Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3212345 Português
Origem do Universo

    Na astronomia, o Universo corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, entre outros.    
    O Universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito. Note que do latim, a palavra universum significa “todo inteiro” ou “tudo em um só”.
    Segundo a teoria criada pelo astrônomo George Lemaître (1894−1966), o Universo tem uma origem comum, a partir da qual tudo se originou. Esta teoria foi confirmada pelo astrônomo norte−americano Edwin Hubble, que verificou que as galáxias estão em constante expansão e afastamento.
    A teoria do Big Bang diz que toda matéria e energia se concentravam em um ponto superdenso e quente, conhecido como singularidade. A partir deste ponto, o Universo se expandiu num processo conhecido como inflação, que durou uma fração infinitesimal de tempo.
    Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje. O Universo foi se expandindo cada vez mais, de forma que foi se resfriando, dando origem aos diversos astros.

Fonte: Toda Matéria. Adaptado.
Com base no texto, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( ) No 3º parágrafo, se “Segundo” fosse substituído por “Conforme”, não alteraria o sentido da frase.
( ) No 1º parágrafo, os dois pontos poderiam ser substituídos, sem alteração de sentido, por parênteses.
( ) No 3º parágrafo, caso a palavra “Universo” fosse substituída por “universos”, mais 4 palavras, além dela, seriam também modificadas na oração.
Alternativas
Q3212344 Português
Origem do Universo

    Na astronomia, o Universo corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, entre outros.    
    O Universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito. Note que do latim, a palavra universum significa “todo inteiro” ou “tudo em um só”.
    Segundo a teoria criada pelo astrônomo George Lemaître (1894−1966), o Universo tem uma origem comum, a partir da qual tudo se originou. Esta teoria foi confirmada pelo astrônomo norte−americano Edwin Hubble, que verificou que as galáxias estão em constante expansão e afastamento.
    A teoria do Big Bang diz que toda matéria e energia se concentravam em um ponto superdenso e quente, conhecido como singularidade. A partir deste ponto, o Universo se expandiu num processo conhecido como inflação, que durou uma fração infinitesimal de tempo.
    Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje. O Universo foi se expandindo cada vez mais, de forma que foi se resfriando, dando origem aos diversos astros.

Fonte: Toda Matéria. Adaptado.
A palavra “infinitesimal” (4º parágrafo) poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Alternativas
Q3212343 Português
Origem do Universo

    Na astronomia, o Universo corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, entre outros.    
    O Universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito. Note que do latim, a palavra universum significa “todo inteiro” ou “tudo em um só”.
    Segundo a teoria criada pelo astrônomo George Lemaître (1894−1966), o Universo tem uma origem comum, a partir da qual tudo se originou. Esta teoria foi confirmada pelo astrônomo norte−americano Edwin Hubble, que verificou que as galáxias estão em constante expansão e afastamento.
    A teoria do Big Bang diz que toda matéria e energia se concentravam em um ponto superdenso e quente, conhecido como singularidade. A partir deste ponto, o Universo se expandiu num processo conhecido como inflação, que durou uma fração infinitesimal de tempo.
    Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje. O Universo foi se expandindo cada vez mais, de forma que foi se resfriando, dando origem aos diversos astros.

Fonte: Toda Matéria. Adaptado.
“Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje.” Nesse trecho, retirado do texto (5º parágrafo), a expressão sublinhada reflete uma realidade. Contudo, é bem comum essa expressão ser usada como uma figura de linguagem.

Amanda levou milhões de anos para entender a piada que Carlos havia contado.
Qual figura de linguagem representa essa ideia?
Alternativas
Q3212339 Português
Origem do Universo

    Na astronomia, o Universo corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, entre outros.    
    O Universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito. Note que do latim, a palavra universum significa “todo inteiro” ou “tudo em um só”.
    Segundo a teoria criada pelo astrônomo George Lemaître (1894−1966), o Universo tem uma origem comum, a partir da qual tudo se originou. Esta teoria foi confirmada pelo astrônomo norte−americano Edwin Hubble, que verificou que as galáxias estão em constante expansão e afastamento.
    A teoria do Big Bang diz que toda matéria e energia se concentravam em um ponto superdenso e quente, conhecido como singularidade. A partir deste ponto, o Universo se expandiu num processo conhecido como inflação, que durou uma fração infinitesimal de tempo.
    Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje. O Universo foi se expandindo cada vez mais, de forma que foi se resfriando, dando origem aos diversos astros.

Fonte: Toda Matéria. Adaptado.
De acordo com o texto, o Universo veio:
Alternativas
Q3212307 Português
Um passatempo

"O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos"

Patrícia Espírito Santo | 26/01/2025


Não que eu tenha horror de fazer supermercado. Não é algo que me incomode muito, mas, ainda assim, não tenho tido muita chance de fazê-lo. Aqui em casa são poucas coisas que conseguimos comprar virtualmente, e supermercado, definitivamente, ainda não entrou no nosso radar on-line.

Não sei se porque somos de gerações que nasceram no tempo em que não existiam hipermercados, só os pequenos de bairro, onde era comum anotar as compras na caderneta para pagar no início do mês. Fato é que gostamos de apreciar as gôndolas e pegar nas mercadorias antes de decidir levá-las, por mais contraproducente que isso possa parecer.

Não tenho a chance de desfrutar desse passeio porque meu marido adora fazê-lo. Ele é do tipo que dá bom dia a cavalo e faz amizade com todo mundo, do gerente aos repositores e operadores de caixa. Não passamos um mês sequer sem que ele chegue em casa com centenas de frutas da época bem maduras que acaba ganhando porque “iam perder”. Viram doces a serem distribuídos aos amigos.

Sempre que o acompanho nas compras, querendo tornar mais leve o enfrentamento de carrinhos cheios e filas, resta-me observar o alheio. Não há como escapar. Sou capaz de duvidar que exista alguém que resista a não fazer um perfil do consumidor, que se encontra à sua frente na fila ou logo atrás, a partir de suas compras.

Aquele ali vai fazer um churrasco e vai beber muito! Meus Deus, só teor alcoólico alto! Aquele outro não gosta de cozinhar, está levando só coisa pronta que não faz bem à saúde. Já aquele outro deve ter uma penca de crianças em casa. Apreciando esse ou aquele, nos lembramos do que está faltando em nossas prateleiras e começa o corre-corre entre os corredores em busca de mais um produto, enquanto o parceiro segura o lugar na fila.

O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos. Assim como1 nessas horas podemos perceber como2 devemos ou não nos comportar em ambientes públicos. Nada como3 uma fila para colocar em prova nossos direitos e deveres, nossa capacidade de sermos pacientes e generosos ou de impor limites.


ESPÍRITO SANTO, Patrícia. Um passatempo. Estado de Minas, 26 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/patricia-espirito-santo/2025/01/7043102-um-passatempo.html. Acesso em: 26 jan. 2025. Adaptado. 
Dentre as que se encontram listadas a seguir, qual é a função da linguagem que se sobressai no artigo apresentado?
Alternativas
Q3212305 Português
Um passatempo

"O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos"

Patrícia Espírito Santo | 26/01/2025


Não que eu tenha horror de fazer supermercado. Não é algo que me incomode muito, mas, ainda assim, não tenho tido muita chance de fazê-lo. Aqui em casa são poucas coisas que conseguimos comprar virtualmente, e supermercado, definitivamente, ainda não entrou no nosso radar on-line.

Não sei se porque somos de gerações que nasceram no tempo em que não existiam hipermercados, só os pequenos de bairro, onde era comum anotar as compras na caderneta para pagar no início do mês. Fato é que gostamos de apreciar as gôndolas e pegar nas mercadorias antes de decidir levá-las, por mais contraproducente que isso possa parecer.

Não tenho a chance de desfrutar desse passeio porque meu marido adora fazê-lo. Ele é do tipo que dá bom dia a cavalo e faz amizade com todo mundo, do gerente aos repositores e operadores de caixa. Não passamos um mês sequer sem que ele chegue em casa com centenas de frutas da época bem maduras que acaba ganhando porque “iam perder”. Viram doces a serem distribuídos aos amigos.

Sempre que o acompanho nas compras, querendo tornar mais leve o enfrentamento de carrinhos cheios e filas, resta-me observar o alheio. Não há como escapar. Sou capaz de duvidar que exista alguém que resista a não fazer um perfil do consumidor, que se encontra à sua frente na fila ou logo atrás, a partir de suas compras.

Aquele ali vai fazer um churrasco e vai beber muito! Meus Deus, só teor alcoólico alto! Aquele outro não gosta de cozinhar, está levando só coisa pronta que não faz bem à saúde. Já aquele outro deve ter uma penca de crianças em casa. Apreciando esse ou aquele, nos lembramos do que está faltando em nossas prateleiras e começa o corre-corre entre os corredores em busca de mais um produto, enquanto o parceiro segura o lugar na fila.

O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos. Assim como1 nessas horas podemos perceber como2 devemos ou não nos comportar em ambientes públicos. Nada como3 uma fila para colocar em prova nossos direitos e deveres, nossa capacidade de sermos pacientes e generosos ou de impor limites.


ESPÍRITO SANTO, Patrícia. Um passatempo. Estado de Minas, 26 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/patricia-espirito-santo/2025/01/7043102-um-passatempo.html. Acesso em: 26 jan. 2025. Adaptado. 
A respeito de ir às compras de supermercado como forma de passatempo, percebe-se que a articulista se mostra
Alternativas
Q3212304 Português
Um passatempo

"O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos"

Patrícia Espírito Santo | 26/01/2025


Não que eu tenha horror de fazer supermercado. Não é algo que me incomode muito, mas, ainda assim, não tenho tido muita chance de fazê-lo. Aqui em casa são poucas coisas que conseguimos comprar virtualmente, e supermercado, definitivamente, ainda não entrou no nosso radar on-line.

Não sei se porque somos de gerações que nasceram no tempo em que não existiam hipermercados, só os pequenos de bairro, onde era comum anotar as compras na caderneta para pagar no início do mês. Fato é que gostamos de apreciar as gôndolas e pegar nas mercadorias antes de decidir levá-las, por mais contraproducente que isso possa parecer.

Não tenho a chance de desfrutar desse passeio porque meu marido adora fazê-lo. Ele é do tipo que dá bom dia a cavalo e faz amizade com todo mundo, do gerente aos repositores e operadores de caixa. Não passamos um mês sequer sem que ele chegue em casa com centenas de frutas da época bem maduras que acaba ganhando porque “iam perder”. Viram doces a serem distribuídos aos amigos.

Sempre que o acompanho nas compras, querendo tornar mais leve o enfrentamento de carrinhos cheios e filas, resta-me observar o alheio. Não há como escapar. Sou capaz de duvidar que exista alguém que resista a não fazer um perfil do consumidor, que se encontra à sua frente na fila ou logo atrás, a partir de suas compras.

Aquele ali vai fazer um churrasco e vai beber muito! Meus Deus, só teor alcoólico alto! Aquele outro não gosta de cozinhar, está levando só coisa pronta que não faz bem à saúde. Já aquele outro deve ter uma penca de crianças em casa. Apreciando esse ou aquele, nos lembramos do que está faltando em nossas prateleiras e começa o corre-corre entre os corredores em busca de mais um produto, enquanto o parceiro segura o lugar na fila.

O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos. Assim como1 nessas horas podemos perceber como2 devemos ou não nos comportar em ambientes públicos. Nada como3 uma fila para colocar em prova nossos direitos e deveres, nossa capacidade de sermos pacientes e generosos ou de impor limites.


ESPÍRITO SANTO, Patrícia. Um passatempo. Estado de Minas, 26 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/patricia-espirito-santo/2025/01/7043102-um-passatempo.html. Acesso em: 26 jan. 2025. Adaptado. 
Analisando-se seu contexto, a palavra “contraproducente”, que se encontra empregada no segundo parágrafo do texto, pode ser sinônima de
Alternativas
Q3212253 Português
Leia o texto para responder à questão.


    Existem várias formas de preconceito. Uma primeira distinção útil é aquela entre preconceitos individuais e preconceitos coletivos. Neste momento, não estou interessado nos preconceitos individuais, tais como as superstições, as crenças no azar, na maldição, no mau-olhado, que nos induzem a cruzar os dedos e a carregar folhas de arruda, ou a não realizar certas ações, como viajar às sextas-feiras ou sentar-se à mesa em treze pessoas, a buscar apoio em amuletos para afastar o azar ou em talismās para trazer sorte. Não me interesso por isso porque são crenças mais ou menos inócuas, que não têm a periculosidade social dos preconceitos coletivos.

    Chamo de preconceitos coletivos aqueles que são compartilhados por um grupo social inteiro e estão dirigidos a outro grupo social. A periculosidade dos preconceitos coletivos depende do fato de que muitos conflitos entre grupos, que podem até mesmo degenerar na violência, derivam do modo distorcido com que um grupo social julga o outro, gerando incompreensão, rivalidade, inimizade, desprezo ou escárnio. Geralmente, este juízo distorcido é recíproco, e em ambas as partes é tão mais forte quanto mais intensa é a identificação entre os membros individuais e o próprio grupo. A identificação com o próprio grupo faz com que se perceba o outro como diverso, ou mesmo como hostil. Para esta identificação-contraposição contribui precisamente o preconceito, ou seja, o juízo negativo que os membros de um grupo fazem das características do grupo rival.

     Os preconceitos de grupo são inumeráveis, mas os dois historicamente mais relevantes e influentes são o preconceito nacional e o preconceito de classe. Não é por outro motivo que os grandes conflitos que marcaram a história da humanidade são os derivados das guerras entre nações ou povos (ou também raças) e da luta de classes. Não há nação que não traga nas costas uma ideia persistente, tenaz e dificilmente modificável da própria identidade, que se apoiaria em sua pretensa e presumida diversidade em relação a todas as outras nações. Há uma grande diferença, às vezes uma oposição, entre o modo como um povo vê a si mesmo e o modo como é visto pelos outros povos; mas, geralmente, ambos os modos são constituídos por ideias fixas, por generalizações superficiais (todos os alemães são prepotentes, todos os italianos são espertalhões etc.), que precisamente por isso são chamadas de “estereótipos”.


(Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais, 1998. Adaptado)
Em relação ao que classifica como preconceitos individuais, o autor 
Alternativas
Q3212204 Português
Para parar de fumar
Revista Pesquisa FAPESP


Em julho de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a primeira diretriz para atender quem deseja parar de fumar cigarros, narguilés, charutos e tabaco de enrolar: cerca de 750 milhões de pessoas no mundo, a maioria sem acesso a serviços de apoio. As recomendações da OMS incluem suporte comportamental fornecido por profissionais da saúde e tratamentos com os fármacos vareniclina, bupropiona e citisina, que reduzem o desejo por nicotina e amenizam os sintomas da abstinência. Em novembro, o Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido anunciou que começará a distribuir a vareniclina para ajudar cerca de 85 mil pessoas a parar de fumar e evitar até 9.500 mortes relacionadas ao tabagismo nos próximos cinco anos. O NHS registrou 400 mil internações hospitalares associadas ao tabagismo em 2022 e 2023, com gastos anuais de £ 2,5 bilhões (R$ 19 bilhões) em tratamentos para as doenças decorrentes dessa dependência. O tratamento é oferecido por meio de uma colaboração com a empresa farmacêutica Teva UK, que fornece uma nova versão genérica para o NHS. No Brasil, a venda de vareniclina foi suspensa em 2021 por causa de teores acima do permitido de um composto cancerígeno, a N-nitrosodimetilamina (OMS, 2 de julho; NHS, 12 de novembro).


Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/para-parar-de-fumar/ . Acesso em: 26 jan. 2025. Adaptado para esta avaliação.

Analisando-se sua estruturação e seu conteúdo, é possível afirmar que o texto apresentado é um exemplar do gênero 
Alternativas
Q3211564 Português

Leia o texto para responder à questão.


    A humanidade se divide em dois grupos. Um com bilhões de pessoas, que sabem que o futuro da espécie está fadado a ocorrer aqui na superfície da Terra. O outro grupo, minúsculo, acredita que nosso futuro está em outros planetas, talvez Marte, onde deveríamos estabelecer colônias.


    Construir o foguete e pousar em Marte é factível com a tecnologia atual. Mas será que o ser humano aguenta a viagem de meses? Se não aguentar, o plano vai por água abaixo, pois não existe no horizonte engenharia capaz de criar um ser humano adaptado à vida no foguete ou em Marte. A novidade é um estudo que demonstrou que nosso coração já começa a deteriorar com menos de um mês funcionando sem gravidade.


    Para esse estudo foram construídos pequenos corações humanos capazes de funcionar fora do corpo. São feitos de tecido cardíaco vivo, ligados a dois pontos de fixação dentro de um aparelho que tem um reservatório de alimentos.


    Como o tecido muscular cardíaco está ligado a sensores presentes nos pontos de fixação, a frequência e a força de cada batimento cardíaco podem ser medidas. Tudo em tempo real. O resultado é uma caixa lacrada contendo um pequeno coração vivo.


    Os cientistas enviaram para a estação espacial uma dessas caixas e mantiveram outra idêntica na Terra. A única diferença entre as duas é que uma operava na ausência de gravidade e a outra, com gravidade normal. A que foi para o espaço ficou 30 dias sem gravidade e retornou à Terra. Durante esses 30 dias, o funcionamento desses dois pequenos corações pôde ser comparado.


    A conclusão é que o coração humano deteriora e envelhece rapidamente na ausência de gravidade. Isso, é claro, se torna um grande risco para viagens que duram meses, como a que pretende levar seres humanos até Marte. Problemas semelhantes ocorrem nos rins dos astronautas e no sistema imune, mas ainda não foram bem estudados. Me parece que resolver esses problemas antes de enviar pessoas a Marte é um desafio mais complicado do que construir os foguetes. E pode atrasar muito, ou mesmo tornar impossível, longas viagens espaciais.


(Fernando Reinach. www.estadao.com.br, 28.10.2024. Adaptado)

Considere os trechos a seguir.

•  ... dentro de um aparelho que tem um reservatório de alimentos. (3o parágrafo)
•  ... um grande risco para viagens que duram meses... (6o parágrafo)

Os vocábulos destacados podem ser, correta e respectivamente, substituídos por:
Alternativas
Q3211563 Português

Leia o texto para responder à questão.


    A humanidade se divide em dois grupos. Um com bilhões de pessoas, que sabem que o futuro da espécie está fadado a ocorrer aqui na superfície da Terra. O outro grupo, minúsculo, acredita que nosso futuro está em outros planetas, talvez Marte, onde deveríamos estabelecer colônias.


    Construir o foguete e pousar em Marte é factível com a tecnologia atual. Mas será que o ser humano aguenta a viagem de meses? Se não aguentar, o plano vai por água abaixo, pois não existe no horizonte engenharia capaz de criar um ser humano adaptado à vida no foguete ou em Marte. A novidade é um estudo que demonstrou que nosso coração já começa a deteriorar com menos de um mês funcionando sem gravidade.


    Para esse estudo foram construídos pequenos corações humanos capazes de funcionar fora do corpo. São feitos de tecido cardíaco vivo, ligados a dois pontos de fixação dentro de um aparelho que tem um reservatório de alimentos.


    Como o tecido muscular cardíaco está ligado a sensores presentes nos pontos de fixação, a frequência e a força de cada batimento cardíaco podem ser medidas. Tudo em tempo real. O resultado é uma caixa lacrada contendo um pequeno coração vivo.


    Os cientistas enviaram para a estação espacial uma dessas caixas e mantiveram outra idêntica na Terra. A única diferença entre as duas é que uma operava na ausência de gravidade e a outra, com gravidade normal. A que foi para o espaço ficou 30 dias sem gravidade e retornou à Terra. Durante esses 30 dias, o funcionamento desses dois pequenos corações pôde ser comparado.


    A conclusão é que o coração humano deteriora e envelhece rapidamente na ausência de gravidade. Isso, é claro, se torna um grande risco para viagens que duram meses, como a que pretende levar seres humanos até Marte. Problemas semelhantes ocorrem nos rins dos astronautas e no sistema imune, mas ainda não foram bem estudados. Me parece que resolver esses problemas antes de enviar pessoas a Marte é um desafio mais complicado do que construir os foguetes. E pode atrasar muito, ou mesmo tornar impossível, longas viagens espaciais.


(Fernando Reinach. www.estadao.com.br, 28.10.2024. Adaptado)

No trecho do 2o parágrafo “... nosso coração já começa a deteriorar com menos de um mês funcionando sem gravidade”, as expressões destacadas apresentam, respectivamente, circunstâncias de
Alternativas
Q3211555 Português

Leia o texto para responder à questão. 



    Existem várias formas de preconceito. Uma primeira distinção útil é aquela entre preconceitos individuais e preconceitos coletivos. Neste momento, não estou interessado nos preconceitos individuais, tais como as superstições, as crenças no azar, na maldição, no mau-olhado, que nos induzem a cruzar os dedos e a carregar folhas de arruda, ou a não realizar certas ações, como viajar às sextas-feiras ou sentar-se à mesa em treze pessoas, a buscar apoio em amuletos para afastar o azar ou em talismās para trazer sorte. Não me interesso por isso porque são crenças mais ou menos inócuas, que não têm a periculosidade social dos preconceitos coletivos.


    Chamo de preconceitos coletivos aqueles que são compartilhados por um grupo social inteiro e estão dirigidos a outro grupo social. A periculosidade dos preconceitos coletivos depende do fato de que muitos conflitos entre grupos, que podem até mesmo degenerar na violência, derivam do modo distorcido com que um grupo social julga o outro, gerando incompreensão, rivalidade, inimizade, desprezo ou escárnio. Geralmente, este juízo distorcido é recíproco, e em ambas as partes é tão mais forte quanto mais intensa é a identificação entre os membros individuais e o próprio grupo. A identificação com o próprio grupo faz com que se perceba o outro como diverso, ou mesmo como hostil. Para esta identificação-contraposição contribui precisamente o preconceito, ou seja, o juízo negativo que os membros de um grupo fazem das características do grupo rival.


    Os preconceitos de grupo são inumeráveis, mas os dois historicamente mais relevantes e influentes são o preconceito nacional e o preconceito de classe. Não é por outro motivo que os grandes conflitos que marcaram a história da humanidade são os derivados das guerras entre nações ou povos (ou também raças) e da luta de classes. Não há nação que não traga nas costas uma ideia persistente, tenaz e dificilmente modificável da própria identidade, que se apoiaria em sua pretensa e presumida diversidade em relação a todas as outras nações. Há uma grande diferença, às vezes uma oposição, entre o modo como um povo vê a si mesmo e o modo como é visto pelos outros povos; mas, geralmente, ambos os modos são constituídos por ideias fixas, por generalizações superficiais (todos os alemães são prepotentes, todos os italianos são espertalhões etc.), que precisamente por isso são chamadas de “estereótipos”.


(Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais, 1998. Adaptado)

Na opinião do autor, uma determinada nação
Alternativas
Q3210717 Português
Texto CG1A1

        Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.

        Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.

         Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.

George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Julgue o item subsequente, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1.


No texto, o vocábulo “irrompe” (sexto período do primeiro parágrafo) está empregado com o mesmo sentido de desponta.

Alternativas
Q3210716 Português
Texto CG1A1

        Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.

        Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.

         Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.

George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Julgue o item subsequente, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1.


No último período do texto, o termo “como” exprime noção de causa, ao introduzir uma oração que indica a razão pela qual o mundo subterrâneo é tão necessário ao mundo da superfície.

Alternativas
Q3210715 Português
Texto CG1A1

        Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.

        Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.

         Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.

George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Em relação às ideias do texto CG1A1, julgue o item que se segue. 


De acordo com o texto, o carvão é imprescindível porque as atividades humanas, em sua quase totalidade, dependem do uso desse material, sejam elas banais ou importantes, pacíficas ou perigosas.  

Alternativas
Q3210714 Português
Texto CG1A1

        Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.

        Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.

         Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.

George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Em relação às ideias do texto CG1A1, julgue o item que se segue. 


Infere-se do texto que, em geral, as pessoas que não trabalham nas minas estão alienadas, de modo presumivelmente deliberado, do trabalho dos mineiros. 

Alternativas
Q3210713 Português
Texto CG1A1

        Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.

        Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.

         Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.

George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Em relação às ideias do texto CG1A1, julgue o item que se segue. 


O texto contrapõe duas dimensões distintas: a subterrânea, caracterizada pelo trabalho árduo dos mineiros em meio à completa escuridão, e a da superfície, exposta à luz do dia. 

Alternativas
Q3210668 Português

Leia o texto para responder à questão. 


    A humanidade se divide em dois grupos. Um com bilhões de pessoas, que sabem que o futuro da espécie está fadado a ocorrer aqui na superfície da Terra. O outro grupo, minúsculo, acredita que nosso futuro está em outros planetas, talvez Marte, onde deveríamos estabelecer colônias.

   

     Construir o foguete e pousar em Marte é factível com a tecnologia atual. Mas será que o ser humano aguenta a viagem de meses? Se não aguentar, o plano vai por água abaixo, pois não existe no horizonte engenharia capaz de criar um ser humano adaptado à vida no foguete ou em Marte. A novidade é um estudo que demonstrou que nosso coração já começa a deteriorar com menos de um mês funcionando sem gravidade.

   

     Para esse estudo foram construídos pequenos corações humanos capazes de funcionar fora do corpo. São feitos de tecido cardíaco vivo, ligados a dois pontos de fixação dentro de um aparelho que tem um reservatório de alimentos.

    

    Como o tecido muscular cardíaco está ligado a sensores presentes nos pontos de fixação, a frequência e a força de cada batimento cardíaco podem ser medidas. Tudo em tempo real. O resultado é uma caixa lacrada contendo um pequeno coração vivo.

    

    Os cientistas enviaram para a estação espacial uma dessas caixas e mantiveram outra idêntica na Terra. A única diferença entre as duas é que uma operava na ausência de gravidade e a outra, com gravidade normal. A que foi para o espaço ficou 30 dias sem gravidade e retornou à Terra. Durante esses 30 dias, o funcionamento desses dois pequenos corações pôde ser comparado.

   

     A conclusão é que o coração humano deteriora e envelhece rapidamente na ausência de gravidade. Isso, é claro, se torna um grande risco para viagens que duram meses, como a que pretende levar seres humanos até Marte. Problemas semelhantes ocorrem nos rins dos astronautas e no sistema imune, mas ainda não foram bem estudados. Me parece que resolver esses problemas antes de enviar pessoas a Marte é um desafio mais complicado do que construir os foguetes. E pode atrasar muito, ou mesmo tornar impossível, longas viagens espaciais.


(Fernando Reinach. www.estadao.com.br, 28.10.2024. Adaptado)


Há expressão empregada em sentido figurado em: 
Alternativas
Q3210553 Português
Referente à tirinha a seguir, analise os dois empregos da palavra “ingredientes” e assinale a alternativa correta.
Imagem associada para resolução da questão
Fonte: www.reddit.com/r/brasil/comments/f3euv0/armandinho_%C3%BAltimo_quadrinhocirca/?rdt=51269
Alternativas
Q3210310 Português
A Amazônia fora dos trilhos

Márcio Souza desnuda o custo da ‘civilização’ em ‘Mad Maria’, que é reeditado em momento decisivo da região.

Antes de se embrenhar nas páginas de Mad Maria, o leitor é avisado de que “há muito de verdadeiro” no relato da construção da ferrovia Madeira-Mamoré nos primeiros anos do século 20, mas que o livro “não passa de um romance”. Ainda assim, se algo soar familiar, não será por engano, pois “o capitalismo não tem vergonha de se repetir”. Os tratores que derrubavam a floresta para estender em alguns quilômetros o delírio chamado Transamazônica ratificavam o comentário de Márcio Souza enquanto o manauara escrevia o romance, entre 1977 e 1980. Essa repetição persiste na Amazônia, a julgar por projetos como Belo Monte, a BR-319 e o avanço do garimpo que extermina flora, fauna e povos da floresta. Neste momento em que a região cresce em relevância no debate público, temos a sorte de reencontrar o livro, que acaba de ganhar reedição após quase vinte anos fora de catálogo.

O plano de uma ferrovia que funcionasse como alternativa ao traiçoeiro rio Madeira no transporte da borracha remonta a fins do século 19, mas foram as escaramuças entre Brasil e Bolívia que impulsionaram o projeto. O Tratado de Petrópolis, assinado pelos dois países em 1903, reconheceu o Acre como território brasileiro e formalizou a nossa promessa de construir uma estrada de ferro que contribuiria para o escoamento da produção boliviana. Souza, aliás, estreou na literatura com o divertido Galvez, imperador do Acre (1976), romance folhetinesco que narra as desventuras do espanhol Luis Galvez Rodríguez de Arias nesse período.

Mad Maria - Márcio Souza

Mad Maria, que carrega no título o apelido da locomotiva da Madeira-Mamoré, se passa em 1911, quando a construção da “ferrovia do diabo” já contabilizava quatro anos e milhares de operários — imigrantes aliciados primeiro nas periferias da Europa e do Caribe e depois na Índia — mortos em decorrência das condições desumanas de trabalho e de doenças como malária e beribéri. Para praticamente todos os envolvidos na obra nessa porção de Mato Grosso (hoje Rondônia), os 366 quilômetros de trilhos não ligavam Porto Velho a Guajará-Mirim, mas o nada a parte alguma, com uma parada no inferno no meio do caminho. A narrativa elege seis personagens para acompanharmos mais detidamente: o médico norte-americano Richard Finnegan e o engenheiro britânico Stephan Collier, funcionários da Madeira-Mamoré Railway Company; a boliviana Consuelo e um indígena karipuna que acabam envolvidos com a obra; o dono do empreendimento, o empresário norte-americano Percival Farquhar, e o então ministro da Viação e Obras Públicas, J. J. Seabra — esses dois verídicos.

Atmosfera de terror

Dividido em capítulos curtos que fragmentam a ação e alternam sempre o foco do narrador, o livro pode ser lido como um romance de aventura, mas sem qualquer leveza. A batalha política travada no Rio de Janeiro entre Farquhar e Seabra em ambientes luxuosamente decorados só atenua a atmosfera de terror deixada pelos eventos na frente de trabalho da estrada de ferro, que incluem decapitações, mutilações e execuções. Finnegan, recém-chegado ao canteiro de obras, conserva um certo idealismo. “É que aqui estamos vivendo uma espécie de guerra. É a civilização que está avançando, vencendo a barbárie. Numa guerra acontecem coisas ruins, em geral. Mas sempre o homem consegue fazer conquistas”, pensa o médico. Isso o contrapõe a Collier, engenheiro que trabalhou na construção do canal do Panamá para quem o progresso nada mais é que “uma política de ladrões enganando povos inteiros”. Não são apenas árvores que caem diante dos trilhos da Madeira-Mamoré, mas também qualquer noção edulcorada da humanidade, como atesta a transformação do médico ao longo da narrativa, que ecoa o Coração das trevas de Joseph Conrad.
embate entre homem e natureza, entre “civilização e barbárie” é proposto em diversos momentos, e não só na Amazônia. A um aliado, Farquhar desabafa: “Meus pedidos de concessões no Paraná estão paralisados. E por um motivo ridículo, dizem que há índios ali”. É verdade, porém, que o livro poderia dar mais espaço ao seu único personagem indígena. O trecho em que ele narra um mito karipuna que explica a razão das chuvas é de uma beleza singular e reluz em meio a tanta desgraça. É uma pena que, a partir de certo ponto, deixemos de acompanhar o que se passa na mente de Joe Caripuna, batizado assim por Finnegan.

O poeta no divã Redação Quatro Cinco Um Divulgação Científica Um manual para usar alucinógenos Carlos Minuano como os arquivos da Madeira-Mamoré Railway Company foram destruídos, Souza teve de “sair pelo mundo buscando informações”. Na mesma entrevista ele mencionou a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, o Museu Britânico e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como algumas das fontes de sua pesquisa. A formação em ciências sociais o moveu a sempre fundamentar bem o que escreve. Talvez por isso, Souza é um autor tão competente de romances históricos: além de Galvez e Mad Maria, que ganhou uma adaptação da Globo em 2005, merece lembrança a tetralogia Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro, na qual o amazonense se inspira em O tempo e o vento de Érico Veríssimo para contar a “desformação” do Norte do Brasil no século 19.

Quando a Madeira-Mamoré foi enfim aberta, em 1912, o ciclo brasileiro da borracha já havia sofrido um duro golpe. O látex oriundo dos seringais da Malásia começava a invadir o mercado global, pavimentando a hegemonia inglesa no setor. Natimorta, a ferrovia passou para as mãos do governo na década de 30. Em 1972, foi desativada definitivamente. Naquele mesmo ano, o presidente Emílio Garrastazu Médici inaugurou o primeiro trecho da Transamazônica.

Fonte: Adaptado – Revista 451 - Guilherme Magalhães -24 fev 2023 | Edição #67.

Disponível em: https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/literatura-brasileira/a-amazonia-fora-dos-trilhos/
No trecho "Essa repetição persiste na Amazônia, a julgar por projetos como Belo Monte, a BR-319 e o avanço do garimpo que extermina flora, fauna e povos da floresta", observa-se a expressão "o avanço do garimpo que extermina flora, fauna e povos da floresta".
Considerando as figuras de linguagem presentes, qual das alternativas abaixo identifica CORRETAMENTE a figura de linguagem utilizada na expressão "o avanço do garimpo que extermina flora, fauna e povos da floresta"?
Alternativas
Respostas
14021: D
14022: C
14023: B
14024: B
14025: C
14026: B
14027: D
14028: E
14029: D
14030: D
14031: B
14032: C
14033: C
14034: E
14035: C
14036: C
14037: E
14038: C
14039: A
14040: A