Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3864891 Português
Qual das opções abaixo apresenta o sentido figurado:
Alternativas
Q3864843 Português

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2



Falta de saneamento básico causa internação de mais de 300 mil cidadãos em 2024, diz estudo



Um estudo divulgado nesta quarta-feira, dia 19/11, comprovou o tamanho de um dos maiores desafios para o Brasil: a falta de saneamento básico causou a internação de mais de 300 mil cidadãos em 2024.

O caminho da água que abastece alguns moradores de Heliópolis é tortuoso. Começa em um gato e segue com emendas cruzando córregos, ziguezagueando por muros, subindo paredes. Já o que leva os dejetos para fora das casas é bem mais direto: do cano na parede do banheiro para dentro do córrego a cada descarga. Essa arquitetura do improviso ou da necessidade resolve um problema imediato dos moradores, mas vai espalhando pelo bairro um problema ainda maior: de saúde.

O levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que diarreias, verminoses, doenças de pele e as causadas pela proliferação de mosquitos, como dengue e Chikungunya, internaram 344 mil brasileiros só em 2024. A melhora do saneamento no Brasil se arrasta. Em 16 anos, no período de 2006 a 2022, o abastecimento de água tratada cresceu apenas 4,6 pontos percentuais. A coleta de esgoto avançou 1 ponto percentual por ano. O tratamento de esgoto nem isso: 14 pontos percentuais em 16 anos. E o Brasil chegou a 2025 com quase metade da população sem coleta ou tratamento de esgoto.



Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/03/19/falta-desaneamento-basico-causa-internacao-de-mais-de-300-mil-cidadaos-em-2024- diz-estudo.ghtml. Acesso em: 26 nov. 2025. [Adaptado]. 


A notícia descreve a infraestrutura improvisada usada por moradores de Heliópolis. Entre as consequências dessa situação mencionadas no texto, encontra-se 
Alternativas
Q3864842 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!



ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. In: ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 85.


A crônica apresenta ações e transformações relacionadas à flor retirada do jardim. No trecho “a flor empalidecia”, o verbo empregado expressa
Alternativas
Q3864841 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!



ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. In: ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 85.


O narrador menciona que a flor tinha uma “delicada composição”. Um sinônimo adequado para o termo “delicada” nesse contexto é
Alternativas
Q3864840 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!



ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. In: ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 85.


A crônica é um texto breve que apresenta acontecimentos do cotidiano com tom reflexivo. Na crônica de Carlos Drummond de Andrade, o narrador relata o que ocorre após retirar uma flor do jardim de um edifício. A ideia principal desse relato é
Alternativas
Q3864684 Português

Leia o Texto IV e responda a questão.



Texto IV



O QUE É UM RIO?  


Rio é um curso natural de água, geralmente doce, que flui sobre a superfície da terra, em direção a um corpo de água maior, como um oceano, mar, lago ou outro rio. Os rios são fundamentais para os ecossistemas e para as atividades humanas, fornecendo água potável, irrigação, transporte e energia hidrelétrica. 


Os rios nascem, quase sempre, em áreas elevadas, como montanhas, seguindo um curso em direção a áreas mais baixas. 


Além de sua função vital para a vida, os rios desempenham um papel crucial na modelagem da paisagem, no transporte de sedimentos e na manutenção do ciclo hidrológico. Essenciais para o ecossistema, além de fornecerem água para consumo humano, são habitats para diversas espécies de animais.


Existem rios perenes, que nunca secam, e rios intermitentes, que secam em determinadas épocas do ano, especialmente em áreas áridas.


Um rio pode ser dividido nestas em três partes: o curso superior (nascente), o curso médio (transporte de sedimentos) e o curso inferior (foz)


A área de drenagem de um rio, incluindo seus afluentes, é chamada de bacia hidrográfica.


Os rios são fontes de água doce para consumo humano e animal, bem como para atividades agrícolas e industriais.


A força da água dos rios pode ser aproveitada para gerar energia hidrelétrica.


Em muitas regiões, os rios são importantes vias de transporte para pessoas e mercadorias. 


Além disso, oferecem oportunidades para atividades de lazer, como pesca, natação e passeios de barco. Os rios têm um papel significativo na cultura e história de muitas comunidades, sendo, muitas vezes, considerados sagrados.


(Adaptado do site Brasil Escola)  

A comunicação especializada se realiza através de termos, e a inteligibilidade desses termos garante o bom fluxo da informação. A estrutura do texto especializado depende do seu autor, dos seus objetivos e da sua estratégia de comunicação, apresentando peculiaridades que podem aparecer na macroestrutura textual, na relação de coerência e coesão estabelecidas entre os elementos linguísticos do texto e na utilização de determinadas estruturas sintáticas, lexicais e morfológicas.


Essas peculiaridades são observadas na estrutura do histórico de um Boletim de Ocorrência (BO), EXCETO aquelas elencadas em:  

Alternativas
Q3864683 Português

Leia o Texto IV e responda a questão.



Texto IV



O QUE É UM RIO?  


Rio é um curso natural de água, geralmente doce, que flui sobre a superfície da terra, em direção a um corpo de água maior, como um oceano, mar, lago ou outro rio. Os rios são fundamentais para os ecossistemas e para as atividades humanas, fornecendo água potável, irrigação, transporte e energia hidrelétrica. 


Os rios nascem, quase sempre, em áreas elevadas, como montanhas, seguindo um curso em direção a áreas mais baixas. 


Além de sua função vital para a vida, os rios desempenham um papel crucial na modelagem da paisagem, no transporte de sedimentos e na manutenção do ciclo hidrológico. Essenciais para o ecossistema, além de fornecerem água para consumo humano, são habitats para diversas espécies de animais.


Existem rios perenes, que nunca secam, e rios intermitentes, que secam em determinadas épocas do ano, especialmente em áreas áridas.


Um rio pode ser dividido nestas em três partes: o curso superior (nascente), o curso médio (transporte de sedimentos) e o curso inferior (foz)


A área de drenagem de um rio, incluindo seus afluentes, é chamada de bacia hidrográfica.


Os rios são fontes de água doce para consumo humano e animal, bem como para atividades agrícolas e industriais.


A força da água dos rios pode ser aproveitada para gerar energia hidrelétrica.


Em muitas regiões, os rios são importantes vias de transporte para pessoas e mercadorias. 


Além disso, oferecem oportunidades para atividades de lazer, como pesca, natação e passeios de barco. Os rios têm um papel significativo na cultura e história de muitas comunidades, sendo, muitas vezes, considerados sagrados.


(Adaptado do site Brasil Escola)  

O Texto IV retoma o tema já tratado nos textos anteriores, entretanto, se diferencia dos demais por uma característica, que consiste em:  
Alternativas
Q3864682 Português

Leia o Texto III e responda a questão.



Texto III



O RIO DA MINHA ALDEIA  


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha

aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.  


O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,

A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.  


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem. 

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 


Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.  


Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa 

Nos versos “O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. /Quem está ao pé dele está só ao pé dele”, o eu lírico deseja alcançar a: 
Alternativas
Q3864680 Português

Leia o Texto III e responda a questão.



Texto III



O RIO DA MINHA ALDEIA  


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha

aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.  


O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,

A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.  


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem. 

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 


Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.  


Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa 

Após a leitura do Texto III, é legítimo estabelecer uma relação com os dois textos anteriores. Em cada situação, há a possibilidade de leituras alternativas da mesma realidade, o que nos leva a dizer que:  
Alternativas
Q3864679 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

Que figura de linguagem ocorre em: “E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa”? 
Alternativas
Q3864676 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

No enunciado: “Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.
A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente”, o emprego de quais classes gramaticais garante a coesão textual? 
Alternativas
Q3864675 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

A linguagem literária é plurissignificativa e possibilita múltiplas leituras e diferentes interpretações. A partir dessa premissa e do título do conto, que tipo de espaço é o rio desse texto? 
Alternativas
Q3864671 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

A expressão em destaque “Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos”, associa-se a qual das alternativas?   
Alternativas
Q3864670 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

Qual é a representação do barco que conduz o personagem do texto?  
Alternativas
Q3864478 Português
Leia o texto a seguir.

Deslocamentos caracterizam os ímpetos da concepção urbana de Anápolis, com os tropeiros que ali passavam, instalavam-se nessas localidades e, consequentemente, geravam trocas de mercadorias favoráveis ao comércio. Outro fator relevante foi a construção da Capela em honra a Sant’Ana, por Gomes de Sousa Ramos, em 1871. Isso potencializa o adensamento populacional na região de Anápolis, já que em 1871 existiam apenas sete casas, no ano seguinte esse número foi para 20 moradias, com uma população estimada em 120 pessoas só no povoado.

Amaral, L. F.; Lopes Filho, J. J. Estranhar e reconhecer: um processo de descontinuidades na paisagem urbana de Anápolis-GO (1870-2022). Paranoá, v. 17, e45325, 2024, p. 6. [Adaptado].

O crescimento populacional se associa com qual característica da população mencionada? 
Alternativas
Q3864477 Português
Leia o texto a seguir.

O Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas, de Goiânia, foi o grande vencedor da etapa Centro-Oeste do Prêmio Finep de Inovação, na categoria Cadeias Agroindustriais Sustentáveis, com o projeto Soluções Tecnológicas para o Aproveitamento Integral do Babaçu e Pequi. [...] A Coordenadora de Projetos do Instituto, Nathália Garcia, destacou o impacto social gerado pelo projeto: “É muito gratificante ver a inovação chegando na ponta, transformando a vida de mais de 7 mil famílias de agroextrativistas e agricultores familiares. Por meio desse projeto, conseguimos desenvolver cinco novos ingredientes a partir do aproveitamento integral do pequi e do babaçu – utilizando casca, polpa e semente. O que antes era considerado resíduo agora se transforma em produtos de alto valor agregado”.

BOLETIM SEMANAL DE NOTÍCIAS DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE GOIÁS. Senai conquista Prêmio Finep de Inovação ao transformar frutos do Cerrado em soluções sustentáveis. Ano 7, nº 261, Goiânia, 10 de outubro de 2025, p. 2 e 3. [Adaptado].

De que forma o projeto contribuiu com as famílias mencionadas?
Alternativas
Q3864475 Português
Leia o texto a seguir.
No componente materno-infantil, a Taxa de Mortalidade Infantil, medida em óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos, alcançou média municipal de 16,87. Trata-se de uma média entre municípios e não da taxa estadual. Observou-se que cerca de 20% dos municípios não registraram óbitos infantis, enquanto 80% apresentaram taxas inferiores a 29,47, havendo casos extremos com 96,77 óbitos por mil nascidos vivos. A elevada variabilidade do indicador sugere que ganhos adicionais dependem de cobertura contínua e de cuidados oportunos. Nessa direção, o Acompanhamento Pré-Natal, aferido pelo percentual de gestantes com sete ou mais consultas, registrou média de 81,02%, com mínimo de 42,31% e 80% dos municípios abaixo de 88,64%, o que revela espaço para ampliar o acesso e a regularidade do cuidado durante a gestação.

Lima, J. K. E.; Matos, P. D. S.; Siqueira, R. V. Índice de Desempenho dos Municípios (IDM). Goiânia-GO: Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica– IMB, 2025, p. 18. [Adaptado].


A elevada variabilidade desse indicador evidencia qual característica do Estado de Goiás?
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Q3864469 Português
Texto 3


Anteontem

Antonio Prata


No meio da frase, ao escrever "anteontem", empaquei. "Anteontem" existe? Não tô falando de anteontem, o dia antes de ontem. O dia, tenho certeza, existiu. Estive lá e tenho inclusive testemunhas, um link do "meets" e recibos do cartão de crédito.

Voltando ao assunto, escrevi "anteontem" e senti como se tivesse escrito "memo", "tamo", "somo". Dei um google rápido e, sim, surgiram várias frases com "anteontem". Poxa, que interessante. Por que será que "antes de ontem" conseguiu dicionarizar sua versão coloquial e, por exemplo, "memo", "tamo" e "somo", não?

[...]

Li, ano passado, o belíssimo "Latim em Pó", de Caetano Galindo. O livro traça os caminhos do português, desde a cópula milenar do galego com o latim até os dias de hoje. Termina assim: "Eu aqui me despeço e te digo em bom latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos, desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes (salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas negros africanos:

Saravá.

Seja bem-vinda."

Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me deparei com uma descrição mais precisa do "anteontem". Não nasceu de uma corruptela de "antes de ontem". É filha de uma linhagem mais nobre, irmã de "antebraço", "anteparo", "antecipar’, "antessala", "anteceder". O que me traz certa culpa por não ter, ao pesquisar melhor, "antecipado". Não importa. Sigo defendendo a mesma posição. De que a língua escrita se dobre à falada. Saravá.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2025/07/anteontempagarai.shtml. Acesso em: 18 nov. 2025. [Adaptado].
O Texto 3 apresenta o seguinte trecho: “Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me deparei com uma descrição mais precisa do ‘anteontem’. Não nasceu de uma corruptela de ‘antes de ontem’”. Nesse trecho, o cronista, ao usar a expressão “descrição mais precisa”, mitiga a inconsistência de uma informação que já havia dado, usando como recurso de linguagem
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Q3864468 Português
Texto 3


Anteontem

Antonio Prata


No meio da frase, ao escrever "anteontem", empaquei. "Anteontem" existe? Não tô falando de anteontem, o dia antes de ontem. O dia, tenho certeza, existiu. Estive lá e tenho inclusive testemunhas, um link do "meets" e recibos do cartão de crédito.

Voltando ao assunto, escrevi "anteontem" e senti como se tivesse escrito "memo", "tamo", "somo". Dei um google rápido e, sim, surgiram várias frases com "anteontem". Poxa, que interessante. Por que será que "antes de ontem" conseguiu dicionarizar sua versão coloquial e, por exemplo, "memo", "tamo" e "somo", não?

[...]

Li, ano passado, o belíssimo "Latim em Pó", de Caetano Galindo. O livro traça os caminhos do português, desde a cópula milenar do galego com o latim até os dias de hoje. Termina assim: "Eu aqui me despeço e te digo em bom latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos, desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes (salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas negros africanos:

Saravá.

Seja bem-vinda."

Ao dar um último google atrás da citação do Galindo, me deparei com uma descrição mais precisa do "anteontem". Não nasceu de uma corruptela de "antes de ontem". É filha de uma linhagem mais nobre, irmã de "antebraço", "anteparo", "antecipar’, "antessala", "anteceder". O que me traz certa culpa por não ter, ao pesquisar melhor, "antecipado". Não importa. Sigo defendendo a mesma posição. De que a língua escrita se dobre à falada. Saravá.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2025/07/anteontempagarai.shtml. Acesso em: 18 nov. 2025. [Adaptado].
A abertura da crônica “Anteontem” é construída a partir de um jogo de linguagem que se baseia na
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Q3864466 Português
Texto 2


O futuro sustentável sonhado pelo arquiteto chinês que morreu no Pantanal


Eliane Trindade


       Três meses antes de ser vítima de acidente aéreo no Brasil, Kongjian Yu concedeu entrevista para documentário brasileiro "Smart Cities – as Cidades do Futuro”. Acompanharam a entrevista conduzida por mim, como roteirista do documentário, o diretor Fábio Berringer, o produtor local Filipe Porto e o cinegrafista chinês Zhang QinZheng. Em conversa inédita, Kongjian Yu fala das perspectivas de construir um planetaesponja e uma nova civilização ecológica, amiga da água. Discorreu por mais de uma hora sobre como tornar as cidades e o planeta mais resilientes às intempéries climáticas. Ao final do encontro, passeou com a equipe pelos corredores da Turenscape, enfeitados por fotos de alguns dos projetos urbanísticos e paisagísticos entre os mil que levam sua assinatura.


Como o senhor resume o conceito de cidade-esponja?
É uma solução baseada na natureza para resolver problemas de inundações e secas urbanas, ao criar cidades resilientes. É uma solução holística, que usa a paisagem natural para retenção da água, desacelerando seu fluxo. A chave de uma cidade-esponja é a oposição à infraestrutura cinza convencional, construída sobre um sistema de tubulações de concreto e de drenagem. Uma cidade-esponja retém a água, que não é inimiga.


Como nasceu o conceito?
Vem da cultura das monções. A ideia de cidade-esponja foi inspirada por esse fenômeno atmosférico típico do Sul e Sudeste asiático. Nasci em uma pequena vila na província de Zhejiang, onde há tempestades durante a estação das monções. Então, desde muito jovem aprendi como reter a água no período de inundações para reutilização na estação seca. É um conhecimento ancestral sobre como lidar com a alternância de inundações e secas, de forma a manter o equilíbrio hidrológico.


Então, o futuro também é ancestral?
Sim. Temos que olhar para o passado, para a experiência acumulada ao longo dos séculos. Estamos falando de milhares de anos de cooperação com a natureza, que nos mostram como criar uma paisagem resiliente. É por isso que esses conhecimentos ancestrais podem ser inspiração para tornar o nosso planeta mais resiliente diante das mudanças climática.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2025/11/ofuturo-sustentavel-sonhado-pelo-arquiteto-chines-que-morreu-nopantanal.shtml. Acesso em: 17 nov. 2025. [Texto reduzido e adaptado].
A interrogação “Então, o futuro também é ancestral?” apresenta de forma implícita, considerando-se o fluxo da interação discursiva, o pressuposto de que
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Respostas
4121: D
4122: C
4123: D
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4125: B
4126: E
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