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Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 93.561 questões

Q3224460 Português

Texto para responder a questão.


    Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta tenha atingido a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da linguagem numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.

    Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass- -media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo linguístico.

    Gostaria de acrescentar não ser apenas a linguagem que me parece atingida por essa pestilência. As imagens, por exemplo, também o foram. Vivemos sob uma chuva ininterrupta de imagens; os media todo-poderosos não fazem outra coisa senão transformar o mundo em imagens, multiplicando-o numa fantasmagoria de jogos de espelhos – imagens que em grande parte são destituídas da necessidade interna que deveria caracterizar toda imagem, como forma e como significado, como força de impor-se à atenção, como riqueza de significados possíveis. Grande parte dessa nuvem de imagens se dissolve imediatamente como os sonhos que não deixam traços na memória; o que não se dissolve é uma sensação de estranheza e mal-estar.

    Mas talvez a inconsistência não esteja somente na linguagem e nas imagens: está no próprio mundo. O vírus ataca a vida das pessoas e a história das nações torna todas as histórias informes, fortuitas, confusas, sem princípio nem fim. Meu mal-estar advém da perda de forma que constato na vida, à qual procuro opor a única defesa que consigo imaginar: uma ideia da literatura.


(CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.)

Para o autor:
Alternativas
Q3224458 Português

Texto para responder a questão.


    Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta tenha atingido a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da linguagem numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.

    Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass- -media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo linguístico.

    Gostaria de acrescentar não ser apenas a linguagem que me parece atingida por essa pestilência. As imagens, por exemplo, também o foram. Vivemos sob uma chuva ininterrupta de imagens; os media todo-poderosos não fazem outra coisa senão transformar o mundo em imagens, multiplicando-o numa fantasmagoria de jogos de espelhos – imagens que em grande parte são destituídas da necessidade interna que deveria caracterizar toda imagem, como forma e como significado, como força de impor-se à atenção, como riqueza de significados possíveis. Grande parte dessa nuvem de imagens se dissolve imediatamente como os sonhos que não deixam traços na memória; o que não se dissolve é uma sensação de estranheza e mal-estar.

    Mas talvez a inconsistência não esteja somente na linguagem e nas imagens: está no próprio mundo. O vírus ataca a vida das pessoas e a história das nações torna todas as histórias informes, fortuitas, confusas, sem princípio nem fim. Meu mal-estar advém da perda de forma que constato na vida, à qual procuro opor a única defesa que consigo imaginar: uma ideia da literatura.


(CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.)

No primeiro parágrafo do texto, o autor estabelece entre a referida epidemia pestilenta e as perdas citadas uma relação de:
Alternativas
Q3044734 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).
Releia o trecho a seguir.

“‘Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão’ (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).”

Assinale a alternativa em que o conectivo inserido no trecho, para explicitar a relação entre os períodos, está grafado corretamente.
Alternativas
Q3044729 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).

Releia este trecho.


“Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo.”


A reescrita que altera o sentido original do trecho é:

Alternativas
Q3044728 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).
Considere as afirmativas a seguir.

I. A escola Vai-Vai foi fundada, entre outros, pelo avô de Fernando Penteado, em 1930.

II. Para conseguir pagar suas contas no período, Luciana Mazola trabalhou como vendedora de automóveis, operadora de telemarketing e costureira de máscaras.

III. Além de Fernando e Luciana, citados no texto, outras pessoas da comunidade sofreram com o cancelamento do desfile de 2021.


De acordo com o texto, estão corretas as afirmativas
Alternativas
Q3044727 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).
São elementos presentes no texto, exceto:
Alternativas
Q3044725 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).
Releia este trecho.

“Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos [...]”

Em relação ao uso dos sinais de pontuação, esse trecho não pode ser reescrito da seguinte forma:
Alternativas
Q3044722 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).
Considere as afirmativas a seguir.

I. No trecho “Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile.”, a palavra destacada indica o ritmo harmônico e melódico dos sons nos barracões da escola antes do desfile.

II. No trecho “No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha.”, a palavra destacada é um sinônimo para “enfeite” nesse contexto.

III. No trecho “O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade [...]”, a palavra destacada é um antônimo de “benefícios” nesse contexto.

Estão corretas as afirmativas
Alternativas
Q3044721 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).

Considere as afirmativas a seguir.


I. O desfile deste ano foi adiado devido unicamente ao perigo de contaminação pelo coronavírus.

II. A escola ajudou muitos de seus integrantes mesmo sem a realização do desfile.

III. Alguns dos funcionários da escola já trabalham visando o Carnaval do ano que vem.


De acordo com o texto, estão corretas as afirmativas 

Alternativas
Q3044720 Português
TEXTO I


Um “aperto no peito” e a adrenalina do carnaval contida na escola Vai-Vai, a mais antiga de São Paulo

A mais antiga escola de samba de São Paulo
celebraria neste ano a volta ao grupo especial.
Agremiação perdeu 30 integrantes para a Covid-19
e viu comunidade ter de se virar para sobreviver

Na manhã da sexta-feira de Carnaval, só se ouvia, lá longe, um martelo batendo num ferro em algum dos barracões da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, na zona norte da cidade. Um ano antes, o lugar estaria tomado de pessoas correndo de um lado para o outro, em uma cacofonia de sons que marcariam os últimos ajustes antes das noites de desfile. A pandemia de Covid-19 privou o Brasil de sua festa mais tradicional e mudou a vida de quem faz Carnaval o ano todo, não só em fevereiro. No caso do Grêmio Recreativo Cultural Vai-Vai, o aperto no peito é maior: a escola de samba mais antiga de São Paulo voltaria ao grupo especial em 2021, depois de levar o título no ano passado com um enredo em homenagem aos seus 90 anos de história.

“É o primeiro ano em que estou sem fazer nada no Carnaval. Aqui dentro está apertado.” Fernando Penteado, de 74 anos, diretor cultural do Vai-Vai, faz um gesto com a mão fechada sobre o peito. Neto de Frederico Penteado, um dos cinco fundadores da escola (que nasceu em 1930), Fernando começou a desfilar aos cinco anos com as cores preto e branco do bairro do Bixiga e hoje é uma espécie de entidade da escola.

No chão de um dos barracões do Vai-Vai, fantasias e adereços de anos anteriores formavam uma pequena montanha. Em uma parede, dezenas de rolos de fita de muitas cores e brilhos estavam organizadas em estante. Pedaços de tecido e moldes de gesso repousavam sobre duas grandes mesas de trabalho colocadas em cantos opostos do local fechado, onde apenas cinco pessoas trabalhavam nas alegorias. “Hoje era para ter mais de 100 pessoas aqui”, lamenta Fernando. À angústia da comunidade, soma-se a crise econômica provocada pelo coronavírus, que fez com que muitos membros da escola perdessem sua principal fonte de renda.

“Muitos dos nossos estão vendendo lanche ou fazendo artesanato para sobreviver. Tinha gente desesperada querendo fazer o desfile porque suas casas são ateliês de Carnaval, elas vivem disso e queriam trabalhar. Mas eu dizia que, se elas trabalhassem, o dinheiro seria só para comprar o caixão”, conta Fernando. Apesar de lamentar o primeiro Carnaval em mais de seis décadas sem pisar no sambódromo, ele não considera seguro ou apropriado fazer festa quando muitas pessoas estão adoecendo ou morrendo de Covid-19. A escola, conta Fernando, perdeu 30 pessoas para a doença, entre diretores, baianas, velha guarda e demais componentes. “De agosto a novembro, morriam dois ou três por mês. É impossível brincar em fevereiro diante de uma situação dessas.”

O diretor cultural também lembra das outras mazelas causadas por essa mudança na rotina da comunidade: “Tem gente que está tomando remédio, entrando em depressão, tristeza mesmo. Este ano vamos só fazer pipoca e sentar no sofá para assistir os desfiles do ano passado na televisão” (a TV Globo vai transmitir uma seleção, os maiores desfiles da história de São Paulo e do Rio, um convite à nostalgia, mas também à festa em casa).

Em uma das grandes mesas do barracão senta Luciana Mazola, de 42 anos, aderecista e decoradora responsável pelas alegorias do Vai-Vai, que só reassumiu seu posto de trabalho nos últimos meses e trabalha com uma equipe pequena para o próximo Carnaval. Ela, que há 28 anos largou o emprego de vendedora de automóveis para viver de Carnaval, teve que deixar a quadra para costurar máscaras em uma ONG e depois fazer telemarketing em uma empresa de internet e, assim, conseguir pagar as contas. “Há 20 anos na escola minha função é organizar e garantir que a criação do carnavalesco vai sair do papel. Quando perdi isso, consegui pagar os boletos, porém foi como se tivessem tirado um órgão do meu corpo. Perdi a adrenalina que tinha na minha rotina”, diz ela.

Luciana trabalha com as mesmas pessoas na sua equipe há, no mínimo, 10 anos. Quando a escola fechou os barracões e a quadra, ela passou os dados de todos para a direção do Vai-Vai, que organizou cestas básicas, kits de higiene e fraldas de criança paras serem entregues a esses trabalhadores. “Quem era aderecista, virou faxineira. Quem era forrador foi trabalhar em hospital, todo mundo tentou se manter”, conta. A solidariedade é um traço natural da escola de samba, onde muitos dos membros convivem mais entre si do que com suas próprias famílias. “Você acaba passando mais tempo aqui do que em casa. A cozinheira vira sua mãe, o diretor de barracão é como seu pai”, acrescenta.

[...]


Disponível em:<https://bityli.com/vvBU3 . Acesso em: 19 fev. 2021 (Adaptação).
De acordo com o texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3044599 Português
TEXTO I


Conversa telefônica

Clarice Lispector

Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.

Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.

Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.

Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.

Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.

A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”


Disponível em: http://www.revistaprosaversoearte.com/. Acesso em: 20 fev. 2021.



TEXTO II

O que é elipse?

A elipse é uma figura de linguagem caracterizada pela omissão de um termo no enunciado; porém, esse termo pode ser subentendido pelo contexto. Por isso, embora o elemento esteja omitido, o contexto nos ajuda a perceber qual elemento é esse. Observe os exemplos a seguir:

• Ele fez isso e eu: “Você está louco? ”

• Chove muito e não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa sábado.

• Casa de ferreiro, espeto de pau.

• Lúcio andava hesitante, braços cruzados.


Entre as palavras destacadas, há um elemento omitido que foi subentendido pelo contexto: um verbo, o sujeito da oração ou uma preposição. O contexto ajuda de tal forma que a omissão pode passar despercebida.

• Ele fez isso e eu [perguntei]: “Você está louco? ”

• Chove muito e [nós] não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa [no] sábado.

• [Em] casa de ferreiro, [o] espeto [é] de pau.

• Lúcio andava hesitante, [com os] braços cruzados.


O nome elipse vem do grego eleípsis, que significa “omissão”, “falta”, “insuficiência”. Assim, a elipse é classificada como uma figura de construção ou figura de sintaxe, já que se trata da omissão de um termo no enunciado.


Elipse e zeugma

Não se deve confundir elipse e zeugma, duas figuras de linguagem caracterizadas pela omissão de termos linguísticos, mas com detalhes diferentes.

No caso da elipse, o termo omitido é depreendido pelo contexto, ou seja, não aparece em nenhum momento no enunciado, mas fica subentendido pelo contexto.

Quando ocorre zeugma, o termo omitido já apareceu antes no enunciado e, para evitar a repetição, omite-se tal elemento, criando uma equivalência semântica. Percebemos qual é o termo omitido porque a estrutura tende a ser a mesma da anterior. Isso ocorre para dar maior fluidez ao discurso.

Eu gosto de vôlei. A Renata, de futebol.

Note que o verbo “gostar” foi omitido, mas já havia sido citado anteriormente. Quando há zeugma, os sinais de pontuação (neste caso, a vírgula) marcam a omissão do termo.

Disponível em:<www.portugues.com.br . Acesso em: 20 fev. 2021.

Leia o trecho a seguir.


“Sempre paguei e de repente não quero mais.”


Assinale a alternativa em que o acréscimo de sinais de pontuação não altera a interpretação desse trecho.

Alternativas
Q3044596 Português
TEXTO I


Conversa telefônica

Clarice Lispector

Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.

Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.

Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.

Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.

Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.

A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”


Disponível em: http://www.revistaprosaversoearte.com/. Acesso em: 20 fev. 2021.



TEXTO II

O que é elipse?

A elipse é uma figura de linguagem caracterizada pela omissão de um termo no enunciado; porém, esse termo pode ser subentendido pelo contexto. Por isso, embora o elemento esteja omitido, o contexto nos ajuda a perceber qual elemento é esse. Observe os exemplos a seguir:

• Ele fez isso e eu: “Você está louco? ”

• Chove muito e não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa sábado.

• Casa de ferreiro, espeto de pau.

• Lúcio andava hesitante, braços cruzados.


Entre as palavras destacadas, há um elemento omitido que foi subentendido pelo contexto: um verbo, o sujeito da oração ou uma preposição. O contexto ajuda de tal forma que a omissão pode passar despercebida.

• Ele fez isso e eu [perguntei]: “Você está louco? ”

• Chove muito e [nós] não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa [no] sábado.

• [Em] casa de ferreiro, [o] espeto [é] de pau.

• Lúcio andava hesitante, [com os] braços cruzados.


O nome elipse vem do grego eleípsis, que significa “omissão”, “falta”, “insuficiência”. Assim, a elipse é classificada como uma figura de construção ou figura de sintaxe, já que se trata da omissão de um termo no enunciado.


Elipse e zeugma

Não se deve confundir elipse e zeugma, duas figuras de linguagem caracterizadas pela omissão de termos linguísticos, mas com detalhes diferentes.

No caso da elipse, o termo omitido é depreendido pelo contexto, ou seja, não aparece em nenhum momento no enunciado, mas fica subentendido pelo contexto.

Quando ocorre zeugma, o termo omitido já apareceu antes no enunciado e, para evitar a repetição, omite-se tal elemento, criando uma equivalência semântica. Percebemos qual é o termo omitido porque a estrutura tende a ser a mesma da anterior. Isso ocorre para dar maior fluidez ao discurso.

Eu gosto de vôlei. A Renata, de futebol.

Note que o verbo “gostar” foi omitido, mas já havia sido citado anteriormente. Quando há zeugma, os sinais de pontuação (neste caso, a vírgula) marcam a omissão do termo.

Disponível em:<www.portugues.com.br . Acesso em: 20 fev. 2021.
A propósito da tipologia textual, é correto afirmar que os textos I e II são, respectivamente,
Alternativas
Q3044594 Português
TEXTO I


Conversa telefônica

Clarice Lispector

Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.

Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.

Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.

Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.

Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.

A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”


Disponível em: http://www.revistaprosaversoearte.com/. Acesso em: 20 fev. 2021.



TEXTO II

O que é elipse?

A elipse é uma figura de linguagem caracterizada pela omissão de um termo no enunciado; porém, esse termo pode ser subentendido pelo contexto. Por isso, embora o elemento esteja omitido, o contexto nos ajuda a perceber qual elemento é esse. Observe os exemplos a seguir:

• Ele fez isso e eu: “Você está louco? ”

• Chove muito e não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa sábado.

• Casa de ferreiro, espeto de pau.

• Lúcio andava hesitante, braços cruzados.


Entre as palavras destacadas, há um elemento omitido que foi subentendido pelo contexto: um verbo, o sujeito da oração ou uma preposição. O contexto ajuda de tal forma que a omissão pode passar despercebida.

• Ele fez isso e eu [perguntei]: “Você está louco? ”

• Chove muito e [nós] não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa [no] sábado.

• [Em] casa de ferreiro, [o] espeto [é] de pau.

• Lúcio andava hesitante, [com os] braços cruzados.


O nome elipse vem do grego eleípsis, que significa “omissão”, “falta”, “insuficiência”. Assim, a elipse é classificada como uma figura de construção ou figura de sintaxe, já que se trata da omissão de um termo no enunciado.


Elipse e zeugma

Não se deve confundir elipse e zeugma, duas figuras de linguagem caracterizadas pela omissão de termos linguísticos, mas com detalhes diferentes.

No caso da elipse, o termo omitido é depreendido pelo contexto, ou seja, não aparece em nenhum momento no enunciado, mas fica subentendido pelo contexto.

Quando ocorre zeugma, o termo omitido já apareceu antes no enunciado e, para evitar a repetição, omite-se tal elemento, criando uma equivalência semântica. Percebemos qual é o termo omitido porque a estrutura tende a ser a mesma da anterior. Isso ocorre para dar maior fluidez ao discurso.

Eu gosto de vôlei. A Renata, de futebol.

Note que o verbo “gostar” foi omitido, mas já havia sido citado anteriormente. Quando há zeugma, os sinais de pontuação (neste caso, a vírgula) marcam a omissão do termo.

Disponível em:<www.portugues.com.br . Acesso em: 20 fev. 2021.
Assinale a alternativa em que um trecho do texto I contém a omissão de duas palavras. 
Alternativas
Q3044592 Português
TEXTO I


Conversa telefônica

Clarice Lispector

Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.

Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.

Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.

Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.

Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.

A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”


Disponível em: http://www.revistaprosaversoearte.com/. Acesso em: 20 fev. 2021.



TEXTO II

O que é elipse?

A elipse é uma figura de linguagem caracterizada pela omissão de um termo no enunciado; porém, esse termo pode ser subentendido pelo contexto. Por isso, embora o elemento esteja omitido, o contexto nos ajuda a perceber qual elemento é esse. Observe os exemplos a seguir:

• Ele fez isso e eu: “Você está louco? ”

• Chove muito e não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa sábado.

• Casa de ferreiro, espeto de pau.

• Lúcio andava hesitante, braços cruzados.


Entre as palavras destacadas, há um elemento omitido que foi subentendido pelo contexto: um verbo, o sujeito da oração ou uma preposição. O contexto ajuda de tal forma que a omissão pode passar despercebida.

• Ele fez isso e eu [perguntei]: “Você está louco? ”

• Chove muito e [nós] não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa [no] sábado.

• [Em] casa de ferreiro, [o] espeto [é] de pau.

• Lúcio andava hesitante, [com os] braços cruzados.


O nome elipse vem do grego eleípsis, que significa “omissão”, “falta”, “insuficiência”. Assim, a elipse é classificada como uma figura de construção ou figura de sintaxe, já que se trata da omissão de um termo no enunciado.


Elipse e zeugma

Não se deve confundir elipse e zeugma, duas figuras de linguagem caracterizadas pela omissão de termos linguísticos, mas com detalhes diferentes.

No caso da elipse, o termo omitido é depreendido pelo contexto, ou seja, não aparece em nenhum momento no enunciado, mas fica subentendido pelo contexto.

Quando ocorre zeugma, o termo omitido já apareceu antes no enunciado e, para evitar a repetição, omite-se tal elemento, criando uma equivalência semântica. Percebemos qual é o termo omitido porque a estrutura tende a ser a mesma da anterior. Isso ocorre para dar maior fluidez ao discurso.

Eu gosto de vôlei. A Renata, de futebol.

Note que o verbo “gostar” foi omitido, mas já havia sido citado anteriormente. Quando há zeugma, os sinais de pontuação (neste caso, a vírgula) marcam a omissão do termo.

Disponível em:<www.portugues.com.br . Acesso em: 20 fev. 2021.
A narradora se sente desamparada ao escrever, porque a escrita
Alternativas
Q3044591 Português
TEXTO I


Conversa telefônica

Clarice Lispector

Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.

Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.

Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.

Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.

Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.

A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”


Disponível em: http://www.revistaprosaversoearte.com/. Acesso em: 20 fev. 2021.



TEXTO II

O que é elipse?

A elipse é uma figura de linguagem caracterizada pela omissão de um termo no enunciado; porém, esse termo pode ser subentendido pelo contexto. Por isso, embora o elemento esteja omitido, o contexto nos ajuda a perceber qual elemento é esse. Observe os exemplos a seguir:

• Ele fez isso e eu: “Você está louco? ”

• Chove muito e não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa sábado.

• Casa de ferreiro, espeto de pau.

• Lúcio andava hesitante, braços cruzados.


Entre as palavras destacadas, há um elemento omitido que foi subentendido pelo contexto: um verbo, o sujeito da oração ou uma preposição. O contexto ajuda de tal forma que a omissão pode passar despercebida.

• Ele fez isso e eu [perguntei]: “Você está louco? ”

• Chove muito e [nós] não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa [no] sábado.

• [Em] casa de ferreiro, [o] espeto [é] de pau.

• Lúcio andava hesitante, [com os] braços cruzados.


O nome elipse vem do grego eleípsis, que significa “omissão”, “falta”, “insuficiência”. Assim, a elipse é classificada como uma figura de construção ou figura de sintaxe, já que se trata da omissão de um termo no enunciado.


Elipse e zeugma

Não se deve confundir elipse e zeugma, duas figuras de linguagem caracterizadas pela omissão de termos linguísticos, mas com detalhes diferentes.

No caso da elipse, o termo omitido é depreendido pelo contexto, ou seja, não aparece em nenhum momento no enunciado, mas fica subentendido pelo contexto.

Quando ocorre zeugma, o termo omitido já apareceu antes no enunciado e, para evitar a repetição, omite-se tal elemento, criando uma equivalência semântica. Percebemos qual é o termo omitido porque a estrutura tende a ser a mesma da anterior. Isso ocorre para dar maior fluidez ao discurso.

Eu gosto de vôlei. A Renata, de futebol.

Note que o verbo “gostar” foi omitido, mas já havia sido citado anteriormente. Quando há zeugma, os sinais de pontuação (neste caso, a vírgula) marcam a omissão do termo.

Disponível em:<www.portugues.com.br . Acesso em: 20 fev. 2021.
Releia o seguinte trecho:
“Sinto até uma certa coragem de fazê-lo.”
O pronome destacado retoma, no texto, a ideia de
Alternativas
Q3044590 Português
TEXTO I


Conversa telefônica

Clarice Lispector

Uma grande amiga minha se deu ao trabalho de ir anotando numa folha de papel o que eu lhe dizia numa conversa telefônica.

Deu-me depois a folha e eu me estranhei, reconhecendo-me ao mesmo tempo. Estava escrito: “Eu às vezes tenho a sensação de que estou procurando às cegas uma coisa; eu quero continuar, eu me sinto obrigada a continuar.

Sinto até uma certa coragem de fazê-lo. O meu temor é de que seja tudo muito novo para mim, que eu talvez possa encontrar o que não quero.

Essa coragem eu teria, mas o preço é muito alto, o preço é muito caro, e eu estou cansada. Sempre paguei e de repente não quero mais. Sinto que tenho que ir para um lado ou para outro. Ou para uma desistência: levar uma vida mais humilde de espírito, ou então não sei em que ramo a desistência, não sei em que lugar encontrar a tarefa, a doçura, a coisa.

Estou viciada em viver nessa extrema intensidade.

A hora de escrever é o reflexo de uma situação toda minha. É quando sinto o maior desamparo.”


Disponível em: http://www.revistaprosaversoearte.com/. Acesso em: 20 fev. 2021.



TEXTO II

O que é elipse?

A elipse é uma figura de linguagem caracterizada pela omissão de um termo no enunciado; porém, esse termo pode ser subentendido pelo contexto. Por isso, embora o elemento esteja omitido, o contexto nos ajuda a perceber qual elemento é esse. Observe os exemplos a seguir:

• Ele fez isso e eu: “Você está louco? ”

• Chove muito e não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa sábado.

• Casa de ferreiro, espeto de pau.

• Lúcio andava hesitante, braços cruzados.


Entre as palavras destacadas, há um elemento omitido que foi subentendido pelo contexto: um verbo, o sujeito da oração ou uma preposição. O contexto ajuda de tal forma que a omissão pode passar despercebida.

• Ele fez isso e eu [perguntei]: “Você está louco? ”

• Chove muito e [nós] não podemos sair de casa agora.

• Iremos à festa [no] sábado.

• [Em] casa de ferreiro, [o] espeto [é] de pau.

• Lúcio andava hesitante, [com os] braços cruzados.


O nome elipse vem do grego eleípsis, que significa “omissão”, “falta”, “insuficiência”. Assim, a elipse é classificada como uma figura de construção ou figura de sintaxe, já que se trata da omissão de um termo no enunciado.


Elipse e zeugma

Não se deve confundir elipse e zeugma, duas figuras de linguagem caracterizadas pela omissão de termos linguísticos, mas com detalhes diferentes.

No caso da elipse, o termo omitido é depreendido pelo contexto, ou seja, não aparece em nenhum momento no enunciado, mas fica subentendido pelo contexto.

Quando ocorre zeugma, o termo omitido já apareceu antes no enunciado e, para evitar a repetição, omite-se tal elemento, criando uma equivalência semântica. Percebemos qual é o termo omitido porque a estrutura tende a ser a mesma da anterior. Isso ocorre para dar maior fluidez ao discurso.

Eu gosto de vôlei. A Renata, de futebol.

Note que o verbo “gostar” foi omitido, mas já havia sido citado anteriormente. Quando há zeugma, os sinais de pontuação (neste caso, a vírgula) marcam a omissão do termo.

Disponível em:<www.portugues.com.br . Acesso em: 20 fev. 2021.
A conversa telefônica a que o texto faz referência aborda, principalmente,
Alternativas
Q2812441 Português

Leia o texto com atenção e responda as questões de 1 a 11.


Candeeiro familiar


Nas noites de minha meninice

existe um grande candeeiro amigo,

que sobre a vasta mesa de jantar

ilumina o meu serão antigo.

As doces sombras dos meus se projetavam

na parede branquinha do salão.

O primeiro cinema que eu conheci

foram essas sombras de carvão.

À procura do velho candeeiro

vinham asas da mata se queimar;

vinham de longe insetos viageiros,

borboletas de forma singular.

O candeeiro era a lanterna mágica,

que me fazia na parede branca

o homem grande que eu queria ser

e de que sou uma sombra, apenas uma sombra.

A ventania às vezes surpreendia

as janelas abertas do meu lar,

e então as doces sombras se moviam,

trêmulas, trêmulas a bailar.

Quem é lá? perguntavam.

- É a ventania que lá forte está.

E com o vento, como que entravam,

e se espalhavam pelos vãos da sala,

a mãe-preta, o pai joão, toda a senzala,

todas as sombras que não vivem mais.

Jorge de Lima

O poeta revela sua irrealização na vida em qual estrofe?

Alternativas
Q2811835 Português

Leia o texto com atenção e responda as questões de 1 a 11.


Candeeiro familiar


Nas noites de minha meninice

existe um grande candeeiro amigo,

que sobre a vasta mesa de jantar

ilumina o meu serão antigo.

As doces sombras dos meus se projetavam

na parede branquinha do salão.

O primeiro cinema que eu conheci

foram essas sombras de carvão.

À procura do velho candeeiro

vinham asas da mata se queimar;

vinham de longe insetos viageiros,

borboletas de forma singular.

O candeeiro era a lanterna mágica,

que me fazia na parede branca

o homem grande que eu queria ser

e de que sou uma sombra, apenas uma sombra.

A ventania às vezes surpreendia

as janelas abertas do meu lar,

e então as doces sombras se moviam,

trêmulas, trêmulas a bailar.

Quem é lá? perguntavam.

- É a ventania que lá forte está.

E com o vento, como que entravam,

e se espalhavam pelos vãos da sala,

a mãe-preta, o pai joão, toda a senzala,

todas as sombras que não vivem mais.

Jorge de Lima

[...] branquinha, no texto, dá a ideia de

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Q2684093 Português

Leia o texto abaixo para responder as questões 31, 32, 33, 34 e 35


Proibições de fala e cultura do cancelamento ameaçam a democracia.

Alexander Görlach


Enquanto uns gritam "fake news!", o outro lado responde "cancelando" o adversário. Em clima de populismo, intolerância e demagogia, as regras do discurso entram em colapso. Mas há uma solução, opina Alexander Görlach.


Sejam liberais versus republicanos nos Estados Unidos, pró-Brexit versus anti-Brexit no Reino Unido: quando, apesar de todos os esforços, não é possível evitar um confronto, a coisa lembra um encontro imediato de terceiro grau. Um lado acusa o outro de disseminar fake news, ao que este responde "cancelando" seus atacantes.

[...]

Em 2015, o Nobel de Medicina inglês Tim Hunt teve um gostinho disso, depois de meter os pés pelas mãos com um comentário. Numa conferência, ele afirmou que as (mulheres) cientistas "se apaixonam por você, e quando você as critica, elas choram". Foram inúteis todas as suas desculpas por essa declaração imbecil, ele teve que devolver diversas distinções e perdeu o título ‘professor honorário’. Bastou um lapso para Hunt e o conjunto de sua obra serem "cancelados".

Um estudo de 2018 mostrou que os membros da ala republicana estavam cansados das proibições de fala que sentiam ser-lhes impostas, as percebiam como ataque à própria identidade e não estavam mais dispostos a aceitá-las. No espectro esquerdista, liberal, os consultados admitiram não dar mais conta de aprender e empregar todos os novos termos politicamente corretos com que seus colegas apareciam a cada dia.

Recentemente, intelectuais de prestígio mundial, como os autores Salman Rushdie, Margaret Atwood e J.K. Rowling, ou o linguista Noam Chomsky, assinaram uma carta aberta criticando duramente a ala liberal e seu gosto de "cancelar".

[...]

Uma sociedade em que proibições de fala abrangentes dominam, e o medo governa as línguas, acabará deixando de ser uma democracia. Mas, como reencontrar o caminho do debate construtivo nos EUA, Reino Unido, Alemanha e outros?

Em primeiro lugar, é preciso definir novamente o que são fatos. Desde a Antiguidade Clássica, distinguimos opinião, de episteme, conhecimento. Fatos, a base do saber, geram opiniões diversas. Uma opinião, contudo, não leva a conhecimento fundamentado.

Por outro lado, fatos empíricos, sozinhos, não resolvem problemas. Toda pesquisa de ciências sociais, por maior que seja a precisão metodológica ao realizá-la, termina com a pergunta: o que significam os dados assim compilados?

Aqui sempre houve diferentes abordagens e pontos de vista - e é preciso que haja. Para reconhecê-los, é preciso a autoavaliação saudável - nossos ancestrais chamavam isso "humildade" - de que nunca se pode saber tudo, e que por isso é também preciso escutar opiniões alheias.

Discurso é a mediação entre as diferentes interpretações possíveis dos fatos. E como fatos não são opinião, essas possibilidades têm limites. Quem se move além desses limites não está mais jogando segundo as regras do discurso. É certo que cada um tem direito à própria opinião, mas isso não implica que toda opinião assim expressa seja automaticamente verdadeira.

Quem valida a verdade de uma opinião não é quem a expressa, mas sim o poder lógico e verbal com que os fatos são apresentados, interpretados e avaliados.


[Adaptado] GÖRLACH, A. Proibições de fala e cultura do cancelamento ameaçam a democracia. Uol Opinião. 27 jul 2020, 13h47. Disponível em: <https://www.uol.com.br/tilt/ultimas-noticias/deutschewelle/2020/07/27/opiniao-proibicoes-de-fala-e-cultura-do-cancelamento-ameacam-a-democracia.htm?cmpid>. Acesso em: 15 ago. 2020.

A menção dos autores “Salman Rushdie, Margaret Atwood e J.K. Rowling, ou o linguista Noam Chomsky” no quarto parágrafo é um recurso argumentativo de uso de:

Alternativas
Q2684092 Português

Leia o texto abaixo para responder as questões 31, 32, 33, 34 e 35


Proibições de fala e cultura do cancelamento ameaçam a democracia.

Alexander Görlach


Enquanto uns gritam "fake news!", o outro lado responde "cancelando" o adversário. Em clima de populismo, intolerância e demagogia, as regras do discurso entram em colapso. Mas há uma solução, opina Alexander Görlach.


Sejam liberais versus republicanos nos Estados Unidos, pró-Brexit versus anti-Brexit no Reino Unido: quando, apesar de todos os esforços, não é possível evitar um confronto, a coisa lembra um encontro imediato de terceiro grau. Um lado acusa o outro de disseminar fake news, ao que este responde "cancelando" seus atacantes.

[...]

Em 2015, o Nobel de Medicina inglês Tim Hunt teve um gostinho disso, depois de meter os pés pelas mãos com um comentário. Numa conferência, ele afirmou que as (mulheres) cientistas "se apaixonam por você, e quando você as critica, elas choram". Foram inúteis todas as suas desculpas por essa declaração imbecil, ele teve que devolver diversas distinções e perdeu o título ‘professor honorário’. Bastou um lapso para Hunt e o conjunto de sua obra serem "cancelados".

Um estudo de 2018 mostrou que os membros da ala republicana estavam cansados das proibições de fala que sentiam ser-lhes impostas, as percebiam como ataque à própria identidade e não estavam mais dispostos a aceitá-las. No espectro esquerdista, liberal, os consultados admitiram não dar mais conta de aprender e empregar todos os novos termos politicamente corretos com que seus colegas apareciam a cada dia.

Recentemente, intelectuais de prestígio mundial, como os autores Salman Rushdie, Margaret Atwood e J.K. Rowling, ou o linguista Noam Chomsky, assinaram uma carta aberta criticando duramente a ala liberal e seu gosto de "cancelar".

[...]

Uma sociedade em que proibições de fala abrangentes dominam, e o medo governa as línguas, acabará deixando de ser uma democracia. Mas, como reencontrar o caminho do debate construtivo nos EUA, Reino Unido, Alemanha e outros?

Em primeiro lugar, é preciso definir novamente o que são fatos. Desde a Antiguidade Clássica, distinguimos opinião, de episteme, conhecimento. Fatos, a base do saber, geram opiniões diversas. Uma opinião, contudo, não leva a conhecimento fundamentado.

Por outro lado, fatos empíricos, sozinhos, não resolvem problemas. Toda pesquisa de ciências sociais, por maior que seja a precisão metodológica ao realizá-la, termina com a pergunta: o que significam os dados assim compilados?

Aqui sempre houve diferentes abordagens e pontos de vista - e é preciso que haja. Para reconhecê-los, é preciso a autoavaliação saudável - nossos ancestrais chamavam isso "humildade" - de que nunca se pode saber tudo, e que por isso é também preciso escutar opiniões alheias.

Discurso é a mediação entre as diferentes interpretações possíveis dos fatos. E como fatos não são opinião, essas possibilidades têm limites. Quem se move além desses limites não está mais jogando segundo as regras do discurso. É certo que cada um tem direito à própria opinião, mas isso não implica que toda opinião assim expressa seja automaticamente verdadeira.

Quem valida a verdade de uma opinião não é quem a expressa, mas sim o poder lógico e verbal com que os fatos são apresentados, interpretados e avaliados.


[Adaptado] GÖRLACH, A. Proibições de fala e cultura do cancelamento ameaçam a democracia. Uol Opinião. 27 jul 2020, 13h47. Disponível em: <https://www.uol.com.br/tilt/ultimas-noticias/deutschewelle/2020/07/27/opiniao-proibicoes-de-fala-e-cultura-do-cancelamento-ameacam-a-democracia.htm?cmpid>. Acesso em: 15 ago. 2020.

De acordo com a discussão proposta no texto, a ênfase dada aos termos cancelando, cancelados e cancelar denota efeitos sobre o uso da linguagem que pode ser definido na seguinte formulação:

Alternativas
Respostas
43021: B
43022: E
43023: C
43024: B
43025: B
43026: C
43027: D
43028: C
43029: C
43030: D
43031: A
43032: B
43033: C
43034: D
43035: A
43036: C
43037: D
43038: B
43039: D
43040: A