Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3483485 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O tempo é outro

No último treino de basquete que participei, veio de novo aquela sensação de que o tempo passou. E passou bonito. Porque em minha cabeça, a jogada estava certinha, mano, perfeita! Mas na hora de executar, quem disse que saiu?

Expectativa e realidade que fala, né? Tipo: a cabeça sabia o que fazer, mas o corpo não acompanhou.

E não é uma questão de estar ou não em forma. A parada é que aos 49 o corpo já não salta mais como aos 18 e se a cabeça não estiver boa o suficiente pode realmente dar pano para o divã. Tenho muitos amigos que simplesmente se recusam a aceitar que o tempo mudou. O tempo, de fato, é outro.

Claro que tudo tem a ver também com motivação porque com a mente focada naquilo que você ama fazer, alguns limites são superados. Eu, por exemplo, consigo carregar um equipamento de três quilos na mão o dia todo para fazer um ensaio fotográfico ou ficar em pé por horas dando aula, mas o fato é que nada disso ocorre impunemente e a conta chega cada vez pesada ao final.

Eu me preocupo com isso sim. Não tenho muito esta paranoia de classe média de trabalhar como um camelo em nome de uma aposentadoria privada razoável. A gente quer sim ter mais qualidade de vida, mas é para hoje que isso se faz urgente, para curtir a vida hoje, os filhos hoje, a esposa hoje, o mundo lindo como ele é, hoje!

Mas voltando ao UFC "Corpo x Mente", tem uma parte que isso fica legal: a maturidade.

Sim, porque com o tempo e sabedoria que ele nos traz, aprendemos a pensar e agir bem melhor. É o lance de você saber se entra ou não em uma discussão porque talvez não terá muita paciência para aquilo ou até mesmo saúde mental para segurar a bronca.

Neste caso, corpo e mente trabalham de forma perfeita e evitam problemas que facilmente aceitaríamos com uma cabeça mais jovem.

Enfim, prós e contras.

Mas que eu queria fazer de novo aquela infiltração, aquela bandeja perfeita e só soltar a bola quase que dentro da cesta, isso eu queria. Help!

Roberto Mancuzo


https://www.imparcial.com.br/noticias/o-tempo-e-outro,65342 
O autor do texto "O tempo é outro" expressa um desejo nostálgico de reviver momentos de habilidade e vigor físico do passado, ao mesmo tempo em que reconhece as limitações impostas pelo tempo.
A maturidade é apresentada como, EXCETO:
Alternativas
Q3483354 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O tempo é outro

No último treino de basquete que participei, veio de novo aquela sensação de que o tempo passou. E passou bonito. Porque em minha cabeça, a jogada estava certinha, mano, perfeita! Mas na hora de executar, quem disse que saiu?

Expectativa e realidade que fala, né? Tipo: a cabeça sabia o que fazer, mas o corpo não acompanhou.

E não é uma questão de estar ou não em forma. A parada é que aos 49 o corpo já não salta mais como aos 18 e se a cabeça não estiver boa o suficiente pode realmente dar pano para o divã. Tenho muitos amigos que simplesmente se recusam a aceitar que o tempo mudou. O tempo, de fato, é outro.

Claro que tudo tem a ver também com motivação porque com a mente focada naquilo que você ama fazer, alguns limites são superados. Eu, por exemplo, consigo carregar um equipamento de três quilos na mão o dia todo para fazer um ensaio fotográfico ou ficar em pé por horas dando aula, mas o fato é que nada disso ocorre impunemente e a conta chega cada vez pesada ao final.

Eu me preocupo com isso sim. Não tenho muito esta paranoia de classe média de trabalhar como um camelo em nome de uma aposentadoria privada razoável. A gente quer sim ter mais qualidade de vida, mas é para hoje que isso se faz urgente, para curtir a vida hoje, os filhos hoje, a esposa hoje, o mundo lindo como ele é, hoje!

Mas voltando ao UFC "Corpo x Mente", tem uma parte que isso fica legal: a maturidade.

Sim, porque com o tempo e sabedoria que ele nos traz, aprendemos a pensar e agir bem melhor. É o lance de você saber se entra ou não em uma discussão porque talvez não terá muita paciência para aquilo ou até mesmo saúde mental para segurar a bronca.

Neste caso, corpo e mente trabalham de forma perfeita e evitam problemas que facilmente aceitaríamos com uma cabeça mais jovem.

Enfim, prós e contras.

Mas que eu queria fazer de novo aquela infiltração, aquela bandeja perfeita e só soltar a bola quase que dentro da cesta, isso eu queria. Help!

Roberto Mancuzo


https://www.imparcial.com.br/noticias/o-tempo-e-outro,65342 
Considere as afirmativas relacionadas ao texto "O tempo é outro" apresentadas a seguir. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) O texto retrata a reflexão de alguém que, ao participar de um treino de basquete, confronta a dicotomia entre a mente e o corpo, refletindo sobre a passagem do tempo e suas consequências físicas e mentais.
(__) O autor destaca a desconexão entre a expectativa idealizada na mente e a realidade física na execução das ações, especialmente ao envelhecer.
(__) Há uma análise sobre a resistência de muitos em aceitar as mudanças que o tempo traz, bem como a importância da motivação e do equilíbrio entre os desejos imediatos e a preocupação com a qualidade de vida no presente.

Assinale a alternativa com a sequência CORRETA:
Alternativas
Q3483016 Português

“A manhã desta sexta-feira, (12/01), foi um marco na história de Manhuaçu, com o lançamento da _______________ da construção da ponte entre os bairros Bom Jardim e Vila Deolinda. A obra que está orçada em mais de R$ 6 milhões será o novo _______________ da Cidade e de longe a maior obra de infraestrutura que Manhuaçu já teve”.


Disponível em: https://www.manhuacu.mg.gov.br


Publicada em: 12/01/2024. 



A alternativa que preenche corretamente as lacuna é: 
Alternativas
Q3483003 Português

Ainda Bem. (Arnaldo Antunes / Marisa Monte)



Ainda bem

Que agora encontrei você,

Eu realmente não sei

O que eu fiz pra merecer

Você.

Porque ninguém

Dava nada por mim,

Quem dava, eu não tava a fim,

Até desacreditei de mim.

O meu coração

Já estava acostumado

Com a solidão,

Quem diria que a meu lado

Você iria ficar.

Você veio pra ficar,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim.

O meu coração

Já estava aposentado,

Sem nenhuma ilusão,

Tinha sido maltratado,

Tudo se transformou.

Agora você chegou,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim,

Na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na,

Na, é,

Na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na,

Na, na, na, na, na, na, na.

Na, é.

O meu coração,

Já estava acostumado

Com a solidão,


Quem diria que a meu lado,

Você iria ficar.

Você veio pra ficar,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim.

O meu coração

Já estava aposentado,

Sem nenhuma ilusão,

Tinha sido maltratado,

Tudo se transformou.

Agora você chegou,

Você que me faz feliz,

Você que me faz cantar

Assim,

Na, na, na, na

Na, na, na, na, na, na

Na, na, na, na, na, na, na

Na, na, na, na, na, na, na

Na, é

Ainda bem. 

Com base na leitura do texto, marque a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q3482961 Português
Referindo-se à Língua falada e língua escrita, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa devida.

( ) “Fatores naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta” (soportugues.com.br/secoes/seman/seman3.php).
( ) “A língua permite que exista a comunicação entre os indivíduos que dominam esse mesmo código (alfabeto, vocabulário, etc.). Isso significa que, ao conhecer as regras da língua, conseguimos decodificá-la (ler, escrever e entender o significado das mensagens)” (Redação e Gramática Zica - redacaoegramatica.com.br).
( ) “FALA: é, inicialmente, condicionada pelas regras da língua, mas permite a criatividade em seu uso. A língua é o código em comum a todos de uma mesma língua materna, a fala é a forma como cada indivíduo a utiliza” (Redação e Gramática Zica - redacaoegramatica.com.br).
( ) “ESCRITA: não é apenas a representação da língua falada. Trata-se de um sistema mais disciplinado e rígido, que não tem mímica (gestos), tom de voz, ou fisionomia. Além disso, a escrita usa a gramática como base” (Redação e Gramática Zica - redacaoegramatica.com.br).
( ) “FATORES DE USO DA LÍNGUA: Fatores regionais: trata-se das diferenças do uso da língua em diferentes partes do país ou até mesmo de uma mesma região (bairro, cidade, estado). Em cada uma delas, existem palavras específicas que compõem o vocabulário dessas pessoas. Fatores culturais: escolarização e formação cultural. Geralmente, pessoas mais escolarizadas têm um maior domínio da língua. Fatores contextuais: modo de fala muda de acordo com a situação. Fatores profissionais: linguagem técnica de uma profissão” (Redação e Gramática Zica - redacaoegramatica.com.br). 
Alternativas
Q3482333 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
Na compreensão linguística, além do que é explicitamente expresso, há camadas mais sutis que exigem interpretação.

Assinale a opção correta quanto ao conceito de inferência, pressupostos, paráfrase e subtendidos.
Alternativas
Q3482331 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
Ninguém poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem.

Qual é a perspectiva de Bakhtin sobre a natureza da linguagem, conforme apresentado no texto?
Alternativas
Q3482326 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social.

Qual é um dos aspectos destacados sobre a Análise de Discurso Crítica, de acordo com as ideias expressas no texto? 
Alternativas
Q3482325 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
A interação é entendida como operação polifônica, 'que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais', e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte.

O texto destacado contém uma figura de linguagem conhecida como: 
Alternativas
Q3482285 Português
Referindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.
A- Metáfora. B- Comparação. C- Catacrese. D- Sinestesia.

Coluna II.
1- Seus olhos são como jabuticabas. 2- Embarcou há pouco no avião. 3- Com aqueles olhos frios, disse que não gostava mais da namorada. 4- A vida é uma nuvem que voa. 
Alternativas
Q3482280 Português
Leia o texto para responder às próximas cinco questões.

Fico assim sem você.

(Abdullah / Cacá Moraes).

Avião sem asa, fogueira sem brasa,
sou eu assim sem você.
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
sou eu assim sem você.

Por que é que tem que ser assim
se o meu desejo não tem fim.
Eu te quero a todo instante nem mil auto falantes
vão poder falar por mim.

Amor sem beijinho,
Bochecha sem Claudinho,
sou eu assim sem você.
Circo sem palhaço,
namoro sem amasso,
sou eu assim sem você

Tô louca pra te ver chegar,
Tô louca pra te ter nas mãos.
Deitar no teu abraço,
Retomar o pedaço que falta no meu coração.

Eu não existo longe de você
e a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver
mas o relógio tá de mal comigo
Por quê?
Por quê?

Neném sem chupeta,
Romeu sem Julieta,
sou eu assim sem você.
Carro sem estrada,
queijo sem goiabada,
sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
se o meu desejo não tem fim.
Eu te quero a todo instante nem mil auto falantes vão poder
falar por mim.

Eu não existo longe de você
e a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver
mas o relógio tá de mal comigo. 
De acordo com o texto, pode-se compreender que a expressão “desejo” significa:  
Alternativas
Q3482276 Português
Leia o texto para responder às próximas cinco questões.

Fico assim sem você.

(Abdullah / Cacá Moraes).

Avião sem asa, fogueira sem brasa,
sou eu assim sem você.
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
sou eu assim sem você.

Por que é que tem que ser assim
se o meu desejo não tem fim.
Eu te quero a todo instante nem mil auto falantes
vão poder falar por mim.

Amor sem beijinho,
Bochecha sem Claudinho,
sou eu assim sem você.
Circo sem palhaço,
namoro sem amasso,
sou eu assim sem você

Tô louca pra te ver chegar,
Tô louca pra te ter nas mãos.
Deitar no teu abraço,
Retomar o pedaço que falta no meu coração.

Eu não existo longe de você
e a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver
mas o relógio tá de mal comigo
Por quê?
Por quê?

Neném sem chupeta,
Romeu sem Julieta,
sou eu assim sem você.
Carro sem estrada,
queijo sem goiabada,
sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
se o meu desejo não tem fim.
Eu te quero a todo instante nem mil auto falantes vão poder
falar por mim.

Eu não existo longe de você
e a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver
mas o relógio tá de mal comigo. 
Com base na leitura do texto, marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3482033 Português
Analise os excertos abaixo:

Excerto I.Na segunda etapa da Educação Básica, o Ensino Fundamental, as compreensões sobre o sujeito, o ensino e a aprendizagem devem ter os seus conhecimentos eleitos para compor o currículo e ato pedagógico relacionados à realidade objetiva e contextual de cada espaço de ensino e de aprendizagem.
Excerto II.Isso porque, para além dos espaços das Instituições de ensino, os sujeitos, em suas vivências institucionalizadas ou familiares, interagem social e culturalmente. Essas experiências não estão desvinculadas das situações de aprendizagem e do conhecimento historicamente constituído, por isso é preciso conhecer as condições objetivas em que se dá o processo do ensino e da aprendizagem para que se possa cumprir com o que compete à instituição de ensino formal.

Fonte: Blumenau (SC). Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Educação. Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau / Blumenau (SC). Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Educação. - 1. ed. - Blumenau: SEMED, 2021.

Sobre os excertos, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3481956 Português
A saga de uma década para traduzir o 'intraduzível' 'Grande Sertão: Veredas'

(Camilla Veras Mota)


Grande Sertão: Veredas é o Monte Everest do mundo da tradução. Como verter para outro idioma um romance experimental de 600 páginas sem divisão por capítulos, narrado por um jagunço que conta uma epopeia no sertão de Minas Gerais com neologismos, onomatopeias, paranomásias, aliterações e assonâncias?

Foi essa a pergunta que a australiana Alison Entrekin se fez em 2014, quando aceitou tocar um projeto para traduzir o clássico de Guimarães Rosa para o inglês. Ela sabia que o trabalho seria hercúleo, mas não imaginou que duraria uma década.

No fim de 2023, entregou uma primeira versão a seu agente literário, encarregado de apresentála ao mercado editorial. O livro foi arrematado em um leilão pela editora americana Simon & Schuster em meados de 2024 e tem publicação prevista para 2026.

Promete ser um acontecimento: a outra única edição em inglês de Grande Sertão, lançada em 1963, não passou da primeira tiragem e ficou conhecida como uma versão desidratada que não está à altura do original. O próprio Guimarães Rosa chegou a se queixar, em trocas de cartas com seu tradutor para o alemão, de que o texto não capturava a singularidade de sua obra.

Se um dos problemas apontados para o fracasso daquela época foi o conhecimento limitado do português da tradutora americana Harriet de Onís, que acabou largando o trabalho no meio do caminho, desta vez a situação não podia ser mais distinta. Entrekin vive no Brasil desde 1996, quando, vindo de Perth, na costa australiana, desembarcou em Santos (SP), a cidade natal do marido.

Por dez anos, de segunda a sexta, a australiana acordou cedo, levou a filha para a escola, voltou para casa e sentou na frente do computador para reconstruir em inglês o sertão de Minas Gerais.

(https://www.bbc.com/, com adaptações)
Estariam mantidas a correção gramatical e coerência das ideias do texto caso o trecho destacado “Por dez anos, de segunda a sexta, a australiana acordou cedo...” (6º parágrafo) fosse reescrito da seguinte maneira: “Por dez anos, de segunda à sexta, a australiana acordou cedo”.
Alternativas
Q3481954 Português
A saga de uma década para traduzir o 'intraduzível' 'Grande Sertão: Veredas'

(Camilla Veras Mota)


Grande Sertão: Veredas é o Monte Everest do mundo da tradução. Como verter para outro idioma um romance experimental de 600 páginas sem divisão por capítulos, narrado por um jagunço que conta uma epopeia no sertão de Minas Gerais com neologismos, onomatopeias, paranomásias, aliterações e assonâncias?

Foi essa a pergunta que a australiana Alison Entrekin se fez em 2014, quando aceitou tocar um projeto para traduzir o clássico de Guimarães Rosa para o inglês. Ela sabia que o trabalho seria hercúleo, mas não imaginou que duraria uma década.

No fim de 2023, entregou uma primeira versão a seu agente literário, encarregado de apresentála ao mercado editorial. O livro foi arrematado em um leilão pela editora americana Simon & Schuster em meados de 2024 e tem publicação prevista para 2026.

Promete ser um acontecimento: a outra única edição em inglês de Grande Sertão, lançada em 1963, não passou da primeira tiragem e ficou conhecida como uma versão desidratada que não está à altura do original. O próprio Guimarães Rosa chegou a se queixar, em trocas de cartas com seu tradutor para o alemão, de que o texto não capturava a singularidade de sua obra.

Se um dos problemas apontados para o fracasso daquela época foi o conhecimento limitado do português da tradutora americana Harriet de Onís, que acabou largando o trabalho no meio do caminho, desta vez a situação não podia ser mais distinta. Entrekin vive no Brasil desde 1996, quando, vindo de Perth, na costa australiana, desembarcou em Santos (SP), a cidade natal do marido.

Por dez anos, de segunda a sexta, a australiana acordou cedo, levou a filha para a escola, voltou para casa e sentou na frente do computador para reconstruir em inglês o sertão de Minas Gerais.

(https://www.bbc.com/, com adaptações)
O trecho “O livro foi arrematado em um leilão pela editora americana Simon & Schuster” (3º parágrafo) poderia ser reescrito, com correção gramatical e sem prejuízo da informação prestada, da seguinte forma: “A editora americana Simon & Schuster arrematou o livro em um leilão”.
Alternativas
Q3481952 Português
A saga de uma década para traduzir o 'intraduzível' 'Grande Sertão: Veredas'

(Camilla Veras Mota)


Grande Sertão: Veredas é o Monte Everest do mundo da tradução. Como verter para outro idioma um romance experimental de 600 páginas sem divisão por capítulos, narrado por um jagunço que conta uma epopeia no sertão de Minas Gerais com neologismos, onomatopeias, paranomásias, aliterações e assonâncias?

Foi essa a pergunta que a australiana Alison Entrekin se fez em 2014, quando aceitou tocar um projeto para traduzir o clássico de Guimarães Rosa para o inglês. Ela sabia que o trabalho seria hercúleo, mas não imaginou que duraria uma década.

No fim de 2023, entregou uma primeira versão a seu agente literário, encarregado de apresentála ao mercado editorial. O livro foi arrematado em um leilão pela editora americana Simon & Schuster em meados de 2024 e tem publicação prevista para 2026.

Promete ser um acontecimento: a outra única edição em inglês de Grande Sertão, lançada em 1963, não passou da primeira tiragem e ficou conhecida como uma versão desidratada que não está à altura do original. O próprio Guimarães Rosa chegou a se queixar, em trocas de cartas com seu tradutor para o alemão, de que o texto não capturava a singularidade de sua obra.

Se um dos problemas apontados para o fracasso daquela época foi o conhecimento limitado do português da tradutora americana Harriet de Onís, que acabou largando o trabalho no meio do caminho, desta vez a situação não podia ser mais distinta. Entrekin vive no Brasil desde 1996, quando, vindo de Perth, na costa australiana, desembarcou em Santos (SP), a cidade natal do marido.

Por dez anos, de segunda a sexta, a australiana acordou cedo, levou a filha para a escola, voltou para casa e sentou na frente do computador para reconstruir em inglês o sertão de Minas Gerais.

(https://www.bbc.com/, com adaptações)
No trecho “No fim de 2023, entregou uma primeira versão a seu agente literário, encarregado de apresentá-la ao mercado editorial.” (3º parágrafo), as palavras “entregou”, “seus” e “encarregado” têm como referência a tradutora australiana Alison Entrekin.
Alternativas
Q3481951 Português
A saga de uma década para traduzir o 'intraduzível' 'Grande Sertão: Veredas'

(Camilla Veras Mota)


Grande Sertão: Veredas é o Monte Everest do mundo da tradução. Como verter para outro idioma um romance experimental de 600 páginas sem divisão por capítulos, narrado por um jagunço que conta uma epopeia no sertão de Minas Gerais com neologismos, onomatopeias, paranomásias, aliterações e assonâncias?

Foi essa a pergunta que a australiana Alison Entrekin se fez em 2014, quando aceitou tocar um projeto para traduzir o clássico de Guimarães Rosa para o inglês. Ela sabia que o trabalho seria hercúleo, mas não imaginou que duraria uma década.

No fim de 2023, entregou uma primeira versão a seu agente literário, encarregado de apresentála ao mercado editorial. O livro foi arrematado em um leilão pela editora americana Simon & Schuster em meados de 2024 e tem publicação prevista para 2026.

Promete ser um acontecimento: a outra única edição em inglês de Grande Sertão, lançada em 1963, não passou da primeira tiragem e ficou conhecida como uma versão desidratada que não está à altura do original. O próprio Guimarães Rosa chegou a se queixar, em trocas de cartas com seu tradutor para o alemão, de que o texto não capturava a singularidade de sua obra.

Se um dos problemas apontados para o fracasso daquela época foi o conhecimento limitado do português da tradutora americana Harriet de Onís, que acabou largando o trabalho no meio do caminho, desta vez a situação não podia ser mais distinta. Entrekin vive no Brasil desde 1996, quando, vindo de Perth, na costa australiana, desembarcou em Santos (SP), a cidade natal do marido.

Por dez anos, de segunda a sexta, a australiana acordou cedo, levou a filha para a escola, voltou para casa e sentou na frente do computador para reconstruir em inglês o sertão de Minas Gerais.

(https://www.bbc.com/, com adaptações)
O texto permite inferir que, diante da longa distância de 60 anos, a segunda tradução obteve sucesso devido à diferença de recursos à disposição da tradutora, já que informações oriundas da internet e da produção acadêmica, por exemplo, puderam influir no resultado da tradução mais recente. 
Alternativas
Q3481776 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Por que às vezes fracassamos quando nos esforçamos demais 


"Quando a imaginação e a força de vontade estão em conflito, são antagônicas, é sempre a imaginação que vence, sem exceção."


Foi assim que o psicólogo francês Émile Coué explicou o que o intelectual e escritor Aldous Huxley chamou de Lei do Esforço Inverso.


Se a bela frase de Coué te confundiu, pense na areia movediça. É uma superfície que parece sólida, mas que se você pisar nela, esta se separa em água e areia e faz o corpo afundar e sair exige uma força enorme.


Muitos de nós só vimos isso em filmes ou quadrinhos, quando personagens são engolidos enquanto tentam desesperadamente evitar o destino.


É aí que reside o erro e a razão pela qual as areias movediças são uma boa analogia.


Algo semelhante deve ser feito quando você não consegue adormecer, ou tem um ataque de riso em um momento inconveniente, ou não consegue lembrar-se de algo; em vez de se forçar a tentar fazer o que não consegue, relaxe ou pense em outra coisa.


Isso porque, embora possa parecer contraditório, às vezes fracassamos porque nos esforçamos demais.


Isso não significa que você tenha que fazer nada, ou que sempre precisa ter uma atitude passiva diante da vida, mas, às vezes, quanto mais você tenta melhorar algo através da força de vontade, mais piora a situação.


O escritor Liev Tolstói ilustrou o conceito em seu livro Anna Karenina, descrevendo o que aconteceu ao proprietário de terras Konstantin Levin quando ele encontrou harmonia no cultivo da terra com os camponeses:


"Começou a ocorrer uma mudança no trabalho que o enchia de prazer. No meio do trabalho, havia momentos em que ele se esquecia do que estava fazendo e trabalhava sem esforço, e nesses mesmos momentos sua fileira era tão bem cortada quanto a de Tit."


"Mas assim que se lembrava do que estava fazendo e tentava fazer melhor, sentia o peso do esforço e tudo resultava pior."


Os taoístas chamam algo semelhante de "wu wei", que pode ser traduzido como "ação sem esforço".


Em linhas gerais, a ideia é que quando paramos de lutar e aprendemos a esperar e observar, vemos com mais clareza que existem forças externas que nos superam e, às vezes, temos que seguir o fluxo e só agir no momento certo e com as medidas corretas para chegar ao destino desejado.


Ao agir precipitadamente, cada passo é um erro potencial, e a emoção e o ego guiam as decisões mais do que a razão.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g2996p2mjo. Adaptado.
"Quando a imaginação e a força de vontade estão em conflito, são antagônicas, é sempre a imaginação que vence, sem exceção." Foi assim que o psicólogo francês Émile Coué explicou o que o intelectual e escritor Aldous Huxley chamou de Lei do Esforço Inverso.

De acordo com o psicólogo Émile Coué e a explicação dada por Aldous Huxley sobre a Lei do Esforço Inverso, o texto:
Alternativas
Q3481775 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Por que às vezes fracassamos quando nos esforçamos demais 


"Quando a imaginação e a força de vontade estão em conflito, são antagônicas, é sempre a imaginação que vence, sem exceção."


Foi assim que o psicólogo francês Émile Coué explicou o que o intelectual e escritor Aldous Huxley chamou de Lei do Esforço Inverso.


Se a bela frase de Coué te confundiu, pense na areia movediça. É uma superfície que parece sólida, mas que se você pisar nela, esta se separa em água e areia e faz o corpo afundar e sair exige uma força enorme.


Muitos de nós só vimos isso em filmes ou quadrinhos, quando personagens são engolidos enquanto tentam desesperadamente evitar o destino.


É aí que reside o erro e a razão pela qual as areias movediças são uma boa analogia.


Algo semelhante deve ser feito quando você não consegue adormecer, ou tem um ataque de riso em um momento inconveniente, ou não consegue lembrar-se de algo; em vez de se forçar a tentar fazer o que não consegue, relaxe ou pense em outra coisa.


Isso porque, embora possa parecer contraditório, às vezes fracassamos porque nos esforçamos demais.


Isso não significa que você tenha que fazer nada, ou que sempre precisa ter uma atitude passiva diante da vida, mas, às vezes, quanto mais você tenta melhorar algo através da força de vontade, mais piora a situação.


O escritor Liev Tolstói ilustrou o conceito em seu livro Anna Karenina, descrevendo o que aconteceu ao proprietário de terras Konstantin Levin quando ele encontrou harmonia no cultivo da terra com os camponeses:


"Começou a ocorrer uma mudança no trabalho que o enchia de prazer. No meio do trabalho, havia momentos em que ele se esquecia do que estava fazendo e trabalhava sem esforço, e nesses mesmos momentos sua fileira era tão bem cortada quanto a de Tit."


"Mas assim que se lembrava do que estava fazendo e tentava fazer melhor, sentia o peso do esforço e tudo resultava pior."


Os taoístas chamam algo semelhante de "wu wei", que pode ser traduzido como "ação sem esforço".


Em linhas gerais, a ideia é que quando paramos de lutar e aprendemos a esperar e observar, vemos com mais clareza que existem forças externas que nos superam e, às vezes, temos que seguir o fluxo e só agir no momento certo e com as medidas corretas para chegar ao destino desejado.


Ao agir precipitadamente, cada passo é um erro potencial, e a emoção e o ego guiam as decisões mais do que a razão.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g2996p2mjo. Adaptado.
É aí que reside o erro e a razão pela qual as areias movediças são uma boa 'analogia'.

O sinônimo do vocábulo destacado, nesta frase, é representado pela alternativa:
Alternativas
Respostas
17981: A
17982: C
17983: B
17984: B
17985: D
17986: A
17987: C
17988: D
17989: C
17990: D
17991: C
17992: D
17993: D
17994: B
17995: E
17996: C
17997: E
17998: E
17999: D
18000: B