Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548652 Português
TEXTO I

Miss Marvel e o Conflito de Gerações

Guilherme Smee



(https://splashpages.wordpress.com/2016/08/01/miss-marvel-e-oconflito-de-geracoes/. Acesso em: 14/03/2023). Adaptado. 


TEXTO II

Abaixo, você lerá uma tira da personagem Mafalda, criada pelo cartunista argentino Quino. 



(www.clubedamafalda.blogspot.com/2007/11/tirinha406.html#.YEVYEZ1KhPy. Acesso em: 13/03/2023)


*tricô: tecido utilizado na confecção de peças de vestuário e outras, executado à mão com duas agulhas, armando-se as malhas passando o fio de uma agulha para outra; existem também máquinas para produzir tricô, tanto de forma caseira quanto industrial.


TEXTO III

Calvin e Haroldo é uma série de tiras humorísticas escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson.



(https://cultura.estadao.com.br/galerias/geral,20-tiras-de-calvin-eharold-para-refletir-sobre-a-vida-e-sobre-o-mundo,28507. Acesso em: 14/03/2023)


TEXTO IV

Conflito de Gerações

Fernando Bonassi



*cavocadacavoucada - mexida, cutucada

(BONASSI, Fernando. “Conflito de gerações”. In: 100 Coisas. 1. ed. São Paulo: Editora Angra. 2000)
Considerando todos os textos presentes nesta prova, analise as afirmativas a seguir. Em seguida, assinale a alternativa correta.

I - Somente no texto I é abordada a questão tecnológica como vilã no conflito entre gerações, embora sua influência seja positiva para o desenvolvimento e manutenção de todas as gerações.
II - É possível afirmar, a partir da análise dos textos, que as gerações podem conviver pacificamente, apesar das diferenças entre elas.
III - Nos quatro textos, há uma visão crítica sobre o conflito entre as gerações que convivem simultaneamente na sociedade.
IV -Todos os textos apontam as dificuldades de comunicação como a causa principal do conflito entre gerações.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548651 Português
TEXTO IV

Conflito de Gerações

Fernando Bonassi




*cavocada: cavoucada - mexida, cutucada

(BONASSI, Fernando. “Conflito de gerações”. In: 100 Coisas. 1. ed. São Paulo: Editora Angra. 2000)
Analise os excertos abaixo, verificando a relação com os comentários apresentados. Em seguida, assinale a alternativa correta.

I - “Vi sem querer, espiando banho” (l. 2-3) => A vírgula se justifica por separar oração subordinada adverbial.
II - “Deus me livre de saber” (l. 3-4) => A próclise poderia ser substituída, sem apresentar prejuízos gramaticais, por uma ênclise.
III - “Então ficou ouvindo essa música de batedeira” (l. 4) => O elemento coesivo presente na oração pode ser substituído por “não obstante” sem perda do sentido original.
IV -“Ferida cavocada é o bonito” (l. 9-10) => A concordância do adjetivo bonito está correta, visto que ele sofre um processo de substantivação apoiado pelo artigo o que o antecede. 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548650 Português
TEXTO IV

Conflito de Gerações

Fernando Bonassi




*cavocada: cavoucada - mexida, cutucada

(BONASSI, Fernando. “Conflito de gerações”. In: 100 Coisas. 1. ed. São Paulo: Editora Angra. 2000)
No texto IV, o enunciador apresenta o processo de mudança que ocorre, ao longo do tempo, na personagem jovem da qual fala. Assinale a alternativa cujos termos apresentados são aqueles que sinalizam, no texto, a passagem do tempo durante o qual essas mudanças vão ocorrendo na personagem jovem.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548649 Português
TEXTO IV

Conflito de Gerações

Fernando Bonassi




*cavocada: cavoucada - mexida, cutucada

(BONASSI, Fernando. “Conflito de gerações”. In: 100 Coisas. 1. ed. São Paulo: Editora Angra. 2000)
Segundo o texto acima, é correto afirmar que
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548647 Português
TEXTO III

Calvin e Haroldo é uma série de tiras humorísticas escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson.



(https://cultura.estadao.com.br/galerias/geral,20-tiras-de-calvin-eharold-para-refletir-sobre-a-vida-e-sobre-o-mundo,28507. Acesso em: 14/03/2023)
O texto III apresenta uma tentativa de se explicar o fenômeno linguístico da
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548646 Português
TEXTO III

Calvin e Haroldo é uma série de tiras humorísticas escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson.



(https://cultura.estadao.com.br/galerias/geral,20-tiras-de-calvin-eharold-para-refletir-sobre-a-vida-e-sobre-o-mundo,28507. Acesso em: 14/03/2023)
A tese apresentada por Calvin no 1º quadrinho é
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548645 Português
TEXTO II

Abaixo, você lerá uma tira da personagem Mafalda, criada pelo cartunista argentino Quino. 



(www.clubedamafalda.blogspot.com/2007/11/tirinha406.html#.YEVYEZ1KhPy. Acesso em: 13/03/2023)


*tricô: tecido utilizado na confecção de peças de vestuário e outras, executado à mão com duas agulhas, armando-se as malhas passando o fio de uma agulha para outra; existem também máquinas para produzir tricô, tanto de forma caseira quanto industrial.
Considerando os elementos coesivos presentes no 3º e 4º quadrinhos, julgue cada afirmativa a seguir como Verdadeira (V) ou Falsa (F).

( ) O emprego da conjunção portanto, no 3º quadrinho, estabelece o encerramento de uma ideia a partir do que se afirmou na oração que a antecedeu.
( ) Ao substituir a conjunção quando por assim que, haverá uma significativa alteração de sentido, visto que a personagem Susanita passa a ter certeza do futuro que a espera com a mudança proposta.
( ) O conectivo quando expressa uma circunstância no tempo em relação ao fato registrado pelo verbo da oração principal.

A partir da análise das afirmativas, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548644 Português
TEXTO II

Abaixo, você lerá uma tira da personagem Mafalda, criada pelo cartunista argentino Quino. 



(www.clubedamafalda.blogspot.com/2007/11/tirinha406.html#.YEVYEZ1KhPy. Acesso em: 13/03/2023)


*tricô: tecido utilizado na confecção de peças de vestuário e outras, executado à mão com duas agulhas, armando-se as malhas passando o fio de uma agulha para outra; existem também máquinas para produzir tricô, tanto de forma caseira quanto industrial.
Considere o trecho a seguir extraído do 3º quadrinho do texto II.

“A ciência me chama!”

Assinale a alternativa cuja classificação da figura de linguagem presente na fala da personagem Susanita está correta.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548643 Português
TEXTO II

Abaixo, você lerá uma tira da personagem Mafalda, criada pelo cartunista argentino Quino. 



(www.clubedamafalda.blogspot.com/2007/11/tirinha406.html#.YEVYEZ1KhPy. Acesso em: 13/03/2023)


*tricô: tecido utilizado na confecção de peças de vestuário e outras, executado à mão com duas agulhas, armando-se as malhas passando o fio de uma agulha para outra; existem também máquinas para produzir tricô, tanto de forma caseira quanto industrial.
Considerando a progressão narrativa, e a partir da expressão fisionômica de Mafalda ao longo do texto II, é possível inferir que a personagem
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548642 Português
TEXTO I

Miss Marvel e o Conflito de Gerações

Guilherme Smee



(https://splashpages.wordpress.com/2016/08/01/miss-marvel-e-oconflito-de-geracoes/. Acesso em: 14/03/2023). Adaptado. 
A seguir, são selecionados trechos do texto I, cuja redação foi alterada para eliminar repetição excessiva da palavra “que”. Assinale a alternativa cuja reescrita apresenta correção gramatical e mantém o sentido da mensagem original.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548641 Português
TEXTO I

Miss Marvel e o Conflito de Gerações

Guilherme Smee



(https://splashpages.wordpress.com/2016/08/01/miss-marvel-e-oconflito-de-geracoes/. Acesso em: 14/03/2023). Adaptado. 
Observe que o 6º parágrafo do texto I encerra-se com a seguinte sequência de interjeições: “Oooopa... Rá!”. Releia com atenção o parágrafo e identifique o sentido que essas interjeições pretendem transmitir na conclusão do trecho. Se alguém estivesse escrevendo esse trecho em um aplicativo de mensagens e pretendesse representar as interjeições com emojis, qual dos conjuntos presentes nas alternativas a seguir seria adequado para exprimir, respectivamente, o sentido das interjeições? 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548639 Português
TEXTO I

Miss Marvel e o Conflito de Gerações

Guilherme Smee



(https://splashpages.wordpress.com/2016/08/01/miss-marvel-e-oconflito-de-geracoes/. Acesso em: 14/03/2023). Adaptado. 
Dentre os trechos transcritos a seguir, assinale a alternativa que demonstra um posicionamento do autor do texto.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Aeronáutica Órgão: EPCAR Prova: Aeronáutica - 2023 - EPCAR - Cadete |
Q2548638 Português
TEXTO I

Miss Marvel e o Conflito de Gerações

Guilherme Smee



(https://splashpages.wordpress.com/2016/08/01/miss-marvel-e-oconflito-de-geracoes/. Acesso em: 14/03/2023). Adaptado. 
Considerando o gênero e a tipologia do texto I, é correto classificá-lo, respectivamente, como: 
Alternativas
Q2547443 Português
Texto 1 - Machado de Assis: vida e obra - Nasce o menino Joaquim Maria

Foi no dia 21 de junho de 1839 que nasceu o menino Joaquim Maria Machado de Assis, no morro do Livramento, na cidade do Rio de Janeiro.
Do alto desse morro, tinha-se uma bela vista da baía de Guanabara, que encantava todos aqueles que chegavam à cidade. Mas os pais do garoto Joaquim Maria não tinham muito tempo para apreciar a paisagem: com uma vida difícil, eles precisavam trabalhar bastante. 
Sua mãe chamava-se Maria Leopoldina Machado de Assis. Ela era uma imigrante portuguesa, natural do arquipélago dos Açores, e tinha vindo para o Brasil ainda menina. O pai era um pintor de casas carioca chamado Francisco José de Assis. O bisavô de Joaquim Maria tinha sido escravo liberto, mas o avô e o pai eram homens livres.
O menino cresceu num lar onde os pais eram alfabetizados, o que não era muito comum naquela época. E foi com eles, provavelmente, que aprendeu a ler e a escrever e recebeu estímulo para continuar a estudar por conta própria, pois até hoje não há registro de que ele tenha frequentado regularmente alguma escola. A família morava numa casa modesta na chácara do Livramento e era protegida pela dona da propriedade, uma senhora rica chamada Maria José de Mendonça Barroso, que foi madrinha de Joaquim Maria. 
Em 1840, nasceu sua irmã, a menina Maria, que, no entanto, morreu após cinco anos, em 1845, vítima de sarampo – que, na época, matava muita gente no Brasil, adultos e crianças. Nesse mesmo ano, aliás, sua madrinha Maria José também contraiu a doença e faleceu.
(Baseado na obra Dom Casmurro, São Paulo, 2015)

Baseado no texto, responda a questão.
Assinale a alternativa que descreve o assunto central do texto 1:
Alternativas
Q2545775 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
As expressões destacadas nas frases a seguir têm o mesmo valor semântico, EXCETO: 
Alternativas
Q2545774 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
No texto, é necessário o emprego de alguns mecanismos coesivos em sua concatenação. Dentre eles destaca-se como elemento de função anafórica o indicado em: 
Alternativas
Q2545773 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
Apesar do texto apresentado possuir predominantemente uma linguagem denotativa, é possível identificar conotação em:
Alternativas
Q2545772 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
De acordo com o significado atribuído ao vocábulo em destaque no contexto, assinale a correspondência correta.
Alternativas
Q2545771 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
Em “Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer.” (9º§), podemos inferir que a expressão destacada: 
Alternativas
Q2545770 Português
Pertencer

    Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
    Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
    Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
    Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
    Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
    Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética.
    É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
    Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
    Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
    A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Editora Rocco. 1999. Adaptado.)  
Em qual das citações a seguir está expressa uma opinião explícita da articulista do texto?
Alternativas
Respostas
38821: B
38822: C
38823: D
38824: C
38825: A
38826: D
38827: C
38828: D
38829: B
38830: A
38831: A
38832: C
38833: B
38834: B
38835: B
38836: A
38837: D
38838: B
38839: D
38840: B