Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3521783 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Uma viagem de saudades

        Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição, tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.

        Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de coisa nenhuma, se separariam.

        Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as certezas.

        Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.

        Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se casarem que sempre guardou.

        Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado pelo grogue*.

        Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.

        Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto estivera ausente.

        Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua ilha e do seu homem.

        Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que saber de anseios sem resposta.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.
Ao relatar a conversa com a moça, o narrador deixa claro que ela
Alternativas
Q3521782 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Brasil precisa abraçar a velhice

        O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho. Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não começar a se ajustar agora à nova configuração etária que se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%, quase o dobro do percentual atual.

        Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte à atual população idosa conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas 2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.

        Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas 390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.

        Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre as demandas de agora.

        Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e, sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável.

(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
O termo destacado estabelece relação de sentido de oposição em:
Alternativas
Q3521780 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Brasil precisa abraçar a velhice

        O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho. Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não começar a se ajustar agora à nova configuração etária que se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%, quase o dobro do percentual atual.

        Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte à atual população idosa conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas 2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.

        Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas 390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.

        Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre as demandas de agora.

        Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e, sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável.

(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
Considere as passagens a seguir:
•  ... o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. (1º  parágrafo)
•  Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. (2º parágrafo)
•  Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica... (4º parágrafo)

Conforme o contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente,
Alternativas
Q3521779 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Brasil precisa abraçar a velhice

        O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho. Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não começar a se ajustar agora à nova configuração etária que se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%, quase o dobro do percentual atual.

        Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte à atual população idosa conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas 2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.

        Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas 390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.

        Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre as demandas de agora.

        Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e, sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável.

(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
Considere as passagens a seguir:
•  Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. (1º parágrafo)
•  Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. (2º parágrafo)
•  Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. (5º parágrafo)

Na organização das informações textuais, as passagens destacadas expressam, correta e respectivamente, ideias de
Alternativas
Q3521778 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Brasil precisa abraçar a velhice

        O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho. Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não começar a se ajustar agora à nova configuração etária que se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%, quase o dobro do percentual atual.

        Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte à atual população idosa conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas 2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.

        Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas 390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.

        Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre as demandas de agora.

        Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e, sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável.

(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
No título do texto, “Brasil precisa abraçar a velhice”, o verbo destacado está empregado em sentido figurado, da mesma forma que o verbo destacado em:
Alternativas
Q3521777 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Brasil precisa abraçar a velhice

        O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho. Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não começar a se ajustar agora à nova configuração etária que se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%, quase o dobro do percentual atual.

        Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte à atual população idosa conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas 2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.

        Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas 390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.

        Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre as demandas de agora.

        Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e, sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável.

(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
As informações do texto permitem concluir que
Alternativas
Q3521690 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O homem rouco


Deus sabe o que andei falando por aí; coisa boa não há de ter sido, pois Ele me tirou a voz.


Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo "não tenho trocado", ao homem parado na esquina, "o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo", e ao garçom, "por favor, mais um pedaço de gelo". Dizia certamente outras coisas e numa delas me perdi. Fiquei vários dias afônico e, hoje, me comunico e lamento com uma voz de túnel, roufenha, intermitente e infame.


Ora, naturalmente que me trato. Deram-me várias pastilhas horríveis e um especialista me receitou uma injeção e uma inalação que cheguei a fazer uma vez e me aborreceu pelo seu desagradável jeito de vício secreto ou de rito religioso oriental. Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído.


Não farei essas coisas. Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração.


Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa, o que me deixa desconfiado de mim mesmo. Terei muitos complexos? Precisamente quantos? Feios, graves? Por que me atacaram a garganta e não, por exemplo, o joelho? Ou quem sabe que havia alguma coisa que eu queria dizer e não podia, não devia, não ousava, estrangulado de timidez, e então engoli a voz?


Quando era criança, agora me lembro, passei um ano gago porque fui com outros moleques gritar alto "Capitão Banana" diante da tenda de um velho que vendia frutas, e ele estava escondido no escuro e me varejou um balde d'água em cima. Naturalmente devo contar essa história a um psicanalista. Mas então ele começará a me escarafunchar a pobre alma e isso não vale a pena. Respeitemos a morna paz desse brejo noturno onde fermentam coisas estranhas e se movem monstros informes e insensatos.


Afinal posso aguentar isso, sou um rapaz direito, bem comportado, talvez até bom partido para uma senhorita da classe média que não faça questão da beleza física, mas sim da moral, modéstia à parte.


O remédio é falar menos e escrever mais, antes que os complexos me paralisem os dedos, pobres dedos, triste mão que... Mas, francamente, página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas.


Eu vos direi, senhora, apenas, que a voz é feia e roufenha, mas o sentimento é límpido, é cristalino, puro − e vosso.


− Crônica de Rubem Braga



https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13137/o-homem-rouco

"Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído."



Ao usar a expressão 'agravado', o autor sugere que:

Alternativas
Q3521592 Português
Assinale a alternativa em que a função da linguagem é predominantemente conativa:  
Alternativas
Q3521591 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O distanciamento entre pais e filhos em tempos de redes sociais

As redes sociais, inicialmente celebradas como pontes entre pessoas distantes, têm se tornado, paradoxalmente, muros silenciosos dentro de muitos lares. Pais e filhos convivem sob o mesmo teto, mas suas atenções estão cativas a telas que brilham mais do que os olhos um do outro. A intimidade, antes construída em torno de refeições, conversas noturnas ou mesmo silêncios partilhados, cede espaço à distração contínua.

Muitos pais, ao tentarem compensar a ausência física com presentes ou permissividade digital, reforçam uma dinâmica de afastamento. Os filhos, por sua vez, criam vínculos mais intensos com influenciadores do que com os próprios responsáveis. Não se trata de demonizar a tecnologia — ela é ferramenta e, como tal, depende de como é utilizada. O problema emerge quando se naturaliza a negligência afetiva, disfarçada de “tempo de qualidade online”.

Recuperar a presença exige esforço mútuo: escuta ativa, disponibilidade real, e a difícil arte de dizer “agora não” para o celular, a fim de dizer “sim” para quem está ao lado. Talvez seja este o grande desafio contemporâneo da parentalidade: reaprender a estar junto — de verdade.  
Em relação à organização textual, é correto afirmar que:  
Alternativas
Q3521590 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O distanciamento entre pais e filhos em tempos de redes sociais

As redes sociais, inicialmente celebradas como pontes entre pessoas distantes, têm se tornado, paradoxalmente, muros silenciosos dentro de muitos lares. Pais e filhos convivem sob o mesmo teto, mas suas atenções estão cativas a telas que brilham mais do que os olhos um do outro. A intimidade, antes construída em torno de refeições, conversas noturnas ou mesmo silêncios partilhados, cede espaço à distração contínua.

Muitos pais, ao tentarem compensar a ausência física com presentes ou permissividade digital, reforçam uma dinâmica de afastamento. Os filhos, por sua vez, criam vínculos mais intensos com influenciadores do que com os próprios responsáveis. Não se trata de demonizar a tecnologia — ela é ferramenta e, como tal, depende de como é utilizada. O problema emerge quando se naturaliza a negligência afetiva, disfarçada de “tempo de qualidade online”.

Recuperar a presença exige esforço mútuo: escuta ativa, disponibilidade real, e a difícil arte de dizer “agora não” para o celular, a fim de dizer “sim” para quem está ao lado. Talvez seja este o grande desafio contemporâneo da parentalidade: reaprender a estar junto — de verdade.  
A alternativa em que o termo destacado apresenta um sinônimo que mantém a ideia do texto é:
Alternativas
Q3521589 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O distanciamento entre pais e filhos em tempos de redes sociais

As redes sociais, inicialmente celebradas como pontes entre pessoas distantes, têm se tornado, paradoxalmente, muros silenciosos dentro de muitos lares. Pais e filhos convivem sob o mesmo teto, mas suas atenções estão cativas a telas que brilham mais do que os olhos um do outro. A intimidade, antes construída em torno de refeições, conversas noturnas ou mesmo silêncios partilhados, cede espaço à distração contínua.

Muitos pais, ao tentarem compensar a ausência física com presentes ou permissividade digital, reforçam uma dinâmica de afastamento. Os filhos, por sua vez, criam vínculos mais intensos com influenciadores do que com os próprios responsáveis. Não se trata de demonizar a tecnologia — ela é ferramenta e, como tal, depende de como é utilizada. O problema emerge quando se naturaliza a negligência afetiva, disfarçada de “tempo de qualidade online”.

Recuperar a presença exige esforço mútuo: escuta ativa, disponibilidade real, e a difícil arte de dizer “agora não” para o celular, a fim de dizer “sim” para quem está ao lado. Talvez seja este o grande desafio contemporâneo da parentalidade: reaprender a estar junto — de verdade.  
A expressão “tempo de qualidade online”, colocada entre aspas no último parágrafo, indica: 
Alternativas
Q3521588 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O distanciamento entre pais e filhos em tempos de redes sociais

As redes sociais, inicialmente celebradas como pontes entre pessoas distantes, têm se tornado, paradoxalmente, muros silenciosos dentro de muitos lares. Pais e filhos convivem sob o mesmo teto, mas suas atenções estão cativas a telas que brilham mais do que os olhos um do outro. A intimidade, antes construída em torno de refeições, conversas noturnas ou mesmo silêncios partilhados, cede espaço à distração contínua.

Muitos pais, ao tentarem compensar a ausência física com presentes ou permissividade digital, reforçam uma dinâmica de afastamento. Os filhos, por sua vez, criam vínculos mais intensos com influenciadores do que com os próprios responsáveis. Não se trata de demonizar a tecnologia — ela é ferramenta e, como tal, depende de como é utilizada. O problema emerge quando se naturaliza a negligência afetiva, disfarçada de “tempo de qualidade online”.

Recuperar a presença exige esforço mútuo: escuta ativa, disponibilidade real, e a difícil arte de dizer “agora não” para o celular, a fim de dizer “sim” para quem está ao lado. Talvez seja este o grande desafio contemporâneo da parentalidade: reaprender a estar junto — de verdade.  
Ao utilizar a expressão “muros silenciosos dentro de muitos lares”, o autor recorre a uma figura de linguagem com a finalidade de:  
Alternativas
Q3521587 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O distanciamento entre pais e filhos em tempos de redes sociais

As redes sociais, inicialmente celebradas como pontes entre pessoas distantes, têm se tornado, paradoxalmente, muros silenciosos dentro de muitos lares. Pais e filhos convivem sob o mesmo teto, mas suas atenções estão cativas a telas que brilham mais do que os olhos um do outro. A intimidade, antes construída em torno de refeições, conversas noturnas ou mesmo silêncios partilhados, cede espaço à distração contínua.

Muitos pais, ao tentarem compensar a ausência física com presentes ou permissividade digital, reforçam uma dinâmica de afastamento. Os filhos, por sua vez, criam vínculos mais intensos com influenciadores do que com os próprios responsáveis. Não se trata de demonizar a tecnologia — ela é ferramenta e, como tal, depende de como é utilizada. O problema emerge quando se naturaliza a negligência afetiva, disfarçada de “tempo de qualidade online”.

Recuperar a presença exige esforço mútuo: escuta ativa, disponibilidade real, e a difícil arte de dizer “agora não” para o celular, a fim de dizer “sim” para quem está ao lado. Talvez seja este o grande desafio contemporâneo da parentalidade: reaprender a estar junto — de verdade.  
O texto aponta, com preocupação, para um fenômeno crescente nas relações - familiares contemporâneas. Considerando o seu conteúdo, é possível inferir que o autor:
Alternativas
Q3521551 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O poder dos influencers digitais nas escolhas do consumidor brasileiro

Com o crescimento das redes sociais, uma nova figura passou a exercer forte influência sobre os hábitos de consumo dos brasileiros: os chamados influencers digitais. Pessoas comuns, com grande número de seguidores e alto engajamento, tornaram-se capazes de impactar diretamente o comportamento de seus públicos, recomendando produtos, ditando tendências e, em muitos casos, moldando desejos.

Não se trata apenas de celebridades tradicionais migrando para o mundo digital, mas sim de indivíduos que construíram autoridade e carisma através da constância nas postagens, da linguagem próxima e de uma suposta autenticidade que cativa seus seguidores. Marcas perceberam rapidamente essa força e passaram a investir pesadamente em campanhas de marketing com esses influenciadores, muitas vezes com resultados mais eficazes do que os obtidos por meios tradicionais.

Esse fenômeno é particularmente visível entre os jovens, que frequentemente atribuem mais credibilidade a um vídeo no TikTok ou a uma indicação no Instagram do que a uma propaganda na televisão. Nesse contexto, a relação entre publicidade e consumo tornou-se menos institucional e mais afetiva. O que se vê é uma espécie de “amizade mercadológica”, na qual o consumidor confia porque sente que o influencer “é gente como a gente”.  

Por outro lado, especialistas alertam para os riscos dessa nova dinâmica. Nem sempre há clareza na distinção entre opinião pessoal e conteúdo patrocinado, e muitas vezes o seguidor é exposto a discursos de consumo sem que perceba a intencionalidade comercial por trás. Além disso, a valorização excessiva da estética e da ostentação em perfis digitais pode gerar frustração e compulsividade, levando ao consumo desnecessário ou endividamento.

O desafio, portanto, é equilibrar a liberdade de criação dos influenciadores com a responsabilidade ética de informar o público sobre os limites entre entretenimento e publicidade. Em tempos de algoritmos e curtidas, pensar criticamente sobre o que nos influencia tornou-se não apenas um exercício de cidadania, mas uma necessidade urgente.  
Considerando os elementos argumentativos do texto, pode-se afirmar que a proposta central é: 
Alternativas
Q3521550 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O poder dos influencers digitais nas escolhas do consumidor brasileiro

Com o crescimento das redes sociais, uma nova figura passou a exercer forte influência sobre os hábitos de consumo dos brasileiros: os chamados influencers digitais. Pessoas comuns, com grande número de seguidores e alto engajamento, tornaram-se capazes de impactar diretamente o comportamento de seus públicos, recomendando produtos, ditando tendências e, em muitos casos, moldando desejos.

Não se trata apenas de celebridades tradicionais migrando para o mundo digital, mas sim de indivíduos que construíram autoridade e carisma através da constância nas postagens, da linguagem próxima e de uma suposta autenticidade que cativa seus seguidores. Marcas perceberam rapidamente essa força e passaram a investir pesadamente em campanhas de marketing com esses influenciadores, muitas vezes com resultados mais eficazes do que os obtidos por meios tradicionais.

Esse fenômeno é particularmente visível entre os jovens, que frequentemente atribuem mais credibilidade a um vídeo no TikTok ou a uma indicação no Instagram do que a uma propaganda na televisão. Nesse contexto, a relação entre publicidade e consumo tornou-se menos institucional e mais afetiva. O que se vê é uma espécie de “amizade mercadológica”, na qual o consumidor confia porque sente que o influencer “é gente como a gente”.  

Por outro lado, especialistas alertam para os riscos dessa nova dinâmica. Nem sempre há clareza na distinção entre opinião pessoal e conteúdo patrocinado, e muitas vezes o seguidor é exposto a discursos de consumo sem que perceba a intencionalidade comercial por trás. Além disso, a valorização excessiva da estética e da ostentação em perfis digitais pode gerar frustração e compulsividade, levando ao consumo desnecessário ou endividamento.

O desafio, portanto, é equilibrar a liberdade de criação dos influenciadores com a responsabilidade ética de informar o público sobre os limites entre entretenimento e publicidade. Em tempos de algoritmos e curtidas, pensar criticamente sobre o que nos influencia tornou-se não apenas um exercício de cidadania, mas uma necessidade urgente.  
Ao afirmar que “a relação entre publicidade e consumo tornou-se menos institucional e mais afetiva”, o autor indica que: 
Alternativas
Q3521549 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O poder dos influencers digitais nas escolhas do consumidor brasileiro

Com o crescimento das redes sociais, uma nova figura passou a exercer forte influência sobre os hábitos de consumo dos brasileiros: os chamados influencers digitais. Pessoas comuns, com grande número de seguidores e alto engajamento, tornaram-se capazes de impactar diretamente o comportamento de seus públicos, recomendando produtos, ditando tendências e, em muitos casos, moldando desejos.

Não se trata apenas de celebridades tradicionais migrando para o mundo digital, mas sim de indivíduos que construíram autoridade e carisma através da constância nas postagens, da linguagem próxima e de uma suposta autenticidade que cativa seus seguidores. Marcas perceberam rapidamente essa força e passaram a investir pesadamente em campanhas de marketing com esses influenciadores, muitas vezes com resultados mais eficazes do que os obtidos por meios tradicionais.

Esse fenômeno é particularmente visível entre os jovens, que frequentemente atribuem mais credibilidade a um vídeo no TikTok ou a uma indicação no Instagram do que a uma propaganda na televisão. Nesse contexto, a relação entre publicidade e consumo tornou-se menos institucional e mais afetiva. O que se vê é uma espécie de “amizade mercadológica”, na qual o consumidor confia porque sente que o influencer “é gente como a gente”.  

Por outro lado, especialistas alertam para os riscos dessa nova dinâmica. Nem sempre há clareza na distinção entre opinião pessoal e conteúdo patrocinado, e muitas vezes o seguidor é exposto a discursos de consumo sem que perceba a intencionalidade comercial por trás. Além disso, a valorização excessiva da estética e da ostentação em perfis digitais pode gerar frustração e compulsividade, levando ao consumo desnecessário ou endividamento.

O desafio, portanto, é equilibrar a liberdade de criação dos influenciadores com a responsabilidade ética de informar o público sobre os limites entre entretenimento e publicidade. Em tempos de algoritmos e curtidas, pensar criticamente sobre o que nos influencia tornou-se não apenas um exercício de cidadania, mas uma necessidade urgente.  
Assinale a alternativa que melhor expressa uma crítica implícita presente no texto:  
Alternativas
Q3521548 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O poder dos influencers digitais nas escolhas do consumidor brasileiro

Com o crescimento das redes sociais, uma nova figura passou a exercer forte influência sobre os hábitos de consumo dos brasileiros: os chamados influencers digitais. Pessoas comuns, com grande número de seguidores e alto engajamento, tornaram-se capazes de impactar diretamente o comportamento de seus públicos, recomendando produtos, ditando tendências e, em muitos casos, moldando desejos.

Não se trata apenas de celebridades tradicionais migrando para o mundo digital, mas sim de indivíduos que construíram autoridade e carisma através da constância nas postagens, da linguagem próxima e de uma suposta autenticidade que cativa seus seguidores. Marcas perceberam rapidamente essa força e passaram a investir pesadamente em campanhas de marketing com esses influenciadores, muitas vezes com resultados mais eficazes do que os obtidos por meios tradicionais.

Esse fenômeno é particularmente visível entre os jovens, que frequentemente atribuem mais credibilidade a um vídeo no TikTok ou a uma indicação no Instagram do que a uma propaganda na televisão. Nesse contexto, a relação entre publicidade e consumo tornou-se menos institucional e mais afetiva. O que se vê é uma espécie de “amizade mercadológica”, na qual o consumidor confia porque sente que o influencer “é gente como a gente”.  

Por outro lado, especialistas alertam para os riscos dessa nova dinâmica. Nem sempre há clareza na distinção entre opinião pessoal e conteúdo patrocinado, e muitas vezes o seguidor é exposto a discursos de consumo sem que perceba a intencionalidade comercial por trás. Além disso, a valorização excessiva da estética e da ostentação em perfis digitais pode gerar frustração e compulsividade, levando ao consumo desnecessário ou endividamento.

O desafio, portanto, é equilibrar a liberdade de criação dos influenciadores com a responsabilidade ética de informar o público sobre os limites entre entretenimento e publicidade. Em tempos de algoritmos e curtidas, pensar criticamente sobre o que nos influencia tornou-se não apenas um exercício de cidadania, mas uma necessidade urgente.  
Quando o autor menciona que os consumidores veem os influencers como “gente como a gente”, a intenção é destacar:  
Alternativas
Q3521547 Português
Leia o texto abaixo com atenção para responder à questão.

O poder dos influencers digitais nas escolhas do consumidor brasileiro

Com o crescimento das redes sociais, uma nova figura passou a exercer forte influência sobre os hábitos de consumo dos brasileiros: os chamados influencers digitais. Pessoas comuns, com grande número de seguidores e alto engajamento, tornaram-se capazes de impactar diretamente o comportamento de seus públicos, recomendando produtos, ditando tendências e, em muitos casos, moldando desejos.

Não se trata apenas de celebridades tradicionais migrando para o mundo digital, mas sim de indivíduos que construíram autoridade e carisma através da constância nas postagens, da linguagem próxima e de uma suposta autenticidade que cativa seus seguidores. Marcas perceberam rapidamente essa força e passaram a investir pesadamente em campanhas de marketing com esses influenciadores, muitas vezes com resultados mais eficazes do que os obtidos por meios tradicionais.

Esse fenômeno é particularmente visível entre os jovens, que frequentemente atribuem mais credibilidade a um vídeo no TikTok ou a uma indicação no Instagram do que a uma propaganda na televisão. Nesse contexto, a relação entre publicidade e consumo tornou-se menos institucional e mais afetiva. O que se vê é uma espécie de “amizade mercadológica”, na qual o consumidor confia porque sente que o influencer “é gente como a gente”.  

Por outro lado, especialistas alertam para os riscos dessa nova dinâmica. Nem sempre há clareza na distinção entre opinião pessoal e conteúdo patrocinado, e muitas vezes o seguidor é exposto a discursos de consumo sem que perceba a intencionalidade comercial por trás. Além disso, a valorização excessiva da estética e da ostentação em perfis digitais pode gerar frustração e compulsividade, levando ao consumo desnecessário ou endividamento.

O desafio, portanto, é equilibrar a liberdade de criação dos influenciadores com a responsabilidade ética de informar o público sobre os limites entre entretenimento e publicidade. Em tempos de algoritmos e curtidas, pensar criticamente sobre o que nos influencia tornou-se não apenas um exercício de cidadania, mas uma necessidade urgente.  
A partir da leitura do texto, é possível inferir que a ascensão dos influencers digitais está diretamente relacionada:  
Alternativas
Q3520383 Português

Como nasceram as estrelas



    Pois é, todo mundo pensa que sempre houve no mundo estrelas pisca-pisca. Mas é erro. Antes os índios olhavam de noite para o céu escuro – e bem escuro estava esse céu. Um negror. Vou contar a história singela do nascimento das estrelas.


    Era uma vez, no mês de janeiro, muitos índios. E ativos: caçavam, pescavam, guerreavam. Mas nas tabas não faziam coisa alguma: deitavam-se nas redes e dormiam roncando. E a comida? Só as mulheres cuidavam do preparo dela para terem todos o que comer.


    Uma vez elas notaram que faltava milho no cesto para moer. Que fizeram as valentes mulheres? O seguinte: sem medo enfurnaram-se nas matas, sob um gostoso sol amarelo. As árvores rebrilhavam verdes e embaixo delas havia sombra e água fresca.


    Quando saíam de debaixo das copas encontravam o calor, bebiam no reino das águas dos riachos buliçosos. Mas sempre procurando milho porque a fome era daquelas que as faziam comer folhas de árvores. Mas só encontravam espigazinhas murchas e sem graça.


    – Vamos voltar e trazer conosco uns curumins. (Assim chamavam os índios as crianças). Curumin dá sorte.


    E deu mesmo. Os garotos pareciam adivinhar as coisas: foram retinho em frente e numa clareira da floresta – eis um milharal viçoso crescendo alto. As índias maravilhadas disseram: toca a colher tanta espiga. Mas os garotinhos também colheram muitas e fugiram das mães voltando à taba e pedindo à avó que lhes fizesse um bolo de milho. A avó assim fez e os curumins se encheram de bolo que logo se acabou. Só então tiveram medo das mães que reclamariam por eles comerem tanto. Podiam esconder numa caverna a avó e o papagaio porque os dois contariam tudo. Mas – e se as mães dessem falta da avó e do papagaio tagarela? Aí então chamaram os colibris para que amarrassem um cipó no topo do céu. Quando as índias voltaram ficaram assustadas vendo os filhos subindo pelo ar. Resolveram, essas mães nervosas, subir atrás dos meninos e cortar o cipó embaixo deles.


    Aconteceu uma coisa que só acontece quando a gente acredita: as mães caíram no chão, transformando-se em onças. Quanto aos curumins, como já não podiam voltar para a terra, ficaram no céu até hoje, transformados em estrelas brilhantes.


    Mas, quanto a mim, tenho a lhes dizer que as estrelas são mais do que curumins. Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, “sempre” não acaba nunca.



(LISPECTOR, Clarice. Doze lendas brasileiras. Como nascem as estrelas. Rocco: Pequenos Leitores, 1987.)

 

No excerto “Mas sempre procurando milho porque a fome era daquelas que as faziam comer folhas de árvores.” (4º§), o conectivo destacado determina com a ideia que o antecede uma relação de:
Alternativas
Q3520380 Português

Como nasceram as estrelas



    Pois é, todo mundo pensa que sempre houve no mundo estrelas pisca-pisca. Mas é erro. Antes os índios olhavam de noite para o céu escuro – e bem escuro estava esse céu. Um negror. Vou contar a história singela do nascimento das estrelas.


    Era uma vez, no mês de janeiro, muitos índios. E ativos: caçavam, pescavam, guerreavam. Mas nas tabas não faziam coisa alguma: deitavam-se nas redes e dormiam roncando. E a comida? Só as mulheres cuidavam do preparo dela para terem todos o que comer.


    Uma vez elas notaram que faltava milho no cesto para moer. Que fizeram as valentes mulheres? O seguinte: sem medo enfurnaram-se nas matas, sob um gostoso sol amarelo. As árvores rebrilhavam verdes e embaixo delas havia sombra e água fresca.


    Quando saíam de debaixo das copas encontravam o calor, bebiam no reino das águas dos riachos buliçosos. Mas sempre procurando milho porque a fome era daquelas que as faziam comer folhas de árvores. Mas só encontravam espigazinhas murchas e sem graça.


    – Vamos voltar e trazer conosco uns curumins. (Assim chamavam os índios as crianças). Curumin dá sorte.


    E deu mesmo. Os garotos pareciam adivinhar as coisas: foram retinho em frente e numa clareira da floresta – eis um milharal viçoso crescendo alto. As índias maravilhadas disseram: toca a colher tanta espiga. Mas os garotinhos também colheram muitas e fugiram das mães voltando à taba e pedindo à avó que lhes fizesse um bolo de milho. A avó assim fez e os curumins se encheram de bolo que logo se acabou. Só então tiveram medo das mães que reclamariam por eles comerem tanto. Podiam esconder numa caverna a avó e o papagaio porque os dois contariam tudo. Mas – e se as mães dessem falta da avó e do papagaio tagarela? Aí então chamaram os colibris para que amarrassem um cipó no topo do céu. Quando as índias voltaram ficaram assustadas vendo os filhos subindo pelo ar. Resolveram, essas mães nervosas, subir atrás dos meninos e cortar o cipó embaixo deles.


    Aconteceu uma coisa que só acontece quando a gente acredita: as mães caíram no chão, transformando-se em onças. Quanto aos curumins, como já não podiam voltar para a terra, ficaram no céu até hoje, transformados em estrelas brilhantes.


    Mas, quanto a mim, tenho a lhes dizer que as estrelas são mais do que curumins. Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, “sempre” não acaba nunca.



(LISPECTOR, Clarice. Doze lendas brasileiras. Como nascem as estrelas. Rocco: Pequenos Leitores, 1987.)

 

As lendas são parte do folclore e da cultura popular, e muitas vezes misturam fatos históricos com elementos sobrenaturais ou fantásticos. “Como nasceram as estrelas” é considerada uma lenda porque conta uma história fantasiosa. Sobre tal narrativa, é possível inferir que: 
Alternativas
Respostas
10821: A
10822: E
10823: B
10824: C
10825: E
10826: B
10827: A
10828: C
10829: C
10830: D
10831: A
10832: C
10833: B
10834: A
10835: B
10836: D
10837: C
10838: C
10839: A
10840: B