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Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 93.575 questões

Q1915991 Português
Por que a Lua é importante para a Terra?   

           Durante séculos, o homem vem estudando a Lua e tentando descobrir como ela se formou e como passou a orbitar a Terra. O que se sabe, no entanto, é que nosso satélite natural é essencial para que haja vida por aqui. 
           A força da gravidade que a Lua exerce sobre a Terra e que a Terra exerce sobre a Lua causa uma espécie de cabo de guerra – chamado de puxão ___________. Isso faz com que grandes massas de água, como os oceanos, se movam dependendo da posição da Lua em relação à Terra. 
            Essa movimentação também acontece no material que existe no interior da Terra. Ao se mover, ele se torna muito aquecido, derretendo o silicato presente ali e formando o manto e o magma. Isso faz com que o planeta se mantenha vivo, em constante movimento. 
            A gravidade também estabiliza o movimento de rotação do nosso planeta, evitando mudanças em seu eixo. E é graças a esse eixo de rotação que, durante o ano, há uma alternância dos ____________ que se voltam para o Sol. É também por isso que existem as quatro estações do ano, que mantêm as zonas climáticas em equilíbrio. Tudo isso é essencial para que os seres vivos tenham condições de se desenvolver. 
            A  Lua também funciona como um escudo para a Terra, protegendo nosso planeta de grandes asteroides ou cometas.
(Fonte: Recreio - adaptado.)
Em conformidade com o texto, assinalar a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1915842 Português
EZRA POUND (1885 – 1972)

Em 1945, depois de quatro décadas como um incansável polemista, mesmo sem conquistar a influência pública que desejava, Ezra Pound viu sua vida atropelada pela polêmica pública. Quando o esforço de guerra italiano fracassou, Pound foi trancafiado em uma gaiola ao ar livre em uma base militar americana nos arredores de Pisa e acusado de traição pelas transmissões de rádio pró-fascistas e antissemitas feitas em Roma, atacando abertamente a participação dos Estados Unidos na guerra. Julgado em Washington D.C., Pound escapou da pena de morte apenas por ter impetrado um recurso alegando insanidade. Foi mantido no Saint Elizabeth’s Hospital, manicômio judiciário, pelos 12 anos seguintes. Apesar de tudo, Pound conseguiu criar alguns de seus melhores poemas nesse período. The Pisan Cantos, publicado em 1948, foi saudado por muitos como sua melhor obra até então e laureado com o prestigioso Prêmio Bollingen, apesar de protestos públicos contra a escolha.
Pound trabalhava em Os Cantos, épico modernista, pelo menos desde 1917 e continuaria o esforço pelo resto da vida. Definia a obra épica como um “poema que inclui história”. Em Os Cantos, Pound faz uma tentativa de reorganizar a história humana de acordo com sua galeria pessoal de heróis exemplares e teorias econômicas.
O poema inclui, entre outras coisas, perfis de Odisseu, Confúcio, do presidente americano John Adams e do mercenário italiano Sigismondo Malatesta, entre a condenação da usura e a remessa dos politicamente perversos para um inferno digno de Dante. Depois de 800 páginas, a maratona sucumbe ao peso de sua vasta ambição: “Não sou um semideus / Não consigo fazer sentido”, admite Poud. O que permanece tem a grandeza de um palácio arruinado, com detalhes luminosos sobre as trevas.

(501Grandes Escritores. São Paulo: Sextante, 2009, p. 297). 
Na última parte do texto, o autor utiliza a palavra “mercenário”. Assinale a alternativa que NÃO apresenta um sinônimo para tal palavra: 
Alternativas
Q1915841 Português
EZRA POUND (1885 – 1972)

Em 1945, depois de quatro décadas como um incansável polemista, mesmo sem conquistar a influência pública que desejava, Ezra Pound viu sua vida atropelada pela polêmica pública. Quando o esforço de guerra italiano fracassou, Pound foi trancafiado em uma gaiola ao ar livre em uma base militar americana nos arredores de Pisa e acusado de traição pelas transmissões de rádio pró-fascistas e antissemitas feitas em Roma, atacando abertamente a participação dos Estados Unidos na guerra. Julgado em Washington D.C., Pound escapou da pena de morte apenas por ter impetrado um recurso alegando insanidade. Foi mantido no Saint Elizabeth’s Hospital, manicômio judiciário, pelos 12 anos seguintes. Apesar de tudo, Pound conseguiu criar alguns de seus melhores poemas nesse período. The Pisan Cantos, publicado em 1948, foi saudado por muitos como sua melhor obra até então e laureado com o prestigioso Prêmio Bollingen, apesar de protestos públicos contra a escolha.
Pound trabalhava em Os Cantos, épico modernista, pelo menos desde 1917 e continuaria o esforço pelo resto da vida. Definia a obra épica como um “poema que inclui história”. Em Os Cantos, Pound faz uma tentativa de reorganizar a história humana de acordo com sua galeria pessoal de heróis exemplares e teorias econômicas.
O poema inclui, entre outras coisas, perfis de Odisseu, Confúcio, do presidente americano John Adams e do mercenário italiano Sigismondo Malatesta, entre a condenação da usura e a remessa dos politicamente perversos para um inferno digno de Dante. Depois de 800 páginas, a maratona sucumbe ao peso de sua vasta ambição: “Não sou um semideus / Não consigo fazer sentido”, admite Poud. O que permanece tem a grandeza de um palácio arruinado, com detalhes luminosos sobre as trevas.

(501Grandes Escritores. São Paulo: Sextante, 2009, p. 297). 
Ainda de acordo com o autor do texto, julgue os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:
I – Pound concluiu todos os seus trabalhos.
II – Pound escreveu inúmeras peças de teatro.
III – Pound era o principal radialista da cidade de Roma na década de 1950. 
Alternativas
Q1915840 Português
EZRA POUND (1885 – 1972)

Em 1945, depois de quatro décadas como um incansável polemista, mesmo sem conquistar a influência pública que desejava, Ezra Pound viu sua vida atropelada pela polêmica pública. Quando o esforço de guerra italiano fracassou, Pound foi trancafiado em uma gaiola ao ar livre em uma base militar americana nos arredores de Pisa e acusado de traição pelas transmissões de rádio pró-fascistas e antissemitas feitas em Roma, atacando abertamente a participação dos Estados Unidos na guerra. Julgado em Washington D.C., Pound escapou da pena de morte apenas por ter impetrado um recurso alegando insanidade. Foi mantido no Saint Elizabeth’s Hospital, manicômio judiciário, pelos 12 anos seguintes. Apesar de tudo, Pound conseguiu criar alguns de seus melhores poemas nesse período. The Pisan Cantos, publicado em 1948, foi saudado por muitos como sua melhor obra até então e laureado com o prestigioso Prêmio Bollingen, apesar de protestos públicos contra a escolha.
Pound trabalhava em Os Cantos, épico modernista, pelo menos desde 1917 e continuaria o esforço pelo resto da vida. Definia a obra épica como um “poema que inclui história”. Em Os Cantos, Pound faz uma tentativa de reorganizar a história humana de acordo com sua galeria pessoal de heróis exemplares e teorias econômicas.
O poema inclui, entre outras coisas, perfis de Odisseu, Confúcio, do presidente americano John Adams e do mercenário italiano Sigismondo Malatesta, entre a condenação da usura e a remessa dos politicamente perversos para um inferno digno de Dante. Depois de 800 páginas, a maratona sucumbe ao peso de sua vasta ambição: “Não sou um semideus / Não consigo fazer sentido”, admite Poud. O que permanece tem a grandeza de um palácio arruinado, com detalhes luminosos sobre as trevas.

(501Grandes Escritores. São Paulo: Sextante, 2009, p. 297). 
De acordo com o autor do texto, julgue os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:
I – Pound viveu a maior parte de sua vida no século XX.
II – Pound era comprovadamente insano mental.
III – Pound apoiou Adolph Hitler. 
Alternativas
Q1915749 Português


Texto II 

Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: https://www.maisbolsas.com.br/enem/lingua-portuguesa/estrangeirismo-e-emprestimo-linguistico



No último quadrinho do texto II, Mafalda lança uma pergunta, a qual garante a produção de humor na tira. Essa construção humorística está no fato de Mafalda:

Alternativas
Q1915704 Português

Texto 01 - Amor, estranho amor


    Saí atrasado do apartamento e, como na maioria das vezes¸ o elevador estava preso no 5º andar. Ainda dava para ouvir a ______ (I-discussãodiscursão) entre Sr. João e D. Marta: 
    D. Marta- “Vai embora, já vai tarde!!!”
    Sr. João- “Vou, e vou levar a televisão!”
   Desta vez a briga era por causa da televisão, ‘novela x futebol’; ontem foi por causa do freezer, ‘comida x cerveja’; e o casamento se arrastando por décadas.
    Por fim, o elevador chegou. Sr. João estava irritado e nem me (II- ______ cumprimentou/ comprimentou)!       
    Fiquei calado. O elevador foi tomado por um silêncio oprimindo os espelhos... e o térreo que não chegava!!! 
    Por fim, descemos, entrei no carro e fui trabalhar. 
    Mais à noite, parei no saguão para tomar um café, esquentar aquele frio de agosto. Já no elevador, encontrei com o Sr. João, voltando, sorridente e meio sem graça. Não compreendi nada, eis que vi, em uma das redes sociais, a foto do casal. Era a marca congelada a ______ (III-selar/celar) aquele amor invisível, amor estranho que se esvai na memória do tempo. 
    O casal completava bodas de ouro naquele dia.

(Texto produzido especificamente para este concurso)
Observe esse fragmento do texto: “amor estranho que se ‘esvai’ na memória do tempo.” A palavra em destaque pode ser substituída, sem perder o sentido, por: 
Alternativas
Q1915701 Português

Texto 01 - Amor, estranho amor


    Saí atrasado do apartamento e, como na maioria das vezes¸ o elevador estava preso no 5º andar. Ainda dava para ouvir a ______ (I-discussãodiscursão) entre Sr. João e D. Marta: 
    D. Marta- “Vai embora, já vai tarde!!!”
    Sr. João- “Vou, e vou levar a televisão!”
   Desta vez a briga era por causa da televisão, ‘novela x futebol’; ontem foi por causa do freezer, ‘comida x cerveja’; e o casamento se arrastando por décadas.
    Por fim, o elevador chegou. Sr. João estava irritado e nem me (II- ______ cumprimentou/ comprimentou)!       
    Fiquei calado. O elevador foi tomado por um silêncio oprimindo os espelhos... e o térreo que não chegava!!! 
    Por fim, descemos, entrei no carro e fui trabalhar. 
    Mais à noite, parei no saguão para tomar um café, esquentar aquele frio de agosto. Já no elevador, encontrei com o Sr. João, voltando, sorridente e meio sem graça. Não compreendi nada, eis que vi, em uma das redes sociais, a foto do casal. Era a marca congelada a ______ (III-selar/celar) aquele amor invisível, amor estranho que se esvai na memória do tempo. 
    O casal completava bodas de ouro naquele dia.

(Texto produzido especificamente para este concurso)
Sobre o texto 01, assinale a alternativa correta em relação à sua compreensão e interpretação.
Alternativas
Q1915525 Português

Perguntas de criança…


        Há muita sabedoria pedagógica nos ditos populares. Como naquele que diz: “É fácil levar a égua até o meio do ribeirão. O difícil é convencer ela a beber a água…” De fato: se a égua não estiver com sede ela não beberá água por mais que o seu dono a surre... Mas, se estiver com sede, ela, por vontade própria, tomará a iniciativa de ir até o ribeirão. Aplicado à educação: “É fácil obrigar o aluno a ir à escola. O difícil é convencê-lo a aprender aquilo que ele não quer aprender…”

       Às vezes eu penso que o que as escolas fazem com as crianças é tentar forçá-las a beber a água que elas não querem beber. Brunno Bettelheim, um dos maiores educadores do século passado, dizia que na escola os professores tentaram ensinar-lhe coisas que eles queriam ensinar, mas que ele não queria aprender. Não aprendeu e, ainda por cima, ficou com raiva. Que as crianças querem aprender, disso não tenho a menor dúvida. Vocês devem ser lembrar do que escrevi, corrigindo a afirmação com que Aristóteles começa a sua “Metafísica”: “Todos os homens, enquanto crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer…”

       Mas, o que é que as crianças querem aprender? Pois, faz uns dias, recebi de uma professora, Edith Chacon Theodoro, uma carta digna de uma educadora e uma lista de perguntas anexada a ela, que seus alunos haviam feito, espontaneamente. “Por que o mundo gira em torno dele e do sol? Por que a vida é justa com poucos e tão injusta com muitos? Por que o céu é azul? Quem foi que inventou o Português? Como foi que os homens e as mulheres chegaram a descobrir as letras e as sílabas? Como a explosão do Big Bang foi originada? Será que existe inferno? Como pode ter alguém que não goste de planta? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Um cego sabe o que é uma cor? Se na Arca de Noé havia muitos animais selvagens, por que um não comeu o outro? Para onde vou depois de morrer? Por que eu adoro música e instrumentos musicais se ninguém na minha família toca nada? Por que sou nervoso? Por que há vento? Por que as pessoas boas morrem mais cedo? Por que a chuva cai em gotas e não tudo de uma vez?”

        José Pacheco é um educador português. Ele é o diretor (embora não aceite ser chamado de diretor, por razões que um dia vou explicar…) da Escola da Ponte, localizada na pequena cidade de Vila das Aves, ao norte de Portugal. É uma das escolas mais inteligentes que já visitei. Ela é inteligente porque leva muito mais a sério as perguntas que as crianças fazem do que as respostas que os programas querem fazê-las aprender. Pois ele me contou que, em tempos idos, quando ainda trabalhava numa outra escola, provocou os alunos a que escrevessem numa folha de papel as perguntas que provocavam a sua curiosidade e ficavam rolando dentro das suas cabeças, sem resposta. O resultado foi parecido com o que transcrevi acima. Entusiasmado com a inteligência das crianças – pois é nas perguntas que a inteligência se revela – resolveu fazer experiência parecida com os professores. Pediu-lhes que colocassem numa folha de papel as perguntas que gostariam de fazer. O resultado foi surpreendente: os professores só fizeram perguntas relativas aos conteúdos dos seus programas. Os professores de geografia fizeram perguntas sobre acidentes geográficos, os professores de português fizeram perguntas sobre gramática, os professores de história fizeram perguntas sobre fatos históricos, os professores de matemática propuseram problemas de matemática a serem resolvidos, e assim por diante.

        O filósofo Ludwig Wittgenstein afirmou: “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. Minha versão popular: “as perguntas que fazemos revelam o ribeirão onde quero beber…” Leia de novo e vagarosamente as perguntas feitas pelos alunos. Você verá que elas revelam uma sede imensa de conhecimento! Os mundos das crianças são imensos! Sua sede não se mata bebendo a água de um mesmo ribeirão! Querem águas de rios, de lagos, de lagoas, de fontes, de minas, de chuva, de poças d’água… Já as perguntas dos professores revelam (Perdão pela palavra que vou usar! É só uma metáfora, para fazer ligação com o ditado popular!) éguas que perderam a curiosidade, felizes com as águas do ribeirão conhecido… Ribeirões diferentes as assustam, por medo de se afogarem… Perguntas falsas: os professores sabiam as respostas… Assim, elas nada revelavam do espanto que se tem quando se olha para o mundo com atenção. Eram apenas a repetição da mesma trilha batida que leva ao mesmo ribeirão…

        Eu sempre me preocupei muito com aquilo que as escolas fazem com as crianças. Agora estou me preocupando com aquilo que as escolas fazem com os professores. Os professores que fizeram as perguntas já foram crianças; quando crianças, suas perguntas eram outras, seu mundo era outro…Foi a instituição “escola” que lhes ensinou a maneira certa de beber água: cada um no seu ribeirão… Mas as instituições são criações humanas. Podem ser mudadas. E, se forem mudadas, os professores aprenderão o prazer de beber de águas de outros ribeirões e voltarão a fazer as perguntas que faziam quando eram crianças.

(Adaptado do texto “Perguntas de criança…” de Rubem Alves, Folha (sinapse) – terça-feira, 24 de setembro de 2002, p.29) 

Leia essa passagem do texto: ‘uma carta digna de uma educadora e uma lista de perguntas “anexada a ela”, que seus alunos haviam feito’, pode-se substituir a expressão entre aspas duplas por uma das alternativas, assinale-a.
Alternativas
Q1915522 Português

Perguntas de criança…


        Há muita sabedoria pedagógica nos ditos populares. Como naquele que diz: “É fácil levar a égua até o meio do ribeirão. O difícil é convencer ela a beber a água…” De fato: se a égua não estiver com sede ela não beberá água por mais que o seu dono a surre... Mas, se estiver com sede, ela, por vontade própria, tomará a iniciativa de ir até o ribeirão. Aplicado à educação: “É fácil obrigar o aluno a ir à escola. O difícil é convencê-lo a aprender aquilo que ele não quer aprender…”

       Às vezes eu penso que o que as escolas fazem com as crianças é tentar forçá-las a beber a água que elas não querem beber. Brunno Bettelheim, um dos maiores educadores do século passado, dizia que na escola os professores tentaram ensinar-lhe coisas que eles queriam ensinar, mas que ele não queria aprender. Não aprendeu e, ainda por cima, ficou com raiva. Que as crianças querem aprender, disso não tenho a menor dúvida. Vocês devem ser lembrar do que escrevi, corrigindo a afirmação com que Aristóteles começa a sua “Metafísica”: “Todos os homens, enquanto crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer…”

       Mas, o que é que as crianças querem aprender? Pois, faz uns dias, recebi de uma professora, Edith Chacon Theodoro, uma carta digna de uma educadora e uma lista de perguntas anexada a ela, que seus alunos haviam feito, espontaneamente. “Por que o mundo gira em torno dele e do sol? Por que a vida é justa com poucos e tão injusta com muitos? Por que o céu é azul? Quem foi que inventou o Português? Como foi que os homens e as mulheres chegaram a descobrir as letras e as sílabas? Como a explosão do Big Bang foi originada? Será que existe inferno? Como pode ter alguém que não goste de planta? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Um cego sabe o que é uma cor? Se na Arca de Noé havia muitos animais selvagens, por que um não comeu o outro? Para onde vou depois de morrer? Por que eu adoro música e instrumentos musicais se ninguém na minha família toca nada? Por que sou nervoso? Por que há vento? Por que as pessoas boas morrem mais cedo? Por que a chuva cai em gotas e não tudo de uma vez?”

        José Pacheco é um educador português. Ele é o diretor (embora não aceite ser chamado de diretor, por razões que um dia vou explicar…) da Escola da Ponte, localizada na pequena cidade de Vila das Aves, ao norte de Portugal. É uma das escolas mais inteligentes que já visitei. Ela é inteligente porque leva muito mais a sério as perguntas que as crianças fazem do que as respostas que os programas querem fazê-las aprender. Pois ele me contou que, em tempos idos, quando ainda trabalhava numa outra escola, provocou os alunos a que escrevessem numa folha de papel as perguntas que provocavam a sua curiosidade e ficavam rolando dentro das suas cabeças, sem resposta. O resultado foi parecido com o que transcrevi acima. Entusiasmado com a inteligência das crianças – pois é nas perguntas que a inteligência se revela – resolveu fazer experiência parecida com os professores. Pediu-lhes que colocassem numa folha de papel as perguntas que gostariam de fazer. O resultado foi surpreendente: os professores só fizeram perguntas relativas aos conteúdos dos seus programas. Os professores de geografia fizeram perguntas sobre acidentes geográficos, os professores de português fizeram perguntas sobre gramática, os professores de história fizeram perguntas sobre fatos históricos, os professores de matemática propuseram problemas de matemática a serem resolvidos, e assim por diante.

        O filósofo Ludwig Wittgenstein afirmou: “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. Minha versão popular: “as perguntas que fazemos revelam o ribeirão onde quero beber…” Leia de novo e vagarosamente as perguntas feitas pelos alunos. Você verá que elas revelam uma sede imensa de conhecimento! Os mundos das crianças são imensos! Sua sede não se mata bebendo a água de um mesmo ribeirão! Querem águas de rios, de lagos, de lagoas, de fontes, de minas, de chuva, de poças d’água… Já as perguntas dos professores revelam (Perdão pela palavra que vou usar! É só uma metáfora, para fazer ligação com o ditado popular!) éguas que perderam a curiosidade, felizes com as águas do ribeirão conhecido… Ribeirões diferentes as assustam, por medo de se afogarem… Perguntas falsas: os professores sabiam as respostas… Assim, elas nada revelavam do espanto que se tem quando se olha para o mundo com atenção. Eram apenas a repetição da mesma trilha batida que leva ao mesmo ribeirão…

        Eu sempre me preocupei muito com aquilo que as escolas fazem com as crianças. Agora estou me preocupando com aquilo que as escolas fazem com os professores. Os professores que fizeram as perguntas já foram crianças; quando crianças, suas perguntas eram outras, seu mundo era outro…Foi a instituição “escola” que lhes ensinou a maneira certa de beber água: cada um no seu ribeirão… Mas as instituições são criações humanas. Podem ser mudadas. E, se forem mudadas, os professores aprenderão o prazer de beber de águas de outros ribeirões e voltarão a fazer as perguntas que faziam quando eram crianças.

(Adaptado do texto “Perguntas de criança…” de Rubem Alves, Folha (sinapse) – terça-feira, 24 de setembro de 2002, p.29) 

Em princípio, a "interpretação de texto consiste em saber o que se infere (conclui-se) do que está escrito", assim sendo, analise as afirmativas que estejam congruentes com a interpretação do texto.


I. O texto informa que todos os homens, desde a infância, têm, por natureza, a curiosidade e o desejo de aprender.

II. O autor afirma que a carta da professora Edith Chacon Theodoro faz jus à carta de uma verdadeira educadora.

III. O autor expõe que a Escola da Ponte é inteligente, à medida que faz um paralelo entre as perguntas que as crianças elaboram e o conteúdo que elas têm que contemplar.


Estão corretas as afirmativas:

Alternativas
Q1915521 Português

Perguntas de criança…


        Há muita sabedoria pedagógica nos ditos populares. Como naquele que diz: “É fácil levar a égua até o meio do ribeirão. O difícil é convencer ela a beber a água…” De fato: se a égua não estiver com sede ela não beberá água por mais que o seu dono a surre... Mas, se estiver com sede, ela, por vontade própria, tomará a iniciativa de ir até o ribeirão. Aplicado à educação: “É fácil obrigar o aluno a ir à escola. O difícil é convencê-lo a aprender aquilo que ele não quer aprender…”

       Às vezes eu penso que o que as escolas fazem com as crianças é tentar forçá-las a beber a água que elas não querem beber. Brunno Bettelheim, um dos maiores educadores do século passado, dizia que na escola os professores tentaram ensinar-lhe coisas que eles queriam ensinar, mas que ele não queria aprender. Não aprendeu e, ainda por cima, ficou com raiva. Que as crianças querem aprender, disso não tenho a menor dúvida. Vocês devem ser lembrar do que escrevi, corrigindo a afirmação com que Aristóteles começa a sua “Metafísica”: “Todos os homens, enquanto crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer…”

       Mas, o que é que as crianças querem aprender? Pois, faz uns dias, recebi de uma professora, Edith Chacon Theodoro, uma carta digna de uma educadora e uma lista de perguntas anexada a ela, que seus alunos haviam feito, espontaneamente. “Por que o mundo gira em torno dele e do sol? Por que a vida é justa com poucos e tão injusta com muitos? Por que o céu é azul? Quem foi que inventou o Português? Como foi que os homens e as mulheres chegaram a descobrir as letras e as sílabas? Como a explosão do Big Bang foi originada? Será que existe inferno? Como pode ter alguém que não goste de planta? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Um cego sabe o que é uma cor? Se na Arca de Noé havia muitos animais selvagens, por que um não comeu o outro? Para onde vou depois de morrer? Por que eu adoro música e instrumentos musicais se ninguém na minha família toca nada? Por que sou nervoso? Por que há vento? Por que as pessoas boas morrem mais cedo? Por que a chuva cai em gotas e não tudo de uma vez?”

        José Pacheco é um educador português. Ele é o diretor (embora não aceite ser chamado de diretor, por razões que um dia vou explicar…) da Escola da Ponte, localizada na pequena cidade de Vila das Aves, ao norte de Portugal. É uma das escolas mais inteligentes que já visitei. Ela é inteligente porque leva muito mais a sério as perguntas que as crianças fazem do que as respostas que os programas querem fazê-las aprender. Pois ele me contou que, em tempos idos, quando ainda trabalhava numa outra escola, provocou os alunos a que escrevessem numa folha de papel as perguntas que provocavam a sua curiosidade e ficavam rolando dentro das suas cabeças, sem resposta. O resultado foi parecido com o que transcrevi acima. Entusiasmado com a inteligência das crianças – pois é nas perguntas que a inteligência se revela – resolveu fazer experiência parecida com os professores. Pediu-lhes que colocassem numa folha de papel as perguntas que gostariam de fazer. O resultado foi surpreendente: os professores só fizeram perguntas relativas aos conteúdos dos seus programas. Os professores de geografia fizeram perguntas sobre acidentes geográficos, os professores de português fizeram perguntas sobre gramática, os professores de história fizeram perguntas sobre fatos históricos, os professores de matemática propuseram problemas de matemática a serem resolvidos, e assim por diante.

        O filósofo Ludwig Wittgenstein afirmou: “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. Minha versão popular: “as perguntas que fazemos revelam o ribeirão onde quero beber…” Leia de novo e vagarosamente as perguntas feitas pelos alunos. Você verá que elas revelam uma sede imensa de conhecimento! Os mundos das crianças são imensos! Sua sede não se mata bebendo a água de um mesmo ribeirão! Querem águas de rios, de lagos, de lagoas, de fontes, de minas, de chuva, de poças d’água… Já as perguntas dos professores revelam (Perdão pela palavra que vou usar! É só uma metáfora, para fazer ligação com o ditado popular!) éguas que perderam a curiosidade, felizes com as águas do ribeirão conhecido… Ribeirões diferentes as assustam, por medo de se afogarem… Perguntas falsas: os professores sabiam as respostas… Assim, elas nada revelavam do espanto que se tem quando se olha para o mundo com atenção. Eram apenas a repetição da mesma trilha batida que leva ao mesmo ribeirão…

        Eu sempre me preocupei muito com aquilo que as escolas fazem com as crianças. Agora estou me preocupando com aquilo que as escolas fazem com os professores. Os professores que fizeram as perguntas já foram crianças; quando crianças, suas perguntas eram outras, seu mundo era outro…Foi a instituição “escola” que lhes ensinou a maneira certa de beber água: cada um no seu ribeirão… Mas as instituições são criações humanas. Podem ser mudadas. E, se forem mudadas, os professores aprenderão o prazer de beber de águas de outros ribeirões e voltarão a fazer as perguntas que faziam quando eram crianças.

(Adaptado do texto “Perguntas de criança…” de Rubem Alves, Folha (sinapse) – terça-feira, 24 de setembro de 2002, p.29) 

No fragmento do texto “os professores só fizeram perguntas relativas aos conteúdos dos seus programas”, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q1915377 Português

No que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto, julgue o item.


“só depois do resultado de avaliação física e exames radiológicos é que o médico terá condições de indicar um tratamento adequado para o caso” (linhas de 47 a 49): somente após o resultado de avaliação física e exames radiológicos, o médico terá condições de indicar tratamento adequado ao caso

Alternativas
Q1915375 Português

Considerando a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, julgue o item , que consistem em propostas de substituição para vocábulos e trechos destacados do texto.


“ocasionando a” (linha 43) por como consequência da

Alternativas
Q1915374 Português

Considerando a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, julgue o item , que consistem em propostas de substituição para vocábulos e trechos destacados do texto.


“no decorrer do tempo” (linha 42) por decorrido no tempo

Alternativas
Q1915373 Português

Considerando a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, julgue o item , que consistem em propostas de substituição para vocábulos e trechos destacados do texto.


“à dieta e aos exercícios físicos” (linhas 27 e 28) por a dieta e a exercícios físicos

Alternativas
Q1915371 Português

Considerando a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, julgue o item , que consistem em propostas de substituição para vocábulos e trechos destacados do texto.


“desencadeiam” (linha 9) por desencadeiem

Alternativas
Q1915370 Português

Considerando a correção gramatical e a coerência das ideias do texto, julgue o item , que consistem em propostas de substituição para vocábulos e trechos destacados do texto.


“endossados” (linha 5) por ratificados

Alternativas
Q1915361 Português

Julgue o item, relativo à tipologia e às ideias do texto. 


Conclui-se dos dados estatísticos apresentados no texto que mais da metade dos afastamentos do trabalho no Brasil são motivados por dor aguda ou crônica na região lombar.

Alternativas
Q1915236 Português

Leia a crônica abaixo e responda a questão


O pavão


Rubem Braga


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
Considerando que o texto acima é uma crônica e que cada gênero textual tem características e funções sociais próprias, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q1915235 Português

Leia a crônica abaixo e responda a questão


O pavão


Rubem Braga


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
Um escritor pode valer-se de vários recursos para garantir a expressividade em seu texto. Um dos recursos utilizados frequentemente são as f iguras de linguagem. No texto acima há o uso de várias figuras de linguagem. Leia as alternativas e assinale aquela em que há a figura chamada antítese: 
Alternativas
Q1915230 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão


Felicidade Clandestina

Clarice Lispector


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão--postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se f icar vivendo com ele, comendo-o, dormindo--o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
[...]
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa.[...]

E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. [...] Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
[...]
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
Sobre o texto acima, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Respostas
41781: A
41782: C
41783: E
41784: A
41785: C
41786: C
41787: D
41788: C
41789: C
41790: B
41791: C
41792: E
41793: E
41794: C
41795: C
41796: C
41797: E
41798: C
41799: C
41800: E