Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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De acordo com a BNCC, as "_______________ realizam-se nas ____________, mediadas por diferentes ___________: verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e, contemporaneamente, digital. Por meio dessas práticas, as pessoas interagem consigo mesmas e com os outros, constituindo-se como sujeitos _________. Nessas interações, estão imbricados conhecimentos, atitudes e valores culturais, morais e éticos."
Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente o excerto anterior:
"Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade."
Considerando as informações contidas no excerto, o texto e seus conhecimentos prévios, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) De acordo com o texto, a relação das populações periféricas com o alimento vai além do gesto de se alimentar, de consumi-lo. A relação é cultural, afetiva e histórica.
(__) Ao afirmar que "o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano", o autor do texto tece uma crítica à valorização dos alimentos originados em culturas brancas, como as europeias, em detrimento daqueles oriundos, por exemplo, dos povos afrodescendentes.
(__) A partir da leitura de todo o texto, é possível compreender que o alimento pode ser muito mais do que apenas comida. Seu modo de produção pode ser um gesto de resistência, por exemplo, aos ultraprocessados.
(__) Quando o imigrante vai para grandes metrópoles, como São Paulo, e leva consigo os alimentos típicos de seu lugar de origem, ele está demonstrando sua indisposição em se adaptar à outra cultura alimentar. Isso fica muito evidente quando o autor do texto lança mão de palavras como "estado sólido", "resiste ao embranquecimento", "autonomia e continuidade".
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
"Logo, a linguagem só é inteligível a partir de uma consciência social. Ou seja, a cultura se traduz pela linguagem. Ela mantém viva a tradição e o ethos de uma cultura, pois possibilita que aquilo que foi vivido e sentido por alguém possa ser transformado em entendimento social. Como resultado da história social, a linguagem transformou-se em instrumento decisivo do conhecimento humano, porque, através dela, o ser humano pôde superar os limites da experiência sensorial, individualizar as características dos fenômenos e formular determinadas generalizações ou categorias. Ela é decisiva para o desenvolvimento da atividade consciente dos sujeitos" (Wickert; Wartha, 2009).
O texto apresentado estabelece uma relação intrínseca entre linguagem, cultura e consciência social, afirmando que "a cultura se traduz pela linguagem". De acordo com o trecho, qual é a função essencial da linguagem nesse processo de tradução e o seu impacto no desenvolvimento dos sujeitos? Assinale a alternativa correta:
Assinale a alternativa em que o sinônimo da palavra sublinhada está incorretamente associado:
I. “Quando o formulário foi simplificado, o número de erros aumentou; isso não significa que a simplificação seja a causa do problema.”
II. “Correlação não implica causalidade; é preciso investigar se houve treinamento insuficiente e mudanças no fluxo de conferência.”
Com base nos textos I e II, assinale a alternativa correta.
Em muitos órgãos públicos, a adoção de indicadores trouxe ganhos evidentes de transparência. Contudo, quando números passam a ditar o trabalho — e não a iluminá-lo —, resultados vistosos podem esconder processos empobrecidos: equipes correm atrás do que é mensurável e negligenciam o que exige análise qualitativa. Assim, o problema não está em medir, mas em confundir o indicador com o objetivo.
A propósito do texto, assinale a alternativa correta.
Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas
pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/
Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns
cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira
esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos
de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da
nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma
Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência
bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão
diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo,
explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca
de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário,
não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não
esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam
entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece.
Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a
própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que
venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento,
que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos
terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer
diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento
em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para
apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes
da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa
piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado
de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido
capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento
para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em
guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as
estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande
pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém,
também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a
pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na
Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos,
dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de
dedos, transformariam em água todas as armas existentes no
planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará
as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas.
Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas,
discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos
nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno
gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um
conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo
na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a
gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/
esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025
Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas
pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/
Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns
cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira
esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos
de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da
nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma
Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência
bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão
diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo,
explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca
de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário,
não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não
esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam
entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece.
Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a
própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que
venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento,
que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos
terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer
diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento
em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para
apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes
da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa
piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado
de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido
capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento
para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em
guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as
estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande
pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém,
também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a
pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na
Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos,
dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de
dedos, transformariam em água todas as armas existentes no
planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará
as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas.
Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas,
discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos
nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno
gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um
conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo
na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a
gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/
esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025
Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas
pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/
Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns
cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira
esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos
de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da
nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma
Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência
bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão
diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo,
explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca
de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário,
não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não
esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam
entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece.
Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a
própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que
venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento,
que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos
terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer
diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento
em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para
apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes
da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa
piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado
de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido
capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento
para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em
guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as
estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande
pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém,
também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a
pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na
Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos,
dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de
dedos, transformariam em água todas as armas existentes no
planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará
as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas.
Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas,
discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos
nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno
gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um
conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo
na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a
gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/
esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025
Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas
pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/
Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns
cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira
esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos
de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da
nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma
Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência
bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão
diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo,
explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca
de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário,
não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não
esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam
entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece.
Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a
própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que
venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento,
que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos
terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer
diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento
em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para
apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes
da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa
piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado
de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido
capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento
para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em
guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as
estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande
pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém,
também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a
pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na
Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos,
dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de
dedos, transformariam em água todas as armas existentes no
planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará
as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas.
Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas,
discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos
nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno
gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um
conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo
na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a
gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/
esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025
Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas
pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/
Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns
cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira
esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos
de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da
nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma
Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência
bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão
diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo,
explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca
de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário,
não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não
esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam
entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece.
Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a
própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que
venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento,
que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos
terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer
diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento
em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para
apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes
da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa
piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado
de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido
capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento
para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em
guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as
estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande
pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém,
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pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na
Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos,
dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de
dedos, transformariam em água todas as armas existentes no
planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará
as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas.
Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas,
discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos
nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno
gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um
conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo
na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a
gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/
esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025
Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas
pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/
Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns
cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira
esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos
de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da
nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma
Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência
bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão
diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo,
explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca
de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário,
não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não
esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam
entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece.
Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a
própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que
venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento,
que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos
terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer
diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento
em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para
apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes
da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa
piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado
de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido
capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento
para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em
guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as
estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande
pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém,
também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a
pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na
Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos,
dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de
dedos, transformariam em água todas as armas existentes no
planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará
as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas.
Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas,
discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos
nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno
gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um
conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo
na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a
gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/
esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025
“Às vésperas da COP 30, o Brasil se veste de verde no palco internacional, mas se mancha de óleo na própria casa. Enquanto o mundo se volta para a Amazônia em busca de soluções para a crise climática, vemos o Ibama conceder licença para que a Petrobras abra um poço de petróleo em pleno coração do planeta”, afirma a coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade.
Além da contradição entre o discurso climático do Brasil e o avanço de uma nova fronteira de petróleo no país, Andrade ressalta que, em um cenário de emergência climática como o atual, a abertura de novos poços de petróleo contradiz os compromissos do próprio país com a transição energética e apenas reforça padrões excludentes, insustentáveis e ambientalmente predatórios. Disponível em: greenpeace.org. Acesso em: 26 out, 2025. A partir da leitura do texto, é possível constatar que seu objetivo é revelar
Disponível em: greenpeace.org. Acesso em: 26 out, 2025.
A partir da leitura do texto, é possível constatar que seu objetivo é revelar