádio, torça aos berros pelo seu time, mas sem bater boca à toa. Semana que vem já tem outra rodada.
    Não busque a aprovação dos outros. Não bajule nem queira ser bajulado. É humilhante depender da aceitação de estranhos. 
    Entenda o mundo em que vive, não apenas o que acontece na sua bolha. Leia, pesquise, se interesse pelo que ainda não conhece. Termine o dia com uma informação nova, com uma visão que ainda não tinha: evoluir tem sido um prazer subvalorizado, mas o resultado nunca desaponta.
    Não desmaie antes de tontear. Não sofra antes de doer. Não celebre antes de ganhar. Mantenha-se aqui, no fascinante agora.
    Gratifique-se com pequenas delicadezas. Ofereça-se para prestar um favor. Passe batom, mesmo que não vá sair. Faça seu mapa astral. Compre flores para a sala. Tome um suco de cajá ou uma taça de espumante. Leia um poema por dia. Seja verdadeiro e nunca será desmascarado.
    Cultue as soluções, não as dificuldades. Não lute contra sua energia vital, é um desgaste inútil. Consuma coisas boas em vez de porcarias (vale para shows, livros, postagens). Lembre-se: paz não significa ausência de conflito, e sim estar em meio ao conflito sem perder a calma. Adicione doçura ao organizar suas memórias. Tenha coragem - nunca vi um covarde satisfeito.
    A felicidade é medíocre? Não é criativa, nem genial? Pode ser. Mas ela traz, como se sabe, um benefício que coloca a humanidade de joelhos: pessoas felizes não chateiam.

Autor: Martha Medeiros (com alterações)
No parágrafo "Não desmaie antes de tontear. Não sofra antes de doer. Não celebre antes de ganhar", verifica-se o uso intencional de um recurso de repetição sintática que reforça o apelo feito ao leitor para viver o momento presente. Com base nisso, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3975419 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente

    Para alguns, felicidade é a uma rápida trégua entre uma tempestade e outra. Não discordo totalmente, mas sou mais otimista: acredito que é possível sentir um bem-estar pleno e constante, desde que se entenda que medos, incertezas e dores são comuns até quando a gente está bem. Vesti o colete que traz a frase: como posso ajudar? Lá vou eu.
    Para início de conversa, aceite a própria insignificância, sem surtar. Dá muito trabalho querer ser visto como alguém extraordinário. Para quê? Nem lembramos quem ganhou o Oscar ano passado. Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente. A história de cada um é sua própria obra de arte. Posses, amores e viagens a valorizam, mas ser gentil basta.
    As melhores coisas são de graça. Banho de sol, banho de mar, caminhar, dormir, conversar com os amigos, ouvir música, beijar, estar com os filhos. Você pode fazer tudo isso em Honolulu, mas já viu o preço das passagens? Aliás: dinheiro traz felicidade, sim. Desde que seja dinheiro seu. Ganho com seu trabalho, com suas ideias. Parasitar é cômodo, mas esvazia o significado da existência. Е, dependendo do método usado, pode render uma tornozeleira eletrônica.
    Recuse confrontos. Se for ao estádio, torça aos berros pelo seu time, mas sem bater boca à toa. Semana que vem já tem outra rodada.
    Não busque a aprovação dos outros. Não bajule nem queira ser bajulado. É humilhante depender da aceitação de estranhos. 
    Entenda o mundo em que vive, não apenas o que acontece na sua bolha. Leia, pesquise, se interesse pelo que ainda não conhece. Termine o dia com uma informação nova, com uma visão que ainda não tinha: evoluir tem sido um prazer subvalorizado, mas o resultado nunca desaponta.
    Não desmaie antes de tontear. Não sofra antes de doer. Não celebre antes de ganhar. Mantenha-se aqui, no fascinante agora.
    Gratifique-se com pequenas delicadezas. Ofereça-se para prestar um favor. Passe batom, mesmo que não vá sair. Faça seu mapa astral. Compre flores para a sala. Tome um suco de cajá ou uma taça de espumante. Leia um poema por dia. Seja verdadeiro e nunca será desmascarado.
    Cultue as soluções, não as dificuldades. Não lute contra sua energia vital, é um desgaste inútil. Consuma coisas boas em vez de porcarias (vale para shows, livros, postagens). Lembre-se: paz não significa ausência de conflito, e sim estar em meio ao conflito sem perder a calma. Adicione doçura ao organizar suas memórias. Tenha coragem - nunca vi um covarde satisfeito.
    A felicidade é medíocre? Não é criativa, nem genial? Pode ser. Mas ela traz, como se sabe, um benefício que coloca a humanidade de joelhos: pessoas felizes não chateiam.

Autor: Martha Medeiros (com alterações)
A riqueza lexical de um texto permite a construção de sentidos precisos e adequados à intenção comunicativa do enunciador. No contexto do texto lido, algumas palavras assumem significados que podem ser substituídos por sinônimos sem alterar a coerência original. Considere as palavras "trégua", "insignificância" e "bajule", extraídas do primeiro, segundo e quinto parágrafos, respectivamente. Tendo em vista a significação dessas expressões no contexto, é perfeitamente viável substituí-las pelos seguintes vocábulos, respectivamente: 
Alternativas
Q3975418 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente

    Para alguns, felicidade é a uma rápida trégua entre uma tempestade e outra. Não discordo totalmente, mas sou mais otimista: acredito que é possível sentir um bem-estar pleno e constante, desde que se entenda que medos, incertezas e dores são comuns até quando a gente está bem. Vesti o colete que traz a frase: como posso ajudar? Lá vou eu.
    Para início de conversa, aceite a própria insignificância, sem surtar. Dá muito trabalho querer ser visto como alguém extraordinário. Para quê? Nem lembramos quem ganhou o Oscar ano passado. Somos fundamentalmente importantes para oito ou 10 pessoas: é triunfo suficiente. A história de cada um é sua própria obra de arte. Posses, amores e viagens a valorizam, mas ser gentil basta.
    As melhores coisas são de graça. Banho de sol, banho de mar, caminhar, dormir, conversar com os amigos, ouvir música, beijar, estar com os filhos. Você pode fazer tudo isso em Honolulu, mas já viu o preço das passagens? Aliás: dinheiro traz felicidade, sim. Desde que seja dinheiro seu. Ganho com seu trabalho, com suas ideias. Parasitar é cômodo, mas esvazia o significado da existência. Е, dependendo do método usado, pode render uma tornozeleira eletrônica.
    Recuse confrontos. Se for ao estádio, torça aos berros pelo seu time, mas sem bater boca à toa. Semana que vem já tem outra rodada.
    Não busque a aprovação dos outros. Não bajule nem queira ser bajulado. É humilhante depender da aceitação de estranhos. 
    Entenda o mundo em que vive, não apenas o que acontece na sua bolha. Leia, pesquise, se interesse pelo que ainda não conhece. Termine o dia com uma informação nova, com uma visão que ainda não tinha: evoluir tem sido um prazer subvalorizado, mas o resultado nunca desaponta.
    Não desmaie antes de tontear. Não sofra antes de doer. Não celebre antes de ganhar. Mantenha-se aqui, no fascinante agora.
    Gratifique-se com pequenas delicadezas. Ofereça-se para prestar um favor. Passe batom, mesmo que não vá sair. Faça seu mapa astral. Compre flores para a sala. Tome um suco de cajá ou uma taça de espumante. Leia um poema por dia. Seja verdadeiro e nunca será desmascarado.
    Cultue as soluções, não as dificuldades. Não lute contra sua energia vital, é um desgaste inútil. Consuma coisas boas em vez de porcarias (vale para shows, livros, postagens). Lembre-se: paz não significa ausência de conflito, e sim estar em meio ao conflito sem perder a calma. Adicione doçura ao organizar suas memórias. Tenha coragem - nunca vi um covarde satisfeito.
    A felicidade é medíocre? Não é criativa, nem genial? Pode ser. Mas ela traz, como se sabe, um benefício que coloca a humanidade de joelhos: pessoas felizes não chateiam.

Autor: Martha Medeiros (com alterações)
A leitura do texto revela reflexões profundas sobre a condição humana e a busca incessante pela felicidade no cotidiano. O texto argumenta, logo em seus parágrafos iniciais, que o bem-estar pleno e constante é perfeitamente alcançável, mas impõe uma condição específica para que esse estado de espírito se concretize, exigindo que o indivíduo compreenda e aceite determinadas premissas sobre as intempéries da vida e a própria insignificância. Com base no que é disposto pela autora, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3975416 Português

Texto 12A4-II


Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tronitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.


João Guimarães Rosa. As margens da alegria. In: Primeiras estórias / João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

Assinale a opção correta a respeito da técnica descritiva no texto 12A4-II. 
Alternativas
Q3975415 Português

Imagem associada para resolução da questão


O efeito de humor da tirinha precedente está relacionado principalmente

Alternativas
Q3975414 Português
Aula de português
Carlos Drummond de Andrade


A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquemáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.


Carlos Drummond Andrade. In: Esquecer para lembrar.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p.79.

O poeta Carlos Drummond de Andrade é autor de uma vasta obra literária composta no decorrer de mais de 60 anos. Na evolução dessa obra, alguns traços estilísticos de sua poesia sempre reafirmaram valores e procedimentos típicos do início do movimento modernista.


A partir dessa informação, assinale a opção em que é corretamente mencionado um dos traços permanentes da poesia de Drummond presente no texto Aula de português.

Alternativas
Q3975412 Português
Aula de português
Carlos Drummond de Andrade


A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquemáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.


Carlos Drummond Andrade. In: Esquecer para lembrar.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p.79.
Além da função expressiva, manifesta na subjetividade com que o poeta aborda o tema do poema, predominam no texto Aula de português as funções 
Alternativas
Q3975411 Português

Texto 12A4-I


    Alguém me falou de um anúncio institucional que a UNESCO publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia em uma frase escrita de trás para a frente — ideia talvez tirada de Alice através do espelho (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar “do lado de lá” do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto — uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.


    No Brasil, 5,2% da população ainda continua analfabeta. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isso os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, alguns desses analfabetos sabem de sua condição e não querem que se estenda a seus filhos.


    Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu PIX (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.


    Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?


    Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 


Ruy Castro. Signos sem significado. Internet: <www1.folha.uol.com.br>(com adaptações).

O texto 12A4-I apresenta características de crônica, como 
Alternativas
Q3975410 Português

Texto 12A4-I


    Alguém me falou de um anúncio institucional que a UNESCO publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia em uma frase escrita de trás para a frente — ideia talvez tirada de Alice através do espelho (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar “do lado de lá” do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto — uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.


    No Brasil, 5,2% da população ainda continua analfabeta. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isso os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, alguns desses analfabetos sabem de sua condição e não querem que se estenda a seus filhos.


    Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu PIX (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.


    Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?


    Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 


Ruy Castro. Signos sem significado. Internet: <www1.folha.uol.com.br>(com adaptações).

Assinale a opção em que é corretamente apresentada a tese central defendida pelo autor do texto 12A4-I.
Alternativas
Q3975409 Português

Texto 12A4-I


    Alguém me falou de um anúncio institucional que a UNESCO publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia em uma frase escrita de trás para a frente — ideia talvez tirada de Alice através do espelho (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar “do lado de lá” do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto — uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.


    No Brasil, 5,2% da população ainda continua analfabeta. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isso os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, alguns desses analfabetos sabem de sua condição e não querem que se estenda a seus filhos.


    Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu PIX (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.


    Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?


    Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 


Ruy Castro. Signos sem significado. Internet: <www1.folha.uol.com.br>(com adaptações).

Assinale a opção em que o trecho destacado do texto 12A4-I é introduzido por elemento de coesão sequencial com o mesmo valor semântico da conjunção “e” em “e veja como o Brasil continua longe do século 21” (terceiro período do segundo parágrafo).
Alternativas
Q3975408 Português

Texto 12A4-I


    Alguém me falou de um anúncio institucional que a UNESCO publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia em uma frase escrita de trás para a frente — ideia talvez tirada de Alice através do espelho (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar “do lado de lá” do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto — uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.


    No Brasil, 5,2% da população ainda continua analfabeta. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isso os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, alguns desses analfabetos sabem de sua condição e não querem que se estenda a seus filhos.


    Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu PIX (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.


    Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?


    Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 


Ruy Castro. Signos sem significado. Internet: <www1.folha.uol.com.br>(com adaptações).

Assinale a opção correta com base nas ideias do texto 12A4-I. 
Alternativas
Q3975405 Português

Texto 12A3-II


    Escrevendo no dia 19 último sobre a morte de Mario Vargas Llosa, meu amigo Álvaro Costa e Silva observa que o escritor peruano nunca tuitou na vida. “Não precisava”, disse. “Qualquer declaração sua, artigo de opinião e entrevista logo estavam nas redes, provocando admiração ou rechaço.” Como todos que vivem de escrever, Vargas Llosa produziu verdades e sandices. O espantoso é que suas palavras tenham tido tanto alcance sem essa “ferramenta”, hoje essencial para milhões.

    Modestamente, também nunca escrevi um tuíte na vida. Assim, deixo de atingir as multidões que se comunicam pelo Twitter, mas, como isso não lhes altera a cotação do dólar, deduzo que ninguém tem saído perdendo.

    Assim como nunca tuitei, também nunca orkutei, bloguei, fotologuei, flickerei ou messengerei. E, assim como eu, muita gente deixou de fazer isso quando essas tecnologias ficaram fora de moda — você conhece alguém que ainda orkuta? Portanto, apenas me antecipei. Da mesma forma, nunca instagramei, facebookei, telegramei, tik-tokei, skypei, linkedinei ou snapchatei. O máximo que faço é whatsappar e, mesmo assim, pelo computador. Algumas pessoas se preocupam por terem um excesso de vida digital. Eu tenho de menos. Mas, como sou um homem de necessidades simples, vou me virando sem essas maravilhas.

    Sei que parece esdrúxulo viver no século 21 e ainda usar a tecnologia do século 20. Mas alguns dos maiores escritores do século 20 criaram obras-primas usando a tecnologia do século 19. Marcel Proust, James Joyce e F. Scott Fitzgerald não escreveram, respectivamente, Em Busca do Tempo Perdido, Ulisses e O Grande Gatsby à máquina. Usaram a velha pena embebida no tinteiro. E também nunca tuitaram.


Rui Castro. Também nunca tuitei. Internet: <folha.uol.com.br>(com adaptações).

Assinale a opção correta em relação a aspectos referenciais do texto 12A3-II.
Alternativas
Q3975404 Português

Texto 12A3-II


    Escrevendo no dia 19 último sobre a morte de Mario Vargas Llosa, meu amigo Álvaro Costa e Silva observa que o escritor peruano nunca tuitou na vida. “Não precisava”, disse. “Qualquer declaração sua, artigo de opinião e entrevista logo estavam nas redes, provocando admiração ou rechaço.” Como todos que vivem de escrever, Vargas Llosa produziu verdades e sandices. O espantoso é que suas palavras tenham tido tanto alcance sem essa “ferramenta”, hoje essencial para milhões.

    Modestamente, também nunca escrevi um tuíte na vida. Assim, deixo de atingir as multidões que se comunicam pelo Twitter, mas, como isso não lhes altera a cotação do dólar, deduzo que ninguém tem saído perdendo.

    Assim como nunca tuitei, também nunca orkutei, bloguei, fotologuei, flickerei ou messengerei. E, assim como eu, muita gente deixou de fazer isso quando essas tecnologias ficaram fora de moda — você conhece alguém que ainda orkuta? Portanto, apenas me antecipei. Da mesma forma, nunca instagramei, facebookei, telegramei, tik-tokei, skypei, linkedinei ou snapchatei. O máximo que faço é whatsappar e, mesmo assim, pelo computador. Algumas pessoas se preocupam por terem um excesso de vida digital. Eu tenho de menos. Mas, como sou um homem de necessidades simples, vou me virando sem essas maravilhas.

    Sei que parece esdrúxulo viver no século 21 e ainda usar a tecnologia do século 20. Mas alguns dos maiores escritores do século 20 criaram obras-primas usando a tecnologia do século 19. Marcel Proust, James Joyce e F. Scott Fitzgerald não escreveram, respectivamente, Em Busca do Tempo Perdido, Ulisses e O Grande Gatsby à máquina. Usaram a velha pena embebida no tinteiro. E também nunca tuitaram.


Rui Castro. Também nunca tuitei. Internet: <folha.uol.com.br>(com adaptações).

Da leitura do texto 12A3-II infere-se que o autor
Alternativas
Q3975403 Português

Imagem associada para resolução da questão
O humor da charge apresentada decorre do fato de a professora de língua portuguesa perguntar aos estudantes se perceberam mudanças na frase escrita no quadro e os alunos interpretarem o enunciado sob outro aspecto. A mudança a que a professora se refere está relacionada
Alternativas
Q3975401 Português

Texto 12A3-I 


A Lei n.º 15.263/2025 instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples e proibiu o uso da linguagem neutra na administração pública, conforme o disposto no art. 5.º: “não usar novas formas de flexão de gênero e de número das palavras da língua portuguesa em contrariedade às regras gramaticais consolidadas, ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”.


O uso da linguagem neutra é mais comum nas redes sociais e entre membros da comunidade LGBTQIA+. O objetivo é adaptar o português para o uso de expressões em que as pessoas não binárias — que não se identificam com os gêneros masculino e feminino — se sintam representadas.


Artigos feminino e masculino, na linguagem neutra, são substituídos por “x”, “e” ou “@” em alguns casos. Amigo ou amiga viram “amigue” ou “amigx”, enquanto as palavras “todos” e “todas” são trocadas por “todes”, “todxs” ou “tod@s”, e “ume” é usado para substituir um/uma. O pronome neutro “elu” é usado para se referir a qualquer pessoa, independentemente do gênero.


Pela lei, o governo considera linguagem simples o conjunto de técnicas destinadas à transmissão clara e objetiva de informações, “de modo que as palavras, a estrutura e o leiaute da mensagem permitam ao cidadão facilmente encontrar a informação, compreendê-la e usá-la”.


A lei também apresenta técnicas para que a linguagem simples seja adotada na administração pública, como, por exemplo, priorizar frases curtas, em ordem direta e com voz ativa; desenvolver uma ideia por parágrafo; usar palavras comuns, evitando jargões e explicando termos técnicos quando necessário; não utilizar formas de flexão de gênero ou número que estejam fora das regras da língua portuguesa; evitar estrangeirismos que não sejam de uso corrente; colocar as informações mais importantes no início do período; usar listas, tabelas e outros recursos gráficos sempre que ajudarem a compreensão das informações; garantir linguagem acessível às pessoas com deficiência; e redigir o nome completo antes das siglas.


A medida também determina que, quando a comunicação for destinada a comunidades indígenas, deverá ser disponibilizada, sempre que possível, uma versão na língua da comunidade.


Segundo o governo, o objetivo da lei é garantir que qualquer pessoa consiga encontrar a informação de que precisa, entender o que está sendo comunicado e usar essa informação para resolver sua demanda. 


Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações)

Assinale a opção em que o período apresentado está de acordo com a orientação da Política Nacional de Linguagem Simples, citada no texto 12A3-I, de “priorizar frases curtas, em ordem direta e com voz ativa”.
Alternativas
Q3975399 Português

O Parque Nacional Serra da Capivara foi criado em 1979, para preservar vestígios arqueológicos da mais remota presença do homem na América do Sul. Sua demarcação foi concluída em 1990 e o parque é subordinado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Por sua importância, a UNESCO o inscreveu na Lista do Patrimônio Mundial em 13 de dezembro de 1991, e também na Lista Indicativa brasileira como patrimônio misto. 

Situado no domínio morfoclimático das caatingas, em uma região fronteiriça de duas grandes formações geológicas — a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco —, com vegetação e relevo diversificado e paisagens de beleza surpreendente, o parque possui pontos de observação privilegiados de vales, serras e planícies. Apresenta, também, um dos conjuntos de sítios arqueológicos mais relevantes das Américas, que têm fornecido dados e vestígios importantes para uma revisão geral das teorias estabelecidas sobre a entrada do homem no continente americano.


Internet: <portal.iphan.gov.br>(com adaptações).

O texto precedente
Alternativas
Q3975398 Português

Mátria

Laís Romero


Meu corpo encontrou um ritmo

meu corpo abrigo

país dos meus filhos

meu corpo ferido frio

corpo dormindo

capataz dos meus delírios

corpo vasto território

corpo de corte e tintura

mapa em relevo da dor

meu corpo sereno

corpo, pelos e suor

meu corpo diz e asseguro

estar a caminho

no presente

e nos medos multiplicação

Meu corpo aberto e preciso

Coragem, eu insisto


Laís Romero. Mátria. São Paulo: Editora Paraquedas, 2023

No poema Mátria, a repetição, no início de alguns versos, da expressão meu corpo, corresponde estilisticamente a um(a)
Alternativas
Q3975397 Português

Mátria

Laís Romero


Meu corpo encontrou um ritmo

meu corpo abrigo

país dos meus filhos

meu corpo ferido frio

corpo dormindo

capataz dos meus delírios

corpo vasto território

corpo de corte e tintura

mapa em relevo da dor

meu corpo sereno

corpo, pelos e suor

meu corpo diz e asseguro

estar a caminho

no presente

e nos medos multiplicação

Meu corpo aberto e preciso

Coragem, eu insisto


Laís Romero. Mátria. São Paulo: Editora Paraquedas, 2023

Considerando os aspectos linguísticos e estilísticos do poema Mátria, assinale a opção correta.
Alternativas
Q3975396 Português

Mátria

Laís Romero


Meu corpo encontrou um ritmo

meu corpo abrigo

país dos meus filhos

meu corpo ferido frio

corpo dormindo

capataz dos meus delírios

corpo vasto território

corpo de corte e tintura

mapa em relevo da dor

meu corpo sereno

corpo, pelos e suor

meu corpo diz e asseguro

estar a caminho

no presente

e nos medos multiplicação

Meu corpo aberto e preciso

Coragem, eu insisto


Laís Romero. Mátria. São Paulo: Editora Paraquedas, 2023

No poema Mátria, a autora constrói sentidos a partir da repetição da palavra “corpo” e de imagens fragmentadas que se encadeiam ao longo do texto. A respeito da coesão e da coerência do poema, assinale a opção correta.
Alternativas
Respostas
4821: B
4822: A
4823: A
4824: C
4825: E
4826: E
4827: A
4828: B
4829: E
4830: C
4831: B
4832: B
4833: D
4834: C
4835: C
4836: E
4837: E
4838: A
4839: D
4840: E