Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3650395 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

Para o autor, nesse texto, o medo parece ser uma força maior do que o amor porque
Alternativas
Q3650394 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

Em qual dos trechos a seguir se pode observar o uso de uma linguagem conotativa?
Alternativas
Q3650393 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

No 7º parágrafo, a palavra “paliativo” NÃO pode ser substituída, sob a pena de alteração do sentido do enunciado, por
Alternativas
Q3650390 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

A partir da leitura da crônica apresentada, infere-se que o autor
Alternativas
Q3647139 Português
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) acerca do tema gêneros textuais.
( ) Os gêneros textuais são diferentes formas de texto, usadas para transmitir as mensagens que pretendemos aos seus receptores.
( ) O avanço tecnológico provocou alterações nos meios de comunicação e também na linguagem, o que deu origem aos gêneros digitais.
( ) O advento da tecnologia trouxe novos tipos de gêneros: videoconferências, chats e e-mails.
( ) Os gêneros textuais apresentam definições linguísticas e estruturais e excluem a tipologia textual tradicional.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3647126 Português
O texto abaixo compõe O livro das ignorãças, de Manoel de Barros.

No descomeço era o verbo.

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos —

O verbo tem que pegar delírio.

BARROS, Manoel de. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, s/d, p. 15.
Assinale a alternativa correta com base em sua leitura e interpretação do Texto.
Alternativas
Q3647124 Português
É um Adjunto, e daí?

Na prática escolar típica, tanto os ensinamentos quanto os exercícios e as avaliações param, frequentemente, na identificação de objetos e funções. É comum que se solicite a alunos ou vestibulandos que respondam se tal palavra é um adjetivo ou um substantivo, se um certo “que” é uma conjunção integrante ou um pronome etc. A minha pergunta, que tenho feito a professores em palestras, e que repito aqui, é a seguinte: depois que você achou um advérbio, o que é que você faz com ele? Pergunto sempre isso porque acho que o importante não é identificar, embora este possa ser o primeiro e necessário passo para depois poder dar outros. Mas, repito, em geral, para-se na identificação. Eu diria que o mais importante não é identificar, mas tentar explicitar o que é que tal palavra ou locução está fazendo aí. Especialmente, que importância tem para a significação. Com quais outras palavras ou expressões está relacionada? Se mudasse de lugar, provocaria uma mudança no sentido?

Tomemos um exemplo bastante simples (se é que há algum exemplo simples em alguma língua), a frase: “O chefe disse que ia viajar ontem.” Tenho certeza de que, se essa frase fizesse parte de um exame qualquer, e supondo que o examinador quisesse checar o conhecimento do candidato a propósito de “ontem” perguntaria pela função dessa palavra na frase ou por sua classificação segundo a gramática. [...]

POSSENTI, Sírio. A cor da língua e outras croniquinhas de linguista. Campinas: Mercado das Letras, 2009. p. 22-23
Assinale a alternativa correta de acordo com o Texto.
Alternativas
Q3647122 Português
Leitores de carteirinha: junho de 2021

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

Jamile da Cruz Novais, 18 – Salvador (BA) Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada.

Esse é o primeiro livro da escritora Carolina Maria de Jesus, que foi publicado por intermédio de um repórter que se interessou pelo diário em que ela escrevia quase todos os dias. Como ela era semianalfabeta, para o livro ser publicado, teve que passar por algumas alterações, mas tentaram e conseguiram manter a originalidade de sua escrita.

Ela morava numa favela em São Paulo e era catadora de material reciclável. Era daí que ela tirava seu sustento e o de seus três filhos. Ela via como a vida de muitos se esvaíra, era essa a sua realidade, mas continuava a manter-se forte, principalmente pelos seus filhos.

Depois da publicação de Quarto de despejo, que foi traduzido para mais de dez línguas, ela se mudou para uma casa melhor, no subúrbio da cidade. Morreu aos 62 anos, devido a uma crise de asma.

A leitura agrega bastante no nosso conhecimento, expõe talentos, traz reflexão e nos ensina cada lição! Nessa obra, vemos a vida do favelado, do pobre e do preto, passando fome, frio e todo tipo de discriminação, tendo que chegar a comer comida do lixão. Essa é, infelizmente, a nossa nação.

São situações reais, muitas vezes tratadas como banais, mas em que se percebem agressões, assassinatos, sofrimento. Aí pensamos: quando é que vai acabar esse tormento? Tanto racismo, preconceito, humilhação. Lutaremos para mudar isso, população! Está na hora de evoluir e mostrar respeito. Afinal de contas, ninguém merece viver em um quarto de despejo.

Carolina Maria de Jesus, escritora, mãe solteira, compositora, poetisa, preta, brasileira, mostrou sua força, a de mulher guerreira.

Disponível em:  <https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-infantojuvenil/leitores-de-carteirinha-junho-de-2021>. Acesso em 25 out. 2023 [Adaptado]
O Texto foi extraído de uma revista de livros contemporânea, de uma seção na qual os colaboradores eram leitores jovens que falavam sobre suas experiências de leitura.
Analise as alternativas a seguir e assinale a correta.
Alternativas
Q3646836 Português

TEXTO I


   Do descobridor de talentos. Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas para circo, teatro, televisão, o diabo. Tava ele lá, no seu escritório, no último andar do Empire State Building, quando a secretária anunciou o próximo candidato. 

   — Pode entrar, meu filho.

   O rapaz, tímido, entrou.

   — Que é que você sabe fazer?

   — Sei imitar passarinho.

  — IMITAR PASSARINHO??? — berrou o descobridor, pedavida. — Imitar passarinho!!! Pô! Então eu estou aqui no meu trabalho, cheio de coisas pra fazer e o senhor vem me importunar pra dizer que imita passarinho. Rua! Rua!!!

   O cara olhou muito triste pro descobridor, caminhou até a janela do escritório e saiu voando.


(Ziraldo. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982. P.75.)

A expressão IMITAR PASSARINHO??? Está escrita em letras maiúsculas, em negrito e termina com três pontos de interrogação. Marque a alternativa que justifica essa expressão estar grafada assim.
Alternativas
Q3646634 Português
TEXTO II

    [...] A temperatura média mundial subiu cerca de meio grau centígrado desde o século passado.
  Entre os fatores mais preocupantes responsáveis por essa tendência estão as substâncias químicas chamadas clorofluorcarbonos, os CFCs. [...] Amplamente usados desde os anos 50, especialmente em aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e isolantes de espuma, os CFCs também estão corroendo a camada de ozônio da estratosfera, que nos protege dos nocivos raios ultravioleta do Sol.

(Fascículo CLIMA II, da série “A aventura do conhecimento”, encarte do jornal O Estado de São Paulo, 17/12/1995.)
O texto acima, quanto ao gênero textual, pode ser considerado como um texto
Alternativas
Q3646632 Português

TEXTO I


CIDADEZINHA QUALQUER


Casas entre bananeiras

Mulheres entre laranjeiras

Pomar amor cantar.


Um homem vai devagar.

Um cachorro vai devagar.

Um burro vai devagar.


Devagar... as janelas olham.


Eta vida besta, meu Deus.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar,1988.)

Considere o verso: “Devagar ... as janelas olham.” Marque a alternativa correta sobre a figura de linguagem presente nesse verso.
Alternativas
Q3646532 Português

TEXTO I


    Do descobridor de talentos. Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas para circo, teatro, televisão, o diabo. Tava ele lá, no seu escritório, no último andar do Empire State Building, quando a secretária anunciou o próximo candidato.

   — Pode entrar, meu filho.

   O rapaz, tímido, entrou.

   — Que é que você sabe fazer?

   — Sei imitar passarinho.

  — IMITAR PASSARINHO??? — berrou o descobridor, pedavida. — Imitar passarinho!!! Pô! Então eu estou aqui no meu trabalho, cheio de coisas pra fazer e o senhor vem me importunar pra dizer que imita passarinho. Rua! Rua!!!

    O cara olhou muito triste pro descobridor, caminhou até a janela do escritório e saiu voando.


(Ziraldo. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982. P.75.)

Observe a expressão: “Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas [...]”. Marque a alternativa que apresenta um sinônimo adequado para o termo grifado nesse contexto:
Alternativas
Q3646525 Português

TEXTO I


    Do descobridor de talentos. Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas para circo, teatro, televisão, o diabo. Tava ele lá, no seu escritório, no último andar do Empire State Building, quando a secretária anunciou o próximo candidato.

   — Pode entrar, meu filho.

   O rapaz, tímido, entrou.

   — Que é que você sabe fazer?

   — Sei imitar passarinho.

  — IMITAR PASSARINHO??? — berrou o descobridor, pedavida. — Imitar passarinho!!! Pô! Então eu estou aqui no meu trabalho, cheio de coisas pra fazer e o senhor vem me importunar pra dizer que imita passarinho. Rua! Rua!!!

    O cara olhou muito triste pro descobridor, caminhou até a janela do escritório e saiu voando.


(Ziraldo. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982. P.75.)

Observe os vocábulos do texto: “cara”,”pedavida”,”pra”, “pro”, “tava ele lá”. Marque a alternativa que apresenta o nível de linguagem empregados nesses vocábulos.
Alternativas
Q3646524 Português

TEXTO I


    Do descobridor de talentos. Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas para circo, teatro, televisão, o diabo. Tava ele lá, no seu escritório, no último andar do Empire State Building, quando a secretária anunciou o próximo candidato.

   — Pode entrar, meu filho.

   O rapaz, tímido, entrou.

   — Que é que você sabe fazer?

   — Sei imitar passarinho.

  — IMITAR PASSARINHO??? — berrou o descobridor, pedavida. — Imitar passarinho!!! Pô! Então eu estou aqui no meu trabalho, cheio de coisas pra fazer e o senhor vem me importunar pra dizer que imita passarinho. Rua! Rua!!!

    O cara olhou muito triste pro descobridor, caminhou até a janela do escritório e saiu voando.


(Ziraldo. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982. P.75.)

O texto faz uma rápida contextualização do fato e coloca em evidência a fala das personagens. Marque a alternativa que apresenta o tipo de discurso que predomina no texto.
Alternativas
Q3646405 Português

TEXTO I



Sempre alerta!


     Grande espírito, o daquele escoteiro. Estava na rua, segurando seu feroz cão policial, quando viu parar um ônibus. Os passageiros desceram, subiram, o ônibus pôs-se a andar. No momento em que o ônibus ia andando, apareceu um velhinho tentando pegá-lo. Correu atrás do ônibus. Quando já o ia pegando, o ônibus aumentou a velocidade. No instante exato em que o velhinho , aborrecido, ia desistir do ônibus, o escoteiro não teve dúvida: soltou o cachorro policial em cima dele. O velho pôs-se a correr desesperadamente e, como única salvação, pegou o ônibus que já ia quinhentos metros adiante. O escoteiro segurou de novo o cão e voltou para casa, feliz, tendo praticado sua boa ação do dia.

     Moral: No cerne da violência nem sempre há violência.


(Fábulas fabulosas. 12ª ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. P. 43.)

O texto “Sempre alerta!” serve para
Alternativas
Q3646404 Português

TEXTO I



Sempre alerta!


     Grande espírito, o daquele escoteiro. Estava na rua, segurando seu feroz cão policial, quando viu parar um ônibus. Os passageiros desceram, subiram, o ônibus pôs-se a andar. No momento em que o ônibus ia andando, apareceu um velhinho tentando pegá-lo. Correu atrás do ônibus. Quando já o ia pegando, o ônibus aumentou a velocidade. No instante exato em que o velhinho , aborrecido, ia desistir do ônibus, o escoteiro não teve dúvida: soltou o cachorro policial em cima dele. O velho pôs-se a correr desesperadamente e, como única salvação, pegou o ônibus que já ia quinhentos metros adiante. O escoteiro segurou de novo o cão e voltou para casa, feliz, tendo praticado sua boa ação do dia.

     Moral: No cerne da violência nem sempre há violência.


(Fábulas fabulosas. 12ª ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. P. 43.)

O texto “Sempre alerta!”, da obra Fábulas fabulosas,
Alternativas
Q3645634 Português
TEXTO IV


HUMILHANTE CRASE


      Janistraquis não costuma recortar apenas os títulos, mas as notícias inteiras. Entretanto, [...] ele fracassou. “Considerando, o Caderno 2 quer nos enlouquecer”, garantiu Janistraquis, brandindo um título realmente intrigante: Veneza abre os braços à Casanova.

          “Cadê o texto?”, perguntei, mas meu secretário não conseguira localizá-lo. Como é que essa cidade pode abrir os braços a uma casa nova, se é cidade antiquíssima, feita de edificações medievais? Janistraquis alertou- -me para o fato de que não se tratava de casa nova, mas Casanova, nome de gente. Ah! Então referia-se àquele conquistador!

         O título tornava-se, todavia, mais confuso. Como é que Veneza pode abrir os braços à maneira de Casanova? Seria abrir os braços de forma obscena, como fazia o velho fauno nos salões e também nos becos e gôndolas? Denso mistério.[...]


(JAPIASSU, Moacir. Jornal de Imprensa: a notícia levada a sério. São Paulo: Jornal dos Jornais Editora, 1997. P. 106.)
Analise as afirmações abaixo sobre o texto “Humilhante crase”:

I- A crase antes da palavra “Casanova” incomoda o autor, pois não há artigo feminino antes do sobrenome “Casanova”.
II- A preposição “a”, que ocorre nesse contexto, é exigida pela expressão “abrir os braços”.
III- A ironia, segundo Japiassu, está no fato de o jornal sugerir que uma cidade antiquíssima “abrisse os braços” para uma “casa nova”.

Marque a alternativa correta:
Alternativas
Q3645633 Português
TEXTO III

DOS MUNDOS


Deus criou este mundo. O homem, todavia,
Entrou a desconfiar, cogitabundo...
Decerto não gostou lá muito do que via...
E foi logo inventando o outro mundo.



 (QUINTANA, MÁRIO.
Poesias. Porto Alegre, Globo, 1983).
Considere o vocábulo “cogitabundo”. Nesse texto, ele pode ser substituído sem prejuízo de sentido por:
Alternativas
Q3645632 Português
TEXTO III

DOS MUNDOS


Deus criou este mundo. O homem, todavia,
Entrou a desconfiar, cogitabundo...
Decerto não gostou lá muito do que via...
E foi logo inventando o outro mundo.



 (QUINTANA, MÁRIO.
Poesias. Porto Alegre, Globo, 1983).
Analise os verbos “desconfiar”, “gostou”, “inventando” grifados no texto . Esses verbos exprimem
Alternativas
Q3645628 Português
TEXTO I


RETRATO


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida a minha face?


(MEIRELES, CECÍLIA. Obra poética.
Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1987.)
Marque a alternativa que apresenta o tema central desse texto: 
Alternativas
Respostas
27641: A
27642: D
27643: C
27644: D
27645: A
27646: A
27647: A
27648: E
27649: C
27650: D
27651: D
27652: D
27653: B
27654: A
27655: A
27656: B
27657: D
27658: C
27659: B
27660: A